segunda-feira, junho 29, 2026

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Saúde do solo sustenta produtividade da cana



Outro ponto importante está relacionado à brotação


Outro ponto importante está relacionado à brotação
Outro ponto importante está relacionado à brotação – Foto: Divulgação

A produtividade sustentável da cana-de-açúcar depende de uma visão mais ampla sobre o solo, que vai além da correção química e do fornecimento de nutrientes. A avaliação é de Vitor Nunes, engenheiro agrônomo, ao destacar que a microbiota do solo exerce papel essencial na construção de ambientes produtivos mais equilibrados, resilientes e eficientes.

Na canavicultura, bactérias, fungos e outros microrganismos benéficos participam diretamente de processos fundamentais para o desempenho das lavouras. Entre eles estão a ciclagem de nutrientes, a fixação biológica de nitrogênio, a solubilização de fósforo, o desenvolvimento radicular, a melhoria da estrutura do solo e a supressão de doenças.

Esse conjunto de interações biológicas contribui para que o solo funcione como um ambiente vivo e dinâmico, capaz de sustentar sistemas produtivos mais estáveis. Solos biologicamente ativos favorecem o maior aproveitamento dos fertilizantes e ajudam a ampliar a tolerância das plantas a estresses hídricos, aspecto relevante para a manutenção da produtividade em diferentes condições de campo.

Outro ponto importante está relacionado à brotação de soqueira e à longevidade dos canaviais. Quando a atividade biológica do solo é preservada e estimulada, há melhores condições para o desenvolvimento das raízes e para a continuidade do ciclo produtivo, reduzindo perdas e fortalecendo a estabilidade da produção ao longo do tempo.

Na canavicultura moderna, o solo deve ser compreendido como um sistema integrado, no qual os aspectos físicos, químicos e biológicos atuam de forma conjunta. Essa abordagem reforça a importância de práticas voltadas à saúde biológica do solo como parte da estratégia para alcançar produtividade, sustentabilidade e estabilidade produtiva no longo prazo.

 





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Nova embalagem substitui conservantes e pode eliminar bactérias nocivas de alimentos


vitrine embalagens mercado
Foto: Pixabay

No Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, pesquisadores desenvolveram um novo tipo de embalagens para alimentos com agentes antimicrobianos naturais, capazes de eliminar bactérias nocivas à saúde humana.

Testes laboratoriais comprovaram a eficácia das embalagens, que usam uma estrutura com vírus que infectam bactérias e apresentam potencial para aumentar o tempo de conservação de produtos alimentícios.

A pesquisa aparece em artigo da revista científica Food and Bioprocess Technology.

“O objetivo do trabalho foi desenvolver embalagens alimentares antimicrobianas usando nanotecnologia e bacteriófagos para reduzir a contaminação bacteriana em alimentos”, conta a pesquisadora de pós-doutorado do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano) do IFSC e primeira autora do artigo, Fernanda Coelho.

Controle de bactérias e segurança alimentar

Nesse sentido, ela destaca que o estudo focou em criar materiais capazes de aumentar a segurança alimentar e prolongar a vida útil dos produtos de maneira mais sustentável e específica do que os conservantes convencionais.

“Bacteriófagos são vírus naturais que infectam exclusivamente bactérias. Eles atuam como agentes antimicrobianos altamente específicos, eliminando bactérias indesejadas sem afetar alimentos, humanos ou microrganismos benéficos”, relata Fernanda Coelho.

“Em embalagens alimentares, podem ajudar a controlar bactérias contaminantes e deteriorantes, aumentando a segurança e conservação dos alimentos”, finaliza.

Segundo a pesquisadora Sanna Sillankorva, do Grupo de Nanomedicina (NM) do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) em Portugal, que participou da pesquisa, os bacteriófagos constituem uma estratégia inovadora no controle de microrganismos patogênicos.

“A integração de fagos com abordagens nanotecnológicas potencializa a ação antimicrobiana de forma direcionada e sustentável, reduzindo o uso de conservantes químicos e respondendo às exigências atuais da indústria alimentar”, afirma.

Biopolímeros

Dessa forma, pesquisadores desenvolveram revestimentos e materiais nanoestruturados utilizando biopolímeros, especialmente alginato de sódio, incorporados com bacteriófagos.

“Também foram produzidas nanofibras e coatings (revestimentos) antimicrobianos utilizando técnicas como ultrasonic spray coating e eletrofiação (electrospinning), que permitem formar estruturas finas, homogêneas e com alta área superficial”, descreve Fernanda, pesquisadora do IFSC.

“O alginato de sódio é um biopolímero natural extraído principalmente de algas marinhas marrons, como espécies dos gêneros LaminariaMacrocystis e Ascophyllum”, aponta.

De acordo com a pesquisadora,o material reúne características biodegradáveis, biocompatíveis e atóxicas, o que amplia seu uso nas indústrias alimentícia, farmacêutica e biomédica, além do desenvolvimento de filmes plásticos e revestimentos para embalagens sustentáveis.

“Nós aplicamos as nanoestruturas em filmes e revestimentos para embalagens de papel e plástico, incluindo superfícies de poliestireno e papel vegetal, simulando materiais utilizados na indústria alimentícia. Os materiais apresentaram atividade antimicrobiana eficiente contra bactérias como Escherichia coli e Pseudomonas fluorescens”, explica Fernanda Coelho.

Além disso, ela ressalta que os bacteriófagos permaneceram ativos após incorporação nos materiais, e os revestimentos não alteraram significativamente as propriedades mecânicas das embalagens e, também, mostraram potencial para liberação gradual e ação prolongada.

“Os bacteriófagos permaneceram ativos após incorporação nos materiais, e os revestimentos não alteraram significativamente as propriedades mecânicas das embalagens”, destaca.

De olho na indústria

De acordo com Fernanda Coelho, as embalagens desenvolvidas apresentam potencial de aplicação em diferentes tipos de alimentos suscetíveis à contaminação bacteriana, especialmente produtos frescos e minimamente processados, como carnes, vegetais, frutas, laticínios e alimentos prontos para consumo.

“Como os bacteriófagos utilizados atuam de forma específica contra bactérias contaminantes, as embalagens podem contribuir para aumentar a segurança microbiológica e prolongar a vida útil desses produtos sem alterar suas características sensoriais”, enfatiza.

Apesar disso, para as embalagens serem empregadas comercialmente, ainda são necessários estudos de escalabilidade industrial, estabilidade em longo prazo, regulamentação e validação em alimentos reais, observa a pesquisadora do IFSC.

“Também é importante avaliar custo de produção, armazenamento e aprovação pelos órgãos regulatórios para aplicação segura em embalagens comerciais”, conclui.

O Coordenador do GNano, professor Valtencir Zucolotto, destaca que a nanotecnologia é fundamental para a agricultura em geral, e em particular para a proteção de alimentos, e que ela não é apenas uma inovação científica, mas uma ferramenta estratégica para a sociedade contemporânea.

“Ao permitir o controle mais eficiente de contaminações e a preservação da qualidade dos alimentos, esta tecnologia atua diretamente na proteção da saúde coletiva, na redução do desperdício e na garantia de acesso a alimentos mais seguros”, pontua. “Estes são aspectos essenciais em um mundo marcado por desafios alimentares crescentes.”

*Com informações do Jornal da USP/Júlio Bernardes

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Joaninhas ajudam no controle de pragas e ganham espaço nas lavouras de SP


Joaninha
Foto: Pixabay

As joaninhas têm sido utilizadas como aliadas no controle biológico de pragas em diferentes culturas agrícolas no estado de São Paulo. O inseto atua na predação de pulgões, cochonilhas, ácaros e moscas-brancas, reduzindo a presença de organismos que afetam a produção no campo.

Segundo Erica Tomé, engenheira agrônoma da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) de Araraquara, a atuação das joaninhas ocorre em diferentes fases do ciclo de vida. “Geralmente, a joaninha beneficia todas as culturas que podem sofrer com estas pragas. Elas podem comer, por exemplo, cerca de 50 pulgões por dia”, explica.

Além do consumo de insetos, algumas espécies também se alimentam de fungos associados a doenças em plantas, como no caso do quiabeiro.

Pesquisas acompanham atuação das joaninhas

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por meio do Instituto Biológico (IB-Apta) de Ribeirão Preto, mantém estudos sobre o comportamento das joaninhas em laboratório e no campo.

As pesquisas analisam a diversidade das espécies, o consumo de pragas e a eficiência no controle biológico nas lavouras. Também são avaliadas estratégias para preservar os insetos nas áreas de cultivo.

A pesquisadora Terezinha Monteiro acompanha o tema desde o mestrado e destaca a importância das joaninhas para diferentes sistemas de produção.

“Devido ao hábito alimentar polífago e alta voracidade, as joaninhas, tanto na fase jovem (larva) e adulta, controlam com sucesso uma variedade de pragas em hortaliças, em culturas de produção de cereais e de grãos, pomares de laranja, além de plantas ornamentais. Deste modo, este pequeno predador proporciona benefícios aos agricultores que produzem alimentos que compõem a refeição do dia a dia da população”.

Citricultura concentra espécies de joaninhas

De acordo com a pesquisadora, uma mesma planta pode reunir diferentes espécies de joaninhas, cada uma especializada em determinado tipo de praga.

“Em uma única planta podemos encontrar uma diversidade de espécies de joaninhas. Por exemplo, em pomares de laranja existem muitas espécies de joaninhas, aquelas que preferem consumir pulgões, outras que consomem cochonilhas, ácaros e também psilídeos”.

Ela afirma ainda que os pomares paulistas estão entre os ambientes beneficiados pela presença dos insetos.

“O estado de São Paulo é agraciado por ser o maior produtor de laranja do Brasil e o maior exportador de suco de laranja do mundo. Em pomares dessa fruta cítrica, destaca-se a ação de variadas espécies de joaninhas no controle de pragas dos citros, como cochonilhas, pulgões e ácaros. Um grande exemplo de controle biológico de pragas no Brasil”, ressalta Terezinha.

Manejo e flores ajudam a manter insetos nas lavouras

Segundo Erica Ybarra, chefe de Divisão da CATI Regional de Araraquara, áreas com manejo integrado de pragas (MIP) e produção orgânica costumam apresentar maior presença de joaninhas.

“Geralmente, em áreas de culturas orgânicas, com Certificação Orgânica, e naquelas onde são aplicadas as técnicas de MIP, a presença de joaninhas tende a ser maior”.

A diversidade de flores também influencia a permanência dos insetos nas áreas agrícolas. Plantas com pólen e néctar servem como fonte de alimento e abrigo para as joaninhas adultas.

“Além de conservar as joaninhas que já estão nos cultivos, é possível atraí-las ainda mais. Isso porque, na fase adulta, além de caçarem pragas, elas se alimentam de pequenas porções de pólen e néctar, o que garante sua sobrevivência em épocas de falta de alimento. Essas plantas também servem como abrigo, promovendo um ambiente adequado que favorece a reprodução e a permanência delas na área”, destaca a pesquisadora.

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Erro na produção pode manchar imagem dos biológicos



A promessa de uma solução barata e simples pode gerar frustração


A promessa de uma solução barata e simples pode gerar frustração
A promessa de uma solução barata e simples pode gerar frustração – Foto: Divulgação

A produção de insumos biológicos sem controle técnico tem gerado preocupação sobre os impactos na confiança do produtor rural. Segundo informações de Diego Meurer, produtor e pesquisador, falhas observadas em sistemas on farm podem comprometer não apenas uma operação específica, mas a credibilidade dos biológicos como ferramenta agrícola.

“O mais preocupante é ver processos claramente problemáticos sendo validados como se qualquer caldo fermentado pudesse ser chamado de “produto biológico”. Para quem não entende microbiologia, qualquer crescimento pode parecer suficiente. Mas para gerar resultado no campo, definitivamente não é assim”, conclui.

A promessa de uma solução barata e simples pode gerar frustração quando os resultados não aparecem. Nesses casos, o produtor tende a desacreditar da tecnologia como um todo, sem diferenciar sistemas on farm de produtos industriais desenvolvidos com pesquisa, seleção de cepas, formulação, shelf life e controle de qualidade.

De acordo com ele, essa percepção preocupa a cadeia, porque empresas que seguem protocolos técnicos acabam dividindo a mesma desconfiança provocada por processos mal conduzidos. Para Meurer, a reflexão central é que a microbiologia precisa ser tratada com responsabilidade. 

“Precisamos parar de romantizar processos sem qualidade e começar a tratar microbiologia com a responsabilidade que ela exige. Porque sem qualidade, controle e honestidade técnica, não estamos fortalecendo os biológicos. Estamos ajudando a destruir a confiança em uma das ferramentas mais promissoras da agricultura moderna”, conclui.





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Nova Piratininga: maior fazenda do Brasil aposta na TIP para engorda de 10 mil animais


Vacas e novilhas em movimentação entre áreas de pastagem na fazenda Nova Piratinga. Foto: Reprodução/Giro do Boi
Vacas e novilhas em movimentação entre áreas de pastagem na fazenda Nova Piratinga. Foto: Reprodução/Giro do Boi

O programa Giro do Boi desta semana apresentou os bastidores da Nova Piratininga, considerada a maior fazenda de gado do Brasil, que desenvolve o maior projeto de ciclo completo de produção de carne do país.

Com um rebanho que varia entre 120 e 125 mil cabeças e uma área de 200 mil hectares, localizada entre Goiás e Tocantins, a propriedade se destaca pela implementação da Terminação Intensiva a Pasto (TIP) como parte de sua estratégia de produção.

Em entrevista, o gerente de pecuária, Pedro Vinícius Souza Alves, afirmou que o sistema TIP é fundamental para a terminação de cerca de 10 mil fêmeas anualmente, transformando o descarte em carcaças de alto valor agregado. Ao contrário do sistema de confinamento convencional, que abriga apenas machos, a TIP da Nova Piratininga é voltada para vacas e novilhas, visando valorizar o animal proveniente do sistema de cria.

Confira a entrevista completa:

Agronegócio e eficiência alimentar

A Nova Piratininga utiliza uma extensa área agrícola de 13 mil hectares para reduzir custos com alimentação e aumentar a eficiência alimentar por meio do sorgo reidratado. A fazenda aposta na reidratação e ensilagem do grão de sorgo por até setenta dias, potencializando a digestibilidade do alimento. “O sorgo vira milho”, afirma Pedro Vinícius, referindo-se ao ganho de energia proporcionado por esse processo.

A dieta dos animais é complementada com torta de algodão, farelo de soja e a inserção gradual do DDG, aproveitando a logística das usinas locais. Para minimizar o impacto do calor intenso de São Miguel do Araguaia (GO), a alimentação é dividida, evitando os horários de pico entre as 10h e 14h, permitindo que os animais consumam a ração em momentos de maior conforto térmico.

Gestão e estrutura

A gestão da Nova Piratininga requer uma estrutura robusta, refletindo o nível de profissionalismo na pecuária intensiva brasileira. A fazenda conta com 1.500 km de estradas internas e uma equipe de 420 colaboradores, dos quais 250 são dedicados exclusivamente à lida com o gado. Com 55 mil matrizes, a TIP assegura um fluxo de caixa eficiente, garantindo que nenhum animal saia da propriedade sem o acabamento de gordura requerido pela indústria.

A combinação de tecnologia e planejamento é crucial para o funcionamento da TIP na Nova Piratininga. “Não adianta tecnologia se você não tiver um time com o mesmo propósito”, resume o gerente de pecuária. O sucesso da fazenda se deve ao alinhamento entre profissionais qualificados e as práticas inovadoras implementadas.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Sua pecuária com números reais. O Aegro lança o módulo de gestão do rebanho


Quem trabalha com gado de corte conhece a cena: a fazenda tem rebanho, tem caderno, tem planilha de cabeça, tem nota de compra de bezerro guardada em pasta. O que costuma faltar é o número que importa de fato. Quanto custou a arroba produzida no último ciclo? Quanto sobrou depois de descontar suplementação, mão de obra, depreciação e tempo de pasto? A resposta é, na maioria das fazendas, um “mais ou menos”.

O Aegro está lançando agora um módulo dedicado à pecuária de corte. O foco é simples: trazer para o gado a mesma leitura econômica que o produtor já consegue ter da lavoura quando usa o sistema. Vale para a fazenda mista, que junta grãos e gado, e vale também para a fazenda que só toca pecuária. Em qualquer um dos perfis, o ganho está no mesmo lugar: parar de operar com sensação e passar a operar com dado consolidado.

Para o pecuarista puro, o problema não é menor

Quem só trabalha com gado costuma ter clareza de quantidade. Sabe quantas cabeças tem, quantos lotes estão no pasto e qual lote vai sair primeiro. O que escapa é a leitura econômica. O custo do quilo produzido se perde entre cadernos e aplicativos de manejo que não conversam com o financeiro nem com o fiscal. O contador pede o relatório, e a fazenda monta de novo, do zero.

Quando o registro do rebanho fica solto do financeiro da fazenda, três coisas atrapalham o resultado. A primeira é a falta de comparação entre lotes: dois lotes podem parecer iguais em peso e em tempo de pasto, mas terem custos muito diferentes, e o produtor só descobre quando vende. A segunda é a invisibilidade do patrimônio: o gado é um dos maiores ativos da fazenda e raramente entra na conta do balanço com critério. A terceira é a dificuldade de prestar conta: receita de boi, NF-e de produtor, livro caixa e despesa de pasto ficam em sistemas separados, e fechar o mês vira esforço.

O Módulo Pecuária do Aegro foi pensado para resolver esse pedaço da gestão. Não é um sistema de manejo intensivo do curral. É um sistema de gestão econômica do rebanho, com o financeiro e o fiscal da fazenda no mesmo lugar.

Para a fazenda mista, o ganho é imediato

Na propriedade que junta lavoura e pecuária, o caixa é um só, mas o resultado é múltiplo. A soja paga as contas em julho. O boi entra na entressafra, segura o fluxo entre uma colheita e outra, ocupa a área que ficaria parada. No fim do ano, o produtor olha para o balanço e a pergunta é sempre a mesma: quanto cada atividade deu de lucro de verdade?

Quem trabalha com Integração Lavoura-Pecuária convive com isso na pele. A pastagem usa a mesma terra que a soja podia ocupar. O trator passa nos dois lados. O funcionário cuida do gado de manhã e da máquina à tarde. Os custos se misturam, e o resultado de cada atividade fica preso em duas planilhas que não conversam: a do escritório e a do caderno do capataz.

Em uma fazenda mista, terra, maquinário, mão de obra fixa e energia formam uma base comum que sustenta lavoura e pecuária ao mesmo tempo. Quando o registro é informal, esses custos costumam ficar todos na conta da lavoura. A pecuária aparece no relatório só com o que é direto: sal, vacina, suplemento. Resultado: o gado parece mais lucrativo do que realmente é, ou aparece com retorno menor porque o produtor não consegue separar o que é receita do ciclo daquilo que é venda de patrimônio.

A consequência é prática. Na hora de decidir se aumenta a área de pasto, se confina o lote de terminação, se mantém o arrendamento, o produtor decide no feeling, sem dado consolidado.

Os três pilares que sustentam a leitura econômica do rebanho

Existem três pilares que toda fazenda com pecuária deveria conseguir calcular, e que são especialmente importantes quando o gado divide a propriedade com a lavoura.

O primeiro é o rateio dos custos fixos entre as atividades, seja por área ocupada, por uso de recursos ou por participação na receita. O segundo é o custo de oportunidade da terra, que mostra o quanto a área de pastagem deixou de gerar caso fosse ocupada com lavoura ou destinada a uma intensificação maior. O terceiro é a margem por hectare, indicador único que permite comparar atividades distintas sob o mesmo critério.

Para fazer essa conta, a fazenda precisa de uma condição básica: ter os dois lados do negócio registrados no mesmo sistema. Sem essa integração, qualquer comparação é distorcida pelo método.

O que muda agora com o módulo de pecuária do Aegro

O Aegro já é o sistema de gestão que organiza a lavoura. Centraliza a safra, o financeiro, o estoque, a nota fiscal do produtor e o fiscal em um lugar só. Agora, o sistema passa a controlar também o rebanho da fazenda. Funciona tanto para quem toca lavoura e pecuária na mesma propriedade quanto para quem trabalha exclusivamente com gado de corte.

O Módulo Pecuária foi pensado para o produtor que faz recria, engorda ou terminação. Com o novo módulo, é possível:

– Cadastrar e editar lotes do rebanho.

– Registrar movimentações e transferências entre lotes.

– Lançar a compra e a venda de animais com integração direta ao financeiro da fazenda.

– Acompanhar o patrimônio em gado dentro do mesmo painel onde o produtor já acompanha a lavoura e o financeiro da propriedade.

Para a fazenda mista, isso significa que a entrada de receita pela venda de boi cai no mesmo fluxo de caixa em que entram a venda de soja e a saída da nota de fertilizante.

Para o pecuarista puro, significa registrar a compra de bezerro e a venda do lote engordado no mesmo sistema que emite a nota e gera o livro caixa, sem precisar exportar e remontar planilha.

Para quem é

O Módulo Pecuária foi desenhado para dois perfis principais.

O primeiro é o produtor que trabalha com Integração Lavoura-Pecuária. Em geral, são fazendas maiores, com áreas de soja, milho e pasto formado, e que usam o gado para terminação na entressafra, para diversificação de receita ou para ocupar áreas em rotação.

O segundo é o pecuarista que tem o gado como atividade principal. Foco em recria, engorda ou terminação, com a dor de ver o resultado econômico do rebanho desconectado do financeiro e do fiscal da fazenda.

A versão atual cobre a pecuária de corte. Pecuária de leite, cria e reprodução, controle individual por brinco e rastreabilidade de abate não estão no escopo desta entrega. Pesagem e ganho de peso entram na próxima versão, prevista para junho.

Como contratar

O Módulo Pecuária é um complemento que pode ser ativado a partir do plano Lucratividade do Aegro. A cobrança acontece por faixa de cabeças da propriedade. Para clientes que já usam o Aegro, a contratação é direta com o time comercial. Para o pecuarista que ainda não usa o sistema, o módulo entra como parte da contratação do Aegro, sem precisar de outra plataforma para o financeiro ou para a nota fiscal.

O resultado prático

Quando o rebanho fica no mesmo sistema do financeiro e do fiscal, três coisas mudam no dia a dia da fazenda.

A primeira é a previsibilidade do caixa. A pecuária entrega receita ao longo do ano, com lotes saindo em momentos diferentes do calendário. A fazenda enxerga a curva real do caixa e planeja compra de insumo, contratação de transporte e quitação de parcela sem precisar montar planilha. Quando a fazenda também tem lavoura, a entrada do boi compensa a sazonalidade da soja, e os dois fluxos passam a aparecer juntos.

A segunda é a leitura honesta do resultado. Os mesmos custos estruturais passam a alimentar as duas atividades quando elas convivem. A margem por hectare da soja e a margem por hectare da pecuária ficam comparáveis. Para o pecuarista puro, o ganho é parecido: a margem por lote, por ciclo e por hectare aparece sob o mesmo critério, em vez de ficar pulverizada em arquivos avulsos.

A terceira é a organização para o contador. Receita de boi, NF-e da soja, custo do operador e depreciação do maquinário ficam no mesmo extrato. Quando o contador pede o fechamento do mês, a fazenda envia, em vez de montar.

Em uma frase

Pecuária Aegro: a gestão do seu rebanho integrada ao lucro da sua fazenda.

Conheça o Módulo Pecuária

Veja como o Módulo Pecuária funciona dentro do Aegro e converse com o time comercial sobre a melhor faixa para a sua fazenda. Vale para quem junta lavoura e gado e vale para quem só toca pecuária.

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Ex-ministro da agricultura Antônio Cabrera aponta gargalos logísticos e…


O ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera ministrou a palestra “O Agro brasileiro: perspectivas e desafios” durante a programação do 3º dia da 17ª Parecis SuperAgro, em Campo Novo do Parecis. Na apresentação, Cabrera avaliou o atual cenário do setor, destacou desafios enfrentados pelos produtores e defendeu que o Brasil precisa avançar em decisões estratégicas para garantir competitividade e soberania.

Cabrera, que foi ministro entre os anos de 1990 e 1992, afirmou durante a palestra que o agronegócio atravessa um momento de crise, mas que o cenário também representa uma oportunidade de aprendizado. “É um momento de muito desafio para o produtor, mas também de lições. Eu tenho um velho ditado que diz que a gente nunca deve desperdiçar uma crise”, declarou.

Entre os principais pontos abordados, o ex-ministro citou a dependência brasileira de fertilizantes e criticou a demora para explorar reservas nacionais. Segundo destacou, o Brasil possui grandes reservas de cloreto de potássio, mas ainda enfrenta entraves para iniciar a extração. “O Brasil tem as maiores reservas de cloreto de potássio e, no entanto, há 15 anos está judicializada a abertura da primeira mina. Essa burocracia não pode continuar impedindo a geração de riquezas”, afirmou.

Cabrera também criticou a falta de planejamento do Governo Federal em políticas de biocombustíveis, destacando que o país possui o maior programa do mundo, mas não avança conforme previsto em lei. Ele citou como exemplo a ampliação da mistura do biodiesel no diesel, que deveria ter passado de B15 para B17 neste ano. “O governo não fez isso. Apareceu agora dizendo que precisa fazer testes. Se precisasse, por que isso não foi feito no ano passado?”, questionou.

Outro destaque foi a defesa de investimentos em infraestrutura logística, especialmente hidrovias e ferrovias. Cabrera classificou como “absurdo” o baixo aproveitamento dos rios brasileiros para transporte. “Apenas 4,5% da produção brasileira é trafegada por vias fluviais. Nós temos o maior potencial hidroviário ainda a ser explorado do mundo”, disse.

Sobre ferrovias, ele voltou a citar a Ferrogrão como exemplo de projeto estratégico travado por impasses. Para Cabrera, além de reduzir custos logísticos, a ferrovia também teria impacto ambiental positivo. “Se a Ferrogrão estivesse operando hoje, ela estaria reduzindo em 77% as emissões de CO2. É o maior projeto de descarbonização da economia do mundo”, afirmou.

O ex-ministro também avaliou que a obra é fundamental para a soberania nacional, ao integrar a região Norte e garantir capacidade de mobilização logística em cenários de crise. “A Ferrogrão não vai apenas favorecer o agronegócio, ela vai ser uma obra de integração para garantir essa soberania”, destacou.

Cabrera ainda defendeu que o agro precisa melhorar sua comunicação com a sociedade e combater narrativas negativas. Segundo ele, o setor não tem contado sua própria história e acaba sendo atacado por organizações contrárias ao agronegócio. “Alguém está contando a história, são ONGs. A gente não está contando. Talvez a gente precise de um cineasta para contar a nossa história”.

O ex-ministro também argumentou que parte das críticas internacionais estaria relacionada a interesses econômicos de concorrentes. “Antes, ninguém ligava para a gente. Agora o Brasil tomou o mercado. Nós estamos sendo convidados para um ringue, onde o pessoal está batendo abaixo da cintura”, disse.

Apesar de sua análise crítica da atual conjuntura, Cabrera deixou uma mensagem de otimismo aos produtores e reforçou que o Brasil tem potencial para ser ainda mais protagonista no cenário global. “O Brasil não tem problemas. O Brasil tem o bilhete sorteado da loteria global. O problema são as decisões erradas, sistemáticas. Quando esse país tiver a bússola certa, o céu é o limite”, concluiu.

Ex-ministro da agricultura Antônio Cabrera aponta gargalos logísticos e critica burocracia como entraves ao avanço do agro

17ª Parecis SuperAgro

A Parecis SuperAgro é uma realização do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis e conta com o patrocínio da Aprosoja – MT, Senar – MT, Aster (Concessionária JD), Sicoob Credisul e Sicredi, além do apoio da Prefeitura de Campo Novo do Parecis e da Câmara Municipal de Campo Novo do Parecis.





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Senar Goiás oferta mais de 360 cursos gratuitos; veja como se inscrever


Foto: Divulgação/Senar.
Foto: Divulgação/Senar.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Goiás (Senar Goiás) anunciou a ampliação da oferta de vagas para cursos voltados ao agronegócio. A instituição disponibiliza treinamentos presenciais em todo o estado (clique aqui), além de cursos gratuitos na modalidade a distância (clique aqui).

As capacitações podem ser acessadas pelo site do Senar Goiás e por meio dos sindicatos rurais. Também estão disponíveis informações sobre os programas de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), presentes em 11 áreas do agro.

Segundo a instituição, mais de 206 mil treinamentos já foram realizados desde a criação do Senar Goiás, com atendimento a cerca de 2,5 milhões de participantes.

Cursos abrangem produção, tecnologia e agroindústria

Na área de Promoção Social, o Senar Goiás oferece 45 cursos presenciais voltados a atividades como culinária rural, panificação, produção de queijos, doces e artesanato.

Já na Formação Profissional Rural, são disponibilizados 211 treinamentos e seis programas especiais. Entre os temas estão operação de máquinas, sanidade animal, alimentação, drones, agricultura, pecuária, avicultura, suinocultura, ovinocultura e piscicultura.

Na modalidade de Educação a Distância (EAD), a plataforma conta com 112 cursos disponíveis. O número de matrículas já alcançou cerca de 300 mil alunos.

Cursos técnicos estão com inscrições abertas

Por meio da Rede e-Tec, o Senar Goiás também oferece cursos técnicos em Agropecuária, Agricultura e Zootecnia. As inscrições seguem abertas até 26 de maio para 200 vagas. Os cursos têm duração de dois anos e funcionam em formato híbrido (inscrições aqui).

Programas incluem saúde e assistência no campo

Além da qualificação profissional, o Senar Goiás mantém programas voltados à saúde e assistência no meio rural.

O programa Campo Saúde, criado em 2008, realiza atendimentos médicos itinerantes em municípios goianos. Já a Equoterapia, iniciada em 2012, utiliza cavalos em terapias voltadas ao desenvolvimento físico, emocional e cognitivo. Segundo a instituição, os dois programas já atenderam mais de 1 milhão de pessoas.

Outra iniciativa em funcionamento é o Saúde no Campo, que oferece suporte aos produtores atendidos pela ATeG, com equipe de enfermagem, teleconsultas em parceria com o Hospital Albert Einstein e encaminhamento de atendimentos pelo SUS.

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China não deve ampliar compras de soja dos EUA



O mercado vinha trabalhando com a possibilidade de alguma novidade


O mercado vinha trabalhando com a possibilidade de alguma novidade
O mercado vinha trabalhando com a possibilidade de alguma novidade – Foto: Divulgação

A possibilidade de a China manter estáveis as compras de soja dos Estados Unidos pressionou os grãos na Bolsa de Chicago, em um movimento de ajuste nas expectativas do mercado. Segundo Alê Delara, especialista em agronegócio e commodities, a avaliação ganhou força após Scott Bessent reduzir as expectativas de ampliação dos acordos comerciais entre chineses e norte-americanos.

O mercado vinha trabalhando com a possibilidade de alguma novidade em uma reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, especialmente em relação a novos compromissos de compra por parte de Pequim. No entanto, a indicação de que os volumes já assumidos seriam suficientes para garantir demanda à soja norte-americana pelos próximos três anos enfraqueceu essa leitura.

Com isso, a soja passou a operar em forte baixa, refletindo a percepção de que a China não deve elevar as aquisições além do que já foi combinado. Para os contratos negociados em Chicago, o efeito é negativo, já que parte do suporte recente vinha justamente da expectativa de um avanço comercial capaz de ampliar a demanda pelo produto dos Estados Unidos.

A presença do Brasil como fornecedor competitivo também pesa sobre esse cenário. Com a demanda chinesa mais estável e a oferta brasileira ainda atrativa, os grãos perdem sustentação na bolsa norte-americana. O mercado passa a precificar um ambiente de menor impulso para as exportações dos Estados Unidos, o que reduz o espaço para recuperação dos preços.

O dado mais recente do USDA reforçou a pressão. O órgão reportou vendas de apenas 102 mil toneladas de soja, queda de 28% em relação à semana anterior e volume 60% abaixo da média das últimas quatro divulgações. O número alimentou a cautela dos operadores e contribuiu para o recuo dos grãos em Chicago.

 





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Prêmio pagará R$ 230 mil por melhor iniciativa agropecuária


produtor rural curso Senar SC
Foto: CNA

A Fundación Mapfre, organização sem fins lucrativos da companhia global de seguros, está com inscrições abertas até o dia 25 de maio para a quarta edição de seu Prêmio à Melhor Iniciativa Agropecuária.

Os vencedores pelo projeto ganhador nos âmbitos social, ambiental e de relevância econômica local recebem 40 mil euros (R$ 233,5 mil, na cotação atual).

De caráter bienal e com âmbito mundial, a premiação busca reconhecer e estimular empresários, produtores e profissionais do setor agropecuário a inovar em suas organizações com consequente melhora na rentabilidade.

O regulamento estipula que podem concorrer os produtores agropecuários ou agroindustriais, independentemente de sua organização e/ou forma jurídica, de projetos individuais ou familiares, de cooperativas e associações, que se destacam pela criação e implementação de iniciativas inovadoras, seja na produção, transformação e/ou comercialização de seus produtos durante os dois últimos anos.

De acordo com a Fundación Mapfre, a iniciativa também é voltada a quem tenha aprimorado os padrões de controle de qualidade e segurança em sua cadeia produtiva; bem como aos atores que otimizaram o uso de recursos, garantindo sua sustentabilidade a longo prazo; e que contribuam para o desenvolvimento de um modelo econômico mais competitivo, sustentável e territorialmente equilibrado.

Os critérios de seleção para escolha do melhor candidato são:

  • Contribuição do projeto para a atividade econômica do território onde é desenvolvido;
  • Contribuição do projeto para a digitalização do setor agropecuário;
  • Sustentabilidade do projeto nos aspectos econômico, ambiental e sociocultural;
  • Contribuição para a empregabilidade, incluindo pessoas de grupos em risco de exclusão social ou qualquer tipo de discriminação;
  • Existência de um plano de gestão de riscos;
  • Apoio de instituições locais, regionais ou nacionais que respaldem a candidatura.

O prêmio será entregue em uma cerimônia pública, prevista para o último trimestre de 2026. As inscrições podem ser feitas aqui.

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