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A comercialização de milho em Mato Grosso avançou ao final de março de 2026, com a maior parte da safra 2024/25 já negociada. De acordo com a análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, divulgada na segunda-feira (13), 98,99% da produção foi comercializada até o período, avanço de 2,72 pontos percentuais em relação a fevereiro. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, “o volume remanescente tende a ser retido pelos produtores, à espera de melhores preços”.
Ainda conforme o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o preço médio do milho da safra 2024/25 foi de R$ 45,25 por saca, recuo de 1,24% no comparativo mensal. Para a safra 2025/26, o volume comercializado atingiu 40,76% da produção estimada, com avanço de 5,35 pontos percentuais no mês. Nesse caso, o preço médio ficou em R$ 44,65 por saca, queda de 1,79% frente ao mês anterior.
De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o movimento de queda nos preços está associado ao travamento antecipado das vendas, realizado em momentos de preços mais elevados antes do início da colheita, período em que a maior oferta tende a pressionar as cotações.
O relatório do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária também aponta que a comercialização da safra 2026/27 avançou 0,97 ponto percentual no período, alcançando 1,59% do volume projetado já negociado, nível 0,11 ponto percentual inferior ao registrado no início da safra 2025/26.
O manejo nutricional tende a ser um grande aliado do pecuarista, especialmente no cenário atual. Os riscos, porém, podem ser invisíveis e causar estragos que vão desde a segurança alimentar até o desempenho produtivo do rebanho.
É o caso das micotoxinas, substâncias tóxicas produzidas pelos fungos, capazes de contaminar grãos e rações consumidos pelo gado. Em humanos, podem causar intoxicação aguda, imunossupressão, danos renais e hepáticos, além de câncer.
Uma pesquisa conduzida pela dsm-firmenich, líder global em nutrição e saúde animal, indica que 83% das amostras de grãos e rações analisadas mundialmente no ano passado apresentaram contaminação por micotoxinas. No Brasil, a fumonisina — principal micotoxina de risco — estava presente em 87% das amostras, principalmente no milho e seus derivados.
Ameaça invisível e difícil de ser controlada
Segundo Augusto Heck, médico-veterinário e gerente de micotoxinas da dsm-firmenich, os dados mostram que a contaminação por essas substâncias é difícil de ser controlado. “É uma questão de muito mais de quanto tem do que se tem, porque é inerente ao processo de produção de grãos ter algum grau de contaminação de micotoxinas”, afirma.
Além da presença recorrente, outro fator que acende o alerta é a chamada cocontaminação — quando uma mesma amostra reúne duas ou mais micotoxinas, o que potencializa os efeitos negativos sobre os animais.
Na prática, isso significa prejuízos que nem sempre são percebidos de forma imediata na fazenda. De acordo com o especialista, o problema mais comum está nos efeitos silenciosos.
“O que é muito frequente e, por outro lado, muito negligenciado pelos produtores, é o problema subclínico, que é uma oferta continuada de micotoxinas em níveis não tão elevados. Isso acarreta perdas silenciosas, o produtor não percebe que o potencial genético do animal não está sendo aproveitado a pleno”, explica.
Essas perdas podem impactar diretamente indicadores produtivos importantes, como ganho de peso, produção de leite e desempenho reprodutivo.
“Não se atinge a plenitude do que o animal poderia entregar em crescimento, ganho de peso, produção de leite ou no aspecto reprodutivo por conta dessa presença silenciosa das micotoxinas”, completa.
Problema começa na lavoura
Apesar da preocupação com o armazenamento, a maior parte da contaminação tem origem ainda no campo.
“Em termos percentuais, as micotoxinas de lavoura são as mais relevantes. Mais ou menos 90% a 95% têm essa origem e 5% a 10% são de armazenamento”, afirma Heck.
A formação dessas substâncias está diretamente ligada a condições ambientais, como temperatura e umidade, além da presença de fungos e de grãos danificados.
“Eu preciso ter temperatura, umidade e alguns fatores que podem ajudar ainda mais, que são os grãos com algum tipo de dano e a presença, obviamente, do fungo. Numa condição em que esse fungo é desafiado, ele termina manifestando a produção da micotoxina”, diz.
Impacto varia, mas perdas são inevitáveis
Segundo Heck, mensurar o prejuízo econômico causado pelas micotoxinas ainda é um desafio, já que o impacto depende de uma série de fatores dentro da propriedade.
“O impacto das micotoxinas é um aspecto multivariável, que dificulta nós chegarmos a um número. O tempo, a duração, o tipo e a interação das micotoxinas explicam uma parte, mas existem fatores ambientais, nutricionais e de manejo que também influenciam”, afirma.
Nutrição de precisão como aliada
Diante de um cenário em que a contaminação é recorrente e, muitas vezes, inevitável, a nutrição de precisão ganha espaço como ferramenta estratégica dentro da fazenda.
A adoção de soluções mais ajustadas à realidade de cada sistema produtivo permite reduzir riscos e minimizar os impactos das micotoxinas no desempenho animal. Na prática, isso envolve desde o monitoramento constante da qualidade dos insumos até o uso de tecnologias e aditivos na dieta.
Segundo Heck, o caminho passa justamente por atuar em diferentes frentes dentro do manejo.
“Existem medidas que nós podemos lançar mão na pré-colheita, durante a colheita, no pós-colheita e também na ração propriamente dita. De acordo com o papel de cada elo da cadeia, nós tomamos medidas”, afirma.
A estratégia, portanto, não está em eliminar totalmente o problema, mas em controlar seus efeitos ao longo de toda a produção.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) atualizou as estatísticas do complexo soja, elevando as projeções para o ano de 2026. O novo balanço aponta que o Brasil deve atingir um patamar recorde de esmagamento interno, impulsionado pela robustez da safra e pela crescente demanda por derivados.
As estimativas para 2026 foram revisadas positivamente em relação ao levantamento anterior, com o processamento de soja no país devendo alcançar 62,2 milhões de toneladas, um aumento de 1,1%. Esse avanço na atividade industrial reflete-se diretamente na oferta de produtos de maior valor agregado, com a produção de farelo de soja estimada em 47,9 milhões de toneladas e a de óleo de soja em 12,5 milhões de toneladas.
Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, destaca que a atualização dos dados reforça o amadurecimento e a resiliência da indústria brasileira. “O ajuste positivo nas expectativas de processamento evidencia a resiliência do setor frente à safra recorde. A conversão da matéria-prima em produtos de maior valor agregado fortalece os pilares da matriz energética e do suprimento alimentar brasileiro”, afirma.
No comércio exterior, o Brasil mantém sua liderança global com a exportação de soja em grão projetada em 113,6 milhões de toneladas. No segmento de subprodutos, as estimativas indicam vendas externas de 24,6 milhões de toneladas de farelo e um crescimento de 3,3% nas exportações de óleo de soja, que devem atingir 1,5 milhão de toneladas.
Os dados de fevereiro de 2026 já confirmam o vigor operacional do setor, com o processamento no segundo mês do ano somando 3,546 milhões de toneladas, o que representa uma alta de 8,5% em comparação a fevereiro de 2025, quando ajustado pelo percentual amostral. Quanto ao acumulado do ano, o processamento foi de 7,421 milhões de toneladas, aumento de 6,4% quando comparado ao mesmo período do ano passado, quando ajustado pelo percentual amostral.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, nesta quarta-feira (15), respostas técnicas à investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil no âmbito comercial.
A nova manifestação foi enviada ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e contesta os fundamentos do processo iniciado em março, com base na Seção 301 do Trade Act — legislação americana que trata de práticas consideradas desleais no comércio internacional.
O governo dos Estados Unidos avalia se a ausência de um regime específico de proibição à importação de produtos associados ao trabalho forçado no Brasil poderia ser considerada uma prática “não razoável ou discriminatória”.
Segundo os americanos, essa suposta lacuna poderia afetar ou restringir o comércio norte-americano.
CNA destaca legislação brasileira
Na resposta, a CNA afirma que o Brasil já possui um arcabouço jurídico amplo e rigoroso para combater o trabalho em condições análogas à escravidão.
De acordo com a entidade, o país conta com fiscalização ativa, responsabilização administrativa e penal, além de mecanismos de transparência que produzem resultados concretos na prevenção dessas práticas.
No setor agropecuário, a CNA destaca que as penalidades são ainda mais severas. Entre elas, está a possibilidade de expropriação de propriedades onde forem comprovadas irregularidades, sem indenização — medida prevista na Constituição e considerada incomum em outros países.
Sem impacto ao comércio dos EUA
A confederação também argumenta que não há evidências de que as práticas investigadas gerem prejuízos ou restrições ao comércio dos Estados Unidos.
Segundo o documento, a relação bilateral entre os países é marcada por integração e complementaridade, o que reduziria a lógica de eventuais medidas restritivas.
A CNA alerta ainda que possíveis sanções poderiam afetar não apenas o Brasil, mas também operadores econômicos no próprio mercado americano.
Sem base para sanções
A entidade conclui que o Brasil não adota práticas que possam ser classificadas como não razoáveis ou discriminatórias, conforme os critérios da Seção 301.
Por isso, afirma que não há base jurídica ou econômica para a imposição de medidas contra o país.
Além disso, a CNA defende que o enfrentamento ao trabalho forçado deve ocorrer por meio de cooperação internacional e diálogo regulatório.
Histórico de defesa
Essa não é a primeira manifestação da entidade sobre investigações comerciais dos Estados Unidos.
Em agosto do ano passado, a CNA já havia apresentado respostas técnicas em outro processo semelhante, também baseado na Seção 301, que tratava de supostas práticas desleais de comércio.
Na ocasião, em setembro, a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, participou de audiência em Washington, onde defendeu a competitividade do agro brasileiro e negou irregularidades nas relações comerciais com os EUA.
O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária neste ano deve atingir R$ 1,385 trilhão, conforme previsão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O número é superior ao R$ 1,351 trilhão estimados pela pasta no mês passado.
Em relação ao ano anterior, a previsão é de queda de 3,9%. Para 2025, o ministério também revisou sua projeção de R$ 1,410 trilhão para R$ 1,440 trilhão.
A perspectiva de queda pode ser explicada pelo menor preço esperado para as commodities agrícolas neste ano e pela desaceleração da produtividade das lavouras. As projeções constam de boletim mensal da Secretaria de Política Agrícola do Ministério.
Os dados foram compilados pelo Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O VBP é o faturamento bruto dos estabelecimentos rurais, considerando a produção agrícola e pecuária e a média de preços recebidos pelos produtores rurais de todo o país.
Do total previsto para 2026, R$ 890,03 bilhões devem vir das lavouras, equivalente a 64% do total e recuo estimado de 4,8% ante 2025.
Outros R$ 494,54 bilhões estão relacionados à produção pecuária, correspondente a 36% do total e queda de 2,1% em comparação com o ano passado. Para 2025, o ministério prevê alta de 10,6% no valor bruto da produção da agricultura, para R$ 935,156 bilhões, e alta de 17,6% no faturamento da pecuária, para R$ 505,176 bilhões.
Na agricultura, é esperado crescimento neste ano apenas para o VBP das lavouras de banana, feijão, mandioca e soja.
Entre as principais culturas com participação no VBP, as lavouras de soja devem apresentar faturamento bruto 0,5% maior, para R$ 332,442 bilhões, enquanto o VBP do milho é estimado em R$ 159,394 bilhões, recuo anual de 4,5%. A receita bruta obtida com a produção de trigo deve somar R$ 8,394 bilhões, queda anual de 19,7%.
Para as lavouras de café, a projeção é de VBP de R$ 111,55 bilhões, queda de 3,1% frente a 2025. O faturamento das lavouras de cana-de-açúcar, por sua vez, deve cair 7,2%, estima o ministério, para R$ 108,914 bilhões, enquanto o faturamento bruto das lavouras de laranja deve ceder 36,6%, para R$ 15,491 bilhões. O VBP das lavouras de algodão é estimado em R$ 30,191 bilhões, baixa anual de 15,6%. As previsões apontam ainda para recuo de 52% do VBP do cacau, para R$ 5,570 bilhões.
Já o VBP das lavouras de arroz deve diminuir 31,1%, para um faturamento bruto neste ano estimado em R$ 14,385 bilhões. A receita bruta do cultivo de feijão é projetada em R$ 13,467 bilhões, aumento de 14,2%.
Na pecuária, o maior crescimento deve ser observado na cadeia de bovinos, com aumento estimado de 7,4%, para um VBP projetado em R$ 237,478 bilhões. A produção bovina continua liderando o faturamento bruto da pecuária.
O valor bruto da cadeia de suínos deve recuar 12,8%, para R$ 56,081 bilhões, enquanto o faturamento bruto da produção de frangos é projetado 10% abaixo do ano anterior, para R$ 103,722 bilhões.
A receita bruta obtida com a produção de leite deve cair 5,8%, para R$ 70,501 bilhões. A produção de ovos deve apresentar VBP 9,8% menor, para R$ 26,764 bilhões.
O VBP é projetado mensalmente pelo ministério. O número é calculado pelo cruzamento das informações de produção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos preços coletados nas principais fontes oficiais. O estudo da pasta abrange 17 cadeias da agricultura e cinco atividades pecuárias.
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A comercialização da pluma de algodão em Mato Grosso avançou em março de 2026, acompanhada por alta nos preços. De acordo com a análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, divulgada na segunda-feira (13), 92,10% da produção da safra 2024/25 já havia sido negociada até o período, avanço de 5,04 pontos percentuais em relação a fevereiro. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o preço médio da pluma ficou em R$ 121,61 por arroba, alta de 4,27% frente ao mês anterior.
Para a safra 2025/26, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária aponta que a comercialização atingiu 65,60% da produção estimada, com avanço mensal de 7,03 pontos percentuais. O preço médio negociado no período foi de R$ 128,54 por arroba, o que representa valorização de 5,50% em relação ao mês anterior.
Ainda conforme o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o movimento de alta nas duas safras foi sustentado pela valorização dos contratos na bolsa de Nova York e pelo cenário geopolítico. Segundo a entidade, “o conflito no Oriente Médio elevou o petróleo e favoreceu a competitividade da pluma frente às fibras sintéticas”.
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária destaca que a dinâmica dos preços será determinante para o ritmo dos negócios nos próximos meses, considerando o planejamento dos produtores diante da redução das margens de rentabilidade.
O trabalho de colheita de soja no Brasil segue em andamento, com 85,7% de área colhida. O time do Soja Brasil conversou com o presidente da Aprosoja Paraná, Eduardo Cassiano, que traçou um panorama do estado. Segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), os números já alcançam 96%, indicando avanço dos trabalhos no campo.
Apesar do ritmo, a safra foi marcada por forte irregularidade climática, com impactos diretos na produtividade em diferentes regiões. “A safra este ano foi muito desigual aqui no Paraná. Tivemos e continuamos com chuvas muito esparsas. Algumas regiões recebem precipitação, outras não, é tudo muito pontual. Às vezes chove em uma cidade e, poucos quilômetros depois, não cai uma gota. Isso tem prejudicado bastante o desenvolvimento das lavouras”, afirmou Cassiano.
O presidente destacou exemplos recentes dessa variabilidade. Em áreas próximas a Goioerê, enquanto um ponto registrou volumes significativos de chuva, propriedades vizinhas receberam apenas poucos milímetros. Situações semelhantes foram observadas em municípios como Campo Mourão, Maringá e Cascavel, onde a distribuição das chuvas foi desigual.
Além da soja, o milho segunda safra também já apresenta perdas expressivas, especialmente em regiões do sudoeste e no entorno do lago de Itaipu, onde a falta de chuva não é comum. Em algumas localidades, produtores já decretaram estado de calamidade em função da seca.
“A região do entorno do lago e do oeste do estado vem sofrendo bastante. Já temos perdas importantes no milho e também impactos na soja. É uma situação preocupante, principalmente porque não é comum faltar chuva nessas áreas”, explicou.
Outro ponto de atenção envolve os compromissos comerciais assumidos pelos produtores. Muitos agricultores firmaram contratos antecipados com cooperativas, garantindo preços no momento da compra de insumos. Mesmo diante das dificuldades produtivas, parte deles conseguiu honrar os acordos.
Já aqueles que têm margem para segurar a produção aguardam melhores oportunidades de mercado, em um cenário ainda pressionado por custos elevados e juros altos.
Cassiano também ressaltou que o estado enfrenta uma sequência de anos com influência climática desfavorável. Segundo ele, este é o quinto ciclo consecutivo sob efeitos de La Niña ou condições semelhantes, com interrupção das chuvas em janeiro e impactos diretos nas lavouras.
“O produtor paranaense já vem de anos difíceis, com juros altos e clima adverso. Mesmo sendo um dos principais estados produtores do país, ainda estamos muito distantes do potencial produtivo ideal”, concluiu.
O mercado do boi gordo segue em ritmo moderado nesta semana, com predominância de preços estáveis e reajustes pontuais em algumas regiões do país.
Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o cenário reflete uma combinação entre oferta restrita de animais para abate em determinados estados e resistência dos produtores na ponta vendedora.
De forma geral, as negociações ocorrem dentro de faixas bem definidas, com pouca variação diária, enquanto frigoríficos ajustam suas escalas de abate de acordo com a disponibilidade de animais.
Mato Grosso
No Mato Grosso, a falta de animais prontos para abate segue limitando o ritmo das negociações. De acordo com o Cepea, parte dos agentes esteve fora das compras, o que contribuiu para um mercado mais travado.
As negociações ocorreram entre R$ 355 e R$ 360 por arroba, com predominância de preços estáveis. As escalas de abate permaneceram curtas, variando entre 5 e 8 dias, e os negócios envolveram, em sua maioria, lotes menores.
Triângulo Mineiro
Já no Triângulo Mineiro, o cenário foi um pouco diferente. A oferta de animais apresentou melhora ao longo da semana, o que permitiu aos frigoríficos alongar as escalas de abate.
Os preços se mantiveram estáveis, com média de R$ 345,43 por arroba, enquanto as escalas variaram entre 7 e 15 dias. Esse maior equilíbrio entre oferta e demanda contribuiu para um ritmo de negociação mais fluido na região.
Pará
No Pará, a oferta limitada de animais impulsionou a procura, especialmente por vacas e novilhas. Houve reajustes de cerca de R$ 5 para essas categorias, refletindo maior disputa entre compradores.
As negociações ocorreram entre R$ 320 e R$ 335 por arroba, com escalas de abate entre 5 e 9 dias. O movimento indica maior firmeza para fêmeas em um cenário de menor disponibilidade.
São Paulo
Em São Paulo, os pecuaristas seguem resistentes, o que reduz o volume de negócios fechados. A maior parte das negociações ocorre na faixa de R$ 360 a R$ 370 por arroba.
Em alguns casos, especialmente envolvendo lotes maiores, os preços podem chegar a R$ 380. Ainda assim, o mercado apresenta baixa liquidez, com frigoríficos e produtores negociando de forma mais cautelosa.
Indicador Cepea avança no mês
O Indicador do boi gordo Cepea/Esalq registrou média de R$ 367,30 à vista, com alta acumulada de 3,17% no mês. O dado reforça um cenário de relativa firmeza, apesar da estabilidade predominante nas negociações diárias.
No mercado atacadista da Grande São Paulo, o preço da carne seguiu estável, com a carcaça casada negociada, em média, a R$ 25,25 por quilo.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), cresceu 0,60% em fevereiro, na comparação com janeiro e na série com ajuste sazonal. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (16) pela autarquia.
O indicador havia subido 0,86% em janeiro (revisado, de 0,78%).
O resultado de fevereiro ficou em linha com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava para alta de 0,60%. As estimativas do mercado iam de variação zero a crescimento de 1,40%.
O IBC-Br ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor da conta, aumentou 0,61%, após uma alta de 0,96% no mês anterior (revisado, de 0,86%). O indicador próprio da agropecuária subiu 0,23%, após queda de 1,32% em janeiro (revisado, de -1,49%).
O índice de serviços cresceu 0,29%, após subir 0,87% no mês anterior (revisado de 0,81%); o da indústria aumentou 1,18%, após aumentar de 0,40% em janeiro (revisado, de 0,37%); e o de impostos – equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do PIB – cresceu 0,75%, após alta de 0,78% em janeiro (revisado de 0,47%).
Dados anuais
Na comparação com fevereiro de 2025, o IBC-Br total caiu 0,27% na série sem ajuste sazonal – resultado abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que previa alta de 0,05%. As estimativas do mercado iam de queda de 1,70% a alta de 2,50%.
O índice ex-agropecuária ficou estável (0,00%) na comparação interanual, após alta de 0,97% no mês anterior (revisado, de 0,91%). O da agropecuária teve queda de 1,31%, depois de ter crescido 1,51% em janeiro (revisado, de 0,65%).
O indicador de serviços cresceu 0,99%, após alta de 2,21% (revisado, de 2,09%). O da indústria caiu 1,30%, depois de ter caído 1,19% (revisado, de -1,17%). O índice de impostos caiu 2,63%, após recuo de 1,35% (revisado, de -1,27%).
Apesar do desempenho recorde das exportações, os preços do suíno vivo e da carne suína seguem em queda no mercado interno brasileiro. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que a pressão negativa persiste neste início de abril, refletindo principalmente a fraqueza da demanda doméstica.
Segundo o Cepea, o consumo interno já vinha enfraquecido ao longo de março e manteve esse comportamento na primeira quinzena de abril. Além da menor procura, agentes do setor relatam um mercado altamente competitivo e com oferta elevada, cenário que intensifica o movimento de desvalorização tanto do animal vivo quanto da carne.
Queda se intensifica com sobreoferta
Entre os dias 7 e 14 de abril, as desvalorizações do suíno vivo foram as mais expressivas desde janeiro deste ano. O movimento reforça o quadro de excesso de oferta no mercado interno, com maior disponibilidade de animais pressionando as cotações.
Na prática, mesmo com a demanda externa aquecida, o consumo doméstico não tem sido suficiente para absorver a produção, mantendo o mercado pressionado.
Preços atingem mínimos em anos
Com esse cenário, os preços do suíno vivo atingiram os menores níveis desde março de 2022, em termos reais. Já no caso da carne suína, os valores são os mais baixos desde maio de 2020, também considerando a inflação.
O levantamento do Cepea indica que a combinação entre oferta elevada e demanda interna enfraquecida segue como principal fator de pressão sobre os preços no país.