Nutrição de precisão é grande aliada no combate às micotoxinas; entenda por que

O manejo nutricional tende a ser um grande aliado do pecuarista, especialmente no cenário atual. Os riscos, porém, podem ser invisíveis e causar estragos que vão desde a segurança alimentar até o desempenho produtivo do rebanho.
É o caso das micotoxinas, substâncias tóxicas produzidas pelos fungos, capazes de contaminar grãos e rações consumidos pelo gado. Em humanos, podem causar intoxicação aguda, imunossupressão, danos renais e hepáticos, além de câncer.
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Uma pesquisa conduzida pela dsm-firmenich, líder global em nutrição e saúde animal, indica que 83% das amostras de grãos e rações analisadas mundialmente no ano passado apresentaram contaminação por micotoxinas. No Brasil, a fumonisina — principal micotoxina de risco — estava presente em 87% das amostras, principalmente no milho e seus derivados.
Ameaça invisível e difícil de ser controlada
Segundo Augusto Heck, médico-veterinário e gerente de micotoxinas da dsm-firmenich, os dados mostram que a contaminação por essas substâncias é difícil de ser controlado. “É uma questão de muito mais de quanto tem do que se tem, porque é inerente ao processo de produção de grãos ter algum grau de contaminação de micotoxinas”, afirma.
Além da presença recorrente, outro fator que acende o alerta é a chamada cocontaminação — quando uma mesma amostra reúne duas ou mais micotoxinas, o que potencializa os efeitos negativos sobre os animais.
Na prática, isso significa prejuízos que nem sempre são percebidos de forma imediata na fazenda. De acordo com o especialista, o problema mais comum está nos efeitos silenciosos.
“O que é muito frequente e, por outro lado, muito negligenciado pelos produtores, é o problema subclínico, que é uma oferta continuada de micotoxinas em níveis não tão elevados. Isso acarreta perdas silenciosas, o produtor não percebe que o potencial genético do animal não está sendo aproveitado a pleno”, explica.
Essas perdas podem impactar diretamente indicadores produtivos importantes, como ganho de peso, produção de leite e desempenho reprodutivo.
“Não se atinge a plenitude do que o animal poderia entregar em crescimento, ganho de peso, produção de leite ou no aspecto reprodutivo por conta dessa presença silenciosa das micotoxinas”, completa.
Problema começa na lavoura
Apesar da preocupação com o armazenamento, a maior parte da contaminação tem origem ainda no campo.
“Em termos percentuais, as micotoxinas de lavoura são as mais relevantes. Mais ou menos 90% a 95% têm essa origem e 5% a 10% são de armazenamento”, afirma Heck.
A formação dessas substâncias está diretamente ligada a condições ambientais, como temperatura e umidade, além da presença de fungos e de grãos danificados.
“Eu preciso ter temperatura, umidade e alguns fatores que podem ajudar ainda mais, que são os grãos com algum tipo de dano e a presença, obviamente, do fungo. Numa condição em que esse fungo é desafiado, ele termina manifestando a produção da micotoxina”, diz.
Impacto varia, mas perdas são inevitáveis
Segundo Heck, mensurar o prejuízo econômico causado pelas micotoxinas ainda é um desafio, já que o impacto depende de uma série de fatores dentro da propriedade.
“O impacto das micotoxinas é um aspecto multivariável, que dificulta nós chegarmos a um número. O tempo, a duração, o tipo e a interação das micotoxinas explicam uma parte, mas existem fatores ambientais, nutricionais e de manejo que também influenciam”, afirma.
Nutrição de precisão como aliada
Diante de um cenário em que a contaminação é recorrente e, muitas vezes, inevitável, a nutrição de precisão ganha espaço como ferramenta estratégica dentro da fazenda.
A adoção de soluções mais ajustadas à realidade de cada sistema produtivo permite reduzir riscos e minimizar os impactos das micotoxinas no desempenho animal. Na prática, isso envolve desde o monitoramento constante da qualidade dos insumos até o uso de tecnologias e aditivos na dieta.
Segundo Heck, o caminho passa justamente por atuar em diferentes frentes dentro do manejo.
“Existem medidas que nós podemos lançar mão na pré-colheita, durante a colheita, no pós-colheita e também na ração propriamente dita. De acordo com o papel de cada elo da cadeia, nós tomamos medidas”, afirma.
A estratégia, portanto, não está em eliminar totalmente o problema, mas em controlar seus efeitos ao longo de toda a produção.
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