quinta-feira, abril 16, 2026
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‘O produtor enfrentou anos difíceis. Estamos longe do potencial produtivo ideal’, diz presidente da Aprosoja PR


Safra da soja - Foto: Gilson Abreu/AEN
Foto: Gilson Abreu/AEN

O trabalho de colheita de soja no Brasil segue em andamento, com 85,7% de área colhida. O time do Soja Brasil conversou com o presidente da Aprosoja Paraná, Eduardo Cassiano, que traçou um panorama do estado. Segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), os números já alcançam 96%, indicando avanço dos trabalhos no campo.

Apesar do ritmo, a safra foi marcada por forte irregularidade climática, com impactos diretos na produtividade em diferentes regiões. “A safra este ano foi muito desigual aqui no Paraná. Tivemos e continuamos com chuvas muito esparsas. Algumas regiões recebem precipitação, outras não, é tudo muito pontual. Às vezes chove em uma cidade e, poucos quilômetros depois, não cai uma gota. Isso tem prejudicado bastante o desenvolvimento das lavouras”, afirmou Cassiano.

O presidente destacou exemplos recentes dessa variabilidade. Em áreas próximas a Goioerê, enquanto um ponto registrou volumes significativos de chuva, propriedades vizinhas receberam apenas poucos milímetros. Situações semelhantes foram observadas em municípios como Campo Mourão, Maringá e Cascavel, onde a distribuição das chuvas foi desigual.

Além da soja, o milho segunda safra também já apresenta perdas expressivas, especialmente em regiões do sudoeste e no entorno do lago de Itaipu, onde a falta de chuva não é comum. Em algumas localidades, produtores já decretaram estado de calamidade em função da seca.

“A região do entorno do lago e do oeste do estado vem sofrendo bastante. Já temos perdas importantes no milho e também impactos na soja. É uma situação preocupante, principalmente porque não é comum faltar chuva nessas áreas”, explicou.

Outro ponto de atenção envolve os compromissos comerciais assumidos pelos produtores. Muitos agricultores firmaram contratos antecipados com cooperativas, garantindo preços no momento da compra de insumos. Mesmo diante das dificuldades produtivas, parte deles conseguiu honrar os acordos.

Já aqueles que têm margem para segurar a produção aguardam melhores oportunidades de mercado, em um cenário ainda pressionado por custos elevados e juros altos.

Cassiano também ressaltou que o estado enfrenta uma sequência de anos com influência climática desfavorável. Segundo ele, este é o quinto ciclo consecutivo sob efeitos de La Niña ou condições semelhantes, com interrupção das chuvas em janeiro e impactos diretos nas lavouras.

“O produtor paranaense já vem de anos difíceis, com juros altos e clima adverso. Mesmo sendo um dos principais estados produtores do país, ainda estamos muito distantes do potencial produtivo ideal”, concluiu.

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