sexta-feira, março 27, 2026

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Indústria encolhe e país perde espaço econômico



No Brasil, o peso da indústria no PIB caiu


No Brasil, o peso da indústria no PIB caiu
No Brasil, o peso da indústria no PIB caiu – Foto: Pixabay

A participação da indústria no Produto Interno Bruto tem apresentado trajetórias distintas entre países da América do Sul nas últimas décadas, refletindo mudanças estruturais relevantes nas economias da região. As informações são de Anderson Correia, presidente do Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT).

No Brasil, o peso da indústria no PIB caiu de cerca de 30,2% em 1990 para aproximadamente 21,3% em 2024, evidenciando um processo contínuo de perda de relevância do setor. Já no Paraguai, o movimento foi inverso, com a participação industrial subindo de 21,8% para cerca de 32,5% no mesmo período. A inversão das curvas ocorreu por volta de 2005, quando os dois países passaram a seguir trajetórias divergentes.

Esse cenário traz implicações amplas para a economia brasileira. A redução da densidade industrial impacta diretamente a atratividade das carreiras de engenharia, à medida que o setor produtivo perde espaço como opção profissional. Esse movimento não surge como causa isolada, mas como reflexo de um processo mais amplo de desindustrialização.

Ao mesmo tempo, empresas têm buscado alternativas fora do país, atraídas por ambientes com menor carga tributária, custos mais competitivos e maior previsibilidade regulatória, como observado no Paraguai. Esse deslocamento reforça a perda de competitividade da indústria nacional.

Caso essa trajetória se mantenha, os efeitos tendem a ultrapassar o campo econômico, atingindo a geração de empregos qualificados, a capacidade tecnológica e a soberania produtiva. A reversão desse quadro depende de ações coordenadas, incluindo reformas estruturais, melhorias no ambiente de negócios e estímulo à inovação, considerados fundamentais para recuperar a competitividade industrial.

 





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‘É momento de cautela’, diz Fávaro ao recomendar suspender compra de fertilizantes


Carlos Fávaro, ministro da Agricultura
Foto: reprodução/YouTube

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recomendou que produtores rurais suspendam, neste momento, a compra de fertilizantes diante da alta de preços e do avanço de movimentos especulativos no mercado internacional.

“É momento de cautela e de combate à especulação. A melhor forma de enfrentar a especulação é não comprar quando o preço está artificialmente elevado”, afirmou o ministro Carlos Fávaro.

Cenário internacional pressiona preços

Segundo o Mapa, a instabilidade no Oriente Médio no início de 2026, somada à interrupção temporária das exportações de nitrato de amônio pela Rússia, intensificou a corrida global por fertilizantes.

O Brasil, que importa parcela significativa dos insumos utilizados na produção agrícola, já sente os reflexos nos custos e na dinâmica de oferta.

Diante desse cenário, o ministério mantém monitoramento permanente da cadeia de suprimentos e diálogo com o setor para avaliar alternativas logísticas e estratégias de importação.

Safra atual reduz urgência de compra

Fávaro destacou que a safra de inverno já está plantada ou em fase final de implantação, o que reduz a necessidade imediata de aquisição de fertilizantes.

“Quem precisava comprar fertilizante para a safra atual já o fez. Para a safra de verão ainda há tempo”, disse.

A próxima demanda mais relevante deve ocorrer com o início do plantio da safra de verão, a partir de setembro.

Orientação é aguardar

Diante do cenário, o ministro reforçou a recomendação de suspender novas compras e aguardar maior clareza no mercado.

“Por isso, a orientação neste momento é aguardar o desenrolar do cenário internacional e evitar compras precipitadas”, pontuou.

Ele também destacou que o setor conta com alternativas tecnológicas e estratégias de manejo que podem ajudar a otimizar o uso de nutrientes nas lavouras.

Em nota, o Mapa afirmou que seguirá acompanhando a evolução do cenário global e poderá adotar medidas para garantir o abastecimento e o planejamento da próxima safra.

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Usinas priorizam etanol no início de safra e vendas no Centro-Sul totalizam…


Na primeira quinzena de março, as unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 1,31 milhão de toneladas de cana-de-açúcar, com a entrada de 18 unidades em operação. No acumulado da safra 2025/2026 até 16 de março, a moagem atingiu 603,67 milhões de toneladas, ante 617,32 milhões de toneladas no mesmo período do ciclo anterior, queda de 2,21%.

Em relação à qualidade da matéria-prima, o nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) registrado na primeira quinzena de março foi de 99,29 kg por tonelada de cana. No acumulado da safra, o indicador marca 138,25 kg de ATR por tonelada, índice 2,17% inferior ao observado no mesmo período do ciclo anterior.

A produção de açúcar nos primeiros quinze dias de março totalizou 6,02 mil toneladas, com direcionamento de 4,86% da cana-de-açúcar para a fabricação do produto. No acumulado desde o início da safra até 16 de março, a produção alcançou 40,25 milhões de toneladas.

Na primeira metade de março, a fabricação de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 459,67 milhões de litros, sendo 291,26 milhões de litros de etanol hidratado e 168,41 milhões de litros de etanol anidro. No acumulado da safra, a produção de etanol totalizou 32,96 bilhões de litros, sendo 20,31 bilhões de hidratado e 12,65 bilhões de anidro.

Do total produzido na quinzena, 84,11% foram provenientes do milho, com volume de 386,62 milhões de litros, frente a 365,46 milhões de litros no mesmo período do ciclo 2024/2025. No acumulado da safra, a produção de etanol de milho atingiu 8,77 bilhões de litros, aumento de 12,31% na comparação anual.

Vendas de etanol

As vendas de etanol pelas unidades do Centro-Sul totalizaram 1,25 bilhão de litros na primeira quinzena de março. O volume de etanol anidro comercializado foi de 504,88 milhões de litros, aumento de 4,04%, enquanto o etanol hidratado somou 747,15 milhões de litros.

No mercado doméstico, as vendas de etanol hidratado atingiram 722,08 milhões de litros, com redução de 10,70% em relação ao mesmo período da safra anterior e aumento de 11,7% frente à segunda quinzena de fevereiro. As vendas de etanol anidro totalizaram 504,00 milhões de litros, crescimento de 5,18%.

No acumulado desde o início da safra até 16 de março, a comercialização de etanol pelas unidades do Centro-Sul somou 32,85 bilhões de litros, sendo 12,75 bilhões de litros de etanol anidro (+5,08%) e 20,10 bilhões de litros de etanol hidratado (-8,16%).

Para o relatório completo, acesse o UnicaData.





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Colheita de arroz atrasa e acende alerta no RS



Os números mostram variações entre as regiões produtoras


Os números mostram variações entre as regiões produtoras
Os números mostram variações entre as regiões produtoras – Foto: Divulgação

A evolução da colheita de arroz irrigado no Rio Grande do Sul indica um ritmo mais lento na safra 2025/26, refletindo impactos das condições climáticas e mudanças no comportamento do mercado. Segundo dados do Nates/IRGA, a área colhida alcança 39,86% dos 891.908,5 hectares semeados, percentual abaixo dos 51,6% registrados no mesmo período da safra anterior.

Os números mostram variações entre as regiões produtoras. A Fronteira Oeste lidera com 40,31% da área colhida, seguida pela Planície Costeira Externa com 51,94% e pela Planície Costeira Interna com 48,30%. Já a Campanha apresenta 30,41%, a Região Central 28,38% e a Zona Sul 39,75%. No total, foram colhidos 355.540,89 hectares até o momento.

De acordo com Sergio Cardoso, diretor de operações da Itaobi Representações, os dados confirmam o atraso em relação ao ano passado, quando mais de metade da área já havia sido colhida neste mesmo período. Ele observa que o cenário reforça a percepção de uma colheita mais lenta, algo que já vinha sendo indicado anteriormente.

Esse contexto tem influenciado diretamente o comportamento do produtor, que adota uma postura mais defensiva e reduz a oferta no mercado. O volume disponível, segundo a avaliação, não atende plenamente a demanda das indústrias e também limita os embarques para exportação.

A situação é considerada delicada no curto prazo, especialmente para o setor industrial, que pode enfrentar dificuldades no abastecimento. Há ainda a preocupação com um possível acúmulo de mercadoria no segundo semestre, dependendo do avanço da colheita e da reação do mercado ao longo dos próximos meses.

 





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Bloqueio no Estreito de Ormuz trava mais de 780 mil toneladas de fertilizantes, diz especialista


Ilustração gerada por IA para o Canal Rural

A guerra no Oriente Médio já impacta diretamente os preços de combustíveis e fertilizantes, com reflexos no mercado global e no agronegócio brasileiro.

Além de ser um importante produtor desses insumos, o Irã controla o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo, por onde passa grande parte do petróleo e dos fertilizantes comercializados internacionalmente.

Segundo Egon Tales, gerente de Operações Nacional da Aphamar, há atualmente cerca de 20 navios, com aproximadamente 782 mil toneladas de fertilizantes, aguardando autorização para atravessar o estreito.

“Isso não significa que todo esse volume venha para o Brasil, mas estamos falando principalmente de ureia, fosfato, potássio e enxofre. Esse número ainda pode ser conservador, já que parte das embarcações está com o sistema de identificação desligado”, afirma.

Controle do Irã amplia riscos na rota

O Irã tem utilizado o controle do Estreito de Ormuz como instrumento estratégico no conflito, restringindo a passagem de embarcações de países considerados adversários, como Estados Unidos e aliados.

De acordo com Tales, o país possui um sistema robusto de monitoramento e fiscalização da região.

“Eles contam com radares costeiros, drones e inteligência naval. É uma rota estreita, onde o navio obrigatoriamente precisa passar, o que facilita a abordagem. A capacidade de detecção, presença e coerção é muito alta”, explica.

Brasil cria rota alternativa

Diante das restrições no Golfo Pérsico, o Ministério da Agricultura e Pecuária firmou um acordo com a Turquia para viabilizar uma rota alternativa para as exportações brasileiras.

O novo modelo permite o trânsito e o armazenamento temporário de cargas, especialmente de produtos de origem animal, em território turco, antes do envio ao destino final.

Na prática, a estratégia evita a passagem pelo Estreito de Ormuz. A nova rota combina transporte marítimo e terrestre.

As cargas saem do Brasil, seguem pelo Atlântico, passam pelo Estreito de Gibraltar, cruzam o Mediterrâneo e chegam à Turquia. De lá, são distribuídas por rodovias ou ferrovias para o Oriente Médio.

Segundo o comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud, a alternativa é viável, mas traz impacto significativo nos custos. “Não há dúvida de que é uma alternativa. Agora, mais barato não é”, afirma.

De acordo com o analista, o seguro marítimo na região já subiu cerca de 10 vezes, enquanto o custo total das operações pode aumentar em até 300%.

Além disso, o frete também é pressionado pela alta do combustível e pela complexidade logística.

Demanda segue firme apesar do cenário

Mesmo com os custos mais altos, a demanda por alimentos continua sustentada, especialmente nos países árabes.

“Esses países dependem de cerca de 90% dos alimentos que consomem. Eles precisam da comida”, destaca Daoud.

A Turquia também se apresenta como um ponto estratégico por atender exigências sanitárias e religiosas dos mercados importadores, incluindo critérios como o abate halal.

Na prática, a nova operação garante a continuidade do fluxo de exportações brasileiras, especialmente de proteínas como carne bovina e de frango.

No entanto, o modelo eleva significativamente os custos e exige maior coordenação logística.

“É a opção disponível. Não tem outra alternativa. Vai ficar mais caro, mas é uma solução”, diz Daoud.

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Pimenta-do-reino do Espírito Santo entra no radar da guerra


pimenta-do-reino
Foto: Freepik

A pimenta-do-reino é uma das culturas que ajudam a explicar a força do agronegócio capixaba no mercado internacional. Com forte presença nas exportações brasileiras, o Espírito Santo construiu ao longo dos anos uma relação direta com mercados estratégicos — especialmente no Golfo Pérsico, região que agora está no centro das atenções por causa da escalada de tensão no Oriente Médio.

O conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã, que já se estende por semanas, começa a impactar a dinâmica global de transporte e comércio. E, no caso da pimenta capixaba, isso significa mais custo, mais risco e menos previsibilidade.

“O mercado do Golfo Pérsico é extremamente importante. Só essa região representa 16% das exportações da pimenta capixaba”, destaca o Secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo, Enio Bergoli.

Com a guerra, rotas marítimas estão sendo redesenhadas, o frete praticamente dobrou e o seguro das cargas disparou. O impacto não é apenas logístico — ele atinge diretamente a competitividade do produto brasileiro lá fora.

É nesse cenário que entra a Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), uma das maiores cooperativas do país no setor agropecuário e referência nacional na produção e comercialização de café conilon. Com a recente incorporação da Cooperativa Agropecuária da Bacia do Cricaré (Coopbac) — cooperativa especializada na produção de pimenta-do-reino — a cultura passou a ter ainda mais relevância dentro da estrutura da organização, ampliando sua presença no mercado internacional de especiarias.

Na prática, isso significa que qualquer oscilação no comércio exterior impacta diretamente a estratégia da cooperativa e dos produtores associados.

O superintendente-geral da Cooabriel, Carlos Augusto Pandolfi, explicou que os efeitos da guerra ainda não aparecem de forma imediata nas operações: “Para nós ainda não teve impacto direto, porque os acordos são fechados muito antes. A gente acaba entregando depois de formalizar o negócio”.

Mas o alerta já está aceso dentro da cooperativa. “O preço da logística aumentou bastante. Combustível e tudo mais que envolve transporte será afetado, então a exportação vai ficar mais cara”, afirma Pandolfi.

Outro ponto que amplia a preocupação é a dificuldade de reposicionar a produção. Parte da pimenta capixaba é destinada a mercados menos exigentes em qualidade — justamente como os países do Golfo. Em momentos de crise, esse perfil limita alternativas comerciais.

“Esse mercado é menos exigente em qualidade. E isso é importante porque parte da nossa produção precisa desse tipo de mercado. Não conseguimos redirecionar facilmente para
destinos mais exigentes, como Estados Unidos e Europa”, afirma Bergoli.

No campo, o reflexo já é sentido como um sinal de alerta. A guerra, que parece distante no mapa, passa a interferir diretamente no custo, na logística e nas decisões de comercialização da pimenta produzida no Espírito Santo.

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Pecuaristas de corte e de leite terão juros menores pelo Pronaf


bovino de corte; pecuária de corte
Foto: Gabriel Aquere/Embrapa

As cooperativas da agricultura familiar terão acesso a juros mais baixos nos financiamentos à bovinocultura. 

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira (26) a redução, de 8% para 3% ao ano, da taxa de juros do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), na modalidade Mais Alimentos.

Em nota, o Ministério da Fazenda explicou que a medida busca estimular investimentos na produtividade do setor.

A nova taxa de 3% ao ano passa a valer para operações contratadas por cooperativas que adquirirem sêmen, óvulos e embriões para melhoramento genético, com foco tanto na pecuária de corte quanto na de leite.

Até então, esse percentual mais baixo já era aplicado apenas para financiamentos contratados diretamente por agricultores familiares. Com a mudança, o benefício é estendido às cooperativas que atendem seus associados.

Incentivo genético

O CMN também autorizou o financiamento desses itens de forma isolada por meio do Renovagro, programa voltado a sistemas de produção agropecuária sustentáveis.

Além da aquisição de material genético, passam a ser financiados serviços associados, como inseminação artificial e transferência de embriões. Antes, essas operações estavam limitadas a 30% do valor total do crédito de investimento.

Fundo para o café

Na mesma reunião, o colegiado aprovou a destinação de R$ 7,37 bilhões para o financiamento do setor cafeeiro em 2026, por meio do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).

Os recursos serão utilizados em diversas frentes, como custeio da produção, comercialização, aquisição de café, capital de giro e recuperação de lavouras danificadas.

Destinação

Segundo o governo, a distribuição dos valores entre as diferentes linhas de crédito será definida pelo Ministério da Agricultura. As operações seguirão as regras estabelecidas no Manual de Crédito Rural.

Presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, o CMN também é composto pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

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Taxa de desemprego sobe para 5,8% em fevereiro, aponta IBGE


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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A taxa de desemprego no trimestre encerrado em fevereiro atingiu 5,8%, valor acima do trimestre móvel terminado em novembro, quando era de 5,2%.

Apesar da alta no intervalo, o resultado é o menor para um trimestre encerrado em fevereiro desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, e mostrou também recorde no salário do trabalhador. No mesmo trimestre de 2025, o índice era 6,8%.

No trimestre terminado em fevereiro, o Brasil tinha 102,1 milhões de pessoas ocupadas e 6,2 milhões à procura de trabalho. No trimestre de setembro a novembro de 2025 eram 5,6 milhões de brasileiros em busca de vagas.
 
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No trimestre terminado em novembro, o número de ocupados era 874 mil a mais. De acordo com o instituto, o aumento da desocupação é explicado por perda de vagas nos segmentos de saúde, educação e construção.

A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, atribuiu a redução ao comportamento sazonal, ou seja, típico da época do ano, principalmente nas áreas de educação e saúde.

“Parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários no setor público. Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes, repercutindo no nível da ocupação dessa atividade.”

Recorde no rendimento

Apesar da elevação recente na taxa de desocupação, o rendimento médio mensal do trabalhador no trimestre encerrado em fevereiro atingiu R$ 3.679, o maior já registrado, ficando 2% acima do trimestre encerrado em novembro de 2025 e 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

Esse valor é real, ou seja, já desconta a inflação dos períodos de comparação.

“O crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela grande demanda de trabalhadores, acompanhada de tendência de maior formalização em atividades de comercio e serviços”, afirmou Adriana Beringuy.

Mais destaques da pesquisa:

  • Número de empregados no setor privado com carteira assinada foi de 39,2 milhões, estável em relação ao trimestre móvel terminado em novembro e em relação ao mesmo período de 2025;
  • Número de trabalhadores por conta própria ficou em 26,1 milhões, estável entre trimestres seguidos e aumentou 3,2% ante o mesmo período de 2025 (mais 798 mil pessoas);
  • Taxa de informalidade foi de 37,5% da população ocupada (ou 38,3 milhões de trabalhadores informais), contra 37,7% do trimestre encerrado em novembro. Informais são trabalhadores sem garantias trabalhistas, como cobertura previdenciária e férias.

Critérios 

 A pesquisa do IBGE apura o comportamento do mercado de trabalho para pessoas a partir de 14 anos e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo. 
 
Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.
 
A maior taxa de desocupação já registrada na série iniciada em 2012 foi de 14,9%, atingida em dois períodos: nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19. A menor foi 5,1% no quarto trimestre de 2025.

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Produtor sente no bolso alta do diesel e fertilizantes


A disparada dos preços do diesel e dos fertilizantes abriu uma nova frente de preocupação no agronegócio brasileiro. Mais do que encarecer o plantio, a colheita e o transporte, o movimento eleva a tensão sobre contratos já firmados, aumenta a pressão sobre o caixa do produtor e impõe uma revisão mais cuidadosa das estratégias de financiamento no campo.

Em meio ao impacto do cenário internacional sobre energia e insumos, o setor agropecuário passou a conviver com um ambiente de custos menos previsível. O problema não se resume ao orçamento da safra. Na prática, a alta dos insumos também atinge compromissos assumidos antes dessa escalada e leva produtores, tradings, transportadores e empresas do setor a reavaliar cláusulas, garantias e responsabilidades.

Para André Aidar, sócio e Head de Direito do Agronegócio no Lara Martins Advogados, a reação do setor precisa ir além da conta financeira. Segundo ele, o contrato ganhou papel central na proteção das operações. “O contrato precisa deixar de ser visto apenas como uma formalidade ou um instrumento de financiamento e passar a ser utilizado como ferramenta estratégica de gestão de risco”, afirma.

A principal dúvida entre produtores e empresas tem sido a possibilidade de rever acordos assinados em outro contexto de mercado, especialmente os ligados à compra de insumos. Aidar explica que a legislação brasileira admite revisão contratual quando fatos extraordinários e imprevisíveis provocam desequilíbrio relevante entre as partes, mas faz uma ressalva importante: isso não significa autorização para descumprimento automático.

“Não há liberdade para simplesmente romper contratos. O limite está na boa-fé objetiva e na função social do contrato”, ressalta. Na avaliação do especialista, o caminho juridicamente mais seguro passa pela negociação, com base em documentos, planilhas e provas que demonstrem de forma concreta o impacto da alta de custos sobre a atividade.

Esse movimento, segundo ele, tende a ser mais eficiente do que decisões precipitadas. Ao buscar reequilibrar a relação contratual com transparência, o produtor aumenta as chances de preservar parcerias comerciais e diminuir o risco de disputa judicial em um momento de maior fragilidade econômica.

A preocupação não está apenas no custo dos fertilizantes. O diesel também entrou no centro das atenções por causa do risco de comprometer a logística da safra. A eventual falta de combustível pode afetar desde o funcionamento de máquinas no campo até o transporte rodoviário de grãos, insumos e produtos agroindustriais.

Nesse cenário, a responsabilização por atrasos, perdas ou descumprimento de prazos dependerá do que ficou estabelecido nos contratos. Em condições normais, falhas operacionais previsíveis costumam recair sobre quem executa o serviço. Mas, diante de uma escassez ampla de combustível, a análise muda. “Uma escassez ampla de diesel tende a afastar a responsabilização por atrasos, especialmente quando não há controle direto do operador logístico sobre o evento”, pontua Aidar.

Ainda assim, ele alerta que momentos de crise costumam expor fragilidades antigas das operações. “Quando cláusulas de força maior ou hardship são frágeis ou inexistentes, o risco de litígios cresce significativamente”, afirma. Em outras palavras, contratos genéricos ou mal amarrados deixam produtores e empresas mais vulneráveis justamente quando o mercado se torna mais hostil.

Ao mesmo tempo em que os custos avançam, a necessidade de capital de giro tende a crescer. Com menos folga financeira, muitos produtores passam a olhar com mais atenção para alternativas de crédito privado. Aidar avalia, porém, que esse tipo de decisão exige leitura técnica e cautela, para evitar que a busca por liquidez imediata crie um problema maior adiante.

Entre os pontos mais sensíveis estão as CPRs de entrega física, que podem aumentar a exposição do produtor em um momento de incerteza sobre despesas e produtividade. “É preciso ter cuidado com CPRs de entrega física, principalmente em um ambiente de incerteza sobre custos e produtividade. Estruturas mais flexíveis ou com mecanismos de proteção de preço tendem a ser mais seguras”, orienta.

Os Fiagros, cada vez mais presentes no financiamento do agro, também exigem análise detalhada. Aidar diz que o produtor não deve observar apenas a taxa ou o custo aparente da operação. Questões como governança, nível de influência do investidor no negócio e acúmulo de garantias precisam entrar na conta antes da assinatura.

Para o advogado, esse cuidado é decisivo para evitar que uma operação pensada para aliviar o caixa se transforme em fator adicional de instabilidade. “O produtor deve avaliar não apenas o custo, mas também o nível de ingerência do investidor e evitar a sobreposição de garantias reais, que pode agravar problemas em caso de inadimplência”, alerta.

A combinação entre diesel mais caro, fertilizantes pressionados e crédito mais complexo impõe ao agronegócio um momento de reorganização. Mais do que buscar recursos, o setor precisa reforçar a gestão de risco e qualificar a tomada de decisão, principalmente em contratos que envolvem entrega futura, logística e garantias reais.

Na avaliação de Aidar, a forma como essas estruturas forem desenhadas agora pode definir o tamanho do problema nos próximos meses. “Uma estrutura bem desenhada agora pode evitar inadimplência em cadeia e reduzir a necessidade de medidas mais drásticas, como a recuperação judicial”, conclui.

 





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Fiscalização identifica aumento de até 277% na margem do diesel em distribuidoras


Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

O governo federal identificou indícios de aumento de até 277% na margem bruta do diesel durante fiscalizações em distribuidoras de combustíveis no país.

O dado foi apresentado nesta quinta-feira (26) pelos ministérios da Justiça e Segurança Pública e de Minas e Energia, durante balanço das operações de combate a abusos nos preços.

Desde o início de março, uma força-tarefa nacional reúne órgãos como Senacon, Procons, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

Até o momento, foram fiscalizados:

  • 3.181 postos de combustíveis
  • 236 distribuidoras em todo o país

Além disso, a ANP realizou ações específicas em 342 agentes regulados, incluindo 78 distribuidoras.

Irregularidades e empresas autuadas

Durante a fiscalização nas distribuidoras, foram lavrados 16 autos de infração por indícios de prática abusiva de preços.

Em um dos casos, foi identificado o aumento de 277% na margem do diesel, considerado um dos mais expressivos já registrados.

As empresas autuadas incluem grandes distribuidoras do mercado, como: Alesat, Ipiranga, Raízen, Vibra Energia, entre outras. Agora, essas companhias respondem a processos administrativos na ANP.

O objetivo da força-tarefa é combater reajustes considerados injustificados ao consumidor. De acordo com o governo, aumentos sem comprovação de elevação de custos podem ser classificados como prática abusiva.

Fiscalização será ampliada

As ações já alcançaram 50 cidades em 12 estados, e a tendência é de ampliação das operações.

A Senacon também criou um plantão técnico permanente, com apoio de Procons de todo o país, para acelerar a identificação e punição de irregularidades.

Além disso, operações em rodovias já começaram em estados como Bahia, Maranhão, Paraíba, Espírito Santo e no Distrito Federal.

Governo reforça que não há falta de diesel

Apesar das irregularidades identificadas, o governo afirma que não há risco de desabastecimento de diesel no Brasil. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o país conta com oferta suficiente para atender a demanda nos meses de março e abril.

O monitoramento é feito por uma sala de acompanhamento que se reúne a cada 48 horas.

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