Bloqueio no Estreito de Ormuz trava mais de 780 mil toneladas de fertilizantes, diz especialista

A guerra no Oriente Médio já impacta diretamente os preços de combustíveis e fertilizantes, com reflexos no mercado global e no agronegócio brasileiro.
Além de ser um importante produtor desses insumos, o Irã controla o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo, por onde passa grande parte do petróleo e dos fertilizantes comercializados internacionalmente.
Segundo Egon Tales, gerente de Operações Nacional da Aphamar, há atualmente cerca de 20 navios, com aproximadamente 782 mil toneladas de fertilizantes, aguardando autorização para atravessar o estreito.
“Isso não significa que todo esse volume venha para o Brasil, mas estamos falando principalmente de ureia, fosfato, potássio e enxofre. Esse número ainda pode ser conservador, já que parte das embarcações está com o sistema de identificação desligado”, afirma.
Controle do Irã amplia riscos na rota
O Irã tem utilizado o controle do Estreito de Ormuz como instrumento estratégico no conflito, restringindo a passagem de embarcações de países considerados adversários, como Estados Unidos e aliados.
De acordo com Tales, o país possui um sistema robusto de monitoramento e fiscalização da região.
“Eles contam com radares costeiros, drones e inteligência naval. É uma rota estreita, onde o navio obrigatoriamente precisa passar, o que facilita a abordagem. A capacidade de detecção, presença e coerção é muito alta”, explica.
Brasil cria rota alternativa
Diante das restrições no Golfo Pérsico, o Ministério da Agricultura e Pecuária firmou um acordo com a Turquia para viabilizar uma rota alternativa para as exportações brasileiras.
O novo modelo permite o trânsito e o armazenamento temporário de cargas, especialmente de produtos de origem animal, em território turco, antes do envio ao destino final.
Na prática, a estratégia evita a passagem pelo Estreito de Ormuz. A nova rota combina transporte marítimo e terrestre.
As cargas saem do Brasil, seguem pelo Atlântico, passam pelo Estreito de Gibraltar, cruzam o Mediterrâneo e chegam à Turquia. De lá, são distribuídas por rodovias ou ferrovias para o Oriente Médio.
Segundo o comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud, a alternativa é viável, mas traz impacto significativo nos custos. “Não há dúvida de que é uma alternativa. Agora, mais barato não é”, afirma.
De acordo com o analista, o seguro marítimo na região já subiu cerca de 10 vezes, enquanto o custo total das operações pode aumentar em até 300%.
Além disso, o frete também é pressionado pela alta do combustível e pela complexidade logística.
Demanda segue firme apesar do cenário
Mesmo com os custos mais altos, a demanda por alimentos continua sustentada, especialmente nos países árabes.
“Esses países dependem de cerca de 90% dos alimentos que consomem. Eles precisam da comida”, destaca Daoud.
A Turquia também se apresenta como um ponto estratégico por atender exigências sanitárias e religiosas dos mercados importadores, incluindo critérios como o abate halal.
Na prática, a nova operação garante a continuidade do fluxo de exportações brasileiras, especialmente de proteínas como carne bovina e de frango.
No entanto, o modelo eleva significativamente os custos e exige maior coordenação logística.
“É a opção disponível. Não tem outra alternativa. Vai ficar mais caro, mas é uma solução”, diz Daoud.
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