segunda-feira, março 23, 2026

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Agrotóxicos proibidos continuam entrando no Brasil pela fronteira, aponta Ministério Público


O evento Receituário Agronômico: boas práticas, segurança alimentar e responsabilidade técnica iniciou na manhã desta sexta-feira (20), em Porto Alegre, reunindo especialistas e autoridades no plenário do CREA-RS para discutir o uso responsável de agrotóxicos e a responsabilidade técnica na produção agrícola.

Um dos principais destaques da programação foi a palestra do promotor de Justiça Giovani Ferri, que trouxe um panorama detalhado sobre o combate ao uso ilegal de agrotóxicos no Brasil, especialmente em regiões de fronteira. Com mais de 30 anos de atuação no Ministério Público e cerca de duas décadas dedicadas ao tema, ele compartilhou a experiência no oeste do Paraná, na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.

Segundo o promotor, o cenário é preocupante. “Temos um mercado paralelo muito grande de agrotóxicos ilegais, principalmente oriundos do Paraguai, que gera prejuízos significativos para toda a sociedade”, afirmou. Ele explicou que o enfrentamento desse problema ocorre de forma integrada, com a atuação conjunta de órgãos de fiscalização, segurança pública e instituições técnicas.

Desde 2016, o Ministério Público do Paraná desenvolve um plano estruturado de combate a essas irregularidades. Ferri destacou que esse trabalho é sustentado por três pilares fundamentais: “a proteção ambiental, a proteção da saúde humana e do trabalhador e a proteção da cadeia produtiva”.

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Ao longo da apresentação, ele reforçou que o uso inadequado de agrotóxicos ultrapassa o campo e impacta diretamente toda a sociedade. “A aplicação incorreta pode colocar em risco o consumidor, contaminar o meio ambiente e comprometer a própria sustentabilidade da produção agrícola”, disse.

As operações realizadas nos últimos anos mostram a dimensão do problema. Em uma das ações, foram apreendidas 46 toneladas de agrotóxicos ilegais e aplicadas multas que chegaram a R$ 2,8 milhões. Em outro caso, foi descoberta uma fábrica clandestina. “Identificamos um laboratório ilegal que produzia e distribuía agrotóxicos sem qualquer autorização, atingindo toda a região”, relatou.

As investigações também revelaram crimes associados, como contrabando, falsificação e sonegação fiscal. Em uma operação recente, realizada entre 2024 e 2025, foram identificados cerca de R$ 24 milhões em irregularidades tributárias, com ações em seis estados e interdição de estabelecimentos.

Outro ponto que chamou atenção foi a entrada de substâncias proibidas no país. “Mesmo produtos banidos no Brasil continuam entrando ilegalmente pelas fronteiras e sendo utilizados no campo”, alertou, ao citar o caso do paraquate.

No campo jurídico, o promotor destacou que a legislação brasileira trata o risco dos agrotóxicos como presumido. “Não é necessário haver dano comprovado. O simples armazenamento irregular ou a comercialização ilegal já geram responsabilização”, explicou.

Nesse contexto, o receituário agronômico ganha ainda mais relevância. “A emissão indevida de um receituário pode gerar responsabilidade civil, administrativa e até criminal”, afirmou. Ele ressaltou que essa responsabilidade não se restringe ao produtor rural, mas envolve toda a cadeia. “Revendas, profissionais e distribuidores também respondem pelas irregularidades”. Apesar dos desafios, Ferri destacou um avanço importante dentro do setor. “Temos recebido denúncias de engenheiros agrônomos, de forma sigilosa, o que demonstra uma preocupação crescente com os impactos dessas práticas”, disse.

 

 





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Filhotes de espécie criticamente ameaçada nascem no Zoológico de São Paulo


sauins-de-coleira
Foto: Divulgação Zoo São Paulo

A família de sauins-de-coleira (Saguinus bicolor) do Zoológico de São Paulo acaba de crescer. Os pais, que chegaram ao zoológico em 2025, tiveram dois filhotes no fim de fevereiro. A gestação teve a duração de cerca de cinco meses, e o parto ocorreu de forma natural e bem-sucedida.

Os recém-nascidos permanecem sob cuidados constantes dos pais, que se revezam no transporte dos filhotes, sempre agarrados ao corpo dos pais.

De acordo com o Zoológico de São Paulo, a mãe faz a amamentação, mas ambos, pai e mãe, participam ativamente da higienização, proteção e estímulo fisiológico dos filhotes. O casal também os expõe ao sol em dias mais frios, contribuindo para a regulação térmica.

sauins-de-coleira
Foto: Divulgação Zoo São Paulo

Nos próximos meses, terá início a introdução alimentar, com oferta gradual de alimentos sólidos e o posterior desmame. Paralelamente, os filhotes começarão a desenvolver autonomia, aprendendo a se equilibrar e se deslocar entre os galhos. A nova família já pode ser visitada pelo público do Zoo.

Esta é a primeira reprodução do sauim-de-coleira no Zoológico de São Paulo, que integra o programa de manejo cooperativo da espécie coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Sobre a espécie

O sauim-de-coleira, também conhecido como sauim-de-manaus, é um primata nativo da Amazônia, com ocorrência concentrada nas florestas urbanas da cidade de Manaus. De pequeno porte, pode atingir até 32 centímetros de comprimento e pesar cerca de 550 gramas.

sauins-de-coleira
Foto: Divulgação Zoo São Paulo

Sua principal característica é a pelagem branca ao redor da cabeça, pescoço e tórax, que lembra uma coleira e é o traço que dá origem ao seu nome popular. A espécie também apresenta face negra e sem pelos na cabeça e orelhas.

Risco de extinção

A espécie está classificada como Criticamente Ameaçado de Extinção na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), e consta como espécie em perigo na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

sauins-de-coleira
Foto: Divulgação Zoo São Paulo

Funcionamento do Zoológico de São Paulo

Segunda a sexta-feira: das 9h às 16h (visitação até 17h)

Sábados, domingos e feriados: das 8h30 às 17h (visitação até 18h)

Endereço: Av. Miguel Estéfano, 4241, Água Funda, São Paulo – SP CEP 04301-905

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Gado pode ajudar a recuperar áreas do Cerrado e conter capim invasor, aponta estudo


Foto: Reprodução.
Foto: Reprodução.

Um estudo conduzido pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) e divulgado pela Agência Fapesp indica que o gado, quando manejado de forma adequada, pode se tornar um aliado na conservação do Cerrado. A pesquisa revela que o pastejo controlado é capaz de reduzir a presença da braquiária, uma das principais espécies invasoras do bioma, e favorecer a regeneração da vegetação nativa.

O trabalho foi publicado na revista científica Agriculture, Ecosystems and Environment e traz evidências de que práticas bem conduzidas de pecuária podem contribuir para a restauração ambiental.

Braquiária ameaça biodiversidade do Cerrado

Introduzida no Brasil na década de 1960, a braquiária (Urochloa decumbens) se tornou uma das principais ameaças aos campos naturais do Cerrado.

A espécie tem alta capacidade de ocupação e impede o desenvolvimento de plantas nativas, além de ser difícil de erradicar por métodos convencionais, como herbicidas ou capina.

Segundo as pesquisadoras, esse cenário tem levado à perda de biodiversidade e à descaracterização dos ecossistemas naturais.

Pastejo controlado reduz invasora e abre espaço para regeneração

O estudo foi realizado na Estação Ecológica de Santa Bárbara, no interior de São Paulo, onde áreas invadidas por braquiária foram submetidas ao pastejo rotacionado — sistema que alterna períodos de uso e descanso.

Após dois anos de monitoramento, os resultados mostraram:

  • Redução de cerca de 50% na cobertura de braquiária
  • Aumento do solo exposto, favorecendo a germinação
  • Crescimento de aproximadamente 20% na diversidade de espécies nativas

De acordo com a pesquisadora Bruna Helena de Campos, autora principal do estudo, a abertura de espaço no solo é essencial para a recuperação do ecossistema.

“Isso permite que outras espécies germinem e se desenvolvam, contribuindo para a diversidade e manutenção da vegetação típica”, explica.

Gado pode cumprir papel ecológico semelhante ao da fauna extinta

A pesquisa também resgata a relação histórica entre o pastejo e os ecossistemas campestres.

Segundo a ecóloga Giselda Durigan, coautora do estudo, as plantas do Cerrado evoluíram ao longo de milhões de anos convivendo com grandes herbívoros, hoje extintos.

Nesse contexto, o gado pode exercer função semelhante, ajudando a controlar o excesso de biomassa e favorecendo o equilíbrio do sistema.

Solução baseada na natureza exige manejo adequado

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores alertam que o uso do pastejo como ferramenta de restauração exige critérios técnicos rigorosos.

Entre os principais cuidados estão:

  • Controle da densidade de animais por área
  • Evitar o sobrepastejo, que pode degradar o solo
  • Monitoramento contínuo da vegetação

“O excesso de animais pode causar compactação do solo e reduzir a diversidade, gerando efeitos contrários ao esperado”, ressalta Campos.

Política pública e uso sustentável

No Brasil, a legislação ambiental já permite o manejo sustentável da vegetação nativa, incluindo o uso econômico compatível com a conservação.

Em estados como São Paulo, o pastejo é reconhecido como prática sustentável em áreas de Reserva Legal de ecossistemas abertos.

Para os pesquisadores, os resultados do estudo reforçam a importância de integrar ciência, políticas públicas e gestão no campo.

Integração entre produção e conservação

A pesquisa foi desenvolvida por cientistas do IPA e da Unicamp, com apoio da FAPESP e colaboração internacional.

Os autores concluem que o pastejo controlado pode ser uma solução baseada na natureza para restaurar áreas degradadas do Cerrado, desde que aplicado com planejamento e acompanhamento técnico.

A prática abre caminho para uma integração mais eficiente entre produção agropecuária e conservação ambiental, tema cada vez mais estratégico para o futuro do agro brasileiro.

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Procuradora da República orienta sobre responsabilidade criminal no campo


O evento Receituário Agronômico: boas práticas, segurança alimentar e responsabilidade técnica, realizado na manhã desta sexta-feira (20), em Porto Alegre, também trouxe à tona discussões sobre os impactos jurídicos das mudanças na legislação de agrotóxicos, especialmente no campo da responsabilidade criminal.

A procuradora da República Flávia Rigo Nóbrega destacou que a nova legislação trouxe alterações significativas, principalmente ao reduzir o número de condutas tipificadas como crime.

Segundo ela, uma das principais dúvidas que surgem no setor é se determinadas práticas deixaram de ser consideradas criminosas. “Fica aquela questão: então quer dizer que essa conduta deixou de ser criminalizada? Eu não entendo que esse seja o melhor entendimento”, afirmou.

A procuradora explicou que a antiga legislação, como a Lei 7.802, previa dispositivos mais específicos, incluindo responsabilidades diretas do profissional técnico. Com a nova lei, esses dispositivos foram revogados, o que gerou uma aparente lacuna.

“É importante ter em mente que a Lei 7.802 foi totalmente revogada. Mas isso não significa que as interpretações construídas a partir dela, e também da Lei de Crimes Ambientais, tenham sido abandonadas”, ressaltou.

Agrotóxicos proibidos continuam entrando no Brasil pela fronteira, aponta Ministério Público

Receituário agronômico vai além da burocracia, afirmam especialistas

De acordo com Flávia, a nova Lei nº 14.785 trouxe apenas duas condutas expressamente tipificadas como crime, o que representa uma redução significativa no campo da responsabilização penal. Ainda assim, ela alertou que isso não elimina a possibilidade de enquadramento criminal.

“A lei reduziu drasticamente o espaço de atuação criminal, mas isso não quer dizer que determinadas condutas deixaram de ser puníveis”, explicou.

A procuradora destacou que, embora alguns verbos e tipos penais não tenham sido repetidos na nova legislação, eles continuam contemplados em outros dispositivos legais.

“Quando a gente faz uma análise mais aprofundada, percebe que várias dessas condutas ainda encontram respaldo em outras normas. Elas não desapareceram do ordenamento jurídico”, afirmou.

Segundo ela, o desafio agora está na interpretação dessas normas e na aplicação prática da legislação. “A gente precisa olhar para frente, mas sem esquecer os pressupostos que já existiam. A interpretação jurídica continua sendo fundamental nesse cenário”, disse.

A fala reforça a preocupação com a responsabilização de profissionais e demais envolvidos na cadeia produtiva, especialmente diante de um contexto em que o uso de agrotóxicos segue sendo tema sensível para a saúde pública e o meio ambiente.

O debate integra uma série de painéis técnicos que discutem desde a responsabilidade civil e administrativa até os desafios da fiscalização e da atuação profissional no campo.





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São Paulo abre inscrições para programa de apoio a produtores; saiba mais


Foto: Divulgação/ADE SAMPA.
Foto: Divulgação/ADE SAMPA.

Estão abertas as inscrições para o Programa Semeando Negócios, iniciativa da Prefeitura de São Paulo voltada a produtores rurais da zona sul da capital. A ação contempla propriedades localizadas em Parelheiros, Marsilac, Grajaú e na Terra Indígena Tenondé Porã.

O programa oferece assessoria técnica e aporte financeiro de até R$ 30 mil para projetos ligados ao turismo rural e ao beneficiamento de produtos.

Foco em geração de renda

A região atendida reúne mais de 600 propriedades rurais e integra o Polo de Ecoturismo de São Paulo. As atividades incluem produção de alimentos e experiências como visitação, degustação e práticas ligadas ao meio rural.

Segundo a organização, o objetivo é apoiar a estruturação de negócios e ampliar a renda das propriedades.

“Este programa de aceleração ajuda a enfrentar um dos principais desafios da agricultura em grandes cidades: tornar a atividade economicamente viável e garantir que as famílias continuem no campo”, afirma Carlos Alberto Santos, diretor de desenvolvimento local da ADE SAMPA, em comunicado.

Resultados da primeira edição

Na primeira edição, o programa apoiou 29 projetos. Entre eles, o Recanto Magini utilizou os recursos para aquisição de equipamentos. O Sítio do Léo ampliou a produção de doce de leite de cabra. Já o Meliponário Mondury investiu em consultoria e expansão da produção de mel.

Inscrições abertas

O programa é destinado a produtores familiares, cooperativas e associações. As inscrições para a edição de 2026 podem ser feitas até 25 de março pelo site oficial do projeto (clique aqui).

Em caso de dúvidas, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail semeandonegocios@adesampa.com.br ou pelo whatsapp: (11) 93484-5363.

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Faec completa 60 anos de atuação em defesa do produtor rural no Ceará


Amílcar Silveira, presidente da instituição, destaca trajetória, reconhecimento aos produtores rurais e compromisso com os próximos anos

No dia 16 de dezembro, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) completou 60 anos de atuação institucional. Ao longo desse período, a entidade consolidou-se como principal representante dos produtores rurais e como articuladora do setor agropecuário no Estado.

À frente da Federação desde 2022, com mandato renovado por mais quatro anos, o presidente Amílcar Silveira destacou o papel da instituição ao longo de sua trajetória. “A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará faz 60 anos e estamos trabalhando firmes para os próximos 60 anos”, afirmou, ao reforçar o compromisso com a continuidade do trabalho desenvolvido desde a fundação da entidade.

Amílcar Silveira agradeceu a colaboração de todos que participaram da construção da história da Faec. “É preciso agradecer aos produtores rurais e aos colaboradores do Senar, da Federação da Agricultura, aos técnicos de campo, aos instrutores e aos parceiros que nos ajudam no dia a dia”, disse.

Ele mencionou ainda o trabalho das gestões anteriores na consolidação da instituição. “São 60 anos graças aos presidentes que passaram por aqui e construíram a Federação da Agricultura”, disse, ao citar Flávio Saboya e Torres de Melo. “A Federação da Agricultura está mais viva do que nunca. Espero e peço a Deus pelo menos mais 60 anos para a Federação da Agricultura.”

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Projeto ensina receitas com bebida de soja para comunidades do MT


Foto: Mateus Dias / Aprosoja MT

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), realizou no dia 12 de março a primeira edição da Cozinha Experimental do Programa Agrosolidário. A estreia reuniu voluntários do Projeto Banco de Leite e da Pastoral da Criança da Diocese de Diamantino, que receberam a bebida de soja para um momento de aprendizado, troca de experiências e o preparo de diversas receitas. O evento de cozinha experimental ocorreu no núcleo de Nova Mutum.

A atividade teve o intuito mostrar as diferentes formas de utilizar a bebida de soja no dia a dia e instruir sobre o potencial nutritivo da oleaginosa. A ideia é que as famílias que participaram do preparo com orientação, possam levar para dentro de casa o aprendizado e espalhar para outras pessoas da comunidade.

Para a delegada coordenadora do núcleo da Aprosoja MT, Daiana Costa Beber, a iniciativa tem importância no lado social e de defesa dos produtores da soja. “Além de atuar na defesa dos produtores de soja e milho, a entidade também tem esse braço social próximo das comunidades.”.

Além disso, Daiana também comentou a relevância desses ensinamentos para a nutrição das crianças nas comunidades, visto que juntos, os projetos voluntários que participaram, hoje atendem cerca de 1.300 crianças.

O evento também contou com a nutricionista Jaqueline Oliveira, que apresentou quatro receitas diferentes com a bebida: pão de queijo de frigideira, almôndega saborizada com maracujá, pudim de chocolate e massa ao molho branco. A profissional destacou a função da soja na alimentação diária do brasileiro, já que o alimento é rico em nutrientes importantes para o corpo.

Por parte das instituições, a cozinha experimental fortaleceu o trabalho que é realizado junto às comunidades. “É de extrema importância ter esse tipo de capacitação, porque lidamos diretamente com as famílias e com as crianças. Muitas vezes há restrições alimentares ou dificuldades na alimentação, e com esse conhecimento conseguimos orientar melhor e levar essas informações para as famílias”, destacou a líder da Pastoral da Criança, Thais Nicknig.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Setor de bioinsumos supera R$ 7 bilhões


O novo marco regulatório dos bioinsumos tem potencial para impulsionar o crescimento do setor no Brasil, desde que combine estímulo à inovação com critérios rigorosos de segurança. A avaliação é de Júlia Emanuele de Souza, diretora de relações institucionais da ANPII Bio, que defende regras claras para a produção industrial e também para aquela realizada dentro das propriedades rurais.

Segundo a dirigente, o ambiente regulatório em construção tende a favorecer o avanço de um segmento que depende diretamente de pesquisa, tecnologia e desenvolvimento. “O marco que está sendo construído tem todo o potencial para favorecer o desenvolvimento do setor, porque os bioinsumos dependem de pesquisa e desenvolvimento. É um setor extremamente inovador”, afirmou.

Júlia destacou que a proposta em discussão abre espaço para o incentivo a novas tecnologias, à mistura de produtos e à chamada múltipla funcionalidade, pontos considerados estratégicos para ampliar a competitividade do setor no país. “Essa nova proposta de decreto vem trazendo incentivo para novas tecnologias, para a mistura de produtos e a múltipla funcionalidade também está sendo incentivada nesse novo marco regulatório”, disse.

Produção na fazenda entra no centro do debate

Apesar do otimismo com a regulamentação, Júlia chamou atenção para um ponto considerado sensível pela indústria: a necessidade de maior clareza sobre a produção feita pelo produtor rural dentro da fazenda.

Na avaliação da diretora, a regulamentação pode deixar de cumprir seu papel de incentivo caso não estabeleça parâmetros objetivos para essa prática. “A tendência é que o marco regulatório incentive o setor. O único risco de desincentivo seria a falta de clareza sobre a produção feita pelo produtor na fazenda”, afirmou.

Ela pondera que os bioinsumos são, em essência, produtos naturalmente seguros, mas isso não elimina a necessidade de controle técnico. “São produtos naturalmente seguros, encontrados na natureza, mas, se produzidos de forma inadequada, podem trazer riscos para quem usa e para quem consome os alimentos”, alertou.

Para Júlia, o debate regulatório precisa avançar com foco na segurança sanitária, ambiental e operacional. “Se todo o processo de produção, tanto industrial quanto feito pelo produtor rural, for realizado com critérios rigorosos de segurança para a saúde das pessoas e para o meio ambiente, essa regulamentação tende, sim, a ser um incentivo para o setor”, ressaltou.

Qualidade é condição para eficácia dos biológicos

Outro ponto enfatizado por Júlia é que a própria dinâmica de fabricação dos produtos biológicos exige elevado rigor técnico. Segundo ela, a eficácia e a estabilidade dos bioinsumos dependem diretamente do controle de qualidade em todas as etapas do processo produtivo.

“A indústria de biológicos no Brasil é naturalmente muito diligente. A produção exige um controle de qualidade extremamente rigoroso; caso contrário, o produto não sai conforme e a empresa pode perder todo o lote”, explicou.

Ela acrescenta que esse padrão já faz parte da rotina das empresas associadas à ANPII Bio e, na avaliação da entidade, precisa se estender a todo o mercado. “As empresas associadas à ANPII Bio são altamente diligentes e produzem com controle de qualidade rigoroso. Isso deve acontecer em todo o setor, inclusive na produção feita pelo produtor rural”, completou.

Setor vive momento de expansão no Brasil

As declarações de Júlia ocorrem em um momento de forte crescimento do mercado de bioinsumos no país. De acordo com dados apresentados pela ANPII Bio durante a terceira edição do Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, realizada em Campinas, o setor superou R$ 7 bilhões na safra 2024/2025 e consolidou o Brasil entre os três maiores mercados do mundo, ao lado de Estados Unidos e China.

Hoje, o país responde por 15% a 18% do mercado global e concentra cerca de 50% das movimentações da América Latina. Entre 2022 e 2025, o número de empresas do segmento cresceu mais de 50%, impulsionado tanto pela entrada de novos players quanto pela diversificação de empresas tradicionais de insumos.

O evento reuniu cerca de 200 participantes, entre executivos de mais de 90 empresas, além de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária, da Embrapa, especialistas e consultorias.

 





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Pesquisa inédita transforma restos de frutas em matéria-prima para cosméticos e embalagens


resíduos de manga e abacaxi
Foto: Cícero Oliveira

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram um processo inovador para a produção de carboximetil holocelulose (CMHC) – um derivado químico produzido a partir da celulose –, como alternativa à sua produção a partir de resíduos de frutas, como abacaxi e manga.

A tecnologia propõe uma alternativa mais sustentável à carboximetilcelulose (CMC) comercial – um aditivo espessante e estabilizante –, amplamente utilizada em diferentes setores industriais.

O processo permite a obtenção da CMHC em condições otimizadas, ou seja, com menor consumo de reagentes e energia, além de reduzir a geração de efluentes.

O diferencial da invenção, desenvolvida durante o mestrado de Elaine Souza, está no aproveitamento conjunto da celulose e da hemicelulose, componentes da biomassa vegetal, comumente descartada como resíduo pela indústria de papel.

A CMHC apresenta propriedades semelhantes às da carboximetilcelulose comercial, principal derivado de celulose empregado como espessante, estabilizante e agente formador de filme.

No entanto, ao incorporar a fração de hemicelulose ao produto final, o processo agrega valor a um biopolímero subutilizado e resulta em maior rendimento mássico e menor custo de produção.

Aplicações industriais

Foto: Cícero Oliveira

A tecnologia pode ser aplicada na fabricação de embalagens biodegradáveis, cosméticos e produtos de higiene pessoal, como cremes e xampus, além de atuar como espessante em alimentos, como sorvetes, bebidas lácteas e sobremesas.

Na área farmacêutica, pode-se usar o material como condutor de estabilidade na formulação de comprimidos e como componente de colírios lubrificantes.

Além disso, a indústria do petróleo também se apresenta como um campo de aplicação, como no uso da CMHC em fluidos industriais, ampliando o alcance do produto no mercado. 

“O processo valoriza resíduos agroindustriais e alimentícios abundantes no nosso país, reduz o consumo de reagentes e energia e diminui a geração de efluentes, possibilitando a produção de CMHC com altos rendimentos mássicos e solubilidade em água”, afirma a professora e pesquisadora Luciene Santos, coordenadora do Laboratório de Tecnologias Energéticas (LABTEN).

Nesse sentido, a proposta contribui para a economia circular ao transformar rejeitos em insumos de interesse industrial, reduzindo impactos ambientais associados ao descarte desses materiais.

Pesquisa segue avançando

Foto: Cícero Oliveira

Conforme destacam os pesquisadores, “as tecnologias de extração da holocelulose e de produção da CMHC a partir de resíduos estão consolidadas em escala laboratorial, e agora avançamos para a exploração de aplicações e estudos de escalonamento do processo”.

Atualmente, o grupo de pesquisa segue avançando no desenvolvimento de novos derivados poliméricos de celulose e hemicelulose obtidos a partir de diferentes resíduos agroindustriais, ampliando o escopo da tecnologia protegida.

Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Ciclone provoca chuva forte e ventos acima de 100 km/h


Ciclone no Atlântico Sul
Atuação de um ciclone no Atlântico Sul

A semana começa com a formação de um ciclone extratropical pode provocar temporais, chuva volumosa e ventos intensos, especialmente no Rio Grande do Sul, na segunda -feira (23). Já no Sudeste e no Centro-Oeste, o calor predomina, com pancadas isoladas e risco de tempestades localizadas.

E no Nordeste e no Norte, a chuva segue mais frequente em áreas específicas, enquanto outras enfrentam tempo quente e seco, elevando o risco de queimadas.

Confira abaixo a previsão para semana por região de Arthur Müller, meteorologista do Canal Rural.

Sul

A semana começa com tempo firme na maior parte da região Sul, mas a chegada de novas áreas de instabilidade muda rapidamente o cenário, especialmente no Rio Grande do Sul. Nesta segunda-feira (23), há previsão de chuva moderada a forte no sul, sudoeste e litoral sul gaúcho, com risco de temporais, granizo e ventos intensos.

Um ciclone extratropical deve se formar próximo ao estado, elevando o risco de chuva volumosa , com acumulados entre 60 mm e 80 mm, além de rajadas que podem ultrapassar 100 km/h. Ao longo do dia, a chuva avança por todo o território gaúcho e alcança o oeste de Santa Catarina. No Paraná, as pancadas tendem a ser mais fracas e o tempo permanece mais estável.

Apesar dos temporais, a chuva é considerada benéfica para reduzir o déficit hídrico no RS. Em Santa Catarina e no Paraná, os volumes previstos ao longo da semana ficam entre 20 mm e 25 mm, ajudando a amenizar o calor e a secura do ar no interior.

A partir de quinta-feira (26), o calor volta a ganhar força nos três estados, com máximas que podem superar os 34 °C no interior.

Sudeste

A atuação de uma área de baixa pressão próxima à costa mantém a atmosfera instável em parte do Sudeste. As pancadas mais intensas devem ocorrer no leste e norte de Minas Gerais e no Espírito Santo, onde há risco de temporais.

Também pode chover no norte do Rio de Janeiro. Já na maior parte de São Paulo, o tempo tende a permanecer mais firme, com predomínio de calor.

Há alerta para rajadas de vento acima de 70 km/h e possibilidade de granizo no norte paulista e no sul mineiro, incluindo áreas do Triângulo Mineiro e a capital paulista, o que pode causar queda de árvores e interrupções no fornecimento de energia.

Os maiores volumes da semana são esperados no Triângulo Mineiro, norte de Minas e Espírito Santo, com acumulados entre 40 mm e 50 mm. Nas demais áreas, a chuva deve variar entre 15 mm e 20 mm, com risco de alagamentos pontuais em centros urbanos.

Centro-Oeste

As pancadas de chuva diminuem em relação aos dias anteriores, mas ainda ocorrem no norte de Mato Grosso e de Goiás. Em Mato Grosso do Sul, as precipitações se concentram no interior e no leste do estado.

No geral, a semana terá chuva suficiente para manter a umidade do solo, porém com menor intensidade, favorecendo atividades no campo. Os maiores acumulados , entre 70 mm e 80 mm, devem ocorrer no centro-norte de Mato Grosso e de Goiás.

Nas porções centro-sul desses estados e em Mato Grosso do Sul, a previsão é de pancadas passageiras intercaladas com períodos de melhoria, totalizando entre 30 mm e 40 mm. A nebulosidade ajuda a conter o calor, com máximas entre 28 °C e 32 °C.

Nordeste

A combinação entre a baixa pressão próxima à Bahia e a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mantém o tempo instável em parte do Nordeste.

Há previsão de chuva moderada a forte no oeste e sul da Bahia, além de pancadas no Maranhão, Piauí e Ceará, com risco de temporais, especialmente no sul baiano. No litoral leste, a chuva ocorre de forma mais fraca e irregular.

Os maiores volumes da semana, entre 50 mm e 60 mm, devem atingir o sul e oeste da Bahia e áreas do centro-sul do Maranhão e do Piauí, favorecendo a umidade do solo.

Nas demais áreas, predomina o tempo quente e seco. No agreste, as temperaturas podem ultrapassar 35 °C, elevando o risco de queimadas.

Norte

A alta umidade mantém a ocorrência de chuva em praticamente toda a Região Norte. Pancadas moderadas a fortes devem atingir Amazonas, Pará, Tocantins, Rondônia, Roraima e Amapá, com possibilidade de temporais isolados. No Acre, a chuva tende a ser mais irregular.

Os acumulados semanais ficam entre 50 mm e 60 mm, suficientes para manter as pastagens e os cultivos em boas condições. O tempo segue quente e abafado.

Meteorologistas alertam, porém, que volumes abaixo da média histórica podem indicar risco de seca nos próximos meses, o que pode impactar níveis de rios e a logística de transporte na região caso se confirme a tendência de retorno do fenômeno El Niño a partir do inverno de 2026.

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