domingo, março 22, 2026
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Pesquisa inédita transforma restos de frutas em matéria-prima para cosméticos e embalagens


resíduos de manga e abacaxi
Foto: Cícero Oliveira

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram um processo inovador para a produção de carboximetil holocelulose (CMHC) – um derivado químico produzido a partir da celulose –, como alternativa à sua produção a partir de resíduos de frutas, como abacaxi e manga.

A tecnologia propõe uma alternativa mais sustentável à carboximetilcelulose (CMC) comercial – um aditivo espessante e estabilizante –, amplamente utilizada em diferentes setores industriais.

O processo permite a obtenção da CMHC em condições otimizadas, ou seja, com menor consumo de reagentes e energia, além de reduzir a geração de efluentes.

O diferencial da invenção, desenvolvida durante o mestrado de Elaine Souza, está no aproveitamento conjunto da celulose e da hemicelulose, componentes da biomassa vegetal, comumente descartada como resíduo pela indústria de papel.

A CMHC apresenta propriedades semelhantes às da carboximetilcelulose comercial, principal derivado de celulose empregado como espessante, estabilizante e agente formador de filme.

No entanto, ao incorporar a fração de hemicelulose ao produto final, o processo agrega valor a um biopolímero subutilizado e resulta em maior rendimento mássico e menor custo de produção.

Aplicações industriais

Foto: Cícero Oliveira

A tecnologia pode ser aplicada na fabricação de embalagens biodegradáveis, cosméticos e produtos de higiene pessoal, como cremes e xampus, além de atuar como espessante em alimentos, como sorvetes, bebidas lácteas e sobremesas.

Na área farmacêutica, pode-se usar o material como condutor de estabilidade na formulação de comprimidos e como componente de colírios lubrificantes.

Além disso, a indústria do petróleo também se apresenta como um campo de aplicação, como no uso da CMHC em fluidos industriais, ampliando o alcance do produto no mercado. 

“O processo valoriza resíduos agroindustriais e alimentícios abundantes no nosso país, reduz o consumo de reagentes e energia e diminui a geração de efluentes, possibilitando a produção de CMHC com altos rendimentos mássicos e solubilidade em água”, afirma a professora e pesquisadora Luciene Santos, coordenadora do Laboratório de Tecnologias Energéticas (LABTEN).

Nesse sentido, a proposta contribui para a economia circular ao transformar rejeitos em insumos de interesse industrial, reduzindo impactos ambientais associados ao descarte desses materiais.

Pesquisa segue avançando

Foto: Cícero Oliveira

Conforme destacam os pesquisadores, “as tecnologias de extração da holocelulose e de produção da CMHC a partir de resíduos estão consolidadas em escala laboratorial, e agora avançamos para a exploração de aplicações e estudos de escalonamento do processo”.

Atualmente, o grupo de pesquisa segue avançando no desenvolvimento de novos derivados poliméricos de celulose e hemicelulose obtidos a partir de diferentes resíduos agroindustriais, ampliando o escopo da tecnologia protegida.

Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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