Exportadores privados dos Estados Unidos relataram a venda de 136 mil toneladas de milho para a Coreia do Sul, informou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) nesta quarta-feira (3). O volume será entregue no ano comercial 2026/27. No caso do milho norte-americano, esse ciclo começa em 1º de setembro.
O registro foi divulgado pelo USDA no sistema diário de vendas externas, mecanismo que reúne operações consideradas relevantes para o comércio internacional de commodities agrícolas. Pelas regras do órgão, exportadores dos Estados Unidos devem comunicar até o dia útil seguinte qualquer venda de 100 mil toneladas ou mais feita em um único dia para um mesmo destino, ou negócios de 200 mil toneladas ou mais, independentemente do período de embarque.
Neste caso, a operação somou 136 mil toneladas e teve como destino a Coreia do Sul, um comprador recorrente de milho no mercado internacional. O USDA não detalhou, no informe citado, o valor financeiro da negociação nem a origem regional do cereal dentro dos Estados Unidos.
A venda reforça o monitoramento sobre a demanda asiática pelo milho norte-americano no início da formação do ano comercial 2026/27. Como os Estados Unidos são um dos principais exportadores globais do grão, anúncios desse porte servem de referência para agentes de mercado acompanharem o ritmo das exportações, a disputa por destinos importadores e a posição competitiva de outros fornecedores.
Para o mercado brasileiro, o dado é acompanhado como sinal de movimentação da demanda internacional, embora o informe isolado não permita medir, por si só, efeito direto sobre preços, prêmios ou fluxo de embarques do Brasil. Essa avaliação depende de fatores adicionais, como oferta global, câmbio, safra sul-americana e ritmo de compras de outros importadores.
O anúncio confirma demanda formalizada para o milho dos Estados Unidos no próximo ano comercial, mas a dimensão do impacto sobre as cotações e sobre a concorrência entre exportadores dependerá dos relatórios seguintes de vendas, embarques e produção. Sem esses dados complementares, não há base técnica suficiente para projetar desdobramentos mais amplos.
A temporada global de trigo 2026/27 começou neste mês de junho com um cenário menos confortável: produção menor, consumo firme e estoques mais ajustados. Nesse contexto, as Bolsas norte-americanas passam a refletir a disputa entre a pressão sazonal da colheita nova e fundamentos ainda sensíveis no mercado internacional.
O mercado entra em junho em uma fase de transição importante. Depois de um forte movimento de recuperação entre o fim de 2025 e o primeiro quadrimestre de 2026, os contratos spot de Chicago e Kansas/CME passaram a corrigir parte dos ganhos recentes.
A leitura gráfica mostra perda de força no curto prazo, realização de lucros e retirada parcial do prêmio climático que havia sido incorporado durante o período de maior preocupação com a seca nas regiões produtoras norte-americanas.
No entanto, a correção dos preços não deve ser confundida com uma reversão estrutural dos fundamentos. O mercado está menos eufórico, mas ainda opera em um ambiente sensível, com produção menor nos Estados Unidos, balanço global mais ajustado, riscos geopolíticos no Mar Negro e dúvidas sobre a disponibilidade de trigo de boa qualidade.
Chicago e Kansas: leituras diferentes para o mesmo mercado
A análise conjunta dos dois mercados é importante porque Chicago e Kansas respondem a fundamentos semelhantes, mas não exatamente iguais. O contrato de Chicago reflete mais diretamente a leitura ampla do mercado internacional de trigo, a entrada da nova safra do Hemisfério Norte e o comportamento geral dos fluxos globais.
Já Kansas representa o trigo Hard Red Winter, de maior força e qualidade panificável, sendo uma referência mais sensível à disponibilidade de trigo com proteína e padrão industrial adequado. Por isso, embora ambos tenham corrigido, a leitura de Kansas exige atenção adicional: quando o assunto é trigo de qualidade, a oferta aparente nem sempre resolve o problema da demanda.
No caso de Chicago, o contrato spot, já referenciado à nova safra norte-americana, saiu de um período de recomposição ao longo do fim de 2025, acelerou entre fevereiro e abril de 2026 e chegou a testar níveis próximos de 680 cents por bushel. Esse movimento refletiu a incorporação de prêmio climático, especialmente diante da seca nas Grandes Planícies dos Estados Unidos.
A partir desse pico, houve realização de lucros e retirada parcial desse prêmio, levando o contrato para a região de 610/615 cents por bushel no início de junho. Tecnicamente, essa faixa passa a ser decisiva: se for perdida, o mercado pode buscar patamares inferiores; se for respeitada, pode funcionar como base para recomposição parcial dos preços.
Em Kansas, o movimento foi ainda mais expressivo. O trigo hard saiu de uma base deprimida no segundo semestre de 2025, ganhou tração a partir de janeiro e acelerou de forma relevante entre março e abril. O contrato atingiu a faixa de 700/720 cents por bushel, refletindo não apenas o prêmio climático geral, mas também o risco específico sobre o trigo hard das Planícies, onde as perdas potenciais de produtividade e qualidade têm maior impacto na formação de preços.
A correção posterior levou o contrato para a região de 650/655 cents, testando suporte importante entre 640 e 650 cents. Essa zona é fundamental para a leitura de curto prazo: sua manutenção preserva a estrutura de sustentação; sua perda pode abrir espaço para uma correção mais profunda em direção à faixa de 600/610 cents.
A pressão sazonal da colheita
O ponto central é que a pressão atual tem forte componente sazonal. A colheita do trigo de inverno no Hemisfério Norte está começando, e a entrada de nova oferta física costuma reduzir a pressão compradora nos contratos mais próximos.
Esse movimento é típico: à medida que o trigo novo chega ao mercado, melhora a percepção imediata de abastecimento, os compradores ficam menos agressivos e os fundos tendem a realizar lucros depois de movimentos fortes de alta. Além disso, as chuvas recentes em áreas produtoras dos Estados Unidos ajudaram a aliviar parte das preocupações com a seca, reforçando a correção nos preços.
No entanto, há uma diferença importante entre aliviar o sentimento do mercado e recuperar o potencial produtivo. A chuva chegou em um momento em que parte dos danos já havia sido consolidada. Lavouras que passaram por longo período de estresse hídrico, especialmente no trigo de inverno, não recompõem totalmente produtividade apenas com precipitações tardias.
Por isso, a melhora climática reduz o prêmio de risco de curto prazo, mas não elimina a possibilidade de uma safra menor e de qualidade irregular. Esse é um dos principais motivos pelos quais a queda recente deve ser lida com cautela.
O Hard Red Winter é o ponto mais sensível dessa equação. Em trigo, quantidade importa, mas qualidade pode ser decisiva. Uma safra menor nos Estados Unidos já seria um fator de suporte; uma safra menor justamente na classe de maior relevância panificável aumenta o peso do risco.
Caso a colheita confirme menor disponibilidade de trigo com boa proteína, força e padrão industrial, o mercado de Kansas pode voltar a recompor prêmio rapidamente. Isso também afeta o mercado global, porque o trigo hard norte-americano funciona como alternativa para países que precisam de qualidade e não encontram oferta suficiente em origens regionais.
Estoques apertados e o peso do Mar Negro
No cenário global, o quadro de 2026/27 também não permite uma leitura baixista confortável. A produção mundial tende a ficar abaixo da temporada anterior, enquanto o consumo permanece firme. Os estoques finais recuam e a relação estoque/consumo diminui, indicando menor margem de segurança.
Isso significa que o mercado terá menos espaço para absorver novos problemas climáticos ou logísticos. Em anos de balanço confortável, a entrada da safra nova costuma pressionar os preços de forma mais consistente. Em anos de balanço ajustado, como o atual, as quedas tendem a encontrar demanda mais rapidamente.
O Mar Negro continua sendo a principal âncora competitiva do comércio internacional. A Rússia segue como origem dominante, mas não apresenta uma oferta excessivamente barata.
Os preços russos permanecem sustentados por oferta doméstica limitada, rublo firme e vendas moderadas dos produtores. O trigo russo com 12,5% de proteína tem operado na faixa dos baixos US$ 240 por tonelada FOB, o que serve como referência global, mas não representa pressão baixista intensa.
Além disso, produtores russos têm mostrado disposição de reter vendas, aguardando preços melhores, o que reduz a fluidez da oferta no curto prazo.
A Ucrânia também voltou a ganhar espaço, sobretudo junto a importadores asiáticos. A competitividade do trigo ucraniano em destinos como Indonésia, Filipinas, Vietnã e Bangladesh pressiona origens mais caras, como Estados Unidos e Austrália.
Esse movimento ajuda a explicar parte da dificuldade dos contratos norte-americanos em sustentar altas mais fortes no curto prazo. Ainda assim, a geopolítica segue como risco permanente. Qualquer alteração nos corredores de exportação, na logística do Mar Negro, nas relações comerciais com a União Europeia ou nas condições de seguro e frete pode reprecificar rapidamente o mercado.
Do lado da demanda, os grandes importadores devem atuar de forma oportunista durante a entrada da nova safra. Países do Norte da África, Oriente Médio e Ásia tendem a aproveitar correções para recompor estoques, especialmente se os preços recuarem sem que os fundamentos de oferta melhorem de forma consistente.
Esse comportamento limita quedas mais profundas. Em um ano de produção global menor, a demanda não desaparece; ela apenas espera momentos melhores de compra. Por isso, movimentos baixistas muito rápidos podem atrair interesse comprador.
O que observar para o Brasil
A diferença entre Chicago e Kansas também precisa ser observada pela ótica da qualidade. Chicago, por representar o trigo soft, tende a reagir de forma mais direta à entrada de oferta e à dinâmica ampla do mercado global.
Kansas, por representar o hard, está mais ligado à disponibilidade de trigo de maior padrão panificável. Assim, Chicago pode sofrer mais com a pressão sazonal da colheita, enquanto Kansas pode encontrar suporte mais rápido caso apareçam sinais de menor qualidade ou menor proteína na safra nova.
Em outras palavras: Chicago mede o humor geral do trigo; Kansas mede o custo do trigo de qualidade.
Para o Brasil, essa diferença é estratégica. O mercado brasileiro tem a Argentina como principal referência regional e maior origem estrutural de abastecimento.
No entanto, quando há dúvidas sobre volume ou qualidade do trigo argentino, especialmente proteína e força para panificação, o trigo hard norte-americano passa a ser uma referência de custo de reposição.
Mesmo que o Brasil não compre grandes volumes diretamente dos Estados Unidos em todos os anos, Kansas influencia o teto de paridade para trigos de melhor padrão.
Portanto, a correção em Kansas pode aliviar parcialmente a leitura de custo externo, mas não elimina o risco de encarecimento caso a qualidade regional seja insuficiente.
Correção ou mudança de tendência?
Graficamente, os dois contratos seguem em pontos relevantes. Em Chicago, a região de 610/615 cents é a área de teste imediato. Uma perda consistente dessa faixa indicaria maior pressão de colheita e poderia abrir espaço para busca de suportes inferiores.
Por outro lado, uma reação nessa região mostraria que a demanda começa a aparecer nas baixas, mantendo o contrato dentro de uma estrutura de sustentação.
Em Kansas, o suporte entre 640 e 650 cents tem peso semelhante. Abaixo dele, o mercado poderia buscar 600/610 cents; acima dele, a recuperação poderia recolocar 680/700 cents no radar.
A leitura técnica, portanto, não é de alta plena, mas também não é de reversão baixista consolidada. O que se observa é uma correção dentro de uma estrutura que ainda carrega fundamentos sensíveis.
O rali anterior foi forte e exigia ajuste. A entrada da safra nova trouxe pressão. As chuvas retiraram parte do prêmio climático. Mas o balanço global segue justo, a safra dos Estados Unidos é menor, a qualidade do trigo hard ainda precisa ser confirmada e o Mar Negro permanece sujeito a riscos logísticos e geopolíticos.
Em síntese, Chicago e Kansas corrigem pelo mesmo conjunto de fatores imediatos: colheita nova, melhora parcial do clima e realização de lucros.
A diferença está no que cada mercado representa. Chicago reflete a pressão sazonal e o fluxo global de trigo; Kansas preserva um prêmio ligado à qualidade panificável e ao risco específico do Hard Red Winter.
O mercado perdeu força no curto prazo, mas ainda não perdeu o fundamento. A continuidade da baixa dependerá da confirmação de produtividade, qualidade e fluidez da oferta no Hemisfério Norte. Caso esses elementos decepcionem, parte do prêmio retirado nas últimas semanas pode voltar rapidamente aos preços.
*Élcio Bento é especialista em trigo graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faz parte da divisão de especialistas de Safras & Mercado há mais de 20 anos
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A produção industrial brasileira avançou 0,7% em abril na comparação com março, puxada principalmente pelas indústrias extrativas e pelo segmento de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, ambos com alta de 3,1%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal. No confronto com abril de 2025, a indústria cresceu 2,7%, com contribuição também do setor de alimentos.
Segundo o IBGE, 14 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram expansão em abril ante março. Além de extrativas e derivados do petróleo e biocombustíveis, houve altas em produtos de borracha e material plástico (3,1%), produtos de madeira (8,5%), produtos têxteis (4,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (2,2%). Entre as quedas, a principal pressão veio de produtos químicos (-3,9%), seguida por produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6,0%), máquinas e equipamentos (-2,9%), veículos (-0,7%) e metalurgia (-1,0%).
Na comparação com abril de 2025, o avanço de 2,7% foi sustentado por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (13,3%), indústrias extrativas (10,6%) e produtos alimentícios (3,2%). De acordo com André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, não houve influência de efeito calendário, porque abril de 2026 e abril de 2025 tiveram o mesmo número de dias úteis.
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Para o público do agro, os dados indicam melhora na atividade de segmentos industriais ligados ao processamento de matérias-primas e à oferta de energia, com destaque para biocombustíveis e alimentos. O desempenho desses ramos ajuda a dimensionar o ritmo da demanda industrial por insumos, a movimentação da agroindústria e o ambiente econômico de cadeias produtivas vinculadas ao campo.
Por outro lado, o índice de difusão recuou de 56,5% em março para 46,4% em abril. O resultado mostra que, apesar do crescimento agregado da indústria, o avanço ficou menos disseminado entre os produtos pesquisados no período.
Os dados de abril mostram expansão concentrada em alguns segmentos, com destaque para extrativas, derivados do petróleo, biocombustíveis e alimentos. Sem informações adicionais do IBGE sobre desdobramentos para os próximos meses, a leitura técnica disponível indica acompanhar se a recuperação industrial seguirá sustentada e mais disseminada entre os ramos da produção.
A participação do Uruguai na Expointer 2026 foi o tema central de uma reunião realizada na manhã desta quarta-feira (3), em Porto Alegre. O encontro ocorreu na Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul e reuniu o secretário Márcio Madalena, a subsecretária do Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, Elizabeth Cirne-Lima, e representantes diplomáticos do país vizinho.
Segundo as informações divulgadas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), participaram da agenda a cônsul-geral do Uruguai no Rio Grande do Sul, embaixadora Marión Blanco Espino, a cônsul-adjunta Patricia Pacheco Prado e Alejandro Rivas, representante da Embaixada do Uruguai.
De acordo com a Seapi, a principal pauta da reunião foi a organização da presença uruguaia na Expointer 2026. A feira é realizada no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), e reúne anualmente atividades ligadas à pecuária, agricultura familiar, máquinas, genética animal, agroindústria e negócios do setor.
Durante o encontro, conforme relato oficial, houve manifestação de interesse mútuo na manutenção da participação institucional do Uruguai no evento. A secretaria também informou que a presença uruguaia na feira é uma tradição de décadas, associada ao intercâmbio entre governos e segmentos produtivos dos dois países.
A agenda tem relevância para o setor porque a Expointer funciona como vitrine de genética, tecnologias, animais de argola, máquinas e iniciativas comerciais ligadas ao agro do Sul do Brasil. Nesse contexto, a participação de delegações estrangeiras pode ampliar o espaço para cooperação técnica e aproximação entre cadeias produtivas regionais, especialmente em atividades ligadas à pecuária.
O material divulgado, no entanto, não detalha cronograma, formato de participação, número de expositores uruguaios ou eventuais acordos técnicos e comerciais discutidos na reunião. Também não foram informados metas, investimentos ou ações específicas decorrentes do encontro.
Até o momento, a informação oficial disponível indica a continuidade das tratativas para a presença do Uruguai na Expointer 2026. Sem detalhamento adicional sobre medidas práticas, o alcance da cooperação deverá ser acompanhado conforme a divulgação da programação e das definições institucionais da feira.
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (3), o Projeto de Lei 6463/25, que estabelece regras para a produção, o beneficiamento e a comercialização sustentável de tilápias. A proposta busca combinar expansão da atividade aquícola com proteção ambiental e uso responsável dos recursos hídricos. O texto segue em análise conclusiva em outras duas comissões da Casa.
Pelo projeto, o governo federal poderá oferecer apoio técnico e extensão rural aos produtores, estimular a formalização da cadeia produtiva, criar linhas de crédito para a piscicultura sustentável e apoiar a certificação sanitária, ambiental e de origem do produto. O texto não detalha valores, prazos ou fontes orçamentárias para essas medidas.
A proposta também condiciona o incentivo à adoção de práticas de monitoramento e controle da qualidade da água, manejo adequado de resíduos sólidos e efluentes, prevenção da dispersão de espécies em ambientes naturais e proteção da biodiversidade e dos ecossistemas aquáticos.
O relator, deputado Luiz Nishimori (PSD-PR), recomendou a aprovação do projeto. Segundo o parecer, a medida pretende conciliar expansão produtiva, segurança jurídica e preservação dos recursos hídricos, ponto considerado estrutural para a atividade aquícola.
Na avaliação apresentada pelo relator, a previsão de assistência técnica, incentivo à formalização, modernização de unidades de beneficiamento e facilitação do acesso ao crédito pode reduzir diferenças tecnológicas entre produtores e elevar a eficiência produtiva. O parecer também aponta que a certificação sanitária, ambiental e de origem tende a ampliar a competitividade da cadeia aquícola nos mercados interno e externo.
Do ponto de vista regulatório, a proposta cria uma base para orientar exigências produtivas e ambientais na tilapicultura. Para produtores e indústrias, o efeito prático dependerá do texto final aprovado e de eventual regulamentação posterior.
O Projeto de Lei 6463/25 ainda será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, a proposta precisará ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Até essa etapa, não há definição final sobre as obrigações e os instrumentos de apoio previstos no texto.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 10 milhões para a Aonet Serviços de Comunicação Ltda ampliar a infraestrutura de telecomunicações no interior de São Paulo. Os recursos saem do programa BNDES Fust e serão usados na construção de cerca de 162 quilômetros de rede de transporte em fibra óptica. A conclusão do projeto está prevista para janeiro de 2028.
Segundo o BNDES, a expansão vai atender sete localidades distribuídas em três municípios paulistas: Lençóis Paulista, Bauru e Pederneiras. A estimativa da empresa é alcançar uma população de 175 mil pessoas nas áreas contempladas. Entre os pontos atendidos estão Alfredo Guedes, Chácara Tia Emília, Chácaras Santo Antônio e Chácara São Judas Tadeu, em Lençóis Paulista, além de Estância Balneária Águas Virtuosas e Vale do Igapó, em Bauru, e Vanglória, em Pederneiras.
O financiamento faz parte do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), criado para ampliar a cobertura, o uso e a qualidade das redes de telecomunicações. De agosto de 2023 a maio de 2026, o BNDES aprovou R$ 3 bilhões com recursos do fundo para projetos de 493 provedores em 1.290 municípios. Desse total, R$ 1,8 bilhão foi destinado à expansão de redes, com 15 mil quilômetros de fibra óptica e 616 estações rádio base.
No caso da Aonet, o projeto amplia a capacidade de transporte de dados em uma região já atendida pela empresa. Fundada em 2003 e sediada em Duartina (SP), a operadora informa ter cerca de 900 quilômetros de backbone, presença em 29 municípios paulistas, 11 lojas próprias e mais de 58 mil clientes. A empresa também afirma que 99% da base opera em FTTH, modelo de fibra até a residência.
Para o interior e áreas com presença rural, a ampliação da infraestrutura de internet fixa pode sustentar serviços digitais, comunicação empresarial e acesso remoto a plataformas técnicas e de gestão. O material divulgado, no entanto, não detalha recortes específicos de atendimento ao setor agropecuário nas localidades beneficiadas.
A medida se insere na estratégia de expansão da conectividade em regiões do interior por meio de pequenos e médios provedores. Sem detalhamento adicional sobre cobertura em propriedades rurais ou empreendimentos agropecuários, o alcance setorial do projeto dependerá da implantação efetiva da rede e da adesão dos usuários nas áreas atendidas.
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Foto: Divulgação
A cotação da vaca e da novilha subiu R$ 2,00 por arroba no mercado paulista nesta terça-feira (2), segundo análise do informativo “Tem Boi na Linha”, divulgado pela Scot Consultoria. Já os preços do boi gordo e do chamado “boi China” permaneceram estáveis em relação ao fechamento do dia anterior.
De acordo com a Scot Consultoria, a oferta de bovinos foi suficiente para atender à demanda dos frigoríficos, mas sem excesso de animais disponíveis e sem pressão sobre as cotações. A consultoria destacou que a procura por gado segue firme tanto para abastecimento do mercado interno quanto para exportação, cenário que tem limitado as tentativas de negociação abaixo dos preços de referência.
As escalas de abate em São Paulo atendiam, em média, a sete dias, indicando um mercado equilibrado entre oferta e demanda.
Em Mato Grosso, as cotações permaneceram estáveis para todas as categorias nas quatro principais praças pecuárias monitoradas. A única exceção foi o “boi China”, que registrou valorização de R$ 1,00 por arroba na comparação diária.
Segundo a Scot Consultoria, a oferta de animais segue ajustada no estado, favorecida pelas boas condições das pastagens, que permitem aos pecuaristas reduzir a necessidade de venda imediata. Apesar disso, a demanda não apresentou força suficiente para impulsionar novas altas nas referências de mercado.
No Acre, o mercado manteve estabilidade nas cotações em relação ao dia anterior. As escalas de abate no estado atendiam, em média, a 13 dias, conforme o levantamento da consultoria.
O setor privado dos Estados Unidos criou 122 mil empregos em maio, segundo pesquisa da ADP com ajustes sazonais divulgada nesta quarta-feira (3). O número ficou acima da projeção de 120 mil vagas apurada pela FactSet. O levantamento antecede o relatório oficial de emprego dos EUA, o payroll, previsto para sexta-feira (5), que reúne dados dos setores privado e público.
A leitura de maio indica continuidade na abertura de vagas no mercado de trabalho norte-americano, ainda que em ritmo moderado. A ADP também revisou o dado de abril para 105 mil postos, abaixo da estimativa inicial de 109 mil.
Além da criação de empregos, a pesquisa mostrou avanço médio anual de 4,4% nos salários do setor privado em maio. O dado é acompanhado por analistas porque ajuda a medir o comportamento da renda e possíveis pressões sobre a inflação nos Estados Unidos.
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No calendário econômico, o levantamento da ADP funciona como uma referência prévia para o payroll, embora os dois indicadores tenham metodologias diferentes e possam apresentar resultados distintos. Por isso, o mercado costuma usar o número da ADP como sinal inicial, mas não como antecipação automática do relatório oficial.
Para o ambiente de negócios, os dados de emprego dos Estados Unidos são monitorados porque podem influenciar expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve. Mudanças nessas expectativas tendem a repercutir no dólar, nos juros internacionais e nos preços de ativos globais, incluindo commodities agrícolas.
O material divulgado não detalha a distribuição das vagas por segmento econômico no texto disponível. Também não informa, nesta versão, avaliação adicional da ADP sobre o desempenho setorial do emprego em maio.
A divulgação do payroll na sexta-feira (5) deve oferecer um quadro mais amplo do mercado de trabalho norte-americano. Até lá, o dado da ADP serve como referência inicial para a leitura da atividade econômica e das expectativas financeiras, sem permitir conclusão isolada sobre os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos.
Os juros futuros avançavam em toda a curva na manhã desta quarta-feira (3), em meio ao aumento da cautela nos mercados internacionais com as tensões entre Estados Unidos e Irã. O movimento veio acompanhado da alta do petróleo, do rendimento dos Treasuries e do dólar. No cenário doméstico, também pesaram as preocupações com os efeitos econômicos do novo tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil e a expectativa com o leilão de títulos prefixados do Tesouro.
Às 9h20 desta quarta-feira (3), a taxa do depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subia a 14,220%, ante 14,168% no ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2029 avançava a 14,155%, de 14,053%, enquanto o DI para janeiro de 2031 marcava 14,150%, frente a 14,063% no fechamento de terça-feira (2).
Segundo o texto-base informado, a abertura das taxas refletia a combinação entre pressão externa e incerteza doméstica. No exterior, o mercado reagia ao aumento da tensão geopolítica no Oriente Médio, fator que sustentava o petróleo e fortalecia o dólar. Em paralelo, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos também avançavam, ampliando a pressão sobre ativos de risco e mercados emergentes.
No Brasil, a produção industrial de abril subiu 0,7% ante março na série com ajuste sazonal, acima da mediana de 0,5%. O dado reforçou a leitura de atividade mais resiliente no curto prazo. Além disso, o Tesouro Nacional realizaria às 11 horas o leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F), antecipado por causa do feriado de Corpus Christi na quinta-feira (4).
Em relatório, o cogestor da Warren Investimentos, Luis Felipe Laudisio, afirmou que o Tesouro acumula atraso em relação ao Plano Anual de Financiamento (PAF) e que o mercado testaria se o órgão reduziria o lote ofertado para evitar prêmios maiores ou aceitaria custo mais alto para reforçar o colchão de liquidez.
Para o agronegócio, juros futuros mais altos elevam a referência de custo financeiro da economia, com possível efeito sobre crédito, capital de giro, armazenagem, compra de insumos e investimento. O material disponível, porém, não detalha impactos segmentados por cadeia produtiva ou por linhas específicas de crédito rural.
No curto prazo, o comportamento da curva de juros deve seguir condicionado ao cenário externo, ao leilão do Tesouro e à leitura sobre os efeitos das tarifas dos Estados Unidos sobre a economia brasileira. Sem informações adicionais sobre medidas setoriais ou repasse ao crédito rural, não é possível dimensionar com precisão o impacto imediato sobre produtores e agroindústrias.
A Câmara dos Deputados pode analisar, nesta quarta-feira (3), propostas ligadas a combustíveis, biocombustíveis, saúde, acessibilidade e violência digital contra mulheres. Entre os itens da pauta está o Projeto de Lei Complementar 114/26, que autoriza o uso de arrecadação extraordinária gerada pela alta internacional do petróleo para compensar a redução de tributos federais sobre combustíveis e biocombustíveis. A sessão de votação está marcada para as 10 horas, no Plenário Ulysses Guimarães, em Brasília.
Segundo a pauta divulgada pela Câmara, o texto sobre combustíveis e biocombustíveis é de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS). A proposta prevê que o aumento extraordinário da arrecadação, decorrente da valorização internacional do petróleo, possa ser usado para compensar a redução de alíquotas de tributos federais, como PIS/Cofins e Cide.
A relatora, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), apresentou parecer favorável na forma de substitutivo. De acordo com a descrição da pauta, a versão busca garantir a manutenção do regime fiscal favorecido aos biocombustíveis. O texto divulgado não informa percentuais de alíquota, estimativa de renúncia fiscal nem prazo de vigência da medida.
Na mesma sessão, os deputados também podem votar o Projeto de Lei 5695/23, que tipifica o uso de inteligência artificial para manipular fotos, vídeos e áudios em casos de violência contra mulheres; o Projeto de Lei 5538/19, sobre assistência integral a pessoas com epilepsia no Sistema Único de Saúde (SUS); o Projeto de Lei 424/2015, sobre compra de hemoderivados produzidos pela Hemobrás; e o Projeto de Lei 2199/22, que atualiza o Símbolo Internacional de Acessibilidade.
Até a conclusão da sessão, não há definição sobre quais itens serão efetivamente votados nem sobre o texto final que poderá ser aprovado. No caso dos combustíveis e biocombustíveis, a tramitação deve seguir como ponto de atenção para agentes do setor energético e das cadeias agroindustriais ligadas à produção de matéria-prima para biocombustíveis.