Depois de começar na sexta-feira (15), a 38ª edição da Fenovinos chegou ao fim neste sábado (16) com os últimos julgamentos de classificação no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). Entraram em pista os exemplares naturalmente coloridos das raças Texel e Corriedale.
A feira itinerante promovida pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) reuniu criadores, técnicos e representantes do setor ao longo de dois dias de programação.
Entre os visitantes esteve o zootecnista Pedro Adair Fagundes dos Santos, de 82 anos, registrado sob o número 1 da profissão no Brasil. Com trajetória de seis décadas no campo, ele atuou com ovinos, suínos, bovinos de corte, gado leiteiro e manejo de pastagens, atendendo produtores do Rio Grande do Sul até a Bahia.
Segundo Santos, após a aposentadoria, em 1995, ele passou a trabalhar também junto às associações de raças. “Trabalhei 10 anos no Charolês, 50 anos na Angus e também participei do início do Brangus até 2023”, relatou.
Encontro entre gerações
Durante a programação, Santos reencontrou o presidente da Arco, Edemundo Gressler, que foi aluno de Air Fagundes, irmão do zootecnista, na faculdade de Medicina Veterinária em Santa Catarina.
“Estávamos aqui lembrando os professores daquela época”, comentou Gressler.
Resultados da Fenovinos
Pelas pistas da Fenovinos passaram cerca de 500 ovinos de 13 raças diferentes, incluindo quatro variedades naturalmente coloridas.
Os resultados completos dos julgamentos podem ser consultados no site da Arco, na aba “Exposições” e, depois, em “Resultados”.
A edição deste ano da Fenovinos foi realizada pela Arco em parceria com a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, além de Fundovinos, Farsul e Febrac.
O presidente da Frente Parlamentar dos Biocombustíveis (FPBio), deputado federal Alceu Moreira, afirmou que o Brasil tem potencial para ampliar de forma significativa a produção de biocombustíveis como o biodiesel nos próximos anos. Segundo ele, o avanço do setor depende de previsibilidade de mercado, investimentos em logística e políticas de incentivo à energia renovável.
De acordo com o parlamentar, a projeção para 2030 aponta para uma produção de cerca de 80 milhões de toneladas esmagadas no setor. Ele destacou que, no processamento da soja, aproximadamente 20% se transforma em óleo e 80% em farelo, o que reforça a importância do equilíbrio entre produção, consumo e exportação.
Moreira alertou que o crescimento da indústria precisa estar alinhado à abertura de novos mercados consumidores, especialmente para absorver o farelo de soja gerado no processo.
“Precisamos ter previsibilidade dos mercados disponíveis para os próximos 10 anos. Sem isso, o que hoje é solução pode virar um problema”, afirmou.
Falta de logística aumenta custos do produtor
O deputado também criticou os gargalos logísticos do Brasil e afirmou que a falta de investimentos em infraestrutura compromete a competitividade do agronegócio nacional.
Segundo ele, a ausência de ferrovias, hidrovias, rodovias adequadas e capacidade de armazenamento eleva os custos do produtor brasileiro entre 18% e 20% em relação aos concorrentes internacionais.
Além disso, Moreira citou o impacto dos juros elevados sobre o setor.
“Quando se soma taxa Selic elevada e spread bancário, o produtor carrega um peso muito maior que o concorrente internacional”, destacou.
O parlamentar defendeu a ampliação do transporte multimodal e a produção de combustíveis próxima aos centros consumidores como alternativas para reduzir custos operacionais.
Incentivo ao biogás ganha destaque
Outro ponto defendido pelo presidente da FPBio foi a ampliação das políticas de incentivo ao uso de dejetos animais na geração de energia.
Segundo ele, o biogás produzido a partir de resíduos agropecuários pode se tornar uma alternativa estratégica para o Brasil, especialmente pela compatibilidade com o gás natural.
Moreira ressaltou ainda a capacidade do produtor brasileiro de absorver novas tecnologias rapidamente e citou a evolução da produção nacional de proteína animal nas últimas décadas como exemplo da força do agronegócio brasileiro.
“O Brasil tem enorme capacidade de transformar resíduos em combustível. O desafio é organizar o mercado e criar mecanismos claros de comercialização”, concluiu.
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O embarque está previsto para o verão no Hemisfério Norte – Foto: Pixabay
A assistência alimentar internacional voltou a ter destaque com o anúncio de um novo envio de produtos agrícolas para países que enfrentam insegurança alimentar. A iniciativa prevê o uso de grãos e outros alimentos em programas emergenciais, com foco em regiões afetadas por dificuldades de abastecimento e acesso à comida.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou em 13 de maio que 20 mil toneladas de trigo cultivado no país serão enviadas no âmbito do programa Alimentos para a Paz. O carregamento faz parte de uma ação mais ampla, estimada em US$ 452 milhões, que prevê o envio total de 211 mil toneladas de produtos agrícolas a países como Etiópia, Quênia e Haiti.
O embarque está previsto para o verão no Hemisfério Norte e deve atender programas emergenciais de alimentação. Além do trigo, a iniciativa inclui outros produtos agrícolas, como arroz e sorgo. O trigo será destinado a ações na África Oriental, com distribuição pelo Programa Mundial de Alimentos.
Representantes da US Wheat Associates destacaram a concessão como a primeira remessa de trigo sob a administração do programa Alimentos para a Paz pelo USDA. A entidade também avaliou que a participação do órgão reforça o papel dos Estados Unidos não apenas como vendedor de grãos, mas como parceiro em ações de combate à fome.
A Lei de Alimentos para a Paz, também conhecida como Lei Pública 480, foi sancionada em 1954 pelo então presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower. Desde sua criação, o trigo norte-americano tem sido uma mercadoria relevante na assistência alimentar, frequentemente representando metade da ajuda em espécie e consumindo cerca de 1 milhão de toneladas do produto por ano.
Em dezembro de 2025, o USDA e o Departamento de Estado dos EUA assinaram um acordo interinstitucional para que o USDA assumisse a administração do programa. O órgão já opera outras iniciativas internacionais de alimentação em espécie, como o McGovern-Dole Alimentos para a Educação e o Alimentos para o Progresso. Uma transferência permanente, porém, dependeria de ação do Congresso.
A semana entre os dias 18 e 22 de maio será marcada pelo avanço de uma massa de ar polar sobre o Centro-Sul do Brasil, aumentando o risco de geadas em áreas produtoras do Sul e derrubando as temperaturas também em parte do Sudeste e Centro-Oeste. Ao mesmo tempo, a chuva segue concentrada em pontos do Sudeste, Nordeste e Norte, favorecendo a umidade do solo e algumas lavouras de segunda safra.
No Sul, a atenção fica voltada para o frio intenso e geadas consecutivas. Já no Sudeste, os acumulados previstos podem aliviar o estresse hídrico do milho safrinha em algumas regiões. No Centro-Oeste, as pancadas seguem irregulares, enquanto o Nordeste e o Norte mantêm áreas com chuva frequente e outras sob alerta para calor e risco de incêndios.
Veja a previsão do tempo completa por região:
Região Sul
A frente fria avança para o Sudeste do Brasil enquanto o ciclone extratropical associado se afasta pelo oceano. Nas primeiras horas do dia, ainda há previsão de chuva moderada no norte e leste do Paraná, litoral e interior de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, devido à circulação marítima associada ao deslocamento do ciclone.
Até o início da manhã, as chuvas perdem intensidade nessas áreas. Ao longo do dia, ainda pode ocorrer chuva fraca em pontos do litoral, mas o tempo firme predomina na maior parte da Região Sul devido à atuação da massa de ar polar associada ao sistema de alta pressão.
Essa nova massa de ar frio provoca queda nas temperaturas e sensação de frio mais intensa, principalmente entre a Campanha, sul e oeste gaúcho. O céu segue com bastante nebulosidade em vários momentos e o mar deve ficar agitado ao longo do litoral da região.
O acumulado de chuva da semana fica mais concentrado no Paraná, com volumes entre 40 e 50 milímetros, ajudando a manter a boa umidade do solo e o desenvolvimento dos cultivos. Em Santa Catarina, a chuva se concentra mais no Planalto Norte, com cerca de 40 mm nos próximos dias. Já nas demais áreas catarinenses e no norte do Rio Grande do Sul, a chuva será passageira e pouco significativa.
A principal preocupação da semana é o avanço de uma nova massa de ar polar, que deixa diversas áreas produtoras sob risco de geada. Entre terça e sexta-feira, as temperaturas nas áreas de baixada podem ficar abaixo de 3°C e 4°C no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná, favorecendo a ocorrência de geadas por dias consecutivos.
Região Sudeste
A frente fria vinda da Região Sul atua de forma mais organizada sobre o Sudeste, mantendo muitas nuvens e chuva frequente em grande parte de São Paulo, sul, leste e Zona da Mata de Minas Gerais, Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo.
Além disso, a circulação marítima, o transporte de umidade em baixos níveis da atmosfera e a atuação de cavados favorecem períodos de chuva moderada e persistente, principalmente entre o litoral, sul, leste e interior paulista desde cedo.
No decorrer do dia, as instabilidades seguem ocorrendo na metade leste de São Paulo e aumentam também no sul, Zona da Mata, leste e Triângulo Mineiro, além do Rio de Janeiro, com chuva moderada a forte, trovoadas e temporais isolados. Já na maior parte de Minas Gerais e do Espírito Santo, o tempo segue mais estável.
A massa de ar frio de origem polar avança na retaguarda da frente fria, favorecendo queda das temperaturas e sensação de frio úmido em áreas de São Paulo. No sul mineiro e centro-sul fluminense, a presença de chuva e nebulosidade deixa o dia mais agradável. O mar também deve ficar agitado no litoral paulista.
A semana será mais chuvosa em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e centro-sul de Minas Gerais, incluindo o Triângulo Mineiro, com acumulados entre 20 e 30 mm nos próximos dias. A chuva deve ajudar principalmente as lavouras de milho segunda safra que enfrentam restrição hídrica.
Por outro lado, o tempo continua seco e quente no noroeste mineiro, onde as máximas seguem entre 34°C e 35°C.
Região Centro-Oeste
A circulação de umidade continua intensa devido ao forte transporte de ar úmido vindo da Amazônia em baixos níveis da atmosfera, associado à atuação de cavados atmosféricos e à circulação ligada à frente fria que avança pelo Sudeste do Brasil.
Em Mato Grosso do Sul, há condição para pancadas de chuva moderadas a fortes e risco de temporais, principalmente entre o leste, interior e portos do norte do estado. Em Mato Grosso, as pancadas ficam mais concentradas na metade oeste, favorecidas também pelo aquecimento diurno e pela elevada umidade disponível.
Em Goiás, a nebulosidade aumenta e há condição para pancadas isoladas, especialmente no sul e oeste do estado. No Distrito Federal e nas demais áreas da região, o tempo ainda permanece mais firme e quente.
Já no sul de Mato Grosso do Sul e sudoeste de Mato Grosso, o aumento da nebulosidade e da chuva favorece um dia mais agradável.
Ao longo da semana, a chuva avança sobre a região, mas de forma muito irregular e pouco volumosa. A umidade deve se concentrar no centro-leste de Mato Grosso do Sul, centro-sul de Goiás e em Mato Grosso, com acumulados entre 10 e 15 mm, o que ajuda a elevar a umidade relativa do ar e reduzir o risco de focos de incêndio.
Mesmo assim, a semana segue quente, com máximas acima de 34°C em praticamente toda a região. A exceção fica para o extremo sul de Mato Grosso do Sul, onde a partir de terça-feira a temperatura começa a cair e as mínimas podem atingir entre 4°C e 5°C, com baixo risco para formação de geada.
Região Nordeste
A atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e da circulação marítima continua favorecendo chuva frequente no litoral e na faixa norte da região.
Ao longo do dia, as instabilidades aumentam no Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba e Pernambuco, com chuva moderada a forte e risco de temporais. No litoral da Bahia e região de Salvador, a chuva ocorre de forma mais fraca. Nas demais áreas, o tempo segue firme e quente.
As ondas de leste atuam levando acumulados entre 20 e 30 mm em toda a faixa litorânea leste, ajudando a manter a umidade do solo nessas localidades.
Os volumes mais elevados continuam concentrados no norte do Maranhão, norte do Piauí e Ceará, com acumulados entre 50 e 60 mm, favorecendo a manutenção da boa umidade e amenizando o calor.
A atenção fica voltada para o risco de focos de incêndio no sul do Maranhão, centro-sul do Piauí e centro-oeste da Bahia. Nessas áreas, além da falta de chuva significativa, as temperaturas máximas devem superar os 36°C e a umidade relativa do ar pode ficar em torno de 30%.
Região Norte
As pancadas continuam frequentes no Amazonas, Pará, Rondônia, Acre, Roraima e Amapá, com chuva moderada a forte e temporais isolados.
No norte do Pará e áreas próximas da costa, a Zona de Convergência Intertropical mantém chuva persistente. Já na metade sul do Pará e em Tocantins, o tempo segue mais firme.
O calor e o abafamento continuam predominando, embora o sul do Acre e Rondônia tenham temperaturas mais amenas devido ao avanço do ar frio.
As chuvas seguem intensas na faixa norte da região, com acumulados próximos de 100 mm em Roraima e Amapá. Já no centro-norte do Pará, Acre e centro-norte do Amazonas, os volumes ficam entre 40 e 50 mm, ajudando principalmente na manutenção das pastagens.
Por outro lado, o tempo quente e seco deve predominar em Rondônia, extremo-sul do Pará e centro-sul do Tocantins, o que aumenta o risco para focos de incêndio.
O mercado de defensivos agrícolas para a cultura do milho verão no ciclo 2025/26 movimentou R$ 2,9 bilhões, uma alta de 21% em relação aos R$ 2,4 bilhões registrados na safra anterior. Os dados constam no levantamento FarmTrak, divulgado pela consultoria Kynetec Brasil.
De acordo com o gerente de pesquisas da consultoria, Lucas Alves, o desempenho foi impulsionado pelo aumento de 9% na área plantada no país, que atingiu 3,9 milhões de hectares. Em nota, Alves informou que houve também um avanço na intensidade de aplicação, com a média de tratamentos subindo de 17 para 18 por propriedade, um crescimento de 6%.
A consultoria informou que os herbicidas lideram as movimentações financeiras, com R$ 900 milhões, o equivalente a 31% do mercado total. Na sequência aparecem os inseticidas, com R$ 826 milhões (28%), e os fungicidas, com R$ 580 milhões (20%).
O segmento de tratamento de sementes respondeu por 14% das vendas. Nematicidas e outros insumos representaram 3% e 4%, respectivamente. No total, esses três itens somaram R$ 594 milhões. “Das mudanças de comportamento, apuramos que os fungicidas stroby mix, que historicamente constituíam a principal ferramenta, permanecem importantes, mas foram superados pelos produtos premium”, disse Alves, em nota.
Na safra 2019/20, o especialista destacou que, os stroby mix correspondiam a 52% da área tratada por fungicidas. “Estes produtos permanecem importantes. Contudo, somam hoje 30% da área tratada, ao passo que os premium já responderam por 38% na safra 2025/26.”
A colheita do arroz irrigado no Rio Grande do Sul está praticamente encerrada e o mercado passa agora a avaliar com mais clareza o tamanho da safra e seus efeitos sobre a comercialização. As informações são de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, com base em números divulgados pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA).
A safra 2025/26 atingiu 98,68% da área colhida no Estado, com produtividade média de 8.818 quilos por hectare. Na prática, esse desempenho projeta uma produção próxima de 7,76 milhões de toneladas de arroz em casca apenas no Rio Grande do Sul, volume considerado extremamente relevante para a formação do mercado nacional.
Os dados indicam avanços expressivos nas principais regiões produtoras. A Fronteira Oeste aparece com 98,41% da área colhida e produtividade média de 9.068 quilos por hectare, mantendo a liderança estadual em rendimento. A Zona Sul também apresenta desempenho forte, com 99,69% da colheita concluída e média de 9.033 quilos por hectare, consolidando uma safra tecnicamente excelente.
A Campanha alcançou 99,43% da área colhida, com produtividade média de 8.743 quilos por hectare. A Região Central registra 96,74% de avanço e média de 8.473 quilos por hectare. Na Planície Costeira Externa, a colheita chegou a 98,68%, com rendimento médio de 8.262 quilos por hectare, enquanto a Planície Costeira Interna atingiu 98,99%, com média de 8.890 quilos por hectare.
Com a colheita praticamente concluída, a atenção do setor se desloca para a capacidade de escoamento interno, o ritmo das exportações e o poder financeiro da indústria e dos produtores para retenção de estoques. O desafio deixa de ser produzir bem e passa a ser comercializar bem.
Apesar do resultado técnico positivo no campo, o setor enfrenta crédito caro, custos elevados de carregamento e necessidade de maior fluidez comercial. Também será importante acompanhar o comportamento do Mercosul e da Ásia nos próximos meses, diante do aumento global dos custos de diesel, fertilizantes e financiamento agrícola. Em uma safra cheia, a falta de estratégia comercial pode ampliar a pressão sobre as margens da cadeia.
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A análise também aponta a existência de um componente político – Foto: Divulgação
A decisão europeia sobre a conformidade para exportação de proteínas animais colocou em debate a relação entre exigências regulatórias, rastreabilidade e competitividade no comércio internacional de alimentos. Segundo Maurício Palma Nogueira, sócio diretor da Athenagro, a exclusão do Brasil da lista da União Europeia de países com conformidade reconhecida não deve ser interpretada como um embargo imediato às carnes brasileiras.
A avaliação é que a medida está mais ligada à cobrança por comprovação documental do sistema produtivo do que à identificação de um risco sanitário comprovado. A União Europeia passou a exigir equivalência regulatória completa sobre o uso de antimicrobianos, incluindo controle veterinário, monitoramento e registros ao longo de toda a vida produtiva dos animais.
Nesse contexto, a rastreabilidade ganha peso central. O bloco europeu quer garantias de que os processos adotados nos países exportadores sejam equivalentes aos aplicados internamente, especialmente no controle de substâncias utilizadas na produção animal. O caso da monensina e de outros ionóforos passou a receber maior atenção justamente porque há questionamentos sobre a diferença entre o que a Europa permite em seu mercado interno e o nível de comprovação exigido de fornecedores externos.
A análise também aponta a existência de um componente político e comercial relevante. Produtores rurais europeus, especialmente franceses, têm pressionado por regras mais rígidas, em meio à preocupação com a competitividade das proteínas do Mercosul no mercado europeu. A discussão ocorre em paralelo ao avanço do acordo Mercosul–União Europeia, em um cenário no qual exigências sanitárias podem funcionar, na prática, como barreiras não tarifárias.
Apesar da preocupação, o impacto econômico imediato tende a ser limitado para o Brasil. A União Europeia representa hoje uma fatia menor das exportações brasileiras de proteína animal na comparação com mercados como China, Estados Unidos, Oriente Médio e países do Sudeste Asiático. Assim, não há indicação de colapso comercial no curto prazo, embora o país precise contornar a restrição iminente, prevista para começar em setembro.
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O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta – Foto: Canva
A relação de troca entre soja e fertilizantes fosfatados segue pressionada e amplia a preocupação sobre o poder de compra do produtor rural neste momento da temporada. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o índice que compara a soja no porto com o preço do map no porto chegou ao maior valor da série histórica para o período.
O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta para operações de barter, mas funciona como um parâmetro para medir a capacidade de compra do produtor. A avaliação mais precisa, no entanto, depende da regionalização dos custos e das condições de mercado em cada praça.
O ponto central é que a relação entre soja e MAP está em patamar mais desfavorável do que em outros momentos recentes. Há uma diferença importante em relação a 2022, período marcado pelos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele ano, a relação de troca começou a melhorar a partir de maio. Agora, até o momento, esse movimento ainda não aparece.
Os preços do MAP seguem firmes no mercado brasileiro, com indicações entre US$ 900 e US$ 930 por tonelada CFR Brasil, sem sinais claros de queda. O SSP chegou a registrar alguns reajustes, mas de forma pontual. Esse cenário reforça as dúvidas sobre o tamanho real da demanda por fósforo no Brasil neste ano, especialmente diante de uma restrição de oferta considerada evidente no quadro global.
O ambiente é visto como desafiador também pelo encurtamento das janelas de compra e aplicação. Ao mesmo tempo, a soja não tem apresentado reação suficiente para aliviar a pressão sobre a relação de troca. Os avanços pontuais nos preços têm duração curta e não alteram de forma consistente o quadro para o produtor.
Nesta semana, a soja voltou a encerrar com queda relevante em Chicago. O encontro entre Trump e Xi frustrou o mercado, que esperava possíveis avanços ligados à oleaginosa. Como isso não ocorreu, a pressão sobre as cotações permaneceu, mantendo a relação de troca com o MAP em nível historicamente elevado para o período.
O agronegócio brasileiro ampliou seu papel na economia e passou a ocupar uma posição estratégica também no comércio internacional e no abastecimento de alimentos. A avaliação é de Adriano Leite, diretor de relação com investidores na Xs3 Consultoria, ao analisar a relevância do setor para o país e para o mercado global.
Segundo essa leitura, o Brasil deixou de ser apenas uma força produtiva interna e passou a atuar como peça importante no equilíbrio entre oferta, demanda e segurança alimentar em diferentes regiões do mundo. A liderança brasileira nas exportações de produtos estratégicos reforça essa posição e aumenta a influência do país em momentos de crise, inflação de alimentos ou dificuldades climáticas em outras áreas produtoras.
Apesar desse avanço, a análise destaca que liderar a produção não significa, necessariamente, liderar o desenvolvimento. Dentro da porteira, o agro brasileiro é visto como altamente eficiente, com avanço em tecnologia, gestão, uso de dados, inovação, mercado financeiro e planejamento global. Em muitos casos, grandes propriedades já operam com padrões de eficiência semelhantes aos de grandes empresas internacionais.
O principal desafio segue concentrado fora da porteira. Logística, infraestrutura, armazenagem, segurança jurídica, acesso a crédito e capacidade de industrialização ainda limitam a captura de valor ao longo da cadeia. Com isso, parte importante da força produtiva do setor deixa de se transformar em renda, competitividade e desenvolvimento mais amplo para o país.
A avaliação também aponta que o debate sobre o agro no Brasil costuma ficar preso a visões opostas. De um lado, há uma tendência de romantizar o setor. De outro, de tratá-lo como vilão. A realidade, porém, é mais racional e envolve reconhecer tanto sua contribuição para empregos, divisas, investimentos e movimentação econômica quanto a necessidade de avanços em produtividade sustentável, infraestrutura e agregação de valor.
O Brasil já demonstrou capacidade de ser potência na produção agropecuária. O próximo passo é transformar essa força em mais desenvolvimento, tecnologia, renda e competitividade para toda a economia.
O comportamento de consumo das famílias brasileiras passa por mudanças que começam a impactar diferentes setores da economia, incluindo a indústria de alimentos e o varejo. A avaliação é de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, que aponta o avanço das apostas online como um fator que vem alterando a destinação da renda doméstica no país.
Segundo a análise, parte crescente do orçamento das famílias está sendo direcionada para plataformas de apostas esportivas e jogos online. O cenário preocupa porque, além do entretenimento, muitas pessoas passaram a enxergar as apostas como possibilidade de complemento de renda e até alternativa de investimento financeiro.
Com isso, setores tradicionais da economia começam a disputar espaço dentro do orçamento do consumidor. Na indústria alimentícia, alguns reflexos já são percebidos no dia a dia do mercado, principalmente no aumento da sensibilidade aos preços e na busca por produtos mais baratos.
Entre os efeitos observados estão a migração para marcas de menor valor agregado, redução dos volumes de compra, avanço do atacarejo e maior compressão das margens das empresas do setor. O movimento também alcança segmentos considerados mais resilientes, como o arroz, produto tradicional da cesta básica brasileira.
De acordo com Cardoso, mesmo alimentos essenciais começam a enfrentar um consumidor mais pressionado financeiramente e com a renda cada vez mais fragmentada entre diferentes despesas e formas de consumo digital.
A avaliação é de que o setor de alimentos já não disputa apenas contra fatores tradicionais, como inflação, juros elevados ou desemprego. O avanço da digitalização da economia e das plataformas de apostas cria uma nova concorrência pela atenção, tempo e dinheiro das famílias brasileiras.
Para o executivo, compreender as mudanças no comportamento de consumo será um dos principais desafios da indústria e do varejo nos próximos anos, diante de um cenário que pode redefinir estratégias comerciais e hábitos de compra em diferentes segmentos do mercado.