domingo, maio 17, 2026
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Cadeia do biodiesel pode impulsionar proteína animal e energia renovável no Brasil


Cepea e Abiove apontam alta de 11,7% no PIB-volume da cadeia da soja e biodiesel em 2025
Imagem produzido por inteligência artificial

O presidente da Frente Parlamentar dos Biocombustíveis (FPBio), deputado federal Alceu Moreira, afirmou que o Brasil tem potencial para ampliar de forma significativa a produção de biocombustíveis como o biodiesel nos próximos anos. Segundo ele, o avanço do setor depende de previsibilidade de mercado, investimentos em logística e políticas de incentivo à energia renovável.

De acordo com o parlamentar, a projeção para 2030 aponta para uma produção de cerca de 80 milhões de toneladas esmagadas no setor. Ele destacou que, no processamento da soja, aproximadamente 20% se transforma em óleo e 80% em farelo, o que reforça a importância do equilíbrio entre produção, consumo e exportação.

Moreira alertou que o crescimento da indústria precisa estar alinhado à abertura de novos mercados consumidores, especialmente para absorver o farelo de soja gerado no processo.

“Precisamos ter previsibilidade dos mercados disponíveis para os próximos 10 anos. Sem isso, o que hoje é solução pode virar um problema”, afirmou.

Falta de logística aumenta custos do produtor

O deputado também criticou os gargalos logísticos do Brasil e afirmou que a falta de investimentos em infraestrutura compromete a competitividade do agronegócio nacional.

Segundo ele, a ausência de ferrovias, hidrovias, rodovias adequadas e capacidade de armazenamento eleva os custos do produtor brasileiro entre 18% e 20% em relação aos concorrentes internacionais.

Além disso, Moreira citou o impacto dos juros elevados sobre o setor.

“Quando se soma taxa Selic elevada e spread bancário, o produtor carrega um peso muito maior que o concorrente internacional”, destacou.

O parlamentar defendeu a ampliação do transporte multimodal e a produção de combustíveis próxima aos centros consumidores como alternativas para reduzir custos operacionais.

Incentivo ao biogás ganha destaque

Outro ponto defendido pelo presidente da FPBio foi a ampliação das políticas de incentivo ao uso de dejetos animais na geração de energia.

Segundo ele, o biogás produzido a partir de resíduos agropecuários pode se tornar uma alternativa estratégica para o Brasil, especialmente pela compatibilidade com o gás natural.

Moreira ressaltou ainda a capacidade do produtor brasileiro de absorver novas tecnologias rapidamente e citou a evolução da produção nacional de proteína animal nas últimas décadas como exemplo da força do agronegócio brasileiro.

“O Brasil tem enorme capacidade de transformar resíduos em combustível. O desafio é organizar o mercado e criar mecanismos claros de comercialização”, concluiu.

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