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No Rio Grande do Sul, as vendas raras de farinha prolongam os estoques – Foto: Pixabay
O mercado de trigo no Sul do país segue com baixa liquidez, pressionado pelo custo elevado do cereal, pela lentidão nas vendas de farinha e por estoques ainda confortáveis nos moinhos. Segundo a TF Agroeconômica, esse cenário limita novos negócios no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, com diferenças regionais na oferta e nos preços.
No Rio Grande do Sul, as vendas raras de farinha prolongam os estoques e mantêm a comercialização em ritmo reduzido. O trigo argentino avançou, com indicação de US$ 286 por tonelada CIF Canoas, enquanto o produto com 11% de proteína para agosto subiu de US$ 230 para US$ 240 por tonelada FOB. Também há reclamações sobre problemas de qualidade no trigo local remanescente, especialmente por níveis elevados de DON. Em Panambi, o preço de balcão permaneceu em R$ 70,02 por saca.
Em Santa Catarina, a oferta de trigo local praticamente terminou. O último negócio foi registrado a R$ 1.350 por tonelada FOB, mais frete, enquanto o trigo gaúcho foi ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400, além de frete e ICMS. A baixa demanda por farinha levou moinhos a reduzir a moagem e alongar estoques. No balcão, os preços ficaram estáveis em Chapecó, Rio do Sul e Xanxerê, subiram em Canoinhas e Joaçaba e recuaram em São Miguel do Oeste.
No Paraná, o encarecimento do trigo argentino também elevou os valores das farinhas importadas. O trigo disponível girou a R$ 1.450 por tonelada CIF moinho na região de Curitiba e Campos Gerais, com indicações entre R$ 1.530 e R$ 1.550 no Norte. Para a nova safra, as ideias ficaram entre R$ 1.400 e R$ 1.420, mas vendedores seguem retraídos diante do receio com o El Niño, sem negócios reportados.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou nesta quarta-feira (22) 41 casos de infestação por mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax) no país. Do total, 40 registros estão no Texas e um no Novo México. Segundo o painel de monitoramento do Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS) do USDA e órgãos locais, 12 animais seguem em tratamento ativo de feridas e mitigação.
Os demais casos foram classificados como inativos após recuperação completa dos animais ou descarte adequado de carcaças.
O primeiro foco em rebanhos norte-americanos desde a década de 1960 foi identificado em 3 de junho, no condado de Zavala, no Texas. Desde então, novas detecções foram confirmadas no estado, incluindo os condados de Schleicher e Starr. Neste último, o registro ocorreu em um bezerro no Vale do Rio Grande. Houve ainda confirmação de caso na divisa com o Novo México.
Como resposta à proliferação do inseto, o USDA acelerou a aplicação da técnica do inseto estéril, com a liberação de machos esterilizados para interromper a reprodução da praga. A estratégia integra o esforço sanitário conduzido pelas autoridades norte-americanas para conter a infestação.
O governo dos Estados Unidos também avança na construção de uma unidade em Edinburg, no Texas, avaliada em US$ 750 milhões. A estrutura foi projetada para produzir 300 milhões de moscas estéreis por semana quando atingir plena capacidade.
A iniciativa complementa o centro de dispersão aberto em Tampico, no México, no fim de 2025. As ações de monitoramento incluem ainda a distribuição de quase 600 armadilhas com adesivo e atrativo químico ao longo da fronteira com o México, em regiões como Chihuahua e Sonora.
Com 41 casos confirmados, o foco sanitário está concentrado no Texas, enquanto o USDA mantém tratamento dos animais afetados, monitoramento em área de fronteira e expansão da estrutura de produção de insetos estéreis para reforçar a contenção da mosca-da-bicheira.
Os preços do tomate no atacado recuaram 15,85% em junho nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país, segundo o 7º Boletim Hortigranjeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quarta-feira (22). A média ponderada de comercialização ficou em R$ 5,59 por quilo, em um movimento associado ao aumento da oferta.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a queda do tomate foi puxada pela maior disponibilidade do produto. A intensificação da safra de inverno contribuiu para ampliar a oferta, mesmo com temperaturas mais baixas e maturação mais lenta. O maior recuo foi registrado na Ceasa de Recife/PE, com baixa de 61,32% na média ponderada.
Entre as hortaliças acompanhadas, a batata teve redução de preços em 6 das 11 Ceasas pesquisadas, embora tenha encerrado junho com alta de 1,81% na média ponderada total. Houve queda em Goiânia/GO (-12,53%), Curitiba/PR (-11,61%), Rio Branco/AC (-8%), Recife/PE (-6,29%), São Paulo/SP (-4,43%) e Belo Horizonte/MG (-2,42%). Segundo a Conab, o movimento reflete o aumento da oferta nos principais estados produtores.
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A cenoura ficou praticamente estável, com avanço de 0,83% na média ponderada geral, sustentada pela normalização das condições climáticas nas regiões produtoras e pelo avanço da colheita. Já a cebola subiu 8,46%, mantendo elevação em dez Ceasas. A alface também voltou a subir no atacado, com alta de 11,99% na média geral.
No grupo das frutas, a melancia recuou 24,02% em junho, com queda em nove Ceasas. A laranja caiu 13,20%, em um cenário ligado à regularidade dos estoques de suco e à redução da demanda externa em relação aos anos anteriores. A maçã teve baixa de 2,81%, influenciada pelo aumento da oferta da variedade fuji proveniente de praças gaúchas e catarinenses. O mamão recuou 1,56% na média ponderada total, enquanto a banana foi a única fruta com alta, de 2,10%, em razão da menor oferta nos principais estados produtores.
O boletim também mostra avanço das exportações brasileiras de frutas no primeiro semestre de 2026, com 632,85 mil toneladas embarcadas, alta de 13% sobre igual período de 2025. O faturamento somou US$ 775 milhões, crescimento de 19,2%, com destaque para manga, abacate e maçã.
A Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como uma medida de retaliação aos Estados Unidos, mas como um instrumento para corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro, disse nesta terça-feira (21) o vice-presidente Geraldo Alckmin.
“A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou Alckmin.
Ele e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, concederam uma entrevista após reunião com empresários dos setores afetados pelo novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Nos últimos dias, diversas associações de empresários manifestaram preocupação com eventuais retaliações impostas pelo Brasil.
O vice-presidente ressaltou que a Lei de Reciprocidade foi aprovada por unanimidade no Congresso no ano passado. Segundo Alckmin, a legislação oferece instrumentos para uma resposta institucional, caso seja necessário, respeitando os trâmites legais, como consultas e audiências públicas.
O Executivo finaliza um pacote de apoio aos setores afetados e acelera a busca por novos mercados para as exportações nacionais. Os dois detalharam os principais eixos do pacote de ajuda aos exportadores.
Três frentes
O governo estruturou a resposta à sobretaxa americana em três eixos: apoio financeiro às empresas, diversificação de mercados e diálogo permanente com os setores produtivos para dimensionar os impactos.
A medida dos Estados Unidos prevê tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de acréscimo de mais 12,5%, atingindo cerca de 18% das exportações destinadas ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.
Apoio interno
Entre as medidas em estudo está a oferta de crédito por meio do programa Brasil Soberano para capital de giro e investimentos das empresas afetadas.
O governo também avalia flexibilizar temporariamente regras do regime de drawback, isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias para exportação.
A ideia é permitir que exportadores que perderem mercado nos Estados Unidos tenham mais prazo para cumprir compromissos de exportação sem perder benefícios tributários.
Outro tema discutido é a possibilidade de ajustar exigências relacionadas à manutenção de empregos para setores que venham a receber apoio emergencial.
“O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo”, afirmou Márcio Elias Rosa.
Novos mercados
Paralelamente, a ApexBrasil, agência estatal voltada à promoção de exportações brasileiras, intensificará a busca por novos destinos para os produtos do país.
Entre os mercados prioritários estão Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático, além do avanço das negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), e Mercosul e Singapura.
O governo avalia que a diversificação dos destinos das exportações poderá reduzir a dependência do mercado estadunidense, especialmente para segmentos industriais de maior valor agregado.
Setores afetados
Entre os segmentos mais expostos às tarifas estão:
Eletroeletrônicos;
Máquinas e equipamentos;
Autopeças;
Calçados;
Outros produtos industriais exportados aos Estados Unidos.
Segundo o governo, o mercado estadunidense é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos. O país responde por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.
Cronograma
O governo trabalha com um calendário considerado decisivo para definir as medidas de resposta.
Na próxima sexta-feira, é aguardada uma definição dos Estados Unidos sobre a eventual aplicação cumulativa de mais 12,5% de tarifa sobre os produtos brasileiros decorrente de acusações de trabalho forçado.
Já em 29 de julho entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias que já estão em trânsito para o mercado americano.
Até lá, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir as reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados para consolidar um diagnóstico dos impactos e definir o pacote de apoio.
Também está prevista uma missão oficial à Índia para ampliar oportunidades comerciais, especialmente para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que o déficit do governo federal alcance R$ 55,3 bilhões em 2026, patamar semelhante ao de 2025, mesmo com expectativa de crescimento da arrecadação. A estimativa consta no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22). No mesmo relatório, a entidade revisou para cima a inflação e reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros.
Segundo a CNI, a dívida pública deve encerrar 2026 equivalente a 82% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual representa alta de 10,3 pontos porcentuais em relação ao nível observado há dez anos.
A entidade também atualizou sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A estimativa passou de 4,4% para 5% em 2026. De acordo com a confederação, a revisão reflete principalmente a alta dos preços de alimentos e combustíveis, além da persistência da inflação de serviços.
Com a piora das perspectivas para a inflação e para o quadro fiscal, a CNI passou a prever uma flexibilização mais lenta da política monetária. A projeção é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) faça dois cortes de 0,25 ponto porcentual na Selic ao longo de 2026, levando a taxa de 14,25% para 13,75% no fim do ano. No relatório anterior, a estimativa era de 12,75%.
“O cenário fiscal e inflacionário limita o espaço para uma flexibilização mais intensa da política monetária”, afirmou o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles.
No setor externo, a confederação estima que as exportações brasileiras alcancem US$ 383,9 bilhões em 2026, alta de 9,5% em relação ao ano anterior. As importações devem somar US$ 306 bilhões, crescimento de 5,2%.
Com esse desempenho, a balança comercial brasileira deve registrar superávit de US$ 77,9 bilhões em 2026, avanço de 30,4% sobre o saldo estimado para 2025, impulsionado principalmente pelos preços mais elevados de commodities minerais e agrícolas.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, segundo o Informe Conjuntural do 2º Trimestre divulgado nesta quarta-feira (22). No mesmo levantamento, a entidade elevou de 1,1% para 1,8% a estimativa para a agropecuária e revisou de 1,6% para 2,1% a expectativa de expansão da indústria.
A revisão para a agropecuária foi associada à perspectiva de uma nova safra recorde de soja e ao avanço da produção animal. A CNI destacou que, no fim de 2025, a previsão para o setor era de estagnação.
Na indústria, a principal mudança veio da indústria extrativa, cuja projeção de crescimento passou de 7,8% para 9,1%. Segundo a entidade, o aumento da produção de petróleo deve sustentar o segmento, considerado menos sensível aos efeitos dos juros elevados e das condições restritivas.
A indústria de transformação também teve ajuste positivo, de 0,3% para 0,6%. De acordo com o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, a revisão da expectativa para o segmento foi influenciada pelo desempenho de derivados de petróleo, produtos farmoquímicos e farmacêuticos e automóveis.
Para a construção civil, a estimativa de crescimento subiu de 1,3% para 1,5%. A CNI atribuiu a melhora à ampliação do Sistema Financeiro da Habitação, às mudanças nas regras do crédito imobiliário, ao programa de Reforma Casa Brasil e à continuidade de investimento em infraestrutura.
Em sentido contrário, o setor de serviços foi o único com revisão negativa. A projeção caiu de 2,1% para 1,9%. Segundo a confederação, o aumento do endividamento e da inadimplência das famílias, além da manutenção dos juros elevados, deve limitar a demanda por serviços, mesmo com suporte do mercado de trabalho, do varejo e de medidas de estímulo ao consumo.
Na avaliação da CNI, o crescimento da economia brasileira em 2026 seguirá sustentado principalmente pelos setores ligados a commodities e pela demanda doméstica, em um ambiente ainda marcado por política monetária restritiva, inflação e incertezas fiscais.
Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos exportados pelo Brasil.
A medida, decorrente de investigações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), atinge diretamente cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas ao mercado norte-americano, segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O impacto direto no setor produtivo é estimado em R$ 4,6 bilhões anuais. Embora negociações diplomáticas e setoriais tenham garantido a isenção de itens estratégicos de maior volume — como café e carnes bovina e suína —, a nova alíquota incide pesadamente sobre cadeias como as de etanol, madeira, derivados e bens manufaturados.
Nesta terça-feira (21), o governo brasileiro deu início a uma rodada de reuniões com entidades e representares dos setores afetados.
Assimetria regional e pressão sobre contratos
O alcance do ‘tarifaço’ varia expressivamente de acordo com a região e o segmento produtivo. Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta que até 79% das exportações gaúchas para os EUA são afetadas, evidenciando o peso da taxação sobre os estados com maior dependência de itens derivados e industrializados.
Outro entrave imediato reportado por exportadores é o fator tempo: com a medida passando a valer na data de hoje, empresas e cooperativas enfrentam prazos escassos para renegociar contratos de embarque já firmados ou ajustar margens operacionais sem repassar prejuízos.
Além da tarifa base de 25%, o setor permanece atento à investigação em curso no USTR que pode adicionar uma sobretaxa cumulativa de 12,5%, podendo elevar a taxação total para 37,5% em caso de desfecho desfavorável.
Principais focos de atenção no campo
Para conter perdas e garantir liquidez no comércio exterior, consultores e analistas de mercado ouvidos pelo Canal Rural destacam como prioridades:
Gestão de risco e margem: Adoção imediata de travas cambiais (hedge) e revisão rigorosa das planilhas de custos de exportação.
Readequação logística: Renegociação de rotas e contratos de frete marítimo para embarques de menor margem.
Diversificação de destinos: Intensificação das negociações de abertura e expansão de mercado com países da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina.
Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida foi apresentada pelo governo americano como punição por práticas comerciais consideradas desleais, após investigação que envolveu temas como Pix, etanol e desmatamento na Amazônia. O governo brasileiro segue em diálogo com o setor privado e ainda estuda as medidas de resposta.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que a nova tarifa alcança cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos embarques registrados em 2024. Considerada a pauta exportadora de 2025, a participação dos setores atingidos recua para 15% das vendas ao mercado norte-americano, somando US$ 5,8 bilhões.
Ao mesmo tempo, a medida veio acompanhada de uma lista de 2.126 exceções. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) justificou as isenções com o argumento de que os itens excluídos são matérias-primas cuja taxação poderia provocar indisponibilidade de oferta doméstica e causar perturbações na economia americana. Entre os produtos que ficaram fora da sobretaxa estão café, suco de laranja e carne bovina.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (21), após reuniões com setores afetados, que a Lei da Reciprocidade Econômica prevê etapas, incluindo audiências públicas. Segundo ele, a orientação não é adotar retaliação imediata, mas buscar correção do que classificou como injustiça.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse que não há prazo para o anúncio das medidas brasileiras. Segundo ele, o governo está reunindo informações e dados, enquanto mantém negociações e diálogo com o setor produtivo.
Além da tarifa já em vigor, os Estados Unidos devem anunciar ainda nesta semana uma nova taxa sobre produtos brasileiros no âmbito de investigação sobre bens produzidos com trabalho análogo à escravidão. A expectativa no setor empresarial é de uma alíquota de 12,5%, com alcance mais amplo, já que a apuração envolve 59 países e também a União Europeia (UE).
Uma declaração do embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher, repercutiu fortemente no agronegócio. Segundo ele, a União Europeia não pretende flexibilizar as exigências sanitárias impostas ao Brasil e, caso as regras não sejam integralmente cumpridas, a suspensão das exportações de diversos produtos de origem animal entrará em vigor em 3 de setembro.
A notícia preocupa. Afinal, a União Europeia é um dos principais destinos das proteínas brasileiras.
Uma pergunta precisa ser feita
Antes de transformar essa declaração em uma sentença definitiva, cabe um questionamento: a decisão já está formalmente encerrada ou ainda existe um processo técnico em andamento?
A União Europeia afirma que o Brasil não apresentou comprovação suficiente sobre o atendimento às novas exigências relativas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Se essa é a fundamentação, ela precisa ser apresentada com total clareza.
O que ainda falta esclarecer?
O que exatamente o Brasil deixou de comprovar? Quais documentos não foram apresentados? Ainda existe possibilidade de complementação das informações ou todo o processo já foi encerrado?
Essas respostas interessam não apenas ao governo brasileiro, mas também aos produtores, frigoríficos, exportadores e investidores que dependem de previsibilidade para planejar seus negócios.
Quem fala e quem decide
A manifestação do embaixador tem relevância política e diplomática, especialmente porque a Irlanda exerce atualmente a presidência rotativa do Conselho da União Europeia.
Entretanto, a decisão sanitária pertence às instituições competentes da União Europeia e deve estar amparada em critérios técnicos claramente demonstrados.
Transparência acima de tudo
A Irlanda também é um importante produtor europeu de carne bovina. Esse fato, por si só, não desqualifica a declaração do diplomata. Mas reforça a necessidade de que decisões com tamanho impacto econômico sejam acompanhadas de absoluta transparência e fundamentação técnica.
O Brasil deve cumprir as exigências dos mercados mais sofisticados do mundo. Da mesma forma, tem o direito de saber exatamente quais requisitos ainda não foram atendidos e quais elementos justificam uma medida que afeta bilhões de dólares em exportações.
No comércio internacional, regras precisam ser respeitadas. Mas decisões que afetam milhares de produtores e empregos também precisam ser plenamente explicadas. Quando falta transparência, até uma decisão técnica passa a ser vista como uma decisão política.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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O movimento encontra apoio em diferentes fundamentos – Foto: Divulgação
A recuperação recente dos preços da soja trouxe alívio ao mercado doméstico e melhorou o ambiente de decisão no campo. A avaliação é de Marcos Rubin, estrategista de dados para o agronegócio, com base no comportamento das cotações em diferentes regiões produtoras e portuárias.
Segundo a análise, a alta ainda não resolve problemas estruturais, como endividamento e restrições de crédito, mas abriu espaço para uma retomada das negociações. As cotações mais firmes e a aceleração das compras de insumos ajudam produtores a recuperar parte do tempo perdido antes do início do plantio da safra 2026/27, previsto para setembro e outubro.
Os gráficos do mercado doméstico mostram avanço dos preços em praças como Sorriso e Primavera do Leste, em Mato Grosso, Rio Verde, em Goiás, Dourados, em Mato Grosso do Sul, Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, Barreiras, na Bahia, Cascavel, no Paraná, e Paranaguá, no mercado de referência do porto. Em vários casos, as curvas de 2026 ganharam força ao longo dos últimos meses e se aproximaram ou superaram níveis observados em 2025.
O movimento encontra apoio em diferentes fundamentos. Chicago opera cerca de US$ 1 por bushel acima da safra passada, enquanto os prêmios seguem firmes, os fretes permanecem comportados e os preços avançam no interior. A retomada da guerra também pressiona o petróleo e, por consequência, o óleo de soja, ampliando o suporte às cotações.
O câmbio foi o ponto menos favorável. O dólar chegou a superar R$ 5,20, mas perdeu força nas últimas semanas. Ainda assim, a leitura é que pequenas altas de preço já podem ser suficientes para destravar negócios e aumentar o ritmo de comercialização.