Trigo caro e farinha lenta travam negócios no Sul
No Rio Grande do Sul, as vendas raras de farinha prolongam os estoques
Agrolink
– Leonardo Gottems

No Rio Grande do Sul, as vendas raras de farinha prolongam os estoques – Foto: Pixabay
O mercado de trigo no Sul do país segue com baixa liquidez, pressionado pelo custo elevado do cereal, pela lentidão nas vendas de farinha e por estoques ainda confortáveis nos moinhos. Segundo a TF Agroeconômica, esse cenário limita novos negócios no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, com diferenças regionais na oferta e nos preços.
No Rio Grande do Sul, as vendas raras de farinha prolongam os estoques e mantêm a comercialização em ritmo reduzido. O trigo argentino avançou, com indicação de US$ 286 por tonelada CIF Canoas, enquanto o produto com 11% de proteína para agosto subiu de US$ 230 para US$ 240 por tonelada FOB. Também há reclamações sobre problemas de qualidade no trigo local remanescente, especialmente por níveis elevados de DON. Em Panambi, o preço de balcão permaneceu em R$ 70,02 por saca.
Em Santa Catarina, a oferta de trigo local praticamente terminou. O último negócio foi registrado a R$ 1.350 por tonelada FOB, mais frete, enquanto o trigo gaúcho foi ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400, além de frete e ICMS. A baixa demanda por farinha levou moinhos a reduzir a moagem e alongar estoques. No balcão, os preços ficaram estáveis em Chapecó, Rio do Sul e Xanxerê, subiram em Canoinhas e Joaçaba e recuaram em São Miguel do Oeste.
No Paraná, o encarecimento do trigo argentino também elevou os valores das farinhas importadas. O trigo disponível girou a R$ 1.450 por tonelada CIF moinho na região de Curitiba e Campos Gerais, com indicações entre R$ 1.530 e R$ 1.550 no Norte. Para a nova safra, as ideias ficaram entre R$ 1.400 e R$ 1.420, mas vendedores seguem retraídos diante do receio com o El Niño, sem negócios reportados.

