Novo tarifaço dos EUA entra em vigor; estimativas apontam impacto de R$ 4,6 bi no agro

Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos exportados pelo Brasil.
A medida, decorrente de investigações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), atinge diretamente cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas ao mercado norte-americano, segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
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O impacto direto no setor produtivo é estimado em R$ 4,6 bilhões anuais. Embora negociações diplomáticas e setoriais tenham garantido a isenção de itens estratégicos de maior volume — como café e carnes bovina e suína —, a nova alíquota incide pesadamente sobre cadeias como as de etanol, madeira, derivados e bens manufaturados.
Nesta terça-feira (21), o governo brasileiro deu início a uma rodada de reuniões com entidades e representares dos setores afetados.
Assimetria regional e pressão sobre contratos
O alcance do ‘tarifaço’ varia expressivamente de acordo com a região e o segmento produtivo. Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta que até 79% das exportações gaúchas para os EUA são afetadas, evidenciando o peso da taxação sobre os estados com maior dependência de itens derivados e industrializados.
Outro entrave imediato reportado por exportadores é o fator tempo: com a medida passando a valer na data de hoje, empresas e cooperativas enfrentam prazos escassos para renegociar contratos de embarque já firmados ou ajustar margens operacionais sem repassar prejuízos.
Além da tarifa base de 25%, o setor permanece atento à investigação em curso no USTR que pode adicionar uma sobretaxa cumulativa de 12,5%, podendo elevar a taxação total para 37,5% em caso de desfecho desfavorável.
Principais focos de atenção no campo
Para conter perdas e garantir liquidez no comércio exterior, consultores e analistas de mercado ouvidos pelo Canal Rural destacam como prioridades:
- Gestão de risco e margem: Adoção imediata de travas cambiais (hedge) e revisão rigorosa das planilhas de custos de exportação.
- Readequação logística: Renegociação de rotas e contratos de frete marítimo para embarques de menor margem.
- Diversificação de destinos: Intensificação das negociações de abertura e expansão de mercado com países da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina.
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