A Bahia Farm Show 2026, a maior feira de tecnologia agrícola do Norte e Nordeste, iniciou oficialmente a montagem de suas estruturas. O evento ocorrerá entre os dias 8 e 13 de junho e espera receber mais de 500 expositores.
Preparativos para o evento
A montagem das estruturas está sendo realizada por profissionais que trabalharão até o dia 7 de junho. A expectativa é de que a feira gere mais de 8.000 empregos diretos e indiretos.
Expectativa de expositores
Este ano, a feira contará com aproximadamente 120 expositores a mais do que no ano anterior, o que requer um aumento na mão de obra e equipamentos. O complexo da Bahia Farm Show ocupará uma área de 380.000 m², equivalente a 53 campos de futebol.
Investimento e infraestrutura
O investimento total estimado para o evento é de R$ 180 milhões. Além dos expositores, haverá um espaço especial para produtores, novos restaurantes e praças de alimentação ampliadas.
Convite ao público
Os organizadores convidam todos a visitarem a feira, destacando que tanto os visitantes habituais quanto os novos terão uma experiência surpreendente.
As chuvas em Sítio do Quinto, na Bahia, trazem um alívio temporário para os agricultores, mas a previsão indica que a quantidade de precipitações será abaixo da média nos próximos meses, o que pode impactar a produtividade das lavouras.
Previsão de chuvas
De acordo com a previsão do tempo, a região deve receber cerca de 40 mm de chuva nos próximos 30 dias, com um aumento esperado na segunda semana de junho. Para julho, a expectativa é de que as chuvas atinjam entre 50 e 60 mm.
Impacto nas lavouras
Apesar do alívio proporcionado pelas chuvas, as lavouras em Sítio do Quinto ainda enfrentam um déficit hídrico. Os agricultores precisam de mais precipitações para garantir um bom desenvolvimento das culturas. A previsão aponta que as chuvas, embora benéficas, ainda estão longe do ideal para alcançar a máxima produtividade.
Temperaturas e condições climáticas
A temperatura máxima deve ficar acima da média, com máximas chegando a 32 e 33 graus Celsius.
O fenômeno El Niño pode influenciar as condições climáticas na região.
As chuvas de julho e agosto devem somar entre 40 e 50 mm.
O Ministério da Agricultura projeta que o valor bruto da produção agropecuária (VBP) deste ano deve superar R$ 1,4 trilhão, embora isso represente uma queda de 4,2% em relação ao ano anterior. Essa perspectiva de queda é atribuída ao menor preço esperado para as commodities agrícolas e à desaceleração da produtividade das lavouras.
Desenvolvimento da safra de milho
A segunda safra de milho apresenta desenvolvimento satisfatório na maior parte das regiões produtoras, com exceção de áreas pontuais em Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul, onde as condições climáticas geram preocupações quanto à produtividade.
Mercado de feijão
O mercado de feijão registrou novas e expressivas valorizações, reforçando o movimento de alta observado ao longo de maio. De acordo com pesquisadores do CPEIA, a demanda por lotes recém-colhidos sustentou o avanço das cotações do feijão preto, em um cenário marcado por impactos climáticos no sul do país e pela menor área cultivada nesta temporada.
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado se reunirá amanhã para votar uma proposta que visa utilizar o fundo do pré-sal para financiar dívidas de produtores rurais. A votação, que estava prevista para a semana passada, foi adiada a pedido do governo federal, que busca negociar o texto final com a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CAI).
Objetivo da proposta
A proposta em discussão tem como objetivo principal o refinanciamento das dívidas dos produtores rurais, utilizando recursos do fundo social do pré-sal para cobrir parte dos custos financeiros. O governo aguarda a publicação de uma medida provisória que definirá critérios de enquadramento, juros, carência e prazos de pagamento de até 10 anos.
Impacto fiscal e garantias
O ministro da Fazenda, Daril Durigan, destacou que a medida visa reduzir o impacto fiscal, estimado em até R$ 17 bilhões em 13 anos, sem prejudicar os produtores. Ele defendeu a criação de um modelo estruturante de garantias para o agronegócio, inspirado em mecanismos como o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) do setor bancário.
Contribuições e celeridade
O ministro enfatizou a necessidade de contribuição não apenas do poder público, mas também de instituições financeiras e dos próprios agricultores, para a constituição de um fundo garantidor que facilite o acesso ao crédito, especialmente em momentos de crise. A celeridade na implementação das regras é considerada fundamental, já que o próximo plano safra se aproxima.
Santa Catarina registrou um desempenho histórico na produção de suínos e no agronegócio, com um aumento significativo na produção e nas exportações. O estado se destacou pelo crescimento de 9,5% no volume produzido e uma valorização média de 6,3% nos preços agropecuários.
Resultados da produção
O crescimento da agropecuária catarinense foi impulsionado por diversos fatores, entre eles:
Aumento de 9,5% na produção de suínos.
Valorização média de 6,3% nos preços agropecuários.
Contribuição significativa das cadeias produtivas de milho, maçã, tabaco, soja e bovinos.
Desempenho das exportações
Em 2025, o agronegócio de Santa Catarina teve um valor recorde de 75 bilhões de reais, representando um crescimento de 15,4% em relação ao ano anterior. O setor também teve forte presença no mercado internacional, respondendo por mais de 65% das exportações catarinenses, com vendas externas totalizando 7,9 bilhões de dólares, um aumento de 5,8% em comparação ao ano anterior.
Desafios e perspectivas
Apesar do resultado positivo, a Ipagricepa alerta para a volatilidade dos preços no campo, que pode impactar a renda dos produtores rurais, especialmente em culturas com margens mais apertadas. No entanto, o desempenho do agronegócio catarinense reafirma a importância das cadeias produtivas na economia do estado.
De camaleões até polvos, a capacidade de mudar de cor no reino animal é uma característica que soa curiosa para os humanos, mas é questão de sobrevivência para os bichos. Nesse contexto, a Agapostemon subtilior, espécie denominada por cientistas como “abelha do suor”, apresentou uma característica que surpreendeu pesquisadores: a alteração de tom conforme a umidade do local.
A descoberta foi recém-publicada na revista científica Biology Letters, onde pesquisadores do Reino Unido e dos Estados Unidos mostram que em um novo experimento laboratorial a umidade relativa afeta a cutícula — ou esqueleto externo, estrutura que protege e oferece sustentação aos animais invertebrados — dessa abelha.
A pesquisa avaliou espécimes de uma coleção que estava há anos no museu e outras adquiridas em campo recentemente. Em 24 horas, o inseto revelou uma alteração drástica: de um azul-esverdeado intenso em baixa umidade (menor que 10%) para um verde-alaranjado em alta umidade (95%).
Segundo a pesquisa, espécies mais velhas mostraram mudanças de coloração em maior magnitude o que, possivelmente, indica que a degradação das cutículas amplia a permeabilidade da água e os efeitos da umidade.
Como funciona a coloração animal?
Segundo o professor de Fisiologia Animal no Instituto de Biociências da USP Michael Hrncir, os seres humanos percebem a faixa de radiação emitida pela luz solar como luz branca e, dependendo da superfície, ela pode absorver uma parte dessa radiação e refletir o restante.
“Isso acontece porque, nos animais e também nas plantas, temos vários pigmentos. Pigmentos são proteínas que estão inclusas, ou podem ser inclusas, nas superfícies externas.”
Ele exemplifica que a pele de um animal tem várias camadas e, em uma determinada camada, dependendo do organismo, pode conter esses pigmentos. Dessa forma, os pigmentos vão absorver parte dessa radiação e devolver a outra.
No entanto, no caso da classe de Cefalópodes — que reúne lulas e polvos — é possível observar a mudança de cores voluntária. Existem células especializadas com esse pigmento que, de acordo com contração da membrana celular, a proteína vai estar mais próxima ou mais distante à superfície e, assim, os animais modificam suas cores.
Cores metálicas
O professor explica que a A. subtilior é um inseto translúcido, ou seja, não absorve nenhuma luz. Nesse sentido, sua aparência metálica não é produzida a partir de pigmentos — apesar de estarem presentes ao fundo — mas pela combinação entre células translúcidas e a refração da luz.
“Você tem em cima dos insetos, em cima da cutícula, várias camadas dessas células translúcidas. E, devido ao fato de que você tem várias camadas disso, dependendo do ângulo que a luz vai atravessar, ela vai ser refletida de várias maneiras diferentes”, conta o professor da USP.
Mudanças dinâmicas
O especialista também detalha que a mudança de cor pode ou não ser voluntária. No caso de polvos, lulas e camaleões, a coloração animal é voluntária e desempenha diversas funções na comunicação, autodefesa, camuflagem, estratégia predatória, entre outros.
“As abelhas não fazem isso de forma voluntária. É um simples efeito físico”, esclarece Hrncir.
O professor ainda ressalta que as mudanças dinâmicas voluntárias ocorrem devido ao fato de o animal, através de processos neurofisiológicos, se ajustar às próprias necessidades, obtendo vantagem evolutiva ao possuir essa mudança de cores voluntária. No entanto, com as abelhas, a situação é um pouco diferente.
“E, no caso dessas abelhas, ela também é dinâmica, mas não é voluntária. Ela tem uma dinâmica devido ao fato de responder a mudanças de umidade relativa.”
Efeitos da umidade
Agapostemon subtilior exposta a baixa umidade. Foto: Leslie Cervantes Rivera
De acordo com a pesquisa, a alteração ocorre em razão do inchaço induzido pela umidade nas estruturas celulares das abelhas (A. subtilior).
“Os insetos são os animais mais adaptados a ambientes secos porque eles simplesmente não perdem água. A cutícula é super resistente contra a entrada ou saída de água. Mas existem algumas pequenas fendas por onde a água ainda pode evaporar, dependendendo, logicamente, da espessura dessa cutícula”, detalha o professor.
Segundo Hrncir, a água não entra para dentro do animal, apenas nas camadas celulares translúcidas.
“Então, a água consegue entrar nessas fendas e mudar a estrutura, ou seja, ela afasta uma placa da outra, como se fossem placas de vidro. Com isso, muda completamente a física da refração e, assim, a aparência dessas abelhas muda conforme existe uma umidade relativa mais alta ou mais baixa.”
Além disso, o estudo mostra que essa alteração pode ser reversível. Quando expostas novamente a baixa umidade retornam a tonalidade mais azulada.
Agapostemon subtilior exposta a alta umidade. Foto: Leslie Cervantes Rivera
Resultados e ocorrência no Brasil
Ressalta-se que os pesquisadores são cautelosos quanto aos resultados, pois a pesquisa interpreta abelhas preservadas e, não necessariamente, refletem aspectos em vida.
Também é desconhecido se as mudanças induzidas pela umidade podem trazer alguma vantagem evolutiva ou ecológica para as abelhas. Hrncir sugere que a alteração de cor pode ter conexão com a atração das fêmeas pelos machos.
“A coloração, com frequência, traz alguma informação para a fêmea. E devido ao fato que essas abelhas em ambientes diferentes, elas têm uma aparência diferente podem apresentar uma determinada vantagem.”
No Brasil, o professor da USP diz que a presença de abelhas metálicas no país é significativa e que, possivelmente, apresentam o mesmo fenômeno. Ao todo, são pelo menos 500 espécies que alternam entre abelhas do suor (Halictidae) e abelhas das orquídeas (Euglossini).
“Devido ao fato de que a física por trás dessa cor metálica, dessa parte estrutural, é muito parecida, pode ser que isso não seja uma característica exclusiva dessa espécie. O princípio da coloração é sempre uma coloração estrutural. Então, existe uma certa probabilidade de que o efeito seja o mesmo.”
O aumento dos custos no campo e a perda de rentabilidade das últimas safras começam a pressionar os produtores rurais em Mato Grosso. Em Querência, no nordeste do estado, agricultores já tentam repassar áreas arrendadas diante da dificuldade para manter o plantio na próxima temporada.
Em meio à preparação para mais uma safra, produtores enfrentam um problema que vai além das condições climáticas, o alto custo dos arrendamentos de terras. Mesmo com um leve recuo registrado na safra 2025/2026, os preços devem permanecer elevados na temporada 2026/2027.
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Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a média estimada para os contratos de arrendamento é de 15,58 sacas por hectare, alta de 8,55% em relação às últimas três safras.
A situação acende um alerta no campo. Em Querência, alguns produtores, sem condições de custear um novo ciclo de produção, já tentam transferir áreas arrendadas para reduzir prejuízos e manter os compromissos financeiros em dia.
“Tem muita oferta de área porque realmente o produtor já não está conseguindo plantar mais. Às vezes ele passa o arrendamento sem cobrar nada, só para se livrar de um custo que ficou muito pesado”, relata Osmar Frizzo, presidente do Sindicato Rural do município.
A dificuldade financeira foi agravada pela baixa rentabilidade das últimas safras. A expectativa era de uma boa receita com o cultivo de cerca de 450 mil hectares de soja e 300 mil hectares de milho, mas o resultado ficou abaixo do esperado.
“Em média, tivemos uma quebra de quatro a cinco sacas por hectare. Foi uma das safras mais caras e ainda tivemos venda da soja cerca de R$ 10 abaixo do valor do ano passado”, afirma Frizzo.
Na propriedade da família de Lauri, os impactos já são sentidos nas contas. O atraso no plantio da soja, causado pela irregularidade das chuvas, comprometeu parte da janela ideal do milho segunda safra.
“Tivemos a última chuva por volta do dia 20 de abril. Algumas áreas ainda precisavam de mais chuva no fim do mês, mas ela não veio. Cerca de 30% da área deve ter perda de produtividade”, explica Lauri Jantsch.
Além da quebra na produção, os produtores enfrentaram aumento nos custos operacionais. O excesso de chuva durante a colheita elevou os gastos com secagem dos grãos.
“Entre janeiro e fevereiro recebemos quase 700 milímetros de chuva. A soja chegou ao armazém com umidade muito alta e isso gera um custo caro para secagem”, relata o agricultor.
Segundo o setor, o cenário atual é resultado de uma sequência de dificuldades climáticas e econômicas. A avaliação é de que o agro pode enfrentar mais um ciclo de baixa rentabilidade.
Os reflexos também já atingem a arrecadação municipal. Em Querência, cuja economia é baseada principalmente no cultivo de soja e milho, a previsão é de queda nas receitas.
“O índice de arrecadação de 2026 deve ser 10,28% menor do que em 2025. Isso representa uma perda significativa para o município”, afirma o prefeito Gilmar Wentz.
Diante do cenário, produtores e lideranças do setor cobram mais sensibilidade do governo e defendem medidas de renegociação de dívidas e ampliação do crédito rural.
“Já houve, em outros momentos, programas de renegociação de dívidas, e sem dúvida o setor está precisando muito disso novamente. A gente sabe que essa discussão já existe no Congresso, mas a grande dificuldade é definir de onde virão os recursos. Inclusive, há propostas para utilizar recursos do pré-sal, porém esse debate ainda não avançou muito dentro do Congresso”, conclui Frizzo.
A curva de juros futuros caiu em bloco no Brasil nesta segunda-feira (25), acompanhando a queda das cotações do petróleo diante de relatos sobre uma possível reabertura do Estreito de Ormuz. Os principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) renovaram mínimas intradia por volta das 14 horas, em um pregão de liquidez reduzida por causa do feriado do Memorial Day nos Estados Unidos e do feriado bancário no Reino Unido.
No fechamento, o DI para janeiro de 2027 recuou de 14,077% no ajuste de sexta-feira para 14,025%. O contrato para janeiro de 2029 caiu de 13,851% para 13,71%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 13,97% para 13,84%. Segundo o mercado, os vértices mais longos devolveram cerca de 20 pontos-base ao longo da sessão.
O movimento teve como principal referência a queda do petróleo, que encerrou o pregão regular com baixa de quase 7%, perto de US$ 90 por barril. A leitura dos agentes foi de que uma eventual redução do risco geopolítico no Oriente Médio pode diminuir prêmios de risco e aliviar expectativas de inflação global, sobretudo por meio da energia.
Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, afirmou que o mercado voltou a precificar o contexto geopolítico, mas destacou que o histórico de avanços sem confirmação tem mantido os investidores cautelosos. Joel Kruger, estrategista de mercados do LMAX Group, avaliou que a ausência de escalada no fim de semana foi suficiente para reduzir parte do prêmio de risco entre diferentes classes de ativos.
Para o agronegócio, juros e petróleo seguem variáveis centrais. A trajetória dos combustíveis influencia frete, operação de máquinas, fertilizantes e custos logísticos. Já o comportamento das taxas futuras afeta o crédito, o custo de capital e as expectativas para a taxa Selic. No Brasil, a reprecificação do mercado continua, em meio também ao cenário fiscal e inflacionário. O economista-chefe do banco Pine, Cristiano Oliveira, elevou sua projeção para a Selic no fim de 2026 de 13,25% para 14%.
Sem confirmação oficial sobre um acordo envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz, o mercado encerrou a sessão com alívio parcial e cautela. A continuidade desse movimento dependerá da evolução do quadro geopolítico, do comportamento do petróleo e das próximas sinalizações sobre inflação e juros, variáveis com efeito direto sobre custos e financiamento no setor produtivo.
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A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) defendeu nesta quinta-feira (21) um conjunto de 12 pontos considerados estruturais para a securitização da dívida rural em discussão no Congresso Nacional. Em carta pública, a entidade, proponente de medidas do PL 5.122, aponta que o estoque de dívidas estressadas no campo gaúcho atinge R$ 171 bilhões e pode dobrar em 12 meses.Entre as exigências centrais estão um teto de juros equivalente à taxa neutra do Banco Central (atualmente 8,5% ao ano), prazo mínimo de 15 anos para o pagamento e carência real antes da primeira parcela. Para a entidade, juros de dois dígitos inviabilizam qualquer securitização sustentável, e prazos menores geram parcelas que comprometem o fluxo de caixa do produtor.A Farsul defende ainda que a medida alcance dívidas fora do sistema financeiro, contraídas junto a cooperativas de grãos, revendas de insumos e cerealistas, e que inclua as chamadas operações “mata-mata”, em que produtores tomaram novo crédito para quitar dívidas anteriores. A data de corte para enquadramento, segundo a Federação, deve ser fixada em, no mínimo, 30 de abril de 2026, alcançando inclusive as renegociações da MP 1.314, que somam mais de R$ 39 bilhões em recursos livres.
Funding e crise climáticaSobre o financiamento da medida, a Farsul afirma não ter preferência por uma fonte específica, mas exige que ela tenha caráter estrutural. O Fundo Social do Pré-Sal é apontado como adequado para esse fim. “Anúncios superlativos com recursos que não se materializam não são política pública – são gestão de expectativas”, registra o documento.A Federação, prestes a completar 100 anos – foi fundada em 1927 -, justifica os 12 pilares como resultado de “décadas de acompanhamento técnico” e diz que cada um deles “foi testado em crises anteriores”. O endividamento atual, segundo o texto, decorre de “crises climáticas sem precedentes” que atingiram o Rio Grande do Sul nos últimos anos, com sucessivos episódios de estiagem e enchentes.A entidade afirma seguir “aberta ao diálogo e à negociação” e dirige apelos diretos a parlamentares – “estamos às vésperas de uma solução definitiva; contamos e precisamos de vocês” – e à sociedade. “O campo não pede privilégio; pede condição”, diz a carta.
A estiagem é um período crucial para a manutenção das propriedades rurais, segundo o engenheiro agrônomo Wagner Pires, consultor do Circuito da Pecuária. Ele afirma que a seca oferece uma janela de oportunidades para garantir que a infraestrutura da fazenda esteja pronta para quando as chuvas retornarem.
Pires, que é pós-graduado em pastagens pela Esalq-USP e autor do livro “Pastagem Sustentável de A a Z”, destaca que a entressafra é o melhor momento para realizar reformas nas cercas. “As cercas construídas ou reformadas na seca duram muito mais”, observa. Ele explica que, com o solo seco e compactado, a madeira assenta melhor, conferindo maior firmeza às estruturas.
O engenheiro agrônomo ressalta que o entorno dos cochos deve receber atenção especial durante a seca. A falta de manutenção pode resultar em sérios problemas quando o período chuvoso chegar. Pires recomenda a realização do “piçarramento”, que consiste na colocação de cascalho ou brita ao redor dos cochos de alimentação do gado. “Essa ação evita que a área vire um lamaçal nas águas, reduzindo problemas de casco no rebanho”, informa.
Além disso, o especialista sugere que sejam realizadas revisões e consertos nos telhados dos cochos cobertos e ajustes nas linhas de trato. A logística interna também deve ser otimizada, com a manutenção das estradas e corredores. “Passar a lâmina nas estradas internas evita atoleiros no final do ano”, afirma Pires.
Combate a plantas invasoras
A seca é também um período propício para o combate a plantas invasoras. Pires recomenda o corte rente ao solo e a aplicação localizada de herbicida diretamente no toco, o que garante eficiência no controle. “O pasto brota com força total nas primeiras chuvas”, diz.
O agrônomo conclui que o planejamento e investimento em infraestrutura são essenciais durante a seca. O pecuarista que utiliza essa fase para manter as cercas, reformar estradas e organizar as praças de alimentação estará mais preparado para o próximo ciclo de chuvas, fortalecendo sua posição no mercado.