terça-feira, junho 16, 2026
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Irrigação pode elevar em quase R$ 9 mil por hectare o valor gerado no campo


Irrigação feijão
Foto: Daniel Popov

A ampliação da agricultura irrigada tem potencial para gerar cerca de R$ 8,9 mil adicionais por hectare no Valor Adicionado Bruto (VAB) da agropecuária dos municípios brasileiros, além de elevar a produtividade, a renda e o emprego no campo.

A conclusão faz parte de um estudo elaborado pelo Grupo de Políticas Públicas da Esalq/USP para a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que analisou os impactos socioeconômicos da irrigação em alguns dos principais polos de agricultura irrigada do país.

Segundo o levantamento, a ampliação da área irrigada nos municípios analisados produz efeitos significativos sobre a economia local. Pelas estimativas dos pesquisadores, um aumento de cerca de 1.600 hectares irrigados pode acrescentar quase R$ 14 milhões ao VAB agropecuário municipal no longo prazo.

O estudo destaca que isso significa uma ampliação de cerca de R$ 8.921 por hectare irrigado no valor gerado pela agropecuária municipal.

Os resultados ganham relevância diante do espaço ainda existente para crescimento da atividade. Em 2021, o Brasil possuía cerca de 8,2 milhões de hectares irrigados, mas o potencial adicional supera 55,8 milhões de hectares.

Segundo o estudo, esse cenário representa uma “oportunidade estratégica para ampliar a produção agropecuária e fortalecer a resiliência frente às mudanças climáticas”.

Os pesquisadores afirmam que, “em conjunto, os resultados indicam que maior presença de irrigação nas regiões analisadas se associa a maior intensidade produtiva e a maior peso da agropecuária no produto regional”, além de produzir “efeitos estimados sobre a produtividade da soja e respostas dinâmicas de renda, emprego e crédito após choques de expansão da área irrigada”.

O estudo também identificou ganhos diretos na produção agrícola. Entre 2013 e 2023, cada aumento de 1% na área irrigada esteve associado a um crescimento de 0,0698% na produtividade da soja.

Em termos práticos, uma duplicação da área irrigada poderia elevar os rendimentos da cultura em 5,33 sacas por hectare na Bahia; 2,27 sacas por hectare em Minas Gerais; e 2,41 sacas por hectare em Mato Grosso.

A pesquisa avaliou sete Regiões Geográficas Imediatas consideradas estratégicas para a irrigação:

  • Barreiras e Santa Maria da Vitória (BA);
  • Unaí e Patos de Minas (MG);
  • Sorriso (MT); e
  • Cruz Alta e São Luiz Gonzaga (RS)

Juntas, elas concentram 704 mil hectares irrigados por pivô central, o equivalente a 37,1% da área irrigada agrícola nacional, embora representem apenas 11,1% da área agrícola do País.

Reflexos na economia

O peso econômico dessas regiões também chamou a atenção dos pesquisadores. Em média, a agropecuária responde por 43,3% do Valor Adicionado Bruto regional, participação mais de seis vezes superior à observada nas demais regiões brasileiras. Além disso, o setor emprega cerca de 21,2% dos trabalhadores dessas localidades, percentual 8,2 vezes superior ao registrado no restante do país.

Além dos ganhos produtivos, os polos irrigados analisados apresentaram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios rurais dos mesmos estados. O PIB per capita alcançou R$ 182,87 mil em Mato Grosso, R$ 91,41 mil no Rio Grande do Sul, R$ 47,25 mil na Bahia e R$ 46,10 mil em Minas Gerais, com diferenças que variam de 49,6% a 256,3% acima das médias rurais estaduais.

Na dimensão social, o estudo verificou menor dependência de programas de transferência de renda em boa parte dos polos de irrigação. A proporção de beneficiários do Bolsa Família ficou 50,9% abaixo da média dos municípios rurais de Mato Grosso, 23,3% abaixo em Minas Gerais e 12,7% abaixo na Bahia.

Os pesquisadores também encontraram correlação positiva entre a expansão da irrigação e indicadores como exportações, arrecadação tributária, emprego formal agropecuário, PIB per capita e valor adicionado da agropecuária.

Ao mesmo tempo, observaram uma correlação negativa com áreas de pastagem e com a proporção de moradores inscritos no Cadastro Único, sugerindo menor vulnerabilidade socioeconômica nos municípios com maior presença da irrigação.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam que a irrigação exerce papel relevante na transformação econômica dos territórios analisados. Segundo o relatório, “a irrigação emerge como um fator associado à intensificação produtiva, ao aumento da renda agropecuária e à melhoria de indicadores socioeconômicos”, além de contribuir para a expansão do emprego formal e do crédito rural.

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