As projeções para o mercado da pecuária em 2026 indicam um cenário de oportunidades raras. No Giro do Boi desta quinta-feira (12), o engenheiro agrônomo Wagner Pires trouxe um alerta decisivo: o planejamento forrageiro não é apenas uma melhoria, mas uma necessidade de sobrevivência.
Com a janela das chuvas ainda aberta em diversas regiões e margens favoráveis no ciclo pecuário, o momento de organizar a “lavoura de capim” é imediato. A recuperação de uma pastagem degradada leva anos e exige aproveitar os tempos de bonança financeira para financiar as melhorias.
Confira:
Investimentos estratégicos
O pecuarista moderno deve abandonar o amadorismo e tratar o pasto com o mesmo rigor técnico de um agricultor de soja. Wagner Pires sugere começar o investimento pelas áreas que estão em melhor estado, e não pelas piores. Isso garante um retorno sobre o investimento mais rápido.
“Antes de pensar em reformas caríssimas que exigem revolvimento de solo, foque na recuperação e manutenção”, afirmou o agrônomo. Aplicar fertilizantes no momento certo economiza recursos e mantém a produtividade.
Vale lembrar que o planejamento deve estar atrelado ao desempenho animal. Sem o uso de balanças para medir o Ganho Médio Diário (GMD), o produtor trabalha no “achismo” e perde a chance de ajustar o manejo.
O planejamento forrageiro eficiente para o período seco começa agora, enquanto ainda há umidade no solo. Em 2026, a pecuária competitiva está intrinsecamente ligada à integração e à saúde do solo.
O gado e a terminação no pasto
Com cercas elétricas e balanças eletrônicas acessíveis, a eficiência no pasto é obrigatória. Uma pastagem bem cuidada reduz a dependência de grãos caros e garante que o boi se pague no pasto. Como resume o agrônomo: “O gado faz a terminação no pasto. Se faltar fibra de qualidade, sua margem vai embora”.
Em entrevista exclusiva à CNN Agro, o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, criticou a postura da Cargill após a empresa suspender temporariamente exportações de soja brasileira para a China.
A empresa alega que tomou a decisão após mudanças na inspeção fitossanitária adotadas pela pasta. De acordo com o presidente da companhia no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa, o Mapa passou a adotar uma fiscalização mais rigorosa para cargas destinadas ao mercado do gigante asiático após solicitação do próprio governo chinês.
Segundo o executivo, a nova metodologia tem dificultado o cumprimento das normas pelos comerciantes e a obtenção da autorização necessária para o embarque da soja.
Contudo, na entrevista, Fávaro afirmou que a Cargill não foi correta ao atribuir a situação a mudanças de procedimento do Ministério da Agricultura. O ministro afirmou que “não irá precarizar o sistema sanitário brasileiro” por uma postura empresarial, que classificou como “irresponsável”.
De acordo com ele, a soja é o segundo maior produto da balança comercial brasileira e, além de estar no padrão, precisa cumprir os protocolos fitossanitários estabelecidos no comércio global.
‘Empresa mentiu’
À CNN Agro, Fávaro ressalta que não gostou da postura da Cargill quando diz que o Ministério da Agricultura muda os procedimentos. “Isso é mentira. [A Cargill] sabe muito bem que há algum tempo o governo chinês reclama de que há algumas cargas de soja brasileira chegando sem o cumprimento do protocolo”, ressalta.
Para o ministro, o cumprimento do protocolo sanitário é imprescindível, especialmente em relação à presença de sementes de ervas daninhas proibidas pelo país importador. “Existe um protocolo sanitário que restringe sementes de ervas daninhas que não existem do lado comprador. O Brasil se tornou referência mundial no comércio agro pela excelência do seu sistema sanitário”, afirmou.
Segundo Fávaro, o padrão da soja brasileira tem sido cumprido com excelência, mas recentemente identificou-se 19 navios carregados com soja com sementes com ervas daninhas, o que não prejudica o padrão de qualidade, mas descumpre o protocolo fitossanitário acordado com a China.
‘Faltou responsabilidade’
O ministro afirmou que a solução para o impasse de novo padrão sanitário passa por negociações entre exportadores e compradores, além de diálogo entre os governos dos dois países sobre eventuais ajustes no protocolo.
“Compradores e vendedores brasileiros e chineses precisam intensificar as negociações, e os dois governos podem discutir eventuais ajustes no protocolo, como alguma tolerância. Isso faz parte do jogo”, detalhou à CNN Agro.
“A Cargill deveria ser mais responsável. A postura da empresa não foi legítima. O que precisa ser feito é ajustar a limpeza da soja brasileira”, reforçou o ministro.
O titular do Mapa também fez questão de ressaltar que não há questionamentos sobre a qualidade comercial da soja brasileira. Ele lembrou que o produto atende aos padrões internacionais de classificação, como limites de impurezas, grãos avariados e umidade.
“Não existe problema com a qualidade da soja brasileira no padrão comercial. O padrão é 1, 8, 14 — com tolerância de 1% de impurezas, 8% de avariados e até cerca de 13% de umidade, dependendo do país — e isso está sendo cumprido”, destacou.
Repercussão
A Cargill destacou que, diante das dificuldades para enviar o produto ao principal comprador mundial da oleaginosa, também suspendeu temporariamente a compra de soja no mercado brasileiro.
Em nota conjunta, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) ressaltaram que acompanham o assunto de forma atenta e com preocupação.
Diante do cenário, ambas reafirmam que seguem atuando de forma colaborativa e mantendo diálogo constante com as autoridades competentes e com as demais entidades da cadeia produtiva para buscar soluções que garantam a fluidez do comércio, a previsibilidade das operações, prezando pela segurança jurídica e fortalecimento das relações comerciais internacionais e pela garantia dos requisitos de fitossanidade.
“A suspensão de compras por parte de uma trading desse porte reduz a demanda por soja no interior e nos portos, o que pode pressionar os prêmios de exportação e os preços pagos ao produtor, justamente em um período em que a colheita avança no país e a oferta interna aumenta rapidamente”, dizem as entidades em nota conjunta.
Para o consultor de agronegócio Carlos Cogo, na prática, quando uma grande exportadora interrompe as compras, há menos compradores disputando a soja no mercado, o que diminui a demanda imediata pelo grão. Com mais oferta chegando da colheita e menos empresas comprando, os preços tendem a ficar pressionados.
Apesar disso, o especialista avalia que o impasse deve ser temporário. “Historicamente, esse tipo de questão técnica costuma ser resolvido por meio de ajustes operacionais e negociações entre autoridades sanitárias, governo brasileiro e tradings exportadoras. Por isso, a tendência mais provável é que a suspensão tenha caráter pontual, limitada a dias ou poucas semanas, até que os protocolos de inspeção sejam alinhados”, avalia.
O mercado do boi gordo segue com valores mais elevados neste início de ano. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a sustentação dos preços tem influência direta das exportações. Em fevereiro deste ano, o volume comercializado para o exterior bateu recorde, registrando o maior resultado da história para o período. A média diária de embarques no segundo mês do ano foi de 13,105 mil toneladas, 37,6% acima da registrada em 2025.
A China, principal compradora da carne bovina brasileira, liderou o ranking de fevereiro, sendo destino de mais da metade da carne exportada pelo país. Os Estados Unidos se mantiveram na segunda posição da lista.
O mercado interno, em contrapartida, seguiu lento no último mês. Há preocupação em relação aos acontecimentos no Oriente Médio, pois, embora o Brasil não seja um grande importador da commodity, eventuais dificuldades logísticas provocadas por bloqueios de rotas e aumento nos custos de frete têm mantido os exportadores em alerta.
Segundo pesquisadores, os compradores têm adotado cautela nas aquisições e buscado novas estratégias de compra. Já boa parte dos vendedores não tem se mostrado satisfeita com as ofertas recebidas e tem preferido segurar as vendas.
As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 12,05 bilhões em fevereiro de 2026, o maior valor da série histórica para o mês. O resultado, divulgado nesta quinta-feira (12) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), representou 45,8% de todas as vendas externas do Brasil no período.
Entre os principais setores, o complexo soja liderou os embarques, com US$ 3,78 bilhões, o equivalente a 31,4% do total exportado pelo agro no mês. Em relação a fevereiro de 2025, houve alta de 16,4%.
No geral, as exportações do agronegócio cresceram 7,4% na comparação anual, impulsionadas principalmente pelo aumento de 9% no volume embarcado. Apesar disso, o preço médio internacional recuou 1,5%, acompanhando a tendência de queda observada em índices globais de alimentos.
Enquanto as vendas externas avançaram, as importações de produtos agropecuários somaram US$ 1,5 bilhão, queda de 9,1% frente a fevereiro do ano passado.
Com isso, o saldo da balança comercial do agronegócio atingiu superávit de US$ 10,5 bilhões, crescimento de 10,3% no período.
China segue como principal destino
A China manteve a liderança entre os destinos das exportações do agro brasileiro em fevereiro, com US$ 3,6 bilhões, o equivalente a 30,5% do total.
Na sequência aparecem:
União Europeia: US$ 1,8 bilhão (15,2%)
Estados Unidos: US$ 802,9 milhões (7%)
Outros países asiáticos também ampliaram as compras. O Vietnã importou US$ 372,6 milhões em produtos do agro brasileiro, alta de 22,9%, enquanto a Índia registrou forte avanço, com US$ 357,3 milhões em embarques, crescimento de 171,1%.
Outros setores do agro
Depois do complexo soja, outros segmentos também tiveram participação relevante nas exportações do mês:
Proteínas animais: US$ 2,7 bilhões (22,5% do total), alta de 22,5%
Produtos florestais: US$ 1,27 bilhão (10,5%), queda de 1%
Café: US$ 1,12 bilhão (9,3%), recuo de 0,2%
Complexo sucroalcooleiro: US$ 861,3 milhões (7,1%), baixa de 4,2%
Produtos registram recordes
Alguns produtos também registraram recorde de exportações em fevereiro, entre eles óleo essencial de laranja, DDG de milho, farinhas de carne, extratos e miudezas, manteiga, gordura e óleo de cacau e óleo de milho.
Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o desempenho reflete o aumento da produção e da oferta exportável do país.
“O Brasil caminha para colher safra recorde nos produtos vegetais e produção crescente nas proteínas animais. Esse aumento da produção amplia o excedente exportável do país e fortalece a presença do agro brasileiro no mercado internacional”, afirmou.
De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Luís Rua, o resultado também está ligado ao avanço na abertura de mercados.
“Foram nove novas aberturas de mercado apenas em fevereiro e 544 desde o início de 2023”, destacou.
O programa Óleo Amigo, da JBS, comemorou uma importante marca: a coleta de 50 milhões de litros de óleo de cozinha usado ao longo de uma década. O volume, que deixou de ser descartado de forma inadequada, foi convertido em biodiesel pela Biopower, empresa da JBS Novos Negócios e uma das maiores produtoras do biocombustível no país.
De acordo com os cálculos da empresa, ao evitar que o resíduo fosse despejado na rede de esgoto ou no meio ambiente, o programa contribuiu para a preservação de mais de 1 trilhão de litros de água — o equivalente a 400 mil piscinas olímpicas.
Apenas em 2025, foram coletados 11,3 milhões de litros, o maior volume anual já registrado pela iniciativa. O resultado foi impulsionado pela expansão das operações para Campo Verde, em Mato Grosso, onde, somente no primeiro ano de atuação, a coleta atingiu 2 milhões de litros.
Para o diretor comercial da Biopower, Alexandre Pereira, dar dimensão concreta aos números é essencial para ampliar a conscientização. “Muita gente não sabe, mas apenas um litro de óleo descartado na pia pode contaminar até 25 mil litros de água. O que fazemos com o programa é interromper esse ciclo de poluição e transformar o problema em solução energética. A cada litro coletado, o impacto é triplo: evita contaminação hídrica, substitui combustível fóssil e estimula a adesão a uma atitude ambientalmente correta.”
Alcance da iniciativa
Embora a coleta direta com frota própria esteja concentrada atualmente em Lins (SP), Curitiba (PR) e Campo Verde (MT), a rede do Óleo Amigo alcança quase 115 municípios nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso e Santa Catarina.
Atualmente, a Biopower é uma das cinco maiores produtoras de biodiesel do Brasil e líder na fabricação do biocombustível a partir do processamento de resíduos orgânicos.
A capacidade produtiva anual nas três usinas, localizadas em Lins (SP), Campo Verde (MT) e Mafra (SC), supera 900 milhões de litros. Segundo Pereira, com entregas em mais de 22 estados, a empresa já produziu mais de 4 bilhões de litros de biodiesel, evitando a emissão de cerca de 9 milhões de toneladas de CO₂.
Óleo de fritura usado
A empresa atua como garantidora de óleo de fritura usado no mercado, adquirindo volumes de coletores independentes e cooperativas em todo o país para a produção de biodiesel.
Desde 2015, já foram comprados mais de 430 milhões de litros do resíduo. O diretor comercial salienta que essa demanda estruturada há mais de 10 anos viabiliza economicamente cooperativas, gera renda e fortalece a cadeia de suprimentos ao transformar um descarte em insumo com valor de mercado.
O programa integra o pilar da estratégia de economia circular da JBS. Atualmente, a Companhia aproveita cerca de 99% de cada bovino processado. Assim, o que antes poderia ser resíduo, transforma-se em couro, colágeno, gelatinas e biodiesel.
Como participar da coleta
O programa conta com frota própria para retirada de óleo em bares, restaurantes, escolas, condomínios, empresas e outros locais geradores de óleo. Para agendar, basta entrar em contato:
Maior produtora mundial de etanol e biomassa de cana-de-açúcar e uma das gigantes do setor de agroenergia, a Raízen apresentou pedido de recuperação extrajudicial nesta quarta-feira (11). Segundo a companhia, a proposta de renegociação de suas dívidas, que superam os R$ 65,1 bilhões, foi acordada com seus principais credores.
Em um comunicado divulgado esta manhã, a companhia afirma que o objetivo do pedido é “assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas financeiras quirografárias do Grupo Raízen”.
Dívidas quirografárias são os créditos a receber não cobertos por uma chamada garantia real, como uma hipoteca, e que não gozam de preferência na ordem de pagamento. Assim, em caso de falência ou recuperação via judicial, os credores quirografários são os últimos a receber os valores que lhes são devidos.
De acordo com a Raízen, o Plano de Recuperação Extrajudicial apresentado junto ao pedido distribuído à Comarca da Capital de São Paulo conta com a adesão de seus principais credores, titulares de mais de 47% das dívidas financeiras quirografárias – percentual superior ao quórum mínimo legal de um terço dos créditos afetados e suficiente para o ajuizamento do pedido de Recuperação Extrajudicial.
“O Grupo Raízen dispõe do prazo de 90 dias, a contar do processamento da Recuperação Extrajudicial, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do seu plano de recuperação extrajudicial, assegurando, assim, a vinculação de 100% dos créditos sujeitos aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos no Plano”, explica a companhia em seu comunicado.
Ainda segundo a companhia, a iniciativa tem escopo limitado, não abrangendo as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios, que permanecem vigentes, sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos.
O plano de Recuperação Extrajudicial poderá envolver a capitalização do Grupo Raízen por seus acionistas; a conversão de parte dos Créditos Sujeitos em participação acionária na Companhia; a substituição de parte dos Créditos Sujeitos por novas dívidas; reorganizações societárias, destinadas à segregação de parcela dos negócios atualmente conduzidos pelo Grupo Raízen e a venda de ativos do grupo.
Com mais de 45 mil colaboradores e 15 mil parceiros de negócios espalhados por todo o Brasil, o Grupo Raízen controla 35 usinas de produção de açúcar, etanol e bioenergia, tendo anunciado uma receita líquida de R$ 255,3 bilhões na safra 2024/2025.
“As operações do Grupo Raízen seguem sendo conduzidas normalmente, no atendimento a clientes, na relação com fornecedores e na execução de seus planos de negócios. A Raízen manterá seus acionistas e o mercado informados acerca de quaisquer desdobramentos relevantes relacionados a este tema”, destacou a companhia, procurando tranquilizar seus acionistas e parceiros comerciais.
Policiais militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreenderam, na noite do último domingo (8), um veículo GM Celta carregado com 600 quilos de defensivos agrícolas de origem estrangeira. A ação ocorreu na rodovia MS-384, próximo ao trevo de Antônio João, no município de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul.
A equipe realizava patrulhamento quando visualizou o veículo. Ao notar a aproximação da viatura policial, o condutor abandonou o automóvel às margens da rodovia e fugiu a pé para uma área de vegetação. Apesar das buscas realizadas no local, o suspeito não foi encontrado.
Durante a vistoria no interior do veículo, os policiais encontraram volumes de defensivos agrícolas de procedência estrangeira.
A carga e o veículo foram encaminhados à Receita Federal de Ponta Porã, gerando um prejuízo estimado de R$ 620 mil.
A ação ocorreu no âmbito do Programa Protetor das Fronteiras e Divisas, uma parceria da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Produtores de morango estão preocupados com mudanças recentes sobre padrões de identidade e qualidade da fruta in natura. Os temores decorrem de uma nova norma que estabelece critérios para produção, classificação, embalagem e rotulagem do morango comercializado no país.
A Portaria nº 886 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi publicada no fim de fevereiro e internaliza um regulamento técnico estabelecido pelo Mercosul. A definição ocorre em meio ao acordo do bloco com a União Europeia, que deve ser oficializado em breve.
Segundo a pasta, o objetivo do regulamento é padronizar a classificação do morango, facilitar a comercialização no Mercosul e garantir mais transparência na identificação do produto ao consumidor.
Nas redes sociais, uma agricultora do município de Curitibanos (SC) questionou a aplicação prática das novas regras. Segundo Karine Duarte Rosa França, a plantação “não tem botão” para definir o tamanho e aparência ideais dos morangos. Ela também fez um alerta sobre o futuro da atividade diante da portaria.
“Se continuar desse jeito, muitos produtores vão ter que parar de plantar morango. Não tem como cumprir e continuar no mercado”, diz. O vídeo do desabafo soma mais de 137 mil visualizações no Instagram.
O que diz a portaria
Pela norma, o morango passa a ter critérios específicos de classificação por tamanho e qualidade. Os frutos devem ser separados em três calibres, de acordo com o diâmetro: menor que 20 milímetros, entre 20 e 30 milímetros e acima de 30 milímetros.
Além disso, a regulamentação estabelece limites de tolerância para defeitos nas frutas. Entre os considerados graves estão podridão, fruta passada ou imatura. Já defeitos leves incluem ausência do cálice, falta do pedúnculo ou deformações no formato.
A regra também determina padrões para embalagem, acondicionamento e rotulagem, com identificação do lote, categoria, calibre e origem do produto.
Parlamentares pleiteiam suspensão das normas
O deputado federal Pezenti (MDB-SC) apresentou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para suspender os efeitos da portaria do Mapa. Na avaliação do parlamentar, a medida pode inviabilizar a atividade para pequenos produtores, principalmente da agricultura familiar.
Na mesma linha, a deputada federal Daniela Reinehr (PL-SC) também protocolou um PDL na Câmara dos Deputados.
Santa Catarina é o sexto maior produtor de morangos do país e se destaca pelo uso de tecnologia, uma vez que a maior parte do cultivo é semi-hidropônico. Além de reduzir pragas, o sistema facilita o manejo e garante frutos de qualidade.
Segundo o Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), após quase dez anos de retração na área cultivada de pera, o Paraná registrou o plantio de 20 novos hectares entre 2023 e 2024 e se consolidou como o terceiro maior produtor nacional da fruta.
Atualmente, a região metropolitana de Curitiba concentra 70% da produção e do Valor Bruto da Produção (VBP) da fruta no estado, tendo o município de Araucária como principal polo difusor. No entanto, há produção em 73 municípios.
O Rio Grande do Sul (47,6%), Santa Catarina (31,2%), Paraná (10,7%), Minas Gerais (7,0%) e São Paulo (3,4%) concentram a totalidade das colheitas do país.
Informações levantadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2024 indicam que a pera foi cultivada em 996 hectares e foi a 22ª fruta em volumes colhidos, 14,5 mil de toneladas, e a 23ª em Valor Bruto da Produção (VBP) da fruticultura nacional, com R$ 60,9 milhões.
Considerando a variação de preços da fruta apontada pelo Deral no mercado atacadista, a pera nacional comum está cotada em R$ 3,50/kg, enquanto a variedade Yari chega a R$ 7,00/kg. Na região da capital, a pera esteve mais valorizada. No ano passado, na Ceasa de Curitiba, foram transacionadas 5,4 mil t de peras a um preço médio de R$ 8,10/kg.
“No momento, com os pomares em plena colheita, os preços tendem a se manter equilibrados, com oferta dos pomares paranaenses e catarinenses. Somente as peras importadas é que destoam. As da Argentina, por exemplo, estão precificadas a R$ 10 o quilo”, explica o engenheiro agrônomo do Deral, Paulo Andrade.
A decisão anunciada pelo governo federal, nesta quinta-feira (12), na prática, uma tentativa de proteger o Brasil dos efeitos da guerra no mercado internacional de energia. Ao editar uma Medida Provisória que zera o PIS/Cofins do diesel, o objetivo é direto: impedir que a disparada do petróleo lá fora vire inflação aqui dentro.
E isso tem uma razão simples. No Brasil, o diesel move praticamente tudo. Move caminhão, move trator, move a comida que sai do campo e chega à mesa. Se o diesel disparar, o frete sobe, e quando o frete sobe, o preço da comida sobe junto. Por isso, segurar o diesel virou prioridade.
Quando o diesel sobe, o frete dispara, e o primeiro lugar onde isso aparece é no preço da comida.
Mas é importante entender um ponto que preocupa quem está no campo: essa medida ajuda no frete interno, mas não resolve todos os impactos da alta do petróleo. O petróleo mais caro também encarece fertilizantes, defensivos e o frete marítimo que traz esses insumos ao Brasil. Ou seja, mesmo com o diesel protegido aqui dentro, parte do aumento de custos continua chegando à porteira do produtor. No entanto, vale ressaltar: não existe almoço grátis.
A renúncia fiscal com essa isenção pode chegar perto de R$ 30 bilhões. Para cobrir esse buraco, o governo decidiu buscar recursos onde o ganho está maior neste momento: nas exportações de petróleo bruto. A ideia é tributar parte do lucro extraordinário das petroleiras, que estão se beneficiando da alta internacional do barril.
Na prática, trata-se de transferir uma parte desse ganho para aliviar o custo de quem depende do diesel no Brasil.
O governo tenta transformar o lucro extraordinário do petróleo em proteção contra a inflação.
O ponto mais importante da medida é que ela não foi pensada como política permanente. Funciona mais como um amortecedor temporário, criado para atravessar um período de turbulência internacional.
Além disso, o governo tentou evitar um problema clássico desse tipo de medida: o desconto desaparecer no meio do caminho. A subvenção só será liberada se as empresas comprovarem que a redução chegou de fato ao preço final do combustível.
Agora começa a parte mais difícil: fiscalizar.
De nada adianta o governo abrir mão de receita se o desconto ficar retido entre distribuidoras e postos. O sucesso da medida vai depender de duas coisas: quanto tempo essa crise internacional vai durar e da capacidade do Estado de garantir que o alívio chegue à bomba.
Se o desconto não chegar à bomba, o subsídio vira apenas mais um custo para o contribuinte.
Se funcionar, o impacto pode ser relevante: menos pressão sobre o frete, menos pressão sobre os alimentos e um respiro para a inflação.
Se não funcionar, será apenas mais um subsídio caro, pago pelo contribuinte, que não chegou a quem realmente precisava.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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