terça-feira, março 24, 2026

Autor: Redação

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Único furacão registrado no Brasil deixou mortos e 26 mil desabrigados; relembre o caso


Furacão Catarina
Foto: Arquivo / Defesa Civil SC

Há 22 anos, em 27 de março de 2004, o furacão Catarina atingiu o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, marcando a história como o único furacão já registrado oficialmente no país e em todo o Atlântico Sul.

Classificado como categoria 2 na escala Saffir-Simpson, o fenômeno apresentou ventos que chegaram a 155 km/h. De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, 11 pessoas morreram e mais de 26 mil ficaram desabrigadas ou desalojadas.

“Lembrando que o furacão mais forte já registrado foi o Allen em 31 de julho de 1980, onde os ventos chegaram na casa dos 305 km/h”, destacou o meteorologista, Arthur Müller.

Fenômeno raro e atípico

Segundo o meteorologista, furacões são tempestades tropicais que se formam, em geral, sobre águas quentes e são mais comuns no Atlântico Norte e no Pacífico. No caso do furacão Catarina, a formação foi considerada atípica e ainda gera debates na comunidade científica.

O sistema teve origem como um ciclone extratropical, fenômeno comum no Sul do Brasil, mas ao avançar sobre o oceano, encontrou condições específicas que permitiram sua intensificação e transformação em um furacão.

“Os ventos alcançaram velocidade acima de 154 km/h, segundo a escala Saffir Simpson, que mede justamente esse vento consistente”, destaca Müller.

Diferença entre furacões, ciclone e tufões

Segundo Müller, tempestades tropicais como furacões, tufões e ciclones são, na essência, o mesmo tipo de sistema, diferenciados apenas pelo oceano onde se formam. No Oceano Índico, recebem o nome de ciclones; no Pacífico Oeste, são chamados de tufões; e no Atlântico Norte e Pacífico Leste, de furacões.

Furacão
Foto: reprodução/Planeta Campo

Esses fenômenos se desenvolvem, em geral, em regiões próximas à linha do Equador, onde as águas mais quentes funcionam como combustível para sua formação e intensificação.

Já os ciclones extratropicais, comuns no Sul do Brasil, têm origem diferente. Eles se formam a partir do encontro entre massas de ar quente e frio, o que gera instabilidade, ventos intensos e volumes elevados de chuva.

Condições que favoreceram a formação

Entre os fatores que contribuíram para o surgimento do Catarina estão águas do oceano mais aquecidas do que o normal e condições atmosféricas específicas.

Diferentemente dos ciclones extratropicais, que se formam pelo encontro de massas de ar quente e frio, os furacões dependem principalmente do calor do oceano para se intensificar.

De acordo com Müller, pelas imagens de satélite, o fenômeno apresentava características típicas de um furacão, como o “olho” bem definido e a organização circular da tempestade. No entanto, ao contrário dos furacões clássicos, que possuem núcleo quente, o Catarina tinha núcleo frio, o que o tornava um evento atípico.

Especialistas apontam que eventos como esse podem estar relacionados a mudanças climáticas. Até hoje, o episódio levanta debates, justamente por se tratar de um fenômeno raro e incomum na região do Atlântico Sul.

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Preços mistos marcam negociações no Brasil com apoio dos prêmios


soja
Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja apresentou movimentos pontuais ao longo desta terça-feira, com melhores oportunidades voltadas para maio e registros isolados de negócios nos portos também para 2027. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o comportamento geral foi de preços mistos, influenciado por oscilações opostas entre a Bolsa de Chicago e o dólar, ainda que com variações limitadas.

De acordo com o analista, os prêmios vêm ganhando força e têm favorecido oportunidades no curto prazo. As oscilações de bolsa e câmbio foram praticamente opostas, mas pequenas, enquanto os prêmios ajudaram a viabilizar algumas negociações.

Além disso, produtores com maior necessidade de escoamento e geração de caixa têm atuado de forma mais ativa no mercado. Esse movimento contribui para a redução dos spreads entre compradores e vendedores, permitindo a realização de negócios pontuais.

No mercado físico brasileiro, os preços apresentaram variações entre as principais praças:

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 124,50 para R$ 125,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 125,50 para R$ 126,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 119,00 para R$ 120,00
  • Rondonópolis (MT): permaneceu em R$ 109,00
  • Dourados (MS): desceu de R$ 112,00 para R$ 111,00
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 112,00 para R$ 110,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 130,00 para R$ 131,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 130,50 para R$ 131,00

Soja em Chicago

No cenário internacional, os contratos futuros da soja encerraram o dia em baixa na Bolsa de Chicago, em uma sessão marcada por forte volatilidade e atenção dos agentes ao conflito no Oriente Médio.

Ao final do pregão, prevaleceu um movimento de vendas baseado em fatores técnicos. A maior aversão ao risco no mercado financeiro e a valorização do dólar, que reduz a competitividade da soja americana, pressionaram as cotações, apesar dos ganhos registrados no petróleo.

O aumento nos preços dos fertilizantes também segue no radar do mercado. A elevação dos custos de produção pode impactar o plantio da próxima safra nos Estados Unidos, elevando a expectativa em torno do relatório de intenção de plantio do USDA, previsto para o dia 31.

Antes do conflito, a sinalização era de aumento na área destinada à soja e redução para o milho. Agora, o mercado também acompanha as condições climáticas, com previsões de início de temporada chuvoso, o que pode atrasar o plantio do milho e favorecer a expansão da área da oleaginosa.

Entre os subprodutos, o óleo de soja manteve trajetória positiva, sustentado pela alta do petróleo e pela expectativa de anúncios da Casa Branca relacionados à política de biocombustíveis.

Contratos futuros da soja

Na Bolsa de Chicago, os contratos com entrega em maio fecharam com queda de 8,50 centavos de dólar, ou 0,73%, a US$ 11,55 por bushel. A posição julho recuou 7,50 centavos de dólar, ou 0,63%, para US$ 11,71 1/2 por bushel.

No farelo, o contrato de maio caiu US$ 4,20, ou 1,28%, para US$ 322,40 por tonelada. Já o óleo de soja, também com vencimento em maio, subiu 0,15 centavos de dólar, ou 0,22%, para 65,73 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,24%, cotado a R$ 5,2543 para venda e R$ 5,2523 para compra. Ao longo da sessão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,2432 e a máxima de R$ 5,2797.

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Mercado de açúcar registra avanço no mês de março, aponta Cepea


Açúcar em cubos
Foto: Açúcar/Divulgação

O valor do açúcar cristal branco reagiu nas última semana. De acordo com o Cepea, os preços voltaram a superar os R$ 100,00/saca de 50 kg.

No caso do da exportação do adoçante tipo demerara, as cotações tiveram crescentes pela segunda semana seguida, tornando a venda para fora mais vantajosa que a comercialização interna, fato que não ocorria desde 2025.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os valores do demerara chegaram a números recordes. Segundo pesquisadores, o avanço decorre por conta dos conflitos travados no Oriente Médio, que tem causado uma subida no mercado petrolífero.

Na avaliação do Cepea, no longo prazo, as projeções de superávit na safra 2026/27 mundial tendem segurar avanços maiores nos preços externos. Apesar da margem excedente ter diminuído, as perspectivas são de boas colheitas no Brasil, Índia e Tailândia. Com isso, o cenário indica uma oferta acima do consumo.

*Sob supervisão de Beatriz Gunther

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Escassez de fertilizantes exige ajustes na pecuária, afirma especialista


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

O cenário geopolítico global, marcado pelos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, trouxe um desafio direto para a porteira do pecuarista brasileiro: a escassez e o encarecimento dos fertilizantes.

O engenheiro agrônomo Wagner Pires, embaixador de conteúdo do Giro do Boi e autor do livro “Pastagem Sustentável de A a Z”, alerta que o momento não é de abandonar a adubação, mas de investir com inteligência técnica para manter a eficiência produtiva sem comprometer a margem de lucro.

A instabilidade no mercado de petróleo impacta diretamente a ureia, elevando o custo do nitrogênio. Wagner Pires sugere três caminhos estratégicos para contornar os preços altos, ressaltando a importância de ajustes no manejo.

Confira:

A importância da correção de solo

Apesar da crise internacional, nem todos os insumos sofreram o mesmo impacto. Wagner Pires reforça que a base da correção de solo deve ser mantida: “Se o combustível está caro, tire o pé do acelerador, ajuste a quantidade de bocas no pasto e foque na correção de base (calagem)”, afirma o especialista.

Essa estratégia garante que, quando o mercado de fertilizantes estabilizar, o solo estará quimicamente equilibrado para responder rapidamente aos estímulos.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Aprovação provisória do acordo Mercosul-UE anima exportadores na Fruit Attraction


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Fruit Attraction São Paulo se consolida como uma das principais feiras do setor de frutas

A aprovação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia já repercute entre exportadores de frutas que visitam a Fruit Attraction São Paulo, evento que ocorre entre terça-feira (24) e quinta (26), na São Paulo Expo.

No geral, o setor avalia que a redução de tarifas deve melhorar a competitividade do país em um dos principais mercados de destino. Cerca de 70% das exportações brasileiras de frutas têm como destino a União Europeia.

Para Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o impacto será direto em algumas culturas e gradual em outras, o que abre espaço para planejamento por parte dos produtores.

“No caso da uva, a tarifa vai a zero imediatamente, o que melhora a competitividade. Já para frutas como melão, melancia e limão, a redução será ao longo de até sete anos”, afirma. Segundo ele, isso traz previsibilidade ao produtor.

A avaliação de Coelho também ocorre em um momento de mudanças na Abrafrutas, que passará a ser presidida por Waldyr Promicia. A cerimônia de posse da nova diretoria acontecerá durante a Fruit Attraction São Paulo, nesta quarta-feira (25).

Competitividade e preparo do setor

De acordo com Coelho, o Brasil já atende às exigências internacionais, especialmente em critérios ambientais e sociais. “Nós já somos auditados pelos mais rigorosos certificados. O país está preparado para atender mercados exigentes como o europeu”, afirma.

Essa também é a análise de Renato Giosa Miralla, sócio e administrador da MBR Company, empresa responsável por exportar mais de 18 frutas brasileiras. “O Brasil tem produção em alto nível e consegue atender diferentes mercados”, diz.

Apesar de ser o terceiro maior produtor de frutas do mundo, o Brasil ainda busca ampliar sua participação no mercado internacional. Para o executivo, o acordo com a União Europeia pode contribuir para esse avanço. “É um marco importante”, observa Miralla.

Expectativa com a Fruit Attraction

Com a expectativa de atrair mais de 18 mil visitantes até a próxima quinta-feira (26), a Fruit Attraction São Paulo está em sua terceira edição e se consolida como a maior feira voltada ao setor de frutas e hortaliças do Hemisfério Sul.

A estimativa dos organizadores é que o evento gere entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão em negócios em três dias. São 500 marcas expositoras e o público é diverso: ao caminhar pelos estandes, é possível ouvir uma infinidade de sotaques, que passam pelo Nordeste do Brasil, pela América do Sul e pela Europa.

Para o presidente da Abrafrutas, a feira vem ganhando relevância no país e se consolidando como ponto de encontro entre produtores e compradores internacionais.

“A feira cresce a cada edição e mostra a força da fruticultura brasileira. Esse ambiente ajuda a potencializar negócios, principalmente com esse novo cenário de mercado”, afirma.

Além disso, segundo Coelho, foi firmado um entendimento entre os organizadores para a realização da feira pelos próximos anos, o que dá mais segurança ao setor. “Isso é importante para toda a cadeia, não só para o produtor, mas para quem está no entorno, como embalagem, logística e serviços”, diz.

Na mesma linha, Miralla avalia que a feira segue trajetória semelhante à da edição de Madri, que ganhou escala ao longo dos anos.

“É uma feira que vem crescendo e ganhando relevância. O Brasil passa a ser visto como um ponto estratégico, tanto para produtores quanto para compradores”, ressalta.

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Exportações de soja em março devem superar 16 milhões de t


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Foto: Ivan Bueno/AnP

O line-up de exportações nos portos brasileiros aponta para um forte ritmo de embarques de soja em março. Segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado, estão programadas 16,703 milhões de toneladas para o mês, volume superior ao registrado em março do ano passado, quando as exportações somaram 15,994 milhões de toneladas.

Para os próximos meses, a programação segue robusta. Em abril, a previsão é de embarque de 10,513 milhões de toneladas, enquanto para maio estão estimadas mais 184 mil toneladas. Em fevereiro, o line-up indicava 8,873 milhões de toneladas.

No acumulado de janeiro a maio de 2026, a projeção é de embarque de 38,719 milhões de toneladas. Como comparação, dados da Secex mostram que, entre janeiro e março de 2025, o Brasil exportou 22,155 milhões de toneladas de soja, reforçando o ritmo aquecido das exportações neste início de ano.

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AgroNewsPolítica & Agro

Soja, milho e café puxam safra paulista 2025/26


A safra agrícola 2025/26 de São Paulo começa com perspectiva de crescimento em importantes culturas, segundo levantamento divulgado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Os dados foram consolidados pelo Instituto de Economia Agrícola e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, e indicam avanço na produção de grãos e café, enquanto laranja e cana-de-açúcar registram retração em área e produção.

De acordo com o levantamento, a produção de milho na primeira safra deve alcançar 2,01 milhões de toneladas, alta de 38% em relação ao ciclo anterior. O resultado é atribuído ao aumento da área plantada, estimado em 23,1%, e à elevação da produtividade média, projetada em 7.469 kg por hectare, crescimento de 12,2%. A produção está concentrada em regiões que respondem por 58,6% do total estadual.

A soja também apresenta expansão, com estimativa de produção de 4,57 milhões de toneladas, avanço de 11%. O desempenho é impulsionado por uma produtividade de 3.663 kg por hectare, com destaque para a região de Itapeva, responsável por quase 19% do volume esperado. As regionais de Itapeva, Assis e Ourinhos concentram 39,7% da produção prevista no estado.

No café, o primeiro levantamento da safra 2025/26 indica produção de 4,7 milhões de sacas de 60 quilos. Mesmo com redução de 0,9% na área cultivada, a produtividade deve crescer 5,7%. A região de Franca responde por mais de 57% da produção estadual, com cerca de 2 milhões de sacas, enquanto São João da Boa Vista participa com 1,1 milhão de sacas, equivalente a 23,6% do total.

Os dados também consolidam os números finais da safra 2024/25 para culturas destinadas à indústria. A produção de laranja somou 268,7 milhões de caixas, com produtividade de 30.965 kg por hectare, alta de 2,8%, mas com redução de 9,5% na área cultivada. “O resultado é reflexo direto da alta incidência de greening, principal doença que atinge a cadeia produtiva mundialmente, além das variações climáticas”, informa o relatório.

Já a cana-de-açúcar registrou produção de 390,9 milhões de toneladas, queda de 4,6% em relação ao ciclo anterior. A área plantada recuou 4,8%, totalizando 5,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade teve leve aumento de 0,5%, alcançando 78.057 kg por hectare. Segundo o levantamento, a cultura está distribuída em praticamente todas as regionais da CATI, com destaque para São José do Rio Preto, Barretos e Ribeirão Preto.

O levantamento foi realizado entre novembro e dezembro de 2025, com participação de técnicos das Casas de Agricultura nos 645 municípios paulistas. As informações consideram os principais produtos do Valor da Produção Agropecuária Paulista, com base em dados de área, produção e produtividade.





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Custo com importação de fertilizantes sobe 20% em março, aponta levantamento


Imagem gerada por IA para o Canal Rural

As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a pressionar a cadeia global de fertilizantes, elevando custos e trazendo incertezas para o produtor rural.

Além do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, o mercado ainda sofre os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia e das disputas comerciais entre grandes potências.

O impacto já chega ao campo: com risco de desabastecimento e preços mais altos, produtores adotam postura mais cautelosa nas compras.

Produtor paga mais caro por menos fertilizante

O Brasil deve encerrar março com cerca de 7 milhões de toneladas importadas, frente a quase 7,9 milhões no mesmo período de 2025, uma queda de aproximadamente 11% no volume.

Apesar disso, o desembolso subiu de US$ 2 bilhões para US$ 2,4 bilhões, um aumento de cerca de 20% nos gastos.

Na prática, o produtor está pagando mais por menos produto, combinação que pressiona diretamente as margens.

Preço por tonelada dispara e volta a preocupar

O custo médio por tonelada também reforça esse cenário.

Em março de 2025, o preço girava em torno de US$ 311 por tonelada. Em 2026, já alcança cerca de US$ 382, alta de aproximadamente 23% em um ano.

Se comparado a 2024, quando os preços estavam próximos de US$ 309 por tonelada, o aumento já passa de 20%.

O movimento interrompe uma trajetória de queda após o pico de 2022, quando os fertilizantes chegaram a cerca de US$ 671 por tonelada.

Ritmo de importação cai

O ritmo diário de importação também recuou. Em março de 2026, a média está em cerca de 118 mil toneladas por dia, contra 137 mil no mesmo período do ano passado, redução de aproximadamente 14%.

O dado indica menor apetite de compra por parte do produtor, reflexo direto dos preços elevados e da incerteza no mercado.

O histórico recente mostra uma desaceleração clara nas importações:

  • 2023 → 2024: crescimento de cerca de 10%
  • 2024 → 2025: alta menor, entre 3% e 4%
  • 2025 → 2026: tendência de estagnação ou queda

Esse movimento sinaliza uma mudança de comportamento no campo, com produtores mais seletivos e focados em reduzir custos.

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Vírus Oropouche já infectou mais de 5 milhões de pessoas no Brasil, aponta estudo


Culicoides paraensis
Foto: Coleção de Ceratopogonidae do IOC/Fiocruz

O recente surto do vírus Oropouche, ocorrido em 2023, chamou atenção no Brasil e em outros países da América Latina não só pela magnitude (mais de 30 mil casos registrados no território nacional), mas também pela primeira morte confirmada no país causada pela doença e pela rápida disseminação para todos os estados, deixando de se restringir à região amazônica.

Diante desse cenário, no início do ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também demonstrou preocupação e fez um apelo para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de prevenção e controle contra esse patógeno, até então quase desconhecido.

Dois estudos publicados nesta terça-feira (24) nas revistas Nature Medicine e Nature Health comprovaram que o impacto do vírus Oropouche é muito maior do que o retratado nos dados oficiais.

Por meio de cálculos matemáticos, dados históricos e análise de sangue de hemocentros, os pesquisadores estimam que, desde 1960, o vírus já tenha infectado cerca de 9,4 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe. Só no Brasil, seriam aproximadamente 5,5 milhões de casos.

Sintomas

A doença, que provoca febre e sintomas semelhantes aos da dengue, pode evoluir para complicações graves, incluindo problemas neurológicos (meningite e meningoencefalite) e até microcefalia em casos de transmissão materno-fetal.

“Estimamos que um em cada mil diagnósticos da doença evolua para complicações graves, como doenças neurológicas, microcefalia, abortos e complicações hepáticas, o que eleva o nível de prioridade para saúde pública”, destaca o coordenador do Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (Leve) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Luiz Proença Módena.

Circulação

Os pesquisadores detectaram que o vírus Oropouche está em circulação contínua, embora muitas vezes em níveis tão baixos que se tornam quase indetectáveis pelos sistemas de vigilância comuns. “No trabalho, identificamos duas grandes ondas de Oropouche na capital amazonense, uma na década de 1980 e a de 2023, que infectaram, cada uma, mais de 12% de sua população”, diz Módena.

A partir desse rastreamento, os pesquisadores também identificaram que indivíduos infectados na década de 1980 ainda eram capazes de neutralizar a linhagem viral recente.

Um vírus do mato

A reemergência do vírus Oropouche em 2023 confirmou sua expansão pelo país. O Espírito Santo apresentou a maior taxa acumulada, com 318 casos por 100 mil habitantes. Já a região Sudeste concentrou 57,9% das notificações, tornando-se o novo epicentro da doença.

Diferentemente de outras arboviroses mais conhecidas, ele é transmitido pelo mosquito-pólvora, porvinha ou maruim (Culicoides paraensis), o que faz com que a incidência da doença em áreas rurais seja 11 vezes maior do que nas cidades.

“Ao contrário do Aedes aegypti [mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya], que se reproduz em água parada, o maruim deposita seus ovos em solo úmido e rico em matéria orgânica. É um mosquito do mato, de áreas úmidas. Por isso, a predominância de casos em áreas rurais e não urbanas”, explica o professor da Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, William de Souza.

De acordo com Souza, historicamente, essa doença estava muito ligada a áreas com plantação de banana e cacau, mas ao estudar a ecologia do vírus identificamos que a questão não é a fruta em si, mas a condição ideal de solos úmidos e com bastante matéria orgânica.

Altas temperaturas e chuvas também são condições propícias para a disseminação do maruim

“O combate à doença se torna muito diferente das outras arboviroses transmitidas por mosquitos, que são mais urbanos. Estratégias como a fumigação em praças e ruas asfaltadas são provavelmente pouco úteis contra o Oropouche. O maruim não vive nos ralos das casas, mas na umidade das áreas florestais e na vegetação periférica das cidades”, explica Souza.

Manaus, epicentro da crise

Em Manaus (AM), a maior metrópole da região amazônica, estima-se que 300 mil pessoas tenham sido infectadas entre 2023 e 2024, quase 260 vezes mais que os casos confirmados.

De acordo com os pesquisadores, a prevalência de anticorpos contra o vírus saltou de 11,4% em novembro de 2023 para 25,7% em novembro de 2024, indicando ampla disseminação da doença.

“A capital do Amazonas é uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes e considerada a porta de entrada para a região amazônica. A subnotificação ocorreu por vários fatores, principalmente pelo fato do vírus ter circulado silenciosamente antes de atingir as bordas do centro urbano, com muitos casos sendo assintomáticos ou leves, e sem diagnóstico”, explica Souza.

Essa dinâmica ajuda a explicar a disseminação do vírus por todos os estados brasileiros e países vizinhos, além de reforçar o cenário que motivou a OMS a emitir alerta internacional.

Já no caso de pacientes em regiões remotas da Amazônia, os pesquisadores destacam a dinâmica e a logística da região.

“Pacientes em regiões remotas da Amazônia muitas vezes enfrentam tempos de viagem de mais de 24 horas para chegar a uma unidade de saúde. Isso significa que muitos casos provavelmente não foram diagnosticados, permitindo que o vírus circulasse silenciosamente até atingir a borda de um grande centro urbano”, afirma Souza.

Morfologia

Outra característica importante do maruim é que ele é três vezes menor que um pernilongo comum, tamanho ideal para atravessar mosquiteiros. Porém a razão por trás dessa reemergência agressiva não está apenas no clima, mas em uma nova recombinação viral (reassortment).

Controle

No trabalho, os pesquisadores também identificaram a emergência de uma nova linhagem viral, resultado de um processo de rearranjo ou reassortimento genético que ocorre quando dois vírus diferentes infectam uma mesma célula.

“A reemergência do Oropouche nos mostra que não podemos combater todas as arboviroses com a mesma receita, pois o maruim não segue as mesmas regras do Aedes“, diz Módena.

Para ele, embora a imunidade de longo prazo pareça existir para quem já foi infectado, a velocidade com que o vírus se expandiu por todos os estados brasileiros mostra que o sistema de saúde precisa de novos sistemas de detecção, focados, inclusive, na vigilância distante dos grandes centros.

Os pesquisadores ressaltam a necessidade de mudanças estruturais, como a adoção de estudos sorológicos contínuos, o uso de bancos de sangue como alerta precoce e a integração de ferramentas digitais e genômicas para acompanhar surtos e mutações.

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Inovação no couro: tecnologia reduz uso de ágia e insumos e muda padrão da indústria


couro
Foto: JBS/divulgação

A JBS Couros anunciou uma nova tecnologia que promete transformar o processo de curtimento e elevar o padrão de sustentabilidade na indústria do couro. Batizada de Savetan, a solução foi desenvolvida pela marca Kind Leather e já apresenta resultados expressivos na redução do uso de recursos naturais.

O novo modelo atua na etapa de curtimento, considerada uma das mais críticas no processamento do couro. A tecnologia melhora a fixação do cromo — mineral essencial para garantir resistência e durabilidade ao material — e aumenta a eficiência do processo.

Na prática, os ganhos ambientais são significativos, de acordo com a empresa:

  • Economia de até 16 litros de água por pele
  • Redução de 15% no uso de insumos químicos
  • Corte de 65% no lodo e no cromo residual
  • Queda de 52% no consumo de energia térmica
  • Redução de 42% na aplicação de sal

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Os dados reforçam o potencial da inovação para diminuir o impacto ambiental sem comprometer a qualidade do couro final.

Inovação já está em operação no Brasil

A tecnologia Savetan já está em funcionamento em três unidades da empresa:

  • Pedra Preta (MT)
  • São Luís de Montes Belos (GO)
  • Nova Andradina (MS)

A estratégia da companhia prevê a expansão gradual do modelo, com a meta de alcançar 100% das unidades de curtume até o final de 2026.

Sustentabilidade aliada à eficiência

Segundo Ramon Torres, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, o avanço representa uma mudança concreta no setor.

“O Savetan muda de verdade a forma como a gente trabalha o curtimento. Ele deixa o processo mais simples, eficiente e com mais controle, refletindo diretamente na qualidade do couro.”

Além do ganho operacional, a tecnologia se alinha à crescente demanda global por práticas mais sustentáveis e transparentes na cadeia produtiva.

Para Kim Sena, diretor de sustentabilidade da JBS, a inovação marca um novo momento para o setor.

“Ao integrar eficiência operacional com preservação de recursos, entregamos ao mercado um produto alinhado aos limites do planeta.”

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