Único furacão registrado no Brasil deixou mortos e 26 mil desabrigados; relembre o caso

Há 22 anos, em 27 de março de 2004, o furacão Catarina atingiu o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, marcando a história como o único furacão já registrado oficialmente no país e em todo o Atlântico Sul.
Classificado como categoria 2 na escala Saffir-Simpson, o fenômeno apresentou ventos que chegaram a 155 km/h. De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, 11 pessoas morreram e mais de 26 mil ficaram desabrigadas ou desalojadas.
“Lembrando que o furacão mais forte já registrado foi o Allen em 31 de julho de 1980, onde os ventos chegaram na casa dos 305 km/h”, destacou o meteorologista, Arthur Müller.
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Fenômeno raro e atípico
Segundo o meteorologista, furacões são tempestades tropicais que se formam, em geral, sobre águas quentes e são mais comuns no Atlântico Norte e no Pacífico. No caso do furacão Catarina, a formação foi considerada atípica e ainda gera debates na comunidade científica.
O sistema teve origem como um ciclone extratropical, fenômeno comum no Sul do Brasil, mas ao avançar sobre o oceano, encontrou condições específicas que permitiram sua intensificação e transformação em um furacão.
“Os ventos alcançaram velocidade acima de 154 km/h, segundo a escala Saffir Simpson, que mede justamente esse vento consistente”, destaca Müller.
Diferença entre furacões, ciclone e tufões
Segundo Müller, tempestades tropicais como furacões, tufões e ciclones são, na essência, o mesmo tipo de sistema, diferenciados apenas pelo oceano onde se formam. No Oceano Índico, recebem o nome de ciclones; no Pacífico Oeste, são chamados de tufões; e no Atlântico Norte e Pacífico Leste, de furacões.

Esses fenômenos se desenvolvem, em geral, em regiões próximas à linha do Equador, onde as águas mais quentes funcionam como combustível para sua formação e intensificação.
Já os ciclones extratropicais, comuns no Sul do Brasil, têm origem diferente. Eles se formam a partir do encontro entre massas de ar quente e frio, o que gera instabilidade, ventos intensos e volumes elevados de chuva.
Condições que favoreceram a formação
Entre os fatores que contribuíram para o surgimento do Catarina estão águas do oceano mais aquecidas do que o normal e condições atmosféricas específicas.
Diferentemente dos ciclones extratropicais, que se formam pelo encontro de massas de ar quente e frio, os furacões dependem principalmente do calor do oceano para se intensificar.
De acordo com Müller, pelas imagens de satélite, o fenômeno apresentava características típicas de um furacão, como o “olho” bem definido e a organização circular da tempestade. No entanto, ao contrário dos furacões clássicos, que possuem núcleo quente, o Catarina tinha núcleo frio, o que o tornava um evento atípico.
Especialistas apontam que eventos como esse podem estar relacionados a mudanças climáticas. Até hoje, o episódio levanta debates, justamente por se tratar de um fenômeno raro e incomum na região do Atlântico Sul.
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