sexta-feira, março 20, 2026

Autor: Redação

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Boi gordo sobe com oferta restrita e dificuldade nas escalas de abate


Reprodução Canal Rural

A dificuldade de composição das escalas de abate segue impactando o mercado do boi gordo no Brasil e sustentando a alta dos preços. O cenário é marcado por uma oferta ainda restrita de animais terminados no curto prazo, o que mantém o mercado firme ao longo de março.

De acordo com a analista da Datagro, Beatriz Bianchi, as escalas chegaram a apresentar uma leve reação na última semana, mas voltaram a recuar nos últimos dias. O comportamento está diretamente ligado às condições climáticas. “As chuvas até a metade de março surpreenderam positivamente e contribuíram para uma maior retenção do gado no pasto, além de favorecer a capacidade de suporte das pastagens”, explica.

No mercado interno, o consumo de carne bovina ainda se mostra resiliente. No entanto, já há sinais de maior sensibilidade do consumidor diante dos preços elevados. Mesmo com a carcaça casada no atacado paulista em patamares altos, foram observados recuos recentes, refletindo a dificuldade de absorção de preços mais elevados. “Isso sugere uma maior sensibilidade do consumidor brasileiro a cotações muito altas da carne bovina, além da competitividade de proteínas concorrentes, como carne suína e de frango”, afirma a analista.

O mercado externo segue como um dos principais pilares de sustentação. As parciais de março indicam crescimento tanto no volume exportado quanto na valorização da tonelada embarcada. “O mercado externo tem sido extremamente importante para essa sustentação, com avanço no volume exportado e na valorização da tonelada”, conclui Beatriz Bianchi.

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AgroNewsPolítica & Agro

Outono inicia com calor intenso no Sul e Centro-Oeste


O Instituto Nacional de Meteorologia informou que, a partir de sexta-feira (20), as temperaturas máximas devem subir no oeste de Mato Grosso do Sul e nos estados do Sul do Brasil, com persistência ao longo do fim de semana.

Segundo a análise, as áreas mais afetadas serão Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. “As áreas mais afetadas pelo calor deverão ser o Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, com valores de temperaturas máximas que devem chegar aos 38°C na sexta-feira (20) e no sábado (21), ultrapassando a média climatológica para o período nos locais citados”, aponta o instituto. Ainda de acordo com o órgão, “pontualmente, algumas cidades podem registrar temperaturas máximas de 5°C acima da média para o período, especialmente, no noroeste e oeste do Rio Grande do Sul”.

O Inmet destaca que, entre sábado (21) e domingo (22), a atuação de instabilidades deve provocar alívio temporário. “Entre sábado (21) e domingo (22), a atuação de instabilidades deve amenizar temporariamente o calor nessas regiões. No entanto, a partir de segunda-feira (23), as temperaturas voltam a subir, com retorno das condições de calor ainda mais intenso”, informa.

Conforme o instituto, a previsão para segunda-feira (23) indica temperaturas elevadas em áreas do oeste do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso do Sul. “Áreas em tons de vermelho mais intenso indicam onde as temperaturas máximas deverão ficar entre 36°C e 38°C no oeste do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul”, registra o relatório.

A condição meteorológica é associada à atuação de um sistema de alta pressão. “A formação e permanência de um sistema de alta pressão nos médios e altos níveis da atmosfera, centrada entre o Mato Grosso do Sul e sul do Brasil ao longo dos próximos dias (especialmente entre os dias 20 e 23 de março), inibe a formação de nuvens nestas regiões. Com a maior incidência de radiação solar, a tendência é de intensificação do aquecimento nestas áreas”, aponta o Inmet.

Apesar da elevação das temperaturas, o instituto não caracteriza o fenômeno como onda de calor. “Como a posição do centro deste sistema oscila ao longo dos dias e a disponibilidade de umidade fica restrita às regiões de sua borda, esta condição não irá configurar uma onda de calor, pois pancadas isoladas de chuva podem ocorrer eventualmente, amenizando a sensação de calor momentaneamente”, conclui.





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Ex-secretário-geral da ABCZ, Luiz Roberto Fortes Furtado morre aos 91 anos


Luiz Roberto Fortes
Foto: divulgação/ABCZ

Luiz Roberto Fortes Furtado morreu nesta quinta-feira (19), aos 91 anos. Associado à Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) desde 1962, ele foi secretário-geral da entidade na gestão de Edilson Lamartine Mendes, entre 1966 e 1968.

Além de sua atuação na pecuária, Luiz Roberto construiu uma sólida carreira na área da engenharia, com décadas de experiência profissional. De acordo com a revista O Empreiteiro, foi pioneiro na execução de edificações com o uso de pré-moldados de concretos.

Luiz Roberto Fortes Furtado integrava uma família com atuação relevante em iniciativas voltadas ao desenvolvimento de Uberaba, em Minas Gerais.

Entre os marcos está a criação da antiga Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro (FMTM), atual Universidade Federal do Triângulo Mineiro. O pai dele, Dr. Mozart Furtado Nunes, e o tio, Allyrio Furtado Nunes, estiveram entre os fundadores da instituição.

Outro nome de destaque foi Durval Furtado Nunes, que, à frente da Associação Comercial e Industrial de Uberaba (ACIU), teve papel decisivo na articulação para a criação da faculdade, inclusive em reuniões com o então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek.

Despedida

O velório será realizado nesta sexta-feira (20), a partir das 9h30, no Cemitério São João Batista, na cidade de Rio Claro, em São Paulo. A cremação ocorrerá às 10h30, no Crematório Memorial Cidade Jardim, na mesma cidade.

Luiz Roberto deixa a esposa, Gislaine, os filhos Mozart, Ana Luiza e Regina Helena, além de três netos.

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Boi gordo sobe com oferta restrita e indústrias elevam preços no país


Boi gordo no pasto
Foto: Semagro/MS

O mercado físico do boi gordo voltou a registrar negócios acima da média nacional nesta quinta-feira, impulsionado pela oferta restrita de animais terminados. As escalas de abate seguem encurtadas, entre cinco e sete dias úteis, o que tem levado as indústrias a aumentarem os preços pagos pela arroba em diversas regiões do país.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o cenário de curto prazo ainda exige atenção. Fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, seguem no radar, assim como a evolução da demanda chinesa, principal destino da carne bovina brasileira, o que pode influenciar o fluxo de exportações ao longo do ano.

Preços no Brasil

  • São Paulo (SP): R$ 351,08 por arroba
  • Goiás (GO): R$ 338,75 por arroba
  • Minas Gerais (MG): R$ 340,29 por arroba
  • Mato Grosso do Sul (MS): R$ 338,41 por arroba
  • Mato Grosso (MT): R$ 343,38 por arroba

Atacado

No mercado atacadista, os preços apresentaram comportamento misto. A segunda quinzena do mês costuma ter consumo mais fraco, o que reduz o ritmo de reposição. Além disso, a carne bovina enfrenta maior concorrência de proteínas mais baratas, especialmente a carne de frango.

Entre os cortes, o quarto dianteiro foi cotado a R$ 20,60 por quilo, com alta de R$ 0,10. O quarto traseiro permaneceu em R$ 27,00 por quilo, enquanto a ponta de agulha recuou para R$ 18,90 por quilo, com queda de R$ 0,10.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em baixa de 0,49%, cotado a R$ 5,2171 para venda, após oscilar entre R$ 5,2021 e R$ 5,3136 ao longo da sessão.

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Soja tem dia travado no Brasil com volatilidade externa e poucos negócios


soja
Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja teve uma quinta-feira (19) de poucos negócios, com movimentações pontuais nos portos, mas sem volumes relevantes. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, o dia foi marcado por volatilidade tanto no câmbio quanto na Bolsa de Chicago, enquanto os prêmios apresentaram pouca variação.

De modo geral, houve pequenos ajustes nas cotações, ao redor de R$ 1 por saca na maior parte das praças, mas sem uma direção definida. O mercado segue com baixa liquidez, já que produtores e tradings permanecem afastados das negociações. O cenário ao longo da semana foi de pouca movimentação, refletindo a cautela dos agentes diante das incertezas externas.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 123,00 para R$ 124,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 118,00 para R$ 119,00
  • Rondonópolis (MT): permaneceu em R$ 107,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 110,00 para R$ 111,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 109,00 para R$ 110,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 129,00 para R$ 130,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 129,00 para R$ 130,00

Soja em Chicago

No cenário internacional, os contratos futuros da soja fecharam em alta na Bolsa de Chicago, sustentados pela expectativa de maior demanda por matéria-prima para biodiesel, impulsionada pela valorização do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. Ataques a instalações de energia aumentaram as preocupações com o fornecimento global, elevando o preço do petróleo Brent acima de US$ 119 por barril.

As exportações líquidas de soja dos Estados Unidos somaram 298,2 mil toneladas na semana encerrada em 12 de março para a temporada 2025/26, abaixo das expectativas do mercado. A China liderou as compras, com 79,9 mil toneladas. Para 2026/27, foram registradas mais 6,6 mil toneladas.

Contratos futuros de soja

Na CBOT, o contrato maio subiu 0,58%, fechando a US$ 11,68 1/2 por bushel, enquanto o julho avançou 0,57%, a US$ 11,83 1/4. Entre os subprodutos, o farelo teve forte alta de 3,35%, enquanto o óleo recuou levemente.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial fechou em queda de 0,49%, cotado a R$ 5,2171 para venda, após oscilar entre R$ 5,2021 e R$ 5,3136 ao longo do dia.

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Com apoio da IA, nutrição animal ganha precisão e reduz custos de produção


nutrição animal; bovinos
Foto: Embrapa

A inteligência artificial começa a ganhar espaço no agronegócio brasileiro e já auxilia produtores e técnicos na tomada de decisões mais precisas na nutrição de aves, suínos e bovinos. A tecnologia, que já faz parte de setores como medicina e logística, agora também contribui para aumentar a eficiência dentro das granjas.

Na prática, sistemas digitais analisam dados coletados diariamente nas propriedades, como consumo de ração, ganho de peso dos animais, ingestão de água, condições climáticas e qualidade dos ingredientes utilizados.

“Ela já está mudando a nutrição animal, mas é importante saber que a inteligência artificial não substitui um nutricionista, ela não faz uma ração sozinha. O principal papel dela hoje é ajudar na tomada de decisão”, aponta o zootecnista e membro da Diretoria Técnica do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), Flavio Longo.

Com base em informações como consumo de ração, ganho de peso, clima e qualidade dos ingredientes, a tecnologia identifica padrões e aponta possíveis ajustes na dieta. Com isso, produtores conseguem agir de forma mais rápida e assertiva.

Ajustes na dieta, correções de problemas de ambiência e decisões estratégicas passam a ser feitos com maior segurança, reduzindo riscos na produção.

“Em alguns casos, a inteligência artificial pode até antecipar algumas ações, como promover combinações de ingredientes de uma ração para aquela determinada região, buscando opções de formulação que consegue entregar o melhor resultado com menor custo”, destaca Flavio Longo.

Benefícios

De acordo com o zootecnista, dentre os principais benefícios estão o aumento da eficiência produtiva, a redução de desperdícios e maior previsibilidade dos resultados. Com uma nutrição mais precisa, há melhor aproveitamento dos nutrientes pelos animais, o que também contribui para diminuir o impacto ambiental da atividade.

A tendência é que o uso da inteligência artificial se amplie nos próximos anos, consolidando-se como uma aliada importante na produção.

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AgroNewsPolítica & Agro

CNA debate cenário atual e perspectivas do mercado de combustíveis


O preço e disponibilidade de diesel e o cenário atual e perspectivas do mercado de combustíveis foram discutidos, na quarta (18), durante reunião extraordinária da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O presidente Alexandre Schenkel conduziu os debates e demonstrou preocupação com o aumento dos custos de produção da cadeia de grãos, diante dos recentes conflitos geopolíticos, que têm impactado o mercado de combustíveis.

“A reunião foi convocada para alinharmos com as Federações Estaduais a situação do diesel que se tornou prioridade nas últimas semanas. A indefinição do conflito no Oriente Médio gera grande instabilidade no mercado e pode afetar nossos custos de produção por um bom tempo, disse”.

Durante a reunião, o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, fez uma apresentação sobre a disponibilidade de diesel e as ações do setor privado e do governo para conter as altas nos preços. Ele citou os ofícios que a entidade encaminhou ao Ministério da Fazenda e ao Confaz solicitando redução imediata e temporária de tributos sobre o óleo diesel, como PIS/Pasep, Cofins e ICMS.

“O governo atendeu o nosso pleito por meio da MP 1340/2026, que reduz em cerca de 32 centavos o preço por litro e ainda estabelece multas de R$ 50 mil a R$ 500 milhões para elevação abusiva de preços. Já em relação ao Confaz, que trata do ICMS, ainda não tivemos sinalização positiva”, disse Bruno.

O diretor técnico pontuou que, em reunião da Frente parlamentar da Agropecuária (FPA), foram discutidas ações para mitigar os preços do diesel e dos fertilizantes, como o aumento da mistura de biodiesel no diesel de 15% para 17%; a adequação tributária para o tratamento diferenciado para biodiesel e a redução das alíquotas do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) para zero.

“A situação do diesel é preocupante, pois vivemos um momento de intenso uso do combustível nas atividades agrícolas, inclusive no escoamento da produção. O produtor já está endividado, não consegue tomar crédito, enfrenta uma rentabilidade ruim, tudo isso em um cenário de Selic a 15%. Por isso, precisamos estar atentos e trabalhar para reduzir esses impactos no bolso do produtor”, concluiu Lucchi.

Em seguida, o analista da StoneX Thiago Vetter apresentou o cenário atual e as perspectivas do mercado de combustíveis, destacando os efeitos das tensões geopolíticas. Segundo ele, os preços do petróleo Brent estão acima de US$ 100 por barril, assim como em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia 

Thiago explicou que os conflitos no Oriente Médio têm impactado regiões estratégicas para o escoamento do petróleo, como o estreito de Ormuz, considerada a principal passagem do Golfo Pérsico, por onde passa cerca de 20% do petróleo da região.

Entre os combustíveis, o diesel foi o que registrou uma das maiores altas, chegando a US$ 4,40 por galão. De acordo com o analista, a dependência brasileira de importações do produto intensifica esse cenário, ampliando a defasagem entre os preços nacionais e internacionais. “Em uma semana, os valores do diesel subiram de R$ 6,15 para R$ 6,89, e a tendência é que continue subindo”.

Em relação ao abastecimento, Thiago Vetter informou não há risco imediato para o mês de março, uma vez que o volume estimado de diesel no país está em 1,1 bilhão de m³, suficiente para atender toda à demanda. Entretanto, abril pode ser preocupante.  “É difícil ter uma visão clara da evolução de preços. Podemos estar olhando para um evento similar ao de 2022 e o efeito dos preços seja mais prolongado”, concluiu.

Outro tema tratado na reunião foi o modelo atual de uso e acesso à biotecnologia na soja e seus impactos distintos entre as regiões produtoras.





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Soja avança na colheita no RS, mas quebra de 9,7% reduz potencial produtivo


lavoura de soja
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

A colheita da soja no Rio Grande do Sul começa a ganhar ritmo e já alcança 5% da área cultivada, segundo relatório semanal da Emater-RS divulgado nesta quinta-feira (19). A cultura se aproxima do final do ciclo, com predominância das fases de enchimento de grãos (50%) e maturação (37%).

Apesar do avanço nas lavouras, as condições climáticas seguem impactando o desempenho da safra. A irregularidade das chuvas, combinada com temperaturas elevadas, tem provocado grande variabilidade entre áreas, inclusive dentro de uma mesma região.

De acordo com a Emater, as lavouras semeadas no início da janela já estão em fase de maturação fisiológica ou em colheita. Já as áreas plantadas mais tardiamente ainda dependem de melhores condições hídricas para garantir o enchimento adequado dos grãos e a definição da produtividade.

O estresse térmico e hídrico ao longo do período reprodutivo também acelerou o ciclo das plantas, com antecipação da senescência foliar, o que resultou em perda de potencial produtivo em parte das áreas. A heterogeneidade entre lavouras permanece elevada, refletindo diferenças de manejo, regime de chuvas e época de plantio.

No campo fitossanitário, produtores intensificam o controle de doenças e pragas, com destaque para a ferrugem-asiática, especialmente nas áreas ainda em fase de enchimento de grãos.

A estimativa atual aponta produtividade média de 2.871 quilos por hectare, uma queda de 9,7% em relação à projeção inicial da safra. A área cultivada no estado está estimada em 6,62 milhões de hectares.

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STF adia julgamento sobre compra de terras rurais por empresas com capital estrangeiro


Orçamento, STF, Senar, desapropriação
Foto: Senado Federal/divulgação

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quinta-feira (19), ao julgamento de duas ações que discutem as regras para aquisição de terras rurais por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. A análise, iniciada no dia anterior, foi suspensa após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou mais tempo para avaliar o caso e indicou que deve devolvê-lo ao plenário na próxima semana.

A Corte formou maioria de 5 a 0 a favor da manutenção das restrições previstas na Lei nº 5.709/1971, que limita a compra de imóveis rurais por estrangeiros e empresas nacionais com controle externo. Votaram nesse sentido o relator original, Marco Aurélio, além dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Nunes Marques.

Os ministros analisam duas ações. A ADPF 342, apresentada em 2015 pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), questiona a constitucionalidade da lei, sob o argumento de que a norma impõe tratamento desigual a empresas brasileiras com capital estrangeiro, o que violaria princípios como livre iniciativa, direito de propriedade e desenvolvimento nacional.

Já a ACO 2.463 foi proposta pela União e pelo Incra, com o objetivo de anular um parecer da Corregedoria-Geral de Justiça de São Paulo que dispensava cartórios de cumprir as regras previstas na legislação para aquisição de terras por estrangeiros.

Nos votos já proferidos, prevalece o entendimento de que a lei é compatível com a Constituição e que a imposição de limites à compra de terras atende a interesses estratégicos, como a soberania nacional e o controle sobre recursos naturais. Apesar da maioria formada, o julgamento ainda não foi concluído e poderá ter novos desdobramentos após o retorno do processo ao plenário.

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Bioinsumos ganham força como solução sustentável e colocam o Brasil em destaque global


Bioinsumos Tratado de Budapeste
Foto: Divulgação Senar-GO

Em um cenário global cada vez mais pressionado por práticas sustentáveis, os bioinsumos avançam como alternativa estratégica para aliar produtividade e responsabilidade ambiental. O Brasil já desponta como uma das principais potências nesse mercado, impulsionando modelos agrícolas mais eficientes e regenerativos.

O mercado global de bioinsumos já movimenta cerca de 15 bilhões de dólares, sustentado por uma demanda crescente por alimentos mais saudáveis e pela redução no uso de químicos na produção.

“Hoje existe um apelo da sociedade por alimentos mais saudáveis e práticas agrícolas que são mais sustentáveis. Então, o bioinsumo é uma alternativa sustentável para a produção de alimentos”, destaca a diretora de operações da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio), Larissa Bonotto.

Quais fatores explicam o crescimento?

A maior conscientização dos consumidores, intensificada após a pandemia, também tem ampliado a busca por rastreabilidade e práticas mais sustentáveis no campo.

Nesse cenário, o Brasil ocupa posição de destaque e já figura entre os três maiores mercados globais. Um dos principais diferenciais é o uso em larga escala, especialmente em culturas como soja e milho.

“O bioinsumo em outros locais do mundo, ele tende a ser utilizado em culturas de menor escala, então é utilizado em tomate, frutas e verduras. Então, por isso que o Brasil acaba tendo esse número tão grande e expressivo”, explica Larissa Bonotto.

Novas oportunidades

Segundo Larissa Bonotto, o uso vem se expandindo para outras culturas, como cana-de-açúcar, citros, trigo e sorgo. A expectativa é de crescimento acelerado, com projeção de aumento de 66% na área tratada com bioinsumos até 2030.

Foto: reprodução/Planeta Campo

Além de elevar a produtividade, os bioinsumos também avançam em diferentes frentes tecnológicas. De acordo com Larissa Bonotto, produtos como inoculantes já são considerados essenciais em sistemas de alta produtividade como a soja, enquanto soluções de controle biológico têm ganhado espaço rapidamente no mercado.

“Está aumentando muito a utilização do bioinsumo como controle biológico. Por exemplo, bionematicidas representam 30% desse mercado, mas está crescendo também muito biofungicida e bioinseticida. Tem vários trabalhos com bioherbicida que ainda não estão sendo utilizados, mas já tem trabalhos para termos bioherbicidas”, destaca.

Regulamentação

Mesmo antes de uma regulamentação mais ampla, o Brasil já conta com mais de 1.500 bioinsumos registrados. Para Larissa Bonotto, o ambiente regulatório atual é considerado positivo e reflete a maturidade da pesquisa nacional em biotecnologia, que já se desenvolve há décadas e agora ganha escala comercial.

Desafios

Apesar do cenário promissor, o setor enfrenta desafios importantes, o principal deles é o acesso ao crédito. Com juros elevados e preços mais baixos das commodities agrícolas, produtores, distribuidores e indústrias sentem pressão financeira, o que pode limitar o ritmo de expansão.

“Estamos tendo um cenário aonde as commodities agrícolas elas estão com preço menor. Então eu tenho um produto que teoricamente produz um lucro líquido menor com uma taxa de financiamento maior. A conta não fecha”, explica Larissa Bonotto.

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