Falhas na pulverização agrícola afetam produtividade e gera prejuízos no agro, alerta pesquisa

A eficiência da pulverização agrícola segue como um dos principais desafios da produção no campo. Estudos da área de tecnologia de aplicação apontam que apenas parte dos defensivos aplicados atinge o alvo biológico.
Em condições reais, a deposição efetiva pode variar entre 30% e 70%, dependendo de fatores como tipo de equipamento, cultura e condições climáticas, como vento e umidade. O restante do volume aplicado pode ser perdido por deriva, evaporação ou escorrimento.
Deriva aumenta perdas e riscos
Entre os principais fatores de perda está a deriva, fenômeno que ocorre quando as gotas são levadas para fora da área-alvo.
Pesquisas da American Society of Agricultural and Biological Engineers (ASABE) e do USDA indicam que esse deslocamento pode ultrapassar 10% do volume aplicado em condições desfavoráveis.
Situações como uso de gotas muito finas, vento acima do recomendado e regulagem inadequada de equipamentos aumentam esse risco.
Além de reduzir a eficiência do controle de pragas, a deriva pode causar contaminação ambiental e danos a culturas vizinhas.
A FAO aponta que o manejo inadequado de pesticidas e a baixa eficiência na aplicação ainda estão entre os principais desafios da agricultura global.
Em países com grande escala produtiva, como o Brasil, pequenas perdas operacionais podem gerar impactos econômicos e ambientais relevantes.
Tecnologia avança, mas adoção ainda é desafio
A tecnologia de aplicação tem evoluído para reduzir perdas e aumentar a precisão no campo. O tema é foco de pesquisas conduzidas por universidades e centros especializados.
Um dos grupos que atuam nessa área é o liderado pelo pesquisador Adriano Arrué Melo, da Universidade Federal de Santa Maria, que desenvolve estudos voltados à redução da deriva e ao aumento da eficiência operacional.
Segundo o pesquisador, o principal desafio não está apenas na inovação, mas na adoção prática dessas soluções.
“A tecnologia existe e evolui rapidamente, mas o impacto real depende da aplicação correta no campo”, afirma.
Capacitação ganha importância no campo
A qualificação dos operadores aparece como fator central para melhorar a eficiência da pulverização.
Programas de treinamento têm buscado reduzir a distância entre pesquisa e prática. Um exemplo é o curso de boas práticas na aplicação de defensivos agrícolas, já realizado em diversos municípios do Rio Grande do Sul.
As capacitações abordam temas como tamanho de gota, condições climáticas, regulagem de equipamentos e escolha de pontas de pulverização.
Segundo especialistas, esses fatores influenciam diretamente o risco de deriva e o desempenho da aplicação.
Além dos ganhos técnicos, a capacitação também atende a exigências legais. No Rio Grande do Sul, já é obrigatória a qualificação para aplicação de herbicidas hormonais. A medida reforça a necessidade de formação contínua no setor.
Especialistas defendem que a ampliação desse tipo de exigência para outros estados pode elevar o padrão de segurança e eficiência da agricultura brasileira.
Impacto direto na produtividade
A baixa eficiência na aplicação de defensivos afeta diretamente o custo de produção e o resultado no campo.
Com perdas operacionais elevadas, o produtor pode gastar mais insumos sem obter o efeito esperado no controle de pragas e doenças.
O avanço da tecnologia, aliado à capacitação, é apontado como caminho para reduzir desperdícios, aumentar a precisão e melhorar a rentabilidade da atividade.
O post Falhas na pulverização agrícola afetam produtividade e gera prejuízos no agro, alerta pesquisa apareceu primeiro em Canal Rural.

