sábado, abril 11, 2026
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Crédito rural empresarial soma R$ 404 bilhões no Plano Safra 2025/2026


O crédito rural empresarial somou R$ 404 bilhões em contratações entre julho de 2025 e março de 2026, aumento de 10% em relação aos R$ 368 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior. Os dados constam no Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, vinculado à Secretaria de Política Agrícola, com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro e do Banco Central do Brasil.

No mesmo período, os recursos efetivamente concedidos — aqueles já liberados na conta do produtor — totalizaram R$ 387 bilhões, crescimento de 5% em relação à safra anterior. Entre os destaques está a emissão de Cédula de Produto Rural por produtores em favor de instituições financeiras, que avançou 38% e alcançou R$ 183,1 bilhões. Como o instrumento é utilizado principalmente para o custeio da safra, sua soma ao crédito tradicional destinado a essa finalidade elevou o volume de recursos disponíveis para custeio a R$ 303,1 bilhões, alta de 13% em comparação com a safra 2024/2025.

A Secretaria de Política Agrícola avaliou que os números refletem a continuidade do financiamento ao setor. “O crescimento de 10% nas contratações e de 5% nas concessões demonstra a solidez do financiamento agropecuário brasileiro, mesmo em um cenário de maior seletividade por parte dos produtores e do sistema financeiro”, ressaltou a secretaria.

A análise por finalidade mostra comportamentos distintos entre as modalidades de crédito. A linha destinada à industrialização registrou expansão, com aumento de 74% nas contratações, que alcançaram R$ 28,1 bilhões, e de 64% nas concessões, totalizando R$ 26,4 bilhões. O resultado indica maior procura por financiamento voltado ao processamento agroindustrial.

Por outro lado, linhas tradicionais apresentaram retração no período. O crédito de custeio somou R$ 120 bilhões em contratações e R$ 114,3 bilhões em concessões, com queda de 11% e 15%, respectivamente. O investimento registrou R$ 45,5 bilhões em contratações e R$ 37,6 bilhões em concessões, recuos de 16% e 30%. As operações destinadas à comercialização também diminuíram, com contratações de R$ 27,2 bilhões e concessões de R$ 25,5 bilhões. Segundo o boletim, a redução nas linhas de investimento está associada à cautela do setor diante das taxas de juros vigentes e à expectativa de queda da Taxa Selic em cerca de dois pontos percentuais até o fim de 2026.

Entre os programas analisados, o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária foi o único a registrar crescimento, com alta de 20% e R$ 900 milhões concedidos. No total, o número de contratos firmados no período caiu 24%, passando de 534.351 para 408.353 operações. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural contabilizou 156.485 contratos, enquanto os demais produtores somaram 127.615 operações. As transações vinculadas à CPR chegaram a 125.310 contratos.

Na distribuição regional, a Região Sul do Brasil manteve a liderança no número de operações contratadas, enquanto a Região Sudeste do Brasil concentrou o maior volume financeiro.

No que se refere às fontes de financiamento, os recursos controlados somaram R$ 106,5 bilhões em concessões, redução de 7%. Dentro desse grupo, os Recursos Obrigatórios atingiram R$ 42,8 bilhões, crescimento de 19%. A Letra de Crédito do Agronegócio na modalidade controlada registrou aumento expressivo e alcançou R$ 26,9 bilhões. A Poupança Rural Controlada somou R$ 7,5 bilhões e os Fundos Constitucionais totalizaram R$ 14,5 bilhões.

Já as fontes não controladas chegaram a R$ 97,3 bilhões. Nesse grupo, destacaram-se a LCA, com R$ 47,8 bilhões, e a Poupança Rural Livre, que alcançou R$ 44,4 bilhões e registrou crescimento de 39%. O BNDES Livre apresentou recuo de 11%, totalizando R$ 4,4 bilhões.

A execução do Plano Safra 2025/2026 indica que, até março de 2026, foram concedidos R$ 43,4 bilhões de um total de R$ 113,4 bilhões programados em recursos equalizáveis, o equivalente a 38% do montante previsto. No custeio, R$ 24,7 bilhões foram liberados de um total programado de R$ 63 bilhões. Para investimento, foram concedidos R$ 18,4 bilhões dos R$ 49,5 bilhões previstos, enquanto na comercialização foram aplicados R$ 307 milhões de R$ 845 milhões programados.

Entre as instituições financeiras, o Banco do Brasil lidera a execução dos recursos, com R$ 7,1 bilhões liberados para custeio e R$ 7 bilhões para investimento. O Sistema de Cooperativas Financeiras do Brasil executou 59% do volume programado de custeio e 69% das operações de investimento. Já o Sistema Cresol concluiu 100% das metas previstas para custeio.

Ainda há R$ 21,7 bilhões em crédito contratado que aguardam liberação. Desse total, R$ 10,8 bilhões correspondem a financiamentos sem vínculo com programa específico, enquanto R$ 2,2 bilhões estão relacionados ao Pronamp. Outros valores estão vinculados ao Programa para Construção e Ampliação de Armazéns, ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira e ao Programa de Modernização da Frota de Tratores e Implementos Agrícolas.

A Secretaria de Política Agrícola avalia que o cenário aponta continuidade no acesso ao financiamento agropecuário. “O Boletim do Crédito Rural de julho/2025 a março/2026 revela um setor agropecuário que mantém a trajetória de crescimento no volume global de recursos, com destaque para a expansão da CPR e da industrialização. Ao mesmo tempo, a retração nas linhas de investimento e custeio convencional sinaliza maior seletividade dos produtores, associada ao ambiente de juros elevados”, explicou a secretaria.

Segundo a análise, ainda existe margem para ampliação das operações até o encerramento do Plano Safra, uma vez que 62% dos recursos equalizáveis permanecem disponíveis para contratação nos próximos meses.





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