Morre Luciano Borges, um dos mais importantes criadores de nelore do Brasil

Luciano Borges Ribeiro, um dos principais nomes da pecuária de corte no Brasil e titular do Rancho da Matinha, morreu nesta segunda-feira (6). Reconhecido pela contribuição à evolução da genética do nelore e pela defesa da eficiência produtiva, ele deixa um legado que ajudou a moldar a pecuária brasileira contemporânea.
Quinta geração de produtores rurais, Luciano costumava dizer que nasceu “praticamente dentro de um curral”. De origem humilde, construiu sua trajetória conciliando a formação em engenharia com a atividade pecuária, à qual se dedicou por quase três décadas até consolidar o Rancho da Matinha, em Uberaba (MG), como um dos mais importantes criatórios da raça nelore no país.
A propriedade começou de forma modesta, com a aquisição gradual de pequenas glebas ao longo de cerca de 15 anos. “A gente foi aumentando e fazendo a Matinha ao longo do tempo”, relembrou em entrevista ao programa Giro do Boi em 2019. A vocação para a pecuária, segundo ele, nunca foi uma escolha, mas uma continuidade natural: “Eu não tinha outra opção senão continuar naquilo que eu amo”.
Luciano acompanhou de perto a transformação da pecuária brasileira desde a década de 1970, quando iniciou suas atividades. O avanço da globalização, nos anos 1980, foi determinante para mudar sua visão sobre o setor. “Quem não fosse eficiente estaria fora do mercado”, recordava. A partir daí, passou a estudar modelos internacionais e a incorporar conceitos de desempenho, custo e rentabilidade à produção.
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Em 1985, deu início a um dos marcos de sua trajetória: a introdução de genética superior da raça nelore aliada ao pastejo rotacionado, técnica ainda pouco difundida à época. O sistema se tornou referência acadêmica, sendo utilizado por professores e alunos da Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba).
Na década de 1990, o Rancho da Matinha passou a integrar programas de melhoramento genético ligados à Universidade de São Paulo, que dariam origem à Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP). A experiência ampliou sua visão sobre seleção animal e consolidou a base técnica que guiaria o criatório nas décadas seguintes.
Entre as inovações implementadas, destacou-se a seleção para precocidade sexual. Em 1998, a fazenda iniciou o desafio de prenhez precoce em novilhas de 12 a 14 meses — índice que evoluiu de 6% no primeiro ano para mais de 80% nas décadas seguintes. Para Luciano, a lógica era clara: “A fazenda é uma indústria e suas vacas são suas máquinas. Máquina que não produz não pode ficar”.
O Rancho da Matinha também foi pioneiro na adoção de tecnologias como a ultrassonografia de carcaça, em 2002, e as provas de eficiência alimentar, a partir de 2011. Este último ponto tornou-se uma de suas principais bandeiras. “A característica do século XXI é a eficiência alimentar”, afirmava.
Sob sua gestão, a propriedade reduziu significativamente o consumo de matéria seca por quilo de ganho de peso, saindo de cerca de nove quilos para 7,8 quilos em média — avanço considerado expressivo no contexto da pecuária nacional.
Luciano Borges defendia que a genética era o insumo de melhor custo-benefício da atividade. Diferentemente de criatórios voltados para exposições, o foco da Matinha sempre foi o gado comercial. “Produzir genética que proporcione mais lucro para o pecuarista”, resumiu.
Sua atuação ajudou a posicionar o Brasil entre os países mais competitivos na produção de proteína animal, combinando ciência, gestão e visão de longo prazo. “O que a gente tem feito de bom para a pecuária brasileira é motivo de orgulho”, declarou em uma de suas últimas entrevistas.
Luciano Borges Ribeiro deixa uma marca profunda na história da pecuária nacional, especialmente na evolução do nelore como raça adaptada, eficiente e economicamente viável.
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