segunda-feira, junho 1, 2026
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Nobel aposta em inteligência de mercado para crescer no setor de insumos


Rafael Diegues, CEO da Nobel (Foto: Thiago Braga).
Rafael Diegues, CEO da Nobel (Foto: Thiago Braga).

Fundada em 2022, a Nobel Trading vem ganhando espaço no mercado de importação de insumos agrícolas ao adotar um modelo operacional enxuto e baseado em dados. Com sede em Florianópolis (SC), a empresa conecta fornecedores internacionais a cooperativas, indústrias e empresas do agronegócio brasileiro.

“A Nobel foi criada para trazer um pouco dessa informação de mercado, democratizar esse acesso à informação. Por tudo que nós fazemos, nós consideramos a Nobel uma empresa de inteligência de mercado”, afirma o fundador e CEO da companhia, Rafael Diegues.

O crescimento da Nobel ocorre em um cenário de alta demanda por fertilizantes no país. Em 2025, o Brasil importou cerca de 45,5 milhões de toneladas, reforçando a dependência externa e ampliando o papel de empresas que atuam na intermediação desse fluxo.

“O produtor vem investindo muito em tecnologia, mas ele não se atenta muito a essa janela de oportunidade dos insumos, que faz parte do custo dele e é fundamental para ter um resultado na safra”, destaca. 

Receita salta e empresa entra em ranking nacional

A trajetória recente da companhia é marcada por forte expansão. Após registrar faturamento de R$ 1,8 milhão em 2023, a Nobel alcançou R$ 30,6 milhões em receita operacional líquida em 2024, avanço de 1.530% em um ano.

Segundo Diegues, o crescimento está ligado ao controle das operações e ao uso intensivo de informações de mercado. “A operação foi estruturada para manter controle sobre todas as etapas, da negociação à entrega, o que permite maior previsibilidade mesmo em um mercado sujeito a variações de preço e câmbio”, afirma.

Ele também destaca a estratégia adotada desde o início da empresa. “Quem compra e vende, o dinheiro está na compra. Se você compra no momento correto e tem um pouco de previsibilidade na operação, consegue replicar isso e aos poucos você vai ganhando escala.”

Rafael Diegues, CEO da Nobel (Foto: Thiago Braga).
Rafael Diegues, CEO da Nobel (Foto: Thiago Braga).

Modelo integra operação do início ao fim

A Nobel atua de ponta a ponta na cadeia de importação. A operação inclui negociação direta com fornecedores internacionais, gestão cambial, acompanhamento de embarques e entrega ao cliente final.

A empresa utiliza a infraestrutura portuária de Santa Catarina, com acesso a terminais como Porto de Itajaí, Porto de Navegantes e Porto de Imbituba, por onde ocorre a entrada dos produtos no país.

O portfólio está dividido em duas frentes:

  • Agrícola: ureia granulada e perolada e cloreto de potássio, com origem em mercados como Rússia e Oriente Médio.
  • Nutrição animal: insumos como fosfato bicálcico, voltados à alimentação de ruminantes, com fornecimento internacional, incluindo a China.

Uso de dados orienta decisões de compra

Um dos pilares do modelo de negócio é o uso de tecnologia e inteligência de mercado. A empresa opera com um sistema interno que reúne histórico de preços dos últimos anos, permitindo monitorar oscilações e identificar oportunidades de compra.

“A base de tudo que a gente faz aqui é em cima de dados e não tanto de feeling. A gente conversa com produtores e traders lá fora, acessa informações desses fornecedores e compila tudo em um sistema interno”, diz Diegues.

Além disso, a Nobel produz um relatório semanal gratuito com dados sobre preços, câmbio e dinâmica do setor, distribuído a clientes e interessados.

De acordo com o executivo, a iniciativa busca reduzir a assimetria de informação no mercado. “Existem outros reports de mercado, mas muitos são caros e com uma linguagem muito técnica. A gente tenta traduzir isso de uma maneira mais prática e direta.”

Origem e estrutura enxuta marcam operação

A empresa foi criada a partir da experiência de Rafael Diegues no agronegócio e no mercado internacional. Engenheiro mecânico, ele atuou nos Estados Unidos antes de retornar ao Brasil e trabalhar com comercialização de grãos.

A Nobel iniciou as atividades focada na importação de ureia, em meio à volatilidade do mercado global de fertilizantes causada pela guerra entre Rússia e Ucrânia. O cenário limitou o avanço inicial, com retomada a partir de 2023.

“A Nobel foi criada praticamente do zero. Começamos pequenos, reinvestindo na operação e crescendo aos poucos”, afirma.

A operação começou com uma estrutura reduzida, formada pelo fundador e pela co-fundadora e sócia, Cynthia Moreira, que atua como diretora de operações. Atualmente, a empresa conta com cerca de 20 colaboradores e segue em expansão.

Mercado segue volátil e exige gestão integrada

O crescimento da Nobel ocorre em um ambiente marcado por volatilidade de preços, câmbio e logística. Nesse contexto, o modelo “asset-light”, com foco em dados e controle de processos, tem sido utilizado como estratégia para garantir previsibilidade nas operações.

“O mercado é globalizado. O que acontece na China, no Oriente Médio ou na Rússia pode ter impacto direto no produtor aqui”, afirma Diegues.

A empresa atua como intermediária na cadeia de importação de insumos, conectando mercados globais à demanda brasileira em um setor considerado estratégico para o agronegócio.

“A gente tenta trazer para o nosso cliente as informações que a gente mesmo tem e opera, e democratizar um pouco esse acesso à informação. O produtor investe muito na produção em si, mas muitas vezes não se atenta à janela de oportunidade dos insumos, que é fundamental para ele ter um resultado melhor na safra”, conclui. 

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