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Foto: Divulgação
Segundo o presidente da Agrishow 2026, João Marchesan, o evento tem ampliado a integração entre produtores e indústria. “Mais do que apresentar tecnologia, a feira cria conexões concretas entre indústria e produtores, facilitando o acesso a soluções que cabem na realidade de cada perfil, do pequeno ao grande produtor. O que vemos aqui são inovações que transformam as pequenas propriedades em grandes e essenciais fornecedores de alimentos para o Brasil”, afirmou.
A adoção de tecnologias tem contribuído para ganhos de produtividade entre pequenos produtores. A Thunderstruck AG apresentou soluções voltadas à debulha, como os côncavos Razor’s Edge, que ampliam a velocidade de colheita e reduzem perdas de grãos. Já a AGI Brasil levou ao evento uma unidade compacta de silo, voltada a pequenos e médios produtores, com sistema de carga e descarga por correia para otimizar operações e preservar a qualidade dos grãos.
No campo da gestão, a TOTVS destacou sistemas para multicultivo e bioenergia, incluindo soluções de integração de processos produtivos. A PwC Agtech Innovation promoveu um painel sobre o uso de inteligência artificial no setor, abordando impactos na produtividade e desafios de implementação.
O conjunto de iniciativas apresentadas reforça o papel da tecnologia como instrumento de apoio à agricultura familiar, ampliando a eficiência produtiva e a integração dos pequenos produtores às cadeias do agronegócio.
Palácio do Planalto na Praça dos Três Poderes em Brasília | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Sob o olhar da sociologia e da antropologia, o governo entende que o brasileiro se guia pela “ética do afeto”. Aliados estratégicos já mapearam que existe uma tendência instintiva no povo em proteger quem parece ser o elo mais fraco (o underdog) diante de um sistema que o sabota.
A intenção agora é clara: transformar cada bloqueio do Congresso Nacional em uma peça de marketing político.
A rejeição de Jorge Messias é o exemplo central. Messias, um nome de perfil técnico e evangélico, contava com a simpatia inclusive de alas do Supremo Tribunal Federal (STF). Sua derrubada será usada para mostrar que o Congresso não barra apenas o governo, mas nomes qualificados que buscam o equilíbrio institucional.
A gestão da traição como ferramenta política
A narrativa que está sendo desenhada nos bastidores foca em um conceito poderoso: a “traição do sistema”.
O plano é fazer a população perceber que o Congresso age por interesses próprios, enquanto o Executivo tenta cumprir suas promessas. É aqui que surge o uso estratégico do ditado: “Todos gostam da traição, mas ninguém quer o traidor”.
Ao rotular o Legislativo como o “traidor” das expectativas do povo, o governo busca se posicionar como o único lado que, embora atacado, permanece fiel ao brasileiro comum. Na moralidade das ruas, o traidor do país é a figura que o Planalto quer que o Congresso encarne.
A esquiva estratégica: o gator dosimetria
O exemplo mais recente desse xadrez é o silêncio proposital de Lula sobre o projeto da dosimetria.
Ao deixar o prazo de 48 horas expirar para que a tarefa da promulgação recaia sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o governo faz um movimento calculado.
Lula sabe que o país está rachado: uma metade clama por anistia, enquanto a outra exige rigor. Ao se recusar a assinar, o presidente se esquiva de uma decisão impopular para parte do país e reforça a tese de que o Congresso está forçando uma pauta que ele não apoia.
É a “vitimização” transformada em omissão estratégica para manter o discurso de mãos atadas.
O jovem e o sentimento de “futuro cancelado”
Essa estratégia mira diretamente o público jovem, movido pela indignação digital.
Aliados do governo acreditam que, ao mostrar o Congresso como o entrave para pautas de desenvolvimento, podem canalizar a frustração dessa geração. O objetivo é fazer o jovem sentir que seu futuro está sendo “cancelado” por parlamentares que jogam contra o progresso em benefício de pautas corporativistas.
O fator religioso: a perseguição a um “irmão”
A rejeição de um nome evangélico querido por seus pares e respeitado por magistrados também evangélicos no Judiciário será o combustível para tentar furar a bolha religiosa.
A narrativa que deve ganhar as redes sociais questionará: “Por que o sistema tem tanto medo de um evangélico preparado no poder?”.
Essa tática busca transformar um veto político em uma percepção de perseguição identitária, tentando reconectar o governo a uma base que preza pela representatividade.
A pena que vira voto: o mártir estratégico
A antropologia das emoções mostra que o ser humano é empático com a dor do perseguido.
Se o governo conseguir consolidar a imagem de um presidente impedido de agir, o sentimento de pena pode se transformar em capital político. O plano do Planalto é simples: fazer o povo acreditar que o que Brasília chama de “vitória do Congresso” é, na verdade, uma crueldade contra o cidadão.
No fim, a ideia é que o Legislativo acabe entregando, involuntariamente, o papel do líder que sofre para tentar proteger o país.
Resta saber: será que este plano vai dar certo? Vamos esperar para ver.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Os produtores rurais paulistas vêm ampliando o uso de capital próprio e crédito rural para financiar atividades nas propriedades, o que indica mudanças no comportamento financeiro no campo. Dados da 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural indicam que o uso de recursos próprios para capital de giro passou de 78%, em 2021, para 84%, em 2025.
No mesmo período, o crédito rural também ampliou participação entre as fontes de financiamento, passando de 8% para 17%.
O movimento também aparece na compra de equipamentos agrícolas, como tratores, colheitadeiras e implementos. Em 2021, 59% dos produtores utilizavam recursos próprios para esse tipo de investimento. Em 2025, o índice chegou a 79%.
Segundo a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), os dados apontam mudanças na gestão das propriedades e no processo de decisão do produtor.
“O produtor rural paulista está mais protagonista e criterioso nas suas decisões, inclusive financeiras. Para as marcas, isso exige uma comunicação mais conectada à realidade do campo, baseada em dados, confiança e entrega de valor”, afirma o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos.
Mudança na gestão
A pesquisa aponta maior participação do produtor na condução financeira dos negócios e sinaliza mudanças na relação entre empresas do setor e o público rural.
Com maior presença do capital próprio no financiamento da atividade, cresce o peso da gestão e da tomada de decisão dentro das propriedades.
O levantamento também mostra que questões climáticas concentram atenção dos produtores paulistas.
Segundo a pesquisa, 99% dos entrevistados avaliam que mudanças climáticas terão impacto sobre a produção, seja por secas prolongadas, chuvas intensas ou variações de temperatura.
O clima aparece como principal preocupação para 68% dos produtores ouvidos. Na sequência estão custos de produção, com 41%, e comercialização, com 33%.
Barreiras para adoção de tecnologias
Apesar da percepção sobre a necessidade de adaptação, a pesquisa aponta obstáculos para adoção de tecnologias de manejo.
Entre os entrevistados, 28% classificam como altas ou muito altas as barreiras para implementar essas soluções. Entre os fatores citados estão o custo elevado, a falta de informação, a limitação de apoio técnico, o acesso restrito a recursos e as incertezas quanto aos resultados.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos divulgou novos dados sobre o desempenho do setor durante coletiva realizada na Agrishow 2026, indicando crescimento no consumo e avanço na utilização da capacidade produtiva. Segundo a entidade, o consumo de máquinas e equipamentos aumentou 1,2% em março de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, enquanto as importações atingiram US$ 3,1 bilhões, o maior valor da série histórica iniciada em 1999.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, as importações cresceram 21,4% em março, impulsionadas pela expansão de componentes e de máquinas voltadas à extração de petróleo. No acumulado do primeiro trimestre, a alta de 4,2% foi associada à demanda por máquinas rodoviárias e equipamentos para movimentação e armazenamento de materiais, com avanços de 20% e 28%, respectivamente.
O nível de utilização da capacidade instalada também apresentou elevação. Em março de 2026, o índice alcançou 79,9%, avanço de 1,4% em relação a fevereiro e de 2,3 pontos percentuais frente ao mesmo período do ano anterior, quando estava em 77,6%, indicando operação próxima a 80% do potencial produtivo.
No mercado de trabalho, o setor registrou a criação de 122,594 mil empregos nos últimos 12 meses, crescimento de 6,5% na comparação com o período anterior. Para o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Pedro Estevão Bastos de Oliveira, as empresas têm buscado manter seus quadros. “O setor fala muito sobre a necessidade de ampliar em 30% as exportações de alimentos. No entanto, isso passa diretamente pela expansão da área plantada e, consequentemente, pela venda de máquinas. Por isso, a avaliação é de que o momento atual seja passageiro. Uma mão de obra já treinada e qualificada dificilmente será dispensada”, afirmou.
Os dados apresentados reforçam a leitura da entidade de que, apesar de oscilações nas vendas, o setor mantém expectativa de melhora no curto prazo, sustentada pela demanda por equipamentos e pela manutenção da força de trabalho.
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A presença feminina no agronegócio brasileiro ganhou espaço estruturado na programação da Agrishow, com a realização do projeto Agrishow Pra Elas, voltado à valorização da atuação das mulheres no setor. A iniciativa reúne produtoras, gestoras e lideranças empresariais, ampliando a visibilidade de um movimento que, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, já representa 37,9% dos postos de trabalho no campo. Levantamento do Embrapa aponta ainda que mulheres lideram 19% dos estabelecimentos rurais no país.
Durante o evento, o espaço dedicado às mulheres promove encontros entre profissionais de diferentes áreas do agronegócio, conectando experiências que vão da gestão de propriedades à atuação em grandes empresas. A proposta é ampliar o intercâmbio de conhecimento e incentivar a participação feminina em posições estratégicas.
O presidente da Agrishow, João Marchesan, afirmou que a iniciativa consolida o papel do evento para além da apresentação de tecnologias. “Ao integrar essa agenda à sua programação, a Agrishow reforça seu papel não apenas como palco de lançamentos tecnológicos, mas como um ambiente de construção de futuro. Nesse cenário, o Agrishow Pra Elas deixa de ser uma iniciativa complementar e se afirma como um símbolo de uma mudança estrutural, um indicativo claro de que o avanço das mulheres no agronegócio não é pontual, mas parte de uma transformação consistente e, sobretudo, essencial para a competitividade e o desenvolvimento do campo brasileiro”, disse.
Os encontros realizados no espaço destacam trajetórias de mulheres que atuam diretamente na produção rural e na gestão de negócios, abordando também desafios como o acesso a crédito e a presença em cargos de liderança. A programação busca ampliar a participação feminina no setor e estimular novas iniciativas voltadas à equidade no agronegócio.
O custo do crédito segue como um dos principais fatores de pressão sobre a atividade rural no Brasil, mesmo após a redução da taxa básica de juros. Com a Selic em 14,50% ao ano, o financiamento para custeio da safra permanece elevado, em nível considerado alto frente a outros mercados agrícolas, o que limita a competitividade, reduz margens e dificulta a reorganização financeira de produtores.
A decisão do Copom ocorreu em um ambiente de cautela. O Banco Central identificou sinais de moderação na atividade econômica, mas ainda avalia que a inflação e as expectativas seguem acima da meta. A autoridade monetária também considera elevados os riscos externos, especialmente os ligados aos conflitos no Oriente Médio, com possíveis efeitos sobre commodities, petróleo, câmbio e preços internos.
Esse cenário pesa diretamente sobre o agro, setor dependente de financiamento para custeio, aquisição de insumos, máquinas, tecnologia, armazenagem e manutenção da produção até a venda da safra. Com juros altos, uma parcela maior da receita precisa ser destinada ao pagamento de encargos e à rolagem de compromissos, reduzindo espaço para investimentos.
O Rabobank avalia que o ambiente externo segue desafiador. A instituição aponta riscos geopolíticos ainda elevados, apesar da prorrogação indefinida do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, diante da manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz. O banco projeta a taxa Fed Funds entre 3,50% e 3,75% na reunião de abril e estima o dólar a R$ 5,55 no fim de 2026, considerando incerteza fiscal, ano eleitoral e menor diferencial entre juros internos e externos.
Para o produtor rural, a combinação de crédito caro e possível valorização do dólar é sensível. Custos dolarizados, como fertilizantes, defensivos, máquinas, peças, combustíveis e logística, podem subir, enquanto o benefício cambial para exportadores não elimina a pressão sobre quem está endividado ou depende de insumos importados.
Nesse contexto, avança a discussão sobre a renegociação das dívidas do crédito rural. A proposta apresentada pelo governo ao senador Renan Calheiros deve ser incorporada ao relatório sobre securitização em análise na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O texto prevê prorrogação de operações até 30 de abril de 2026, abrangendo contratos firmados até 31 de dezembro de 2025 e inadimplências registradas entre 1º de julho de 2024 e 30 de abril de 2026.
A medida pode alcançar mais de 100 mil operações e cerca de R$ 81,6 bilhões em dívidas, sendo R$ 7 bilhões do Pronaf, R$ 11,2 bilhões do Pronamp e R$ 63,3 bilhões dos demais produtores. O corte da Selic reduz parte da pressão, mas não altera de forma imediata a realidade do campo, que segue exposto a juros elevados, câmbio sensível e dificuldades para financiar a produção.
O uso de defensivos agrícolas pode gerar efeitos internos nas plantas mesmo quando não há sintomas visíveis no campo, segundo afirmam alguns especialistas. A chamada fitotoxicidade invisível tem sido discutida a partir do conceito de custo metabólico, segundo o qual culturas tolerantes também precisam gastar energia para processar substâncias externas ao seu metabolismo natural.
De acordo com o equatoriano Fernando Cabrera Luzuriaga, especialista técnico em nutrição vegetal, a ciência tem mostrado que um dos principais impactos está ligado ao estresse oxidativo. A presença de determinados plaguicidas pode interferir na cadeia de transporte de elétrons em cloroplastos ou mitocôndrias, favorecendo a formação de espécies reativas de oxigênio. Essas moléculas instáveis podem afetar lipídios, proteínas e o DNA da planta.
Como resposta, o cultivo aciona mecanismos de defesa, incluindo enzimas e antioxidantes, como superóxido dismutase e catalase. Esse processo exige energia que, em condições normais, poderia ser direcionada ao crescimento, à formação de frutos ou ao acúmulo de biomassa.
Outro ponto observado é a interferência na fotossíntese. Mesmo produtos que não são herbicidas podem reduzir a eficiência fotossintética. Inseticidas organofosforados, por exemplo, estão associados à redução do teor total de clorofila, o que limita a capacidade de absorção de luz. Em outros casos, a planta pode fechar os estômatos para reduzir a absorção de compostos químicos, diminuindo a entrada de CO2 e a produção de biomassa.
O metabolismo do nitrogênio também pode ser afetado. Em culturas como milho e soja, plaguicidas podem inibir enzimas como a nitratorredutase, reduzindo a eficiência no processamento do nutriente e retardando a síntese de proteínas. Em leguminosas, alguns fungicidas podem prejudicar a simbiose com bactérias Rhizobium, comprometendo a fixação biológica de nitrogênio.
Entre os efeitos relatados estão o bloqueio da via do shikimato pelo glifosato em soja e milho, alterações em metabolitos secundários por neonicotinoides em tomate e arroz, e mudanças em fitormônios provocadas por triazóis em trigo e frutíferas. Assim, a planta pode parecer saudável, mas operar com capacidade reduzida, com reflexos no valor nutricional dos frutos, na tolerância a seca ou geada e no rendimento final.
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A condição de instabilidade ganha força no dia 2 de maio – Foto: Pexels
A previsão de chuvas para os próximos dias no Brasil indica a manutenção de áreas com instabilidade distribuídas de forma irregular pelo território. De acordo com dados da AMR Business Intelligence, os mapas apontam volumes mais expressivos concentrados principalmente nas regiões Norte e em faixas do litoral do Nordeste ao longo do período entre 30 de abril e 3 de maio de 2026.
No dia 30, os maiores acumulados se concentraram no extremo norte do país, com registros mais intensos próximos à faixa litorânea, enquanto o restante do território apresenta precipitações mais isoladas. Já em 1º de maio, a chuva continua atuando no Norte e avança em áreas do Sul, com destaque para volumes mais elevados no Rio Grande do Sul.
Nesse contexto, a condição de instabilidade ganha força no dia 2 de maio, quando há ampliação das áreas com chuva, especialmente no Norte e no Sul, onde os acumulados se tornam mais significativos. Nesse período, também são observados núcleos de maior intensidade, indicando possibilidade de precipitações mais volumosas em pontos específicos.
No dia 3 de maio, a chuva permanece ativa no Norte, com destaque para volumes mais elevados em áreas da Amazônia, além de uma faixa contínua de instabilidade que se estende pelo litoral do Nordeste. No Sul, ainda há registros de precipitação, embora com menor abrangência em comparação ao dia anterior. O cenário indica um padrão típico de distribuição irregular das chuvas, com maior concentração em regiões específicas e manutenção de áreas com baixos volumes no interior do país ao longo dos dias analisados.
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O quadro internacional permanece apertado – Foto: Divulgação
O mercado brasileiro de fertilizantes segue em um ambiente de pressão, marcado por preços ainda elevados, demanda cautelosa e limitações para uma queda mais consistente nas cotações. Segundo a StoneX, o mercado CFR no Brasil continua influenciado pelos constrangimentos observados no cenário global, que seguem restringindo o espaço para correções mais expressivas.
Apesar de alguma acomodação recente nos preços, o quadro internacional permanece apertado. Esse movimento indica que eventuais recuos podem ocorrer de forma limitada, sem alterar de maneira relevante a percepção de um mercado ainda sensível às condições externas. A oferta internacional e os entraves logísticos seguem como fatores centrais para a formação dos preços, especialmente em um momento em que o abastecimento global não apresenta sinais suficientes de normalização.
No mercado interno, as relações de troca desfavoráveis continuam pesando sobre as decisões dos produtores. Com menor poder de compra, as aquisições tendem a ocorrer de forma pontual e seletiva, sem indicar uma retomada mais ampla da demanda. Esse comportamento reforça a cautela dos compradores, que avaliam o momento das compras diante de custos elevados e incertezas sobre a evolução das cotações.
Para os próximos meses, a expectativa é de manutenção de um mercado sensível aos desdobramentos geopolíticos e à evolução da oferta internacional. Enquanto os constrangimentos logísticos persistirem, a margem para um alívio relevante nos preços deve permanecer reduzida. Nesse contexto, o mercado brasileiro tende a seguir pressionado, com compradores atentos às condições externas e produtores mantendo uma postura mais seletiva nas negociações.
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No mercado externo, as exportações seguem em ritmo robusto – Foto: Kadijah Suleiman
O mercado pecuário atravessa um momento de ajuste, com sinais de acomodação nos preços após um período de valorização expressiva. De acordo com a StoneX, o cenário recente reflete uma reavaliação das expectativas, diante de mudanças no ritmo de negociação e maior avanço das escalas de abate.
Ao longo da semana, o mercado físico registrou recuos em diversas praças, embora os preços ainda permaneçam em patamares elevados. Esse movimento ocorre em paralelo à ampliação das escalas de abate, que avançaram de forma generalizada e indicam maior conforto por parte da indústria no curto prazo. Esse ambiente reduz a urgência nas compras e contribui para a pressão observada sobre as cotações.
No segmento de reposição, o comportamento segue distinto, com manutenção de firmeza nos preços. Mato Grosso do Sul continua em destaque, com ágios relevantes sendo sustentados, o que evidencia a demanda consistente por animais jovens e a continuidade do ciclo produtivo.
No mercado externo, as exportações seguem em ritmo robusto, com volumes elevados embarcados e preços médios sustentados. Esse desempenho reforça a presença da demanda internacional como um dos principais pilares de sustentação do setor, mesmo diante da acomodação observada no mercado doméstico.
Na B3, os contratos futuros passaram por ajustes ao longo do período. O vencimento de abril recuou para a faixa entre R$ 358 e R$ 362 por arroba, enquanto houve ampliação do spread ao longo da curva. Esse movimento sinaliza maior cautela dos agentes em relação às expectativas futuras, refletindo incertezas quanto à continuidade dos preços em níveis recordes.