sábado, maio 2, 2026
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Defensivos podem alterar metabolismo vegetal?


O uso de defensivos agrícolas pode gerar efeitos internos nas plantas mesmo quando não há sintomas visíveis no campo, segundo afirmam alguns especialistas. A chamada fitotoxicidade invisível tem sido discutida a partir do conceito de custo metabólico, segundo o qual culturas tolerantes também precisam gastar energia para processar substâncias externas ao seu metabolismo natural.

De acordo com o equatoriano Fernando Cabrera Luzuriaga, especialista técnico em nutrição vegetal, a ciência tem mostrado que um dos principais impactos está ligado ao estresse oxidativo. A presença de determinados plaguicidas pode interferir na cadeia de transporte de elétrons em cloroplastos ou mitocôndrias, favorecendo a formação de espécies reativas de oxigênio. Essas moléculas instáveis podem afetar lipídios, proteínas e o DNA da planta.

Como resposta, o cultivo aciona mecanismos de defesa, incluindo enzimas e antioxidantes, como superóxido dismutase e catalase. Esse processo exige energia que, em condições normais, poderia ser direcionada ao crescimento, à formação de frutos ou ao acúmulo de biomassa.

Outro ponto observado é a interferência na fotossíntese. Mesmo produtos que não são herbicidas podem reduzir a eficiência fotossintética. Inseticidas organofosforados, por exemplo, estão associados à redução do teor total de clorofila, o que limita a capacidade de absorção de luz. Em outros casos, a planta pode fechar os estômatos para reduzir a absorção de compostos químicos, diminuindo a entrada de CO2 e a produção de biomassa.

O metabolismo do nitrogênio também pode ser afetado. Em culturas como milho e soja, plaguicidas podem inibir enzimas como a nitratorredutase, reduzindo a eficiência no processamento do nutriente e retardando a síntese de proteínas. Em leguminosas, alguns fungicidas podem prejudicar a simbiose com bactérias Rhizobium, comprometendo a fixação biológica de nitrogênio.

Entre os efeitos relatados estão o bloqueio da via do shikimato pelo glifosato em soja e milho, alterações em metabolitos secundários por neonicotinoides em tomate e arroz, e mudanças em fitormônios provocadas por triazóis em trigo e frutíferas. Assim, a planta pode parecer saudável, mas operar com capacidade reduzida, com reflexos no valor nutricional dos frutos, na tolerância a seca ou geada e no rendimento final.

 





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