A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou, nesta terça-feira (10), a projeção de embarques de soja do Brasil em junho para 14,38 milhões de toneladas. A estimativa considera a média do intervalo entre 13,95 milhões e 14,80 milhões de toneladas. O volume supera em 16,3% a previsão da semana passada e fica 4,3% acima do exportado em junho de 2025.
Com a revisão, a Anec indica manutenção de ritmo elevado nas exportações brasileiras de soja no fim do primeiro semestre. Segundo a entidade, o País deve encerrar o período com embarques entre 72,47 milhões e 73,31 milhões de toneladas, acima das 68,05 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025.
Os números acompanham o escoamento da safra recorde de soja colhida pelo Brasil em 2026. A atualização sugere maior oferta disponível para exportação e reforça a movimentação nos corredores logísticos ligados aos portos.
Receba no seu e-mail as notícias mais importantes do dia, análises de mercado e os principais fatos que movimentam o agronegócio: assine a newsletter do Canal Rural
Para o milho, a projeção de embarques em junho subiu para 645,8 mil toneladas, ante 485,7 mil toneladas estimadas na semana anterior. O avanço é de 33,0%. Na comparação anual, o volume também fica 13,6% acima das 568,7 mil toneladas exportadas em junho de 2025. Segundo o dado divulgado, o movimento ocorre em meio ao avanço gradual da colheita da segunda safra.
No farelo de soja, a Anec elevou a estimativa para 2,31 milhões de toneladas em junho, frente a 1,65 milhão de toneladas projetadas na semana passada. Se confirmada, a alta será de 39,6% na comparação semanal e de 38,3% em relação às 1,67 milhão de toneladas embarcadas no mesmo mês do ano passado.
A projeção para DDGS ficou em 77,0 mil toneladas, praticamente estável ante a estimativa anterior, mas 34,7% acima das 57,2 mil toneladas de junho de 2025. Para o trigo, não há previsão de embarques no mês.
As estimativas da Anec indicam continuidade do fluxo externo de grãos e derivados no curto prazo, com destaque para a soja. O comportamento final dos embarques dependerá do andamento da programação portuária ao longo do mês, já que a entidade trabalha com intervalos estimados e pode revisar os números nas próximas semanas.
Os preços médios do etanol hidratado caíram em 18 estados na semana passada, subiram em 3 e no Distrito Federal (DF) e ficaram estáveis em 5, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilado pelo AE-Taxas. Na média nacional, o litro recuou 0,95%, para R$ 4,18. Em São Paulo, principal estado produtor e consumidor, a queda foi de 1,27%, para R$ 3,88 por litro.
O levantamento da ANP mostra comportamento regional distinto no mercado de etanol hidratado, com predominância de recuo nos preços ao consumidor. As altas da semana foram registradas no Acre, onde o litro subiu 1,13%, para R$ 5,39; na Bahia, com avanço de 3,74%, para R$ 4,99; no Pará, com alta de 0,78%, para R$ 5,17; e no Distrito Federal, com aumento de 2,2%, para R$ 4,18.
Entre os extremos pesquisados, o menor preço encontrado em posto foi de R$ 2,94 por litro, em São Paulo, enquanto o maior valor chegou a R$ 6,60 no Acre. No recorte por médias estaduais, São Paulo registrou o menor preço médio, de R$ 3,88 por litro, e o Amapá, o maior, de R$ 5,85.
Na relação com a gasolina, o etanol foi considerado competitivo em apenas sete estados e no Distrito Federal. Na média nacional, a paridade ficou em 63,24%, nível favorável ao biocombustível na comparação com o derivado de petróleo. Os porcentuais foram de 69,99% na Bahia, 63,72% no Distrito Federal, 65,58% em Goiás, 58,74% em Mato Grosso, 63,37% em Mato Grosso do Sul, 66,83% em Minas Gerais, 64,34% no Paraná e 60,06% em São Paulo.
Esse indicador é acompanhado pelo setor sucroenergético porque influencia o consumo nos postos e, por consequência, o ritmo de comercialização do biocombustível produzido pelas usinas. Executivos do setor observam que, a depender do modelo do veículo, o etanol pode manter vantagem econômica mesmo com paridade superior a 70% frente à gasolina.
Os dados da ANP indicam acomodação dos preços do etanol no varejo na última semana, com manutenção da competitividade em parte dos principais mercados consumidores. Sem informações adicionais sobre oferta, estoques ou repasses nas usinas, a evolução dos preços nas próximas semanas dependerá do comportamento regional da demanda e da relação com a gasolina.
A poucos meses do plantio da próxima safra de soja, temas ligados à qualidade das formulações agrícolas começam a ganhar espaço nas discussões técnicas dentro das fazendas. Em meio ao aumento da oferta de produtos disponíveis no mercado, produtores têm buscado entender com mais profundidade como fatores ligados à formulação podem impactar aspectos como preparo de calda, compatibilidade de misturas, qualidade das aplicações e regularidade dos resultados no campo.
Mais de 120 treinamentos técnicos serão realizados de junho a agosto em diferentes estados produtores de soja, milho e algodão por meio do circuito Tech Day – Formulações de Valor, promovido pela ADAMA. As primeiras ações ocorreram no início deste mês, em municípios do Mato Grosso, marcando o começo da programação no Cerrado brasileiro. Até agosto, o circuito deve percorrer outras áreas do Mato Grosso, assim como Rondônia, Bahia, Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí e Pará. Depois, os treinamentos avançam para outras regiões produtoras, incluindo Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Com foco em situações da rotina agrícola, os encontros abordam temas como comportamento das misturas em tanque, preparo de calda, qualidade da água, facilidade de manejo e fatores que podem interferir diretamente na entrega dos defensivos ao longo da safra. As demonstrações buscam mostrar como diferenças de formulação podem impactar desde a condução das operações até a uniformidade das pulverizações no campo.
“Hoje existe uma oferta muito grande de produtos no mercado, mas nem sempre o agricultor consegue perceber claramente as diferenças entre eles. Muitas vezes, é justamente a formulação que define fatores importantes como compatibilidade de mistura, facilidade de preparo, segurança durante a aplicação e regularidade dos resultados ao longo da safra”, afirma Leandro Garcia, gerente de Portfólio & Desenvolvimento de Mercado da ADAMA.
Segundo o especialista, os encontros foram desenhados para colocar produtores, consultores e equipes técnicas diante de situações que normalmente aparecem durante a safra, mas nem sempre são discutidas de forma prática no campo. “A ideia é justamente transformar temas que muitas vezes ficam restritos à teoria em discussões aplicadas à realidade operacional das fazendas”, destaca.
Neste ciclo, a programação amplia os temas trabalhados durante os eventos e passa a aprofundar discussões sobre tecnologia de formulação e os impactos que ela pode gerar dentro da operação agrícola. A ideia é demonstrar como essas soluções mais avançadas podem contribuir para um desempenho agronômico mais consistente, especialmente em um momento em que cresce a oferta de produtos no mercado com diferentes padrões de qualidade.
As ações seguem sendo conduzidas em parceria com a AGROEFETIVA, especializada em tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas. Durante os encontros, a empresa participa das demonstrações práticas e dos debates relacionados à qualidade das aplicações e aos desafios operacionais encontrados no campo.
O governo federal confirmou o bloqueio de R$ 461,7 milhões do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), principal instrumento utilizado para ampliar o acesso dos produtores rurais ao seguro agrícola no país.
A medida foi oficializada por meio do Painel do Orçamento Federal e representa cerca de 45,7% de toda a contenção de despesas aplicada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Dos R$ 1,01 bilhão inicialmente previstos para o programa em 2026, restam aproximadamente R$ 548 milhões disponíveis para a subvenção.
O contingenciamento ocorre em um momento delicado para o setor agropecuário. Nos últimos anos, secas severas, enchentes, geadas e outros eventos climáticos extremos provocaram perdas bilionárias em diversas regiões do país, ampliando o endividamento de produtores e elevando a demanda por mecanismos de proteção.
A proteção encolheu
As entidades do setor afirmam que os recursos atualmente disponíveis estão muito abaixo das necessidades do campo.
A demanda apresentada pelo setor produtivo gira em torno de R$ 4 bilhões anuais para garantir uma cobertura considerada minimamente adequada à dimensão da agropecuária brasileira.
Os números mostram uma redução gradual da abrangência do programa.
Segundo dados do Atlas do Seguro Rural do Ministério da Agricultura, o orçamento executado do PSR caiu de R$ 1,15 bilhão em 2021 para R$ 565,3 milhões em 2025.
No mesmo período, a área agrícola protegida pelo programa também recuou significativamente.
Em 2021, cerca de 13,7 milhões de hectares contavam com cobertura subvencionada. Mais recentemente, esse número caiu para aproximadamente 3,2 milhões de hectares, o equivalente a pouco mais de 3% da área cultivada do país.
No Paraná, estado que tradicionalmente lidera a contratação de seguros rurais, o número de apólices subvencionadas caiu de cerca de 82 mil para 26 mil no mesmo intervalo.
Para representantes do setor, a combinação entre aumento dos riscos climáticos e redução dos recursos destinados ao seguro amplia a vulnerabilidade financeira dos produtores.
O contraste com as discussões sobre endividamento
O corte também chama atenção porque ocorre paralelamente ao avanço de discussões no Congresso Nacional voltadas justamente para o enfrentamento das consequências financeiras das perdas climáticas.
Entre as propostas em debate está o Projeto de Lei nº 2.951/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina, que busca fortalecer o sistema de seguro rural brasileiro.
A proposta prevê mecanismos para dar maior estabilidade aos recursos destinados à subvenção, além da criação de instrumentos permanentes de gestão de riscos e de um Fundo de Catástrofe para eventos climáticos extremos.
O objetivo é reduzir a dependência de medidas emergenciais adotadas após cada crise climática e construir um sistema mais previsível para produtores, seguradoras e instituições financeiras.
O debate ocorre em meio ao aumento das preocupações com a capacidade de pagamento de produtores afetados por sucessivas perdas de safra.
Prevenir ou remediar?
Especialistas em gestão de risco rural defendem que o seguro agrícola é uma das formas mais eficientes de reduzir a necessidade de renegociações futuras de dívidas e de programas emergenciais de socorro.
Quando uma lavoura segurada sofre perdas causadas por seca, excesso de chuvas ou geadas, parte relevante do prejuízo é absorvida pelo sistema securitário, preservando a capacidade financeira do produtor e reduzindo impactos sobre cooperativas, revendas, bancos e fornecedores.
Sem essa proteção, os efeitos tendem a se espalhar por toda a cadeia produtiva, comprometendo investimentos, crédito e geração de renda em diversas regiões agrícolas.
A consequência não fica restrita ao campo.
Quebras recorrentes de safra podem reduzir a oferta de determinados produtos e contribuir para pressões adicionais sobre os preços dos alimentos, afetando também os consumidores urbanos.
Um debate que vai além do orçamento
O desafio fiscal enfrentado pelo governo é real e atinge diferentes áreas da administração pública.
No entanto, o corte de quase metade dos recursos destinados ao seguro rural reacende uma discussão importante sobre prioridades e sobre a forma como o país administra os riscos de uma atividade cada vez mais exposta às mudanças climáticas.
Enquanto produtores, seguradoras, cooperativas e parlamentares discutem formas de fortalecer os instrumentos de proteção do campo, a redução dos recursos do PSR aponta na direção oposta.
A questão central é simples: o Brasil continuará investindo mais na prevenção dos prejuízos ou seguirá concentrando esforços apenas depois que a crise já estiver instalada?
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária Foto: Jonas Pereirao/Agência Senado
O Senado Federal deve votar nesta quarta-feira (10) o projeto de lei que cria uma linha especial de financiamento para renegociação de dívidas rurais. O texto prevê juros reduzidos, prazo de até 10 anos para pagamento e possibilidade de uso do crédito para quitar operações contratadas até o fim de 2025.
A proposta, que já foi aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), ganhou força após pressão de produtores afetados por sucessivas perdas climáticas e pelo aumento dos custos de produção nos últimos anos. O projeto também passou a incluir produtores impactados por efeitos econômicos de conflitos geopolíticos internacionais.
Relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), o PL 5.122/2023 autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de outros fundos públicos para financiar a renegociação das dívidas.
O texto prevê que produtores rurais poderão contratar uma nova linha de crédito para quitar débitos de crédito rural, empréstimos bancários e Cédulas de Produto Rural (CPRs), renegociadas ou não, desde que tenham sido contratadas até 31 de dezembro de 2025.
As dívidas serão recalculadas sem aplicação de multa, juros de mora ou outros encargos por inadimplência.
Entenda o impacto para os produtores Na prática, o projeto cria uma espécie de “refinanciamento rural” com juros abaixo dos praticados atualmente no mercado e prazo mais longo para pagamento, o que pode aliviar o fluxo de caixa de produtores em dificuldade financeira.
As taxas variam conforme o porte do produtor:
3,5% ao ano para agricultores familiares e pequenos produtores enquadrados no Pronaf;
5,5% ao ano para médios produtores ligados ao Pronamp;
7,5% ao ano para os demais produtores.
Além dos juros reduzidos, os financiamentos poderão ter prazo de até 10 anos para pagamento, com até três anos de carência, dependendo da operação.
Outro ponto considerado estratégico pelo setor é a suspensão temporária das cobranças. O projeto autoriza as instituições financeiras a prorrogarem por 180 dias parcelas vencidas das operações incluídas no programa. Durante esse período, ficam suspensas cobranças judiciais e extrajudiciais, execuções fiscais e inscrições em cadastros de inadimplência.
Quem poderá acessar a renegociação O projeto estabelece critérios para acesso ao benefício. Entre eles, o produtor deverá comprovar perdas recorrentes por eventos climáticos ou impactos econômicos severos.
Poderão acessar a linha especial produtores, cooperativas, associações e condomínios rurais que:
tenham registrado perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda agropecuária esperada;
estejam localizados em municípios com decretação de emergência ou calamidade pública;
comprovem dificuldade financeira causada por eventos climáticos extremos ou aumento de custos relacionados ao cenário internacional.
Para produtores localizados na área da Sudene, o período de análise será ampliado e considerará perdas registradas desde 2012.
Projeto amplia fontes de recursos Além do Fundo Social do Pré-Sal, o texto também autoriza o uso de recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO), Fundo Constitucional do Nordeste (FNE), Fundo Constitucional do Norte (FNO) e do Funcafé para viabilizar as renegociações.
Segundo o relator, a medida busca dar uma resposta ao avanço dos eventos climáticos extremos e ao aumento do endividamento no campo.
A proposta recebeu 54 emendas durante a tramitação no Senado. Entre as mudanças incorporadas ao relatório está a ampliação do prazo das dívidas contempladas até dezembro de 2025 e a autorização para a União reforçar o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), reduzindo o risco das operações para instituições financeiras.
Foi instalada nesta terça-feira (9) a comissão mista do Congresso Nacional que vai analisar a Medida Provisória (MP) 1343/26, voltada ao cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário. O texto, editado em março, cria mecanismos para ampliar a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. A medida precisa ser votada até quarta-feira (16 de julho) para não perder a validade.
A comissão terá como vice-presidente o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). A relatoria ficará com o deputado Zé Trovão (PL-SC), e a revisão com o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN). A presidência do colegiado caberá ao Senado Federal, mas o nome ainda não havia sido indicado pelas lideranças até a instalação da comissão.
A MP torna obrigatório o registro de todas as operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). Pelo texto, o código deverá reunir informações como origem e destino da carga, nome do contratante, identificação do transportador e valor do frete. O sistema também deverá bloquear a emissão do CIOT quando o contrato registrar pagamento inferior ao piso mínimo definido em lei.
A proposta ainda amplia as punições para empresas e contratantes que descumprirem as regras. Entre as sanções previstas estão multas mais altas, suspensão temporária e, em caso de reincidência, cancelamento do Registro Nacional do Transportador Rodoviário de Cargas (RNTRC). As penalidades também podem alcançar responsáveis por anúncios de fretes com valores abaixo do permitido.
Para o setor agropecuário, o tema tem relação direta com o custo logístico, já que o transporte rodoviário é a principal via de escoamento de grãos, fertilizantes, proteína animal e insumos no país. O conteúdo disponível, no entanto, não informa valores de multas nem detalha eventuais efeitos tarifários por cadeia produtiva.
A análise da comissão será a etapa inicial da tramitação no Congresso Nacional. Até a votação final, o setor deverá acompanhar se o texto será mantido ou alterado, especialmente nos pontos ligados à fiscalização eletrônica, às sanções e à execução do piso mínimo no transporte rodoviário de cargas.
O Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), sedia de domingo (8) a quinta-feira (12), em Eldorado do Sul (RS), um treinamento internacional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) sobre resistência a carrapaticidas. A atividade reúne especialistas de sete países para harmonizar técnicas de diagnóstico e fortalecer uma rede internacional de laboratórios.
Participam da capacitação representantes do Brasil, México, Uruguai, Equador, Panamá, Uganda e da ilha de Guadalupe, território francês no Caribe. Segundo a FAO, a iniciativa faz parte de um programa global iniciado em 2021 para padronizar protocolos laboratoriais, unificar procedimentos e gerar dados comparáveis sobre a distribuição e a intensidade da resistência dos carrapatos aos carrapaticidas em diferentes regiões.
A programação combina atividades teóricas e práticas. Os participantes acompanham métodos de diagnóstico de resistência, rotinas de controle de qualidade e boas práticas laboratoriais nos laboratórios do IPVDF. Também está prevista visita a uma propriedade da região para coleta de amostras de carrapatos.
De acordo com o diretor do IPVDF, José Reck, o treinamento busca integrar governos e laboratórios na padronização das ações de diagnóstico e de comunicação sobre o controle de carrapatos. Já o pesquisador do Laboratório de Parasitologia do IPVDF, Guilherme Klafke, informou que a escolha do instituto está ligada à atuação de mais de 50 anos na área e à participação do centro no grupo de trabalho da FAO responsável pela harmonização das técnicas.
O tema tem efeito direto sobre a pecuária, porque a resistência reduz a eficiência dos produtos usados no controle do parasita e pode elevar custos de manejo, perdas produtivas e necessidade de monitoramento sanitário. Nesse contexto, a padronização dos testes pode ampliar a confiabilidade dos diagnósticos e orientar decisões técnicas mais ajustadas nas propriedades.
Além dos participantes estrangeiros, o treinamento reúne profissionais da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pecuária Sul, da Embrapa Gado de Corte e do Instituto Biológico de São Paulo. Uma segunda etapa da capacitação está prevista para setembro, novamente em Eldorado do Sul.
A proposta da FAO é que cada continente conte com um laboratório de referência para apoiar capacitação, pesquisa e desenvolvimento de estratégias de diagnóstico e controle. No Rio Grande do Sul, o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Estado do Rio Grande do Sul (Fundesa) também viabiliza ao IPVDF a oferta, sem custos aos produtores rurais, de testes de resistência a carrapaticidas.
A atuação de um ciclone extratropical no oceano e a formação de novas áreas de instabilidade mantêm o tempo carregado em parte do Brasil nesta quarta-feira (10), com previsão de chuva forte, temporais isolados e risco de geada em áreas do Sul, segundo a Climatempo.
O ciclone se afasta mais para o oceano, mas a combinação entre uma frente fria, uma área de baixa pressão no interior do continente e o transporte de umidade da Amazônia mantém o tempo instável, principalmente no Paraná. O oeste e a faixa norte do estado devem registrar chuva moderada a forte ao longo do dia, com risco de temporais isolados, especialmente no oeste e na metade norte paranaense.
A instabilidade também avança sobre o norte e a metade oeste de Santa Catarina, onde a chuva pode ocorrer com moderada a forte intensidade. O céu segue bastante encoberto entre Santa Catarina, Paraná e o norte do Rio Grande do Sul, mantendo as temperaturas mais amenas. Há possibilidade de geada entre a Serra Gaúcha e a Serra Catarinense.
Sudeste
A nebulosidade aumenta e a chuva volta a ganhar força em São Paulo. De acordo com a Climatempo, a passagem de uma frente fria no oceano, aliada a um cavado meteorológico e a uma nova área de baixa pressão, favorece pancadas moderadas a fortes em diversas áreas do estado.
As primeiras chuvas devem atingir o oeste, sudoeste, sul e interior paulista ainda pela manhã, avançando para outras regiões ao longo do dia. Há chance de temporais isolados no oeste e sudoeste do estado. Também pode chover no extremo sul de Minas Gerais. Já nas demais áreas do Sudeste, o tempo permanece firme, com sol entre nuvens.
As temperaturas ficam mais baixas no centro-sul paulista e no sul de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, enquanto o calor segue predominando nas demais áreas. A umidade relativa do ar continua baixa no norte de São Paulo, Triângulo Mineiro e norte mineiro, com índices abaixo dos 30%. Rajadas de vento entre 40 e 50 km/h também podem ocorrer nessas regiões.
Centro-Oeste
Mato Grosso do Sul concentra as áreas de maior instabilidade. A chuva atua desde cedo no sul e sudoeste do estado e deve se espalhar pela metade sul sul-mato-grossense ao longo do dia, com pancadas moderadas a fortes, trovoadas e possibilidade de temporais isolados.
Segundo a Climatempo, a atuação de um cavado atmosférico, de uma área de baixa pressão e do Jato de Baixos Níveis favorece o avanço das instabilidades na região. Em Mato Grosso, há previsão de aumento da chuva no oeste e noroeste do estado. Já Goiás e o Distrito Federal seguem com tempo firme.
As temperaturas continuam elevadas na maior parte do Centro-Oeste, mantendo a sensação de abafamento, enquanto o centro-sul de Mato Grosso do Sul deve ter temperaturas mais amenas. A umidade do ar segue baixa em Goiás, leste de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, com índices abaixo dos 30%. As rajadas de vento podem variar entre 40 e 50 km/h.
Nordeste
A circulação marítima mantém a chuva sobre o litoral entre Alagoas e o Rio Grande do Norte. As pancadas começam mais fracas pela manhã e ganham intensidade ao longo do dia, avançando também para áreas do leste de Pernambuco e de Alagoas.
A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) segue favorecendo pancadas moderadas a fortes na metade norte do Maranhão e do Piauí, além de grande parte do Ceará. Há risco de temporais no litoral do Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e no litoral norte de Pernambuco.
No interior da região, o tempo continua seco e quente, com baixos índices de umidade, especialmente no centro-oeste da Bahia e na metade sul do Maranhão e do Piauí, onde a umidade pode ficar abaixo dos 30%.
Norte
O padrão típico amazônico segue predominando, com calor, alta umidade e pancadas de chuva entre a tarde e a noite. As instabilidades atingem Roraima, Amapá, Amazonas, norte e oeste do Pará, além de Rondônia e Acre.
Há risco de temporais no norte e litoral do Amapá, em Roraima, no oeste e litoral do Pará, oeste de Rondônia e em diversas áreas do Amazonas. Já no Tocantins e no restante do Pará, o tempo segue mais firme.
As temperaturas continuam elevadas em toda a região, mantendo a sensação de abafamento. No Tocantins, a umidade relativa do ar também pode ficar abaixo dos 30%.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou, nesta terça-feira (9), durante o 2º Encontro do Programa Produtor de Água, em Brasília, que o uso eficiente dos recursos hídricos e a valorização dos serviços ambientais são pontos centrais para a produção agropecuária. O evento foi promovido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e reuniu representantes de diferentes setores para discutir conservação da água e mecanismos de pagamento por serviços ambientais.
Durante o painel sobre a importância do Programa Produtor de Água para os usuários de recursos hídricos, o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Filho, afirmou que a água é um insumo essencial para a produção de alimentos e biocombustíveis e para a permanência do produtor rural na atividade. Segundo ele, a disponibilidade hídrica influencia diretamente o desempenho das lavouras, especialmente em cenários de janelas curtas de plantio.
Nelson Filho também destacou que cerca de 90% da água utilizada pelos produtores rurais tem origem nas chuvas. Nesse contexto, o manejo adequado e o armazenamento do recurso passam a ser fatores técnicos relevantes para reduzir perdas produtivas em períodos de menor oferta hídrica. A avaliação apresentada no encontro é de que o planejamento do uso da água precisa ocorrer ao longo de todo o ano, com foco em conservação e eficiência.
Criado em 2001 pela ANA, o Programa Produtor de Água foi citado pela CNA como instrumento para incentivar práticas sustentáveis nas propriedades e ampliar mecanismos de pagamento por serviços ambientais. A entidade defendeu que esses instrumentos podem reconhecer ações de conservação já adotadas no meio rural e associá-las a ganhos de eficiência produtiva.
No debate, a CNA também relacionou o tema à produtividade do agro brasileiro. Segundo a entidade, o aumento da produção sem expansão significativa de área tem sido apoiado por intensificação e verticalização dos processos produtivos. O conteúdo apresentado no evento, porém, não detalhou valores, metas ou novos prazos para expansão dos pagamentos por serviços ambientais.
O encontro reforçou a relação entre gestão hídrica, produção agropecuária e conservação ambiental. Sem divulgação, até o momento, de novas medidas operacionais ou números adicionais sobre adesão ao programa, o avanço dessa agenda dependerá do detalhamento de mecanismos de incentivo e da aplicação prática das políticas nas propriedades rurais.
No morning call desta quarta-feira (10), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que a reversão do tom de Trump sobre o Irã desfez o alívio da manhã e devolveu volatilidade aos mercados.
O petróleo caiu 2,97% a US$ 91,45, o dólar fechou estável a R$ 5,17 e o Ibovespa subiu 0,68% aos 169 mil pontos. Juros longos flertaram com 15% e o Tesouro reduziu oferta ao mínimo. Hoje, o CPI dos EUA chega com projeção de 4,2% e pode mover câmbio e bolsa em qualquer direção.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.