A relação de troca entre boi gordo e milho apresentou uma melhora de 3% em maio, conforme dados divulgados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). O boi gordo a prazo foi negociado em média a R$ 348, uma baixa de 2,01% em relação ao mês anterior, devido ao aumento da oferta de animais.
Preços do milho e do boi gordo
O preço do milho foi cotado a R$ 43 por saca, apresentando um recuo mensal de 4,93%. Esse movimento é atribuído ao avanço da colheita e à maior disponibilidade do grão no mercado.
Dados adicionais sobre a moagem de trigo
A moagem total de trigo no Brasil ultrapassou 13,2 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 0,6% em relação ao ano anterior, conforme pesquisa divulgada pela Abitrigo. O acréscimo foi de 76.000 toneladas, indicando um ambiente de consumo sustentado pela oferta da indústria ao varejo e ao setor de alimentos.
Medidas do governo sobre combustíveis
Em outra frente, um decreto do presidente Lula instituiu uma subvenção de 44 centavos por litro da gasolina, em resposta à alta dos combustíveis, que está associada à valorização do petróleo no mercado internacional. O pagamento será realizado diretamente a produtores e importadores pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) aprovou, nesta terça-feira (26), o Projeto de Lei 5.451/2019, que autoriza o uso de recursos dos fundos constitucionais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste em pesquisa, desenvolvimento e inovação. A proposta altera a legislação dos fundos e amplia o rol de beneficiários. O texto segue agora para análise da Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR).
Pela proposta, os recursos dos fundos, tradicionalmente voltados ao financiamento de atividades produtivas, também poderão ser destinados a incubadoras, parques tecnológicos, instituições científicas e projetos desenvolvidos em parceria entre empresas e centros de pesquisa. O projeto é de autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) e teve parecer favorável do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), com leitura na comissão pelo senador Jaime Bagattoli (PL-RO).
O relatório aprovado retirou a previsão original de reserva mínima obrigatória de recursos para inovação. Com isso, o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico passa a constar como diretriz de aplicação dos fundos, sem percentual fixo. Segundo o texto em tramitação, a mudança busca dar maior flexibilidade à destinação dos financiamentos.
A proposta também amplia o número de possíveis tomadores de crédito e apoio financeiro, incluindo instituições científicas, incubadoras, parques tecnológicos e iniciativas realizadas em cooperação entre setor público e iniciativa privada. O conteúdo disponível não detalha valores, percentuais de alocação nem critérios setoriais específicos para agropecuária, indústria ou serviços.
Para o público do Canal Rural, a matéria tem relação com política pública de crédito e inovação em regiões com forte presença de cadeias agropecuárias e agroindustriais, especialmente no Centro-Oeste e em áreas do Matopiba. Se o texto avançar sem restrições setoriais adicionais, produtores, cooperativas, agroindústrias e centros de pesquisa poderão disputar recursos ao lado de outros segmentos econômicos, a depender da regulamentação e das linhas operacionais dos fundos.
O alcance prático da medida ainda dependerá da tramitação no Senado e, em caso de aprovação final, da regulamentação sobre elegibilidade e operação dos financiamentos. Até o momento, o projeto cria a possibilidade legal de uso dos fundos para inovação, mas não define volume mínimo de recursos nem prioridade obrigatória para setores específicos.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou, entre domingo (17) e sexta-feira (22), visitas de gestão e orientação em municípios do Pará para apresentar o programa SocioBio Mais a extrativistas e organizações locais. A ação passou por Viseu, Vigia de Nazaré, Colares e Santo Antônio do Tauá. O foco foi esclarecer regras de acesso à subvenção quando o preço de venda de produtos da sociobiodiversidade ficar abaixo do preço mínimo oficial.
Segundo a Conab, a agenda foi conduzida pela Superintendência Regional do Pará (SUREG/PA), com participação de técnicos da matriz, em Brasília (DF), e do Setor de Apoio à Logística e Gestão da Oferta (Segeo) no estado. As atividades incluíram oficinas, reuniões e visitas técnicas a comunidades, cooperativas, associações e órgãos de assistência técnica e extensão rural.
Nas reuniões, os técnicos detalharam o funcionamento do SocioBio Mais, os direitos e deveres dos beneficiários e os procedimentos exigidos para ingresso na política pública. Entre os pontos discutidos estiveram a emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), a emissão de nota fiscal por associações e cooperativas e as dificuldades operacionais para acessar a subvenção.
A programação também buscou levantar informações sobre coleta, beneficiamento e comercialização de produtos extrativos. O roteiro envolveu cadeias como murumuru, andiroba, açaí e outras espécies da sociobiodiversidade. Em Colares, a Conab estimou a participação de cerca de 30 pessoas, incluindo representantes de comunidades como Maracajo, Mocajatuba, Juçarateua e São Pedro.
Em Vigia de Nazaré, a equipe visitou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater/PA), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e entidades ligadas ao açaí e a produtos regionais. Em Santo Antônio do Tauá, o trabalho teve caráter de aproximação e levantamento de informações em unidades produtivas e organizações locais, como a Cantauá.
Para extrativistas e associações, a orientação técnica pode reduzir entraves documentais e operacionais para participação no programa. A política é acionada quando os preços recebidos pelos produtores ficam abaixo do mínimo fixado, o que pode influenciar a renda e a regularidade da comercialização nessas cadeias.
De acordo com o planejamento da SUREG/PA, novas viagens de gestão e orientação estão previstas para o segundo semestre, entre agosto e outubro, em Anajás, Gurupá, Abaetetuba e Igarapé Miri. A programação deverá incluir produtos como açaí, borracha, buriti e castanha. A Conab não informou, no material divulgado, valores de subvenção por produto nem o número total de potenciais beneficiários no estado.
O mercado financeiro encerrou esta terça-feira (26) com queda do Ibovespa e leve alta do dólar no mercado doméstico. O principal índice da Bolsa brasileira recuou 0,69%, aos 176.589,03 pontos, com volume de R$ 22,63 bilhões. No câmbio, o dólar comercial fechou vendido a R$ 5,0274, alta de 0,17%. As taxas de referência de juros seguiram em 14,40% ao ano no CDI e no over.
Durante a sessão, o Ibovespa oscilou entre máxima estável de 177.816 pontos e mínima de 175.516 pontos, quando chegou a cair 1,29%. No acumulado de 2026, o índice ainda sobe 9,6%, mas registra recuo de 5,73% no mês.
Nos mercados externos, o Dow Jones caiu 0,23%, aos 50.461,68 pontos, enquanto o Nasdaq avançou 1,19%, aos 26.656,18 pontos. O Ibovespa futuro, com vencimento mais próximo, fechou em 177.855 pontos, queda de 0,81%, após variar entre 179.250 e 176.785 pontos.
Entre as ações de maior peso, Vale ON e Vale PNA recuaram 0,89%, cotadas a R$ 82,85. Petrobras PN ficou praticamente estável, com baixa de 0,02%, a R$ 43,39, enquanto Petrobras ON subiu 0,43%, para R$ 48,90. No setor de alimentos, MBRF ON avançou 0,74%, a R$ 16,36.
No câmbio, além do dólar comercial a R$ 5,0274 na venda, o dólar futuro para junho fechou em R$ 5,0400, alta de 0,47%. O dólar Ptax terminou em R$ 5,0211 na venda, com avanço de 0,28%. O euro comercial foi cotado a R$ 5,8490 na venda, alta de 0,1%.
Para o setor agropecuário, câmbio e juros são referências centrais. A valorização do dólar influencia a formação de preços de exportação e o custo de insumos dolarizados, como fertilizantes e defensivos. Já o CDI de 14,40% ao ano mantém elevado o custo financeiro de operações de capital de giro e de carregamento de estoques. O fechamento divulgado, porém, não informa os fatores conjunturais que explicaram o movimento do dia.
Os indicadores do encerramento mostram um ambiente de mercado com moeda norte-americana em patamar acima de R$ 5,00 e juros domésticos ainda elevados. Para produtores e agentes das cadeias agroindustriais, a leitura técnica segue concentrada na evolução do câmbio, do custo de financiamento e do comportamento das ações ligadas a commodities. Sem detalhamento adicional sobre os vetores da sessão, não há base suficiente para projetar tendência de curto prazo além dos números do fechamento.
O mercado brasileiro de soja teve uma sessão de pouca movimentação nesta terça-feira (26), marcada por pequenas oscilações nos preços e maior firmeza na demanda das indústrias no mercado interno. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, as fábricas apresentaram ofertas mais atrativas, especialmente em Goiás, enquanto os portos tiveram um dia mais lento, sem grandes negociações reportadas.
O cenário externo limitou variações mais expressivas nos preços. A Bolsa de Chicago encerrou o dia em baixa, o dólar apresentou leve alta e os prêmios permaneceram praticamente estáveis. Com isso, as cotações tiveram mudanças pontuais na maior parte das regiões acompanhadas.
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De acordo com Silveira, o mercado teve um comportamento “morno” ao longo da sessão, refletindo a cautela dos agentes diante do cenário internacional e da expectativa em relação ao andamento da safra norte-americana.
No mercado físico brasileiro, algumas praças registraram estabilidade, enquanto outras apresentaram pequenas quedas nas cotações da soja.
Preços de soja no Brasil
Passo Fundo (RS): manteve em R$ 124,00
Santa Rosa (RS): manteve em R$ 125,00
Cascavel (PR): desceu de R$ 120,00 para R$ 119,00
Rondonópolis (MT): desceu de R$ 110,00 para R$ 109,00
Dourados (MS): manteve em R$ 113,50
Rio Verde (GO): manteve em R$ 112,00
Paranaguá (PR): desceu de R$ 131,00 para R$ 130,00
Rio Grande (RS): manteve em R$ 130,00
Soja em Chicago
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta terça-feira. As previsões de clima favorável ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas pressionaram o mercado na primeira sessão após o feriado nos Estados Unidos.
O mercado segue atento às condições climáticas e ao avanço do plantio nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga o relatório semanal sobre o andamento das lavouras nas principais regiões produtoras.
Segundo informações da agência Reuters, o clima seco em grande parte do cinturão do milho deve favorecer o avanço do plantio, embora aumente a preocupação com a seca em áreas do Meio-Oeste e das Planícies do Norte. As chuvas recentes, porém, melhoraram a umidade do solo em regiões como o sudeste do Meio-Oeste, leste de Nebraska e delta do Mississippi.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja com entrega em julho encerraram o dia cotados a US$ 11,86 por bushel, com queda de 10,50 centavos de dólar ou 0,87%. A posição agosto fechou em US$ 11,85 por bushel, com baixa de 10 centavos ou 0,83%.
Entre os subprodutos, o farelo de soja para julho caiu US$ 3,30, encerrando a US$ 328,60 por tonelada. Já o óleo de soja para julho fechou em alta de 0,51%, cotado a 74,36 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,15%, cotado a R$ 5,0275 para venda e R$ 5,0255 para compra. Durante o pregão, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,0035 e R$ 5,0375.
Mulheres que recebem salário-maternidade diretamente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre elas trabalhadoras rurais, empregadas domésticas e contribuintes individuais, passarão a ter o benefício liberado em até 30 dias após o requerimento. A regra está na Lei 15.415/26, sancionada sem vetos e divulgada nesta terça-feira (26). Se o prazo não for cumprido, a concessão será automática.
A nova lei altera o procedimento de análise do salário-maternidade pago pela Previdência Social a categorias que não recebem o benefício diretamente do empregador. Segundo o texto, o prazo máximo para liberação será de 30 dias. Hoje, de acordo com as informações que acompanham a norma, o INSS leva cerca de 45 dias para efetuar o pagamento, sem obrigação legal de concessão automática em caso de atraso.
A medida alcança seguradas especiais, grupo que inclui trabalhadoras rurais, indígenas, quilombolas e pescadoras, além de empregadas domésticas, contribuintes individuais, como microempreendedoras individuais (MEIs), trabalhadoras avulsas e seguradas desempregadas. No caso do público rural, a mudança incide sobre uma parcela que depende do benefício como renda temporária em período de afastamento por parto ou adoção.
A lei também estabelece como funcionará a revisão posterior pelo INSS. Mesmo após a concessão automática, o instituto poderá verificar se a segurada atendia aos requisitos. Se houver direito, o pagamento continua normalmente. Se ficar comprovada má-fé no pedido, o benefício será encerrado e os valores deverão ser devolvidos. Sem má-fé, o pagamento poderá ser interrompido, mas sem devolução dos recursos já recebidos.
O salário-maternidade garante renda por 120 dias. O valor varia entre o salário-mínimo e a remuneração integral, conforme a categoria da segurada. O pagamento pode começar entre 28 dias antes do parto e a data de nascimento da criança. A norma teve origem no Projeto de Lei do Senado 296/16, depois convertido em Projeto de Lei 10021/18.
Para trabalhadoras rurais enquadradas como seguradas especiais, a nova regra reduz o prazo legal de espera e cria um mecanismo de liberação automática em caso de atraso administrativo. A aplicação prática da medida dependerá dos procedimentos operacionais adotados pelo INSS, que não foram detalhados no conteúdo disponível.
A Comissão de Cana-de-Açúcar e Energia Renovável da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) realizou, nesta quinta-feira (21), reunião voltada à análise dos impactos regulatórios, produtivos e de mercado sobre a rentabilidade dos produtores rurais paulistas na safra 2026/27. A abertura do encontro foi conduzida pelo presidente Tirso Meirelles, que reafirmou o compromisso da Federação com a defesa do equilíbrio nas relações contratuais e da sustentabilidade econômica do setor, diante do atual cenário marcado por elevados custos de produção, retração dos preços do açúcar e do etanol e crescente deterioração da rentabilidade no campo.
“A subvenção econômica à gasolina amortece o impacto da alta internacional do petróleo, evitando um efeito cascata nos preços de alimentos e transportes. Entretanto, a medida gera preocupação ao comprometer a competitividade do etanol no mercado e reduzir a previsibilidade regulatória do setor. Além de desestimular investimentos em biocombustíveis, o mecanismo afeta diretamente a cadeia produtiva da cana-de-açúcar. Se o preço da gasolina cai devido à subvenção, o preço do etanol precisa cair proporcionalmente para manter a conhecida paridade de 70%. Isso amplia a pressão negativa sobre as margens da atividade”, comentou.
A reunião contou com a participação de Raphael Delloiagono, analista de Inteligência de Mercado do PECEGE, que apresentou as perspectivas para a safra sucroenergética 2026/27, incluindo estimativas de produção, preços e custos do setor, além de simulações relacionadas aos impactos da subvenção econômica à gasolina, autorizada pela Medida Provisória nº 1.358/2026, sobre o valor da cana-de-açúcar.
As projeções para o Centro-Sul indicam produção de aproximadamente 635,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27, volume cerca de 4% superior ao registrado no ciclo anterior, impulsionado principalmente pela recuperação da produtividade agrícola. A maior atratividade do etanol em relação ao açúcar deve resultar em uma safra mais alcooleira, com previsão de incremento de cerca de 4,2 bilhões de litros na produção total do biocombustível em comparação à safra anterior, totalizando 37,90 bilhões de litros.
A revisão do modelo do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP), criado para estabelecer parâmetros técnicos e econômicos que orientam a remuneração da cana-de-açúcar no estado, também esteve no centro das discussões, em razão de sua relevância como referência para a formação de preços e para a mitigação das assimetrias de informação na cadeia sucroenergética. Os participantes reforçaram a necessidade de aprofundamento técnico e institucional do debate, com foco na ampliação da transparência, previsibilidade e segurança econômica nas relações entre fornecedores e indústria.
Outro tema abordado foi sobre os testes de campo com a tecnologia conhecida como “bisturi”, apontada como alternativa com potencial para elevar a eficiência operacional e reduzir custos, especialmente entre pequenos e médios produtores. A técnica vem sendo avaliada quanto à sua capacidade de contribuir para a revitalização dos canaviais e para o prolongamento da vida útil das áreas produtivas, reduzindo a necessidade de renovação integral dos talhões.
O coordenador da Comissão, Nelson Perez Junior, relatou resultados preliminares positivos obtidos em áreas experimentais em sua propriedade e ressaltou a importância do avanço das pesquisas e da difusão técnica da tecnologia, após validação agronômica e econômica, no âmbito do futuro Centro de Excelência da Cana-de-Açúcar e Bioenergia, em Ribeirão Preto.
Ao final da reunião, a Comissão deliberou encaminhamentos voltados à mitigação dos impactos da política federal de combustíveis sobre a competitividade do etanol, aprofundamento das discussões sobre o Consecana-SP e o fortalecimento de iniciativas voltadas à inovação, eficiência produtiva e redução de custos na atividade canavieira paulista.
A gestão sustentável do saneamento está gerando impactos diretos na agricultura do Paraná. Por meio de um sistema de economia circular, o lodo gerado no tratamento de esgoto doméstico deixou de ser apenas um resíduo e passou a ser utilizado como insumo agrícola para correção e adubação do solo.
O material, também chamado de biossólido, passa por um rigoroso processo de higienização e controle de qualidade antes de ser destinado às propriedades rurais. O programa, desenvolvido no Paraná pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) desde as décadas de 1980 e 1990, já é considerado referencial em destinação agrícola de lodo de esgoto.
Atualmente, o sistema está estruturado em 32 cidades paranaenses, com unidades de gerenciamento que atendem desde a Região Metropolitana de Curitiba até municípios do interior do estado.
Segundo o engenheiro agrônomo Rebert Skalisz, o objetivo inicial era encontrar uma alternativa adequada para o descarte do resíduo, já que as opções eram limitadas aos aterros sanitários.
“Não se tinha um caminho adequado para se destinar esse resíduo do tratamento do esgoto. Então, começou-se o trabalho, sabendo do potencial agrícola de consumo e, vendo a experiência da própria Europa e dos Estados Unidos, começaram os estudos para fazer essa destinação agrícola”, explicou Skalisz.
Processo leva cerca de três meses
Antes de chegar às lavouras, o biossólido passa por etapas de tratamento nas chamadas Unidades de Gerenciamento de Lodo (UGLs).
De acordo com Skalisz, o material é retirado do processo de tratamento de esgoto, passa por deságue e, posteriormente, pela higienização com adição de cal virgem. Esse processo elimina agentes patogênicos, como coliformes termotolerantes, ovos de helmintos e salmonela.
Além da segurança sanitária, o cal adicionado ao lodo também atua na correção da acidez do solo. Segundo Skalisz, o potencial corretivo pode até superar o do calcário tradicional em algumas situações.
Todo o ciclo de preparo e controle do material leva aproximadamente três meses e segue os critérios estabelecidos pela Instrução Normativa nº 38 de 2025, do Instituto Água e Terra (IAT).
Durante o processo, são realizadas análises químicas e biológicas para garantir que o material atenda às exigências ambientais e agronômicas.
Insumo fornece nutrientes e melhora o solo
Além do potencial corretivo, o biossólido é rico em matéria orgânica e nutrientes importantes para o desenvolvimento das plantas, como nitrogênio, fósforo, enxofre, cobre e zinco.
O material melhora as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, aumenta a retenção de água e contribui para maior resistência das lavouras em períodos de estiagem.
Segundo Skalisz, os produtores atendidos relatam ganhos de produtividade que variam entre 15% e 20%, além de benefícios no desenvolvimento das plantas.
“Em períodos de estiagem, principalmente o calorão que estava fazendo em dezembro, os produtores relataram que a planta não envergou [quando a planta murcha]”, destacou Skalisz.
Um dos exemplos citados ocorreu em uma área de conversão florestal em Inácio Martins, na região de Guarapuava. Após a aplicação do biossólido, a primeira safra de feijão apresentou desenvolvimento significativamente superior nas áreas tratadas.
Foto: arquivo/Sanepar
Aplicação segue regras rígidas
O uso agrícola do biossólido exige acompanhamento técnico e elaboração de projeto agronômico específico para cada propriedade. Antes da aplicação, é realizada análise de solo para definição da dose adequada, considerando fatores como necessidade de correção do pH, demanda de nitrogênio da cultura e limites de metais pesados previstos em legislação.
De acordo com Skalisz, a recomendação é que a aplicação ocorra entre 15 e 30 dias antes do plantio. Apesar dos benefícios, o uso do material segue regras rígidas de segurança alimentar e ambiental.
No Paraná, o biossólido não pode ser utilizado em hortaliças e tubérculos. A restrição estadual é mais rigorosa que a legislação federal e busca reduzir riscos relacionados ao consumo direto de alimentos. Já culturas como soja, milho, trigo, cevada, café, laranja, eucalipto e pinus estão entre algumas das autorizadas para aplicação.
O material também pode ser utilizado em áreas de integração lavoura-pecuária, desde que sejam respeitados os períodos de carência estabelecidos pela legislação.
A consultoria StoneX divulgou nesta terça-feira (26) relatório sobre a safra de algodão 2025/26 e manteve inalterada as estimativas para a produção em 3.858 milhões de toneladas, mas aumentou a projeção de exportação em 6,5% ante a última previsão, indo de 3,1 para 3,3 milhões de toneladas.
Em relação à safra passada, o aumento é de 9%, considerando que o país vendeu 3.026 milhões de toneladas da pluma. De acordo com a empresa, o atual ajuste reflete a melhora nas expectativas para os embarques, que vêm superando o esperado ao longo do primeiro semestre.
Caso o número seja confirmado, será um recorde em vendas externas, consolidando a liderança brasileira no comércio internacional da fibra.
Em relação à produção, o relatório aponta que o desenvolvimento do algodão segue favorável nas principais regiões produtoras, com chuvas observadas nos estágios finais do desenvolvimento vegetativo em Mato Grosso.
Ainda assim, a StoneX indica que deve ser mantida cautela com relação à produtividade e qualidade das fibras ao longo das próximas semanas, uma vez que, com a abertura dos capulhos, a fibra tende a ficar mais vulnerável à intempérie climática.
Os números positivos chamam ainda mais atenção ao se considerar a redução da área plantada em 5% ante à última safra (de 2.139 para 2.030 milhões de hectares) e, consequentemente, decréscimo na produção de 7,1% (de 4.154 para 3.858 milhões de toneladas).
A Câmara dos Deputados analisa um substitutivo ao projeto que altera regras da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). O parecer do relator na Comissão de Finanças e Tributação, deputado Zé Neto (PT-BA), permite que o poder público compre produtos por valor de até 25% acima do preço mínimo fixado. O texto também modifica a lei do programa de venda em balcão para incluir outros produtos destinados à ração animal, além do milho.
Pela proposta original, a mudança principal estava no volume de produtos que poderiam ser adquiridos para a formação de estoque estratégico de alimentos básicos. O limite passaria de 1/12 para 3/12 do consumo anual estimado. No substitutivo apresentado na comissão, esse ponto foi retirado e a alteração passou a se concentrar no valor de compra pago ao produtor.
Segundo o texto relatado, o adicional autorizado nas aquisições públicas poderá chegar a 25% acima do preço mínimo. A justificativa apresentada é que a média de mercado tem se mantido acima desse piso, o que, na prática, reduz a efetividade do mecanismo quando o governo precisa operar compras para formação de estoques.
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A proposta também altera a legislação do Programa de Venda em Balcão (ProVB). Hoje voltado ao milho, o programa passaria a abranger outros produtos destinados à ração animal. A mudança amplia o alcance operacional da política pública para atendimento de criadores que dependem de insumos alimentares, especialmente em situações de oferta restrita ou necessidade de abastecimento regional.
Para o setor agropecuário, a tramitação é relevante porque a PGPM é um instrumento de sustentação de renda e de intervenção em momentos de distorção entre preços de mercado e preços mínimos oficiais. Já o ProVB tem relação direta com o custo de alimentação animal, fator que influencia cadeias como avicultura, suinocultura e pecuária leiteira. O texto divulgado não informa prazos de votação nem detalha quais produtos, além do milho, poderão ser incluídos no programa.
A análise do projeto segue na Câmara dos Deputados. O alcance prático das mudanças dependerá da aprovação do texto final e da regulamentação dos produtos e condições de compra, pontos ainda não detalhados nas informações disponíveis.