terça-feira, março 31, 2026

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Pecuária pode recuperar pasto com manejo correto, afirma especialista


Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

No Giro do Boi desta segunda-feira (30), o engenheiro agrônomo Mateus Arantes apresentou uma solução estratégica para a pecuária brasileira enfrentar o encarecimento global dos fertilizantes. O Sistema São Mateus, validado pela Embrapa, surge como uma alternativa de baixo custo que utiliza o próprio gado como ferramenta de recuperação de pastagens.

Em um cenário de incertezas causadas por conflitos internacionais que limitam a oferta de insumos nitrogenados, este modelo de manejo prova que a biologia e a integração podem reduzir os custos de reforma em mais de 90%. O título desta edição reflete a mudança de mentalidade proposta pelo Sistema São Mateus: o manejo correto do gado é o que determina se o pasto será degradado ou restaurado.

Confira:

Produtividade e gestão da forragem

Para Mateus Arantes, a produtividade do gado é uma consequência direta da gestão da forragem. O sistema permite extrair até R$ 7.000,00 de lucro por hectare. Com uma carga de quatro a seis cabeças por hectare e ganho médio de setecentos gramas por dia, o produtor obtém um retorno rápido sobre o investimento.

A fazenda precisa de um “chefe do pasto”, alguém dedicado exclusivamente a observar a altura de entrada e saída do gado. “Tudo depende da intensidade e frequência do pastejo”, afirma Mateus. É esse ajuste fino que transforma o animal de um agente de degradação em um agente de recuperação.

Estratégias de manejo

Diante da escassez de adubos em 2026, o Sistema São Mateus prioriza tecnologias que potencializam a natureza. A degradação das pastagens é uma decisão de manejo. O Sistema São Mateus prova que tratar o pasto como lavoura e o gado como aliado biológico garante a sustentabilidade financeira da fazenda. “Se você sabe manejar a frequência e a intensidade, o seu pasto será o seu maior ativo, não o seu maior custo”, conclui o agrônomo.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Saiba como ficaram as cotações de soja com mercado atento aos números do USDA


soja mãos
Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja começou a semana com baixa movimentação e poucas mudanças nos preços. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o dia foi marcado por liquidez limitada e comportamento lateral das cotações, refletindo um cenário de cautela entre compradores e vendedores.

No campo, a colheita segue como principal foco do produtor, que começa a aparecer mais no mercado. Ainda assim, o ritmo de comercialização ocorre de forma cadenciada. Apesar desse controle na oferta, cresce a necessidade de avanço nas vendas, impulsionada por compromissos típicos do período.

No cenário de preços, os prêmios voltaram a recuar ao longo do dia, enquanto as cotações oscilaram dentro de uma faixa estreita, variando entre estabilidade e leve baixa.

No mercado físico brasileiro, os preços apresentaram o seguinte comportamento:

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 124,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 125,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 120,00
  • Rondonópolis (MT): desceu de R$ 109,00 para R$ 108,00
  • Dourados (MS): desceu de R$ 114,00 para R$ 113,00
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 111,00 para R$ 110,00
  • Paranaguá (PR): desceu de R$ 131,00 para R$ 130,00
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 130,00

Soja em Chicago

No mercado internacional, os contratos futuros da soja fecharam de forma mista na Bolsa de Chicago. O grão sustentou ganhos durante boa parte do dia, mas perdeu força no fechamento. O farelo recuou e o óleo também apresentou leve baixa.

O mercado reagiu inicialmente à escalada do conflito no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e trouxe suporte às commodities. No entanto, ao longo do dia, prevaleceu o movimento de ajuste de posições, com investidores aguardando os relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

USDA

O USDA deve divulgar nesta terça-feira o relatório de intenção de plantio, com expectativa de aumento da área destinada à soja em 2026. A possível migração de área do milho para a soja está relacionada ao aumento dos custos com fertilizantes, especialmente o nitrogênio, mais demandado pelo milho.

Segundo levantamento da Reuters, o mercado projeta uma área de 85,55 milhões de acres, acima dos 81,22 milhões do ano passado. As estimativas variam entre 84,25 milhões e 86,5 milhões de acres. Ainda assim, a área de milho deve seguir maior.

Além disso, será divulgado o relatório de estoques trimestrais, com expectativa de volume em 2,077 bilhões de bushels em 1º de março, acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

Na Bolsa de Chicago, os contratos de soja para maio fecharam em US$ 11,59 por bushel, com queda de 1,23%. Já o contrato de julho recuou 1,19%. Entre os subprodutos, o farelo caiu 2,11%, enquanto o óleo registrou leve baixa.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia com leve alta de 0,14%, cotado a R$ 5,2459 para venda, após oscilar entre a mínima de R$ 5,2246 e a máxima de R$ 5,2666 ao longo da sessão.

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AgroNewsPolítica & Agro

Soja pode cair mais com oferta recorde no radar



No médio prazo, o comportamento dos preços dependerá de novos dados dos EUA


No médio prazo, o comportamento dos preços dependerá de novos dados dos EUA
No médio prazo, o comportamento dos preços dependerá de novos dados dos EUA – Foto: Divulgação

O mercado internacional da soja segue marcado por movimentos de acomodação, refletindo o equilíbrio entre fatores de oferta elevada e expectativas de demanda. Segundo análise da TF Agroeconômica, o cenário de curto prazo indica uma tendência lateral a levemente baixista, influenciada principalmente pela ampla disponibilidade do grão na América do Sul.

No médio prazo, o comportamento dos preços dependerá de novos dados sobre área plantada e estoques nos Estados Unidos, além da evolução da demanda global, com destaque para China e o setor de biodiesel. Em Chicago, a análise técnica aponta um mercado em consolidação, com resistência próxima de 1180 cents por bushel e suporte ao redor de 1140 cents.

Entre os fatores de sustentação, estão os custos mais elevados de insumos agrícolas nos Estados Unidos, que podem impactar a área cultivada ou a produtividade, além da expectativa de expansão do biodiesel, com aumento previsto no mandato de diesel de biomassa nos próximos anos. Também contribuem para o viés positivo novas vendas externas da safra americana, incluindo a confirmação recente de 105 mil toneladas, e a possibilidade de retomada das compras chinesas diante de negociações entre os dois países. A redução nas projeções de exportação brasileira para março também pode aliviar a concorrência no mercado internacional.

Por outro lado, o avanço da safra brasileira, com estimativas superiores a 183 milhões de toneladas, somado à recuperação das lavouras argentinas e ao ritmo acelerado da colheita no Brasil, amplia a oferta e pressiona as cotações. Esse conjunto reforça a percepção de um mercado ainda abastecido.

A leitura técnica mostra que, após uma reação motivada por tensões geopolíticas, os preços não conseguiram sustentar níveis mais elevados e retornaram ao intervalo de consolidação. O movimento indica que o impulso altista foi pontual e que o mercado voltou aos seus fundamentos.





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Boi gordo mantém firmeza com escalas curtas e exportações aquecidas no início desta semana


boi gordo mercado
Foto: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

O mercado físico do boi gordo iniciou a semana com maior firmeza, registrando negócios pontuais acima da referência média. O movimento reflete um cenário de oferta ainda restrita, com frigoríficos operando com escalas de abate encurtadas, entre cinco e sete dias úteis na média nacional.

Do lado da produção, os pecuaristas seguem em posição confortável para negociar, especialmente nas regiões do centro-norte, onde as condições de pastagem ainda são favoráveis. Esse cenário permite um ritmo mais cadenciado de vendas, evitando pressão sobre os preços.

No mercado externo, as exportações continuam em ritmo acelerado. A demanda chinesa segue aquecida, com importadores atuando de forma agressiva para garantir volumes antecipadamente, enquanto exportadores brasileiros buscam preencher rapidamente suas cotas de embarque. Esse ambiente reforça a sustentação dos preços no mercado interno.

Os preços da arroba apresentaram os seguintes níveis médios nas principais praças:

  • São Paulo: R$ 360,42, na modalidade a prazo
  • Goiás: R$ 340,89
  • Minas Gerais: R$ 346,18
  • Mato Grosso do Sul: R$ 349,09
  • Mato Grosso: R$ 356,15

Atacado

No mercado atacadista, os preços seguiram firmes ao longo da segunda-feira (30), sustentados pela baixa disponibilidade de carne. Mesmo diante da perda de competitividade em relação a proteínas concorrentes, como o frango, a restrição de oferta continua sendo o principal fator de suporte.

Os cortes bovinos mantiveram os seguintes patamares:

  • Quarto traseiro: R$ 27,50/kg
  • Quarto dianteiro: R$ 21,80/kg
  • Ponta de agulha: R$ 20,00/kg

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,69%, cotado a R$ 5,2558 para venda. A valorização da moeda norte-americana tende a favorecer as exportações, contribuindo para a sustentação dos preços do boi gordo.

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Carga com 17 toneladas de mel avaliada em R$ 241,5 mil é apreendida em operação


mel
Foto: divulgação/Sefa

Fiscais da Coordenação de Controle de Mercadorias em Trânsito da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), no posto do Gurupi, em Cachoeira do Piriá, nordeste paraense na divisa com o Maranhão, apreenderam, na última sexta-feira (27), cerca de 17 toneladas de mel de abelha avaliadas em R$ 241.527,00.

O condutor de uma carreta apresentou nota fiscal do produto informando que a carga era remessa para fim de exportação, com origem no município de Ourém, no Pará e destino ao município de Araranguá, em Santa Catarina. 

“A fiscalização fez a verificação física na mercadoria: eram 59 tambores com 17.476 kg de mel de abelha. Na análise da documentação fiscal, e em consulta ao sistema, não foi encontrado no cadastro do contribuinte o regime especial de exportador, obrigatório para esse tipo de operação, conforme determina a legislação tributária”, informou o coordenador Gustavo Bozola.

A carga, no valor total de R$ 241.527,99, foi retida, e lavrado o Termo de Apreensão e Depósito (TAD) cobrando imposto e multa no valor de R$ 40.576,70.

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Planta medicinal eleva desempenho e reforça a saúde de tilápias


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Foto: Gabriel Pupo Nogueira

O uso de uma planta conhecida por suas propriedades medicinais pode representar um avanço relevante para a aquicultura. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Embrapa Meio Ambiente e da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), aponta que a suplementação com Artemisia annua na alimentação de tilápias-do-Nilo melhora o crescimento, a saúde e a produtividade dos peixes em sistemas tropicais de cultivo em tanques-rede.

Os resultados indicam ganhos expressivos no desempenho produtivo, com aumento no peso dos animais e melhora na conversão alimentar, ou seja, os peixes crescem mais consumindo menos ração. Esse fator é considerado um dos principais indicadores de eficiência na piscicultura.

De acordo com a pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Michelly Soares, a adoção de soluções naturais pode trazer benefícios simultâneos ao sistema produtivo. ”A suplementação contribui para melhorar o crescimento, a eficiência alimentar e a saúde dos peixes, o que é fundamental em sistemas intensivos”, afirma.

O desempenho observado está relacionado à presença de compostos bioativos na planta, que favorecem a digestão e o aproveitamento de nutrientes, além de promover melhorias na fisiologia intestinal dos animais.

Além do ganho produtivo, o estudo também aponta efeitos positivos na saúde dos peixes. A suplementação com Artemisia annua fortaleceu o sistema imunológico e reduziu indicadores de estresse fisiológico, fatores essenciais em sistemas de cultivo intensivo, onde os animais estão mais expostos a variações ambientais e agentes patogênicos.

Outro destaque é a ação da planta sobre a microbiota intestinal. Os compostos presentes atuam de forma seletiva, inibindo microrganismos prejudiciais e favorecendo bactérias benéficas. Esse equilíbrio contribui para melhor absorção de nutrientes, otimização do metabolismo e aumento do desempenho produtivo.

A planta também apresenta propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, que ajudam a reduzir danos celulares e melhorar o estado geral dos peixes.

O estudo foi realizado em condições reais de cultivo tropical em tanques-rede, sistema amplamente utilizado no Brasil, o que reforça a aplicabilidade prática dos resultados. Nesse modelo, desafios como estresse ambiental e sanidade tornam ainda mais importante o uso de estratégias nutricionais eficientes.

Para pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, a adoção de aditivos naturais com múltiplas funções pode reduzir custos, aumentar a produtividade e tornar a atividade mais sustentável.

A utilização de plantas medicinais como a Artemisia annua surge como alternativa ao uso de produtos sintéticos e antibióticos, alinhando a produção às demandas por sustentabilidade e segurança alimentar.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que ainda são necessários novos estudos para validar a tecnologia em escala comercial e em diferentes condições de produção.

A tendência, segundo os especialistas, é de crescimento no uso de bioinsumos na aquicultura, com foco em sistemas mais sustentáveis e eficientes.

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De Mimoso do Oeste à potência do agro: Luís Eduardo Magalhães celebra 26 anos


Luís Eduardo Magalhães capital do Matopiba e potência do agro (agronegócio)
Centro de Luís Eduardo Magalhães (BA) | Imagem: Guilherme Soares/Canal Rural Bahia

Nesta segunda-feira (30), o município de Luís Eduardo Magalhães (LEM), no Oeste baiano, comemora 26 anos de emancipação político-administrativa. O que antes era apenas o povoado de Mimoso do Oeste, pertencente a Barreiras, consolidou-se em pouco mais de duas décadas como um dos principais polos agrícolas do Brasil e um símbolo de crescimento acelerado.

Com uma população superior a 118 mil habitantes, segundo estimativa mais recente do IBGE, a cidade une as tradições baianas à força dos produtores sulistas que migraram para a região.

O resultado dessa união é uma economia pujante: em 2024, o PIB do município movimentado pela prefeitura ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão, colocando LEM entre os maiores exportadores do estado.

O município também foi um dos que mais cresceram do país de acordo com último senso do IBGE. Um aumento populacional de aproximadamente 80% entre 2010 e 2022.

De “Mimoso” a potência mundial

A localização estratégica, às margens de duas importantes rodovias federais, foi o convite para que investidores e famílias de todo o país escolhessem a região para prosperar.

Para Carminha Missio, produtora rural e vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), a história da cidade se confunde com a de sua própria família, que chegou à região antes mesmo da fundação do distrito.

Para ela, celebrar os 26 anos da cidade é honrar uma trajetória de persistência:

“A minha família veio para cá muito antes de existir o Mimoso do Oeste; na época, tudo ainda pertencia a Barreiras e só existia a ‘casa do Negão’. Olhar para trás hoje e ter esse passado como um direcionamento para o futuro nos enche de profundo orgulho. Por isso, quero parabenizar Luís Eduardo Magalhães por seus 26 anos de emancipação política. Fica aqui o meu parabéns pelo esforço, pela dedicação e por tudo que faz a diferença nesta terra que é o nosso grande orgulho.”

Futuro e expansão

O ambiente de negócios em Luís Eduardo Magalhães também atrai lideranças que enxergam na cidade o local ideal para integrar a produção do campo com a indústria de alta performance.

É o caso de Almir Moraes, CEO da Captar Agrobusiness, que viu no município o cenário perfeito para escalar suas operações.

Ele destaca que a infraestrutura local e a proximidade com a agroindústria foram decisivas para o sucesso de seu empreendimento e prevê um salto ainda maior para os próximos anos:

“A estrutura aqui era mais promissora. Nós viemos buscar uma área para construir um confinamento, com o objetivo de aproveitar os resíduos da agroindústria e produzir uma arroba mais barata. Luís Eduardo foi a cidade escolhida e, certamente, nós acertamos nessa decisão. Agora, estamos vendo outras grandes empresas se instalando ao redor, como é o caso da Inpasa. Temos o desafio gigante de alimentar não só a Bahia e o Brasil, mas também o mundo. Parabéns a todos que fazem o agronegócio e outros setores de Luís Eduardo. E digo mais: essa cidade ainda vai dobrar de tamanho, se preparem para isso!”

O Canal Rural parabeniza todos os produtores, empresários e moradores que fazem parte dessa história.


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Custo logístico: o fator invisível que define a competitividade da soja


Porto Miritituba
Foto: Rafael Manzutti/Sinfra MT

No mercado global de soja, o preço não é determinado apenas pela CBOT, prêmio (basis) e câmbio. Existe um componente muitas vezes subestimado, mas decisivo na competitividade: o custo logístico, que impacta diretamente a margem do exportador e o preço pago ao produtor.

A soja brasileira compete com Estados Unidos e Argentina em condições semelhantes no preço FOB, mas com diferenças relevantes no custo de escoamento. No Brasil, o predomínio do transporte rodoviário, aliado às longas distâncias e gargalos estruturais, eleva o custo por tonelada e reduz a eficiência da cadeia.

Esse custo afeta diretamente o preço de paridade de exportação (PPE). Quanto maiores o frete interno e as despesas portuárias, menor o valor disponível “sobre rodas”, ou seja, o preço na origem. A logística, portanto, atua como um redutor direto da renda do produtor.

Além do transporte, fatores como armazenagem, filas nos portos (line-up), eficiência de embarque (loading rate) e disponibilidade de modais alternativos influenciam o basis. Em regiões distantes dos portos, esses custos podem representar parcela relevante do valor da soja, aumentando a sensibilidade ao frete.

Por outro lado, avanços logísticos geram ganhos imediatos de competitividade. A expansão do Arco Norte reduziu distâncias e elevou o preço recebido no interior, ao melhorar a paridade de exportação.

Nesse contexto, o porto de Miritituba (PA) consolidou-se como um dos principais hubs do Arco Norte, integrando o transporte rodoviário via BR-163 com a hidrovia dos rios Tapajós e Amazonas. Apesar disso, ainda enfrenta limitações operacionais, especialmente no pico da safra, quando há forte concentração de fluxo e formação de filas.

A análise dos fretes saindo de Sorriso (MT), considerando 2024 e 2025 e ajustados para valores reais pela inflação, evidencia diferenças estruturais entre rotas. O escoamento via Miritituba apresenta custos consistentemente inferiores ao de Paranaguá, reforçando a vantagem logística do Arco Norte.

Na prática, essa diferença se traduz diretamente no preço ao produtor. Como o frete é descontado na formação do PPE, reduções no custo por tonelada aumentam o valor disponível na origem. Em termos de saca, variações aparentemente pequenas no frete geram impactos relevantes na margem, podendo a chegar em lucros de R$ 9 a R$ 10, apenas pela escolha da logística.

Essa dinâmica reforça que a escolha do corredor logístico deixou de ser apenas operacional e passou a ser estratégica. Em regiões como Sorriso, maior produtor de soja do Brasil, decidir entre Arco Norte e portos do Sul pode significar ganho ou perda de competitividade.

Localizado no médio-norte do Mato Grosso, Sorriso depende fortemente da eficiência logística para transformar produtividade em rentabilidade. A distância superior a 1.500 km até os portos faz do frete um dos principais determinantes do preço recebido.

Durante a safra, a concentração de oferta eleva a demanda por transporte, pressionando o frete e reduzindo o preço no interior. Nesse cenário, o enfraquecimento do basis reflete mais as limitações logísticas do que o mercado global.

Na entressafra, com menor fluxo de cargas, o frete recua, permitindo ao produtor capturar melhores preços. Isso reforça que o frete é uma variável de mercado, e não apenas um custo operacional.

Nesse ambiente, a armazenagem torna-se estratégica, permitindo evitar a venda no pico logístico e capturar melhores condições de mercado.

Assim, em Sorriso, a logística atua como um verdadeiro “formador de preço invisível”. Mais do que produzir bem, é necessário entender quando e como escoar.

Em um mercado cada vez mais competitivo, a vantagem não está apenas na produtividade, mas na capacidade de transformar eficiência logística em margem.

*Thiago Oleto é economista e analista júnior do complexo soja na consultoria Safras & Mercado

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Soja fecha semana em baixa com ajuste nas cotações



Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1%


Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1%
Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1% – Foto: USDA

O mercado internacional da soja encerrou a semana em queda, refletindo ajustes técnicos e pressões combinadas de fundamentos globais e regionais. Segundo análise da TF Agroeconômica , o movimento seguiu a lógica de realização de lucros após a confirmação de metas de biocombustíveis nos Estados Unidos, com investidores adotando a estratégia de venda após o fato.

Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1%, com destaque para o farelo de soja, que liderou as perdas no dia. Apesar da definição de um volume mais elevado para mistura de biocombustíveis em 2026, o mercado já havia antecipado parte desse cenário, abrindo espaço para correções. Ao mesmo tempo, a pressão da oferta sul-americana contribuiu para o viés negativo, com o Brasil avançando na colheita e elevando a estimativa de safra recorde, enquanto a Argentina mantém boas condições das lavouras.

No cenário interno, a dinâmica regional mostra forte influência de fatores logísticos e de demanda. No Rio Grande do Sul, a colheita ainda avança lentamente, com produtividade afetada por estiagem em algumas áreas, enquanto o alto custo do diesel impacta o transporte, majoritariamente rodoviário. Em Santa Catarina, a demanda da agroindústria sustenta preços firmes, garantindo liquidez mesmo diante da pressão externa.

No Paraná, o avanço da colheita convive com entraves sanitários nas exportações, elevando custos e restringindo margens. Já em Mato Grosso do Sul, o aumento dos custos e limitações de armazenagem reduzem o ritmo de negócios. Em Mato Grosso, o fim da colheita expõe gargalos logísticos, com fretes elevados e capacidade limitada de estocagem, pressionando os preços ao produtor mesmo diante de processamento recorde.

 





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Pode misturar ureia com capiaçu para engordar novilhas? Especialista responde


Vacas e novilhas com bezerros ao pé em área de pastagem na fazenda Nova Piratinga. Foto: Reprodução/Giro do Boi
Vacas e novilhas com bezerros ao pé em área de pastagem na fazenda Nova Piratinga. Foto: Reprodução/Giro do Boi

No outono de 2026, o planejamento nutricional para a terminação intensiva de novilhas exige estratégias que combinem alto volume de volumoso com correção proteica de baixo custo. O zootecnista Tiago Felipini, especialista em nutrição de ruminantes, afirma que a mistura de ureia com o capim capiaçu é o “pulo do gato” para acelerar o ganho de peso.

O capiaçu é uma excelente máquina de produção de massa, mas apresenta um gargalo proteico que a ureia consegue corrigir com alta eficiência e economia. Para que as novilhas convertam o nitrogênio da ureia em músculo, o rúmen precisa de um componente extra: o enxofre.

Confira:

Importância da introdução gradual da ureia

A introdução da ureia na dieta das novilhas deve ser gradual. O organismo do animal precisa de tempo para que a flora ruminal aprenda a processar o nitrogênio não proteico sem risco de intoxicação. A distribuição deve ser rigorosamente homogênea. Se as novilhas ingerirem pelotas de ureia pura, o risco de morte por intoxicação é altíssimo.

Turbinar o capiaçu com ureia e sulfato de amônio é uma estratégia vencedora para fechar a conta da terminação com lucro. Como a ureia acelera o metabolismo, garantir sombra e conforto térmico para as novilhas permitirá que elas convertam esse aporte nutricional em ganho de peso máximo.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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