Mais do que produzir, uma fazenda lucrativa hoje depende de gestão eficiente, planejamento e uso estratégico dos recursos. A avaliação é do consultor Rodrigo Gennari, que destaca o controle de indicadores como principal diferencial no resultado da atividade.
Segundo ele, propriedades rentáveis deixam de lado o “achismo” e passam a trabalhar com dados concretos, acompanhando de perto indicadores produtivos e financeiros.
“Uma fazenda rentável é uma fazenda que ela tem toda uma disciplina de anotar os seus números. Suas despesas, receitas, movimentações de gado, compra, venda, morte, nascimento e desmama”, destaca.
Com essas informações organizadas, o produtor consegue calcular o custo de produção, o valor de venda, o lucro por arroba e a rentabilidade por hectare, o que permite tomar decisões mais assertivas e traçar estratégias para melhorar os resultados.
“Uma fazenda rentável sabe o seu custo de produção, sabe quanto que vende, sabe quanto sobra, o lucro por arroba e a rentabilidade por hectare”, explica Gennari.
O uso de sistemas de gestão também tem sido um aliado nesse processo, automatizando dados e gerando indicadores que facilitam o acompanhamento da atividade.
Para o especialista, produtores que ainda não adotam esse controle acabam perdendo oportunidades de ganho.
“O pecuarista que ainda está no ‘achismo’, não anota nada, ele está deixando muito dinheiro em cima da mesa. Então, fazer gestão é uma característica de uma fazenda rentável”, completa Gennari.
A previsão do tempo indica aumento das chuvas nos próximos dias, com destaque para a região Centro-Norte do Brasil, além do Nordeste e do norte dos estados nordestinos. O cenário é provocado pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que intensifica a formação de áreas de instabilidade nessas regiões.
Segundo a meteorologia, estados como Amazonas, Pará e Maranhão devem registrar acumulados que podem ultrapassar 100 mm entre os dias 11 e 15 de abril, com volume expressivo de chuva nas lavouras de soja.
Já no Rio Grande do Sul, em municípios de forte produção agrícola como São Borja, a previsão indica chuvas nos próximos cinco dias, com volumes acima de dois dígitos, mantendo uma distribuição mais regular das precipitações até a metade da próxima semana.
16 a 20 de abril
Quando a previsão avança para o período de 16 a 20 de abril, a chuva se concentra e se intensifica novamente no Centro-Norte do país, especialmente no Pará, onde há áreas com potencial de acumulados acima de 200 mm.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reforçou a importância do manejo adequado da lavoura de soja após a divulgação dos períodos de vazio sanitário e do calendário de semeadura para a safra 2026/2027.
As regras foram estabelecidas pela Portaria SDA/MAPA nº 1.579, publicada na sexta-feira (10) no Diário Oficial da União e assinada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), responsável pela definição das normas fitossanitárias no país.
Segundo a CNA, o cumprimento das medidas é essencial para garantir produtividade e reduzir a incidência de doenças, especialmente a ferrugem asiática, uma das principais ameaças à cultura da soja.
O Ministério manteve, em grande parte do país, os mesmos períodos adotados na safra 2025/2026, mas promoveu mudanças na Bahia, que passou a ser dividida em quatro regiões distintas para definição das janelas de vazio sanitário e semeadura.
De acordo com o assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Tiago Pereira, o conjunto de medidas é fundamental para interromper o ciclo do fungo causador da ferrugem asiática.
“O vazio sanitário segue como uma das principais ferramentas para interromper o ciclo do fungo, ao eliminar a presença de plantas vivas de soja no período de entressafra. Já o calendário de semeadura ajuda a reduzir a sobreposição de lavouras e a limitar a disseminação da doença ao longo do ciclo produtivo”, explicou.
Pereira alertou ainda para o aumento dos casos de ferrugem asiática na safra 2025/2026 em comparação ao ciclo anterior. No Paraná, os registros passaram de 66 para 156 casos; no Mato Grosso do Sul, de 12 para 70; e no Rio Grande do Sul, de 25 para 61 ocorrências.
Segundo ele, o cenário está relacionado a fatores climáticos favoráveis ao desenvolvimento do fungo e reforça a necessidade de cumprimento rigoroso das normas fitossanitárias.
“O calendário de semeadura e o vazio sanitário são ferramentas complementares e fundamentais para o manejo da ferrugem. O aumento dos registros reforça que o foco precisa estar na execução, com controle rigoroso de plantas voluntárias e monitoramento”, destacou.
Calendário por estado
No Acre, o vazio sanitário ocorre de 22 de junho a 20 de setembro de 2026, e o calendário de semeadura vai de 21 de setembro de 2026 a 8 de janeiro de 2027.
Em Alagoas, o vazio sanitário começa em 1º de janeiro de 2027 e vai até 1º de abril de 2027, com semeadura de 2 de abril de 2027 a 10 de julho de 2027.
No Amapá, o vazio sanitário vai de 1º de dezembro de 2026 a 28 de fevereiro de 2027, e a semeadura ocorre de 1º de março a 8 de junho de 2027.
No Amazonas, o vazio sanitário ocorre de 10 de junho a 10 de setembro de 2026, e a semeadura vai de 11 de setembro de 2026 a 9 de janeiro de 2027.
Na Bahia, os períodos variam por região, com o vazio sanitário e a semeadura definidos em quatro zonas distintas ao longo de 2026 e 2027.
No Ceará, o vazio sanitário ocorre de 3 de novembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027, e a semeadura de 1º de fevereiro a 31 de maio de 2027.
No Distrito Federal, o vazio sanitário vai de 1º de julho a 30 de setembro de 2026, e a semeadura de 1º de outubro de 2026 a 8 de janeiro de 2027.
Em Goiás, o vazio sanitário ocorre de 27 de junho a 24 de setembro de 2026, e a semeadura de 25 de setembro de 2026 a 2 de janeiro de 2027.
No Maranhão, os períodos variam por região, com diferentes janelas de vazio sanitário e semeadura entre julho de 2026 e março de 2027.
Em Minas Gerais, o vazio sanitário ocorre de 1º de julho a 30 de setembro de 2026, e a semeadura de 1º de outubro de 2026 a 8 de janeiro de 2027.
Em Mato Grosso, o vazio sanitário vai de 8 de junho a 6 de setembro de 2026, e a semeadura de 7 de setembro de 2026 a 7 de janeiro de 2027.
Já em Mato Grosso do Sul, o vazio sanitário ocorre de 15 de junho a 15 de setembro de 2026, e a semeadura de 16 de setembro a 31 de dezembro de 2026.
No Pará, os períodos variam por região, com janelas de vazio sanitário e semeadura entre junho de 2026 e março de 2027.
No Paraná, o vazio sanitário ocorre entre junho e setembro de 2026, e a semeadura entre setembro de 2026 e janeiro de 2027, variando por região.
No Piauí, os períodos também variam por região, com vazio sanitário e semeadura entre julho de 2026 e março de 2027.
No estado do Rio de Janeiro, o vazio sanitário vai de 15 de junho a 28 de setembro de 2026, e a semeadura de 29 de setembro de 2026 a 6 de janeiro de 2027.
No Rio Grande do Sul, o vazio sanitário ocorre de 3 de julho a 30 de setembro de 2026, e a semeadura de 1º de outubro de 2026 a 28 de janeiro de 2027.
Em Rondônia, o vazio sanitário vai de 10 de junho a 10 de setembro de 2026, e a semeadura de 11 de setembro de 2026 a 9 de janeiro de 2027.
Em Roraima, o vazio sanitário ocorre de 19 de dezembro de 2026 a 18 de março de 2027, e a semeadura de 19 de março a 26 de junho de 2027.
Em Santa Catarina, os períodos variam por região, com vazio sanitário e semeadura entre junho de 2026 e fevereiro de 2027.
Em São Paulo, os períodos também variam por região, com vazio sanitário entre junho e setembro de 2026 e semeadura entre setembro de 2026 e janeiro de 2027.
Por fim, em Tocantins, o vazio sanitário vai de 1º de julho a 30 de setembro de 2026, e a semeadura de 1º de outubro de 2026 a 15 de janeiro de 2027.
O setor de curtimento de couro passa por uma transformação com a adoção de tecnologias mais sustentáveis, capazes de reduzir o uso de água, insumos químicos e energia sem comprometer a qualidade do produto final. A JBS Couros já implementou essa inovação em três unidades e planeja expandir a solução para todas as fábricas até o fim de 2026.
Segundo o diretor de sustentabilidade da JBS Couros, Kim Sena, o curtimento é uma etapa fundamental na produção do couro, responsável por transformar a pele bovina em um material resistente e durável. Sem esse processo, a pele se deterioraria com o tempo.
É justamente o curtimento que garante a proteção contra a ação de bactérias, permitindo que o couro seja utilizado na fabricação de produtos como sofás, calçados e acessórios.
“Até chegar nessa etapa de curtimento, essa pele é uma pele, se você deixar na terra, no tempo, ela vai apodrecer. O que ninguém quer para um material que vai revestir um sofá, fazer uma bota, um cinto. Então, tem um processo de tornar esse material (a pele), protegida a bactérias. E esse processo é chamado de curtimento” explica.
Segundo a empresa, o desenvolvimento da solução exigiu anos de pesquisa, testes laboratoriais e validações para garantir que a redução de recursos não afetasse o desempenho do material. O resultado foi um processo capaz de entregar o mesmo produto final com menor impacto ambiental.
Benefícios econômicos
Além dos ganhos ambientais, como menor pressão sobre recursos naturais e redução de resíduos, a tecnologia também traz benefícios econômicos. A diminuição no consumo de água, energia e produtos químicos contribui para a eficiência operacional e aumenta a competitividade do couro brasileiro no mercado.
Monitoramento
A empresa monitora esses avanços por meio de metodologias internacionais de avaliação de ciclo de vida, que consideram todo o impacto ambiental do produto, desde a origem até o uso final. Com base nesse acompanhamento, Sena afirma ter reduzido em cerca de 40% o impacto ambiental de seus produtos nos últimos quatro anos.
A estratégia de sustentabilidade da companhia também envolve o diálogo com fornecedores e a rastreabilidade da matéria-prima, com foco em garantir uma cadeia produtiva de menor impacto.
Com a ampliação da tecnologia até 2026, a expectativa é consolidar um modelo de produção mais eficiente e alinhado às demandas por sustentabilidade no setor de couro.
O presidente do Sistema Faesp/Senar, Tirso Meirelles, e o prefeito de Avaré, Roberto Araújo, assinaram na manhã desta sexta-feira (10) a cessão do terreno para a construção do Centro de Excelência de Agroindústria e Irrigação. A região agrega os principais irrigantes do estado de São Paulo.
Durante a cerimônia, no Paço Municipal, Tirso Meirelles recebeu o título de cidadão de Avaré, pelo trabalho que tem feito em prol do desenvolvimento econômico e social do estado.
O objetivo do novo centro é transformar Avaré em referência nacional nos dois temas, atraindo profissionais e difundindo a qualifade do Senar na transformação da realidade do campo. A agroindústria agrega valor à produção agrícola, enquanto a irrigação tem potencial para aumentar sensivelmente a produtividade.
A colheita da safra brasileira de soja 2025/26 alcançou 86% da área plantada até o dia 10 de abril, segundo levantamento da Safras & Mercado. O ritmo dos trabalhos avançou de forma em relação à semana anterior, quando o índice era de 78,9%.
Apesar do progresso, o desempenho atual ainda está abaixo do observado no mesmo período do ano passado, quando a colheita já atingia 89,5% da área.
Por outro lado, o índice está praticamente alinhado à média histórica para o período, estimada em 86,9%, indicando um ritmo considerado dentro da normalidade para esta fase da temporada.
Nos últimos anos, a discussão sobre propriedade intelectual no agronegócio voltou ao centro do debate, especialmente quando o tema são os royalties pagos pela biotecnologia inserida nas sementes. Não é raro ouvir críticas que tratam essa cobrança como um custo adicional ao produtor ou entrave aos negócios.
Porém, é importante destacar que essa leitura parte de uma premissa equivocada, pois sem remuneração adequada, não há incentivo à inovação. E, sem inovação, não há ganho de produtividade, que é fundamental para seguir exportando alimentos para diversos países.
É fato que a agricultura moderna deixou de ser apenas uma atividade baseada em terra e clima. Hoje, ela é intensiva em tecnologia. As sementes que chegam ao campo são resultado de décadas de pesquisa e investimentos significativos. Melhoramento genético, biotecnologia, resistência a pragas e adaptação às mudanças climáticas não surgem por acaso. São fruto de ciência aplicada, sustentada por um modelo que depende diretamente da proteção à propriedade intelectual.
Quando esse sistema falha, os efeitos aparecem rapidamente, como é o caso da Argentina. Temos no nosso vizinho um exemplo emblemático. Por anos, o país adotou uma postura permissiva em relação à proteção de tecnologias agrícolas, especialmente na cobrança de royalties sobre sementes biotecnológicas. Até hoje, está em vigor no país uma lei de 1970 que protege agricultores do pagamento de taxas anuais às empresas de sementes.
O resultado foi um ambiente de baixa previsibilidade jurídica e pouco estímulo ao investimento em pesquisa e desenvolvimento. Com isso, diversas empresas deixaram o país para apostar em mercados mais promissores. Os números deixam isso claro. Segundo dados da Céleres e Agroconsult, enquanto o Brasil consolidou um ambiente mais seguro para inovação, com cerca de 39 milhões de hectares de soja geneticamente modificada e produção estimada em 147 milhões de toneladas, a Argentina ficou significativamente atrás, com aproximadamente 16,5 milhões de hectares e produção de 48,6 milhões de toneladas.
A produtividade Argentina é 17% inferior à do Brasil e dos Estados Unidos, consequência direta da disponibilidade de sementes obsoletas, que não acompanharam a modernização dos mercados e que contribuíram para a crise no setor agrícola argentino, com perdas de safra e baixa resistência às pragas.
Mais do que a diferença de escala, chama atenção a trajetória. Nos últimos anos, a produtividade brasileira seguiu em crescimento consistente, enquanto a Argentina apresentou estagnação e, em alguns momentos, retração. Esse reflexo está ligado diretamente à economia de ambos os países. Isso fica nítido, inclusive, na evolução do IDH de diversos municípios brasileiros ao longo das últimas décadas, agregando ao PIB, aumentando a arrecadação de impostos e gerando milhares de postos de trabalho com salários cada vez mais atrativos.
Se a Argentina decidisse hoje acelerar sua produção em 5% ao ano, levaria mais de duas décadas para alcançar o atual patamar brasileiro. E esse não é apenas um dado técnico, é um alerta sobre qual caminho não devemos seguir. Inclusive, vale destacar que o presidente Javier Milei tenta reverter esse cenário e busca modernizar a indústria de sementes no país.
Com isso, devemos ter cautela quando surgem discursos inflamados sobre a propriedade intelectual como um entrave à produção. Muito pelo contrário, ela é um dos principais motores da sua evolução. Os royalties pagos pelos produtores são o mecanismo que sustenta o ciclo de inovação, permitindo que novas tecnologias continuem sendo desenvolvidas e cheguem ao campo.
E os benefícios são concretos. Maior produtividade por hectare, redução de perdas, redução da emissão de carbono, uso mais eficiente da água, redução do uso de insumos, como defensivos agrícolas e mais previsibilidade diante de um cenário climático cada vez mais desafiador. Negar esse modelo é, na prática, optar por um sistema que desestimula a inovação e compromete o futuro do agronegócio.
É legítimo, e necessário, discutir formas de cobrança, transparência e equilíbrio na relação entre empresas e produtores. Mas tratar a propriedade intelectual como um problema em si é um erro estratégico, e basta olhar para o nosso vizinho para ver essa experiência na prática.
Garantir segurança jurídica e respeito à propriedade intelectual é garantir que o campo continue avançando, com mais tecnologia, mais produtividade e maior competitividade global.
No fim, a pergunta não é se devemos pagar por inovação. A pergunta correta é: quanto custa não pagar por ela?
*Rebeca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)
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Na Bolsa de Chicago, os contratos encerraram o dia com ganhos moderados – Foto: Divulgação
O mercado da soja apresentou leve recuperação nas negociações internacionais, em um cenário marcado por oscilações cambiais e ajustes nas expectativas de oferta e demanda. De acordo com a TF Agroeconômica , o movimento foi influenciado principalmente pela valorização do real frente ao dólar, fator que reduziu a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
Na Bolsa de Chicago, os contratos encerraram o dia com ganhos moderados. O vencimento de maio subiu 0,32%, enquanto julho avançou 0,30%. O farelo acompanhou a tendência positiva, mas o óleo de soja recuou mais de 3%, pressionado pela queda do petróleo, apesar de ainda acumular valorização expressiva no ano. O mercado também ajusta posições diante da expectativa de leve aumento nos estoques finais dos Estados Unidos.
No Brasil, o avanço da colheita no Rio Grande do Sul ganhou ritmo no início de abril, passando de 10% para 23% da área. Ainda assim, a produtividade média segue abaixo do esperado, impactada pela falta de chuvas em regiões importantes. Mesmo com relatos de doenças, os efeitos sobre a produção são limitados nesta fase final das lavouras. A menor oferta regional tem sustentado os preços no estado.
Em Santa Catarina, o mercado físico opera com estabilidade, refletindo a ausência de novos dados oficiais e um ambiente de cautela entre os agentes. Já no Paraná, a pressão da oferta e a queda do dólar influenciam negativamente as cotações no interior, ampliando as diferenças regionais.
No Centro-Oeste, o destaque é o avanço da colheita em Mato Grosso do Sul, que já supera 86%, enquanto cresce a preocupação com a forte queda na importação de fertilizantes. Em Mato Grosso, a safra recorde consolida a liderança nacional, com boa transição para o milho safrinha e preços variando conforme a logística e a demanda.
O crédito rural empresarial alcançou R$ 404 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, alta de 10% na comparação com igual período da safra anterior. Os dados constam no Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura com base no Banco Central.
Do total contratado, R$ 387 bilhões já foram efetivamente liberados aos produtores, crescimento de 5% em relação ao ciclo passado.
O principal destaque foi a expansão das Cédulas de Produto Rural (CPR), que avançaram 38% e somaram R$ 183,1 bilhões. Considerando esse instrumento junto ao crédito tradicional de custeio, o volume destinado à produção chegou a R$ 303,1 bilhões, alta de 13%.
Segundo a Secretaria de Política Agrícola, o resultado reflete a resiliência do financiamento agropecuário, mesmo em um cenário de maior seletividade por parte de produtores e instituições financeiras.
Industrialização avança, mas linhas tradicionais recuam
A análise por finalidade mostra comportamento desigual entre as linhas de crédito.
A industrialização liderou o crescimento, com alta de 74% nas contratações, totalizando R$ 28,1 bilhões, e avanço de 64% nas concessões, que chegaram a R$ 26,4 bilhões.
Por outro lado, as linhas tradicionais registraram retração:
Custeio: queda de 11% nas contratações e 15% nas concessões
Investimento: recuo de 16% nas contratações e 30% nas concessões
Comercialização: baixa de 10% nas contratações e 16% nas concessões
O boletim aponta que a redução no investimento está ligada à cautela do produtor diante das taxas de juros elevadas, em um cenário de expectativa de queda da Selic até o fim de 2026.
Entre os programas, apenas o Prodecoop apresentou crescimento, com alta de 20% e R$ 900 milhões concedidos. O número total de contratos caiu 24%, passando de 534 mil para 408 mil operações.
Na distribuição regional, o Sul segue com o maior número de contratos, enquanto o Sudeste concentra os maiores volumes financeiros.
Fontes de recursos: avanço da LCA
Nas fontes controladas, o crédito somou R$ 106,5 bilhões, queda de 7%. Os Recursos Obrigatórios cresceram 19%, atingindo R$ 42,8 bilhões.
O destaque foi a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) controlada, que saltou 3.564% e alcançou R$ 26,9 bilhões.
Entre as fontes não controladas, o volume chegou a R$ 97,3 bilhões. A LCA livre somou R$ 47,8 bilhões, enquanto a poupança rural livre atingiu R$ 44,4 bilhões, com alta de 39%.
Execução do Plano Safra ainda tem espaço
Até março, 38% dos recursos equalizáveis do Plano Safra 2025/2026 haviam sido concedidos — R$ 43,4 bilhões de um total programado de R$ 113,4 bilhões.
Por finalidade:
Custeio: 39% executado
Investimento: 37%
Comercialização: 36%
O Banco do Brasil lidera a execução, enquanto cooperativas financeiras como Sicoob e Cresol apresentam níveis elevados de cumprimento das metas, especialmente no custeio.
Ainda há R$ 21,7 bilhões em crédito já contratado, mas não liberado.
Perspectiva: seletividade e espaço para avançar
O boletim indica que, apesar do crescimento no volume total, o crédito rural passa por um momento de maior seletividade, influenciado pelo ambiente de juros elevados.
Ao mesmo tempo, com 62% dos recursos equalizáveis ainda disponíveis, há espaço para avanço das contratações até o fim do Plano Safra.
O mercado de milho apresentou recuo nas cotações, influenciado por fatores cambiais, externos e pelo avanço da safra em diferentes regiões produtoras. A análise foi divulgada pela TF Agroeconômica.
Na B3, os contratos futuros fecharam em baixa, pressionados pela queda em Chicago e, principalmente, pela desvalorização do dólar, que atingiu R$ 5,10, o menor patamar desde maio de 2024. O cenário reduz a competitividade das exportações brasileiras. Além disso, o encerramento da colheita de verão e o avanço do plantio da safrinha, com melhora climática em parte das áreas, contribuíram para o movimento de queda.
Os contratos com vencimento em maio, julho e setembro de 2026 registraram perdas tanto no dia quanto na semana, refletindo o ambiente de maior oferta e menor sustentação externa.
No mercado físico, o comportamento segue heterogêneo entre os estados do Sul. No Rio Grande do Sul, a liquidez permanece baixa, com compradores priorizando estoques próprios. Os preços variam entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca, com estabilidade na média estadual. A produção apresenta variações importantes devido à irregularidade das chuvas.
Em Santa Catarina, o mercado também segue travado, com diferença entre pedidas e ofertas limitando os negócios. Enquanto vendedores indicam valores próximos de R$ 75,00, a demanda gira ao redor de R$ 65,00 por saca, mantendo negociações pontuais.
No Paraná, o cenário é semelhante, com baixa fluidez e incertezas relacionadas à segunda safra. O clima irregular, com calor e chuvas mal distribuídas, impacta o potencial produtivo e dificulta o manejo das lavouras, embora ainda haja sustentação parcial nos preços.
Já em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 49,00 e R$ 58,00 por saca, com negociações pontuais. O setor de bioenergia segue como importante fator de suporte, embora o mercado continue competitivo e com atuação cautelosa dos agentes.