A Secretaria de Estado da Fazenda do Pará (Sefa) apreendeu, nesta sexta-feira (17), uma carga com 80 cabeças de gado avaliada em R$ 184 mil. A ação ocorreu na Coordenação de Controle de Mercadorias em Trânsito de Gurupi, localizada em Cachoeira do Piriá, no nordeste do estado.
O veículo, um caminhão boiadeiro com origem em Parnamirim (PE) e destino a Paragominas (PA), foi parado para fiscalização. Durante a análise, foram identificadas inconsistências na documentação apresentada.
“Após o início da fiscalização e análise dos documentos fiscais, os servidores desconfiaram da natureza da operação, pois a nota informava que o gado se destinava a pessoa física sem inscrição como produtor rural. Pela quantidade, há indício de finalidade comercial”, explicou o coordenador Gustavo Bozola.
Foi lavrado Termo de Apreensão e Depósito (TAD) no valor de R$ 48.944,00, referente ao imposto e multa.
A bióloga Serena Migliore, do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan (LEEv), caminhava pelo Parque da Ciência quando seu olhar se deteve sobre uma pequena planta. Ali, repousava um besouro de brilho metálico, dourado e alaranjado, diferente de tudo que ela já havia visto.
“Quando eu estava saindo do laboratório, por volta de umas 17h30, vi um besouro com uma coloração diferente e maior do que os que eu costumava ver. Mandei uma foto dele para minha irmã, que é entomóloga (especialista em insetos), e o coletei bem rápido para não o perder de vista”, conta a bióloga.
A bióloga encontrou a espécie sobre folhas de uma árvore nativa da Mata Atlântica, conhecida como chal-chal (Allophylus edulis), recolhidas por Serena e colocadas no mesmo pote onde ela depositara o besouro.
Em casa, Serena entregou o recipiente com o besouro para análise pela sua irmã gêmea, Letizia Migliore, pesquisadora vinculada ao Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e ao Instituto Nacional de Coleoptera (INCol), da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). A planta serviu de alimento durante os dias em que o animal foi mantido vivo para observação.
“Os besouros do gênero Agrilus fazem parte do meu campo de estudo, mas eu nunca tinha visto nada igual ao espécime coletado. Mostrei a outro pesquisador e ele pensou o mesmo. Era algo totalmente novo e poderíamos descrevê-lo”, conta a entomóloga.
Um nome que carrega significado
Foto: Serena Migliore
O inseto pertence à família Buprestidae, dos “besouros-joia”, chamados assim por suas cores vibrantes e metálicas. Em um artigo publicado no Biodiversity Journal em março de 2026, Letizia Migliore e o entomólogo Gianfranco Curletti, do Museu de História Natural de Carmagnola, na Itália, descreveram a nova espécie como Agrilus butantan.
O batismo da nova espécie foi uma homenagem ao Instituto Butantan, onde o exemplar foi encontrado. Para as irmãs, o gesto simboliza não apenas a descoberta científica, mas também o reconhecimento da importância da organização como guardiã da biodiversidade em meio à metrópole.
“O Instituto é um oásis. Encontrar uma espécie nova aqui, em meio ao asfalto de São Paulo, mostra que ainda temos muito a descobrir e proteger. Dar o nome de ‘Butantan’ ao besouro foi um gesto natural de gratidão a esse lugar que é um símbolo da ciência brasileira”, diz Serena Migliore.
Além disso, o artigo descreve as características únicas da morfologia do besouro, como o padrão de pubescência (os “pelos” que formam desenhos no corpo) e a coloração ventral, que tornam o Agrilus butantan uma espécie inconfundível na fauna global.
O exemplar encontrado é uma fêmea, com cerca de 12 milímetros de comprimento, que apresenta um corpo alongado com coloração preta brilhante na cabeça e no pronoto (parte anterior do tórax), enquanto as asas endurecidas (élitros) exibem tons de ocre que escurecem em direção à extremidade.
O besouro estava com uma pequena malformação na asa, o que pode ter dificultado seu voo e facilitado sua captura, já que essas espécies costumam habitar as copas das árvores.
Letizia Migliore também reforça a importância da descrição desta espécie para o conhecimento da agrilofauna brasileira e para as coleções biológicas e do trabalho de campo.
Parceria fraterna pela ciência
Foto: Renato Rodrigues/Comunicação Butantan
As gêmeas Serena e Letizia, de 34 anos, dividem não apenas laços familiares, mas também uma rotina de colaboração científica. Uma se dedica à reprodução de lagartos e à ecologia, a outra à entomologia, mas ambas se apoiam em campo.
“Eu sempre observo insetos para ajudar a minha irmã, e ela olha serpentes e lagartos para mim. É uma troca constante, quase natural”, diz Serena.
Não é a primeira vez que Serena encontra insetos no Parque para a irmã, mas a coleta recente chamou mais a atenção da entomóloga do que as outras.
“Quando recebi a foto, percebi imediatamente que era uma espécie inédita. Foi emocionante saber que esse achado vinha do Butantan, um lugar tão simbólico para a ciência brasileira”, completou Letizia.
Biodiversidade urbana: resistência e esperança
Segundo os autores do estudo, o gênero Agrilus é extremamente vasto e a identificação de novas unidades taxonômicas, mesmo a partir de exemplares únicos, é fundamental – não só devido à sua morfologia inconfundível, mas também à necessidade de documentar a riqueza biológica dos biomas brasileiros antes que espécies desapareçam sem terem sido conhecidas pela ciência.
Por ser um inseto xilófago (que se alimenta de madeira em certas fases da vida), a presença do Agrilus butantan ajuda pesquisadores a entenderem melhor a saúde do ecossistema local e revela a força da biodiversidade urbana. Isto é, mesmo em áreas cercadas por concreto, pequenos refúgios naturais guardam segredos ainda não revelados.
“A biodiversidade urbana é muitas vezes subestimada. Mas ela existe, pulsa e precisa ser estudada. Cada espécie encontrada é uma prova de que a vida insiste em florescer, mesmo onde menos se espera”, ressalta Letizia.
O valor da descrição de espécies
Letizia Migliore reforça a necessidade de descrever de novas espécies (taxonomia) para compreender e proteger a biodiversidade.
“Sem nome não há como estudar a biodiversidade. A taxonomia é o primeiro passo: dar identidade a cada ser vivo. Só assim conseguimos entender suas relações, seu papel ecológico e pensar em estratégias de conservação”, explica.
Para a entomóloga, embora muitas vezes este trabalho seja invisível ao público, ele é a base de toda a biologia. “Estudar novas espécies é como abrir uma porta para mundos desconhecidos. Cada descrição acrescenta uma peça ao grande mosaico da vida”, conclui.
A ação foi instituída pela Medida Provisória nº 1.349, de 7 abril de 2026, e regulamentada pelo decreto nº 12.931, de 15 de abril de 2026 – do governo federal. A proposta prevê subsídio temporário a importadores de diesel, com o objetivo de conter a alta do preço do combustível no país.
A medida prevê a concessão de subvenção no valor total de R$ 1,20 por litro de óleo diesel. A União e os estados vão arcar com partes iguais, ou seja, R$ 0,60 para cada. Em publicação nas redes sociais, o governador de Daniel Vilela destacou a importância do diesel para a economia goiana e os impactos da crise internacional.
“Vamos ajudar a segurar o preço nas bombas, garantir o abastecimento e proteger tanto o equilíbrio fiscal quanto o bolso da população. Somos um dos estados que mais consomem diesel no Brasil. Não poderíamos permitir que a nossa economia fosse penalizada pela crise internacional do petróleo e pela instabilidade no cenário global”, escreveu o governador de Goiás, Daniel Vilela, em uma publicação nas redes sociais.
Adesão
O termo de adesão do estado prevê que o repasse à União deverá ser feito expressamente por meio da retenção no Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE).
Atendendo recomendação do decreto que regulamenta a medida provisória do governo federal, o termo de adesão do estado diz que, sob a ótica técnico-operacional, recomenda-se a adoção da retenção automática no FPE.
O governador Daniel Vilela assinou nesta sexta-feira (17) o termo de adesão de Goiás ao Regime Emergencial de Abastecimento Interno de Combustíveis. Foto: Secom
“Qualquer tipo de reajuste no diesel, combustível essencial para o principal modal de transporte do país, que é o rodoviário, tem reflexo direto para os consumidores e é algo que não queremos”, afirmou Vilela.
A decisão foi tomada após conversa com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.
Conforme estudo da Secretaria da Economia de Goiás apresentado ao governador, e de acordo com as regras do programa, o valor máximo a ser despendido pelo governo de Goiás para subvenção do combustível é de R$107,2 milhões, até 31 de maio de 2026.
Efeitos da guerra
Segundo o Executivo goiano, a decisão pela adesão a subvenção considera o atual cenário de volatilidade nos preços internacionais do petróleo. A valor está sendo influenciado pela guerra no Oriente Médio, que elevou a cotação do combustível, e por conta do fechamento do Estreito de Ormuz, onde passam cerca de 20% da produção global.
A preocupação do governo estadual é com os reflexos diretos sobre a previsibilidade dos preços e os custos da cadeia produtiva, especialmente nos setores de transporte e agropecuária.
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O estudo também chama atenção para efeitos logísticos – Foto: Divulgação
A intensificação de conflitos no Médio Oriente começa a produzir efeitos diretos sobre economias de outras regiões, com impactos previstos no crescimento, na inflação e na estabilidade financeira. Países mais dependentes de importações energéticas e cadeias logísticas globais tendem a sentir esses reflexos de forma mais acentuada.
Um relatório conjunto apresentado por Comissão da União Africana, Banco Africano de Desenvolvimento, UNECA e PNUD aponta que o crescimento económico africano pode recuar até 0,2% em 2026 . O documento destaca que o continente ainda enfrenta um processo de recuperação após choques recentes e pode ser novamente pressionado por fatores externos.
Entre os principais impactos estão a alta nos preços de combustíveis, alimentos e fertilizantes, além de perturbações no comércio e nas cadeias de abastecimento. A forte dependência energética da região agrava o cenário, já que grande parte do petróleo importado tem origem no Médio Oriente. Como consequência, diversos países já registram desvalorização cambial e maior volatilidade nos mercados.
O estudo também chama atenção para efeitos logísticos, especialmente após restrições em rotas estratégicas de transporte marítimo, o que encarece fretes e dificulta fluxos comerciais. Diante desse contexto, a recomendação central é evitar decisões precipitadas que possam comprometer o equilíbrio fiscal.
As orientações incluem controle estratégico da inflação, disciplina na gestão de receitas extraordinárias e adoção de medidas sociais temporárias e focalizadas. O relatório ainda defende maior integração regional, diversificação energética e avanço na implementação de iniciativas continentais de comércio e financiamento, como forma de reforçar a resiliência econômica.
O Pavilhão Japonês do Parque do Ibirapuera, em parceria com o projeto Coleção Abelhas, promove a 5ª edição do Hachimitsu Matsuri, festival dedicado às abelhas nativas do Brasil. Em japonês, “hachimitsu” significa mel, enquanto “matsuri” quer dizer festival.
A programação inclui bazar, atividades interativas, exposição fotográfica, palestras, workshops e a participação de convidados especiais. O evento será realizado nos dias 30 de abril, 1°, 2 e 3 de maio.
O Brasil possui mais de 300 espécies de abelhas nativas, que são menores do que as espécies africanizadas. Elas vivem em colmeias menos numerosas e, portanto, produzem menor quantidade de mel, que é delicioso e muito valorizado.
Novidades
As novidades para 2026 incluem a tradicional feira, palestras, oficinas para adultos e crianças, exibição de filmes e curtas, apresentação musical e uma outra novidade é a Stamp Rally, uma prática comum no Japão, onde os turistas carimbam cadernos conforme vão visitando os lugares.
Um destaque desse ano é o III Concurso de Fotografia, com exposição dos melhores trabalhos nas categorias Meliponini (abelhas sem ferrão), Euglossini (abelhas das orquídeas) e semi sociais e premiação de uma câmera Instax para os vencedores.
Palestras
Entre as palestras, destaques para temas importantes e pouco divulgados, como reconhecer um mel de qualidade e fraudes, bebidas à base de mel, a relação de abelhas e produção de alimentos, relação de leveduras dentro das colméias, abelha, língua e cultura japonesa entre outras temáticas, além de atividades educativas para as crianças e para adultos.
Pavilhão Japonês
Construído em 1954 pelo governo japonês e pela comunidade nipo-brasileira, o Pavilhão Japonês foi presenteado à Prefeitura de São Paulo em comemoração ao IV Centenário da cidade.
Montado em madeira seguindo as técnicas tradicionais japonesas, o Pavilhão é uma referência cultural do país e marco representativo do intercâmbio Brasil-Japão, e foi reaberto à visitação em março de 2026, após receber uma grande reforma em sua estrutura.
Autoridades japonesas, de passagem pelo Brasil, costumam visitar o Pavilhão Japonês numa reverência à amizade entre os dois países.
Serviços
Data: 30 de abril, 1°, 2 e 3 de maio
Local: Pavilhão Japonês – Parque do Ibirapuera (portão 10 – próximo ao Planetário)
Horário de funcionamento: quinta-feira das 10 às 17h (entrada gratuita). Sexta, sábado, domingo das 10 às 17h (meia-entrada R$ 10 / inteira R$ 20).
A região do Vale do Ribeira, localizada no sul do estado de São Paulo, conquistou a Indicação Geográfica (IG) da banana Cavendish e Prata, reconhecimento que impulsiona o setor produtivo da fruta e consolida a região como um dos grandes pólos produtivos do Brasil.
A banana é uma das frutas mais consumidas no mundo e está presente em todo o Brasil. Em São Paulo, o cultivo começou no litoral e, a partir da década de 1930, avançou para o Vale do Ribeira. A região ganhou espaço por ter solos mais adequados e menos sujeitos a inundações.
Emitido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), que reconhece produtos ou serviços com origem geográfica específica com qualidades, tradição ou reputação únicas devido ao local de produção, a Indicação Geográfica é a 14ª conquistada pelo estado de São Paulo.
Como fazer a solicitação?
Para solicitar uma IG ao Inpi, a entidade precisa comprovar a notoriedade do produto; em São Paulo, a Secretaria de Agricultura emite o Instrumento Oficial de Delimitação de Área Geográfica (IOD), enquanto a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) recebe, protocola e encaminha a documentação para análise de uma comissão técnica que avalia o pedido.
Com o registro, o nome “Vale do Ribeira-SP” fica protegido e passa a identificar oficialmente a origem das bananas produzidas na região.
“Essa IG representa um novo horizonte para o bananicultor, protegendo a origem das variedades Cavendish (Nanica) e Prata e gerando novas oportunidades de mercado que valorizam o trabalho no campo. Mais do que um selo técnico, é uma ferramenta de desenvolvimento regional que combate a desvalorização do produto”, disse Tais Canola, chefe de Divisão da CATI Regional de Registro.
Augusto Aranha, presidente da Abavar, também celebrou a conquista da Indicação Geográfica da Banana do Vale do Ribeira, destacando que o selo impulsiona cada vez mais a agricultura da região, principalmente a familiar.
“Mais do que um selo, esta é uma conquista da dedicação do nosso setor produtivo. Ele reafirma o compromisso do Vale com uma agricultura moderna, que respeita o meio ambiente e fortalece a agricultura familiar. Esse selo sintetiza tudo o que acreditamos e praticamos no campo”, destacou.
Delimitação e importância
Na delimitação geográfica da IG da Banana do Vale do Ribeira, farão parte 13 municípios: Cajati, Cananéia, Eldorado, Iguape, Itariri, Iporanga, Jacupiranga, Juquiá, Miracatu, Pariquera-Açu, Pedro de Toledo, Registro e Sete Barras.
A Indicação Geográfica reforça a força do Vale do Ribeira na produção não apenas estadual, mas nacional da banana. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Projeto Lupa, a região corresponde a 7,07% de toda a área nacional destinada à bananicultura.
O desempenho do agronegócio brasileiro no início de 2026 reforça a relevância do setor na balança comercial e aponta mudanças importantes na forma como a competitividade vem sendo construída. Os dados são analisados por Ricardo Leite, superintendente do Banco Safra.
No primeiro trimestre, o agro somou US$ 38,1 bilhões em exportações e gerou um superávit de US$ 33 bilhões, o maior já registrado para o período entre janeiro e março. Apenas em março, as vendas externas alcançaram US$ 15,4 bilhões, respondendo por 48,8% de todas as exportações brasileiras, conforme informações oficiais.
Apesar do resultado expressivo em receita, um dado chama atenção na composição desse desempenho. O volume exportado cresceu 3,8%, enquanto o preço médio recuou 2,8%. A leitura desse movimento indica um avanço sustentado por fatores estruturais como escala produtiva, ganhos de eficiência, aumento de produtividade, melhoria logística e ampliação do acesso a mercados internacionais.
Na pauta exportadora, o complexo soja manteve a liderança, com US$ 12,13 bilhões, seguido pelas proteínas animais, que somaram US$ 8,12 bilhões no trimestre. A China continuou como principal destino, com US$ 11,33 bilhões e participação de 29,8%. Outros países, como Índia, Filipinas, México, Tailândia, Japão, Chile e Turquia, também tiveram papel relevante na expansão das vendas externas.
Em um cenário global mais exigente e seletivo, o desempenho reforça a percepção de que o diferencial do agro brasileiro vai além do preço. A capacidade de entregar grandes volumes com consistência e relevância estratégica se consolida como um dos principais pilares do setor, ampliando sua importância para a economia brasileira ao longo de 2026.
A agência de notícias oficial da República Islâmica do Irã (Irna), informou neste sábado (18) que o controle sobre o Estreito de Ormuz foi restaurado ao seu status anterior, com supervisão reforçada pelas Forças Armadas do país.
O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, se referiu ao estreito como estratégico e citou que o local está “sob estrita gestão e controle das Forças Armadas”.
Ele observou que o Irã havia concordado anteriormente, num ato “de boa fé” e seguindo acordos prévios feitos durante as negociações, em permitir a passagem controlada de um número limitado de petroleiros e embarcações comerciais pelo estreito.
No entanto, os Estados Unidos (EUA), segundo ele, continuaram a “violar repetidamente os compromissos” acordados e a praticar “pirataria e roubo marítimo sob o chamado bloqueio”.
“Portanto, o controle do Estreito de Ormuz retornou ao seu estado anterior”, reforçou.
Ameaças
A Agência Tasnim, ligada ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) , já havia informado que, caso o bloqueio naval dos Estados Unidos continuasse, o estreito voltaria a ser fechado, prejudicando a comercialização de 20% da produção de petróleo no mundo.
Para os iranianos, a permanência dos navios estadunidenses na região é violação do acordo de cessar-fogo. Navios dos EUA estão posicionados no Oceano Índico a uma distância do Estreito de Ormuz de onde podem interceptar eventuais ataques do Irã.
Cessar-fogo
Na última quinta-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter costurado um acordo de cessar-fogo entre Líbano e Israel, com duração de dez dias. A trégua era uma das exigências do Irã para continuidade das negociações.
Em comunicado divulgado na sexta-feira (17), a Força Naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou que uma “nova ordem” passaria a reger o estreito, fazendo referência ao cessar-fogo.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que a navegação pelo Estreito de Ormuz estaria completamente aberta durante o restante do cessar-fogo.
“Em conformidade com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está declarada totalmente aberta durante o período restante do cessar-fogo”, diz.
A batata-inglesa ocupa posição estratégica no agronegócio goiano. Presente em três janelas de plantio ao longo do ano, a cultura abastece o mercado interno e externo, integra a cadeia de processamento industrial e se destaca pela versatilidade de consumo, tanto na alimentação doméstica quanto no segmento de serviços alimentares.
Os dados reunidos pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) apontam avanços consistentes na produção estadual e perspectiva de recuperação econômica para 2026.
O cultivo em Goiás se concentra na terceira safra, ou safra de inverno, com plantio entre abril e julho e colheita de julho a outubro. O calendário é favorecido pelas condições climáticas mais amenas e pela menor incidência de chuvas, fatores que reduzem a pressão de doenças fúngicas e favorecem a qualidade dos tubérculos.
Para o secretário Ademar Leal, titular da Seapa, a modernização do setor tem ampliado a adoção de mecanização, irrigação, cultivares de melhor desempenho e práticas de planejamento produtivo.
“Esse movimento tem reduzido a variabilidade típica da produção sazonal e sustentado ganhos de produtividade, mesmo em cenários de estabilidade ou redução da área plantada”, afirmou.
Crescimento acima da média
Na série histórica de 2020 a 2025, Goiás cresceu acima da média nacional tanto em produção quanto em área colhida de batata-inglesa na terceira safra.
Ambos os indicadores avançaram na mesma proporção, 31,9% em produção e 29,8% em área colhida, com rendimento médio de 41,9 toneladas por hectare. No mesmo período, o Brasil registrou crescimento de 4,2% em área e 12,1% em produção.
Para a safra total do estado em 2026, a expectativa é de crescimento de 3,1% frente à temporada anterior, com estimativa de 264,2 mil toneladas colhidas. O resultado representará o terceiro melhor desempenho da série histórica, superado apenas pelos anos 2010 e 2011.
Cenário econômico
Dados da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que, em 2024, o município de Cristalina liderou a produção estadual, com 137,2 mil toneladas, o equivalente a 51,3% do volume total colhido no estado, além de concentrar a maior área colhida, de 3,0 mil hectares.
A cidade de Água Fria de Goiás apresentou a maior produtividade média, de 46,7 toneladas por hectare. Já Campo Alegre de Goiás registrou o maior avanço no período, com crescimento de 115,8% em relação a 2023.
Já para o Valor Bruto da Produção (VBP) da batata-inglesa em Goiás, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), está projetado em R$ 771,4 milhões para 2026, o que representa recuperação frente a 2025, quando houve recuo para R$ 538,9 milhões, influenciado por preços mais baixos. Em 2024, o estado registrou o maior resultado da série, com R$ 1,3 bilhão.
Competitividade
No mercado externo, o destaque nas exportações foi a batata-doce. Em 2024, Goiás registrou US$ 264,9 mil em embarques, com 211,4 toneladas destinadas aos Países Baixos.
Foto: Freepik
Em 2025, os produtos preparados e conservados alcançaram o melhor desempenho da série, com 7,5 toneladas e US$ 54,8 mil, tendo os Estados Unidos como principal destino, seguidos por Canadá e Reino Unido.
“Os dados indicam um movimento de reorganização do setor, com recuperação do valor da produção e avanços na inserção internacional. Ao mesmo tempo, o cenário reforça a importância de ampliar a agregação de valor e reduzir a dependência de produtos processados importados, fortalecendo a competitividade da cadeia no estado”, avaliou o secretário Ademar Leal.
O comércio internacional e as cadeias globais de suprimentos atravessam, no primeiro semestre de 2026, um momento de forte instabilidade provocado pela intensificação do conflito no Oriente Médio. A passagem de navios interrompida no Estreito de Ormuz e a insegurança no Mar Vermelho comprometem o fornecimento global de petróleo e fertilizantes. Isso impacta diretamente os custos de transporte, o que faz o preço de itens básicos, como alimentos e combustíveis, subir. Para o consumidor e para o setor agrícola, o cenário atual é de incerteza e de pressão nos preços.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informa que, embora os preços globais de alimentos sigam abaixo do pico registrado em 2022, após o início da guerra na Ucrânia, há tendência de alta no fim de março, reflexo da renovada incerteza geopolítica. Para Santa Catarina, que tem uma economia fortemente ancorada no agronegócio exportador e dependente de insumos importados, o cenário representa um risco direto à competitividade.
Segundo o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Roberth Andres Villazon Montalvan, o agronegócio de Santa Catarina sente rapidamente as crises no comércio mundial. “A estrutura produtiva do estado combina importação intensiva de fertilizantes, transformação de grãos em proteína animal de alto padrão e uma logística complexa para acessar mercados exigentes. Nesse contexto, dois vetores concentram os impactos: a alta dos custos energéticos, com reflexos diretos no diesel, e o encarecimento dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados.”
Com o petróleo Brent próximo de US$100 por barril, analistas projetam reajustes em torno de 20% no preço do diesel no Brasil. O efeito imediato tende a ser uma elevação média de 10% no frete rodoviário. Em Santa Catarina, onde o transporte terrestre entre as regiões produtoras do Oeste e Meio-Oeste e os portos do litoral responde por até 70% do custo logístico das exportações de grãos e carnes, o impacto recai diretamente sobre a rentabilidade do setor.
No campo, a alta do diesel já pressiona o Custo Operacional Efetivo (COE). Entre o fim de 2025 e março de 2026, o preço médio do litro em Santa Catarina subiu de cerca de R$6,14 para R$7,33. Dados da Epagri/Cepa mostram aumento da participação do combustível no COE de todas as culturas analisadas. Por exemplo, na soja e no milho de alta tecnologia, mesmo com uma elevação percentual menor, o impacto financeiro é relevante por conta da extensão da área cultivada. Já em culturas intensivas em mecanização, como maçã, arroz e cebola, observa-se uma maior sensibilidade, com o diesel respondendo por fatias crescentes do custo produtivo.
Paralelamente ao choque energético, o mercado global de fertilizantes entrou em forte trajetória de alta. A região em conflito concentra parcela relevante da oferta de Gás Natural Liquefeito (GNL), insumo-chave para a produção de fertilizantes nitrogenados. Com a navegação restrita, houve interrupções no fornecimento e rápida elevação dos preços.
A FAO alerta que o mercado de fertilizantes não dispõe de reservas estratégicas coordenadas, o que dificulta a gestão de choques de oferta. Estimativas indicam que os preços globais podem operar, em média, de 15% a 20% mais altos no primeiro semestre de 2026. O Banco Mundial reforça o diagnóstico ao indicar que o índice global de preços de fertilizantes subiu 26,2% em um único mês, com a ureia registrando alta de até 46% no mercado internacional.
O cenário foi agravado por medidas protecionistas da China que restringiu exportações de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos, enquanto a Rússia suspendeu temporariamente as vendas externas de nitrato de amônio. As tentativas diplomáticas de garantir o fornecimento, como no caso do Irã, esbarram no elevado risco da navegação na região, marcado por prêmios de seguro elevados e baixa disponibilidade de navios.
De acordo com o analista da Epagri/Cepa, o Porto de São Francisco do Sul se consolidou como um ponto estratégico para o abastecimento de fertilizantes em Santa Catarina. Em 2025, o terminal respondeu pela importação de 2,75 milhões de toneladas do insumo, cerca de 6% do volume internalizado no país, segundo a Conab, mantendo ritmo elevado também em 2026 e contribuindo para reduzir riscos de desabastecimento regional.
“O aumento dos custos, aliado a preços internacionais ainda pressionados, comprime as margens dos produtores e da agroindústria. A dificuldade de absorver novos reajustes pode reduzir o uso de fertilizantes, com impactos na produtividade, o que exige mais planejamento, eficiência logística e adoção de tecnologias para preservar a competitividade”, afirma Villazon Montalvan.