Crise no Médio Oriente ameaça economia africana
O estudo também chama atenção para efeitos logísticos
Agrolink
– Leonardo Gottems

O estudo também chama atenção para efeitos logísticos – Foto: Divulgação
A intensificação de conflitos no Médio Oriente começa a produzir efeitos diretos sobre economias de outras regiões, com impactos previstos no crescimento, na inflação e na estabilidade financeira. Países mais dependentes de importações energéticas e cadeias logísticas globais tendem a sentir esses reflexos de forma mais acentuada.
Um relatório conjunto apresentado por Comissão da União Africana, Banco Africano de Desenvolvimento, UNECA e PNUD aponta que o crescimento económico africano pode recuar até 0,2% em 2026 . O documento destaca que o continente ainda enfrenta um processo de recuperação após choques recentes e pode ser novamente pressionado por fatores externos.
Entre os principais impactos estão a alta nos preços de combustíveis, alimentos e fertilizantes, além de perturbações no comércio e nas cadeias de abastecimento. A forte dependência energética da região agrava o cenário, já que grande parte do petróleo importado tem origem no Médio Oriente. Como consequência, diversos países já registram desvalorização cambial e maior volatilidade nos mercados.
O estudo também chama atenção para efeitos logísticos, especialmente após restrições em rotas estratégicas de transporte marítimo, o que encarece fretes e dificulta fluxos comerciais. Diante desse contexto, a recomendação central é evitar decisões precipitadas que possam comprometer o equilíbrio fiscal.
As orientações incluem controle estratégico da inflação, disciplina na gestão de receitas extraordinárias e adoção de medidas sociais temporárias e focalizadas. O relatório ainda defende maior integração regional, diversificação energética e avanço na implementação de iniciativas continentais de comércio e financiamento, como forma de reforçar a resiliência econômica.

