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De acordo com a análise da segunda-feira (20) do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria, o mercado do boi gordo iniciou a semana com valorização em São Paulo. Segundo a consultoria, “o mercado esteve firme, e a cotação da arroba começou o dia subindo”. Nas ofertas de compra para o “boi China” e para a vaca, a alta foi de R$ 3,00 por arroba, movimento sustentado pelo desempenho das exportações, pela melhora do consumo interno em relação à semana anterior e pela postura da ponta vendedora.
Ainda conforme a Scot Consultoria, frigoríficos com escalas mais confortáveis adotaram menor agressividade nas compras, enquanto parte dos compradores buscou animais em outros estados em busca de melhores condições de negociação. A escala média de abate foi estimada em oito dias.
Na região Oeste do Maranhão, o levantamento aponta valorização de R$ 3,00 por arroba para a novilha, enquanto as demais categorias mantiveram estabilidade nas cotações.
No Rio de Janeiro, o mercado permaneceu firme, sem alteração nas referências de preço. Segundo a análise, “escalas curtas e oferta enxuta sustentavam os preços”. A escala média de abate no estado foi de quatro dias.
No mercado externo, as exportações de carne bovina in natura registraram avanço até a segunda semana de abril. O volume embarcado somou 97,3 mil toneladas, com média diária de 13,9 mil toneladas, alta de 15,1% em relação ao mesmo período de abril de 2025. O preço médio da tonelada atingiu US$ 6,1 mil, aumento de 20,8% na comparação anual.
XANGAI, 27 Mar (Reuters) – As ações da China e de Hong Kong fecharam em alta nesta sexta-feira uma vez que dados fortes de lucros industriais melhoraram o sentimento do mercado, apesar das preocupações persistentes com a intensificação das tensões no Oriente Médio.
Os mercados acionários asiáticos reduziram as perdas já que outro prazo adiado na guerra do Oriente Médio fez com que os preços do petróleo caíssem, embora ainda não haja um fim à vista para a crise de energia que se desenrola na economia global.
No fechamento, o índice de Xangai teve alta de 0,63%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,56%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,38%.
No entanto, na semana, o SSEC perdeu 1,1%, registrando sua quarta queda semanal consecutiva, enquanto o CSI300 caiu 1,4%. O Hang Seng caiu 1,3% na semana, registrando a quarta perda semanal consecutiva.
A ligeira força veio depois que as empresas industriais da China relataram um crescimento mais forte dos lucros no início do ano, reforçando os sinais de recuperação na segunda maior economia do mundo, mesmo com a guerra no Oriente Médio ameaçando o crescimento global.
“Embora um conflito prolongado no Oriente Médio represente riscos materiais, acreditamos que a China reduziu significativamente sua vulnerabilidade aos choques do petróleo na última década e está diante de uma oportunidade de oferecer produtos verdes de tecnologia e soluções de infraestrutura acessíveis para nações que buscam alternativas”, disseram os economistas do Barclays em uma nota.
. Em TÓQUIO, o índice Nikkei recuou 0,43%, a 53.373 pontos.
. Em HONG KONG, o índice HANG SENG subiu 0,38%, a 24.951 pontos.
. Em XANGAI, o índice SSEC ganhou 0,63%, a 3.913 pontos.
. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, avançou 0,56%, a 4.502 pontos.
. Em SEUL, o índice KOSPI teve desvalorização de 0,40%, a 5.438 pontos.
. Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou baixa de 0,68%, a 33.112 pontos.
. Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES valorizou-se 0,21%, a 4.898 pontos.
. Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 recuou 0,11%, a 8.516 pontos.
A combinação de custos elevados, queda nas commodities e juros altos tem ampliado a pressão sobre o endividamento dos produtores rurais no Brasil, criando um cenário de dificuldade para o setor agropecuário. Nesse contexto, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que reúne 341 parlamentares, levou uma série de propostas ao novo ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), André de Paula, durante reunião realizada nesta terça-feira (14).
O ministro participou do encontro com a bancada, ocasião em que os parlamentares apresentaram o Projeto de Lei 5.122/2023, de autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), como uma das principais alternativas para aliviar o endividamento no campo. A proposta prevê o uso do Fundo Social para estruturar uma linha de crédito voltada à renegociação de dívidas rurais em diferentes regiões do país.
O texto tramita na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal e será relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Na última semana, a vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), articulou uma reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o relator da proposta, com o objetivo de avançar na construção do texto.
A solicitação dos parlamentares agora é para que o Ministério da Agricultura também reforce essa articulação dentro do Executivo. A proposta prevê cerca de R$ 30 bilhões para a linha de financiamento, mas o valor já é considerado insuficiente diante do nível atual de endividamento do setor.
“Nós estamos dando todo o apoio necessário para que o projeto tenha celeridade, inclusive pedimos ao ministro o apoio institucional do governo para que a gente consiga achar minimamente um alento. Vamos lembrar que os R$ 30 bilhões que estão previstos no PL 5.122 já são completamente insuficientes para o tamanho do problema enfretado”, destacou o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR).
A FPA também entregou ao ministro um ofício com os principais pleitos do setor junto ao Mapa, incluindo:
Revisão das resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) que restringem o crédito rural com base exclusiva no PRODES
Garantia de que o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) tenha função apenas consultiva e técnica, sem sobreposição regulatória ao Mapa e demais órgãos
Definição de cronograma para regulamentações da Lei de Pesticidas, Lei do Autocontrole e Lei dos Bioinsumos
Ampliação do Plano Safra para facilitar o acesso ao crédito por pequenos e médios produtores
Construção de soluções estruturantes para renegociação das dívidas rurais no campo
Atuação junto ao Ministério da Fazenda para publicação de lista complementar de insumos agropecuários com redução de 60% de IBS e CBS
Participação nas discussões sobre a atualização da Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, com foco em critérios técnicos
Suspensão ou revisão de portaria sobre classificação e comercialização de morangos
Articulação nas negociações do Regulamento Europeu de Desmatamento (EUDR)
Maior participação do setor produtivo em acordos comerciais internacionais
Esclarecimentos sobre portarias de rastreabilidade de pesticidas
Revisão da norma de Verificação Agrícola e Conformidade de grãos para garantir caráter opcional e contratual da certificação
Definição de cronograma para o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA)
Aprimoramento das regras de uso de drones na agropecuária, com foco em segurança jurídica e viabilidade tecnológica
Criação de solução normativa para indenização de serviço voluntário em folga remunerada para auditores fiscais federais agropecuários
Ministro fala em aproximação
O ministro André de Paula ouviu dos parlamentares a demanda por uma maior participação da FPA nas decisões relacionadas às políticas públicas do setor agropecuário. Uma das sugestões apresentadas pela ex-ministra da Agricultura, senadora Tereza Cristina, foi a manutenção de encontros periódicos entre a bancada e a gestão do ministério.
“Todo governo, seja ele de que matiz for, enfrenta problemas, porque a agricultura tem necessidades e o cobertor é curto. Outras áreas também têm as suas demandas, e esse embate é necessário. Mas, quando o senhor tem uma frente como essa, ajudando a remar para a frente, facilita muito a vida”, disse a parlamentar.
O ministro afirmou que pretende acolher a iniciativa. “Eu tenho disposição para isso e vou conversar com o presidente da FPA para que a gente construa essa possibilidade”, destacou André de Paula.
Além da pauta de crédito e endividamento, o vice-presidente da FPA na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), também reforçou a necessidade de uma “implantação radical” do Código Florestal.
“Nós falamos das restrições de crédito via PRODES e é urgente. São problemas que vão surgindo porque não há essa matriz da análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR)”, comentou Jardim, ao citar as resoluções do Conselho Monetário Nacional que têm restringido o acesso ao crédito rural para produtores em situação ambiental regular.
Uma possível ocorrência de El Niño na segunda metade de 2026 acende o alerta no campo. De acordo com estimativas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as chances do fenômeno se consolidar ultrapassam 80%, com indicativos de um evento de grande intensidade.
“Um fenômeno climático que acontece a milhares de quilômetros do Brasil pode definir o sucesso ou fracasso de uma safra inteira”, afirma o especialista, Renato Rodrigues.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Quando esse aquecimento supera cerca de 2 °C acima da média, configura-se o chamado “super El Niño”, capaz de provocar mudanças climáticas em escala global e impactar diretamente a produção agrícola.
Efeitos do El Niño no Brasil
Segundo Rodrigues, no Norte e Nordeste, há maior risco de seca e estresse hídrico, afetando pastagens e lavouras. Já no Centro-Oeste, a irregularidade das chuvas pode comprometer o plantio da soja e a produtividade do milho safrinha.
No Sul, o excesso de precipitações tende a dificultar a colheita e prejudicar a qualidade dos grãos. No Sudeste, o cenário é mais instável, com alternância entre calor intenso e chuvas mal distribuídas, impactando culturas como café, cana-de-açúcar e grãos.
Outro fator de preocupação é que o fenômeno ocorre em um contexto de temperaturas globais mais elevadas, o que intensifica seus efeitos. Isso significa maior evaporação, eventos climáticos extremos mais frequentes e aumento da volatilidade no campo.
“O El Niño de hoje não é o mesmo de 20 a 30 anos atrás, porque ele tá acontecendo num planeta que já está mais quente. Então isso significa temperaturas ainda mais altas, maior evaporação e eventos extremos ainda mais intensos”, destaca Rodrigues.
Planejamento
Diante desse cenário, Rodrigues reforça que o planejamento é decisivo. A antecipação de estratégias pode reduzir perdas e garantir maior estabilidade produtiva. “Em eventos como o El Niño, o timing faz toda a diferença. Quem se antecipa reduz perdas, quem reage tarde, acaba sofrendo um impacto muito maior”, reforça.
Entre as principais recomendações estão o ajuste do calendário agrícola, com antecipação ou atraso do plantio para evitar períodos críticos; a escolha de cultivares mais resistentes à seca ou ao excesso de água; e o manejo adequado do solo, com aumento da matéria orgânica para melhorar a retenção de água.
A gestão hídrica também ganha importância, com investimentos em irrigação nas regiões mais secas e em sistemas de drenagem onde há excesso de chuva. Além disso, o uso de fertilizantes de liberação controlada surge como alternativa para reduzir perdas de nutrientes em condições adversas, aumentando a eficiência da adubação.
O mercado físico do boi gordo teve mais um dia de preços firmes nesta terça-feira (14), mesmo com menor presença dos frigoríficos nas compras. A cautela da indústria está ligada às incertezas sobre a cota chinesa, que pode se esgotar entre maio e junho, o que já começa a influenciar decisões de compra em diversos estados.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, esse movimento de retração dos frigoríficos foi observado em praças como São Paulo, Goiás, Rondônia e Mato Grosso. Além disso, alguns frigoríficos já anunciaram férias coletivas, o que reforça a expectativa de possível pressão sobre os preços ao longo do segundo semestre.
No mercado atacadista, os preços seguem firmes, sustentados pela boa reposição entre atacado e varejo na primeira quinzena do mês. No entanto, a carne bovina enfrenta menor competitividade frente a proteínas mais baratas, especialmente a carne de frango, o que limita altas mais fortes. O baixo poder de compra das famílias também direciona o consumo para alternativas mais acessíveis.
Em São Paulo, a referência média para a arroba do boi ficou em R$ 369,78, na modalidade a prazo
Em Goiás, a indicação média foi de R$ 359,64 para a arroba do boi gordo
Em Minas Gerais, a arroba teve preço médio de R$ 350,29
Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi indicada em R$ 361,48
Já Mato em Grosso, a arroba ficou indicada em R$ 365,81
Atacado
O mercado atacadista volta a se deparar com firmeza em seus preços no decorrer da terça-feira, em um ambiente ainda pautado pela alta dos preços, considerando a boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês.
Como limitador para altas mais consistentes precisa ser mencionado a menor competitividade da carne bovina se comparado as proteínas concorrentes, em especial se comparado a carne de frango. O baixo poder de compra das famílias direcional o consumo para proteínas mais acessíveis, disse Iglesias.
O quarto dianteiro ainda é cotado a R$ 23,00 por quilo. O quarto traseiro permanece cotado a R$ 28,00, por quilo. Ponta de agulha se sustenta a R$ 21,00, por quilo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,08%, sendo negociado a R$ 4,9929 para venda e a R$ 4,9909 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9717 e a máxima de R$ 4,9957
Fechamento da soja. Foto: Daniel Popov/ Canal Rural
O mercado brasileiro de soja registrou mais um dia de pouca movimentação e queda nos preços, refletindo um cenário externo e cambial desfavorável. A combinação entre recuo na Bolsa de Chicago e o dólar abaixo de R$ 5 segue limitando a comercialização no país.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o ambiente atual não contribui para o avanço dos negócios. Apesar de momentos de alta ao longo do pregão, Chicago encerrou o dia no campo negativo, enquanto o câmbio permanece pressionando diretamente as cotações internas.
Com isso, os preços apresentaram recuo, principalmente nos portos, e o spread entre compradores e vendedores continua elevado. A comercialização segue lenta, com vendas concentradas em produtores que precisam fazer caixa. Os prêmios também seguem sem força, o que reforça o cenário de dificuldade.
Passo Fundo (RS): caiu de R$ 122,00 para R$ 121,50
Santa Rosa (RS): desceu de R$ 123,00 para R$ 122,50
Cascavel (PR): manteve em R$ 117,00
Rondonópolis (MT): desceu de R$ 107,00 para R$ 106,50
Dourados (MS): desceu de R$ 110,00 para R$ 109,50
Rio Verde (GO): desceu de R$ 108,00 para R$ 107,00
Paranaguá (PR): manteve em R$ 127,00
Rio Grande (RS): desceu de R$ 128,00 para R$ 127,50
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja encerraram a terça-feira (14) em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), refletindo um conjunto de fatores que reforçaram a pressão sobre as cotações. Entre eles, a forte queda do petróleo, influenciada pela perspectiva de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã em meio ao conflito no Oriente Médio, além do bom início do plantio norte-americano e da confirmação de uma safra recorde no Brasil.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou na segunda-feira (13) que o plantio de soja atingiu 6% da área prevista no país. No mesmo período do ano passado, o índice era de 2%, em linha com a média dos últimos cinco anos.
Conab
No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa de produção da safra 2025/26 para 179,151 milhões de toneladas, avanço de 4,5% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas. Na projeção anterior, o número era de 177,85 milhões de toneladas.
Na Bolsa de Chicago, os contratos de soja em grão para maio fecharam em baixa de 4,25 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 11,58 por bushel. O vencimento julho recuou 4,75 centavos de dólar, ou 0,40%, cotado a US$ 11,72 3/4 por bushel.
Entre os subprodutos, o farelo de soja para maio caiu US$ 2,20, ou 0,66%, a US$ 329,70 por tonelada. O óleo de soja também recuou, com baixa de 0,06 centavo, ou 0,09%, a 66,44 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,08%, cotado a R$ 4,9929 para venda e R$ 4,9909 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana variou entre a mínima de R$ 4,9717 e a máxima de R$ 4,9957.
O mercado brasileiro do complexo soja encerrou a última semana sob pressão de baixa, com recuos nos preços de grão, farelo e óleo no âmbito doméstico. Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação entre maior volume de produto disponível e a apreciação do real frente ao dólar enfraqueceu a posição competitiva das exportações nacionais, puxando as cotações para baixo ao longo dos últimos dias.
No cenário externo, o comportamento foi distinto para cada derivado da soja. A demanda internacional aquecida garantiu sustentação às cotações do farelo e da soja em grão nos mercados globais. O óleo, no entanto, foi o único componente do complexo a registrar desvalorização no exterior, reflexo direto da queda nas cotações do petróleo, que costuma influenciar o comportamento dos óleos vegetais negociados em bolsa.
No campo das exportações, o mês de março trouxe números expressivos para a soja em grão. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 14,51 milhões de toneladas do produto, volume que representa mais que o dobro do registrado em fevereiro — um crescimento de 105,29%. Em relação a março do ano anterior, o resultado ficou marginalmente abaixo, com queda de 0,96%, sinalizando estabilidade no patamar de embarques sazonais.
O farelo de soja foi o destaque positivo do período. Segundo dados divulgados pelo Cepea com base na Secex, as exportações do subproduto totalizaram 1,92 milhão de toneladas em março, configurando um recorde histórico para o mês. O resultado reflete a intensa demanda internacional pelo ingrediente proteico amplamente utilizado na formulação de rações animais, especialmente em mercados europeus e asiáticos.
O óleo de soja, por sua vez, teve desempenho mais fraco no front externo. Os embarques somaram 176,91 mil toneladas em março, representando uma queda de 13,02% frente ao mês anterior. Segundo dados divulgados pelo Cepea, esse recuo está associado ao menor interesse de compradores tradicionais como Índia e Uruguai, além da ausência da China como demandante relevante no período, fatores que reduziram significativamente o fluxo de saída do produto.
O quadro geral do complexo soja brasileiro reflete um momento de equilíbrio frágil entre oportunidades externas e desafios internos. A valorização do real, ao encarecer as exportações em dólar, retira parte do incentivo ao escoamento da produção e pressiona a formação de preço doméstico.
No último artigo, discutimos os limites da intervenção estatal e os riscos de seu uso excessivo — não no sentido de questionar o papel do Estado na correção de eventuais assimetrias do poder de negociação, mas de destacar a necessidade de cautela na adoção de determinados mecanismos, sob pena de produzirem efeitos contrários aos pretendidos.
Pois bem. A reflexão de hoje nos leva ao extremo oposto: um cenário em que a intervenção estatal em determinado tema é conhecida, mas reiteradamente negligenciada. Trata-se da destinação de recursos necessários e suficientes para a subvenção do seguro rural, de modo a ampliar o acesso a esse instrumento tão essencial.
O Projeto de Lei nº 2951/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina, busca aperfeiçoar os marcos legais do seguro rural, conferindo maior previsibilidade ao setor e elevando o instrumento ao status de verdadeira política de Estado.
A proposta aguarda deliberação no plenário, sob relatoria do deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Se, por um lado, o tema avança no Legislativo — ainda que no ritmo próprio do processo legislativo —, por outro, as projeções indicam uma queda de quase 4% na arrecadação do seguro rural em 2026, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).
Em um ano marcado por elevada imprevisibilidade — seja pelas tensões geopolíticas, seja pela possibilidade real de intensificação de eventos climáticos extremos —, o enfraquecimento do seguro rural aponta para um cenário ainda mais incerto para o produtor brasileiro.
Essa perda de força decorre, sobretudo, da insuficiência de recursos públicos destinados à subvenção, o que compromete a acessibilidade do produto. Os números ilustram essa realidade. Em 2020, a área agrícola segurada alcançava 13,7 milhões de hectares.
Atualmente, segundo a CNseg, esse número recuou para pouco mais de 3 milhões de hectares — menos de 5% da área total cultivada no país.
Os dados alertam porque quanto menor o número de produtores segurados, mais elevado o custo do seguro em função do maior risco assumido pelas seguradoras. Esse encarecimento preocupa, sobretudo porque o seguro rural é, em muitos casos, condição para a concessão de crédito.
A incerteza desestimula o investimento e, em um setor intensivo em capital como é o caso o agro, a retração dos investimentos tende a se traduzir em perda de competitividade no mercado externo e pressão sobre os preços dos alimentos no mercado interno.
Na mesma semana em que se projetam quedas na contratação do seguro rural — instrumento essencial para mitigar os impactos de eventos climáticos adversos, o Governo Federal anunciou novas subvenções aos combustíveis, superiores a R$ 30 bilhões, com o objetivo de conter a alta de preços. A medida responde a uma urgência conjuntural, mas também evidencia a persistência de um modelo reativo, em detrimento de uma estratégia mais estruturante e preventiva para a produção nacional.
O produtor brasileiro segue enfrentando desafios estruturais relevantes como a elevada dependência de fertilizantes importados, exposição à volatilidade dos preços dos combustíveis — em contraste com o potencial ainda subexplorado dos biocombustíveis — e acesso a crédito cada vez mais oneroso em um ambiente de juros elevados.
Ainda assim, o setor continua a bater recordes de produção, consolidando o Brasil como um dos maiores exportadores agrícolas do mundo.
A conclusão é clara: o agro brasileiro é grande, mas poderia ser ainda maior. O solo é fértil e os produtores são resilientes, enquanto falta maior previsibilidade e segurança por parte do Poder Público. Nesse contexto, o fortalecimento do seguro rural constitui uma necessidade e não mera opção.
*Karina Tiezzi é gerente de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e consultora em relações governamentais. Atuou como assessora legislativa na Câmara dos Deputados, participou da tramitação de proposições de destaque para o agronegócio, como a chamada MP do Agro e a Lei Geral do Licenciamento Ambiental
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
No quadro Direito Agrário desta terça-feira (14), no Giro do Boi, o advogado e professor de direito ambiental, Pedro Puttini Mendes, trouxe um alerta decisivo para o setor produtivo: a regularidade ambiental deixou de ser apenas um argumento ético para se tornar uma condição objetiva de acesso ao capital.
Com as novas diretrizes do setor financeiro, os bancos passam a ter o poder e a obrigação de barrar o financiamento de propriedades que apresentem qualquer indício de desmatamento ilegal ou inconsistência cadastral.
Confira:
A mudança de paradigma em 2026
A grande mudança de paradigma em 2026 é que os bancos agora realizam o cruzamento automático e em tempo real de dados. A regularidade ambiental virou o novo “lastro” do crédito rural. O financiamento será negado sumariamente se o sistema detectar:
O aparecimento de um alerta de satélite ou uma inconsistência no sistema gera um “atrito jurídico” que congela o processo bancário. Cabe ao produtor a responsabilidade de provar sua regularidade.
Apesar do rigor, a norma (Resolução 5.089 do CMN) prevê caminhos para que o produtor busque a conformidade. Em 2026, a próxima safra não será decidida apenas pela produtividade por hectare, mas pela organização documental. O banco passará a monitorar a propriedade durante todo o período do contrato.
Quem possui o “cadastro limpo” terá o crédito facilitado; quem ignorar a governança ambiental será tratado como um risco financeiro insustentável.
O abate de jumentos na Bahia foi proibido pela Justiça Federal do estado em setença assinada nesta segunda-feira (13) pela juíza federal Arali Maciel Duarte.
A decisão da magistrada, considerada histórica por organizações de proteção animal, cita a ocorrência de maus-tratos, falhas sanitárias nos abatedouros localizados na Bahia e o risco de extinção desses animais no Brasil.
A sentença, cujo processo tramita desde 2018, determina a interrupção do abate, além da retirada imediata dos animais de frigoríficos, fazendas e transportes destinados à exploração.
A Ação Civil Pública foi movida pelas organizações The Donkey Sanctuary, União Defensora dos Animais, Rede de Mobilização pela Causa Animal (Remca), Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e SOS Animais de Rua.
Na decisão, a magistrada afirma que ficou comprovado que os animais vêm sendo submetidos a condições de crueldade, especialmente durante o transporte e o confinamento, além de destacar o risco de desaparecimento da espécie no país. O documento também aponta problemas sanitários, incluindo a possibilidade de disseminação de doenças, como o mormo.
Modelo incompatível com a Constituição
O abate de animais é permitido pela legislação brasileira em determinadas circunstâncias, como na fiscalização pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) e no manejo pré-abate, mas a sentença da juíza estabelece que essa prática não pode ocorrer quando há violação de direitos básicos dos animais ou ameaça à preservação da espécie, conforme previsto na Constituição Federal.
A proibição tem efeito em todo o estado da Bahia, principal polo de abate de jumentos no Brasil, e impede a captura, comercialização e confinamento desses animais para essa finalidade.
A advogada e coordenadora da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, Gislaine Brandão, ressalta que a decisão não se estende automaticamente a outros estados e nem prevê o fechamento de frigoríficos, que podem continuar operando com outras espécies dentro da legalidade.
“Trata-se de uma decisão histórica, que reconhece de forma inequívoca a crueldade envolvida nessa cadeia e o risco real de extinção dos jumentos no Brasil. É um passo fundamental para interromper um modelo de exploração insustentável e incompatível com a Constituição”, afirma.
Por se tratar de sentença, decisões judiciais anteriores perdem efeito no caso, incluindo o recurso que a União havia vencido no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em novembro, em Brasília, quando a corte manteve a autorização para o abate de jumentos ao acolher um recurso apresentado pelo governo federal.
À época, a decisão, emitida em 6 de novembro pelo juiz Eduardo Martins, restabeleceu a legalidade da prática.
Gislaine destaca que dados da FAO, do IBGE e do Agrostat mostram que o número desses animais no Brasil despencou 94% entre 1996 e 2024, em uma demonstração de exploração descontrolada que ameaça não apenas a espécie, mas também os meios de subsistência de comunidades rurais no Nordeste.
O abate de jumentos ganhou força no Brasil a partir de 2018, com a intensificação da exportação de peles para a China, onde o colágeno da pele do animal é extraído para a formulação do eijao, produto da medicina tradicional chinesa que promete vigor sexual e rejuvenescimento, mas que não tem eficácia comprovada pela ciência.
Número de jumentos no Brasil
A divulgação de uma estimativa internacional que aponta a existência de 730 mil jumentos no Brasil reacendeu o debate sobre a real dimensão da população desses animais no país.
Pesquisadores e entidades afirmam que o número está superestimado e pode mascarar o risco de extinção da espécie, especialmente no Nordeste. Uma carta aberta assinada por cientistas e organizações critica os dados e aponta inconsistências metodológicas.
Segundo o grupo, o número mais recente calculado por pesquisadores brasileiros indica cerca de 78 mil jumentos em 2025 — quase dez vezes menos que a projeção divulgada.
A principal crítica recai sobre a origem das estimativas. Os dados utilizados internacionalmente têm como base informações da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que não realiza censos próprios e trabalha com projeções a partir de dados secundários.
Especialistas explicam que, no caso dos jumentos, essas estimativas são ainda mais frágeis. Isso porque a espécie tem menor relevância nas estatísticas globais de produção agropecuária, o que reduz a precisão das informações.
Além disso, o Brasil deixou de divulgar dados oficiais específicos sobre jumentos na Pesquisa da Pecuária Municipal em 2013. Desde então, as projeções passaram a ser feitas com modelos estatísticos, que tendem a suavizar quedas ou oscilações mais bruscas.