A alta dos preços dos fertilizantes nos Estados Unidos, agravada pela paralisação no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, está intensificando a pressão sobre o orçamento dos agricultores e provocando pedidos crescentes por intervenção do governo federal.
Representantes do setor agrícola afirmam que a situação ameaça a oferta do insumo justamente às vésperas do início da temporada de plantio no Cinturão do Milho, no próximo mês.
Em carta enviada ao presidente Donald Trump e divulgada nesta segunda-feira (9) pela American Farm Bureau Federation (AFBF), o presidente da entidade, Zippy Duvall, sugeriu uma série de medidas que poderiam aliviar o impacto do aumento de custos sobre os produtores rurais.
Entre elas está o uso da Marinha dos EUA para garantir a segurança e a regularidade do transporte marítimo de fertilizantes no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores logísticos para o comércio global desses insumos.
Duvall também defendeu a suspensão de tarifas e outras barreiras comerciais que dificultam a importação de fertilizantes.
Embora ingredientes como ureia e nitrato de amônio estejam, em grande parte, isentos das tarifas impostas pelo governo Trump, continuam em vigor desde 2021 medidas antidumping e compensatórias sobre algumas importações, incluindo produtos provenientes do Marrocos e da Rússia.
Empresas também se mobilizam
O tema também mobiliza grandes empresas do setor. Na semana passada, um porta-voz da Nutrien afirmou que a companhia solicitou a retirada dessas tarifas como forma de reduzir a pressão enfrentada pelos agricultores.
Dados recentes indicam que os preços já vinham em alta e intensificaram esse movimento com a crise logística.
Segundo análise divulgada pela consultoria DTN, o valor da ureia atingiu US$ 611 por tonelada no fim de fevereiro, alta de 12% em relação a igual período do ano passado. O potássio subiu 9% na comparação anual, enquanto a amônia anidra registrou aumento de 15%.
Além do encarecimento, produtores relatam dificuldades para garantir o fornecimento do insumo. Harry Ott, presidente do Farm Bureau da Carolina do Sul e produtor de algodão, milho e amendoim no condado de Calhoun, afirmou que ainda não conseguiu comprar todo o fertilizante necessário para a próxima safra.
Segundo ele, seu fornecedor local se recusou a vender volumes adicionais até que haja maior clareza sobre a evolução da crise no Estreito de Ormuz e sobre o comportamento dos preços. Ele acrescentou que alguns distribuidores mantêm estoques, mas evitam comercializá-los no momento devido à incerteza no mercado.
Próximos passos
Diante desse cenário, a AFBF informou que mantém conversas com a Casa Branca e com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para discutir medidas de mitigação.
Entre as possibilidades avaliadas está a criação de novos programas de ajuda financeira aos produtores, semelhantes aos programas emergenciais adotados em crises anteriores.
O economista-chefe da entidade, John Newton, afirmou que a discussão inclui tanto soluções logísticas – como escolta militar para navios cargueiros que cruzam o Estreito de Ormuz – quanto medidas comerciais e financeiras. O USDA não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
Importações brasileiras de trigo vêm diminuindo nos últimos meses
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Foto: Canva
Segundo dados do Cepea, as importações brasileiras de trigo vêm diminuindo nos últimos meses. Em fevereiro, as compras externas foram as menores em 18 anos para um único mês.
No acumulado de 12 meses, o volume adquirido é o mais baixo desde o período encerrado em setembro de 2024. Pesquisadores do Cepea apontam que, para os próximos meses, o aumento no valor do dólar e os estoques mais ajustados nos moinhos podem manter as compras externas lentas e favorecer o aumento da liquidez no mercado interno.
De acordo com pesquisadores do Cepea, agentes do mercado de trigo estiveram atentos aos conflitos no Oriente Médio, que repercutiram no mercado internacional e elevaram as cotações futuras. A valorização do dólar frente ao Real na última semana também favoreceu pedidos de preços mais altos por parte de vendedores domésticos.
A importação de trigo pelo Brasil registrou forte queda no mês de fevereiro. O volume importado atingiu o menor nível para o período em 18 anos. No acumulado dos últimos 12 meses, a quantidade adquirida também recuou e é a menor desde setembro de 2024.
A queda nas importações está ligada à valorização do dólar. A redução das compras externas, combinada com estoques ajustados dos moinhos, tende a fortalecer a liquidez do mercado interno nos próximos meses, já que uma queda da moeda norte-americana no curto prazo é pouco provável. Com a demanda aquecida, produtores brasileiros têm elevado os preços de venda.
Agentes do mercado consultados pelo Cepea relatam estar atentos aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, diante da possibilidade de uma disparada nos preços internacionais do trigo.
A colheita de soja no Brasil atingiu 50,6% da área cultivada, segundo o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na semana anterior, os trabalhos estavam em 41,7%, o que representa um avanço semanal de 21,3% no ritmo da colheita.
Apesar da evolução, o andamento ainda está atrasado em relação ao mesmo período do ano passado. Em igual momento de 2025, a colheita alcançava 60,9% da área, indicando que o ritmo atual está 16,9% mais lento na comparação anual.
Em relação à média dos últimos cinco anos, de 48,5%, o desempenho da safra atual está 4,3% acima do ritmo histórico.
Colheita de soja pelo Brasil
Entre os estados produtores, o maior avanço é observado em Mato Grosso, onde a colheita já alcança 89,1% da área. Em seguida aparecem Mato Grosso do Sul (61%), Goiás (57%) e Tocantins (52%).
Na sequência estão Paraná (46%), Minas Gerais (39%) e São Paulo (38%). No Matopiba, o progresso ainda é mais lento, com o Piauí registrando 19% da área colhida e Maranhão 17%. Santa Catarina soma 11,7%, enquanto a Bahia está em 3%.
No Rio Grande do Sul, os trabalhos ainda não começaram, mantendo o índice em 0%.
A petrolífera saudita Saudi Aramco alertou que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode provocar “consequências catastróficas” para o mercado global de petróleo caso o conflito envolvendo o Irã continue afetando o tráfego marítimo na região.
Segundo o CEO da companhia, Amin Nasser, grande parte das remessas de petróleo do Golfo está atualmente bloqueada. O estreito é uma das rotas estratégicas mais importantes do mundo, por onde normalmente passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente.
Nasser afirmou que a situação representa a maior crise já enfrentada pela indústria regional de petróleo e gás. Ele também alertou que os impactos podem se espalhar por diversos setores da economia global, incluindo transporte marítimo, seguros, aviação, agricultura e indústria automotiva.
Em meio às tensões, o preço do petróleo Brent, referência internacional, chegou a subir para quase US$ 120 por barril, antes de recuar após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que o conflito poderia chegar ao fim em breve.
Atualmente, a Aramco não está exportando petróleo pelo Golfo, já que navios não conseguem carregar cargas na região. Para atender parte da demanda, a empresa tem utilizado estoques globais e redirecionado o petróleo por meio do oleoduto Leste-Oeste, que leva a produção até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Esse sistema, no entanto, deve atingir sua capacidade máxima de 7 milhões de barris por dia nos próximos dias.
Mesmo com essas alternativas logísticas, a interrupção no fluxo marítimo pode retirar cerca de 350 milhões de barris do mercado global, em um momento em que os estoques mundiais de petróleo já se encontram nos níveis mais baixos dos últimos cinco anos.
Entre os indicados ao Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26 está a produtora rural Maira Lelis, de Guaíra (SP), que investe em gestão, tecnologia e sustentabilidade para fortalecer a produção de grãos na fazenda da família.
A história da propriedade começou há mais de oito décadas, quando o avô da produtora iniciou as atividades na área, que antes era formada por cerrado. Ao longo dos anos, o sistema produtivo evoluiu com a adoção de novas tecnologias e práticas agrícolas.
“A fazenda começou com meu avô há mais de 80 anos nesse mesmo solo que vocês estão conhecendo hoje. Antes era um cerrado e ele foi transformado. Hoje a gente tem produção de grãos aqui há mais de 40 anos”, conta. Segundo ela, no início os trabalhos eram bem diferentes dos atuais. “Antes, tudo não era mecanizado.”
De acordo com Maira, a agricultura moderna exige cada vez mais conhecimento técnico e capacidade de adaptação às inovações que surgem no setor. “O agro hoje é um agro de muita ciência e muita tecnologia. O maior desafio é estar sempre muito atento às inovações e conseguir levar essas novidades para dentro do campo”, afirma.
A produtora destaca que a busca constante por eficiência tem como objetivo reduzir custos e ampliar a produtividade das lavouras. “O desafio é poder colocar essas inovações dentro da fazenda e, com isso, diminuir os custos e aumentar a produtividade”, explica.
A sustentabilidade também passou a ocupar papel central na gestão da propriedade e na própria trajetória da produtora. Segundo ela, as boas práticas adotadas ao longo dos anos ajudaram a melhorar a qualidade do solo e fortalecer o sistema produtivo.
“Hoje a sustentabilidade faz parte da história da fazenda, da história da minha família e da minha história. Ver o nosso solo melhorando ao longo dos anos é algo muito gratificante”, destaca.
Entre as estratégias adotadas estão a rotação de culturas, o uso de plantas de cobertura e a aplicação de microrganismos no solo, práticas que contribuem para manter o sistema mais equilibrado e produtivo.
“A gente sabe que quando coloca plantas de cobertura e microrganismos no sistema, a gente alimenta o solo e deixa ele mais vivo. Foi assim que conseguimos aumentar a produtividade da soja”, diz.
Outra iniciativa recente na fazenda é a implantação de um corredor ecológico multifuncional, formado por diferentes espécies de árvores ao redor da propriedade. A proposta é atrair inimigos naturais das pragas e fortalecer o equilíbrio ambiental da área.
“Uma das novidades é a implantação de um corredor ecológico com árvores que têm pólen ao longo do ano todo. Isso ajuda a atrair inimigos naturais e tornar o sistema mais resiliente”, explica.
Para Maira, o reconhecimento como indicada ao prêmio está ligado à dedicação à produção de alimentos e à preocupação com o futuro da atividade no campo. “O que faz de mim uma personagem da soja brasileira é o amor que eu tenho pelo que faço, por produzir alimento com responsabilidade e sustentabilidade”, afirma.
Ela também ressalta a importância de preparar a próxima geração para dar continuidade ao trabalho na propriedade. “Queremos deixar um legado para as próximas gerações e um solo muito mais preparado para quem vai continuar esse trabalho”, conclui.
O modelo de seguro rural brasileiro pode passar por mudanças estruturais nos próximos anos, com a introdução do seguro paramétrico e a tramitação de um projeto de lei no Congresso Nacional que pretende modernizar o sistema e ampliar a cobertura no campo.
O Ministério da Agricultura e Pecuária vem sinalizando nos últimos meses que pretende avançar com a implementação do seguro rural paramétrico no país. A proposta surge em um contexto de aumento da frequência de eventos climáticos extremos, que têm elevado os riscos da produção agrícola e pressionado a situação financeira de produtores rurais.
O modelo já vem sendo adotado em diferentes países como uma alternativa para ampliar a cobertura securitária no campo. Em mercados como Estados Unidos, Índia, França e México, o seguro paramétrico tem sido utilizado para proteger produtores contra riscos climáticos, com indenizações baseadas em indicadores como volume de chuva, temperatura ou velocidade do vento.
Estudos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que, apenas na safra 2023/24, perdas provocadas por seca, excesso de chuvas e geadas afetaram milhões de hectares de lavouras no país. Levantamentos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também mostram que o Brasil registrou aumento significativo de eventos climáticos extremos nas últimas décadas, com episódios de estiagem prolongada, ondas de calor e chuvas intensas.
Para os produtores, os impactos são diretos. Quebras de safra reduzem a renda, dificultam o pagamento de financiamentos e aumentam o risco de endividamento e renegociação de dívidas agrícolas, situação que frequentemente exige medidas emergenciais de crédito por parte do governo.
Mesmo diante desse cenário, a adesão ao seguro rural ainda é considerada baixa no Brasil. Dados do Ministério da Agricultura indicam que menos de 20% da área agrícola cultivada no país conta com algum tipo de cobertura securitária, o que deixa grande parte da produção exposta a riscos climáticos.
Como funciona o seguro paramétrico
Diferentemente do modelo tradicional, o seguro paramétrico não depende de vistoria presencial para avaliar prejuízos. A indenização é acionada automaticamente com base em indicadores climáticos previamente definidos, como volume de chuva, velocidade do vento ou temperatura.
De acordo com o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, o sistema pode trazer ganhos importantes de eficiência.
“A grande vantagem é que fica muito mais fácil a avaliação e o pagamento das indenizações”, afirma.
Apesar do potencial do modelo, especialistas apontam que a implantação no Brasil deve ocorrer de forma gradual. Isso porque o funcionamento do seguro paramétrico depende de uma ampla rede de estações meteorológicas e sistemas de monitoramento climático, algo que ainda não está plenamente disponível em todo o território nacional.
“A disponibilidade de medições é um obstáculo. Para aplicar esse modelo, é preciso ter uma rede ampla de dados climáticos em propriedades e municípios”, destaca Oliveira.
Segundo o Observatório de Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas (FGV), em 2025 cerca de 11 mil hectares foram segurados no modelo paramétrico com apoio do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Para efeito de comparação, o seguro tradicional cobriu aproximadamente 3,2 milhões de hectares no mesmo período.
Entre as 17 seguradoras habilitadas a operar com subvenção federal, apenas duas comercializaram apólices paramétricas, o que mostra que o modelo ainda está em fase inicial no país.
Na avaliação da FGV, a expansão desse tipo de seguro exige avanços técnicos importantes, como:
maior densidade de estações meteorológicas
uso intensivo de dados satelitais
séries históricas climáticas mais extensas
governança técnica independente
calibração regional dos índices climáticos
Outro desafio é o chamado “risco de base”, que ocorre quando a indenização acionada pelo índice climático não corresponde exatamente à perda real na propriedade.
“O seguro paramétrico se guia única e exclusivamente pelo parâmetro definido. Então, você pode ter uma circunstância, por exemplo, de um grande vendaval, mas aquela propriedade não ter nenhum prejuízo por alguma característica específica. Ele vai ser indenizado exatamente igual aos outros. E pode acontecer o contrário também”, explica o presidente da CNseg.
Projeto de lei busca modernizar seguro rural
Paralelamente ao debate sobre o seguro paramétrico, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 2951/2024, que propõe mudanças estruturais no sistema de seguro rural brasileiro.
O texto busca ampliar a cobertura do seguro no país e tornar o instrumento mais integrado às políticas de crédito agrícola.
Entre os principais pontos da proposta estão:
integração entre crédito rural e seguro agrícola, incentivando produtores que contratarem proteção contra riscos climáticos
criação de mecanismos de gestão de risco para instituições financeiras
maior previsibilidade para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR)
estruturação de um fundo de estabilização para o setor
Para Dyogo Oliveira, a vinculação entre seguro e crédito pode melhorar a gestão de risco no agronegócio.
“A concessão de crédito sem seguro acaba resultando em inadimplência e renegociações frequentes de dívidas”, afirma.
Na avaliação do executivo, produtores segurados têm maior capacidade de honrar compromissos financeiros mesmo em anos de perdas climáticas.
Estudos da FGV também indicam que a integração entre seguro rural e crédito agrícola pode reduzir riscos para instituições financeiras. Segundo a instituição, produtores segurados tendem a apresentar menor probabilidade de inadimplência, o que reduz perdas para bancos e melhora o perfil de risco das carteiras agrícolas.
Isso pode permitir, por exemplo:
redução do spread bancário
ampliação do limite de crédito
prazos mais longos de financiamento
menor exigência de garantias
No dia 2 de março, a Câmara dos Deputados aprovou o requerimento de urgência para o projeto de lei, o que permite que a proposta seja votada diretamente no plenário. Após a conclusão da análise pelos deputados, o texto segue para o Senado e, se aprovado, é encaminhado para sanção presidencial.
Fundo de estabilização
Outro ponto previsto no projeto é a criação de um fundo de estabilização do seguro rural. A proposta prevê que, em anos de resultados positivos, parte dos recursos das seguradoras seja direcionada para esse fundo. Já em anos de perdas climáticas elevadas, os recursos poderiam ser utilizados para compensar prejuízos do sistema e evitar oscilações abruptas no preço das apólices.
Segundo Oliveira, o mecanismo ajudaria a trazer maior estabilidade ao mercado de seguros agrícolas.
Além disso, o setor também defende maior previsibilidade orçamentária para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, garantindo que os recursos previstos no orçamento federal sejam efetivamente utilizados.
“Uma das medidas urgentes para melhorar o modelo de seguro rural no país é garantir que o dinheiro previsto no orçamento da União seja aplicado no seguro rural”, afirma o executivo.
A previsão do tempo para esta terça-feira (10) indica instabilidades em grande parte do Brasil, com risco de pancadas fortes, trovoadas e rajadas de vento em diversas regiões. A combinação entre circulação marítima, cavados atmosféricos e alta disponibilidade de umidade mantém o tempo instável do Sul ao Norte do país.
Sul
Na região Sul, a circulação marítima mantém maior presença de umidade na faixa leste, favorecendo chuva desde o início do dia. Há previsão de precipitações fracas entre o litoral do Paraná e de Santa Catarina, além de áreas do norte e interior do Rio Grande do Sul.
Ao longo da manhã, as instabilidades se organizam principalmente no norte, nordeste e interior do Paraná, avançando também para o oeste do estado. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, na área central gaúcha e na Costa Doce, também são esperadas pancadas de chuva.
Entre o fim da manhã e o início da tarde, perturbações em níveis médios da atmosfera reforçam as instabilidades. A previsão aponta pancadas moderadas a fortes, trovoadas e risco de temporais no Paraná, no oeste e centro-leste de Santa Catarina e em diversas áreas do Rio Grande do Sul.
No leste e norte do Paraná, há perigo para acumulados elevados de chuva. Já no interior catarinense e em áreas do sudoeste e sul do Paraná, o tempo tende a permanecer mais firme.
As rajadas de vento podem chegar entre 40 e 50 km/h, principalmente na metade sul, litoral e oeste do Rio Grande do Sul e também no sul de Santa Catarina. O mar permanece agitado ao longo da costa.
Sudeste
No Sudeste, a circulação marítima segue favorecendo chuva em grande parte da faixa litorânea. Ao mesmo tempo, uma frente fria avança pelo litoral do Espírito Santo, aumentando a instabilidade.
No interior da região, pancadas moderadas a fortes atingem a metade oeste de São Paulo, além do Triângulo Mineiro e do norte e nordeste de Minas Gerais.
Durante a manhã, as instabilidades diminuem temporariamente em algumas áreas mineiras. Porém, no estado de São Paulo a chuva se espalha e ganha intensidade ao longo do dia.
Entre o fim da manhã e a tarde, um cavado meteorológico em médios níveis da atmosfera, aliado ao transporte de umidade, intensifica as instabilidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e grande parte de Minas Gerais.
Há alerta para temporais no estado paulista, no interior e regiões serranas do Rio de Janeiro, no centro-sul e Triângulo Mineiro e no sudoeste do Espírito Santo. No litoral norte paulista e áreas do sul e sudoeste de São Paulo, existe risco de acumulados elevados de chuva.
As rajadas de vento podem variar entre 40 e 50 km/h no litoral paulista, no litoral sul fluminense e na cidade do Rio de Janeiro.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, a grande quantidade de umidade disponível na atmosfera mantém o tempo instável. Essa condição é reforçada pelo transporte de umidade vindo da Região Norte.
Desde o início do dia, ocorrem pancadas de chuva moderadas no oeste, norte e sul de Mato Grosso, além do nordeste e leste de Goiás e em grande parte de Mato Grosso do Sul.
Durante a manhã, as instabilidades diminuem momentaneamente, mas voltam a se intensificar à tarde. O calor e a umidade favorecem a formação de novas áreas de chuva em Mato Grosso e Goiás, com alerta para temporais no sul de Mato Grosso e no sul de Goiás.
Em Mato Grosso do Sul, a presença de uma área de baixa pressão sobre o Paraguai aumenta a instabilidade, com pancadas moderadas a fortes e risco de temporais ao longo do dia.
Apesar da chuva, o calor segue predominando na maior parte da região.
Nordeste
No Nordeste, o dia começa com chuva isolada no litoral norte da região e em áreas do sul do Piauí, Maranhão, oeste da Bahia e sul do Ceará.
Entre o litoral do Rio Grande do Norte e Sergipe, a circulação marítima mantém chuva fraca.
Ao longo do dia, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) intensifica as instabilidades no litoral norte, entre Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, com pancadas de moderada a forte intensidade.
Há alerta para temporais na metade sul do Maranhão e do Piauí, além do norte e litoral maranhense e no oeste do Ceará.
Nas demais áreas da região, o tempo permanece mais firme e as temperaturas sobem ao longo da tarde.
Norte
Na região Norte, a elevada disponibilidade de umidade mantém o tempo instável e abafado. Desde o início do dia, há pancadas fortes no Amazonas, oeste e interior do Pará, além do Acre e de áreas de Roraima.
A ZCIT também influencia o Amapá e o litoral do Pará, enquanto um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) contribui para a instabilidade no nordeste paraense.
Ao longo do dia, as instabilidades se intensificam no Amazonas, Rondônia, Acre, Amapá, Roraima e em grande parte do Pará.
Há risco de temporais no Acre, no oeste e norte do Amazonas, no oeste de Roraima, no sul de Rondônia, no norte do Amapá e no nordeste do Pará.
Mesmo com a chuva, as temperaturas seguem elevadas e a sensação de abafamento continua predominando em toda a região.
O Cinturão Citrícola de São Paulo e o Triângulo/Sudoeste Mineiro devem produzir 292,6 milhões de caixas de 40,8 kg na safra 2025/26. Esse volume é 26,7% maior do que o colhido na safra 2024/25. Os dados são do relatório da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) com base em levantamento realizado pelo Fundecitrus.
Ainda segundo o relatório, elaborado pelo Departamento Econômico da Faesp, a produtividade estimada é de 807,9 caixas por hectare, 18% maior que na safra anterior. O peso médio das laranjas deve atingir 153 gramas e a taxa de queda dos frutos pode chegar a 23%.
As variedades Hamlin, Westin e Rubi já tiveram as suas colheitas concluídas, com produção estimada de 46,2 milhões de caixas, 23% maior que a do ciclo passado. As taxas de queda das variedades precoces são as mais baixas: 16,9% para Hamlin, Westin e Rubi e 18,5% para as demais precoces. A safra da variedade Pera Rio está estimada em 87,65 milhões de caixas, com peso médio de 153 gramas/fruto, sendo necessários 267 frutos para compor uma caixa de 40,8 kg.
As variedades tardias sofreram mais com as chuvas intensas de janeiro, afetando a qualidade dos frutos, com a produção das laranjas Valência e Folha Murcha estimada em 104,3 milhões de caixas, com peso médio de 161 gramas. A produção da variedade Natal deve alcançar 36,8 milhões de caixas, com média de 250 frutos por caixa e taxa de queda estimada em 28,5%.
A oferta elevada, maior taxa de queda e redução na qualidade das variedades de mesa devido às chuvas, mantiveram os preços da laranja em São Paulo pressionados no início de 2026. Em meados de fevereiro, o indicador da laranja indústria estava em aproximadamente R$ 32 por caixa, acumulando variação mensal negativa de quase 12%.
Clique na imagem abaixo para acessar o relatório completo, e acesse o Painel de Dados da Faesp para mais informações sobre os principais produtos agropecuários e outras estatísticas importantes para o agronegócio paulista e brasileiro.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) colocou em prática o Programa Nacional de Transferência de Embriões da Agricultura Familiar, instituído pela Portaria nº 28/2025, com a proposta de ampliar o acesso de pequenos produtores a tecnologias de melhoramento genético. A iniciativa busca elevar a produtividade de leite e carne nas propriedades familiares por meio da utilização de biotecnologia reprodutiva.
De acordo com o ministério, o programa pretende democratizar o acesso a material genético de alto desempenho, permitindo que produtores familiares utilizem técnicas antes concentradas em grandes propriedades. A transferência de embriões possibilita o nascimento de animais com genética superior de pai e mãe, diferentemente da inseminação artificial convencional, em que apenas a genética do touro é selecionada.
O ministro do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou que a política pública busca ampliar a competitividade do setor. “A pasta está entregando ao pequeno produtor a tecnologia que antes era restrita aos grandes, garantindo que o rebanho da agricultura familiar seja sinônimo de excelência e renda”, disse.
O processo envolve a seleção de fêmeas doadoras com genética comprovada e de vacas receptoras presentes nas propriedades rurais. Após a fertilização em laboratório, o embrião é implantado na receptora, que gestará o animal com características produtivas superiores, como maior adaptação ao clima tropical, melhor conversão alimentar no caso de gado de corte e aumento da produção de leite.
Para apoiar a implantação da tecnologia nas propriedades, o programa prevê suporte técnico especializado. Os produtores podem destinar até 2% do valor financiado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para assistência técnica, que acompanha desde a seleção das receptoras até os primeiros meses de desenvolvimento dos animais.
A secretária-executiva do MDA, Fernanda Machiaveli, destacou que a logística de distribuição do material genético e do conhecimento técnico é fundamental para o funcionamento do programa. “Nosso foco é assegurar que o conhecimento e o material genético cheguem com qualidade às áreas mais remotas, fortalecendo as cooperativas locais”, afirmou.
Segundo o ministério, a expectativa é que, nos próximos cinco anos, a biotecnologia reprodutiva passe a integrar de forma mais ampla o cotidiano das propriedades familiares, ampliando a produtividade e fortalecendo a produção de alimentos no país.