quarta-feira, março 25, 2026

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China pode flexibilizar regras para soja brasileira após embargo de cargas


soja para exportação
Fonte: Ivan Bueno/APPA

A China deve flexibilizar a política de tolerância zero para impurezas na soja brasileira em cargas destinadas ao país. O maior parceiro comercial do Brasil, conhecido pelas regras fitossanitárias rigorosas, avalia a mudança diante do impasse recente. Autoridades brasileiras estão na Ásia, junto a exportadores, para tratar do tema e de outras pautas comerciais.

O embargo atingiu cerca de 20 navios carregados com soja, gerando impactos para as tradings e a logística do setor. Cada embarcação retida transporta milhares de toneladas do grão.

A China, responsável por aproximadamente 80% das compras da soja brasileira, impediu o desembarque das cargas ao longo de março, provocando forte repercussão no agronegócio.

O bloqueio ocorreu após a detecção de impurezas, especialmente sementes de ervas daninhas consideradas proibidas pela legislação sanitária chinesa. O episódio levou à intensificação das negociações entre os dois países.

Os secretários do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart (Defesa Agropecuária) e Luís Rua (Relações Internacionais), estão em Pequim, acompanhados de exportadores, para buscar uma solução para o problema.

Além dos prejuízos financeiros, principalmente para tradings como a Cargill, o embargo também provocou desorganização logística. O caso aumenta a pressão sobre o Brasil para reforçar os padrões de qualidade e limpeza da soja exportada.

O Canal Rural entrou em contato com o Ministério da Agricultura, que informou que técnicos estão na China apurando os problemas envolvendo os navios. Segundo a assessoria, representantes brasileiros tentam uma reunião com autoridades chinesas para solucionar a situação até a próxima semana.

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JBJ Genetics adquire Nelore JMP e reforça consolidação na pecuária de corte


JBJ e Nelore JMP
Foto: divulgação

A pecuária brasileira registra mais um movimento estratégico de consolidação. A JBJ Genetics anunciou a aquisição integral do projeto Nelore JMP, uma das marcas mais reconhecidas na seleção de genética de avaliação no país.

A operação envolve não apenas a incorporação do rebanho, mas também a continuidade das datas de leilões da JMP, que passam a ser conduzidas pela JBJ Genetics. A estratégia garante a presença da marca no calendário do setor e reforça a oferta de animais de alto padrão ao mercado.

Apesar da aquisição, as duas marcas seguirão ativas. A proposta é de integração com preservação de identidade, respeitando a trajetória e o posicionamento de cada projeto dentro da pecuária. A manutenção dessa estrutura busca assegurar consistência e confiança junto aos clientes e parceiros.

Outro ponto considerado estratégico é a permanência da equipe técnica da JMP. O grupo segue sob liderança do diretor Daniel Correa, que passa a integrar a estrutura da JBJ Genetics. A continuidade do time garante a preservação do conhecimento acumulado e a estabilidade operacional do projeto, informaram as empresas em nota.

A partir de abril de 2026, os leilões da JMP passam oficialmente a fazer parte da carteira da JBJ Genetics. Já os contratos firmados antes dessa data seguem sendo executados sob a marca JMP, o que reforça o compromisso com a manutenção das relações comerciais já estabelecidas.

“Este é um passo que ampliar escala, potencializa resultados e reafirma compromissos com a evolução da pecuária brasileira”, diz a nota conjunta das empresas.

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Cresce o número de municípios do RS que relatam escassez de diesel


diesel
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Subiu para 166 o número de municípios do Rio Grande do Sul que relatam problemas relacionados à escassez no abastecimento de óleo diesel. 

A informação consta em um boletim da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), ao qual a Agência Brasil teve acesso, nesta quarta-feira (25).

Os dados estão atualizados até as 9h dessa quarta-feira. Na última quinta-feira (19), o número de cidades atingidas era 142. Dois municípios, Formigueiro e Tupanciretã, mantêm estado de emergência.

A Famurs detalha que recebeu retorno à consulta de 384 dos 497 municípios gaúchos. Os 166 atingidos representam um terço das cidades do Rio Grande do Sul. A capital, Porto Alegre, não consta como afetada.

De acordo com a federação gaúcha, os sinais de desabastecimento acendem “um sinal de alerta para o funcionamento dos serviços essenciais nas cidades”.

Prefeituras estão direcionando o combustível para áreas essenciais, como serviços na área da saúde e transporte de pacientes. Obras e atividades que dependem de maquinário foram suspensas.

O óleo diesel é o principal combustíveis para veículos como caminhões, ônibus e tratores.

O que diz a ANP

A Agência Brasil solicitou esclarecimentos à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, órgão regulador do setor, mas não recebeu retorno até a conclusão da reportagem.

À ocasião do último balanço, que dava conta de 142 cidades afetadas, a ANP informou que o cenário era de que “não havia falta de produtos, mas questões logísticas”.

Reflexos da guerra

A questão nas cidades gaúchas e aumento do preço do óleo diesel em diversas partes do país são reflexos da guerra no Irã, que afeta a cadeia global do petróleo.

O óleo diesel é o derivado do petróleo que mais sente os impactos do cenário internacional, uma vez que o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome.

Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, o preço do litro do óleo diesel no país subiu cerca de 20%, segundo a ANP. 

Ações do governo

O governo tem tomado medidas para atenuar o repasse da alta global ao consumidor final. Uma delas foi a zeragem das alíquotas dos tributos federais que incidem sobre o diesel, o Pis e a Cofins.

O governo também trabalha com a subvenção às empresas (espécie de reembolso) de R$ 0,32 para cada litro de diesel produzido ou importado.

A Petrobras, principal fornecedora do país, chegou a reajustar o preço do óleo diesel em R$ 0,38 no último dia 14, mas, de acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, o reajuste nas bombas foi suavizado pelas ações do governo federal. 

Além disso, há a proposta para que estados também colaborem com subsídio ao diesel. 

A ANP atua ainda na fiscalização da cadeia de comercialização dos combustíveis, visitando postos e distribuidoras. 

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Até 10 de abril: escolha seu favorito (a) ao Prêmio Personagem Soja Brasil 25/26!


Imagem gerada por IA

Sabia que já está aberta a votação para o Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26? Para participar é simples: basta acessar o link da votação e escolher seu produtor e um pesquisador favorito. Os candidatos são aqueles que mais fazem a diferença na cadeia da soja no país. Confira os indicados desta safra:

Pesquisadores

Ricardo Andrade
O pesquisador Ricardo Andrade atua no desenvolvimento de tecnologias que ajudam a soja a produzir bem mesmo em condições climáticas adversas no oeste da Bahia. Engenheiro agrônomo e especialista em fisiologia vegetal, ele trabalha principalmente com estudos voltados à adaptação das plantas a estresses como a seca.

Seu trabalho busca entender como a soja reage ao ambiente e como pode se tornar mais resiliente diante das mudanças climáticas. Entre as linhas de pesquisa estão técnicas com bioestimulantes que aumentam a tolerância da planta a condições adversas e elevam o potencial produtivo.

Andrade também destaca a importância da educação e da formação de novos profissionais para o avanço do agro brasileiro. Para ele, a maior recompensa da pesquisa é ver tecnologias desenvolvidas no laboratório sendo aplicadas nas lavouras pelos produtores.

Fernando Adegas
Pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas construiu carreira dedicada ao manejo de plantas daninhas e ao desenvolvimento de estratégias para evitar perdas na produção agrícola.

Filho de família ligada ao campo, decidiu seguir a agronomia ao perceber a importância da agricultura para a economia brasileira. Após atuar na extensão rural no Paraná, aprofundou seus estudos na área de plantas daninhas, tema que se tornou central em sua trajetória científica.

Na Embrapa, acompanha a evolução dos sistemas de produção e o surgimento de plantas resistentes a herbicidas, trabalhando no desenvolvimento de técnicas de manejo integrado. O objetivo é garantir que os produtores consigam controlar as invasoras e manter a produtividade das lavouras, respeitando as diferenças entre regiões e biomas do país.

Leandro Paiola Albrecht
O pesquisador Supra da UFPR, Leandro Paiola Albrecht, desenvolve estudos voltados ao manejo de plantas daninhas e à busca por soluções que aumentem a produtividade e a rentabilidade da soja.

Seu trabalho vai além do uso de herbicidas, envolvendo práticas como rotação de culturas, cobertura do solo e estratégias integradas dentro do sistema produtivo. Ele também participa de pesquisas sobre resistência de plantas daninhas em áreas de soja no Brasil e no Paraguai, avaliando espécies como buva, caruru e capim-amargoso.

Esses estudos ajudam a identificar novas formas de controle e evitar perdas significativas nas lavouras. Segundo o pesquisador, o objetivo é integrar diferentes tecnologias para gerar soluções práticas e acessíveis aos produtores, garantindo produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo.

Produtores

João Damasceno
Produtor rural do Tocantins, João Damasceno levou o sonho da soja para o Norte do Brasil e ajudou a consolidar a produção na região.

A história da fazenda começou ainda com seu pai, que adquiriu a propriedade na década de 1940. A partir da safra 1993/94, a família passou a investir na soja, substituindo outras culturas e ampliando gradualmente a área plantada e o parque de máquinas.

Com apoio técnico da Embrapa, adotou sistemas de rotação de culturas e integração com a pecuária, garantindo mais sustentabilidade à produção. Hoje a fazenda reúne soja como cultura principal, além de milho safrinha, gergelim, confinamento de gado e seringueira, além de estrutura própria de secagem e armazenamento.

Mesmo com oportunidades de expansão, a família decidiu investir na propriedade original, que carrega valor histórico e sentimental. Para Damasceno, produzir soja também significa preservar o legado familiar construído ao longo de gerações.

Maira Lelis
Produtora rural de Guaíra (SP), Maira Lelis representa uma nova geração do agro que une tradição, tecnologia e sustentabilidade.

A história da fazenda começou há mais de 80 anos com seu avô, quando a área ainda era formada por cerrado. Ao longo do tempo, a propriedade evoluiu com mecanização, adoção de tecnologias e ampliação da produção de grãos.

Hoje a gestão é focada em inovação, eficiência e redução de custos. Entre as práticas adotadas estão rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e aplicação de microrganismos para fortalecer a saúde do solo e aumentar a produtividade da soja.

Uma das iniciativas recentes é a criação de um corredor ecológico com árvores que produzem pólen ao longo do ano, ajudando a atrair inimigos naturais das pragas e equilibrar o sistema produtivo. Para Maira, produzir alimento com responsabilidade ambiental e preparar o solo para as próximas gerações é parte essencial da missão no campo.

Carlos Eduardo Carnieletto
A trajetória de Carlos Eduardo Carnieletto nasceu dentro da agricultura familiar no Paraná. A produção começou com os pais, em uma pequena área cultivada com muito trabalho e dedicação.

Ao longo dos anos, a estrutura da propriedade foi ampliada e consolidada. Formado em agronomia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ele manteve a ligação com o campo e hoje administra sua área com foco em eficiência e gestão.

Diante de custos elevados e preços pressionados, busca aumentar a produtividade sem elevar os gastos da lavoura. Entre as práticas adotadas estão o uso de biológicos, coinoculação e acompanhamento constante das lavouras.

Para ele, o solo é o principal patrimônio do agricultor. Por isso investe em conservação, cobertura e manejo adequado da terra. Mesmo diante dos desafios do setor, Carlos acredita nos ciclos da agricultura e mantém a convicção de seguir produzindo. Encerrar uma safra com bons resultados continua sendo sua maior motivação.

A votação para escolher o Personagem Soja Brasil da safra 2025/26 vai até o dia 10 de abril. Participe!

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Exportamos mais do que nunca, mas planejamos menos do que precisamos


exportações empresas tarifaço

Há problemas que só viram problema quando deixamos de celebrar.

No começo de 2026, é fácil abrir o champagne: o Brasil segue sendo um campeão de exportações. Só no primeiro bimestre embarcamos 372 mil toneladas de carne bovina para a China: um número que enche de orgulho qualquer pessoa que vive e respira agronegócio. Mas, olhando com calma, aquilo que celebração não esconde é um relógio que não para de correr.

Em 60 dias, consumimos quase 34% da nossa cota anual com a China. Mantido esse ritmo, faltará cota antes do fim do ano e teremos um quarto do calendário sem espaço para vender ao nosso maior cliente.

O alarme soa com razão: essa falta de previsibilidade é uma bomba-relógio para o segundo semestre. E não é só uma questão de ritmo, é também política externa e concorrência.

Há sinais de que a China não habilitará novos frigoríficos brasileiros pelos próximos três anos. Para quem planeja no médio e longo prazo, isso não é um entrave técnico, mas sim uma política deliberada de contenção. Enquanto isso, concorrentes como a Austrália já ocuparam 35% de sua cota no mesmo período.

Não estamos enfrentando só um problema doméstico: estamos sendo pressionados lá fora.

O mercado chinês continua vital e ninguém aqui sugere abandoná-lo, pelo contrário. O Brasil construiu escala de produção ao longo de décadas e precisa de mercados previsíveis e alternativos.

A Selic a 14,75% é mais que um número macro, o pecuarista sofre com falta de oxigênio para o fluxo de caixa, do frigorífico, do exportador.

Some-se a isso o diesel caro e disputado, novas regras de frete, a tensão com os caminhoneiros, a guerra entre EUA, Israel e Irã. A margem que sai do pasto competitiva volta do porto corroída. Isso não só aperta o presente, mas reduz a vontade e a capacidade de investir no futuro.

Então, para onde vai o excedente quando a cota chinesa satura? Não podemos esperar que a resposta venha por acaso.

Países árabes são uma alternativa imediata mais óbvia para a carne bovina e oferecem janelas reais de oportunidade. Mas janelas não se abrem sozinhas, exigem diplomacia comercial ativa, acordos sanitários negociados com antecedência, logística afinada para um mundo volátil. Diversificar mercados não é slogan, exige trabalho de bastidor, de paciência e estratégia nacional.

O esgotamento precoce da cota em 2026 é sintoma de falhas que precisam de resposta de Estado. Um sistema de monitoramento em tempo real de cotas e fluxos de exportação, com alertas e previsibilidade; uma diplomacia comercial mais proativa e com equipes permanentes dedicadas a abrir mercados e a negociar sanidades antes de emergências… A lista segue.

O Brasil produz com excelência. O que nos falta, muitas vezes, é o Estado à altura desse esforço: previsível, estratégico e ativo.

Ana Paula Abritta, colubista da BMJ

Ana Paula Abritta é diretora de Estratégia e Inovação da BMJ Consultores Associados, onde atua desde 2016 liderando equipes de Relações Governamentais, Inovação e Comércio Internacional. É mestra em Poder Legislativo (Câmara dos Deputados), com MBA em Comércio Internacional (FGV) e graduação em Relações Internacionais (UCB). É cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT).


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Viagem de Trump à China foi reagendada para maio


Donald Trump, Xi Jinping, China, EUA, tarifas
Foto: Xinhua/Huang Jingwen

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viajará a Pequim nos dias 14 e 15 de maio para um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping. A informação foi confirmada pela Casa Branca.

A visita havia sido planejada anteriormente, mas acabou adiada para que Trump permanecesse em Washington acompanhando o envolvimento dos Estados Unidos no conflito com o Irã. Mesmo com a guerra ainda em andamento, a viagem foi remarcada em meio à pressão americana para que Teerã aceite uma proposta de cessar-fogo.

Com informações da Safras & Mercado.

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AgroNewsPolítica & Agro

Pesquisadora da Embrapa integra iniciativa global de diretrizes alimentares



Pesquisadora passou a integrar o Action Team on Food-Based Dietary Guidelines



Foto: Divulgação

A pesquisadora da Embrapa Gado de Leite Kennya Beatriz Siqueira passou a integrar o Action Team on Food-Based Dietary Guidelines (AT-FBDG), organizado pela Federação Internacional de Laticínios (FIL/IDF).

O AT-FBDG é uma iniciativa global estratégica voltada para discutir a maneira como os países elaboram suas diretrizes alimentares. O grupo reúne especialistas para discutir, analisar e comparar diretrizes alimentares de diferentes países, incluindo aspectos relacionados às recomendações para lácteos e à construção de bases de dados globais sobre o tema. O grupo se reúne duas vezes ao ano ou conforme a necessidade de discussão de tópicos específicos. Inicialmente, cada membro fica responsável por revisar as informações do seu país, bem como auxiliar nas análises comparativas.

O convite para integrar o action team surgiu após a participação de Kennya no World Dairy Summit, realizado pela FIL/IDF em outubro do ano passado. Durante uma reunião sobre “Nutrição e Saúde”, a pesquisadora identificou um alinhamento entre os projetos da federação e os estudos já conduzidos na Embrapa, uma vez que ambas as iniciativas buscavam mapear o consumo e as diretrizes de lácteos dos países. Ao apresentar seus dados à secretaria da instituição, a metodologia da Embrapa mostrou-se em um estágio avançado de maturidade. Após alguns meses, a pesquisadora recebeu o convite formal para que contribuísse diretamente com a iniciativa internacional.

Kennya explica que compor esse Action Team traz grandes oportunidades. “Integrar esse grupo é estar no órgão máximo do setor, onde as diretrizes globais são definidas. Além do networking, essa participação permite levar a realidade e o posicionamento brasileiro para o centro do debate global. É uma oportunidade de contribuir diretamente com os estudos e diretrizes internacionais, garantindo o posicionamento e representatividade do Brasil e da Embrapa nas discussões.”

Conheça o trabalho de Kennya Siqueira na Embrapa Com graduação em Engenharia de Alimentos e mestrado e doutorado em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (incluindo um período de doutorado sanduíche na University of Florida), Kennya começou a atuar na Embrapa em 2009 e construiu sua carreira com foco no estudo do mercado consumidor de lácteos. Sua produção científica é vasta, com diversos artigos publicados que analisam os hábitos e comportamentos do consumidor brasileiro. Ela é autora do livro “Na era do consumidor: uma visão do mercado lácteo brasileiro”, um compilado de artigos de mídia que virou referência no país. Seu trabalho desenvolvido na Embrapa a levou a palestrar nos principais eventos mundiais da área, como o World Dairy Summit, o Dairy Vision e, mais recentemente, no First Latin American Congress for Dairy Nutrition. Atualmente, ela representa a Embrapa Gado de Leite no Global Dairy Platform (GDP) e na International Milk Promotion (IMP).





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Governo libera R$ 15 bilhões para setores e empresas afetados por conflitos geopolíticos


Recipiente, Porta, Navio.
Foto: divulgação iStock| Pixabay

O governo federal ampliou em R$ 15 bilhões o orçamento do Plano Brasil Soberano. Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o plano visa apoiar empresas exportadoras e setores estratégicos da indústria nacional.

A medida foi oficializada por meio da Medida Provisória 1.345/2026, publicada nesta terça-feira (24), em meio ao cenário de instabilidade internacional por causa da guerra no Irã.

No mesmo dia, também foi sancionada a Lei nº 15.359/2026, que cria o Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação, com mudanças no seguro e no financiamento às vendas externas.

Foco em empresas afetadas por tensões globais

Os recursos do Brasil Soberano serão destinados a empresas exportadoras e a setores relevantes para a balança comercial brasileira, especialmente os impactados por fatores geopolíticos. Entre eles, estão companhias afetadas pela guerra no Oriente Médio e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O pacote também contempla segmentos industriais como siderurgia, metalurgia e automotivo, além de áreas como farmacêutico, máquinas e equipamentos e eletrônicos. Outro ponto de atenção é o impacto da redução na oferta de fertilizantes no mercado internacional.

Segundo o governo, a iniciativa busca garantir a manutenção da competitividade das empresas brasileiras e preservar empregos.

Linhas de crédito e fontes de recursos

Os R$ 15 bilhões poderão ser abastecidos por diferentes fontes, como o superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e recursos vinculados ao Ministério da Fazenda.

As linhas de crédito vão financiar capital de giro, aquisição de bens de capital, ampliação da capacidade produtiva e investimentos em inovação e adaptação de processos. As condições de financiamento, como prazos e encargos, ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Já os critérios de acesso às linhas serão estabelecidos pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Nova lei moderniza crédito à exportação

A criação do Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação traz mudanças no modelo de apoio às vendas externas. A proposta prevê maior alinhamento às práticas internacionais e busca dar mais segurança jurídica às operações.

Entre as medidas, está a criação de um portal único para divulgação das operações aprovadas e a apresentação anual de relatórios ao Senado, ampliando a transparência.

A lei também mantém a regra que impede novos financiamentos a países inadimplentes com o Brasil e inclui incentivos a projetos ligados à economia verde e à descarbonização.

Outro ponto é a ampliação do prazo de cobertura de risco para micro, pequenas e médias empresas na fase de pré-embarque, que passa de 180 para até 750 dias.

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AgroNewsPolítica & Agro

Embrapa avalia temperamento de bovinos da raça Brangus


Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul vêm utilizando uma metodologia simples e objetiva para avaliar o temperamento de bovinos da raça Brangus.  O comportamento dos animais Brangus é um dos focos de um projeto de melhoramento genético da raça, que busca identificar animais mais dóceis, que posteriormente serão utilizados em cruzamentos, para a formação de linhagens com essa característica de comportamento.

O método mede a chamada velocidade de fuga, indicador que revela o grau de reatividade do animal durante o manejo. A metodologia é utilizada em estudos sobre comportamento animal e para a seleção de animais Brangus mais dóceis e adaptados aos sistemas de produção do sul do Brasil. No mês de março, machos e fêmeas entre um e dois anos passaram pela avaliação nos campos experimentais da Embrapa, em Bagé (RS). A iniciativa integra o projeto de melhoramento genético da raça Brangus, que busca aprimorar características produtivas e comportamentais com apoio da genômica. Álvaro Fonseca, médico veterinário da Embrapa Pecuária Sul, salienta que esse é um procedimento que serve como base para classificar os animais com temperamento menos reativo, relacionando a docilidade, podendo servir como ferramenta de seleção ou descarte de animais.

O sistema funciona em um trajeto curto, de cerca de 2,70 metros, equipado com sensores na entrada e na saída. Quando o animal passa pelo primeiro sensor, o tempo começa a ser registrado. Ao cruzar o segundo sensor, o sistema marca a saída e calcula automaticamente o tempo e a velocidade com que o bovino percorreu o percurso. A partir dessa informação, é possível calcular o tempo de fuga e a velocidade de fuga do animal.

 “Os animais mais dóceis têm uma tendência de fazer em maior tempo o trajeto. É um animal que vai sair caminhando lentamente, que vai manter um comportamento mais tranquilo. Então, com isso, conseguimos identificar aqueles animais que serão selecionados pela pesquisa”, explica Fonseca. Já os animais mais reativos deixam o equipamento rapidamente, com maior velocidade de fuga.

Para aumentar a precisão da avaliação, cada animal passa por duas medições, e a média dos resultados gera um índice de temperamento. Esse indicador permite classificar os animais de acordo com o comportamento. Fonseca salienta que a partir desses resultados, conseguimos classificar o temperamento dos bovinos e identificar aqueles com comportamento mais calmo ou mais agitado no rebanho.

A identificação de bovinos mais dóceis é importante para o sistema produtivo, sendo uma das características que Embrapa está mensurando para o melhoramento genético da raça.

Animais com temperamento mais tranquilo facilitam o manejo, reduzem riscos de acidentes e contribuem para o bem-estar animal, além de favorecerem sistemas de produção mais eficientes. Além disso, o temperamento pode influenciar o desempenho e a eficiência produtiva, tornando-se um critério relevante na pecuária de corte.

Brangus – A raça teve origem nos Estados Unidos, no início do século XX, a partir do cruzamento entre animais das raças Aberdeen Angus e Brahman. No Brasil, os trabalhos começaram em 1945, na Fazenda Experimental Cinco Cruzes, em Bagé, onde hoje é a Embrapa Pecuária Sul, com cruzamentos entre animais Nelore e Angus.

Os primeiros animais com a composição genética 3/8 Nelore e 5/8 Angus nasceram em 1955. Inicialmente chamada de Ibagé, a raça passou a ser conhecida como Brangus-Ibagé e, mais tarde, consolidou-se apenas como Brangus. A proposta era desenvolver uma raça bovina adaptada às condições das pastagens naturais do Rio Grande do Sul e também às condições de regiões de clima tropical.





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‘É questão de segurança nacional’, diz Tereza Cristina sobre fertilizantes


tereza cristina
Foto: Arquivo/Canal Rural

O agronegócio acompanha com atenção os desdobramentos da guerra no Irã, que vêm impactando o preço dos fertilizantes no mercado internacional. Prova disso é a recorrência do tema em eventos do setor durante esta semana.

“É um problema de segurança nacional”, afirmou a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A fala ocorreu durante conversa com jornalistas em evento realizado na última segunda-feira (23), em São Paulo.

Na avaliação da ex-ministra da Agricultura, falta planejamento. Criado para reduzir a dependência externa brasileira, o Plano Nacional de Fertilizantes ainda não foi implementado totalmente. “Na minha opinião, é falta de visão estratégica do país”, disse.

Tereza Cristina também citou entraves ambientais e regulatórios, como o projeto de Autazes (MA), que obteve licenças ambientais mas enfrentou contestações na Justiça. Com orçamento de cerca de US$ 2,5 bilhões, a iniciativa prevê produção anual de 2,2 milhões de toneladas de cloreto de potássio.

Além de pressionar os fertilizantes, o conflito no Oriente Médio impacta diretamente o preço do petróleo e o mercado energético. No Brasil, os efeitos são sentidos na alta do diesel e no abastecimento do combustível em algumas regiões.

Nesse contexto, a senadora avalia que o país deveria aumentar a mistura de biodiesel no diesel, atualmente em 15%.

“É preciso incentivar essas políticas e esses produtos, para que, em um momento como este, possamos ‘virar a chave’ e usar mais biocombustíveis e etanol na nossa matriz energética”, concluiu.

Economista da FGV tem visão mais otimista

Para o economista Felipe Serigatti, da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Brasil não é a economia mais exposta aos impactos da guerra no Irã. Durante palestra no primeiro dia da Fruit Attraction São Paulo, feira voltada ao setor de frutas, ele fez uma análise sobre o cenário.

“A situação do Brasil não é a mais problemática, mas a [falta de] disponibilidade de diesel preocupa”, afirmou. Segundo Serigatti, por se tratar de um ano eleitoral, os efeitos na economia brasileira ficarão mais explícitos em 2027.

Na apresentação, o professor da FGV também analisou o momento de safra vivido pelo país, que deve colher uma produção recorde de grãos. Apesar da avaliação positiva, ele apontou que as margens da atividade seguirão pressionadas diante de um cenário global incerto e preços mais acomodados.

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