Fiscalização no município de Dom Eliseu, nordeste do Pará, apreendeu 100 cabeças de gado nesse último domingo (24). O plantel é avaliado em R$ 231.686,00.
“Durante fiscalização, o veículo boiadeiro apresentou nota fiscal avulsa emitida em 19 de novembro, com origem em Bom Jesus do Tocantins, no Pará, com destino a Açailândia, no Maranhão, de transferência de 100 cabeças de gado fêmeas de 13 a 24 meses”, contou o coordenador da unidade Itinga, Gustavo Bozola, da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa).
Segundo ele, a equipe de servidores do órgão desconfiou do tempo entre a emissão da nota e apresentação no posto fiscal, visto que a cidade de origem ficava apenas a 170 km da fronteira.
Transferência fictícia do gado
Foto: Divulgação Sefa
Nas análises de registro do veículo em câmeras de monitoramento, foi verificada a passagem do veículo com o gado indo para Belém no dia 21 de novembro. Também foi identificado, junto à Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), que o contribuinte tinha uma Guia de Transporte Animal (GTA) emitida com origem em Soure e destino a Bom Jesus do Tocantins, ambos no Pará.
“A fiscalização confirmou que na verdade o gado estava vindo de Soure e tinha como destino Açailândia, e a transferência foi fictícia com a finalidade de não pagar o imposto devido, visto que o imposto é antecipado na saída do estado” resumiu o fiscal de receitas estaduais.
Assim, foi lavrado o Termo de Apreensão e Depósito (TAD) no valor de R$ 38.923,25 correspondente ao imposto e multa.
De acordo com dados divulgados pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri BA), as exportações do agronegócio da Bahia alcançaram um novo recorde em outubro de 2024, totalizando US$ 745 milhões. O valor representa um crescimento de 14,7% em comparação ao mesmo período de 2023, quando foram registrados US$ 635 milhões. O montante é o maior da série histórica para o mês, de acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O complexo do cacau foi um dos motores do desempenho. Em outubro de 2023, o setor havia exportado US$ 19,8 milhões, mas em 2024, esse valor mais que dobrou, atingindo US$ 48,1 milhões, impulsionado pela valorização global das cotações da amêndoa, conforme informou a Secretaria de Agricultura.
O café também se destacou, com um crescimento expressivo. As exportações passaram de US$ 15,4 milhões em outubro de 2023 para US$ 29,3 milhões no mesmo período deste ano, quase dobrando de valor.
Outros produtos como fibras, têxteis e o complexo soja também tiveram impacto positivo no recorde de exportações. O setor de produtos florestais, especialmente a celulose, registrou um salto, passando de US$ 101,9 milhões em outubro de 2023 para US$ 155 milhões no mesmo mês de 2024.
Os produtos agrícolas baianos chegaram a mais de 100 destinos internacionais, incluindo mercados estratégicos como China, Europa e Estados Unidos. Esse desempenho reforça a liderança da Bahia nas exportações do agronegócio no Nordeste, com um portfólio diversificado e de alta qualidade, segundo a Seagri BA.
Com o clima favorável, o plantio da safra 2024/25 de milho já supera 50% da área prevista, conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Quanto ao mercado, o cereal encerrou a semana sendo cotado a US$ 4,26 por bushel (+0,47%) em Chicago, para o contrato com vencimento em dezembro de 2024.
No Brasil, na B3, seguiu o movimento de queda, com fechamento de -3,39%, encerrando a R$ 72,00 por saca no vencimento de janeiro de 2025. Tal cenário foi refletido no mercado físico brasileiro, provocando desvalorização em várias regiões.
Veja, agora, o que pode impactar os preços do milho nesta semana, conforme análise da plataforma Grão Direto:
O que esperar do mercado?
Oferta e demanda brasileira: de acordo com projeções da Conab, o Brasil deve alcançar a segunda maior safra de milho da sua história, com cerca de 120 milhões de toneladas. Esse volume, por si só, já exerce forte pressão sobre as cotações devido à elevada oferta. “No entanto, a demanda, especialmente pelo consumo doméstico, tem desempenhado um papel importante como contrapeso. O consumo interno cresce ano após ano e, nesta safra, deve aumentar cerca de 3%, atingindo 87 milhões de toneladas”, diz a nota da Grão Direto. Segundo a empresa, embora o estoque final deva superar o do ano passado, ainda ficará abaixo da média dos últimos sete anos. “Caso ocorra uma redução na área plantada de milho, poderá haver novos movimentos de alta nas cotações no mercado brasileiro.”
Consumo interno crescente: o principal fator por trás do aumento no consumo doméstico de milho é a produção de etanol à base do produto. “Esse crescimento tem compensado a queda nas exportações, contribuindo para uma valorização expressiva nas cotações do cereal brasileiro”, avalia a plataforma. Segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), a demanda por milho na safra 2024/25 deve alcançar 17,7 milhões de toneladas, aumento de 21% em relação à safra anterior, com a produção de etanol passando de 6,3 para 8 bilhões de litros. “Esse avanço tem sido um suporte crucial para as cotações do milho, gerando excelentes oportunidades para os produtores”.
Análise Gráfica: considerando o contrato dezembro/24 do milho cotado em Chicago, a semana anterior foi de indecisão, com os preços de abertura e fechamento de mercado muito próximos. “Para esta semana, é provável que o preço apresente maior volatilidade”.
Cenários de alta e baixa para o milho
Para que o contrato do milho dezembro/24 cotado em Chicago tenha um cenário de alta é necessário que o preço consiga superar os US$ 4,28/bushel e caso consiga romper esta região, os patamares de US$ 4,32, US$ 4,36 e US$ 4,43/bushel.
Caso o milho perca o patamar de US$ 4,22, os possíveis alvos de baixa estão em: US$ 4,10 e US$ 4,02.
“As cotações de milho poderão continuar seu movimento de queda no curto prazo, podendo atingir a região dos R$ 70,00 na B3. Isso deve continuar impactando os preços dos mercado físico brasileiros em diversas regiões”, finaliza a Grão Direto.
O plantio da safra brasileira da soja 2024/25 avança em todo o Brasil, com boas condições para o desenvolvimento inicial das lavouras. De acordo com a plataforma Grão Direto, apesar das chuvas esparsas em algumas regiões, o clima tem proporcionado um ritmo favorável tanto para o plantio quanto para o início do desenvolvimento das plantas.
USDA
Na última semana, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou a venda de quase 1 milhão de toneladas de soja, com uma boa participação dos compradores chineses. Isso demonstra que a China está aproveitando as boas oportunidades de preço, mas, apesar dessa movimentação, o mercado não demonstrou otimismo substancial. A instabilidade nos mercados e o impacto dos preços mais baixos continuam sendo um desafio para os produtores brasileiros.
Óleo da soja em queda
O mercado da soja foi pressionado por uma queda nos preços do óleo de soja e pelos riscos relacionados às mudanças no programa de biocombustíveis nos Estados Unidos. Além disso, a realização de lucros pesou sobre os contratos futuros de soja em Chicago, afetando diretamente os preços da oleaginosa no Brasil.
O contrato de soja para janeiro de 2025 encerrou a semana a US$ 9,85 por bushel, marcando uma queda de 1,30%. Já os dados de março de 2025 também registraram uma queda de 1,59%, fechando a US$ 9,93 por bushel. Por fim, o dólar, por sua vez, subiu 0,35%, fechando a R$ 5,81, o que impactou ainda mais o mercado físico de soja no Brasil.
O que esperar do mercado?
De acordo com o Boletim de Monitoramento Agrícola de novembro, divulgado pela Conab, o Brasil deve encerrar o ano-safra 2024/25 com estoques 24% superiores ao período anterior. Esse aumento será impulsionado pela expansão da área plantada (+2,6%) e por um crescimento expressivo de 12,5% na produção, que deverá alcançar um recorde histórico de 166 milhões de toneladas.
Porém, o consumo interno também deve crescer cerca de 5 milhões de toneladas, e, somado ao aumento das exportações (13 milhões de toneladas), a pressão sobre a oferta de soja será forte. Esse cenário pode continuar a exercer pressão sobre as cotações no Brasil, com uma oferta robusta e uma demanda crescente.
Além disso, na próxima quinta-feira (28), os Estados Unidos celebram o “Dia de Ação de Graças”, o que resultará em uma pausa na referência da Bolsa de Chicago. Tradicionalmente, durante esse período, o mercado tende a apresentar maior estabilidade nas oscilações, com um volume de vendas mais baixo. Isso se deve à menor atratividade das cotações atuais e ao comportamento do mercado de soja em Chicago, que tem se mostrado mais cauteloso.
A volatilidade do dólar também deve ser acompanhada de perto, já que o mercado aguarda o anúncio do corte de gastos do governo brasileiro, que está previsto para até terça-feira (26). Caso o corte não atenda às expectativas, isso pode aumentar o risco Brasil, pressionando o dólar a subir frente ao real. O mercado projeta uma redução de cerca de 40 bilhões de reais até 2026. Se o anúncio for abaixo dessa projeção, pode gerar desconfiança em relação à saúde fiscal do país, o que resultaria em uma nova alta do dólar. Por outro lado, um anúncio dentro das expectativas poderia desencadear uma queda do dólar nas próximas semanas.
Preços em Chicago
No mercado de Chicago, o contrato de soja para janeiro de 2025 foi cotado a US$ 9,83 por bushel, com uma ligeira queda ao longo da semana. Para que uma recuperação nos preços seja mais evidente, é necessário que o contrato se estabilize acima dos US$ 10,00 por bushel. Caso os preços subam, as regiões de preço mais relevantes são US$ 10,15, US$ 10,30 e US$ 10,56 por bushel. Por outro lado, se os preços perderem o suporte nos US$ 9,80 por bushel, as cotações podem cair para US$ 9,75, US$ 9,70 e até US$ 9,60 por bushel.
Com base nesse cenário, é possível que a próxima semana seja negativa para os preços da soja em Chicago, especialmente se o dólar continuar apresentando tendência de queda no Brasil. No mercado interno, os prêmios devem continuar valorizando para o grão disponível, enquanto a safra futura poderá ser pressionada para baixo, com menores perspectivas de valorização no curto prazo.
O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, disse nesta segunda-feira (25), em entrevista à Folha de S. Paulo, que a paralisação de venda de frigoríficos brasileiros de carne bovina ao Carrefour se estende, agora, aos produtores de frango.
Segundo ele, o setor de proteína animal brasileiro manterá a medida até o momento em que a rede varejista fizer uma retratação global.
O chefe da pasta reafirmou que a decisão do setor tem o apoio irrestrito do próprio Ministério e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), entidade que congrega 43 empresas de proteínas animais, responsáveis por 98% do produto negociado internacionalmente.
O imbróglio teve início quando o CEO do Carrefour na França, Alexandre Bompard, disse que a rede varejista não mais compraria carne advinda do Mercosul, o que inclui o Brasil, alegando questões ambientais e sanitárias.
Entidades representativas do setor de proteína animal, analistas de mercado e o próprio ministro Fávaro já disseram que a medida se tratava, puramente, de protecionismo. Assim, o posicionamento do executivo da empresa francesa seria uma forma de corroborar com o posicionamento de agricultores franceses, que protestam contra o acordo entre Mercosul e União Europeia.
“Se ele [o CEO do Carrefour] não quer comprar os produtos brasileiros, é simples, não compra […]. Agora, dizer que não tem qualidade sanitária? Faz 40 anos que a França compra carne do Brasil. E faz isso agora? Isso nós não vamos admitir, porque o que temos de mais precioso é a qualidade sanitária da nossa carne. É isso o que nos abriu tantos mercados no mundo”, disse Fávaro, à Folha.
Em contato com a reportagem do Canal Rural, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) não quis comentar, no momento, o apoio dos produtores de frango ao embargo.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) bloquearam acessos de rodovias em Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira (25).
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Postagem do MST no Instagram afirma que veículos foram impedidos de trafegar por conta de obstáculos na pista da BR-262 e da BR-164, nas regiões da fronteira e pantaneira do estado.
As imagens mostram galhos de árvores e pneus em chamas. Cerca de 800 acampados teriam participado da ação que provocou engarrafamentos por quilômetros nos dois sentidos das estradas.
A previsão do tempo para as áreas produtoras de soja no Brasil aponta para uma continuidade de boas condições de umidade, com destaque para o avanço de chuvas sobre a região do Matopiba, Mato Grosso e Goiás. Essas áreas recebem boas precipitações, o que tem sido fundamental para manter a umidade do solo ideal para o desenvolvimento das lavouras de soja.
Por outro lado, o Centro-Sul do país ainda enfrenta a necessidade urgente de mais chuvas, especialmente nas áreas mais secas, que incluem o sul de Mato Grosso do Sul e o interior de São Paulo. Nos próximos cinco dias, a tendência é que a frente fria, que vem avançando da região Sul, traga volumes de chuva de até 50 mm para o Mato Grosso do Sul.
O tempo no Matopiba e região Norte
No Matopiba, que inclui os estados da Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins, a chuva continua sendo um pilar importante para manter a boa umidade do solo. As precipitações também devem avançar para o norte da Bahia e o interior de Pernambuco, com acumulados previstos na casa dos 30 mm. No Tocantins, a chuva se distribui de forma mais moderada, mas ainda assim será benéfica para o desenvolvimento das lavouras. Além disso, as chuvas devem chegar ao estado de Rondônia.
Região Sul: temporais e acúmulo de chuva
Na região Sul, os volumes de chuva devem aumentar, especialmente entre terça e quarta-feira, com destaque para Santa Catarina e Paraná, onde os acumulados podem chegar a 50-80 mm. Esse aumento de precipitações ajudará a manter a umidade do solo e contribuirá para o crescimento saudável das lavouras de soja. No entanto, é importante ressaltar que essas chuvas podem vir acompanhadas de temporais, o que pode interromper os trabalhos em campo.
Sudeste: tempo mais seco e firme
No Sudeste, o clima permanece mais firme, com tempo seco predominando no Centro-Norte de Minas Gerais, o que deve acelerar os trabalhos de campo. Porém, em São Paulo e no Centro-Sul de Minas Gerais, a expectativa é que as chuvas retornem a partir de quinta ou sexta-feira, quando o sistema da região Sul deve avançar para essas áreas, trazendo precipitações que ajudarão a melhorar a umidade do solo.
Projeções para o dezembro
A primeira semana de dezembro promete ser marcada por chuvas volumosas em todas as principais áreas produtoras de soja. Esse cenário é positivo para a agricultura, pois ajuda a reverter o quadro de déficit hídrico, especialmente em estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. As chuvas intensas devem colaborar para a recuperação das lavouras e garantir um bom desenvolvimento da soja para a próxima safra.
Uma eventual exclusão das carnes da cesta básica isenta de tributos no âmbito da regulamentação da reforma tributária provocaria aumento real nos preços do produto em 10,2%, em média, ao consumidor final, revela estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O cálculo considera o cenário de adoção da alíquota reduzida de 10,6% sobre as proteínas, em caso de eventual retirada das carnes da cesta básica isenta, o equivalente a 40% da alíquota total projetada em 26,5%.
Nesse cenário, o custo das proteínas para o consumidor final seria elevado em 10,21% para carne bovina, 10,18% para a suína e 10,16% para a de aves.
A inflação sobre os preços das carnes auferida pelos pesquisadores da FGV seria observada em 2030, durante a transição da reforma. “A transição de um cenário de isenção total para um cenário de alíquota reduzida, independentemente da política de cashback, faz com que o ônus do aumento de preço seja repassado quase que integralmente para os consumidores”, observa a Fundação.
Impactos socioeconômicos
O estudo, de 40 páginas, foi coordenado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da FGV e encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). O objetivo do estudo, segundo a FGV, é determinar os impactos socioeconômicos de médio e longo prazo da proposta de retirada da proteína animal da cesta básica brasileira no escopo da reforma tributária.
“A inclusão das carnes na cesta básica para efeitos de aplicação da alíquota zero, com ou sem cashback, mostra-se como o cenário econômico mais favorável tanto para os consumidores quanto para o setor produtivo. Como também, do ponto de vista de resultados macroeconômicos, a retirada da proteína animal da cesta básica mostra-se equivocada, uma vez que traria impactos econômicos indesejáveis na sociedade brasileira e amplificam os efeitos negativos da reforma tributária como atualmente proposta”, afirma a FGV.
Divergências da carne na cesta básica
A inclusão das carnes na cesta básica isenta de tributação foi um dos principais pontos de divergência entre a equipe econômica, o setor produtivo e a bancada do agronegócio no Congresso durante a tramitação do Projeto de Lei Complementar 68/2024, que regulamenta parte da reforma tributária, incluindo a composição da cesta básica.
A maior discordância estava no impacto da isenção das proteínas no Imposto sobre Valor Agregado (IVA), alíquota de referência. O texto aprovado na Câmara dos Deputados, em acordo entre governo e bancada agropecuária, prevê a isenção de impostos sobre carnes e ovos com a inclusão dos produtos na cesta básica sem tributação – a matéria está em análise no Senado.
De acordo com o estudo da FGV, a inclusão das carnes na cesta básica aumenta a alíquota de referência em 0,25 ponto porcentual, dos 26,5% previstos para o IVA para 26,751%. A estimativa é abaixo do projetado pelo governo, de impacto de 0,56 ponto porcentual.
Os pesquisadores da FGV explicam que a diferença no resultado, sendo o estimado pela universidade inferior ao projetado pelo Ministério da Fazenda, deve-se ao fato de o estudo considerar o comportamento dos agentes econômicos diante da mudança de preços, sobretudo das famílias.
Na análise da FGV, ao retirar as carnes da cesta básica e aplicar uma alíquota diferenciada (de 10,6%), pode haver também o encarecimento da cesta básica de forma geral. O estudo indica que, sem as carnes na cesta básica isenta e com uma alíquota de 10,6%, a inflação acumulada na cesta básica pode chegar a 3,524% até 2030.
“Ao tributar as carnes pela alíquota reduzida resultaria na transferência desse ônus aos consumidores finais, e isso independentemente da política de cashback. Além disso, a isenção das carnes reduz a inflação total de bens e serviços para os mais pobres em cerca de 52,2% enquanto para a classe média em até 43,0%. O maior acesso às proteínas animais beneficia relativamente mais as famílias que recebem o cashback e classe média por gerar uma menor inflação total sobre os bens e serviços que essas famílias consomem”, pontuou a FGV.
Isenção é mais eficiente
Foto: USP
O estudo mostra, ainda, que a isenção é mais eficiente do que a eventual arrecadação de impostos pela tributação das carnes, pois haveria perda de R$ 2,24 na produção para cada R$ 1 arrecadado, em caso de exclusão das carnes da cesta básica.
Já com as carnes isentas na cesta básica a arrecadação tributária destes produtos poderia aumentar em até R$ 13,9 bilhões. Essa projeção considera a expansão da agroindústria em virtude do provável aumento no consumo de carnes pelas famílias em cenário de redução dos preços das proteínas.
A FGV estima que a agroindústria de carnes deve crescer 20% até 2030, o que cai para 11% em caso de regime de alíquota apenas reduzida para o setor.
“Tal conclusão impacta positivamente não apenas a indústria de proteína animal em específico. Há efeito multiplicador relevante, com o aumento da produção de outras atividades, como atividades agropecuárias, indústria de transformação como a indústria de embalagens, serviços de frete e agroindústria no geral”, avaliou a FGV.
Geração de empregos associada à carne
Outro efeito da inclusão das carnes na cesta básica isenta, segundo a FGV, é o aumento acumulado de ocupações que chegaria a 144.994 novos postos até 2030 nas atividades de proteínas animais.
Em caso de alíquota reduzida, imposto de 10,6% sobre as carnes, a geração de empregos no setor seria de 75.045 até 2030, segundo o estudo. Há também estimativa de aumento real de 19,9% nos salários para atividades de carne bovina, 20,9% para carne de aves e 19,3% para carne suína em caso de alíquota zero para as carnes.
“Esse crescimento ocorre porque a isenção tributária reduz os custos operacionais, permitindo expansão da produção e aumento do emprego no setor e, consequentemente, melhor remuneração para a mão-de-obra do setor. Em contrapartida, quando há uma alíquota, mesmo que reduzida, essa margem para investimento no salário dos trabalhadores é prejudicada, limitando o crescimento salarial”, explica a FGV no estudo.
Impactos do cashback
O estudo da FGV avaliou também os impactos econômicos do cashback – sistema de devolução de parte do imposto pago à famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal.
A proposta do governo é que terão direto ao cashback beneficiários com renda familiar mensal per capita deve ser de até meio salário mínimo com devolução de 20% dos tributos. Na análise do estudo, os efeitos do cashback são limitados. Em relação ao preço das carnes e sobre o custo da cesta básica, o desconto tem praticamente efeito nulo. Quanto à alíquota geral, a adoção do cashback implicaria em uma variação de 0,013 ponto porcentual sobre o IVA.
De acordo com o estudo, há incapacidade do cashback em manter as famílias no mesmo nível de consumo real observado antes da reforma tributária.
“Diante desse cenário, torna-se ainda mais relevante que se assegure um baixo nível de tributação para alimentos que já se sujeitavam a esse regime no modelo anterior. Isso porque, qualquer aumento de carga tributária necessariamente reverberará no preço e, portanto, no acesso de tais bens pela população de baixa renda, a qual não terá a devolução desse ônus via cashback”, argumentam os pesquisadores da FGV.
SÃO PAULO (Reuters) – O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, pós-feriado nacional, pressionado pela performance negativa de grandes bancos e em meio ao ceticismo em relação ao pacote de corte de gastos prometido pelo governo, mas ainda não apresentado.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,79%, a 127.182,62 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 128.196,63 pontos na máxima e 126.593,85 pontos na mínima do dia, menor patamar intradiário desde 7 de agosto.
O volume financeiro somava 20 bilhões de reais antes dos ajustes finais.
(Reportagem de Patricia Vilas Boas)
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A deputada federal Marussa Boldrin, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) no centro-oeste e o deputado federal Alceu Moreira assinaram o pedido de criação de uma comissão externa para investigar o Carrefour.
O requerimento 4595/2024 tem como objetivo avaliar a conduta e as denúncias contra a rede varejista no Brasil.
“Na semana passada fomos surpreendidos com a declaração do CEO do Carrefour [na França] anunciando que iria parar de comercializar a carne do Brasil e de outros países do Mercosul. A carne brasileira, assim como outras proteínas animais do Mercosul, é reconhecida mundialmente pela qualidade e pelos altos padrões de segurança alimentar”, diz Marussa, em nota.
“Empresas brasileiras possuem rigorosos controles sanitários e ambientais, certificados por organizações internacionais respeitadas. Proibir a importação desses produtos com base em argumentos superficiais ou desatualizados é ignorar décadas de esforços e investimentos do setor agropecuário para atender às demandas globais de sustentabilidade e qualidade”, afirma a deputada Marussa Boldrin.
Antecedentes do Carrefour
Marussa ainda cita os antecedentes “graves” da rede de supermercados francesa ligados a violações raciais, ambientais e trabalhistas.
“A França compra carne do Brasil há 40 anos. Esse protecionismo europeu exagerado, principalmente da França com o Brasil, tem que ter uma resposta dos produtores brasileiros”, afirmou.
Boicote dos frigoríficos
Na semana passada, os frigoríficos brasileiros pararam de fornecer carne ao Carrefour depois da decisão da empresa francesa de parar de comercializar a carne do Mercosul.
Entre os frigoríficos que suspenderam o fornecimento do produto estão a JBS, Marfrig e Masterboi.