sexta-feira, março 27, 2026

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Avanço científico reduz dependência de ureia



Bactérias auxiliam as culturas


Bactérias auxiliam as culturas
Bactérias auxiliam as culturas – Foto: Canva

O uso de microrganismos para transformar o Nitrogênio do ar em alimento para as plantas tornou-se peça central no avanço da agricultura tropical, segundo Alan Bueno, especialista em desenvolvimento de mercado. Embora o nutriente seja abundante na atmosfera, sua forma gasosa não é assimilada diretamente, o que exige conversão em compostos disponíveis às raízes. Algumas culturas desenvolveram, ao longo do tempo, relações específicas com bactérias capazes de realizar essa tarefa com alta eficiência.

Consultorias e centros de pesquisa destacam que, no caso das leguminosas, cepas selecionadas de bradyrhizobium passaram a ser multiplicadas e aplicadas anualmente, juntamente com práticas de manejo e nutrição que incluem o uso de cobalto. A relação é tão precisa que elimina a necessidade de fertilizante nitrogenado na soja, cuja demanda natural alcançaria cerca de 400 quilos de nitrogênio por hectare, equivalente a uma tonelada de ureia.

Em área plantada, isso representaria algo próximo de 48 milhões de toneladas de ureia e valores estimados em R$ 120 bilhões por ano, além de evitar a emissão de 230 milhões de toneladas de CO2 equivalente. A adoção de inoculantes supera 90% da área cultivada, enquanto o uso de azospirillum já ultrapassa 30%.

Pesquisas da Embrapa têm sido decisivas para essa evolução, com destaque para estudos iniciados na década de 1980 e que abriram caminho para tecnologias aplicadas hoje em soja, feijão, milho, trigo e braquiárias. Trabalhos recentes também resultaram em patentes voltadas à identificação de bactérias do gênero Bradyrhizobium, ampliando o entendimento dos mecanismos de fixação biológica e permitindo intervenções que tornaram possível um ganho antes improvável.

 





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Na casa da COP30, produção de açaí impulsiona a economia e fortalece a agricultura sustentável



Símbolo da sociobiodiversidade amazônica, o açaí representa não apenas identidade cultural, mas também uma das mais importantes fontes de renda para famílias rurais no estado do Pará, que até 21 de novembro é a casa da COP30.

A região de Tomé-Açu, no nordeste do Pará, tornou-se um dos principais laboratórios vivos de agricultura regenerativa da Amazônia. É ali que a Earthworm Foundation, organização global sem fins lucrativos com sede na Suíça e atuação em mais de 20 países, desenvolve há 16 anos uma rede de projetos voltada à transformação produtiva, social e ambiental do território.

A fundação atua em Tomé-Açu desde 2008 e tem fortalecido parcerias entre agricultores familiares, comunidades tradicionais, empresas e instituições locais. O objetivo é único: construir sistemas produtivos mais sustentáveis, inclusivos e economicamente resilientes, capazes de gerar renda ao mesmo tempo em que recuperam a floresta e os solos.

Fruticultura amazônica no centro da transformação

A diversificação das lavouras é um dos pilares da atuação da Earthworm na região. Entre as cadeias produtivas apoiadas, a do açaí ocupa posição estratégica.

Hoje, cerca de 187 famílias agricultoras apoiadas pelos projetos da fundação combinam o açaí com outras espécies em sistemas agroflorestais (SAFs), modelo que integra frutas tropicais, madeira nativa e culturas alimentares. Só esse público produz aproximadamente 200 toneladas de açaí por ano, reforçando o papel da fruta como motor econômico regional.

Outro exemplo é a Comunidade Quilombola Castelo, formada por cerca de 90 famílias. Destas, 95% vivem do extrativismo do açaí nativo, cultivado em áreas próprias de até dois hectares por família. A produção anual chega a mais de 1.300 toneladas. Além de fortalecer a economia local, o trabalho com a Earthworm envolve apoio à regularização fundiária e à elaboração do Protocolo de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), garantindo autonomia e participação da comunidade nas decisões sobre o território.

Diversificação para reduzir riscos e ampliar renda

Os sistemas agroflorestais impulsionados pela Earthworm vão além do açaí. Em várias propriedades, culturas como cacau, cupuaçu e outras frutas amazônicas criam fluxos econômicos mais estáveis, reduzindo riscos associados às oscilações de preço e aos impactos das mudanças climáticas.

A diversificação também ajuda a regenerar a fertilidade do solo, proteger nascentes e aumentar a segurança alimentar das famílias rurais. Essa combinação reforça o protagonismo da agricultura familiar e demonstra o potencial da fruticultura amazônica como vetor real de transição para uma economia regenerativa, baseada em práticas que respeitam os ciclos naturais e valorizam os saberes locais.

Agricultura regenerativa

Entre os principais aprendizados da Earthworm em Tomé-Açu está o reconhecimento de que os sistemas agroflorestais são o coração da agricultura regenerativa na Amazônia. Eles restauram áreas degradadas, aumentam a biodiversidade, sequestram carbono e, simultaneamente, elevam a renda das famílias.

Combinando técnicas ancestrais com conhecimento técnico moderno, os projetos tornam o território um ambiente de experimentação contínua, um modelo que pode ser replicado em outras regiões da Amazônia e do Brasil.

*Com informações de Eric Batista, engenheiro agrônomo e gerente de Projetos da Earthworm Foundation



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Porto Nacional (TO) receberá evento que dá início à colheita de soja no Brasil; saiba mais



O estado de Tocantins será o anfitrião da Abertura Nacional da Colheita da Soja 25/26, promovida pela Aprosoja Brasil e pela Aprosoja Tocantins. O evento será realizado no dia 30 de janeiro, na Fazenda Alto da Serra, do Grupo Wink, em Porto Nacional (TO). Com início às 8h e transmissão ao vivo a partir das 9h, você pode acompanhar tudo pela tela do Canal Rural e Youtube!
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Com o tema “Onde a soja cresce, a transformação acontece”, a cerimônia marca o início oficial da colheita da principal cultura agrícola do país e reforça o papel estratégico do Tocantins como uma das regiões mais promissoras para o crescimento da produção nacional de grãos.

Para a presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcellos, o evento representa um marco para o estado e para o setor produtivo. ”O estado Tocantins é hoje um exemplo de produtividade, sustentabilidade e integração entre campo e cidade”, comenta.

Para a presidente, receber a abertura nacional da colheita é reconhecer o trabalho de cada produtor que impulsiona o desenvolvimento do país e reafirmar o potencial do nosso estado como protagonista do agro brasileiro.

O presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, afirma que a escolha do Tocantins reflete a força da nova fronteira agrícola nacional. ”A cada safra, o Tocantins consolida sua importância na produção de soja e milho, com tecnologia, gestão e sustentabilidade. Este evento é uma celebração ao esforço do produtor brasileiro e uma oportunidade de mostrar ao Brasil e ao mundo a força do nosso agro”, afirmou.

A Abertura Nacional da Colheita da Soja 2026 conta com o patrocínio de Intacta 2 Xtend, Ihara e ProFarm; consultoria da Climatempo e Safras & Mercado; e coordenação técnica da Embrapa. A realização local é da Aprosoja Tocantins, com apoio do Grupo Wink, anfitrião do evento.



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IBC-Br: Prévia do PIB recua 0,2% em setembro



A atividade econômica brasileira recuou em setembro, segundo o Banco Central. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) registrou queda de 0,2% frente ao mês anterior, já considerando os ajustes sazonais. No terceiro trimestre, o indicador acumulou baixa de 0,9%.

Apesar do resultado negativo no mês, o desempenho segue positivo na comparação anual. Em relação a setembro do ano passado, o índice avançou 4,9%, sem ajuste, por comparar períodos equivalentes. No acumulado de 2025, o crescimento chega a 14,2%, e, em doze meses, a alta é de 13,5%.

Papel do indicador e impacto da Selic

O IBC-Br é utilizado pelo BC como referência para analisar o ritmo da economia. O índice considera informações da indústria, comércio, serviços e agropecuária, além do volume de impostos. O resultado também auxilia o Comitê de Política Monetária (Copom) nas decisões sobre a taxa básica de juros.

A Selic está fixada em 15%, mesmo patamar mantido nas últimas três reuniões. A taxa é o principal instrumento para controlar a inflação. Juros mais altos tendem a restringir o crédito e moderar o consumo, reduzindo pressões de preços, mas também limitam a expansão das atividades produtivas. Quando a Selic cai, o crédito costuma ficar mais acessível, estimulando consumo e investimento.

O BC informou que ainda vê incertezas no cenário internacional, especialmente por causa da política econômica dos Estados Unidos. No diagnóstico da autarquia, a inflação brasileira permanece acima da meta, mesmo com a desaceleração da atividade. O quadro indica que os juros devem permanecer elevados por mais tempo e, se necessário, podem voltar a subir.

Inflação desacelera, mas segue acima da meta

A inflação medida pelo IPCA encerrou outubro em 0,09%, influenciada pela queda no custo da energia elétrica. É o menor resultado para o mês desde 1998. Em doze meses, o índice acumula 4,68%, abaixo de cinco por cento após oito meses, mas ainda acima do teto da meta, de 4,5%.

A combinação entre inflação mais baixa e ritmo econômico menor contribuiu para a manutenção da Selic neste início de mês. Segundo o Copom, novos ajustes podem ocorrer caso a dinâmica dos preços volte a pressionar.

IBC-Br e PIB: indicadores distintos

O IBC-Br tem metodologia diferente do Produto Interno Bruto (PIB), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O BC ressalta que o índice não funciona como prévia do PIB, embora ajude na formulação da política monetária.

No segundo trimestre, o PIB cresceu 0,4%, impulsionado pelos setores de serviços e indústria. Em 2024, a economia brasileira acumulou avanço de 3,4%, o quarto ano consecutivo de crescimento.



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Plantio de soja em MT chega a 96,36% da área, aponta Imea



O plantio da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso alcançou 96,36% da área até a última sexta-feira (14), conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). O número representa um avanço de 10,68 pontos percentuais na semana.

Segundo o instituto, o ritmo está 2,62 pontos abaixo do registrado no mesmo período da temporada passada (98,98%) e ligeiramente inferior à média dos últimos cinco anos para a data, de 97,01%.

O médio-norte do estado concluiu 100% da semeadura, seguido pelo centro-sul, com 98,42%. No norte, o índice é de 99,62%, enquanto o noroeste soma 99,90% e o oeste, 95,35%. Os menores avanços são observados no sudeste, com 91,96%, e no nordeste, com 92,41%.



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Comitiva do setor do tabaco está na Suíça para acompanhar a COP11



Representantes da cadeia produtiva do tabaco estão na Suíça para acompanhar a 11ª Conferência das Partes (COP 11) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. O encontro ocorre entre 17 e 22 de novembro, em Genebra.

O grupo inclui parlamentares, autoridades municipais da região Sul e entidades ligadas ao setor. Mesmo sem acesso às sessões oficiais, os participantes afirmam que estarão presentes para monitorar as posições da delegação brasileira e defender a continuidade da produção de tabaco no país.

Motivos da viagem e críticas à falta de acesso

Segundo os representantes do setor, o objetivo é assegurar que a delegação oficial cumpra a declaração interpretativa firmada pelo Brasil ao aderir à Convenção-Quadro. O compromisso prevê que medidas de controle não inviabilizem a atividade produtiva já estabelecida.

Valmor Thesing, presidente do Sindicato da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), afirma que o grupo representa trabalhadores rurais e empregados da indústria ligados à cadeia do tabaco. Ele destaca o impacto econômico da atividade e diz que a participação da comitiva ocorre nos “bastidores”, já que, assim como em outras edições, entidades e imprensa não terão acesso aos debates.

Thesing também critica a ausência de diálogo nas reuniões da CQCT e afirma que decisões tomadas sem participação do setor podem repercutir na renda e no emprego relacionados ao tabaco no Brasil.

Indicadores da produção no país

A produção de tabaco no Brasil tem concentração na região Sul, que reúne a maior parte dos municípios e produtores ligados ao segmento. Na safra 2024/25, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), mais de 138 mil famílias participaram da atividade nos três estados da região. A colheita atingiu cerca de 720 mil toneladas, movimentando recursos nos 525 municípios produtores.

O setor reúne milhares de empregos diretos e indiretos, além de gerar receita e exportações. Os dados apresentados pelas entidades do segmento apontam participação relevante na economia regional e no apoio às comunidades rurais envolvidas no cultivo.



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Colheita da mandioca é retomada, mas ainda em ritmo lento



Mesmo diante das chuvas na semana passada em muitas regiões, produtores retomaram a colheita de mandioca. Isso é o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O ritmo das atividades de campo, no entanto, ficou abaixo das expectativas dos agentes do mercado. Segundo o centro de pesquisas, muitos produtores ainda mostram pouco interesse em avançar com os trabalhos, alegando ser reduzida a atratividade da comercialização da raiz. 

De acordo com esses mandiocultores, a produtividade e o teor de amido estão baixos. Diante disso, os valores de negociação da raiz de mandioca se sustentaram na semana passada. 

Levantamento do Cepea mostra que, de 10 a 14 de novembro, o valor médio da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 565,81, com queda de 1,1% frente ao mesmo período do ano anterior. A média da parcial de novembro segue 0,6% acima da de outubro.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Oferta de feijão prevalece e preços seguem em queda



Os preços médios dos feijões carioca e preto seguiram em queda ao longo da semana passada em quase todas as regiões. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo pesquisadores do instituto, compradores atuam de forma pontual, evitando fechar grandes volumes, enquanto a oferta está maior, prevalecendo sobre a demanda. 

No geral, observa-se maior disponibilidade de feijão na região sudoeste de São Paulo, com lotes mais claros, variedades de escurecimento lento, granulações acima de 90% na peneira 12 e umidade adequada. 

Para o feijão preto, o Cepea observou aumento na oferta de lotes comerciais. Ainda em São Paulo, agentes estão atentos às chuvas neste período de colheita e aos possíveis impactos do clima úmido sobre a qualidade. 

Nas demais regiões, os produtores focam no armazenamento e disponibilizam lotes pontuais.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Soja cai em Chicago após revisão das exportações dos EUA



Os contratos registraram quedas consistentes


Os contratos registraram quedas consistentes
Os contratos registraram quedas consistentes – Foto: Pixabay

O mercado futuro da soja nos Estados Unidos fechou em baixa, refletindo a mudança de percepção sobre o ritmo das exportações americanas. Segundo a TF Agroeconômica, o movimento negativo ocorreu mesmo após uma semana de ganhos para a oleaginosa na bolsa de Chicago. O dia terminou pressionado pelos ajustes nas expectativas de demanda internacional, que ganharam força após a divulgação de novos dados do setor.

Os contratos registraram quedas consistentes. O vencimento de novembro recuou 1,70%, enquanto janeiro perdeu 1,96%. No complexo, o farelo para dezembro caiu 1,80% e o óleo encerrou com baixa de 0,20%. A consultoria explica que, embora o relatório WASDE tenha trazido números amplamente favoráveis para a soja americana, a revisão para baixo de 2,97% nas exportações assumiu papel determinante no rumo das cotações ao longo do pregão.

A confirmação de apenas 332 mil toneladas negociadas com a China contribuiu para o aumento da cautela. A indústria ainda aguarda até 2 de janeiro para a atualização completa das vendas referentes ao período de paralisação do governo dos Estados Unidos, o que alimenta dúvidas sobre o cumprimento do volume inicialmente previsto para 2025. Para os anos seguintes, os valores também permanecem abaixo da média de cinco anos. Com o grão americano mais caro que o brasileiro após as recentes altas, o desempenho das exportações se consolida como o principal ponto de atenção do mercado nos próximos dias.

Apesar da queda diária, o saldo semanal terminou positivo. A soja acumulou alta de 1,00%, o farelo avançou 1,70% e o óleo subiu 0,95%, apoiados pelo movimento de recuperação registrado ao longo da semana.

 





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Setor de biocombustíveis lança carta e propõe quadruplicar combustíveis sustentáveis até 2035



O setor brasileiro de biocombustíveis lançou a Carta de Belém, documento que propõe um esforço internacional para quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035. A meta segue as recomendações mais recentes da Agência Internacional de Energia (IEA).

O texto é assinado pela Anfavea, Bioenergia Brasil, Instituto MBCBrasil e Unica, que liderou a elaboração do documento. A carta apresenta um diagnóstico direto: o mundo está atrasado na descarbonização da mobilidade e não cumprirá o Global Stocktake sem combinar eletrificação, combustíveis sustentáveis e novas rotas tecnológicas.

Como base desse argumento, o setor apresenta o caso brasileiro. Após cinco décadas de políticas como Proálcool e RenovaBio, o Brasil construiu uma das matrizes energéticas mais limpas entre as grandes economias, com 29% de bioenergia e 20% de outras fontes renováveis. A oferta de bioeletricidade também cresceu e chegou a 21.000 GWh em 2024, equivalente a 4% do consumo nacional.

Para o presidente da Unica, Evandro Gussi, o Brasil demonstra que os biocombustíveis são uma solução escalável e competitiva.

“O etanol é uma tecnologia comprovada, integrada às cadeias produtivas. O Brasil mostrou que é possível descarbonizar enquanto se gera emprego e competitividade. A Carta de Belém traduz esse aprendizado para que outros países avancem com segurança e velocidade”, afirmou.

Eletrificação e biocombustíveis devem caminhar juntos, diz setor

A carta também reforça a complementaridade entre eletrificação e biocombustíveis. Segundo o documento, países com forte base agrícola e infraestrutura limitada de recarga podem reduzir emissões de maneira mais rápida ao combinar híbridos flexfuel, etanol, biometano e eletricidade.

“A aposta em diferentes tecnologias é o melhor caminho para acelerarmos a descarbonização. Os biocombustíveis são aliados fundamentais, com impacto real no transporte leve e pesado”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea.

A Carta de Belém destaca ainda o potencial do biometano, combustível de baixa ou até negativa intensidade de carbono. A partir de resíduos agrícolas e urbanos, o Brasil poderia produzir 120 milhões de Nm³ por dia, o que substituiria até 60% do diesel usado no transporte nacional. A tecnologia tem aplicações no transporte pesado, na logística, na indústria e, na forma de BioLNG, também na navegação.

Para Mário Campos, presidente da Bioenergia Brasil e da SIAMIG Bioenergia, o Brasil está pronto para ocupar uma posição de liderança.

“Os biocombustíveis são parte estratégica da solução climática do Brasil. A Carta de Belém mostra ao mundo que etanol, bioenergia e combustíveis de baixa emissão já entregam resultados concretos em descarbonização e desenvolvimento regional”, afirmou.

Documento ecoa avaliações da IEA, ICAO e IMO

A carta também dialoga com avaliações de organismos internacionais como IEA, ICAO e IMO, todos alinhados em reconhecer que combustíveis sustentáveis,líquidos, gasosos e derivados de hidrogênio, serão decisivos para reduzir emissões na aviação, navegação e indústria pesada.

O documento lembra que 70 países já adotam mandatos de mistura obrigatória e que a expansão dessas rotas precisa garantir ganhos sociais, como geração de emprego no campo, renda regional e valorização de cadeias produtivas de baixo carbono.

“O Brasil demonstra há 50 anos que descarbonização eficaz é aquela que também gera emprego e fortalece a economia”, afirma José Eduardo Luzzi, presidente do Instituto MBCBrasil.

“Não há solução única. A rota brasileira, baseada no etanol, biometano, biodiesel e bioeletrificação , é testada, imediata e pragmática”, completou.

Financiamento será decisivo para acelerar a transição

A Carta de Belém estima que a transição energética exigirá investimentos entre US$ 29 e 30 trilhões até 2030. Para os signatários, entre US$ 1,3 trilhão deveriam ser direcionados a combustíveis sustentáveis em países em desenvolvimento.

O documento também defende previsibilidade regulatória e acesso a financiamento competitivo. Segundo as entidades, a experiência brasileira coloca o país em posição estratégica para influenciar uma transição global mais rápida e inclusiva



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