Os contratos da soja em grão operam em queda na reabertura da sessão eletrônica da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O mercado segue pressionado pela valorização do dólar frente a outras moedas, fator que reduz a competitividade das exportações norte-americanas.
Além disso, o acordo entre China e Brasil para destravar o fluxo da oleaginosa reforça a concorrência no cenário global de exportações. Por outro lado, as oscilações do petróleo, em meio ao conflito no Oriente Médio, limitam perdas mais acentuadas.
Os contratos com entrega em maio são cotados a US$ 11,57 por bushel, com recuo de 6,50 centavos de dólar, ou 0,55%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos para julho operam a US$ 11,72 3/4 por bushel, com queda de 6,00 centavos de dólar, ou 0,50%.
O Irã endureceu significativamente sua posição nas negociações desde o início da guerra, segundo três fontes ouvidas pela agência Reuters. A Guarda Revolucionária tem exercido crescente influência sobre as decisões estratégicas do país.
De acordo com as fontes, o governo iraniano deve exigir concessões amplas dos Estados Unidos em eventuais negociações formais. Entre os pontos estão garantias contra novos ataques militares, compensações por perdas sofridas durante o conflito e o controle formal sobre o Estreito de Ormuz.
Além disso, Teerã rejeita qualquer limitação ao seu programa de mísseis balísticos, considerado uma linha vermelha inegociável.
Há versões divergentes sobre o andamento das negociações. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que já ocorreram “conversas muito, muito fortes” com o Irã. No entanto, autoridades iranianas negam publicamente qualquer contato direto.
Segundo as fontes, até o momento houve apenas discussões preliminares com países intermediários, como Paquistão, Turquia e Egito.
Caso as negociações avancem, o Irã pode enviar representantes de alto escalão, como o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, e o chanceler Abbas Araqchi. Ainda assim, as decisões finais permaneceriam sob controle da ala mais dura do regime, liderada pela Guarda Revolucionária.
Autoridades israelenses avaliam que um acordo é improvável. Isso porque as exigências dos Estados Unidos incluem o fim dos programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã — condição considerada inaceitável por Teerã.
O controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, segue como um dos principais pontos de tensão nas negociações.
O mercado de seguro rural registrou retração em 2025, interrompendo uma sequência de crescimento observada nos últimos anos e acendendo um alerta no agronegócio brasileiro.
Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) apontam que a arrecadação do segmento caiu 8,8% no último ano. O volume passou de R$ 14,2 bilhões em 2024 para R$ 12,9 bilhões em 2025.
A queda ocorre em um cenário de redução dos recursos destinados à subvenção ao prêmio do seguro rural, além de maior cautela por parte dos produtores diante do aumento no custo das apólices.
Menor adesão pode ampliar riscos no campo
A retração contrasta com o avanço registrado entre 2021 e 2024. Nesse período, a arrecadação saltou de R$ 9,6 bilhões para R$ 14,2 bilhões, indicando expansão da cobertura no campo.
Agora, a combinação entre queda na arrecadação e estabilidade das indenizações reforça um sinal de alerta: parte dos produtores pode estar reduzindo a contratação de seguros.
Segundo especialistas, esse movimento pode aumentar a exposição do setor a perdas causadas por eventos climáticos e oscilações de produtividade, riscos que vêm se intensificando nos últimos anos.
Mudanças no modelo
Para reverter o quadro atual, Congresso e governo têm discutido mudanças no modelo de seguro rural brasileiro. Tramita no Legislativo um projeto de lei que moderniza o seguro rural no Brasil.
O texto prevê maior integração entre crédito agrícola e seguro, criação de mecanismos de gestão de risco para instituições financeiras e a estruturação de um fundo de estabilização para o setor.
A proposta também busca dar mais previsibilidade ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), considerado essencial para ampliar a adesão dos produtores.
Já o Ministério da Agricultura e Pecuária vem sinalizando nos últimos meses que pretende avançar com a implementação do seguro rural paramétrico no país. O modelo já vem sendo adotado em diferentes países como uma alternativa para ampliar a cobertura securitária no campo.
Em mercados como Estados Unidos, Índia, França e México, o seguro paramétrico tem sido utilizado para proteger produtores contra riscos climáticos, com indenizações baseadas em indicadores como volume de chuva, temperatura ou velocidade do vento.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Embrapa identificou a presença da bactéria salmonella em pisciculturas de peixes nativos no Centro-Oeste brasileiro. O patógeno foi detectado em 88% das propriedades analisadas e em 31,5% das amostras coletadas em Mato Grosso, principal polo produtor dessas espécies no país.
Os resultados acendem um alerta para a necessidade de reforço na vigilância sanitária e nas medidas de biossegurança nos ambientes de criação aquícola. A pesquisa foi coordenada pela cientista Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, com participação de especialistas da Universidade Federal de Mato Grosso.
Segundo os pesquisadores, a identificação precoce dos pontos críticos de contaminação permite a adoção de medidas preventivas capazes de reduzir riscos, aumentar a segurança do alimento e garantir a sustentabilidade da produção.
Contaminação foi avaliada em diferentes biomas
O levantamento analisou pisciculturas localizadas nos biomas Pantanal e Cerrado. Ao todo, foram examinadas 184 amostras de peixes, água dos viveiros, sedimentos, ração e fezes de animais domésticos e silvestres presentes nas áreas de cultivo.
As análises detectaram dez sorotipos diferentes da bactéria, com predominância de Salmonella saintpaul e Salmonella newport. Também foram observados níveis moderados de resistência a alguns antibióticos, mas sem registro de cepas multirresistentes.
As vísceras dos peixes apresentaram as maiores taxas de detecção, e a contaminação foi mais elevada no período seco, indicando influência de fatores ambientais e de manejo.
Outro estudo associado avaliou 55 cepas isoladas de tambatinga, híbrido do tambaqui, e não encontrou sorotipos clássicos ligados a surtos humanos graves. Todas as amostras foram sensíveis aos antibióticos testados, sugerindo baixo risco de resistência nas condições analisadas.
Presença da bactéria não significa peixe contaminado na mesa
Os pesquisadores ressaltam que o estudo se concentrou na fase de produção, não em toda a cadeia até o consumidor final. Processamento industrial, inspeção sanitária e cozimento adequado podem eliminar o risco.
A contaminação pode ocorrer nas pisciculturas devido ao acesso de aves, animais silvestres. como jacarés e capivaras, animais de criação e domésticos, que podem contaminar solo e água dos viveiros.
Especialistas também apontam que mudanças no processamento podem reduzir riscos. Uma das sugestões é retirar vísceras e guelras antes da lavagem hiperclorada, e não depois, como ocorre atualmente em muitos frigoríficos.
Cuidados simples reduzem risco praticamente a zero
Mesmo com possível exposição a microrganismos, medidas básicas na cozinha são eficazes para prevenir intoxicações alimentares:
Armazenamento
Manter refrigerado (até 4 °C) ou congelado
Evitar deixar fora da geladeira por longos períodos
Evitar contaminação cruzada
Separar peixe cru de alimentos prontos
Usar utensílios diferentes para alimentos crus e cozidos
Lavar mãos e superfícies após o manuseio
Cozimento seguro
Cozinhar completamente (acima de 70 °C)
Evitar consumo cru sem inspeção sanitária
Higiene na cozinha
Descartar líquidos da embalagem
Higienizar a pia após o preparo
Priorizar produtos inspecionados
Monitoramento deve avançar para outras regiões
Os cientistas defendem programas integrados de vigilância baseados no conceito de Saúde Única, que considera a relação entre saúde animal, humana e ambiental.
Os próximos passos incluem ampliar o monitoramento para outras regiões produtoras e desenvolver protocolos de boas práticas diretamente aplicáveis às pisciculturas. O objetivo é transformar os resultados científicos em orientações práticas que aumentem a segurança dos alimentos e a competitividade da aquicultura brasileira.
A JBS anunciou a abertura de mais de 500 vagas de emprego em unidades das marcas Friboi e Seara no interior de São Paulo. As oportunidades são para início imediato e contemplam diferentes perfis, incluindo candidatos com e sem experiência.
As vagas estão distribuídas entre cinco cidades paulistas e fazem parte de um movimento da companhia para reforçar a operação industrial, ampliando a produção e gerando emprego na região.
Mais de 500 vagas em cinco cidades
As oportunidades estão divididas da seguinte forma:
Nuporanga: 150 vagas
Lins: 137 vagas
Amparo: 104 vagas
Osasco: 70 vagas
Itapetininga: 40 vagas
As vagas são para diversas funções dentro da indústria de alimentos, inclusive com processos seletivos para o programa Evoluir, direcionado a jovens aprendizes, e incluem cargos para candidatos com ou sem experiência, além de oportunidades exclusivas para pessoas com deficiência (PCDs).
Em Nuporanga, na unidade da Seara, estão abertas 150 vagas para operador de produção. Os interessados podem entregar currículo na unidade, localizada na Rodovia Waldyr Canevari, km 6, toda quinta-feira, às 9h, ou enviar o currículo pelo WhatsApp (16) 99792-4706.
Na unidade da Friboi, em Lins, são 137 oportunidades de trabalho, sendo para operador de produção (54), refilador (4), desossador (2), operador de caldeira (1), além de 76 vagas para jovem aprendiz, com idade entre 18 e 23 anos. Os interessados devem entregar currículo presencialmente na unidade, das 7h às 9h, localizada na Via de Acesso Lins-Getulina, s/nº – Parque Industrial, ou enviar para o e-mail: recrutamentofriboilins@friboi.com.br.
Em Amparo, são 104 vagas de emprego abertas na unidade da Seara, destinadas ao cargo de operador de produção. Os interessados em participar do processo seletivo devem comparecer presencialmente à unidade, localizada na Rodovia João Beira, km 48,2. As entrevistas são realizadas a partir das 8h para candidatos às vagas do turno da manhã e a partir das 16h para os interessados nas funções do turno da tarde.
Na unidade da Seara, em Osasco, são 70 vagas de emprego abertas para operador de produção, em diferentes atividades na linha de produção, processamento e embalagem de produtos. Os interessados em participar do processo seletivo devem enviar currículo para o WhatsApp (11) 93766-1433. Também é possível se candidatar presencialmente na unidade, localizada na Avenida das Comunicações, 333. Basta levar os documentos pessoais.
Em Itapetininga, a unidade da Seara está com 40 vagas de emprego abertas para operador de produção, em diferentes atividades na linha de produção. Os interessados devem enviar currículo para os WhatsApps: (15) 99618-9011 ou (15) 99694-2954. Também é possível se candidatar presencialmente na unidade, localizada na Rodovia Raposo Tavares, Km 176,8, Bairro Do Pinhal. Basta levar os documentos pessoais.
Para participar do processo seletivo, em todas as vagas, é necessário ter idade mínima de 18 anos e apresentar documentos pessoais (RG, CPF e comprovante de residência). As oportunidades são oferecidas sob o regime de contratação CLT, com benefícios previstos pela categoria.
O papel do Brasil no comércio global de soja vai além da simples exportação de commodities e envolve uma dinâmica mais complexa de organização da cadeia produtiva. A avaliação é de Carlos Alberto Tavares Ferreira, estrategista e fundador da Carbon Zero, que aponta uma leitura equivocada sobre a relação entre Brasil e China nesse mercado.
Segundo a análise, a China absorve entre 70% e 80% das exportações brasileiras de soja, enquanto empresas ligadas ao país asiático ampliam presença em diferentes etapas do setor. A COFCO Corporation já movimenta de 10% a 15% das exportações de grãos do Brasil, consolidando posição entre as principais tradings em operação no país. Ao mesmo tempo, a China Merchants Port mantém participações relevantes em terminais portuários na América Latina, incluindo ativos estratégicos em território brasileiro.
O movimento segue uma lógica de integração vertical iniciada na última década. A aquisição da Nidera e da Noble Group Agri, concluída em 2017, e a compra da Syngenta por US$ 43 bilhões pela ChemChina são exemplos dessa estratégia, que conecta trading, logística, infraestrutura e tecnologia agrícola.
Na prática, o produtor brasileiro permanece responsável pelo cultivo e parte do financiamento da produção, mas depende de estruturas que envolvem capital estrangeiro para comercialização e escoamento. O resultado é uma participação ativa na produção, mas sem controle sobre o sistema como um todo.
Os investimentos chineses em infraestrutura, que superam US$ 20 bilhões em portos ao redor do mundo, além do avanço sobre corredores logísticos e projetos como a ferrovia bioceânica entre Brasil e Peru, reforçam essa integração. Embora contribuam para reduzir custos, esses projetos também ampliam a influência externa sobre a cadeia.
Esse cenário impacta a formação de preços, já que a concentração de funções em um único agente tende a estruturar o mercado, reduzindo sua dinâmica plenamente competitiva. Para o estrategista, o principal desafio do Brasil está no diagnóstico dessa relação, ainda vista como simples exportação, quando na realidade representa a inserção em uma cadeia global controlada por outro Estado.
Foto: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional
O Governo de São Paulo publicou nesta semana uma resolução que estabelece medidas de defesa sanitária para proteger a cadeia produtiva da tilápia diante do risco de introdução do Tilapia Lake Virus (TiLV), considerado uma das principais ameaças emergentes à aquicultura mundial.
A norma define protocolos obrigatórios de controle sobre o ingresso, trânsito, comercialização e processamento de tilápia e seus derivados oriundos de países com ocorrência confirmada da doença ou de outros patógenos exóticos.
A medida tem caráter preventivo e busca preservar o status sanitário da aquicultura paulista, em um momento em que ainda há incertezas sobre a importação de tilápia no país, tema em avaliação pelo Ministério da Agricultura.
“A cadeia da tilápia tem ganhado relevância no agro paulista, com crescimento da produção e geração de empregos. Esse avanço exige uma atenção sanitária cada vez maior”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho.
Controle sanitário e rastreabilidade passam a ser obrigatórios
A resolução determina que todos os produtos de tilápia, frescos ou congelados, inteiros ou processados, provenientes de países com registro da doença estejam sujeitos a controle sanitário rigoroso em todo o território paulista.
Entre as exigências estão a identificação e rastreabilidade dos lotes, a segregação por origem e a manutenção de registros sanitários e fiscais por pelo menos 12 meses.
Os produtos também deverão estar disponíveis para fiscalização e inspeção pelos órgãos competentes.
As regras se aplicam tanto a itens destinados ao consumo humano quanto à alimentação animal, processamento industrial e subprodutos.
Fiscalização será ampliada em toda a cadeia
A execução das medidas ficará sob responsabilidade da Defesa Agropecuária do Estado, que poderá realizar inspeções em cargas, estabelecimentos e documentos.
Entre as ações previstas estão a apreensão e interdição de produtos, aplicação de sanções administrativas e determinação de medidas corretivas em caso de risco sanitário.
A fiscalização contará ainda com atuação integrada de vigilâncias sanitárias municipais, Procon-SP e outros órgãos, ampliando o alcance do controle em toda a cadeia produtiva.
Vírus pode causar perdas de até 90% na produção
O Tilapia Lake Virus (TiLV) já foi registrado em países da Ásia, África e Oriente Médio e é considerado altamente agressivo.
Segundo a médica-veterinária Ieda Blanco, responsável pelo Programa Estadual de Sanidade dos Animais Aquáticos, o vírus pode causar mortalidade de até 90% nos plantéis infectados, além de apresentar rápida disseminação.
“A prevenção contra a introdução do agente é fundamental, pois os impactos econômicos podem ser imensos para a cadeia produtiva”, afirma.
Medida busca preservar crescimento do setor
A resolução adota o princípio da precaução ao estabelecer barreiras sanitárias antes mesmo da ocorrência da doença no Brasil.
São Paulo é uma das principais regiões produtoras de tilápia do país, com estrutura industrial consolidada e produção em larga escala, o que aumenta a importância de medidas de proteção.
“A prevenção sanitária é decisiva para garantir a continuidade da produção, proteger empregos e sustentar o crescimento da cadeia”, destaca o presidente da Câmara Setorial de Pesca e Aquicultura do Estado, Martinho Colpani.
A Rússia anunciou a suspensão das exportações de nitrato de amônio até 21 de abril, com o objetivo de garantir o abastecimento interno durante a temporada de plantio. O país responde por até 40% do comércio global do produto e por cerca de um quarto da produção mundial, o que torna a medida relevante para o equilíbrio da oferta internacional.
A decisão ocorre em meio a um cenário de restrição global, agravado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 24% do comércio mundial de amônia, insumo essencial para a produção de fertilizantes. Sem capacidade de ampliar a produção no curto prazo, o governo russo optou por suspender as licenças de exportação e priorizar o mercado doméstico diante da forte demanda.
Amplamente utilizado no início do plantio, o nitrato de amônio é exportado pela Rússia para países como Brasil, Índia e Marrocos. O cenário de oferta também foi impactado por ataques de drones ucranianos a uma importante planta produtiva no país, que deve retomar plenamente as operações apenas em maio, aumentando a pressão sobre os preços globais.
O cenário mudou, e mudou rápido. O que antes permitia planejamento hoje exige cautela. O que era risco pontual virou um conjunto de pressões que vêm de todos os lados. Lá fora, as tensões geopolíticas encarecem insumos, energia e frete. Aqui dentro, os juros seguem elevados, o crédito mais seletivo e o clima cada vez mais imprevisível.
É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.
E, no meio disso tudo, há um fator que pesa ainda mais: a ausência de direção.
O Brasil entrou em um ambiente onde a política parece mais preocupada com a próxima eleição do que com os próximos anos. O governo trabalha sob a lógica da reeleição, enquanto o Congresso, preso à polarização, se distancia das urgências reais do país. O campo, que sustenta boa parte da economia, acaba ficando à margem desse debate. Não se vê, neste momento, um movimento claro de construção de uma rede de proteção para o produtor, e isso faz diferença, porque quando o risco aumenta e o amparo não vem, a responsabilidade recai toda sobre quem está dentro da porteira.
Quando o risco aumenta e o apoio não vem, a conta fica inteira com o produtor.
Na prática, isso significa uma coisa simples: o produtor está mais exposto.
Nos últimos anos, o agro viveu um ciclo positivo. Houve crescimento, investimento, avanço tecnológico. Mas os ciclos mudam — e esse movimento já começou a aparecer. O aumento dos pedidos de recuperação judicial no setor não é exagero; é um sinal de que o ambiente ficou mais apertado e que o erro passou a custar mais caro.
O problema hoje não é produzir, é errar num momento em que não há margem para erro.
E o ponto central é que ninguém tem clareza do que vem pela frente. Não dá para cravar o rumo dos juros, do dólar ou dos conflitos lá fora. Quando o cenário fica assim, tentar antecipar o mercado deixa de ser estratégia e passa a ser risco.
Por isso, o caminho volta ao básico: olhar para dentro da propriedade, entender bem os custos, trabalhar com a margem real e tomar decisões com mais segurança. Não é sobre parar, é sobre ajustar o ritmo. Talvez não seja o momento de expandir, mas é, sem dúvida, o momento de consolidar e proteger o que foi construído.
Em tempos de incerteza, preservar vale mais do que crescer.
Perder uma oportunidade de ganho faz parte do jogo. O que não pode acontecer é perder o patrimônio que sustenta toda uma história. O agro brasileiro já mostrou inúmeras vezes sua capacidade de atravessar momentos difíceis, e é essa lucidez, mais do que ousadia, que fará a diferença agora.
E aos candidatos que vão bater na porteira em busca de voto: o campo tem memória. Quem não esteve presente nos momentos difíceis dificilmente encontrará respaldo agora. Talvez seja hora de pensar menos na eleição e mais em quem mantém o Brasil de pé.
Porque os ciclos passam, as oportunidades voltam, mas só aproveita quem consegue permanecer. Neste momento, manter-se de pé, com equilíbrio, já é uma grande vitória.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
A Fenasoja ocorre de 1º a 10 de maio, no Parque de Exposições de Santa Rosa
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A Fenasoja, ao completar 60 anos, apresenta uma novidade no que tange ao desenvolvimento sustentável. Esta edição será, de forma inédita, a feira “Carbono Zero”. Os gases de efeito estufa gerados durante o evento serão compensados por meio de créditos de carbono, doados pela Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR).Um inventário com a quantificação de gases emitidos no período da feira será elaborado por uma equipe técnica e voluntários que compõem a Assessoria de Sustentabilidade da feira.
As ações seguem como linha norteadora a Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas, que é formada por 17 pilares, que são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs). Assim, a maior feira multissetorial do país intensifica ainda mais sua atenção às questões socioambientais, em prol de um mundo melhor também às futuras gerações. No inventário a ser elaborado constarão pontos como, por exemplo, o consumo de energia elétrica demandada, a forma de deslocamento para a feira e a origem do deslocamento das pessoas, bem como informações sobre os quantitativos de resíduos gerados nesse período. A partir desses dados, haverá uma quantificação geral dos gases emitidos para atmosfera e a conversão em créditos de carbono.
Além disso, a sustentabilidade permeia o trabalho e tem uma atenção especial também das demais comissões da feira, mesmo antes da abertura dos portões ao público, em 1º de maio. Integrantes da assessoria orientam as ações, por exemplo, voltadas à destinação adequada de resíduos no Parque de Exposições de Santa Rosa. As ações se estenderão aos trabalhos que compreendem o período pós-evento, até a desmontagem dos estandes. Assim, com foco no desenvolvimento sustentável, a Fenasoja reforça seu compromisso de pensar e contribuir na construção da Santa Rosa e da região do amanhã.
A Fenasoja ocorre de 1º a 10 de maio, no Parque de Exposições de Santa Rosa. A entrada é gratuita.