quarta-feira, março 25, 2026

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irregularidade das chuvas reduz projeções da safra


A Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema) informou, em análise referente ao período de 14 a 20 de novembro e publicada na quinta-feira (20), que o preço da soja registrou avanço no Brasil. Segundo o relatório, “a valorização foi puxada pela desvalorização do Real, que chegou a R$ 5,33 por dólar, e pela firmeza relativa de Chicago”. Com esse movimento, as principais praças do Rio Grande do Sul ficaram em R$ 124,00 por saco, enquanto a média estadual alcançou R$ 125,24. Nas demais regiões do país, os valores variaram entre R$ 120,00 e R$ 127,00 por saco.

O Ceema destacou ainda o andamento da nova safra. Conforme o documento, “o plantio atingiu 71% da área esperada no dia 13 de novembro, contra 80% no mesmo período do ano passado”. As chuvas irregulares no Centro-Oeste e no Matopiba, segundo a entidade, têm levado analistas privados a reverem as projeções de colheita, agora estimadas entre 177 e 179 milhões de toneladas. O relatório afirmou que “o mercado abandonou a ideia de que a produção nacional possa superar 180 milhões de toneladas em 2025/26”, embora a safra siga prevista como recorde.

No cenário de oferta e demanda, a Abiove projetou estoques finais de 10,55 milhões de toneladas em 2026. A entidade estimou ainda exportações de 111 milhões de toneladas para o próximo ano, ante 109 milhões previstas para 2025. O esmagamento deve totalizar 60,5 milhões de toneladas, número 3,4% superior ao de 2025. A associação também calculou que o complexo soja brasileiro deverá exportar US$ 60,25 bilhões em 2026, frente aos US$ 53,3 bilhões esperados para este ano. O relatório destacou que “o aumento decorre não apenas do maior volume, mas também da melhoria dos preços médios internacionais”. A projeção é de que o grão seja exportado a US$ 450,00 por

A Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema) informou, em análise referente ao período de 14 a 20 de novembro e publicada na quinta-feira (20), que o preço da soja registrou avanço no Brasil. Segundo o relatório, “a valorização foi puxada pela desvalorização do Real, que chegou a R$ 5,33 por dólar, e pela firmeza relativa de Chicago”. Com esse movimento, as principais praças do Rio Grande do Sul ficaram em R$ 124,00 por saco, enquanto a média estadual alcançou R$ 125,24. Nas demais regiões do país, os valores variaram entre R$ 120,00 e R$ 127,00 por saco.

O Ceema destacou ainda o andamento da nova safra. Conforme o documento, “o plantio atingiu 71% da área esperada no dia 13 de novembro, contra 80% no mesmo período do ano passado”. As chuvas irregulares no Centro-Oeste e no Matopiba, segundo a entidade, têm levado analistas privados a reverem as projeções de colheita, agora estimadas entre 177 e 179 milhões de toneladas. O relatório afirmou que “o mercado abandonou a ideia de que a produção nacional possa superar 180 milhões de toneladas em 2025/26”, embora a safra siga prevista como recorde.

No cenário de oferta e demanda, a Abiove projetou estoques finais de 10,55 milhões de toneladas em 2026. A entidade estimou ainda exportações de 111 milhões de toneladas para o próximo ano, ante 109 milhões previstas para 2025. O esmagamento deve totalizar 60,5 milhões de toneladas, número 3,4% superior ao de 2025. A associação também calculou que o complexo soja brasileiro deverá exportar US$ 60,25 bilhões em 2026, frente aos US$ 53,3 bilhões esperados para este ano. O relatório destacou que “o aumento decorre não apenas do maior volume, mas também da melhoria dos preços médios internacionais”. A projeção é de que o grão seja exportado a US$ 450,00 por tonelada, contra US$ 400,00 no ano corrente.

tonelada, contra US$ 400,00 no ano corrente.





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Reversão das tarifas anima exportadores de café


A reversão das tarifas de 40% sobre o café brasileiro nos Estados Unidos mudou o cenário para o comércio do produto. Após meses de tratativas, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil passou a celebrar o recuo da medida anunciada após a modificação da Ordem Executiva 14.323.

A entidade afirma que o resultado só foi possível graças à articulação entre governos, ao apoio de seus associados e à interlocução com representantes americanos da indústria e do setor cafeeiro. O processo incluiu diálogos constantes, reuniões técnicas e o envio de documentos oficiais para expor impactos ao mercado consumidor e ao abastecimento das torrefadoras nos EUA.

“É importante recordar que, no dia 9 de julho de 2025, em carta enviada ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Donald Trump reuniu diversas alegações comerciais e políticas para justificar a taxação de 50% sobre produtos brasileiros (10% de tarifa recíproca, somados à 40% de tarifas adicionais ao país). Posteriormente, em 30 de julho, o presidente Trump assinou uma Ordem Executiva, a qual oficializava a medida, que passaria a valer sete dias após o comunicado, ou seja, 6 de agosto”, comenta.

Com encontros em embaixadas, conversas com departamentos do governo americano e participação em missões empresariais, a representação brasileira buscou manter o café fora das taxações extras e apresentar dados de qualidade, sustentabilidade e relevância comercial. Segundo a entidade, os argumentos foram avaliados em investigações conduzidas pelo USTR.

“O Cecafé seguirá com sua missão de defender o setor exportador de café e, por consequência, os cafeicultores brasileiros diante dos desafios políticos, logísticos, tributários, regulatórios, climáticos, entre outros, exercendo seu papel institucional de ocupar os espaços de discussão e de negociação do interesse cafeeiro nacional”, conclui.

 





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Preço do milho mantém viés de baixa no país


A Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema) informou, em análise referente ao período de 14 a 20 de novembro e divulgada na quinta-feira (20), que os preços do milho no Brasil permaneceram estáveis, “desta vez com viés de baixa”. De acordo com o levantamento, a média gaúcha caiu para R$ 61,86 por saco, enquanto as principais praças do Estado seguiram em R$ 60,00. Nas demais regiões, as cotações variaram entre R$ 48,00 e R$ 64,00 por saco.

O Ceema destacou que o mercado nacional apresenta “baixa liquidez, com afastamento de boa parte dos vendedores”. A análise aponta que a demanda se mantém, mas com compras em pequenos volumes. Segundo o relatório, “os preços locais estão sustentados pelas exportações, que melhoraram graças à recente desvalorização do Real”, ao mesmo tempo em que o bom desenvolvimento da safra de verão contribui para limitar as altas no mercado interno.

O plantio também foi acompanhado pela entidade. Conforme o documento, até 13 de novembro a semeadura da safra de verão no Centro-Sul alcançava 85% da área prevista, ante 87% no mesmo período do ano anterior, segundo dados da AgRural. A Conab informou que, no Brasil, 52,6% da área estava semeada em 15 de novembro, frente à média de 53%. O Paraná havia concluído o plantio, enquanto o Rio Grande do Sul atingia 84% em 19 de novembro, acima da média histórica de 78%.

No cenário externo, o Ceema ressaltou o avanço das exportações. Dados da Secex mostram que o país embarcou 2,68 milhões de toneladas nos primeiros dez dias úteis de novembro, com média diária 7,6% superior à registrada em novembro de 2024. A projeção é de que o Brasil encerre o ano com cerca de 40 milhões de toneladas exportadas. A análise lembra ainda que “o ano comercial do milho se encerra em 31 de janeiro”, e cita Irã e Egito como principais compradores. O preço médio da tonelada subiu 5,4% em um ano, passando a US$ 219,00.





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COP30 reúne meio milhão de pessoas e consolida Pará como centro global do debate climático



A COP30, realizada em Belém entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, registrou mais de meio milhão de acessos de pessoas distribuídos entre a Green Zone, a Blue Zone e os demais espaços oficiais do evento.

O número confirma a conferência como o maior encontro já realizado na Amazônia e um dos mais expressivos da agenda climática internacional, consolidando o papel estratégico do Pará na discussão global sobre clima, justiça socioambiental e desenvolvimento sustentável.

O governador Helder Barbalho destacou que a forte participação popular demonstra o engajamento da sociedade na pauta ambiental. “A COP30 mostrou ao mundo que a Amazônia está viva, pulsante e pronta para liderar soluções. Com organização, diálogo e compromisso com o planeta”, afirmou.

A vice-governadora Hana Ghassan também ressaltou o alcance social e político da conferência. “Esse é um momento histórico para o Pará. A presença massiva do público reforça que a transição sustentável só faz sentido quando inclui as pessoas, os territórios e suas realidades”, disse.

Crescimento de público na COP30

Ao longo dos 12 dias de programação, os números diários refletiram o ritmo crescente da conferência. A Green Zone, voltada ao público geral, registrou picos superiores a 37 mil pessoas em um único dia. Já a Blue Zone, área oficial de negociações multilaterais, recebeu delegações de todas as regiões do mundo, mantendo-se como o centro político do evento.

No encerramento do Pavilhão Pará, nesta sexta-feira (21), o governador Helder Barbalho foi recebido ao som do tradicional Arraial do Pavulagem, em um momento marcado pela celebração da cultura paraense dentro da COP30. O espaço contou com mais de 300 atividades abertas ao público.

“O Pavilhão Pará reafirma que a Amazônia tem rosto, tem voz e tem cultura. Aqui mostramos ao mundo a nossa diversidade, a nossa bioeconomia, as nossas políticas públicas e a criatividade de um povo que transforma sua identidade em soluções, em desenvolvimento e em futuro”, destacou o chefe do Executivo.



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Clima seco no Matopiba reduz estimativa de produção de soja no Brasil



A produção brasileira de soja na temporada 2025/26 deve atingir 178,76 milhões de toneladas, representando um crescimento de 4% em relação à safra anterior, que somou 171,84 milhões de toneladas, segundo estimativa da consultoria Safras & Mercado. Em setembro, a previsão era ligeiramente maior, de 180,92 milhões de toneladas.

O levantamento aponta um aumento de 1,4% na área plantada, que passará de 47,64 milhões para 48,31 milhões de hectares. A produtividade média nacional deve subir de 3.625 quilos por hectare para 3.719 quilos por hectare.

O ajuste nas estimativas concentra-se principalmente no Centro-Norte do país, na região do Matopiba, devido a chuvas irregulares, atraso no plantio e perspectiva de menor potencial produtivo. “Em conjunto com fatores como replantio, isso não significa uma safra perdida, apenas um potencial menor em algumas regiões desses estados”, afirmou o analista Rafael Silveira.

No estado de Tocantins, a produtividade esperada caiu de 3.800 kg/ha para 3.660 kg/ha, ou seja, de 63,3 para 61 sacas por hectare, com produção estimada em 5,7 milhões de toneladas. Reduções também foram registradas no Maranhão, Bahia e outros estados do Norte.

Além disso, no Paraná, um dos maiores produtores do país, geadas e tornados afetaram algumas áreas, levando a ajustes na produção, que deve chegar a 21,7 milhões de toneladas. Apesar de superar a safra anterior, o número ainda fica abaixo do potencial inicialmente previsto.

“De maneira geral, espera-se uma safra recorde em 2026, com boa produtividade e produção estimada em torno de 178,7 milhões de toneladas, mantendo um volume robusto, mesmo com o ajuste”, completou Silveira.

Oferta e demanda

As exportações brasileiras de soja devem totalizar 109 milhões de toneladas em 2026, aumento de 2% sobre 2025. O esmagamento está projetado em 59,5 milhões de toneladas, enquanto em 2025 foi de 58,5 milhões. Não há previsão de importações em 2026, ao passo que em 2025 foram previstas 800 mil toneladas.

A oferta total de soja no país deve subir 6%, chegando a 184,29 milhões de toneladas, enquanto a demanda projetada é de 171,4 milhões, crescimento de 2%. Com isso, os estoques finais podem atingir 12,89 milhões de toneladas, um aumento de 133% em relação à temporada anterior.

“Se as exportações brasileiras não alcançarem volumes recordes ou ligeiramente acima de 2025, os estoques podem ficar extremamente elevados, considerando a possibilidade de maior atuação da China na safra americana”, destacou Silveira.



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Lula afirma que G20 pode liderar Mapa do Caminho para fim dos combustíveis fósseis



O presidente Lula defendeu na Cúpula de Líderes do G20, na África do Sul, que o grupo assuma o protagonismo na elaboração de um Mapa do Caminho para a transição energética e o abandono progressivo da dependência de combustíveis fósseis.

Em seu discurso na Sessão II do evento, neste sábado (22), em Joanesburgo, o presidente brasileiro afirmou que o G20, responsável por 77% das emissões globais, é fundamental para que a estratégia proposta pelo Brasil na COP30, em Belém, no Pará, ganhe escala e se torne realidade.

“Só haverá transição justa se o G20 liderar o caminho. É do G20 que um novo modelo de economia deve emergir. O grupo é ator-chave na elaboração de um Mapa do Caminho para afastar o mundo dos combustíveis fósseis. A COP30 mostrou que o mundo precisa enfrentar esse debate”, afirmou Lula

Para ele, a mudança do clima é um “desafio de planejamento econômico” e não apenas questão ambiental.

O presidente brasileiro destacou que a transição energética e a resiliência climática exigem inversão nas prioridades de financiamento.

“É inconcebível que não sejamos capazes de mobilizar 1 trilhão e 300 bilhões de dólares em financiamento climático, enquanto o dobro desse montante é consumido por despesas militares”, comparou

Para ele, a construção de resiliência climática, que envolve, entre outros, a adaptação de infraestruturas como rodovias e linhas de transmissão, deve ser tratada com prioridade, mas com atenção aos desdobramentos humanos. 

“Um mundo resiliente não se faz apenas com infraestrutura. Quando alguém é atingido por um evento extremo, são as políticas públicas que o ajudam a se reerguer. Contudo, cerca de metade da população mundial não conta com proteção social. Quase 700 milhões ainda sofrem com a fome. Construir resiliência não é gasto, é investimento”. 

Ao concluir, o presidente cobrou dos colegas do G20 ações no presente e citou o líder sul-africano Nelson Mandela para um convite à ousadia.

O G20 pode proteger cadeias alimentares por meio de medidas como compras públicas e seguros rurais. Também pode remunerar quem preserva as florestas por meio do Fundo Florestas Tropicais para Sempre. Como nos ensinou Mandela, tudo parece impossível até que seja feito. A hora de fazer é agora.”



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poder de compra frente ao farelo volta a cair



Poder de compra do suinocultor paulista frente ao farelo de soja diminui


Foto: Pixabay

A relação de troca de suíno vivo por farelo de soja atingiu em setembro o momento mais favorável ao suinocultor paulista em 20 anos. No entanto, desde outubro, o derivado de soja passou a registrar pequenos aumentos nos preços, contexto que tem desfavorecido o poder de compra do suinocultor. 

Assim, neste mês de novembro, a relação de troca de animal vivo por farelo já é a pior deste segundo semestre. Cálculos do Cepea mostram que, com a venda de um quilo de suíno vivo na região de Campinas, o produtor pode adquirir, nesta parcial de novembro (até o dia 18), 5,13 quilos de farelo, contra 5,37 quilos em outubro e 5,57 quilos em setembro. Trata-se do menor poder de compra desde junho deste ano, quando era possível adquirir 5,02 quilos.





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Frango caipira é mais nutritivo? Nutricionista esclarece mitos e verdades



A nutricionista, Fabiana Borrego, esclareceu dúvidas comuns sobre o frango caipira, alimento tradicional em muitas regiões do Brasil e frequentemente cercado de percepções sobre sabor, textura, valor nutricional e até benefícios para a pele.

Segundo a especialista, embora a criação mais natural influencie algumas características da carne, grande parte das crenças populares não corresponde totalmente à realidade.

Frango caipira X frango de granja

De acordo com Fabiana Borrego, o frango caipira não é significativamente mais nutritivo do que o frango industrial. “Ele tem um pouquinho mais de alguns nutrientes, mas nada muito relevante”, explicou. As quantidades de proteínas, vitaminas do complexo B, ferro, selênio e zinco são bastante semelhantes entre os dois tipos.

De acordo com a especialista, a principal diferença está na gordura. Por ser criado solto, ciscar e se movimentar mais, o frango caipira tende a ter menos gordura de capa, já que utiliza parte desse tecido como energia. A carne também costuma ser mais firme devido à maior atividade muscular.

Mais colágeno: mito ou verdade?

Uma das crenças mais difundidas é a ideia de que o frango caipira teria mais colágeno proteína associada à saúde da pele e das articulações. Fabiana esclarece que todas as carnes possuem colágeno, e que não há evidências de que o frango caipira possui níveis superiores.

O que acontece, segundo ela, é que nas receitas tradicionais, especialmente cozidos feitos com ossos e partes como pés e miúdos, há maior concentração de colágeno naturalmente, independentemente do tipo de criação da ave. “O pé de frango, por exemplo, é riquíssimo em colágeno”, destacou.

Como preparar o frango caipira sem perder nutrientes

Por ser uma carne mais rígida, o frango caipira exige cocção (preparo de alimentos através do calor) mais prolongada ou o uso de panela de pressão. Fabiana reforça que as perdas nutricionais durante o cozimento são pequenas e não comprometem proteínas e minerais.

Cozidos longos, como os panelões com pequi, são indicados para garantir maciez e sabor, sem prejuízo nutricional.

Atenção à procedência

Mesmo sendo um produto comum em áreas rurais, Fabiana ressalta a importância de verificar selo de inspeção e rastreabilidade ao comprar o frango caipira no comércio. O certificação garante condições sanitárias adequadas e reduz riscos microbiológicos.

Para consumo doméstico direto de pequenos produtores, a nutricionista afirma que não há problema, mas venda e distribuição exigem fiscalização.

Mito e tradição caminham juntos

O frango caipira mantém seu prestígio pelo sabor marcante e textura diferenciada, mas, do ponto de vista nutricional, está mais próximo do frango de granja. O valor simbólico, histórico e gastronômico continua forte, mas a ciência mostra que as diferenças, embora existam, são mais sutis do que o senso comum sugere.



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o segredo da nutrição que garante concepção e bezerro pesado



A chegada do período das chuvas marca o momento em que os produtores se organizam para dar início a uma das fases mais importantes do calendário produtivo da fazenda: a estação reprodutiva.

O sucesso dessa fase depende, essencialmente, de um planejamento nutricional que se estenda ao longo de todo o ano, garantindo que as matrizes atinjam o escore corporal ideal para a concepção.

Em entrevista ao Mercado & Companhia, o especialista em pecuária Vicente Albuquerque destaca que o planejamento nutricional não se limita ao terço final de gestação, mas deve ser programado desde a concepção até a amamentação do bezerro.

Segundo ele, a nutrição estratégica é o fator que garante melhores índices de prenhez, menor retorno ao cio e, consequentemente, maior lucratividade.

Confira a entrevista completa:

Planejamento nutricional: suplementação sob medida

O planejamento nutricional é determinado, principalmente, pelo estágio fisiológico das fêmeas e pela época do ano. A suplementação deve ser estratégica, suprindo o que o pasto não oferece naquele momento:

  • Fêmeas com bom escore: se a matriz apresenta um bom escore de condição corporal e há boa disponibilidade de forragem, a nutrição pode ser feita de forma simples, via suplementação mineral.
  • Fêmeas em recuperação: caso a fêmea precise recuperar o escore corporal perdido em algum momento, o aporte nutricional precisa ser mais enfático, exigindo uma suplementação proteica ou proteico-energética.

A época do ano também define a necessidade de suplementos. Na seca, é necessário um pouco mais de ureia na formulação (suplementos minerais ureados). Na época das águas, o aporte de ureia não é tão necessário.

Os benefícios de calendarizar a Estação de Monta

Estabelecer um período de Estação de Monta (EM) na propriedade permite calendarizar todos os manejos e sincronizar o ciclo produtivo da fazenda com a natureza.

O benefício principal é a possibilidade de alinhar a fase de maior requerimento nutricional das vacas (o período de lactação) com a época do ano de maior disponibilidade de forragem (o período das águas). Dessa forma, as fêmeas entram na estação reprodutiva em uma melhor condição corporal.

Com uma boa nutrição, é possível até diminuir o tempo do intervalo entre partos, modulando as distâncias e acelerando a produtividade do rebanho.

Peso ideal e recuperação pós-parto

Para estarem aptas à reprodução, as fêmeas precisam atingir um peso mínimo e um bom escore corporal:

  • Novilhas (primeira cria): devem atingir de 60% a 65% do peso da vaca adulta de sua respectiva raça.
  • Fêmeas multíparas (experiência de parição): devem manter um escore de condição corporal por volta de 3,5 (dentro de uma escala de 1 a 5).

No período pós-parto, a nutrição é fundamental para que a vaca possa se recuperar rapidamente do esforço da parição e da fase crítica de amamentação, recuperando o escore para que possa entrar em cio novamente e iniciar uma nova gestação.

Todo esse planejamento deve ser consolidado e acompanhado para minimizar os efeitos de perda de escore ou eventos adversos. A estratégia é fornecer exatamente aquilo que o animal está precisando no momento mais adequado.



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Biocombustível como vetor de descarbonização é pauta de debate na AgriZone


Uma das principais questões quando se trata de mudanças climáticas é como reduzir as emissões de CO². Esse desafio começa por como quantificar essa mitigação e segue pelas discussões de como capturar, reutilizar e mesmo reciclar esse carbono. Políticas públicas que reconheçam a agricultura como motor essencial nesse processo, explorar novos mercados como oportunidades para que a agricultura gere, além de alimentos, bioprodutos, e a capacidade de realizar isso baseado em ciência e tecnologia foram caminhos apontados.

As sugestões foram apresentadas e debatidas pelo chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Alexandre Alonso, na programação da AgriZone, na COP 30. O painel “Sustentabilidade ambiental e contabilidade de carbono” foi promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), no espaço AgroBrasil, dia 19 de novembro. O dia foi dedicado a discussões do tema “Energias Renováveis”.

Harmonização dos cálculos de carbono

Essa foi uma das questões levantadas pelo Brasil na COP 30. Ter dados que reflitam como de fato estão as quantidades relativas a esse segmento no país é necessário para debater este ponto. Nesse contexto, Alexandre trouxe dados brasileiros para a discussão. Ele citou uma série de estudos que mostram que, só pela utilização de biocombustíveis, o Brasil já evitou a emissão de mais de 840 milhões de toneladas de CO² equivalentes desde o início do programa de etanol – marcado pela criação do Proálcool em 1975. Anualmente, disse ele, dados da Embrapa mostram que o país já mitiga quase 100 milhões de toneladas de CO² pela produção de biocombustíveis e bioeletricidade. “Isso é muita coisa”.

Os dados também refletem a força do segmento de biocombustíveis no Brasil. “Quando falamos de biocombustíveis, estamos falando de uma estratégia de descarbonização no contexto da agricultura tropical”, defendeu. Ele também destacou como os biocombustíveis e a agricultura são base para um grande sistema de captura e reciclagem de carbono. Citando o que ele chamou de quatro “R”, reduzir, reutilizar, remover e reciclar. O caminho para economia circular.

Há mais de 50 anos o Brasil vem fazendo uma escolha estratégica pelos biocombustíveis. De acordo com o chefe-geral, um rol que só aumenta. “Os biocombustíveis vivem um momento de expansão, como é o caso da possibilidades de usar a cana-de-açúcar para produção de etanol de primeira e segunda geração, biogás, biometano, bioeletricidade, SAF, biobanker, pensar em como capturar CO² e usar quem sabe para combustíveis sintéticos”, citou. “É preciso usar tudo isso como uma ferramenta para mitigação dos gases de efeito estufa”.

Retomando a questão da harmonização de medições, Alexandre ressaltou a importância de comprovar a mitigação que esses bioprodutos de fato podem promover. “Temos que ter como medir isso”. Um passo nessa direção, na opinião dele, veio com o RenovaBio. “Demos um passo importante para isso quando trouxemos a base científica para essa contabilização”. Contudo, ele também apontou que outro passo significativo para realização dos cálculos da política pública seria o de como tropicalizar os fatores de emissão. “Muitas vezes, o biocombustível brasileiro tem um cálculo de emissão com base num modelo que não é o de agricultura tropical que a gente tem hoje no Brasil”.

Segundo Alexandre, a agricultura brasileira vem passando por um processo chamado de modelo de intensificação sustentável, que tem como base a adoção de biotecnologias, bioinsumos, uso de tecnologias para segunda e terceira safras etc. Isso tudo permite produzir mais biomassa na mesma área e com o mesmo tempo, mas com menor emissão de carbono. “Se a pegada de carbono for calculada de uma maneira adequada aos modelos que a gente vem trabalhando, isso vai demonstrar que os biocombustíveis brasileiros são sim uma máquina de descarbonização, que são sim uma solução climática”, defendeu.

O novo comportamento do produtor

Alexandre lembrou que o programa de biocombustíveis começou por uma agenda econômica para, em seguida, se alinhar também a uma agenda climática e de sustentabilidade. Segundo ele, a agricultura está seguindo o mesmo caminho. O chefe-geral explicou que a agricultura brasileira passou por três fases. A primeira fase, na década de 1970, foi de expansão; a segunda fase foi marcada pelo aumento de produtividade com um modelo de agricultura própria, com grande investimento em ciência e tecnologia.

Agora, a agricultura vive uma terceira fase, de sustentabilidade, onde o campo brasileiro não é apenas produtor de commodities ou de biomassa, ele vem produzindo alimentos, fibras, pensando em serviços ecossistêmicos e em segurança alimentar. E, do mesmo modo, o agricultor também seguiu essa mudança.

Tratando-se da agenda da sustentabilidade, uma questão importante segundo Alexandre, é sobre como colocar essa agenda não somente como algo imposto de fora para o produtor, mas como algo que ele queira participar, sabendo que gerará benefícios para seu trabalho. “Quando conseguimos transformar políticas públicas como o RenovaBio, que transforma um ativo ambiental em ativo financeiro, geramos retorno financeiro dentro de uma agenda ambiental, isso é muito importante”, ressaltou.

Para o chefe-geral, a agenda de biocombustíveis conecta a agricultura à indústria. Tem-se uma matéria-prima para gerar um produto agroindustrial. A biomassa, por exemplo, pode ter um impacto positivo em setores como os de transportes,como o de aviação e marítimo. “O biocombustível pode ser um vetor de uma nova industrialização no país, de uma indústria verde baseada na agricultura. Pode também conectar a agricultura a novos mercados, auxiliando na descarbonização de novos setores”. Um ciclo que vai abrir novas alternativas para os produtores. “Essa sinergia entre ciência, mercado e política pública favoreceu para os produtores migrarem para uma agenda de sustentabilidade”.

Com todas essas possibilidades, Alexandre destacou como é significativo que essa discussão sobre biocombustíveis esteja acontecendo durante a COP, na AgriZone. “Sem agricultura não há biocombustível. Sem agricultura, o país não tem seu principal motor de descarbonização. Então, trazer a discussão sobre transição energética no Brasil via biocombustíveis para a COP 30 é absolutamente fundamental”.

Boas práticas e adoção de tecnologias

Para Alexandre, o produtor brasileiro sempre foi muito atento às novas tecnologias. “Ele tem essa característica de ser empreendedor e atento ao desenvolvimento tecnológico”. Vivemos num mundo hiperconectado, com acesso fácil e rápido à informação, e devemos usar essas novas tecnologias para transições mais rápidas no campo. “Um momento com esse que estamos vivendo, na COP, favorece que a agenda de sustentabilidade e de tecnologia venha para o dia a dia das pessoas, encurtando o tempo de adoção destas”.

Ele lembrou que durante muito tempa a Embrapa adotou o modelo tradicional de reaizar a pesquisa, desenvolver a tecnologia e ofertá-la ao público final. Já hoje, a Empresa já tem e segue pensando em vários ambientes que permitam o desenvolvimento conjunto, e citou como exemplo o AgNest. “Por que não podemos fazer um processo de co-criação? Isso faz com que nos aproximemos dos produtores e nos permite desenvolver algo que atenda um problema real”. Trazer os agricultores para junto da pesquisa pode encurtar esse caminho de levar uma tecnologia para o campo.





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