Estimado usuário. Preencha o formulário abaixo para remeter a página.
Foto: Divulgação
O mercado do boi gordo voltou a operar em estabilidade nesta quinta-feira (4), conforme análise do informativo “Tem Boi na Linha”, divulgado pela Scot Consultoria. A consultoria destacou que a alta registrada na véspera encerrou o mais longo período de preços estáveis do ano em São Paulo, com 28 dias consecutivos sem oscilações. O intervalo superou mais que o dobro dos três maiores períodos anteriores de manutenção das cotações, registrados em janeiro, março e junho, cada um com 13 dias.
Segundo o boletim, após a valorização registrada ontem, o mercado abriu o dia sem novas alterações. A Scot Consultoria informou que “os negócios aconteceram com maior facilidade ontem e, hoje, os compradores estiveram menos firmes nos preços, testando referências menores”. As escalas de abate estavam programadas, em média, para nove dias.
No Maranhão, o cenário também era de estabilidade. A consultoria apontou que os compradores mantinham escalas confortáveis, com programação média de dez dias.
Em Alagoas, o informativo ressaltou que “não houve alterações para todas as categorias na comparação diária”. As escalas estavam ajustadas para seis dias.
No Rio de Janeiro, a oferta começou a diminuir nos últimos dias. Apesar disso, as cotações permaneceram estáveis, sem resposta imediata à redução da disponibilidade de animais.
Estimado usuário. Preencha o formulário abaixo para remeter a página.
Foto: Pixabay
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) foi notificada sobre a ocorrência de peste suína africana (PSA) em javalis na província de Barcelona, região da Catalunha, na Espanha, registrada em 26 de novembro. Este é o primeiro episódio da doença no país desde 1994. Até 2 de dezembro, nove casos foram confirmados, todos restritos a javalis, sem detecção em suínos domésticos.
A PSA é uma doença viral que afeta suínos domésticos, asselvajados e javalis. Embora não represente risco à saúde humana, por não se tratar de zoonose, é de notificação obrigatória devido ao seu alto poder de disseminação e ao impacto potencial para os sistemas de produção. A presença de carrapatos do gênero Ornithodoros, que podem atuar como vetores, aumenta a complexidade do controle da enfermidade em ambientes silvestres.
O vírus apresenta elevada resistência no ambiente, podendo permanecer ativo por longos períodos em roupas, calçados, veículos, materiais, equipamentos e em diversos produtos suínos que não passam por tratamento térmico adequado. As principais vias de introdução em áreas livres incluem o contato de animais suscetíveis com objetos contaminados ou a ingestão de produtos suínos contaminados.
O Brasil permanece oficialmente livre de PSA desde 1984, condição que segue preservada. O Mapa reforça que a manutenção desse status depende do cumprimento das normas sanitárias vigentes e da atenção contínua à movimentação de pessoas, produtos e materiais provenientes de regiões afetadas. A introdução da doença no país traria impactos significativos para a cadeia suinícola, motivo pelo qual o país mantém vigilância reforçada e protocolos de prevenção atualizados.
Apesar de um consumo ainda resiliente e de um mercado de trabalho aquecido, o cenário macroeconômico brasileiro apresenta sinais de desaceleração. O relatório Radar Macroeconômico do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) destacou alguns pontos que contribuíram para esse cenário.
No início de 2025, as expectativas de mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro apontavam para uma variação de 2% em relação ao ano anterior, segundo o relatório Focus. Entretanto, após o segundo semestre, tais projeções foram revisadas para 2,2%, refletindo a incorporação de novos dados de atividade econômica. Para 2026, as estimativas indicam avanço mais moderado, em torno de 1,8%. A desaceleração esperada para o PIB em 2025, ocorre em um contexto macroeconômico complexo e multifacetado.
Entre os fatores que compõem essa visão estão: o mercado de trabalho dinâmico, com taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e elevação da renda média real sustentando o consumo; a inflação ainda elevada, resultado do trade-off entre forte nível de emprego, pressões de demanda e choques específicos de oferta; juros altos; arrefecimento do investimento privado devido ao maior custo de capital e ao ambiente de crédito mais seletivo; aumento do custo de carregamento da dívida pública; desvalorização cambial; e maior turbulência no cenário global.
Esses fatores se refletem em indicadores recentes. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) dessazonalizado, considerado um indicador antecedente do PIB, registrou 108,4 pontos em setembro, representando queda de 0,2% em relação ao mês anterior e de 0,9% no trimestre. Por setores, a agropecuária recuou 4,5%, a indústria 1% e os serviços 0,3% no trimestre.
A taxa de desocupação alcançou 5,6% no terceiro trimestre de 2025, mantendo-se no menor nível desde o início da série histórica, em 2012. Dados mais recentes indicam nova queda, para 5,4%, no trimestre encerrado em outubro.
A taxa de inflação, medida pela variação acumulada em 12 meses do IPCA, ficou em 4,68% em outubro de 2025. Apesar da desaceleração em relação aos meses anteriores, o indicador permanece acima do limite superior da meta de inflação, de 4,5%. Diante das pressões inflacionárias, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na reunião de outubro, manter a taxa Selic em 15% ao ano pela quarta reunião consecutiva, em linha com a estratégia de convergência da inflação para a meta. O Comitê também indicou que a taxa deverá permanecer nesse patamar por um período prolongado.
Quanto ao câmbio, o dólar teve cotação média de R$ 5,39 em outubro, refletindo valorização frente ao real, principalmente devido à intensificação das tensões comerciais entre Estados Unidos e China. No entanto, no início de novembro, o anúncio de um acordo comercial envolvendo redução de tarifas contribuiu para atenuar parcialmente essas pressões bilaterais. Adicionalmente, a deterioração das contas públicas brasileiras tem ampliado as preocupações quanto à capacidade do país de cumprir seus compromissos fiscais, fator que exerce pressão adicional sobre o câmbio.
Para maiores informações, clique na imagem abaixo para acessar o relatório. Mais dados sobre a economia e o setor agropecuário estão disponíveis no Painel de Dados do portal da Faesp.
O mercado físico do boi gordo apresenta predominante acomodação em seus preços no decorrer desta sexta-feira (5), com muitas indústrias ausentes da compra de gado.
De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a abertura dos preços deve ocorrer entre segunda e terça-feira.
“Sob o prisma da demanda, o mercado ainda conta com sinais de aquecimento, com a demanda interna em seu auge, somado ao forte ritmo de embarques. É válido mencionar que os frigoríficos de maior porte sinalizam para escalas de abate confortáveis, o que pode limitar altas mais consistentes”, disse.
Preços médios da arroba do boi
São Paulo: R$ 324,50 — ontem: R$ 324,00
Goiás: R$ 315,71 — R$ 316,25
Minas Gerais: R$ 320,18 — R$ 320,53
Mato Grosso do Sul: R$ 320,00 — R$ 320,23
Mato Grosso: R$ 302,43 — R$ 301,49
Mercado atacadista
O mercado atacadista encerra a semana apresentando manutenção do padrão dos negócios no decorrer da sexta-feira.
Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere por novos reajustes dos preços, em especial dos cortes do traseiro bovino, muito demandados nessa época do ano, considerando o impacto da entrada do 13º terceiro salário, criação dos postos temporários de emprego e confraternizações inerentes ao período.
Quarto traseiro: ainda é precificado a R$ 26 por quilo;
Quarto dianteiro: segue cotado a R$ 18,50 por quilo;
Ponta de agulha: se mantém a R$ 18,50 por quilo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 2,33%, sendo negociado a R$ 5,4340 para venda e a R$ 5,4320 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,2980 e a máxima de R$ 5,4850. Na semana, a moeda teve valorização de 1,86%.
A decisão de Jair Bolsonaro de indicar seu filho Flávio como candidato da direita à Presidência em 2026 é um movimento que combina sobrevivência, risco e instinto político.
O gesto preserva o sobrenome que mobiliza parte significativa do eleitorado conservador, mas também coloca o campo da direita diante de um dilema grave: seguir unido em torno da família Bolsonaro ou buscar uma alternativa capaz de ampliar votos e dialogar com o centro.
A indicação acontece em um momento de turbulência inédita. Bolsonaro está inelegível, enfrenta problemas judiciais e depende do capital político que ainda possui para manter seu grupo vivo. O nome de Flávio surge como a solução “natural” para quem deseja preservar a identidade do bolsonarismo, mas essa solução cobra um preço alto.
A pergunta central é: Flávio Bolsonaro consegue unir a direita ou apenas o núcleo bolsonarista?
Cenário 1: a direita se une e Flávio se fortalece
No cenário mais favorável, os governadores aliados, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, aceitam a candidatura sem resistência. A centro-direita decide que derrotar a esquerda vale mais do que discutir sucessão familiar.
A presença de palanques fortes eleva a visibilidade de Flávio, enquanto o próprio Jair Bolsonaro atua como cabo eleitoral, mobilizando uma base fiel e ruidosa.
Se, nesse processo, Flávio adotar um discurso econômico moderado e apresentar uma equipe com nomes respeitados, o mercado reduz a desconfiança inicial. O resultado é uma candidatura competitiva, com rejeição estabilizada e capacidade de atrair o eleitor antipetista moderado. Nesse cenário, Flávio chegaria ao segundo turno com força.
É um caminho possível, mas exige disciplina política, o que historicamente nunca foi a maior virtude do grupo.
Cenário 2: Flávio vira candidato da direita, mas não da centro-direita
Hoje, este parece o cenário mais provável. O núcleo bolsonarista fecha com Flávio, mas parte da centro-direita hesita. O apoio existe, mas é morno. Governadores e dirigentes aceitam o nome para não romper com a base conservadora, mas evitam se comprometer totalmente.
A rejeição permanece alta, o mercado se mantém desconfiado e outros nomes começam a orbitar como alternativas mais moderadas. A disputa para ver quem representará efetivamente a “direita ampliada” cria ruído. Esse cenário leva a uma campanha em que Flávio tem força suficiente para ir ao segundo turno, mas não a ponto de chegar fortalecido.
É uma candidatura resiliente, porém limitada ao teto natural do bolsonarismo.
Cenário 3: a indicação implode a direita
No pior cenário, a escolha de Bolsonaro desperta rejeição explícita no centrão, nos governadores e em parte da própria direita. A acusação de “hereditariedade política” ganha terreno, e surgem alternativas para substituir o clã na disputa presidencial. Sem unidade, o campo conservador se fragmenta em três ou quatro candidaturas viáveis.
Somam-se a isso o desgaste judicial do ex-presidente, volatilidade econômica e a rejeição histórica ao sobrenome Bolsonaro — o que empurra o mercado, partidos e lideranças a buscar outro caminho. Nesse ambiente, Flávio se torna candidato de nicho, com 18% a 22% dos votos, incapaz de ir ao segundo turno.
Esse é, politicamente, o maior risco para a direita: sacrificar 2026 em nome da manutenção de um projeto familiar.
A escolha que define o futuro da direita
A designação de Flávio Bolsonaro é um movimento que simboliza mais do que a sucessão de Jair Bolsonaro. Representa a disputa entre identidade e viabilidade eleitoral. Manter o núcleo do bolsonarismo unido é fundamental para qualquer projeto conservador — mas isso não necessariamente garante competitividade nacional.
O sobrenome Bolsonaro continua poderoso. Mobiliza, arrasta multidões, cria engajamento. Mas também impõe um teto eleitoral e uma rejeição alta. A pergunta que a direita precisa responder é simples e brutal: vale mais preservar o bolsonarismo como símbolo ou maximizar as chances de vitória em 2026?
A resposta, qualquer que seja, definirá o caminho político do país nos próximos anos.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Preços do arroz atingem mínima de quatro anos com baixa demanda e exportação
Estimado usuário. Preencha o formulário abaixo para remeter a página.
Foto: Divulgação
Diante da baixa necessidade de compras no spot por parte da indústria e do enfraquecimento das exportações, o mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul permaneceu sob forte pressão baixista ao longo de novembro. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário, aliado ao avanço da semeadura e ao escoamento lento, levou as cotações aos menores patamares em mais de quatro anos.
O Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou novembro a R$ 53,28/saca, o mais baixo desde a primeira semana de abril de 2020 e acumulando quedas de 5,4% no mês e de 46,27% no ano. No campo, o cultivo da safra 2025/26 se aproxima do fim no Rio Grande do Sul, principal estado produtor.
O clima tem favorecido o desenvolvimento das lavouras, sustentando a expectativa de maior produtividade nesta temporada. Segundo o Irga, até o dia 27, a semeadura havia atingido 92% da área prevista, avanço de 2,8 pontos percentuais em uma semana.
O Departamento de Serviços Veterinários (DVS) da Malásia emitiu, nesta sexta-feira (5), uma nota proibindo a importação de suínos e produtos suínos da Espanha, com exceção de produtos “retort” (processados termicamente em embalagens seladas).
A medida, que entra em vigor imediatamente, foi tomada em resposta ao surto de Peste Suína Africana (PSA) no país europeu, reportado à Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH, na sigla em inglês) em 28 de novembro de 2025.
O governo malaio estabeleceu critérios específicos para permitir a entrada de cargas que já estavam no processo logístico.
A importação será autorizada apenas se o Certificado de Saúde Veterinária tiver sido emitido pelas autoridades espanholas até a data de 28 de novembro de 2025. Adicionalmente, a data de abate dos animais deve ser anterior a 14 de novembro de 2025 e a data de processamento do produto deve ser anterior a 28 de novembro de 2025.
Os importadores devem coordenar com o Serviços de Quarentena e Inspeção da Malásia (MAQIS) a aplicação das licenças para as remessas que cumpram esses requisitos rigorosos.
O vírus foi detectado inicialmente no final do mês passado em javalis em uma área próxima a Barcelona, e novos casos foram encontrados desde então, o que motivou o alerta sanitário e as restrições comerciais subsequentes.
O mercado brasileiro de soja apresentou indicações aquecidas hoje, principalmente no porto. De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, o dia foi marcado por um dólar com altas expressivas, enquanto a soja recuou na CBOT, mas não o suficiente para anular o efeito cambial nos preços. Os prêmios tiveram poucos ajustes, resultando em altas de preços na maior parte das regiões do país.
Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link! 🌱
Houve reporte de melhores movimentos na comercialização, tanto para quem ainda tinha soja disponível quanto para a safra nova. O resto da semana foi bem vagaroso, sem novidades e travado. Todos aguardam o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na próxima terça-feira, 9 de dezembro.
Preços de soja no Brasil
Passo Fundo: subiu de R$ 137,00 para R$ 140,00
Santa Rosa: subiu de R$ 138,00 para R$ 140,50
Cascavel: manteve em R$ 136,00
Rondonópolis: caiu de R$ 125,00 para R$ 123,00
Dourados: manteve em R$ 126,00
Rio Verde: subiu de R$ 127,00 para R$ 130,00
Paranaguá: subiu de R$ 141,50 para R$ 144,00
Rio Grande: subiu de R$ 144,00 para R$ 146,00
Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta sexta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Foi a primeira queda semanal em oito semanas, resultado da incerteza sobre o tamanho da demanda chinesa pelo produto americano. Os agentes já posicionam carteira à espera dos números de dezembro do USDA, que serão divulgados na terça-feira, 9 de dezembro.
O USDA informou vendas de cerca de 2,7 milhões de toneladas de soja dos EUA para a China desde 30 de outubro. Hoje foram anunciadas mais 462 mil toneladas vendidas para a China.
No fim de outubro, Washington e Pequim chegaram a uma trégua na disputa comercial que havia interrompido as compras chinesas de soja dos EUA. As compras totais da China seguem abaixo da meta de 12 milhões de toneladas mencionada por autoridades dos EUA.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, adiou o prazo para atingir essa meta para o fim de fevereiro, em vez do fim de dezembro.
O USDA deverá indicar elevação na projeção para os estoques finais dos Estados Unidos em 2025/26. Os dados para oferta e demanda americana e mundial serão divulgados na terça-feira, 9 de dezembro, às 14h.
Analistas indicam que os estoques americanos em 2025/26 deverão ficar em 309 milhões de bushels, contra 290 milhões previstos em novembro.
Quanto ao quadro de oferta e demanda mundial, o mercado aposta em estoques finais 2024/25 de 123,4 milhões de toneladas. Em novembro, o número ficou em 123,3 milhões. A indicação do USDA para 2025/26 deverá ser de 122,8 milhões de toneladas, contra 122 milhões projetados em novembro.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em janeiro fecharam com baixa de 14,25 centavos de dólar, a US$ 11,05 1/4 por bushel. A posição março teve cotação de US$ 11,16 por bushel, com retração de 12,75 centavos de dólar.
Nos subprodutos, a posição janeiro do farelo fechou com baixa de US$ 3,80 a US$ 307,40 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em janeiro fecharam a 51,69 centavos de dólar, com perda de 0,10 centavo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 2,33%, sendo negociado a R$ 5,4340 para venda e a R$ 5,4320 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,2980 e a máxima de R$ 5,4850. Na semana, a moeda teve valorização de 1,86%
A rastreabilidade da soja foi o tema central do evento Agro em Código, realizado em São Paulo e promovido pela Embrapa, GS1 e Cubo. O encontro reuniu especialistas, entidades do setor e empresas para discutir soluções que atendam às exigências da EUDR, nova lei antidesmatamento da União Europeia, que passa a exigir comprovação de origem legal e ausência de desmatamento em toda a cadeia produtiva.
Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link! 🌱
Stanley Oliveira, chefe geral da Embrapa Agricultura Digital, abriu o evento destacando a importância da tecnologia para os produtores e o protagonismo da Embrapa.
“Queremos tornar a jornada mais leve para os agricultores, socializando soluções digitais que estejam ao alcance de todas as classes do setor. A Embrapa está comprometida em colocar a ciência e a tecnologia a serviço da sustentabilidade e da rastreabilidade”
Embrapa Trace e rastreabilidade
Um dos destaques do evento foi a plataforma Embrapa Trace, como um certificado digital capaz de integrar, validar e organizar todas as evidências de sustentabilidade da soja. A plataforma permite rastrear desde fazendas e áreas de produção até armazéns, transportes e origens dos lotes, oferecendo equivalência, reconhecimento, transparência e não redundância, pilares essenciais para atender à EUDR.
Anderson Alves, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, explicou o papel central da Embrapa. “A Embrapa entra desenvolvendo soluções integradas e protocolos digitais que permitem que tanto ações governamentais quanto o mercado privado acessem dados confiáveis e padronizados”, explicou.
O Embrapa Trace começou a ser validado com aporte do Mapa e do Banco Mundial para cadeias da carne bovina, couro, soja e café. A tecnologia permite mapear fazendas, validar dados, rastrear transportes e analisar armazéns, criando um ‘metacertificado’ que garante conformidade e integridade em toda a cadeia. De acordo com o apresentado, tem redução de gastos, acesso facilitado a mercados, credibilidade e cobertura completa.
“Cada etapa do processo abre oportunidades para novos protocolos, seja na validação de propriedade, análise de armazém ou rastreamento de transporte. É uma tecnologia que garante integridade e confiança de ponta a ponta”, comentou Alves.
EUDR e plataformas sustentáveis
No primeiro painel, o foco foi a legislação europeia. Em seguida Bruno Vilela, superintendente da Serpro, apresentou a plataforma Agro mais Sustentável, ferramenta digital gratuita de adesão voluntária que integra sistemas governamentais de identificação pessoal, cadastro de propriedades, conformidade trabalhista e ambiental.
“A plataforma vem justamente para atender à demanda global por uma agricultura mais sustentável. Já temos diversos produtores utilizando e qualificando sua produção”, explicou Vilela.
Visão da indústria
Pedro Garcia, gerente de sustentabilidade da Abiove, afirmou que a cadeia da soja brasileira já apresenta alto grau de preparação para cumprir as exigências europeias. ”Se a EUDR estivesse em vigor hoje, grande parte das empresas brasileiras já teria condições de fornecer todas as informações necessárias. O desafio é padronizar um documento oficial de aceitação, evitando que cada empresa crie seu próprio formato de comprovação”, disse.
Garcia reforçou que o setor precisa continuar evidenciando práticas consolidadas, como mapeamento de fazendas, controle de áreas e critérios ambientais rigorosos, complementadas pela Moratória da Soja.
Financiamento verde e tecnologias digitais
O evento também destacou o papel da taxonomia sustentável e do crédito verde. Instituições financeiras apontaram que produtores com alto nível de rastreabilidade e boas práticas agrícolas tendem a ter acesso facilitado a financiamentos.
Tecnologias como inteligência artificial, big data e blockchain aparecem como reforços estratégicos para aumentar a confiabilidade dos dados e reduzir gargalos históricos, como a dificuldade de rastrear toda a origem dos volumes de soja na cadeia.
O setor
Ficou evidente que a soja brasileira está preparada para atender às exigências internacionais, com sistemas sólidos de controle, rastreabilidade, validação e mapeamento. A integração entre Embrapa Trace, Agro mais Sustentável e protocolos privados cria um ambiente seguro e confiável, fortalecendo a posição do Brasil como líder global em produção sustentável e consolidando a Embrapa como protagonista na construção de uma cadeia transparente e tecnológica.
O leilão do megaterminal Tecon Santos 10 foi adiado para fevereiro de 2026 por conta da indefinição do modelo de concessão. Há disparidades no Tribunal de Contas da União (TCU) a respeito da entrada ou não de empresas que já operam no cais na primeira fase do certame.
O deputado federal Tião Medeiros, membro da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), bancada que já se posicionou a favor da proposta da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antac) pelo bloqueio inicial de companhias já estabelecidas no cais, ressaltou que, na tentativa de acelerar os trâmites, o Congresso realizou audiências públicas para entender a opinião dos usuários do setor.
“Afinal de contas, para nós é estratégico e importante que quem usa, quem paga a conta no final do dia, é que possa opinar e ser ouvido de forma definitiva [a respeito do modelo do leilão].”
Segundo ele, o atendimento à proposta do Ministério de Portos e Aeroportos e da Antac certifica que não haja concentração de mercado e que se possa estimular novos participantes. “A gente sabe que a concorrência é saudável, é salutar, onde há disputa comercial e concorrencial se tem oportunidades melhores de preço. Isso vai, no final do dia, alcançar o usuário do sistema, o importador, o exportador, que é quem no final das contas sempre paga por essa conta”, declara.
De acordo com o deputado, ainda que o TCU tenha autonomia para decidir a respeito do modelo de leilão, a FPA espera que os ministros respeitem o definidor de políticas públicas do setor, que é o Ministério de Portos e Aeroportos.
O parlamentar ainda destaca a importância do Tecon 10, que deve ampliar a capacidade de movimentação do Porto de Santos em 50%, em um investimento avaliado em R$ 6,45 bilhões. “Esse terminal é tão estratégico que nós sairemos da 46ª posição global para a 15ª posição no mundo em capacidade de movimentação de contêineres”, enfatiza.
Para ele, o modelo proposto pelo governo federal também contempla um terminal sustentável com equipamentos elétricos. “Isso reduz o custo logístico da operação portuária e vai refletir, obviamente, no custo da tarifa que o brasileiro vai pagar na movimentação portuária de contêineres, além de elevar o nível de serviços. Isso coloca o Brasil perante à comunidade internacional em uma condição muito privilegiada”, considera.
O parlamentar da FPA também enfatiza que a falta de terminais nos portos do país afeta não apenas o importador e o exportador, mas o cidadão comum, uma vez que a fila de navios para atracar custa ao país cerca de R$ 1 bilhão por mês.
“Temos urgência que esse leilão possa acontecer e se viabilizar, que esse terminal aconteça o quanto antes. Ele não é bom apenas para o estado de São Paulo, mas para todo o país. Uma boa parte do país utiliza o Porto de Santos, que é estratégico. Os estados do Centro-Oeste, muito especialmente, que não têm acesso ao mar, fazem muito uso do Porto de Santos”, conclui.