sábado, julho 25, 2026

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Goiás regista a maior safra de cana-de-açúcar dos últimos 10 anos


Goiás alcançou o segundo lugar no ranking nacional de produção de cana-de-açúcar, conforme dados do 4º levantamento da safra 2025/26 divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento. O estado registrou a maior safra dos últimos dez anos, com produção estimada em 80,1 milhões de toneladas, volume 2% superior ao ciclo anterior. As informações foram divulgadas na edição de maio do informativo Agro em Dados publicado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás.

Segundo o levantamento, o avanço foi impulsionado pelo crescimento de 6,3% da área plantada, que ultrapassou 1 milhão de hectares cultivados, além dos investimentos em tecnologia, manejo agrícola e eficiência produtiva. O desempenho consolidou Goiás entre os principais polos do setor sucroenergético nacional.

Os dados apresentados pela Companhia Nacional de Abastecimento mostram que, na última década, Goiás registrou crescimento acima da média nacional no setor. Enquanto a produção brasileira avançou 2,4% no período, o estado teve alta de 18,5%. A produtividade das lavouras goianas cresceu 10,7%, frente ao avanço de 3,5% observado no país. Já a área colhida no estado aumentou 7,1%, enquanto o cenário nacional registrou retração de 1%.

O relatório também aponta que Goiás ampliou sua participação na agroindustrialização da cana-de-açúcar e na produção de derivados. O Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador que mede o potencial de produção de açúcar e etanol a partir da cana, alcançou 10,7 milhões de toneladas, colocando o estado na segunda posição nacional. Na produção de açúcar cristal, Goiás atingiu 3 milhões de toneladas e assumiu o terceiro lugar no ranking brasileiro.

Na produção de etanol de cana, o estado aparece em segundo lugar no país, com 4,5 bilhões de litros produzidos, volume equivalente a 16,7% da produção nacional. O resultado reforça a relevância do setor sucroenergético goiano para o abastecimento interno e para o mercado de biocombustíveis.

De acordo com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, o setor também mantém presença significativa no comércio exterior. Dados do painel de Comércio Exterior da Plataforma Aroeira mostram que o açúcar de cana representou 91,7% do valor exportado pelo segmento em 2025. O complexo sucroalcooleiro goiano alcançou 58 destinos internacionais, com embarques de açúcar para 55 países e de álcool etílico para 10 mercados.

A estimativa inicial para a safra 2026/27 aponta produção de 79,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em Goiás. A área destinada à colheita deve permanecer acima de 1 milhão de hectares, enquanto a produtividade média é estimada em 77,7 toneladas por hectare.

Com expectativa de estabilidade na área plantada, produtividade e produção, Goiás deve seguir entre os principais produtores de cana-de-açúcar do Brasil, mantendo participação relevante no setor sucroenergético nacional.





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Fila nos portos pressiona contratos do agronegócio


O risco jurídico no agro ganhou força em 2026 com o avanço das filas de navios nos portos brasileiros e a instabilidade em rotas internacionais. O problema, que começa na logística, pode atingir diretamente produtores, tradings e operadores envolvidos nas exportações de commodities agrícolas, principalmente quando há atraso na entrega, cobrança de demurrage e divergência sobre quem deve assumir os prejuízos.

Atraso logístico vira problema contratual

A demora para embarcar commodities agrícolas deixou de ser tratada apenas como gargalo operacional. Em um mercado guiado por prazos, câmbio, frete e compromissos internacionais, cada dia de espera pode gerar efeito jurídico e financeiro sobre a cadeia exportadora. Quando o navio não é liberado no período previsto, surgem custos adicionais e aumenta a possibilidade de questionamentos entre as partes do contrato.

Esse ambiente preocupa porque a exportação agrícola depende de previsibilidade. Produtores, tradings e operadores logísticos assumem compromissos com base em datas de entrega, disponibilidade portuária e capacidade de escoamento. Quando esses fatores falham, contratos que pareciam seguros passam a depender da interpretação de cláusulas sobre responsabilidade, atraso e eventos excepcionais.

Quem paga a conta do atraso?

Na avaliação do advogado Edemilson Wirthmann Vicente, a origem do atraso é decisiva para definir quem pode responder pelos prejuízos. Quando o problema ocorre dentro dos portos brasileiros, como em casos de congestionamento ou falhas operacionais, a responsabilidade tende a recair sobre os operadores portuários, conforme explicou o especialista durante a entrevista.

O cenário muda quando o atraso tem relação com fatores externos. Situações como o bloqueio do Estreito de Hormuz envolvem outros agentes da cadeia, entre eles armadores, seguradoras e importadores. Nesses casos, o exportador brasileiro fica em uma posição mais sensível, porque precisa observar não apenas o contrato firmado, mas também a legislação aplicável e a forma como os riscos foram distribuídos entre as partes.

Força maior pode ser contestada

A cláusula de força maior aparece como uma das principais dúvidas nesse tipo de conflito. Embora seja usada para situações imprevisíveis, Edemilson Wirthmann Vicente avalia que os atrasos portuários recorrentes no Brasil podem deixar de ser enquadrados nessa categoria. A razão é que, quando o gargalo se repete e já é conhecido pelo mercado, ele perde parte do caráter excepcional.

Em crises internacionais, a análise também não é automática. O advogado destaca que a caracterização de força maior depende da demonstração de que houve impossibilidade real de cumprir o contrato. Como as exportações seguem ocorrendo por rotas alternativas em muitos casos, a justificativa pode ser questionada por compradores, seguradoras ou demais partes envolvidas na operação.

Prejuízo vai além da multa portuária

A demurrage é uma das consequências mais visíveis dos atrasos, mas não é a única. O custo adicional pode vir acompanhado de variação cambial, despesas logísticas extras, renegociação de prazos e desgaste comercial. Para o exportador, isso significa que o impacto financeiro pode se ampliar rapidamente, sobretudo quando o contrato não define com precisão como lidar com congestionamento portuário ou interrupções externas.

Além do caixa, há um risco de imagem. Atrasos recorrentes podem afetar a reputação comercial do Brasil no exterior, especialmente em negócios que dependem de regularidade e confiança. Para o agronegócio, que atua em cadeias globais e altamente competitivas, a segurança jurídica passa a ser tão relevante quanto a capacidade de produzir e embarcar.

Revisão de contratos deve ser preventiva

Diante desse quadro, a orientação do advogado é que exportadores revisem contratos e seguros antes que o conflito se instale. Entre os pontos de atenção estão cláusulas específicas sobre congestionamento portuário, risco de guerra, prazos flexíveis, renegociação automática e mecanismos de resolução de disputas.

Edemilson Wirthmann Vicente também recomenda que atrasos sejam documentados de forma rigorosa. Registros de comunicação, notificações, comprovantes operacionais e histórico dos eventos podem ser decisivos em uma eventual defesa judicial ou arbitral. “Proteção contratual e cambial precisam caminhar juntas”, afirmou o advogado.

Competitividade depende de previsibilidade

A combinação entre gargalos internos e instabilidade externa reforça a necessidade de o setor exportador tratar logística e contratos como partes da mesma estratégia. Segundo Edemilson Wirthmann Vicente, o risco para a competitividade brasileira não está apenas na geopolítica, mas também na deficiência estrutural dos portos.

Para produtores, tradings, cooperativas e empresas do setor, a mensagem é direta: contratos pouco detalhados aumentam a exposição a perdas. Em um ano marcado por filas de navios e incertezas nas rotas internacionais, a prevenção jurídica pode ser o fator que separa uma renegociação administrável de uma disputa milionária.





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PL dos safristas avança e pode dar mais segurança à fruticultura


A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) celebra a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei 715/2023, que estabelece novas regras para a contratação de trabalhadores safristas e garante que esses profissionais possam atuar em contratos temporários durante os períodos de safra sem perder o acesso aos benefícios sociais.

A medida representa um avanço importante para a fruticultura brasileira, atividade reconhecida por sua alta intensidade de mão de obra e pela necessidade de contratações sazonais em diferentes etapas da produção, principalmente nos períodos de colheita e pós-colheita.

O setor enfrenta, há anos, desafios relacionados à disponibilidade de trabalhadores, informalidade e insegurança jurídica nas contratações temporárias, fatores que impactam diretamente o planejamento das operações e a competitividade da cadeia produtiva.

De autoria do deputado Zé Vitor (PL-MG), o texto permite que trabalhadores sejam contratados para atividades sazonais sem perda dos benefícios sociais, trazendo mais previsibilidade tanto para o produtor quanto para o trabalhador rural.

Para o diretor técnico da Abrafrutas, Edson Brok, a aprovação do projeto atende uma demanda histórica do setor e contribui para modernizar as relações de trabalho no campo.

“A fruticultura é uma atividade intensiva em mão de obra e possui características muito específicas, com forte necessidade de trabalhadores em determinados períodos do ciclo produtivo. Essa aprovação traz mais segurança jurídica, reduz a informalidade e cria condições para que o produtor consiga planejar melhor suas operações”, afirma.

Brok destaca ainda que a medida beneficia toda a cadeia produtiva. “É um avanço importante porque permite conciliar a necessidade do setor com a proteção social ao trabalhador. O produtor ganha previsibilidade e o trabalhador pode atuar nas safras sem perder benefícios, fortalecendo o emprego e a produção no campo”, ressalta.

Vale lembrar que a regulamentação das contratações safristas esteve entre as demandas apresentadas pelo setor produtivo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do atual mandato, durante encontro com representantes da fruticultura. Na ocasião, lideranças do setor destacaram a necessidade de mecanismos que ampliassem a segurança jurídica e modernizassem as relações trabalhistas no campo.

A pauta ganha ainda mais relevância para a fruticultura, uma das atividades agrícolas que mais geram empregos no país e possuem maior demanda por mão de obra sazonal. De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a fruticultura emprega aproximadamente 5 milhões de trabalhadores ao longo de toda a cadeia produtiva, o que equivale a 16% de toda a força de trabalho do agronegócio.

Com a aprovação do PL 715/2023, o setor avalia que o país avança para um ambiente mais moderno, competitivo e alinhado às necessidades da produção agropecuária brasileira.

 





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Algas marinhas ganham espaço na agricultura


O uso de tecnologias voltadas ao fortalecimento fisiológico das plantas tem ganhado espaço nas lavouras brasileiras diante da busca por maior produtividade, redução de custos e adoção de práticas sustentáveis. Em artigo intitulado “Tecnologia à base de algas melhora desempenho da soja, milho e algodão no Brasil”, Bruno Carloto afirma que produtores de culturas como soja, milho e algodão têm ampliado o interesse por soluções que contribuam para a estabilidade e eficiência das lavouras ao longo do ciclo produtivo.

Segundo o autor, o avanço dessas tecnologias ocorre em um momento de forte crescimento da produção agrícola brasileira. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e da Companhia Nacional de Abastecimento indicam que a produção nacional de grãos gira em torno de 355 milhões de toneladas por safra. A soja responde por cerca de 178 milhões de toneladas, enquanto o milho supera 138 milhões. Já o algodão se aproxima de 4 milhões de toneladas produzidas.

No artigo, Bruno Carloto destaca que fatores como disponibilidade de água, equilíbrio nutricional e condições ambientais influenciam diretamente o metabolismo das plantas. Segundo ele, situações de estresse podem comprometer processos importantes, como absorção de nutrientes e fotossíntese, afetando o rendimento final das lavouras. “Por isso, o manejo precisa ser cada vez mais técnico e integrado, com soluções que ajudam a manter o bom desempenho das lavouras”, afirma.

Nesse cenário, os bioestimulantes à base de algas marinhas têm ampliado presença no manejo agrícola. O autor ressalta que os extratos da alga Ascophyllum nodosum possuem compostos naturais capazes de atuar no equilíbrio fisiológico das plantas, favorecendo crescimento mais uniforme e fortalecimento do sistema radicular.

De acordo com o artigo, os efeitos variam conforme a cultura. Na soja e no milho, a tecnologia auxilia na formação inicial das plantas e aumenta a eficiência da absorção de nutrientes. Já no algodão, contribui para a uniformidade dos talhões e para a recuperação das plantas após períodos de estresse climático.

O texto também aponta que os bioestimulantes podem melhorar o aproveitamento dos insumos agrícolas. Com um sistema radicular mais ativo, as plantas conseguem utilizar melhor os nutrientes disponíveis no solo, reduzindo perdas e aumentando o retorno sobre o investimento realizado pelo produtor.

Para Bruno Carloto, o uso de bioestimulantes à base de Ascophyllum nodosum se consolida como uma ferramenta do manejo agrícola moderno. “Ao favorecer o equilíbrio fisiológico das plantas e impulsionar o desempenho de culturas importantes para o Brasil, as algas contribuem para uma produção mais eficiente, sustentável e preparada para os desafios atuais e futuros do setor”, conclui.





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Cacau recua com expectativa de maior oferta africana


O mercado internacional de cacau voltou a operar sob forte pressão, em um movimento de correção após semanas de valorização e maior cautela dos agentes em relação à oferta global. Segundo informações da StoneX, os contratos encerraram o pregão desta segunda-feira, 17, com queda próxima de 6%, retornando para abaixo do patamar psicológico de US$ 4.000 por tonelada.

A baixa reverteu parte expressiva dos ganhos recentes, em um cenário no qual o cacau havia superado US$ 4.500 por tonelada apenas cinco dias antes. O recuo ocorreu depois de três semanas consecutivas de alta, período marcado por um rali sustentado principalmente por liquidações de posições no mercado e por preocupações climáticas em regiões produtoras da África Ocidental.

O movimento desta segunda-feira foi interpretado como uma realização técnica, associada a uma mudança na percepção de risco sobre a oferta. Entre os fatores que contribuíram para a pressão sobre as cotações, ganhou força no mercado o rumor de que a Costa do Marfim poderia revisar para cima sua estimativa de produção na safra 2025/26.

A nova projeção, ainda tratada como rumor no mercado, indicaria uma colheita de 2,2 milhões de toneladas no país africano, acima da faixa estimada anteriormente, entre 1,8 milhão e 1,9 milhão de toneladas. A possível revisão estaria relacionada a condições climáticas mais favoráveis, que poderiam ampliar o potencial produtivo da safra.

Com isso, a perspectiva de uma produção africana acima do esperado reduziu parte do prêmio de risco incorporado aos preços nas últimas semanas. O ajuste também sinaliza maior sensibilidade do mercado a qualquer mudança nas expectativas de oferta, especialmente após um período de forte recuperação das cotações.

Apesar da queda acentuada, o comportamento recente dos preços mostra que o mercado segue atento às condições climáticas e às informações sobre produção na África Ocidental. A combinação entre rumores de maior oferta e realização de lucros foi suficiente para interromper o movimento de alta e recolocar os contratos abaixo de um nível considerado relevante pelos agentes.

 





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Presidente do Líbano diz que futuro acordo não cederá território


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17 Abr (Rtrs) – O presidente do Líbano, Joseph Aoun, disse nesta sexta-feira que qualquer acordo futuro alcançado pelo governo não cederia nenhum território ou prejudicaria os direitos nacionais do Líbano, sem dizer se estava se referindo a possíveis negociações com Israel.

O discurso televisionado foi seu primeiro discurso desde que os EUA intermediaram um cessar-fogo para acabar com os combates entre Israel e o grupo armado Hezbollah na quinta-feira. O texto do acordo diz que Israel e o Líbano manteriam conversações diretas para produzir uma “paz entre os dois países”.

(Reportagem de Enas Alashray e Laila Bassam)

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Microrganismos viabilizam cultivo de milho em solos com excesso de sal


Uma pesquisa conduzida pela Embrapa em parceria com a Brandeis University identificou que arqueias extremófilas — microrganismos adaptados a ambientes extremos — podem aumentar a tolerância do milho ao excesso de sal no solo e manter o desenvolvimento das plantas mesmo sob estresse salino. O estudo foi publicado no periódico Environmental Microbiome e aponta potencial para ampliar a produção agrícola em áreas afetadas pela salinização.

Os pesquisadores observaram que as arqueias conseguem colonizar a rizosfera, região do solo próxima às raízes onde ocorrem intensas interações químicas e biológicas. Os microrganismos foram isolados das raízes da erva-sal (Atriplex nummularia), planta naturalmente adaptada a ambientes salinos e utilizada em processos de fitorremediação.

Após o cultivo em laboratório, os organismos foram aplicados em plantas de milho, cultura considerada estratégica para a produção de alimentos, mas sensível ao acúmulo de sais no solo. Segundo os pesquisadores, a salinidade reduz o crescimento das plantas e compromete a produtividade das lavouras.

Nos experimentos realizados em ambiente controlado, as arqueias reduziram os efeitos tóxicos do sal nas plantas de milho. O estudo apontou que as plantas tratadas apresentaram crescimento mais vigoroso e maior tolerância fisiológica em comparação às que não receberam os microrganismos.

A pesquisa também utilizou análise por qPCR, técnica molecular usada para medir a presença de microrganismos em amostras biológicas. O resultado confirmou a colonização das raízes do milho pelas arqueias, cuja abundância aumentou conforme os níveis de salinidade do solo avançavam.

O sequenciamento completo do genoma das arqueias identificou genes ligados à produção de fitormônios, como auxinas, além de osmoprotetores, substâncias que auxiliam no equilíbrio hídrico celular em ambientes salinos. Segundo os pesquisadores, os microrganismos contribuíram para elevar a biomassa das plantas e preservar os níveis de clorofila mesmo em condições de alta concentração de sal.

O estudo reforça o potencial do uso dessas arqueias como ferramenta biotecnológica para fortalecer a produção agrícola em áreas degradadas pela salinização. Diferentemente das bactérias, as arqueias pertencem a um domínio próprio de seres vivos e se destacam pela capacidade de sobreviver em condições químicas severas.

O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Itamar Melo, responsável pela coordenação do estudo, afirmou que a salinização reduz significativamente o uso agrícola de diversas áreas produtivas. “O problema não se restringe ao Semiárido, onde cerca de 30% das áreas irrigadas são atingidas pela salinização. Está presente em várias regiões do Brasil e do mundo”.

Segundo Melo, a utilização de microrganismos adaptados naturalmente a ambientes salinos pode ajudar a reduzir os impactos da salinidade sobre as lavouras e ampliar o cultivo em áreas antes consideradas improdutivas.

O pesquisador também destacou que fatores como alta evaporação e irrigação com água salobra agravam o problema em diferentes regiões agrícolas. “Nesse contexto, inoculantes microbianos à base de arqueias surgem como inovação promissora no campo dos bioinsumos e podem abrir uma nova frente para a agricultura em áreas degradadas”.

A pesquisa foi liderada por João Paulo Ventura, pesquisador com vinculação científica à Embrapa Meio Ambiente, onde desenvolveu sua tese de doutorado. Segundo ele, os resultados ajudam a ampliar o entendimento sobre o papel das arqueias na agricultura.

Ventura afirmou que os experimentos demonstraram a capacidade das arqueias de colonizar as raízes do milho mesmo em ambientes com altos níveis de salinidade. “A abundância desses microrganismos aumenta à medida que se elevam os níveis de sal no solo, o que indica adaptação às condições adversas e potencial de aplicação em áreas afetadas pela salinidade”.

De acordo com o pesquisador, o estudo também muda a percepção científica sobre esses organismos. “De curiosidades da microbiologia associadas a ambientes extremos, as arqueias passam a ser vistas como ferramentas biotecnológicas concretas, com potencial para sustentar a produtividade agrícola e contribuir para a segurança alimentar em áreas afetadas pela salinização e pelas mudanças climáticas”, afirma.

A pesquisa dialoga com um problema considerado estrutural para a agricultura, especialmente no Semiárido brasileiro. Dados da Embrapa indicam que o Brasil possui cerca de 16 milhões de hectares de solos afetados por sais, sendo mais da metade localizada no Semiárido nordestino.

Segundo o levantamento, entre 20% e 25% das áreas irrigadas da região já apresentam problemas relacionados à salinidade ou à drenagem, afetando culturas como milho, feijão, algodão e sorgo.

Em escala global, relatórios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura apontam que 1,38 bilhão de hectares possuem algum grau de salinidade e outro 1 bilhão está sob risco. Ainda de acordo com os dados, entre 20% e 50% das áreas irrigadas do planeta sofrem perdas de fertilidade e produtividade.

Estimativas mais conservadoras apontam que cerca de 833 milhões de hectares já são afetados de forma moderada a severa pela salinização. O impacto é mais intenso em regiões secas e semiáridas, onde a irrigação é fundamental para a produção de alimentos.

Um mapeamento da Organização das Nações Unidas relaciona a salinização do solo a impactos diretos sobre a segurança alimentar. Segundo o levantamento, cerca de 1,5 bilhão de pessoas vivem em regiões onde o avanço da salinidade ameaça a estabilidade da produção agrícola.

Os pesquisadores avaliam que os resultados obtidos em laboratório indicam potencial para testes em condições reais de produção nos próximos anos. A proposta inclui o desenvolvimento de bioinoculantes à base de arqueias adaptadas a ambientes salinos, aplicados diretamente nas sementes ou no solo antes do plantio.

A expectativa é que a tecnologia possa ajudar culturas como milho, feijão e hortaliças a manterem produtividade em áreas irrigadas com água salobra, situação comum no Semiárido nordestino. Segundo os pesquisadores, a integração dessa estratégia com práticas já utilizadas no manejo agrícola poderá reduzir os impactos da salinização, aumentar a resiliência das lavouras e contribuir para a segurança alimentar.

O que é salinização do solo?

É um processo de acúmulo excessivo de sais solúveis (como cloretos e sulfatos de sódio) nas camadas superiores do solo, o que reduz sua fertilidade e produtividade agrícola. Esse fenômeno pode ocorrer naturalmente — especialmente em regiões áridas e semiáridas —, mas é intensificado por atividades humanas, como irrigação inadequada, manejo hídrico deficiente e uso excessivo de fertilizantes.

•Climas secos e evaporação alta: a água evapora e os sais ficam na superfície.

•Irrigação mal drenada: excesso de água sem saída adequada faz subir o nível freático, acumulando sais.

•Uso de água com salinidade alta: irrigar com água salobra também tende a concentrar sais.





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Aprosoja MT fortalece ações de prevenção e combate aos incêndios junto aos produtores rurais


Com a chegada do período de estiagem em Mato Grosso e o aumento do risco de incêndios florestais, produtores rurais de diferentes regiões do estado reforçam ações preventivas dentro das propriedades e destacam o compromisso do setor com a preservação ambiental e o combate às queimadas. Em meio aos desafios enfrentados durante os meses mais secos do ano, agricultores têm investido em estrutura, treinamento de equipes e atuação conjunta entre propriedades vizinhas para impedir que o fogo cause prejuízos ambientais e econômicos.

 

Em Mato Grosso, estado que reúne os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, o cenário climático exige atenção redobrada durante o período seco. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o estado registra elevados índices de focos de calor anualmente, reforçando a necessidade de ações preventivas permanentes. Nesse contexto, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) tem intensificado o trabalho de orientação e conscientização junto aos produtores rurais, incentivando medidas de prevenção e fortalecendo iniciativas regionais de combate aos incêndios.

 

Vice-coordenador da Comissão de Sustentabilidade da entidade, Nathan Belusso, explica que o produtor rural é um dos maiores interessados na preservação das áreas produtivas e ambientais, já que o fogo representa prejuízos diretos ao solo, às lavouras, às estruturas das propriedades e aos recursos naturais. “O produtor rural tende a proteger as suas florestas, as suas plantações e toda a sua área produtiva, afinal de contas, aquele é o seu ganha-pão e o fogo destrói tudo. O produtor depende da terra para produzir e preservar a qualidade do solo é fundamental para garantir produtividade e sustentabilidade”, destacou.

 

Segundo Nathan, além das perdas ambientais, os incêndios podem comprometer áreas agrícolas inteiras, atingir maquinários, cercas, pastagens e reduzir a fertilidade do solo. “Quando uma área agrícola é atingida pelo fogo, há perda de matéria orgânica e de fertilizantes já aplicados. Muitas vezes o produtor leva anos para recuperar a qualidade daquela área novamente”, explicou.

 

Ele também ressalta que os produtores rurais costumam ser os primeiros a atuar no combate aos incêndios, especialmente em regiões mais distantes dos centros urbanos. “O produtor faz o primeiro combate e atua como uma importante linha de defesa contra os incêndios. Muitas vezes é essa ação rápida que impede que o fogo tome grandes proporções”, afirmou.

 

Para fortalecer esse trabalho, a Aprosoja MT tem incentivado a formação de grupos regionais de apoio entre produtores vizinhos, além de treinamentos e orientações técnicas voltadas à prevenção e ao combate inicial às chamas. “Quando ocorre um incêndio, os produtores da região se mobilizam com caminhões-pipa, tanques de água, grades e maquinários para auxiliar no combate. Esse trabalho conjunto é muito importante para evitar que o fogo avance para outras áreas”, ressaltou Nathan.

 

Na prática, produtores rurais de diferentes regiões do estado relatam que a prevenção tem feito parte da rotina dentro das propriedades. Associado do núcleo de Primavera do Leste, Júlio César Bravin afirma que mantém uma série de medidas preventivas durante as operações agrícolas, especialmente no período de colheita. “Durante a colheita, todas as propriedades contam com caminhão-pipa acompanhando as máquinas, além de equipamentos de apoio e monitoramento constante. Caso aconteça algum foco de incêndio, conseguimos controlar rapidamente”, relatou.

 

Bravin também destaca que mantém cuidados específicos em áreas próximas às redes de alta tensão e reforça que preservar o meio ambiente faz parte da responsabilidade do produtor rural. “Essas ações reforçam o compromisso do produtor com a preservação da fauna, da flora, do solo e das nascentes”, afirmou.

 

Também em Primavera do Leste, o produtor Amauri Segatto relata que intensificou os investimentos em prevenção após enfrentar incêndios em anos anteriores. Hoje, a propriedade conta com brigada interna treinada, tanques de água e monitoramento constante das áreas de risco. “A gente trabalha continuamente na prevenção e no combate rápido aos focos de incêndio para proteger tanto as áreas produtivas quanto as áreas de vegetação”, destacou.

 

Em Nova Mutum, o associado Jairo Carneiro explica que mantém equipes e estruturas de prontidão durante o período mais crítico da estiagem. Segundo ele, entre as principais medidas adotadas estão a construção de aceiros, manutenção de comboios de combate e equipes preparadas para atuação imediata. “Todo ano fazemos aceiros na propriedade e também internos para prevenir a dispersão do fogo. Mantemos equipes de prontidão justamente para agir rapidamente caso necessário”, explicou.

 

Já em Rondonópolis, o produtor Jorge Augusto Salles reforça que o cuidado com o solo é uma prioridade para quem vive da produção rural. “O maior ativo do produtor é o solo. É nele que está todo o investimento, dedicação e trabalho desenvolvido ao longo dos anos”, afirmou. Ele destaca ainda que práticas como a manutenção da palhada de cobertura são fundamentais para garantir produtividade, conservação da umidade e sustentabilidade no campo. Além das ações individuais dentro das propriedades, Jorge ressalta que a união entre produtores vizinhos também tem sido essencial para fortalecer o combate aos incêndios nas regiões produtoras.

 

Com ações preventivas, investimentos em estrutura e mobilização conjunta entre produtores, o setor produtivo mato-grossense reforça o compromisso com a preservação ambiental e com a construção de uma produção cada vez mais sustentável. Em um estado marcado pela força do agronegócio e pela riqueza ambiental, produtores rurais seguem atuando diariamente para proteger o campo, o solo e os recursos naturais que garantem a produção de alimentos e o desenvolvimento de Mato Grosso.





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Sistema FAEP avalia modelo de incentivo à suinocultura do MS


Suinocultores do Mato Grosso do Sul (MS) podem obter incentivos financeiros com base no cumprimento de protocolos de sustentabilidade, produção, biossegurança e bem-estar animal. A bonificação acontece por meio do programa Leitão Vida, executado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do MS (Semadesc). Detalhes foram apresentados na reunião da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, nesta segunda-feira (18), com o objetivo de analisar a possibilidade de implementação de iniciativa similar no Paraná.

“Nosso Estado é destaque na produção de suínos, com cerca de 1 milhão de matrizes. É necessário pensarmos em políticas que valorizem o suinocultor, que o incentivem a elevar os padrões de produção e que disponibilizem recursos para investir em infraestrutura e inovação”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Atualmente, o Paraná é vice-líder na produção de suínos no Brasil, com 12,9 milhões de animais abatidos em 2025, equivalente a 21% dos abates no país.

Deborah de Geus, presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, diz que a reunião abriu portas para estudar a viabilidade técnica e prática do modelo sul-mato-grossense e entender como ele contribui para o desenvolvimento rural.

“Vemos que o produtor utiliza essa verba para melhorar a própria atividade. Assim ele consegue se desenvolver e conquistar melhores resultados”, pontua.

Leitão Vida

Para participar do programa, o suinocultor precisa cumprir uma série de requisitos classificados em seis pilares: sustentabilidade social, sustentabilidade econômica, sustentabilidade ambiental, biossegurança, bem-estar animal e produção.

De modo geral, quanto mais critérios o produtor preencher, maior será a bonificação que ele receberá por cada animal abatido. A verificação do cumprimento dos protocolos é feita por meio de auditorias nas propriedades rurais. O procedimento fica sob responsabilidade da Associação Sul-mato-grossense de Suinocultores (Asumas), que emite os atestados de nível de qualificação.

“O auditor faz a visita in loco, entra na granja, sempre respeitando o ciclo de visitas. O produtor acompanha a auditoria, e o responsável técnico também pode participar”, explica Renato Leandro Spera, presidente da Asumas.

Lucas Ingold, diretor executivo da associação, diz que o incentivo tem o intuito de elevar o patamar da atividade pecuária no Estado.

“Os produtores têm se empenhado em aprimorar seu status sanitário, governança e requisitos ambientais”, relata.

Rômulo Gouveia, representante da Semadesc, celebra os frutos da ampla adesão ao Leitão Vida.

“O programa está aí há 30 anos, provando que os produtores estão, de fato, sempre buscando implementar melhorias”, afirma.





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Produtores devem estar atentos ao prazo de emissão do CCIR



Certificado de Cadastro de Imóveis Rurais está disponível para preenchimento no site


Foto: Divulgação

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta os produtores rurais para o prazo de preenchimento e emissão do Certificado de Cadastro de Imóveis Rurais (CCIR), que está disponível no site do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O prazo para quitar a Taxa de Serviços Cadastrais, que valida o CCIR de 2026, começou na terça (19) e termina no dia 17 de junho. O pagamento é obrigatório e o valor varia conforme o tamanho e a localização das terras. Após a data limite serão aplicados multa e juros.

O CCIR 2026 substitui o documento do ano anterior e com ele é possível transferir, arrendar, hipotecar, desmembrar ou partilhar o imóvel rural, além de dar acesso ao produtor ao crédito rural.

A CNA orienta que a emissão do CCIR garante aos proprietários a conformidade cadastral do imóvel e por isso é importante estar com o certificado atualizado no ano corrente.

Para obter a emissão do documento, é necessário pagar a taxa de serviço cadastral, por meio de pix, cartão de crédito ou boleto bancário.





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