segunda-feira, junho 1, 2026

Política & Agro

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Consultoria vê risco em esperar alta forte da soja


O mercado de soja atravessa um momento de equilíbrio delicado, com forças de sustentação ligadas à demanda industrial e pressões vindas da ampla oferta física. Segundo análise da TF Agroeconômica, a recomendação de curto prazo ao produtor é aproveitar repiques para vender, evitando manter 100% da produção à espera de uma alta mais forte.

A leitura da consultoria indica que o mercado brasileiro segue lateralizado, com suporte próximo de R$ 120 por saca e resistência na faixa de R$ 123 a R$ 124. A alta recente perdeu força, e o cenário atual sugere risco de perda de oportunidade para quem posterga vendas esperando um rompimento mais consistente. Por isso, a estratégia indicada é negociar em lotes, de forma escalonada, principalmente quando os preços se aproximarem da região de resistência.

No mercado internacional, Chicago tenta retomar uma tendência de alta após romper o canal de baixa e lateralidade, mas ainda sem confirmação forte. O contrato julho trabalha com suporte ao redor de 1.160 cents por bushel e resistência entre 1.200 e 1.220 cents. A movimentação segue congestionada, refletindo um ambiente de transição, sem excesso de oferta global, mas com estoques confortáveis no curto prazo.

Entre os fatores positivos, a demanda por óleo de soja aparece como principal driver. O uso do óleo para biodiesel nos Estados Unidos atingiu o maior nível desde julho de 2025 e representa 44% da matriz de biocombustíveis, sustentando grão, farelo e óleo. As margens elevadas de esmagamento também dão suporte, com expectativa de forte processamento nos EUA e a melhor média mensal no Brasil desde agosto de 2024.

Do lado negativo, a safra brasileira acima de 180 milhões de toneladas limita altas mais agressivas. A queda dos prêmios na América do Sul pressiona o preço interno, enquanto o clima favorável nos EUA e na Argentina reduz riscos produtivos. A demanda chinesa, embora presente, segue moderada.

Para hedge, a orientação é avaliar travas em Chicago, dólar e prêmio. Entre os sinais de alerta estão queda do petróleo, aumento forte do plantio nos EUA, continuidade da pressão nos prêmios e redução no ritmo de compras da China. O resultado é um mercado lateral, com leve viés de baixa no Brasil, em que vender nas altas tende a ser mais prudente do que apostar em rompimento.

 





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Milho segue sem tendência forte no curto prazo



A principal orientação da TF Agroeconômica para produtores é aproveitar repiques


A principal orientação da TF Agroeconômica para produtores é aproveitar repiques
A principal orientação da TF Agroeconômica para produtores é aproveitar repiques – Foto: Nadia Borges

O mercado de milho mantém comportamento indefinido, com sinais distintos entre as cotações internacionais e o ambiente doméstico. Segundo análise da TF Agroeconômica, Chicago segue lateralizado, com viés levemente altista, enquanto no Brasil a pressão de oferta ainda limita uma reação mais consistente dos preços.

Na CBOT, o contrato julho de 2026 trabalha dentro de uma faixa técnica entre 460 e 480 cents por bushel. O teste da resistência próxima de 480 cents é considerado um ponto decisivo. Um rompimento desse nível poderia abrir espaço para novas altas, enquanto uma falha tende a devolver o mercado ao movimento de consolidação. O suporte de curto prazo permanece ao redor de 460 cents por bushel, reforçando a leitura de um mercado sem tendência forte neste momento.

Entre os fatores de sustentação estão as chuvas no Meio-Oeste dos Estados Unidos, que podem atrasar o plantio em três a quatro dias, a compra de cerca de 6 mil contratos por fundos e o risco de estresse hídrico em regiões importantes da safrinha brasileira. A queda dos estoques de etanol nos Estados Unidos, mesmo com produção levemente menor, também indica demanda ainda consistente. Além disso, riscos geopolíticos seguem adicionando prêmio ao mercado global de grãos.

No sentido contrário, a queda das primas FOB argentinas sinaliza maior agressividade exportadora, em um contexto de boa oferta na América do Sul. No Brasil, o avanço da colheita da safra de verão, estoques elevados em algumas regiões e maior presença de produtores nas vendas reforçam a pressão baixista. A demanda por etanol nos Estados Unidos tem leitura neutra a levemente negativa, diante da queda na produção.

A principal orientação da TF Agroeconômica para produtores é aproveitar repiques, especialmente em caso de rompimento da resistência em Chicago, para fixar preços. A consultoria recomenda evitar a retenção de grandes volumes, já que o risco predominante no Brasil ainda é de baixa, com a safrinha como principal fator de atenção. Para compradores e indústrias, as quedas podem abrir oportunidades, mas compras agressivas no topo do canal em Chicago exigem cautela.

 





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Recomendações indicam cautela nas vendas de trigo


O mercado de trigo atravessa uma fase de transição, com perda de força no curto prazo, mas ainda sustentado por fundamentos que mantêm atenção sobre os preços nos próximos meses. Segundo análise semanal da TF Agroeconômica, a recomendação neste momento é adotar disciplina nas vendas, evitando decisões apressadas em meio à consolidação das cotações.

Para quem tem trigo disponível, a orientação principal é não vender de forma agressiva agora. O mercado saiu de uma sequência de alta mais forte, entrou em um movimento lateral em Chicago e testa se ainda há força para uma nova rodada de valorização. Nesse contexto, a estratégia sugerida é aproveitar eventuais testes de resistência, especialmente na faixa de 620 a 630 cents por bushel no contrato de julho de 2026 em Chicago, para realizar vendas parciais.

A recomendação prática é trabalhar em lotes, reduzindo o risco de concentrar decisões em um único momento. A análise sugere uma divisão em que 30% do volume seja vendido para aproveitar o rally recente, outros 30% sejam negociados em novas altas e os 40% restantes sejam mantidos, mirando possíveis prêmios ligados ao clima, ao USDA e à safra dos Estados Unidos.

O cenário de curto prazo é considerado lateral em Chicago, enquanto o médio prazo segue altista, apoiado por fundamentos globais e pelo mercado brasileiro. No longo prazo, a leitura é de alta moderada, em razão de estoques e área menores. Entre os fatores que sustentam esse viés estão as condições ruins do trigo de inverno nos Estados Unidos, a falta de umidade nas Grandes Planícies do Sul e Oeste, as exportações americanas fortes e a redução de área na Argentina.

Apesar disso, há pontos de pressão que exigem cautela. A realização de lucros após altas recentes, o trigo americano mais caro que outras origens, o aumento das exportações russas e restrições de importação na Indonésia limitam avanços mais consistentes. Abaixo de 590 cents por bushel em Chicago, o cenário técnico ficaria mais frágil.

Para os próximos dias, os principais sinais de alerta são chuvas efetivas nas Planícies dos Estados Unidos, queda forte em Chicago, aceleração da oferta russa e recuo expressivo do dólar. A postura indicada é vender com escala, acompanhando resistências e preservando parte da posição para capturar eventuais movimentos de alta.

 





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Soja sobe, mas produtor vê ganho escapar


O mercado da soja teve comportamento regional distinto, com preços sustentados em portos e algumas praças do interior, enquanto a logística segue como principal fator de pressão sobre a rentabilidade do produtor. Os dados são da TF Agroeconômica.

No Rio Grande do Sul, a colheita chegou a 79% dos 6,62 milhões de hectares cultivados, mas a umidade elevada e as chuvas frequentes ainda restringem as janelas de trabalho no campo. O déficit de armazenagem de 3,5 milhões de toneladas pressiona o escoamento nas áreas já colhidas e reduz a capacidade de retenção do grão. No físico, Passo Fundo, Ijuí, Cruz Alta e Santa Rosa avançaram para R$ 125,00 por saca, enquanto o Porto de Rio Grande permaneceu em R$ 128,00.

Em Santa Catarina, Campos Novos subiu para R$ 125,50 por saca, com influência da paridade com São Francisco do Sul e da demanda industrial regional. Rio do Sul ficou em R$ 118,00 e Palma Sola em R$ 113,00. A produção total é estimada em 3,1 milhões de toneladas, com crescimento de 21,4% na área de segunda safra, que já supera 70 mil hectares. No porto de São Francisco, a cotação foi de R$ 129,20.

No Paraná, Paranaguá chegou a R$ 131,00, enquanto Cascavel e Maringá subiram para R$ 121,00. A produção estimada pelo Deral é de 21,7 milhões de toneladas, mas o déficit de 12,6 milhões de toneladas em armazenagem reduz o poder de negociação. Relatos de diesel até R$ 2,50 acima da referência em regiões do interior aumentam a preocupação com os custos logísticos.

No Mato Grosso do Sul, a colheita alcançou 97,1% da área monitorada. Campo Grande ficou em R$ 112,00, mesmo valor de Dourados, enquanto São Gabriel do Oeste recuou para R$ 107,00. Em Mato Grosso, a colheita foi concluída, com atenção voltada ao escoamento. O estado enfrenta déficit de 53,4 milhões de toneladas em silos, o maior do país, em um cenário de fretes pressionados e necessidade de venda imediata.

 





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No Cazaquistão, clima deve reduzir safra de grãos



No trigo, a produção é projetada em 14 milhões de toneladas


No trigo, a produção é projetada em 14 milhões de toneladas
No trigo, a produção é projetada em 14 milhões de toneladas – Foto: Seane Lennon

A produção de trigo e cevada do Cazaquistão deve recuar em 2026-27, após duas safras próximas de recordes. A queda esperada está ligada ao clima e a fatores de mercado, embora os volumes sigam dentro de patamares normais, segundo relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

No trigo, a produção é projetada em 14 milhões de toneladas, ante 18 milhões em 2025-26 e 18,57 milhões em 2024-25. O relatório, divulgado em 29 de abril, aponta que frio fora do normal e chuvas próximas da média podem manter o subsolo congelado ou úmido demais, atrasando o preparo das áreas. A previsão de uma temporada quente e seca também deve reduzir a produtividade.

A área colhida é estimada em 11,5 milhões de hectares, quase estável ante o ciclo anterior, mas 1 milhão de hectares menor que duas safras atrás. A redução é atribuída à expansão das oleaginosas, em busca de maior rentabilidade. Com menor oferta, as exportações devem cair de 11 milhões para 7,5 milhões de toneladas. Os principais destinos recentes foram Ásia Central, Afeganistão e Azerbaijão, enquanto vendas à China recuaram por atrasos em fronteiras.

O consumo de trigo deve diminuir de 8,65 milhões para 8,5 milhões de toneladas, com estoques elevados ajudando a equilibrar oferta e demanda.

Na cevada, a produção deve cair de 3,6 milhões para 3,1 milhões de toneladas, apesar da área maior, de 2,4 milhões de hectares. A ampliação reflete a busca por melhores margens. O consumo deve recuar para 1,7 milhão de toneladas, e as exportações são previstas em 1,5 milhão.

 





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Déficit hídrico reduz potencial do milho


O milho depende da disponibilidade de água em momentos específicos do ciclo para expressar seu potencial produtivo. Segundo Junior Costa Beber, engenheiro agrônomo, mesmo pequenos déficits hídricos em fases estratégicas podem comprometer o estande, o crescimento das plantas, a formação dos grãos e a produtividade final.

Na germinação e emergência, a demanda hídrica é baixa a moderada, mas a umidade do solo é essencial para garantir uma emergência uniforme. A falta de água nessa etapa pode provocar falhas no estande e desuniformidade entre plantas, afetando o desenvolvimento inicial da lavoura.

Durante o crescimento vegetativo, entre os estádios V2 e V12, a planta constrói a base produtiva. Nesse período, ocorre a expansão da área foliar e o desenvolvimento do sistema radicular. Quando há déficit hídrico, o crescimento pode ser reduzido, limitando a capacidade da planta de aproveitar água, luz e nutrientes nas fases seguintes.

O florescimento, entre VT e R1, é considerado o momento mais crítico. Nessa fase, o milho apresenta alta exigência hídrica durante a emissão do pendão, a liberação de pólen e a emissão dos estigmas. A falta de água pode causar má fecundação, falhas na formação dos grãos e perdas expressivas de produtividade.

No enchimento de grãos, de R2 a R5, a demanda segue de moderada a alta. É nessa etapa que ocorre o acúmulo de amido nos grãos. O déficit hídrico pode reduzir o peso dos grãos e afetar diretamente o resultado final da lavoura.

Na maturação, em R6, a necessidade de água diminui, pois a planta entra em secagem natural. Ainda assim, o estresse acumulado anteriormente pode já ter limitado o potencial produtivo. Ao longo do ciclo, o milho pode consumir de 400 a 700 milímetros de água, conforme clima, cultivar e manejo. Por isso, monitorar o solo, compreender as fases fenológicas e priorizar períodos críticos são medidas fundamentais para dar maior estabilidade à produção.

 





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máquinas da linha amarela ganha força no agronegócio


O que antes era visto como apoio pontual começa a ocupar o centro da operação. As máquinas da linha amarela, tradicionalmente ligadas à construção civil, vêm redesenhando sua presença no agronegócio brasileiro. E, na Agrishow, a principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, esse movimento deixa de ser tendência para se apresentar como realidade consolidada e se tornarem parte essencial da rotina nas propriedades rurais.

O crescimento do uso da linha amarela no campo deixou de ser apenas uma percepção de mercado para se tornar uma tendência consolidada. Dados da Associação Brasileira de Tecnologia e Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) indicam que o agronegócio está entre os principais destinos das 34,5 mil máquinas comercializadas em 2025. O levantamento aponta uma mudança estrutural no setor: a integração de equipamentos antes restritos à infraestrutura como ferramentas estratégicas da produção agrícola.

“A integração da linha amarela nas propriedades rurais tem expandido a capacidade operacional do setor”, afirma o presidente da Agrishow, João Marchesan, reforçando que esses equipamentos tornaram-se fundamentais em frentes como manejo de solo, manutenção de vias internas e implementação de sistemas de irrigação e drenagem. “A modernização reflete-se diretamente nos indicadores de produtividade, proporcionando ganho de escala e otimização dos custos fixos”, afirma.

Tecnologia embarcada e versatilidade ampliam o papel da linha amarela

A Komatsu lança na Agrishow a carregadeira WA320-8M1 Sugarcane Application, versão adaptada ao agronegócio que reforça o avanço da Linha Amarela no campo. Com caçamba de 6,0 m³, pneus agrícolas e sistemas voltados a ambientes com alta poeira, o modelo é indicado para movimentação de biomassa, grãos e insumos, entregando controle, estabilidade e eficiência em operações intensas. A empresa apresenta ainda um portfólio que consolida o uso desses equipamentos na infraestrutura e logística das propriedades rurais.

Entre os destaques da Forza está o lançamento de uma minicarregadeira e de uma empilhadeira off-road. A minicarregadeira se destaca pela combinação de agilidade, força e capacidade de atuação em espaços reduzidos no agronegócio. Já a empilhadeira off-road foi projetada para operar com estabilidade e tração em terrenos irregulares, mantendo alto desempenho e produtividade mesmo em condições adversas no campo.

A XCMG Brasil traz sua linha de equipamentos voltada ao agronegócio. A novidade é o trator agrícola conceito XT864-5EBR, primeiro modelo da marca no Brasil equipado com motor da Cummins. O protótipo funcional se posiciona em uma das faixas mais demandadas do mercado brasileiro, com 80 cv de potência e possibilidade de variação até 110 cv. Com cerca de 4.600 kg, tração 4×4 e transmissão com super redutor, o modelo foi projetado para enfrentar operações exigentes em terrenos difíceis, combinando robustez, capacidade de manobra e maior conforto ao operador.





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Governo melhora condições e dobra crédito para compra de caminhões


O governo federal lançou nesta quinta-feira (30) uma segunda etapa do programa Move Brasil, que financia a renovação da frota de caminhões em condições favoráveis para empresas de transporte rodoviário de carga, cooperativas e caminhoneiros autônomos.

O valor total disponibilizado chega a R$ 21,2 bilhões, mais que o dobro dos R$ 10 bilhões da primeira fase do programa, lançado no fim do ano passado, que foram totalmente consumidos com mais de mil contratos de financiamento em poucos mais de três meses.

A nova fase passa a incluir também o financiamento de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias. Do valor de R$ 21,2 bilhões, serão R$ 6,7 bilhões aportados diretamente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 14,5 bilhões oriundos do Tesouro Nacional.

O BNDES será o operador do programa, que será oferecido em parceria com outras instituições financeiras. O valor máximo financiável por beneficiário continua sendo de R$ 50 milhões.

“Nós resolvemos melhorar as condições, aumentar os prazos de carência, a quantidade de anos para vocês poderem pagar e diminuir a taxa de juros, que ainda é alta”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia de assinatura de duas Medidas Provisórias (MPs) que viabilizam o novo Move Brasil. 

Lula pediu celeridade no ritmo de liberação de crédito para os caminhoneiros autônomos pelos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e o BNDES). Segundo Lula, de R$ 1 bilhão disponibilizado inicialmente, apenas R$ 200 milhões haviam sido liberados, devido à preferência dos bancos por grandes empresas transportadoras.

“Para o gerente de um banco, é muito melhor receber um cliente só para pedir R$ 2 bilhões, do que receber 1 mil clientes para pegar R$ 2 mil, cada um. Eu quero pedir aos bancos públicos: vamos ver se a gente consegue dar um exemplo de que, uma vez na vida, os mais pobres são tratados como os mais ricos”, cobrou Lula.

O presidente destacou especificamente as condições especiais destinadas aos caminhoneiros autônomos, que agora poderão parcelar o financiamento em até 10 anos (120 vezes), com carência de 12 meses. Até então, a carência era de seis meses e o prazo máximo de pagamento era de cinco anos. 

Os autônomos contarão com R$ 2 bilhões na nova fase do programa. A taxa de juros, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi reduzida para 11,3%. Antes, eram superiores a 14%. 

Ele disse esperar que os fabricantes de ônibus e caminhões consigam reduzir os preços dos veículos e assegurar empregos na indústria, como contrapartidas.

“É fundamental que a gente veja as contrapartidas, a redução no valor dos caminhões, o emprego garantido dos trabalhadores. Na minha analogia do corpo humano, o corpo da economia do país fica saudável em todos os sentidos”, disse.

Para o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, o programa promove uma política industrial que não favorece apenas o setor automotivo, mas toda a cadeia econômica do país.

“O caminhão, o ônibus, eles são meios. É uma cadeia muito grande. O caminhão é a carne que chega na mesa do trabalhador e das famílias brasileiras, a fruta fresca que chega no Ceasa. O caminhão é a soja que vai para o porto para a gente exportar. O caminhão é a cana que vai para a usina e a gente faz o etanol”, destacou.

Pelas regras do programa, os financiamentos estarão condicionados ao cumprimento de critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica, incentivando a aquisição de veículos com menor consumo de combustíveis e menores emissões.

“Quem entregar um veículo velho para a reciclagem consegue taxas ainda mais reduzidas”, observou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa.

O transporte rodoviário move cerca de 60% das cargas do Brasil, segundo o governo federal, e é considerado crucial para a integração nacional e para o acesso da população a bens e serviços essenciais. 

O setor enfrenta, atualmente, elevado grau de obsolescência da frota, o que aumenta custos de manutenção, reduz a eficiência energética, agrava a emissão de poluentes e aumenta riscos operacionais e de segurança. Também vinha experimentando queda expressiva nas vendas nos últimos anos, números que vêm sendo revertidos com o sucesso do novo programa.

Durante o evento no Palácio do Planalto, Lula assinou duas Medidas Provisórias.

A primeira, além de viabilizar a ampliação do Move Brasil, autoriza a União a aumentar sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) em até R$ 2 bilhões. O objetivo é ampliar a capacidade do fundo de oferecer garantias em operações de crédito, principalmente para micro, pequenas e médias empresas, além de estender os prazos de carência e de pagamento dessas operações.

O FGI tem por finalidade facilitar a obtenção de crédito por micro, pequenas e médias empresas, por meio do compartilhamento do risco das operações com os agentes financeiros. O reforço patrimonial do fundo amplia a capacidade de concessão de garantias, preservando o acesso ao financiamento para empresas viáveis.

A segunda MP, de acordo com o MDIC, cria Crédito Extraordinário, no valor de R$ 17 bilhões, com o intuito de dar cobertura ao aporte de R$ 2 bilhões no FGI, à ampliação do Move Brasil, com recursos de R$ 14,5 bilhões e ao aporte de R$ 500 milhões ao Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE), com o propósito de viabilizar a ampliação da oferta de garantias públicas às exportações.





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Clima favorece algodão, mas exige atenção



“Na prática, o produtor precisa estar mais presente no dia a dia da lavoura”


"Na prática, o produtor precisa estar mais presente no dia a dia da lavoura"
“Na prática, o produtor precisa estar mais presente no dia a dia da lavoura” – Foto: Canva

O avanço da safra de algodão 2025/2026 tem sido favorecido pelas condições climáticas em áreas importantes de produção, mas a maior umidade também acende alerta para o controle de pragas e doenças. O cenário exige monitoramento constante das lavouras e adoção de estratégias de manejo para reduzir riscos de perdas.

De acordo com o 7º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento, as condições climáticas adequadas nos Cerrados têm beneficiado o estabelecimento da cultura. Ao mesmo tempo, o excesso de chuvas em algumas regiões tem criado ambiente favorável ao aumento de doenças fúngicas, o que demanda atenção dos produtores.

Na Bahia, principal estado produtor de algodão do MATOPIBA, as chuvas registradas na primeira quinzena de abril foram bem distribuídas e contribuíram para o bom desenvolvimento das lavouras. Apesar disso, a incidência de bicudo e mosca-branca tem exigido maior acompanhamento. No Maranhão, o volume excessivo de chuvas em algumas áreas levou produtores a reforçarem o controle de doenças fúngicas, com aplicações mais frequentes de fungicidas no início dos problemas.

Segundo Bruno Vilarino, gerente de produto da ORÍGEO, joint venture entre Bunge e UPL, o produtor precisa acompanhar de perto a lavoura e observar os primeiros sinais de doenças para evitar a disseminação. “Na prática, o produtor precisa estar mais presente no dia a dia da lavoura e ficar atento aos primeiros sinais das doenças para evitar que o problema se espalhe. Bruno alerta que “quem acompanha de perto a lavoura e age rápido consegue segurar melhor as doenças e evitar perdas”. Segundo ele, o aumento das chuvas e da umidade tem colocado o produtor de algodão em posição mais delicada nesta safra, exigindo planejamento.”

 





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Alta do petróleo impulsiona soja em Chicago


A escalada do preço do petróleo, em meio à falta de consenso para o fim da guerra no Oriente Médio, influenciou o mercado internacional de grãos na última semana. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, referente ao período de 24 a 30 de abril, a commodity atingiu US$ 120 por barril, um dos níveis mais elevados dos últimos anos.

O movimento teve reflexo direto nas cotações do óleo de soja na Bolsa de Chicago, que registraram novo recorde recente ao fechar em 76,36 centavos de dólar por libra-peso no dia 30 de abril. O avanço também foi sustentado pela valorização do farelo de soja, influenciado por problemas na Argentina, principal exportadora mundial do subproduto. Com isso, o preço do grão avançou, e o bushel encerrou o mesmo dia a US$ 11,82, ante US$ 11,59 na semana anterior.

Apesar da alta, a Ceema avalia que os fundamentos do mercado seguem com tendência de baixa, com exceção do reposicionamento dos fundos de investimento, que voltaram à ponta compradora. O movimento ocorre em meio às incertezas geopolíticas e ajustes nas carteiras.

Nos Estados Unidos, o plantio da nova safra avança em ritmo acelerado. Até 26 de abril, 23% da área prevista já havia sido semeada, percentual superior à média histórica de 12%. Na mesma data, 8% das lavouras já haviam germinado, acima do padrão médio de 1%.

No comércio exterior, os embarques norte-americanos somaram 628.826 toneladas na semana encerrada em 23 de abril, elevando o total exportado no atual ano comercial para 32,8 milhões de toneladas, abaixo das mais de 43 milhões registradas no mesmo período do ciclo anterior.

A demanda global por farelo de soja também tem sustentado os preços. Compradores europeus ampliaram aquisições, enquanto a oferta argentina enfrenta restrições. Durante a semana, a Holanda rejeitou dois navios com farelo argentino após identificar material genético não aprovado. Há registros semelhantes envolvendo cargas brasileiras, o que gera preocupação sobre possíveis restrições em outros países da União Europeia.

Esse cenário tem levado à expectativa de aumento das compras de farelo dos Estados Unidos, contribuindo para a valorização do produto em Chicago. Entre 17 de março e 15 de abril, o farelo acumulou alta de 7,2% e se mantém em patamares elevados.

No Brasil, o câmbio entre R$ 4,95 e R$ 5,00 por dólar contribuiu para manter os preços da soja em níveis mais baixos no mercado interno. No Rio Grande do Sul, as principais praças registraram cerca de R$ 114 por saca, enquanto em outras regiões os valores oscilaram entre R$ 107 e R$ 113.

As exportações brasileiras seguem em ritmo forte. Até a quarta semana de abril, a média diária de embarques cresceu 12,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. O volume acumulado no período alcançou 13,7 milhões de toneladas, e a expectativa é de que o total mensal atinja 16 milhões, o que pode representar um novo recorde para abril.





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