terça-feira, julho 28, 2026

Política & Agro

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Prévia da carga tributária sobe para 32,4% do PIB em 2025


A prévia da carga tributária (peso dos impostos e demais tributos sobre a economia) subiu para 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, divulgou nesta sexta-feira (10) o Tesouro Nacional. Em 2024, o mesmo indicador tinha atingido 32,22%, diferença de 0,18 ponto percentual.

Esse foi o maior valor da série histórica, que começou em 2010. Segundo o Tesouro, vários fatores pesaram para o aumento da carga tributária. O principal foi o crescimento da economia e do emprego formal, que aumentou a arrecadação de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) em 0,23 ponto percentual do PIB e a arrecadação da Previdência Social em 0,12 ponto percentual.

A elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também fez a prévia da carga tributária subir 0,1 ponto percentual. No ano passado, o governo elevou o IOF sobre operações cambiais e de crédito e sobre a saída de moeda estrangeira. A medida chegou a ser derrubada pelo Congresso, mas foi parcialmente mantida pelo Supremo Tribunal Federal.

Em contrapartida, a participação dos impostos sobre bens e serviços federais, que incide sobre o consumo, caiu 0,02 ponto percentual em 2025. Embora o valor nominal tenha subido, a participação no PIB recuou.

Em âmbito estadual, a receita do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo que mais arrecada no país e também está relacionado ao consumo, caiu 0,09 ponto percentual do PIB em 2025, mesmo com o aumento nominal da arrecadação. Segundo o Tesouro Nacional, esse movimento reflete a composição do crescimento econômico em 2025, concentrado em setores sobre os quais não há incidência do ICMS ou a incidência é reduzida.

Na esfera municipal, a receita do Imposto sobre Serviços (ISS) subiu 0,02 ponto percentual do PIB, impulsionada pelo crescimento de 2,9% no volume de serviços em 2025.

A carga tributária do governo federal subiu 0,26 ponto percentual em 2025, de 21,34% para 21,6% do PIB. O peso dos impostos estaduais recuou 0,1 ponto, de 8,48% para 8,38% do PIB. Nos governos municipais, a arrecadação de impostos subiu 0,03 ponto percentual, de 2,39% para 2,42% do PIB, puxada por aumentos no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e pelo ISS.

Ao somar as três esferas de governo (federal, estadual e municipal), os Impostos sobre bens e serviços caíram 0,09 ponto percentual do PIB em relação a 2024, passando de 13,87% para 13,78%. No entanto, os Impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital subiram de 9,04% para 9,16% do PIB, alta de 0,12 ponto em relação ao ano anterior.

A arrecadação dos impostos sobre a propriedade subiu 0,02 ponto, de 1,71% para 1,73% do PIB. A receita dos impostos sobre a folha de pagamento e a mão de obra subiu 0,01 ponto, de 0,3% para 0,31% do PIB. Por causa do crescimento das importações, os impostos sobre o comércio externo e as transações internacionais avançaram 0,05 ponto, de 0,66% para 0,71% do PIB.

O peso das contribuições sociais sobre o PIB subiu de 6,63% para 6,72% do PIB. A alta de 0,09 ponto percentual foi motivada principalmente pela arrecadação da contribuição para a Previdência Social, que subiu de 5,28% para 5,4% do PIB, puxada pela recuperação do mercado de trabalho.

Em março ou abril, o Tesouro divulga uma estimativa própria da carga tributária do ano anterior. Segundo o Ministério da Fazenda, a elaboração de uma prévia da carga tributária é necessária porque os dados são incluídos na prestação de contas da Presidência da República. O número oficial, divulgado pela Receita Federal, só sai ao longo do segundo semestre.





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Conab entrega alimentos e máquinas para agricultores em Goiás


Entre terça (07) e quinta-feira (09) desta semana, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por meio da Superintendência Regional de Goiás (Sureg/GO), fez a entrega de um kit de maquinários e a doação de cerca de 30 toneladas de alimentos, no Território da Cidadania Norte, em Porangatu/GO, durante os Mutirões da Documentação da Trabalhadora Rural em Goiás, iniciativa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A atuação integrada e estratégica para o atendimento à população rural é uma ação do Governo Federal para o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao combate à fome, à erradicação da pobreza e à promoção da inclusão produtiva no campo.

No evento, a Companhia realizou a 1ª distribuição do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS), entregues pela Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte Goiano (COOPERMEL), os quais foram produzidos por 27 agricultores familiares. Com o investimento total de quase R$ 270 mil, em torno de 30 toneladas de alimentos foram recebidas pelo Centro de Referência de Assistência Social de Porangatu, beneficiando 4 mil pessoas assistidas pela unidade.

Também houve, na ocasião, a entrega de kit de maquinário do Programa Mecaniza+ para a COOPERMEL, a fim de reforçar diretamente a capacidade produtiva dos agricultores familiares que fazem parte da entidade. Composto por oito equipamentos – motocultivador, carreta agrícola, sulcador, encanteirador, semeadora, roçadeira, rodas de ferro, colheitadeira de milho -, essa cessão representa um avanço significativo na modernização, diminuição da penosidade laboral e no aumento da produtividade no campo, contribuindo para a inclusão produtiva dos pequenos agricultores e para o desenvolvimento sustentável das regiões atendidas.

A Conab ainda participou de palestra sobre o PAA, evidenciando como a política pública conecta a produção da agricultura familiar ao atendimento de populações em situação de vulnerabilidade socioambiental.

A ação reuniu diversos órgãos e instituições públicas – federais, estaduais e municipais -, em um esforço coordenado para levar cidadania, acesso a direitos e oportunidades diretamente às comunidades, em uma articulação interinstitucional demonstra a capacidade do Estado brasileiro de atuar de forma integrada, oferecendo soluções completas à população. Nesse contexto, a participação da Conab comprova o papel central da Companhia nas políticas de soberania e segurança alimentar e nutricional, produção local, geração de renda no meio rural e desenvolvimento social.

Com início previsto em Porangatu, atendendo também a população do municípios de Mutunópolis, Montividiu do Norte, Amaralina e Novo Planalto, e expansão para diversos territórios ao longo do ano, os mutirões consolidam uma estratégia territorial que aproxima o Governo Federal da população e amplia o acesso direto às políticas públicas. A iniciativa, conduzida de forma integrada por MDA, Incra e Conab, reforça o compromisso do Estado com uma gestão eficiente, solidária e orientada por resultados concretos, especialmente no enfrentamento da fome e na promoção da dignidade das famílias rurais brasileiras.

O mutirão integra uma ação itinerante e interinstitucional coordenada pelo Incra, por meio do Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver para Mulheres Rurais, do MDA, em parceria com prefeituras, órgãos públicos e movimentos sociais, com oferta gratuita de todos os serviços. A iniciativa é voltada ao atendimento de mulheres da agricultura familiar, acampadas, assentadas da reforma agrária, integrantes de comunidades tradicionais, atingidas por barragens, quilombolas, pescadoras artesanais, extrativistas, indígenas e ribeirinhas, sendo necessária a apresentação de documentos pessoais para participação. O objetivo é promover o pleno exercício da cidadania pelas trabalhadoras rurais, assegurando o acesso à documentação civil e trabalhista essencial e às políticas públicas, especialmente nas áreas de agricultura familiar e reforma agrária, garantindo condições para sua inclusão social e produtiva, além de fortalecer a articulação entre órgãos das esferas federal, estadual e municipal para a implementação de ações coordenadas no campo.





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Queda da ureia acompanha alívio geopolítico



Apesar do recuo, o cenário ainda não configura uma tendência consolidada de baixa


Apesar do recuo, o cenário ainda não configura uma tendência consolidada de baixa
Apesar do recuo, o cenário ainda não configura uma tendência consolidada de baixa – Foto: Canva

A recente redução das tensões no Oriente Médio já começa a refletir nos preços internacionais de fertilizantes, indicando um movimento de alívio no mercado global. As informações são de Alê Delara, estrategista do agronegócio.

As negociações envolvendo Estados Unidos e Irã contribuíram para a retirada de parte do prêmio de risco que vinha sendo incorporado às cotações, com impacto quase imediato nos contratos futuros. Nos últimos dias, a ureia apresentou recuos relevantes em diferentes regiões, com queda de 40 dólares por tonelada no Brasil, 35 dólares no Oriente Médio e 33 dólares nos Estados Unidos.

Dados da curva de futuros da ureia nos Estados Unidos reforçam esse movimento de ajuste. Os contratos mais recentes mostram queda consistente ao longo dos meses, com valores saindo da faixa próxima a 780 dólares por tonelada em abril para cerca de 656 dólares projetados para setembro. O comportamento indica uma reprecificação após um período de forte pressão altista, acompanhando a diminuição das incertezas no cenário internacional.

O movimento evidencia que, embora o Estreito de Ormuz continue no radar dos agentes de mercado, houve uma reavaliação do risco logístico e geopolítico no curto prazo. Esse reposicionamento levou à redução dos preços após um período em que as incertezas haviam elevado as cotações de forma significativa.

Apesar do recuo, o cenário ainda não configura uma tendência consolidada de baixa. Trata-se, neste momento, de uma correção rápida, motivada pela retirada parcial do prêmio de guerra que havia sido incorporado aos preços diante das tensões recentes.

A atenção do mercado agora se volta para o desdobramento das negociações internacionais. O comportamento dos preços dependerá do avanço efetivo dessas tratativas e da capacidade de manutenção de um ambiente mais estável, que possa reduzir de forma mais consistente os riscos associados à logística e à geopolítica.

 





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Mercado da soja reage a guerra no Oriente Médio


Sob influência do cenário geopolítico no Oriente Médio e da expectativa pelo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o mercado internacional da soja apresentou estabilidade ao longo da semana, segundo análise divulgada nesta quinta-feira (9) pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário.

De acordo com a Ceema, as cotações do grão na Bolsa de Chicago registraram variação limitada durante o período analisado. O primeiro contrato cotado encerrou o pregão desta quinta-feira (9) em US$ 11,65 por bushel, frente aos US$ 11,63 registrados uma semana antes. “Sob influência da guerra no Oriente Médio e na expectativa de novo relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado em 09/04, o mercado da soja, em Chicago, se comportou bastante estável nesta semana”, apontou a Ceema.

Ainda segundo a análise, o anúncio de uma trégua de duas semanas no conflito durante a semana, mesmo sem garantias concretas, influenciou o mercado de derivados. “O anúncio de uma trégua de duas semanas na guerra, feito durante a semana, mesmo que sem garantias concretas, derrubou a cotação do óleo de soja em Chicago”, informou a entidade. Conforme o levantamento, o preço do óleo recuou 3,3% entre os dias 7 e 8 de abril, após ter se aproximado de 70 centavos de dólar por libra-peso no dia 7.

O relatório mensal divulgado pelo USDA em abril não apresentou mudanças relevantes em relação aos números divulgados em março. “O relatório de abril não trouxe grandes novidades, indicando os mesmos volumes de produção e estoques finais, para os EUA, anunciados em março”, registrou a Ceema. A análise aponta que o mesmo ocorreu em relação às estimativas globais de produção e estoques finais.

As projeções para a produção na Brasil e na Argentina foram mantidas em 180 milhões e 48 milhões de toneladas, respectivamente. Já as importações da China seguem projetadas em 112 milhões de toneladas para o ano comercial 2025/26. A Ceema destaca que o relatório considerado mais relevante para o mercado será o de maio. “Vale destacar que o mais importante relatório é o de maio, o qual trará a primeira estimativa de produção nos EUA e mundo para o ano comercial 2026/27”, informou a entidade.

Nos Estados Unidos, o plantio da nova safra de soja também começou. Segundo a Ceema, até o dia 5 de abril o plantio havia alcançado 3% da área prevista, acima da média histórica de 2% para o período.

Em relação ao comércio exterior, os embarques norte-americanos de soja somaram 779.352 toneladas na semana encerrada em 2 de abril, superando as expectativas do mercado. Com isso, o volume exportado pelos Estados Unidos no atual ano comercial chegou a 30,7 milhões de toneladas, o que representa queda de 26% em relação ao registrado no mesmo período do ano anterior.





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Cotação do milho perde força em Chicago


A cotação internacional do milho registrou recuo ao longo da semana, segundo análise divulgada nesta quinta-feira (9) pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, referente ao período de 3 a 9 de abril. Na Bolsa de Chicago, o primeiro contrato do cereal encerrou o pregão de quinta-feira cotado a US$ 4,44 por bushel, ante US$ 4,52 registrados uma semana antes.

De acordo com a Ceema, o relatório mensal de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos em 9 de abril manteve inalteradas as estimativas de produção e estoques finais para os Estados Unidos em relação aos números apresentados em março. “O relatório de oferta e demanda, anunciado no dia 09/04, apontou manteve os números de março para a produção e estoques finais dos EUA”, informou a entidade.

No cenário global, o relatório apresentou ajuste para cima na produção mundial do cereal. Segundo a Ceema, a estimativa atual indica produção de 1,301 bilhão de toneladas, enquanto os estoques finais mundiais foram projetados em 294,8 milhões de toneladas.

As projeções para a produção na Argentina foram fixadas em 52 milhões de toneladas, volume considerado inferior às estimativas da Bolsa de Comércio de Rosário. Para o Brasil, o USDA manteve a projeção de 132 milhões de toneladas para a safra 2025/26. No ciclo anterior, a colheita brasileira foi estimada em 136 milhões de toneladas.

No comércio exterior, os embarques de milho dos Estados Unidos na semana encerrada em 2 de abril somaram 2 milhões de toneladas, superando as expectativas do mercado. Com isso, o volume exportado no atual ano comercial alcança 48,5 milhões de toneladas, o que representa aumento de 36% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Enquanto isso, a colheita de milho na Argentina para a safra 2025/26 deverá alcançar 67 milhões de toneladas, segundo a análise da Ceema, volume que pode representar um recorde histórico para o país.





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O que está travando o agro após safra histórica



Ricardo Leite observa que há um descompasso crescente


Ricardo Leite observa que há um descompasso crescente
Ricardo Leite observa que há um descompasso crescente – Foto: Pixabay

O avanço recente do agronegócio brasileiro tem sido marcado por ganhos expressivos de produtividade e eficiência, refletindo uma transformação estrutural no setor. Segundo dados da Agência de Notícias do IBGE, a safra brasileira de grãos de 2025 alcançou 346,1 milhões de toneladas, um recorde histórico, mais que dobrando em relação a 2012 enquanto a área plantada cresceu em ritmo inferior.

Esse desempenho indica que o crescimento não se deu apenas pela expansão territorial, mas principalmente pelo uso mais eficiente de tecnologia, técnica e gestão. Para Ricardo Leite, especialista do agronegócio, o setor entrou em uma nova fase, em que o diferencial competitivo deixa de ser apenas o acesso às ferramentas e passa a ser a capacidade de utilizá-las de forma estratégica.

Na avaliação do especialista, recursos como inteligência artificial, agricultura digital, automação e análise de dados já não pertencem ao campo das promessas, mas da realidade operacional. O desafio atual está na forma como essas soluções são conduzidas dentro das propriedades e empresas. A FAO reforça que a transformação digital no agro exige governança adaptativa, critérios éticos, responsabilidade, eficiência e gestão adequada das informações.

Ricardo Leite observa que há um descompasso crescente entre o discurso de inovação e a implementação de estruturas sólidas de governança. O uso isolado de tecnologia não garante vantagem competitiva duradoura, enquanto a disciplina na tomada de decisão tende a gerar resultados mais consistentes ao longo do tempo.

Nesse contexto, o mercado deve diferenciar menos quem investiu em ferramentas e mais quem conseguiu liderar processos com base nelas. A discussão central, segundo o especialista, passa a ser menos sobre digitalização e mais sobre organização, levantando um questionamento direto sobre a qualidade da gestão que sustenta essa transformação.

 





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Crédito rural empresarial soma R$ 404 bilhões no Plano Safra 2025/2026


O crédito rural empresarial somou R$ 404 bilhões em contratações entre julho de 2025 e março de 2026, aumento de 10% em relação aos R$ 368 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior. Os dados constam no Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, vinculado à Secretaria de Política Agrícola, com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro e do Banco Central do Brasil.

No mesmo período, os recursos efetivamente concedidos — aqueles já liberados na conta do produtor — totalizaram R$ 387 bilhões, crescimento de 5% em relação à safra anterior. Entre os destaques está a emissão de Cédula de Produto Rural por produtores em favor de instituições financeiras, que avançou 38% e alcançou R$ 183,1 bilhões. Como o instrumento é utilizado principalmente para o custeio da safra, sua soma ao crédito tradicional destinado a essa finalidade elevou o volume de recursos disponíveis para custeio a R$ 303,1 bilhões, alta de 13% em comparação com a safra 2024/2025.

A Secretaria de Política Agrícola avaliou que os números refletem a continuidade do financiamento ao setor. “O crescimento de 10% nas contratações e de 5% nas concessões demonstra a solidez do financiamento agropecuário brasileiro, mesmo em um cenário de maior seletividade por parte dos produtores e do sistema financeiro”, ressaltou a secretaria.

A análise por finalidade mostra comportamentos distintos entre as modalidades de crédito. A linha destinada à industrialização registrou expansão, com aumento de 74% nas contratações, que alcançaram R$ 28,1 bilhões, e de 64% nas concessões, totalizando R$ 26,4 bilhões. O resultado indica maior procura por financiamento voltado ao processamento agroindustrial.

Por outro lado, linhas tradicionais apresentaram retração no período. O crédito de custeio somou R$ 120 bilhões em contratações e R$ 114,3 bilhões em concessões, com queda de 11% e 15%, respectivamente. O investimento registrou R$ 45,5 bilhões em contratações e R$ 37,6 bilhões em concessões, recuos de 16% e 30%. As operações destinadas à comercialização também diminuíram, com contratações de R$ 27,2 bilhões e concessões de R$ 25,5 bilhões. Segundo o boletim, a redução nas linhas de investimento está associada à cautela do setor diante das taxas de juros vigentes e à expectativa de queda da Taxa Selic em cerca de dois pontos percentuais até o fim de 2026.

Entre os programas analisados, o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária foi o único a registrar crescimento, com alta de 20% e R$ 900 milhões concedidos. No total, o número de contratos firmados no período caiu 24%, passando de 534.351 para 408.353 operações. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural contabilizou 156.485 contratos, enquanto os demais produtores somaram 127.615 operações. As transações vinculadas à CPR chegaram a 125.310 contratos.

Na distribuição regional, a Região Sul do Brasil manteve a liderança no número de operações contratadas, enquanto a Região Sudeste do Brasil concentrou o maior volume financeiro.

No que se refere às fontes de financiamento, os recursos controlados somaram R$ 106,5 bilhões em concessões, redução de 7%. Dentro desse grupo, os Recursos Obrigatórios atingiram R$ 42,8 bilhões, crescimento de 19%. A Letra de Crédito do Agronegócio na modalidade controlada registrou aumento expressivo e alcançou R$ 26,9 bilhões. A Poupança Rural Controlada somou R$ 7,5 bilhões e os Fundos Constitucionais totalizaram R$ 14,5 bilhões.

Já as fontes não controladas chegaram a R$ 97,3 bilhões. Nesse grupo, destacaram-se a LCA, com R$ 47,8 bilhões, e a Poupança Rural Livre, que alcançou R$ 44,4 bilhões e registrou crescimento de 39%. O BNDES Livre apresentou recuo de 11%, totalizando R$ 4,4 bilhões.

A execução do Plano Safra 2025/2026 indica que, até março de 2026, foram concedidos R$ 43,4 bilhões de um total de R$ 113,4 bilhões programados em recursos equalizáveis, o equivalente a 38% do montante previsto. No custeio, R$ 24,7 bilhões foram liberados de um total programado de R$ 63 bilhões. Para investimento, foram concedidos R$ 18,4 bilhões dos R$ 49,5 bilhões previstos, enquanto na comercialização foram aplicados R$ 307 milhões de R$ 845 milhões programados.

Entre as instituições financeiras, o Banco do Brasil lidera a execução dos recursos, com R$ 7,1 bilhões liberados para custeio e R$ 7 bilhões para investimento. O Sistema de Cooperativas Financeiras do Brasil executou 59% do volume programado de custeio e 69% das operações de investimento. Já o Sistema Cresol concluiu 100% das metas previstas para custeio.

Ainda há R$ 21,7 bilhões em crédito contratado que aguardam liberação. Desse total, R$ 10,8 bilhões correspondem a financiamentos sem vínculo com programa específico, enquanto R$ 2,2 bilhões estão relacionados ao Pronamp. Outros valores estão vinculados ao Programa para Construção e Ampliação de Armazéns, ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira e ao Programa de Modernização da Frota de Tratores e Implementos Agrícolas.

A Secretaria de Política Agrícola avalia que o cenário aponta continuidade no acesso ao financiamento agropecuário. “O Boletim do Crédito Rural de julho/2025 a março/2026 revela um setor agropecuário que mantém a trajetória de crescimento no volume global de recursos, com destaque para a expansão da CPR e da industrialização. Ao mesmo tempo, a retração nas linhas de investimento e custeio convencional sinaliza maior seletividade dos produtores, associada ao ambiente de juros elevados”, explicou a secretaria.

Segundo a análise, ainda existe margem para ampliação das operações até o encerramento do Plano Safra, uma vez que 62% dos recursos equalizáveis permanecem disponíveis para contratação nos próximos meses.





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Ovos/Cepea: Preços recuam na semana, mas média mensal segue alta


A reta final da Quaresma não foi suficiente para sustentar a demanda de ovos, que perdeu força com a entrada da segunda quinzena de março, período em que tradicionalmente diminui. Assim, as cotações registraram queda em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea nos últimos dias. Trata-se da primeira queda desde o início do período religioso, em 18 de fevereiro. Ainda assim, as altas registradas na primeira quinzena têm garantido aumento no preço médio dos ovos de fevereiro para a parcial de março (até o dia 25). Segundo agentes consultados pelo Cepea, embora a oferta da proteína siga controlada nas principais regiões produtoras, a baixa liquidez tem sido o fator determinante para a pressão sobre os preços. O menor volume de negócios intensificou a busca por descontos, resultando na queda das cotações nos últimos dias. A expectativa do setor, no entanto, é de retomada das vendas na próxima semana, com o início da Semana Santa, período em que a demanda pela proteína tende a se fortalecer, segundo pesquisadores do Cepea. 

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CNA alerta para vazio sanitário e semeadura da soja



CNA reforça ações para combater a ferrugem asiática na safra de soja



Foto: Pixabay

Com a divulgação dos períodos de vazio sanitário e do calendário de semeadura da soja para a safra 2026/2027, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ressalta a importância do manejo adequado da lavoura para garantir a produtividade e evitar doenças.

Os períodos do vazio sanitário e de semeadura estão na Portaria SDA/MAPA nº 1.579, publicada na sexta (10) no Diário Oficial da União.

O Ministério da Agricultura manteve os períodos adotados na safra 2025/2026 nos principais estados produtores, mas definiu mudanças na Bahia, que passou a contar com quatro regiões distintas para definição das janelas de vazio sanitário e semeadura.

Segundo o assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Tiago Pereira, o cumprimento das medidas fitossanitárias, aliado ao monitoramento constante e ao controle de plantas voluntárias, é decisivo para reduzir a incidência da ferrugem asiática e garantir produtividade.

“O vazio sanitário segue como uma das principais ferramentas para interromper o ciclo do fungo, ao eliminar a presença de plantas vivas de soja no período de entressafra. Já o calendário de semeadura ajuda a reduzir a sobreposição de lavouras e a limitar a disseminação da doença ao longo do ciclo produtivo”, explica.

Tiago Pereira alerta para o aumento dos casos de ferrugem asiática na safra 2025/2026 em relação ao ciclo anterior. No Paraná, por exemplo, os registros passaram de 66 para 156 casos. Em Mato Grosso do Sul, subiram de 12 para 70; enquanto no Rio Grande do Sul o número passou de 25 para 61 ocorrências.

De acordo com a CNA, esse cenário está relacionado a vários fatores, como condições climáticas favoráveis ao fungo.

“O calendário de semeadura e o vazio sanitário são ferramentas complementares e fundamentais para o manejo da ferrugem. O aumento dos registros reforça que o foco precisa estar na execução, com controle rigoroso de plantas voluntárias e monitoramento”, afirma Pereira.





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Chuvas irregulares impactam colheita do feijão no MATOPIBA


A colheita da primeira safra de feijão avançou no Brasil e atingiu 73,5% da área total cultivada, segundo previsão divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No Matopiba, que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o ritmo dos trabalhos e a qualidade dos grãos têm sido influenciados pela distribuição das chuvas no início de abril, com contraste entre os estados da Bahia e do Piauí.

No Piauí, os acumulados recentes de chuva favoreceram as lavouras, especialmente nas áreas mais tardias. As precipitações registradas no fim de março e início de abril contribuíram para a manutenção do potencial produtivo, principalmente no sudeste do estado, que vinha apresentando déficit hídrico. No centro-norte, como em Campo Maior, os excedentes hídricos ajudaram a estabilizar a estimativa de perdas em 31,2%, conforme o Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (Sisdagro). “O sistema considera indicadores agrometeorológicos, como precipitação, evapotranspiração e o balanço hídrico do solo, para avaliar os impactos das condições climáticas sobre o desempenho das culturas”, informa a análise.

Ainda no estado, a previsão de menores volumes de chuva no sul tem aberto uma janela para o avanço da colheita nas áreas mais adiantadas.

Na Bahia, a evolução da colheita ocorre de forma mais lenta devido às condições meteorológicas. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os trabalhos alcançaram 88% da área entre o fim de março e a primeira semana de abril. A continuidade das chuvas tem dificultado o trânsito de máquinas e afetado a qualidade dos grãos no oeste do estado. Em áreas do centro-sul, como Vitória da Conquista, a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas reduziram a umidade do solo. Segundo o Sisdadro, a perda de produtividade pode chegar a 42,6% até 14 de abril.

Para os próximos dias, a previsão indica irregularidade das chuvas no Nordeste. No Piauí, os maiores acumulados devem ocorrer nas regiões norte, centro-norte e sudeste, com volumes entre 20 e 70 mm. Na Bahia, as chuvas mais expressivas são esperadas para o sul do estado, com acumulados entre 30 e 90 mm, principalmente entre sábado (11) e domingo (12). Nas demais áreas, a tendência é de baixos volumes ao longo da semana.

As temperaturas máximas devem variar entre 28 °C e 36 °C na maior parte da região. No sudeste do Piauí, os valores podem superar 36 °C, enquanto na Bahia a tendência é de temperaturas acima de 30 °C ao longo da semana.

Esse cenário, marcado por irregularidade das chuvas e temperaturas elevadas, tende a reduzir os estoques de água no solo, sobretudo no centro-sul da Bahia, onde o déficit hídrico deve persistir. A análise destaca a necessidade de acompanhamento das condições meteorológicas e do monitoramento da umidade do solo para orientar o manejo das lavouras. “Esse quadro reforça a necessidade de atenção no planejamento das atividades agrícolas na região”, conclui o boletim.





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