Mercado da soja reage a guerra no Oriente Médio
Sob influência do cenário geopolítico no Oriente Médio e da expectativa pelo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o mercado internacional da soja apresentou estabilidade ao longo da semana, segundo análise divulgada nesta quinta-feira (9) pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário.
De acordo com a Ceema, as cotações do grão na Bolsa de Chicago registraram variação limitada durante o período analisado. O primeiro contrato cotado encerrou o pregão desta quinta-feira (9) em US$ 11,65 por bushel, frente aos US$ 11,63 registrados uma semana antes. “Sob influência da guerra no Oriente Médio e na expectativa de novo relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado em 09/04, o mercado da soja, em Chicago, se comportou bastante estável nesta semana”, apontou a Ceema.
Ainda segundo a análise, o anúncio de uma trégua de duas semanas no conflito durante a semana, mesmo sem garantias concretas, influenciou o mercado de derivados. “O anúncio de uma trégua de duas semanas na guerra, feito durante a semana, mesmo que sem garantias concretas, derrubou a cotação do óleo de soja em Chicago”, informou a entidade. Conforme o levantamento, o preço do óleo recuou 3,3% entre os dias 7 e 8 de abril, após ter se aproximado de 70 centavos de dólar por libra-peso no dia 7.
O relatório mensal divulgado pelo USDA em abril não apresentou mudanças relevantes em relação aos números divulgados em março. “O relatório de abril não trouxe grandes novidades, indicando os mesmos volumes de produção e estoques finais, para os EUA, anunciados em março”, registrou a Ceema. A análise aponta que o mesmo ocorreu em relação às estimativas globais de produção e estoques finais.
As projeções para a produção na Brasil e na Argentina foram mantidas em 180 milhões e 48 milhões de toneladas, respectivamente. Já as importações da China seguem projetadas em 112 milhões de toneladas para o ano comercial 2025/26. A Ceema destaca que o relatório considerado mais relevante para o mercado será o de maio. “Vale destacar que o mais importante relatório é o de maio, o qual trará a primeira estimativa de produção nos EUA e mundo para o ano comercial 2026/27”, informou a entidade.
Nos Estados Unidos, o plantio da nova safra de soja também começou. Segundo a Ceema, até o dia 5 de abril o plantio havia alcançado 3% da área prevista, acima da média histórica de 2% para o período.
Em relação ao comércio exterior, os embarques norte-americanos de soja somaram 779.352 toneladas na semana encerrada em 2 de abril, superando as expectativas do mercado. Com isso, o volume exportado pelos Estados Unidos no atual ano comercial chegou a 30,7 milhões de toneladas, o que representa queda de 26% em relação ao registrado no mesmo período do ano anterior.

