sexta-feira, abril 3, 2026

Política & Agro

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Oferta restrita mantém preço em alta; média avança pela 8ª semana consecutiva



A oferta restrita de mandioca mantém os preços da raiz em alta


Foto: Canva

A oferta restrita de mandioca mantém os preços da raiz em alta nas regiões acompanhadas pelo Cepea – entre 23 e 27 de março, as cotações subiram pela oitava semana consecutiva. Apesar de alguns produtores terem retomado a colheita, a maioria ainda adia a comercialização para priorizar outras atividades e/ou por considerar a rentabilidade baixa.

Esse cenário manteve a disponibilidade abaixo da demanda industrial, impulsionando os valores, que operam no maior patamar desde novembro do ano passado. Segundo pesquisadores do Cepea, apesar das recentes valorizações, produtores sinalizam uma redução nas áreas a serem ocupadas com mandioca, considerando baixa a rentabilidade, custos ainda elevados e menor acesso ao crédito para custear a atividade. 





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Clima exige cautela na safra de algodão


A estimativa para a produção brasileira de algodão na safra 2025/26 foi mantida em 3,74 milhões de toneladas pela StoneX, conforme análise divulgada no relatório de março da consultoria. Apesar da manutenção da projeção, a empresa destaca que o ciclo ainda exige atenção devido às condições climáticas e ao estágio de desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras.

No Mato Grosso, principal produtor da fibra no país, o desenvolvimento das lavouras ainda é considerado inicial, embora apresente desempenho considerado satisfatório até o momento. A consultoria aponta que o comportamento das chuvas ao longo de abril será decisivo para a definição do rendimento das lavouras, especialmente nas áreas que tiveram plantio mais tardio.

Segundo Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o estágio atual das lavouras exige acompanhamento das condições climáticas nas próximas semanas. “O desenvolvimento ainda está em um estágio bastante incipiente em algumas regiões do Mato Grosso, o que faz com que o clima nas próximas semanas seja decisivo para consolidar o potencial produtivo da safra”, afirma. “As áreas plantadas mais tardiamente exigem atenção redobrada, pois são mais sensíveis a eventuais irregularidades climáticas.”

Na Bahia, o cenário climático apresenta condições mais favoráveis para a cultura. De acordo com a StoneX, os volumes de chuva registrados até o momento estão acima da média histórica, o que contribui para um estágio mais avançado de desenvolvimento das lavouras e sustenta a estimativa de produtividade no estado, projetada em 1,97 tonelada por hectare.

Bulascoschi afirma que o regime de chuvas tem favorecido o desempenho da cultura no estado. “Na Bahia, o clima tem colaborado de forma bastante positiva. As lavouras estão mais adiantadas e o bom regime de chuvas ajuda a tornar mais concreta a estimativa atual de produtividade”, destaca.

No mercado externo, a consultoria revisou a projeção de exportações brasileiras de algodão para 2026. Segundo o relatório de março da StoneX, os embarques estão estimados em 3,1 milhões de toneladas, volume 3,3% superior à estimativa divulgada em fevereiro. A revisão reflete a maior disponibilidade do produto após a colheita expressiva do ciclo anterior.

A consultoria também aponta expectativa de demanda mais elevada em mercados consumidores relevantes, como China e Paquistão, especialmente no primeiro semestre do próximo ano, o que pode favorecer o ritmo das exportações brasileiras. “A combinação entre uma oferta robusta e uma demanda internacional mais firme tende a sustentar um bom desempenho das exportações ao longo do primeiro semestre”, explica Bulascoschi. “Ainda assim, o mercado seguirá atento ao potencial produtivo da safra atual e a como isso pode influenciar o fluxo de embarques na segunda metade do ano.”

De acordo com a StoneX, o desempenho da produção ao longo do ciclo será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda e para a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional ao longo de 2026.





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Primeira massa de ar frio chega ainda em abril


Mudanças nas projeções meteorológicas indicam um cenário mais favorável para a chegada de uma massa de ar frio ainda em abril no Brasil. De acordo com informações do Meteored, o avanço desse sistema pode ocorrer antes do que indicavam as tendências anteriores e deve alterar o padrão de temperaturas no centro-sul do país nas próximas semanas.

Segundo a análise, a mudança já começa a ser observada durante a Semana Santa, com aumento das chuvas e redução do calor em parte do centro-sul. Ainda não há, neste momento, a atuação de uma frente fria responsável por essa alteração nas condições atmosféricas. O fenômeno ocorre devido a uma configuração nos níveis mais elevados da atmosfera, que favorece a formação de instabilidades nas regiões Sul e Sudeste e no estado de Mato Grosso do Sul.

O levantamento aponta que a intensificação dos sistemas de chuva sobre o centro-sul ocorre de forma mais tardia neste ano, mas deve se tornar mais evidente nas próximas semanas. A tendência é de antecipação da atuação de uma frente fria mais intensa e, posteriormente, da primeira massa de ar frio mais significativa do outono.

De acordo com o Meteored, as projeções ainda são consideradas uma tendência e podem sofrer alterações. Os detalhes sobre intensidade, alcance territorial e impactos do sistema frontal e da massa de ar frio ainda dependem da evolução dos modelos meteorológicos.

Durante o fim de semana da Páscoa, a atuação de um sistema de chuva sobre o Uruguai pode provocar aumento temporário das temperaturas no centro-sul do Brasil. O fenômeno ocorre devido ao acúmulo de ar quente sobre a região, o que pode gerar um novo período de temperaturas acima da média em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Na semana seguinte, o sistema sobre o Uruguai tende a avançar em direção ao Sul do Brasil, ganhando intensidade e formando uma área de baixa pressão que pode originar um ciclone extratropical acompanhado de frente fria. Segundo o Meteored, o período entre os dias 6 e 10 de abril deve marcar a primeira redução mais significativa das temperaturas.

As projeções indicam que, no final dessa semana, especialmente na sexta-feira (10), as temperaturas máximas podem ficar próximas de 20 °C em grande parte da Região Sul e no leste do estado de São Paulo. As mínimas devem variar entre 10 °C e 15 °C, com valores menores em áreas de serra. Nesse mesmo período, a frente fria também deve influenciar o Sudeste, contribuindo para reduzir as temperaturas máximas para cerca de 24 °C a 25 °C em outros estados da região.

Na sequência, por volta dos dias 12 e 13 de abril, a frente fria tende a perder força, mas a massa de ar frio associada pode continuar atuando e ampliar sua área de influência sobre o centro-sul do país. Com isso, o padrão de temperaturas mais amenas pode persistir ao longo dos dias, caracterizando condições típicas do outono, com madrugadas e noites mais frias em diversas localidades.





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Safra de feijão avança no Rio Grande do Sul


A colheita do feijão da primeira safra no Rio Grande do Sul registra avanço, conforme o Informativo Conjuntural divulgado na última quinta-feira (26) pela Emater/RS-Ascar. Segundo o levantamento, ainda restam áreas mais extensivas no Nordeste do estado, onde está concentrada parte significativa das lavouras em plantio tardio.

De acordo com o relatório, “a cultura apresenta avanço significativo da colheita, restando lavouras mais extensivas no Nordeste do Estado, onde se cultiva 43% da área estadual em plantio tardio, em período próximo da segunda safra nas demais regiões produtoras”. A Emater/RS-Ascar projeta área de 23.029 hectares para o feijão da primeira safra, com produtividade média estimada em 1.781 quilos por hectare.

Na região administrativa de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, 42% das lavouras já foram colhidas, enquanto 50% estão em maturação. A produtividade registrada se aproxima de 2.000 quilos por hectare, abaixo da expectativa inicial. Segundo o informativo, a redução está associada ao período prolongado de restrição hídrica e às altas temperaturas, que afetaram o desenvolvimento das plantas, resultando em abortamento de flores, menor porte e redução do número de vagens por planta.

No caso do feijão da segunda safra, a maior parte das lavouras está em fases de desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. Até o momento, 4% da área foi colhida e 11% está em maturação. O avanço do ciclo ocorre de forma relativamente homogênea, com maior presença das lavouras nas fases de desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos, refletindo o calendário mais tardio dessa safra.

Segundo a Emater/RS-Ascar, “as precipitações no período contribuíram para a manutenção do potencial produtivo nas áreas em fases fenológicas críticas, ainda que a irregularidade na distribuição tenha limitado o crescimento em parte das lavouras”. Para a segunda safra, a projeção é de área cultivada de 7.774 hectares e produtividade média de 1.504 quilos por hectare.

O relatório aponta ainda que o quadro fitossanitário permanece estável, com baixa incidência de pragas e doenças na maior parte das áreas monitoradas.

Na regional de Erechim, predominam as fases de desenvolvimento vegetativo e floração, além de áreas em enchimento de grãos. Uma parcela inferior a 1% das lavouras já foi colhida, e a produtividade estimada é de 1.681 quilos por hectare. Na regional de Ijuí, as lavouras estão distribuídas entre desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos, com a colheita ainda em estágio inicial.

Na região de Santa Maria, os cultivos apresentam resposta positiva às chuvas registradas no período, com confirmação dos rendimentos iniciais nas áreas já colhidas. Em Soledade, as precipitações favoreceram a recuperação parcial do desenvolvimento das lavouras, embora a restrição hídrica anterior tenha reduzido o ritmo de crescimento das plantas. Segundo o informativo, “há registro de ocorrência de ácaros e tripes, cuja incidência tem sido favorecida pelas condições de tempo seco”.





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Biofertilizantes ganham espaço no campo


A intensificação dos conflitos no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado internacional de fertilizantes e evidenciou a dependência do agronegócio brasileiro de insumos importados. Atualmente, até 90% dos fertilizantes utilizados no país vêm do exterior, fator que amplia a exposição do produtor rural às oscilações geopolíticas e à alta de preços.

O cenário já impacta os custos de produção no campo e reforça a busca por alternativas capazes de reduzir essa dependência. Nesse contexto, empresas do setor têm ampliado investimentos em tecnologias voltadas à nutrição e à saúde do solo, como os biofertilizantes.

Entre elas está a Ambios, empresa mato-grossense da Natter, que atua no desenvolvimento de soluções voltadas à eficiência produtiva e ao manejo do solo. Segundo o CEO da Natter, Rafael Bortoli, o atual cenário reforça a necessidade de mudanças na gestão nutricional das lavouras.

“Diante da instabilidade e da pressão sobre fertilizantes convencionais, o produtor precisa olhar para dentro da porteira. Eficiência no uso de nutrientes e saúde do solo deixam de ser diferencial e passam a ser estratégia para sustentar produtividade e reduzir riscos”, afirma.

Entre as tecnologias desenvolvidas pela Ambios está o Ingrow, recentemente classificado como biofertilizante. O produto é formulado a partir de coprodutos de peixe de água doce e propõe uma abordagem voltada ao metabolismo vegetal.

De acordo com a empresa, a nova geração de biofertilizantes busca atuar além do fornecimento de nutrientes, estimulando processos fisiológicos que ampliam a eficiência das culturas. Ensaios técnicos conduzidos em diferentes regiões indicam incrementos médios a partir de cinco sacas por hectare em culturas como soja, milho e algodão.

Para o gerente de pesquisa e desenvolvimento de mercado da Ambios, Denis Matos, o avanço está na mudança de enfoque na nutrição das plantas. “O metabolismo passa a ser o centro da estratégia. Ao ativar esses processos, a planta aproveita melhor os recursos disponíveis e sustenta eficiência produtiva, mesmo em condições de estresse”, diz.

Segundo o diretor comercial da Ambios, Sandro Fernandes, o objetivo é gerar resultados práticos nas lavouras. “Não se trata apenas de fornecer nutrientes. Quando ativamos essas rotas fisiológicas, a planta responde com mais eficiência, e isso se traduz em ganho real para o produtor”, afirma.

O diretor industrial da Ambios, Nilton Ribeiro, destaca que o biofertilizante foi desenvolvido para se integrar ao manejo já adotado nas propriedades rurais. “Não há restrições de mistura e a aplicação pode ser feita via sulco de plantio ou foliar, sem gerar complexidade ao produtor”, destaca.

Segundo a empresa, ao utilizar coprodutos da cadeia do pescado na formulação de insumos agrícolas, a Ambios busca ampliar o uso de princípios de economia circular no setor, conectando sustentabilidade e eficiência produtiva em um contexto em que o agronegócio busca reduzir custos, aumentar a previsibilidade e otimizar o uso de recursos naturais.





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Pastagens mostram melhora após retorno das chuvas


As condições das pastagens no Rio Grande do Sul apresentaram melhora em diversas regiões após o retorno das chuvas, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na última quinta-feira (26) pela Emater/RS-Ascar. O relatório aponta avanços no preparo do solo e no início da implantação de pastagens de inverno, além da recuperação gradual da oferta de forragem em diferentes sistemas produtivos.

Na região administrativa de Bagé, nos municípios de Hulha Negra e Bagé, alguns produtores concluíram ainda em março o preparo do solo para a implantação de pastagens de aveia após as chuvas, com o objetivo de reduzir o vazio forrageiro do outono. Segundo o informativo, a semeadura em solo seco pode resultar em perda de vigor e redução do estande de plantas, além de dificultar a definição do início do pastejo e favorecer a infestação de plantas daninhas.

Na regional de Caxias do Sul, o clima favoreceu a rebrota e o desenvolvimento das forrageiras, garantindo alimento para os bovinos. Parte dos produtores iniciou a implantação das pastagens anuais de inverno para reduzir o vazio forrageiro típico da estação. O relatório aponta ainda que as pastagens perenes têm garantido matéria seca de qualidade nos sistemas baseados em pasto, enquanto os campos nativos, utilizados na criação de bovinos de corte, apresentam maior fibrosidade, com redução da qualidade nutricional, mas permitem o acúmulo de forragem para uso durante o inverno com suplementação.

Na região de Passo Fundo, a recuperação da umidade no solo e as temperaturas elevadas mantiveram a rebrota das pastagens e a oferta de alimentos volumosos, mesmo com a proximidade do fim do ciclo das forrageiras anuais de verão. De acordo com o levantamento, nesses materiais também é observada redução da qualidade nutricional e da palatabilidade, o que exige monitoramento do consumo e ajustes no manejo alimentar dos animais.

Na regional de Erechim, a oferta de forragem de verão e de campo nativo permanece satisfatória na maior parte da área acompanhada. O uso de silagem de milho, trigo e cevada continua sendo adotado principalmente para fornecimento de volumoso e complementação energética das dietas.

Em Ijuí, foi iniciada a semeadura das forrageiras anuais de inverno, com destaque para a aveia branca. As primeiras áreas semeadas apresentam início de emergência. As pastagens anuais de verão têm sido eliminadas para a implantação das pastagens de inverno, enquanto as forrageiras perenes de verão ainda apresentam boa produção de massa verde, embora com redução da qualidade.

Na regional de Pelotas, em Pinheiro Machado, o retorno das chuvas após um período de estiagem deve favorecer a rebrota das pastagens nativas e permitir o início do plantio de pastagens de inverno. Já em Jaguarão, os campos nativos apresentam rebrota e os produtores iniciaram a implantação de pastagens, com emergência da ressemeadura do ciclo anterior em diversas áreas. Em propriedades que utilizam restevas de soja para formação de pastagens, a semeadura de azevém está sendo realizada com apoio de avião ou drone, devido ao estágio de maturação da soja.

Na região de Porto Alegre, as pastagens de verão permanecem em desenvolvimento vegetativo. As chuvas registradas nos últimos dias contribuíram para manter a umidade do solo e favorecer o crescimento das áreas de pastagem. Parte dos produtores também iniciou o preparo do solo para implantação das pastagens de inverno.

Em Santa Maria, as precipitações garantiram a continuidade do desenvolvimento do campo nativo e das pastagens perenes, com áreas de Tifton apresentando taxa elevada de crescimento.

Na regional de Santa Rosa, as chuvas registradas no final de semana favoreceram as pastagens cultivadas de verão, promovendo nova rebrota e recuperação do vigor das plantas. Produtores aproveitaram a umidade para realizar adubação nitrogenada, o que deve acelerar a recuperação da massa verde e melhorar a qualidade nutricional do pasto no curto prazo. Nas áreas de campo nativo, as precipitações também estimularam a rebrota natural das espécies, ainda que em ritmo mais lento.

O relatório aponta ainda que produtores da região têm realizado a semeadura de aveia para cobertura do solo, adubação verde e pastejo de inverno, além da organização para implantação de trigo de duplo propósito, voltado à produção de leite a pasto e posterior produção de silagem. Mesmo com a melhora das condições das pastagens, persistem desafios fitossanitários, principalmente em áreas de Tifton, onde foram registrados ataques de lagartas e cigarrinhas, exigindo aplicações de inseticidas químicos e biológicos e aumentando os custos de produção.

Na regional de Soledade, chuvas de volumes variados registradas no período favoreceram a rebrota das pastagens anuais e perenes de verão, além das áreas de campo nativo, ampliando a oferta de forragem para os rebanhos.





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Mercado de fertilizantes entra em fase de risco


O mercado global de fertilizantes atravessa um momento de reprecificação marcado por incertezas logísticas, energéticas e geopolíticas, que afetam diretamente a formação de preços e a disponibilidade dos insumos. As informações são de Alê Delara, especialista em Inteligência Estratégica para o Agronegócio.

Nas últimas semanas, o ambiente internacional passou a refletir maior sensibilidade ao risco de entrega, sem que haja necessariamente escassez física de produto. O Oriente Médio voltou ao centro das atenções, com pressões logísticas que reduzem a flexibilidade global e tornam o fluxo de mercadorias mais irregular.

Ao mesmo tempo, a China mantém restrições nas exportações, sobretudo em fosfatados e alguns blends, alterando o equilíbrio entre oferta e demanda. Esse movimento força importadores a buscarem alternativas mais caras e com prazos menos previsíveis, reduzindo a elasticidade do mercado.

A Rússia também contribui para o cenário de incerteza ao adicionar volatilidade nos nitrogenados, justamente em um período importante para o calendário agrícola do Hemisfério Norte. Nesse contexto, cresce o pagamento de prêmios não para ampliar compras, mas para garantir volume, rota e entrega.

Nos nitrogenados, a percepção é de aperto persistente, já refletido no custo ao Brasil, ainda que a liquidez interna siga limitada pela entressafra. Na amônia, a firmeza dos preços acompanha a retomada europeia na produção de nitratos, pressionando toda a cadeia.

Os fosfatados seguem em patamar elevado, sustentados por oferta ajustada e custos logísticos relevantes, com o enxofre contribuindo para manter esse piso. O potássio, embora mais estável, começa a absorver o impacto do frete e da reposição.


 





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Carne bovina ganha força e amplia mercados em 2026


As exportações brasileiras de carne bovina iniciaram 2026 em ritmo acelerado, com crescimento expressivo em volume e faturamento nos principais mercados compradores. Dados compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos indicam avanço consistente nas vendas externas.

O desempenho no primeiro bimestre mostra aumento tanto na quantidade embarcada quanto na receita, com destaque para a diversificação de destinos. Além da China, principal compradora, países como Estados Unidos, União Europeia, Chile e Rússia ampliaram suas aquisições, reforçando a demanda internacional pela proteína brasileira. Esse movimento sugere que eventuais restrições comerciais impostas pelo mercado chinês tendem a ter impacto limitado ao longo do ano. 

No acumulado de janeiro e fevereiro, as exportações somaram US$ 2,865 bilhões, alta de 39%, com volume de 557,24 mil toneladas, avanço de 22% frente ao mesmo período de 2025. Apenas em fevereiro, o faturamento atingiu US$ 1,449 bilhão, com crescimento próximo de 40%, acompanhado por elevação significativa nos embarques. 

A China manteve a liderança, apesar de leve redução na participação total, enquanto os Estados Unidos registraram forte expansão nas compras, impulsionados por déficit interno de oferta. A União Europeia também apresentou crescimento consistente, favorecida por perspectivas comerciais positivas. Na América do Sul, o Chile seguiu com desempenho sólido, e a Rússia avançou de forma expressiva entre os maiores compradores.

O cenário externo segue favorável, embora fatores como custos logísticos e tensões geopolíticas possam influenciar o ritmo das exportações. Ao mesmo tempo, a oferta interna tende a ser mais restrita devido à mudança no ciclo pecuário, com menor abate de fêmeas. Ainda assim, a abertura e consolidação de novos mercados indicam continuidade da demanda aquecida ao longo do ano.

  





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Nova tecnologia pode mudar preço das terras



O método incorpora o Índice de Tipologia de Argila


O método incorpora o Índice de Tipologia de Argila
O método incorpora o Índice de Tipologia de Argila – Foto: Pixabay

A busca por maior transparência e precisão nas negociações de terras agrícolas tem impulsionado o uso de novas ferramentas técnicas no Brasil. Em um mercado historicamente marcado pela informalidade, iniciativas voltadas à padronização da avaliação ganham espaço ao integrar ciência e práticas imobiliárias.

Durante treinamento realizado em Ribeirão Preto (SP), foi apresentada uma metodologia baseada na tipologia de argila como suporte à análise técnica e à precificação de imóveis rurais . A proposta busca aprimorar o entendimento do Valor da Terra Nua, indicador que reflete a aptidão agrícola natural do solo e serve de base para tributos e negociações.

O método incorpora o Índice de Tipologia de Argila, que considera características não captadas por análises tradicionais, permitindo uma leitura mais precisa do potencial produtivo. A iniciativa reúne diferentes frentes, conectando inteligência territorial e mercado imobiliário rural, com foco na qualificação das decisões.

Dados levantados com participantes indicam desafios recorrentes, como dificuldade na justificativa técnica de preços e divergências entre valor real e percebido das propriedades. Ao mesmo tempo, há reconhecimento crescente da importância de diagnósticos mais detalhados do solo como diferencial competitivo.

Como destacou o professor da UNESP, Marcílio Vieira Martins Filho, especialista em erosão e perito em laudos de terras, que participou como convidado do treinamento, “quando a tipologia de argila entra na equação do VTN, deixamos de olhar apenas a superfície e passamos a compreender o comportamento do solo frente à água, ao manejo e ao risco produtivo”.

A expectativa é que a aplicação dessa abordagem contribua para negociações mais seguras, além de apoiar análises de crédito e seguros rurais. A proposta também reforça o movimento de profissionalização do setor, ao transformar informações técnicas em base para maior confiança e eficiência no mercado de terras.

 





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Segredo no manejo leva soja a alta produtividade



O controle fitossanitário também foi priorizado


O controle fitossanitário também foi priorizado
O controle fitossanitário também foi priorizado – Foto: Pixabay

O manejo adequado da soja nas fases reprodutivas tem papel decisivo na definição do potencial produtivo, especialmente em momentos críticos como o florescimento e o enchimento de grãos. Estratégias que favorecem a retenção de estruturas e a redistribuição de nutrientes podem resultar em ganhos expressivos de rendimento no campo.

Com foco nessas etapas, o produtor Paulo Storti adotou o uso de bioestimulantes nas fases R1 e R5 na Fazenda Santana, em Itapeva (SP). A prática contribuiu para maior retenção de vagens e incremento no peso dos grãos, fatores que ajudaram a alcançar produtividade de 126,71 sacas por hectare. O desempenho garantiu ao produtor o primeiro lugar no Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja da safra 24/25, promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil.

Segundo o produtor, a antecipação de decisões e o uso de dados foram determinantes ao longo do ciclo. Mesmo diante de variações climáticas, como veranico no início da formação de vagens e excesso de chuvas na maturação, o planejamento técnico orientou os ajustes necessários. O escalonamento do plantio e o uso de tecnologias de monitoramento em tempo real permitiram preservar o potencial produtivo.

O controle fitossanitário também foi priorizado, com atenção à ferrugem asiática, mancha-alvo e percevejo-marrom. O manejo incluiu fungicidas protetores desde estágios iniciais e alternância de mecanismos de ação, além de monitoramento frequente e controle antecipado de pragas.

Na área, práticas como rotação de culturas, plantio direto e uso racional de insumos foram associadas ao uso crescente de biodefensivos, promovendo maior equilíbrio biológico e eficiência produtiva. A avaliação é de que o uso consistente de informações e o conhecimento detalhado da área são fatores essenciais para alcançar altos níveis de produtividade.

 





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