quarta-feira, março 11, 2026

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Exportações caem para UE, mas crescem aos EUA



Exportações crescem para os EUA e caem para a UE, pressionando preços da laranja


Foto: Agrolink

Dados do Comex Stat/Mdic analisados pelo Cepea mostram que, no balanço dos cinco primeiros meses da safra 2025/26 (de julho/25 a novembro/25), as exportações brasileiras de suco de laranja avançaram para os Estados Unidos, mas caíram à União Europeia, tradicionalmente o maior destino da commodity nacional. 

Os EUA receberam 162,8 mil toneladas de suco equivalente concentrado (66° Brix) entre julho e novembro, volume 25,9% superior ao registrado nos mesmos meses da temporada anterior. Já a União Europeia foi destino de 160,6 mil toneladas no período, recuo de 25,5%. Segundo pesquisadores do Cepea, a boa qualidade do suco da safra 2025/26 e a demanda da União Europeia enfraquecida têm resultado em recomposição dos estoques da commodity na indústria brasileira – e isso vem gerando pressão sobre os valores da laranja pagos ao produtor. 

De 15 a 18 de dezembro, a pera de mesa na árvore foi comercializada à média de R$ 46,58/cx de 40,8 kg, queda de 11,45% em relação à da semana anterior. 





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Plano Recupera Rural RS encerra ações de 2025


A comunidade de Arroio do Ouro, em Estrela/RS, recebeu no dia 2 de dezembro o evento que marcou o encerramento das ações do Plano Recupera Rural RS em 2025 na região e definiu, de forma coletiva, os rumos para o próximo ano. A “Oficina de Planejamento Participativo 2026” reuniu 81 participantes, entre agricultores, lideranças locais e representantes de instituições públicas, entre elas: Emater, Prefeitura Municipal de Estrela, Secretaria de Qualidade Ambiental de Estrela, Instituto Retomada RS, Univates, Associação de Moradores de Arroio do Ouro, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Estrela, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Sicredi, Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA-RS) e Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). O encontro foi motivado pelo cenário ainda sensível na região, fortemente impactada pelas enchentes de novembro de 2023 e maio de 2024 e pelas ações implementadas pelo Recupera RS ao longo do ano. 

Abertura e balanço das ações de 2025

A programação teve início às 8h, com a formação da mesa de autoridades, que contou com a presença da prefeita de Estrela, Carine Schwingel; do chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Dutra; do representante da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado, Valmir Zanatta; o chefe do escritório da Emater/RS-Ascar de Estrela, Álvaro Trierweiler; da representante do Instituto Retomada, Virgínia Pies; do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Rogério Heemann; da representante do Sicredi, Neiva Huwe; e do produtor rural Fernando Mallmann. Todas as lideranças presentes ressaltaram a relevância da iniciativa e reforçaram o compromisso coletivo em apoiar a reconstrução das famílias, especialmente aquelas que tiveram suas propriedades e rotinas profundamente afetadas pelos desastres climáticos. O chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Dutra, reforçou a importância da escuta das famílias e do fortalecimento da resiliência produtiva: 

“Estamos em uma comunidade que sofreu muito. Hoje, depois de um ano de trabalho dentro do Plano Recupera Rural RS, estamos apresentando para as famílias as ações executadas até aqui. Nosso objetivo é não apenas apoiar a recuperação imediata, mas fortalecer a resiliência dos sistemas produtivos diante das mudanças climáticas que já estão em curso, de forma participativa, ouvindo a comunidade para poder avançar.”

Após os pronunciamentos, equipes da Embrapa, que integram a Plataforma Colaborativa Sul, responsável pela execução do Plano Recupera Rural RS, e Emater, apresentaram as ações desenvolvidas em 2025 na localidade, envolvendo manejo do solo, restauração ambiental, qualidade da água e adaptações produtivas realizadas em parceria com agricultores atingidos.

O coordenador do Plano Recupera Rural RS, Ernestino Guarino, destacou que o evento foi um espaço essencial de devolutivas e escuta: “Estamos trazendo para a comunidade resultados concretos de 2025, como práticas de manejo conservacionista do solo, orientações que ajudam o agricultor a garantir maior infiltração da água da chuva, ações de restauração das margens do rio com sistemas agroflorestais e estudos sobre a qualidade da água dos poços profundos. São iniciativas construídas com parceiros como a Emater, Fiocruz e secretarias de Meio Ambiente.” Sobre os desafios ainda presentes, Guarino reforçou:

“Os resultados são positivos, mas ainda há muitos desafios, especialmente nas áreas onde houve deposição de areia e na recuperação produtiva das margens do rio. Esses desafios exigem continuidade da pesquisa e, principalmente, o protagonismo dos agricultores para que possamos avançar na adaptação às mudanças climáticas”.

Comunidade participa do planejamento para 2026

Os participantes foram divididos entre grupos de agricultores e grupos institucionais para dar início a dinâmica participativa. Cada grupo trabalhou com base em perguntas norteadoras que orientaram a construção dos resultados: no grupo das instituições, a reflexão partiu da questão “Quais capacidades, recursos e competências cada instituição pode mobilizar para fortalecer a comunidade e ampliar sua resiliência diante de eventos climáticos extremos?” Já os agricultores foram convidados a responder “Quais os desafios e prioridades a comunidade identifica para fortalecer sua recuperação e resiliência, e que tipos de apoio seriam mais úteis das instituições presentes?”

A partir dessas discussões, foram formadas “nuvens de palavras” que sintetizaram as percepções coletivas e serviram como base para organizar demandas em eixos temáticos. Eloi Wermann, produtor rural de Arroio do Ouro, que perdeu toda a sua produção leiteira na catástrofe e participou do evento, fez um relato sobre a sua situação atual: “Os animais foram todos embora. De 140 animais, sobraram só 11 vivos. Destruiu a ordenhadeira, não teve nada inteiro. Foram 40 anos investindo na propriedade, na área do leite. Em questão de 10 horas, não tinha mais nada.” Ao refletir sobre os caminhos para reconstrução, Eloi destacou aquilo que considera essencial: “Acho que a partir de agora o principal para a gente poder se reerguer é que as nossas dívidas sejam cobradas de forma mais acessível. Que a gente consiga empréstimos com juros baixos ou que tenha programas do governo que façam com que a gente consiga retomar a atividade de forma fácil e integrada. Outra coisa primordial é que as estradas de terra continuem sendo bem mantidas.”  Para Pedro Coletti, também agricultor da localidade, é fundamental que a presença dos órgãos públicos permaneça na comunidade. “Para nós, aqui da comunidade, é muito importante que os órgãos públicos continuem presentes. Esse tipo de ação que estamos vivendo hoje — as visitas técnicas nas propriedades, as pesquisas para melhorar a infiltração da água no solo — precisa seguir por mais tempo. Mesmo quando a catástrofe do ano passado deixar de ser assunto recente, a gente ainda vai precisar desse acompanhamento de perto por muito tempo”.

Escuta ativa fortalece vínculo entre comunidade e poder público

O vice-prefeito de Estrela, Márcio Mallmann, destacou a importância da dinâmica participativa e da aproximação entre instituições e agricultores. Para ele, a iniciativa representa um marco para o município: “Nós ficamos muito felizes e nos sentimos acolhidos pela Embrapa e pelas instituições quando vêm até aqui e prestam esse auxílio, não apenas técnico, mas de escuta. Isso faz diferença para pensarmos o futuro de forma assertiva. Quando as demandas partem da comunidade, elas tendem a dar certo.” Mallmann recordou ações anteriores de apoio emocional e organizativo após a enchente, reforçando o papel da escuta comunitária. Ele também refletiu sobre a importância de manter a conexão entre agricultores e poder público: “Muitas vezes as pessoas, aqui, têm dificuldade de pedir ajuda, porque sempre foram aquelas que ajudavam a construir a igreja, a escola, a comunidade. Agora precisam ser ajudadas, e isso é um exercício. Quando a gente escuta, esse processo fica mais fácil. No que o município puder ser parceiro, estaremos juntos com a Embrapa e demais órgãos.” O biólogo Rafael Meneghini, servidor da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Estrela, reforçou a importância da atuação conjunta das instituições: “Sou funcionário público municipal há mais de 16 anos e nunca tivemos a presença tão forte de instituições importantes como a Embrapa a Fiocruz. Consideramos de altíssima relevância este evento para a comunidade e para a nossa cidade. Ter acesso à tecnologia e ao corpo técnico especializado da Embrapa para restabelecer a atividade rural, aliado à recuperação ambiental e ao entendimento das pessoas, é tudo o que o município necessita neste momento. Esperamos, em breve, colher frutos para podermos replicar essas ideias em toda a bacia do rio Taquari.”

Dinâmica define ações e responsabilidades

A segunda parte das atividades começaram após o almoço, a dinâmica “Rio do Tempo” transformou as demandas levantadas em um cronograma coletivo de ações para 2026. Cada iniciativa foi representada por barcos de papel conduzidos por instituições “capitãs”, com participação de demais entidades e moradores como “tripulantes”. O processo colaborativo permitiu visualizar o fluxo das ações ao longo do ano, fortalecendo o compromisso conjunto entre comunidade e instituições parceiras.

O encontro resultou na proposição de seis ações principais para o próximo ano, elaboradas com base nas demandas levantadas pelos sete grupos de agricultores e pelas instituições parceiras. Entre os encaminhamentos, destacaram-se:

• Crédito rural e flexibilização das dívidas adquiridas pelos produtores, após a enchente;

• Manutenção constante das estradas rurais do município e recolhimento dos entulhos acumulados em algumas vias, após a catástrofe na região;

• Fortalecimento da Unidade de Aprendizagem Coletiva (UAC) Arroio do Ouro;

• Implantação e ampliação de Unidades de Referência Tecnológica (URTs);

• Continuidade das ações de restauração produtiva e ambiental;

• Apoio articulado entre instituições para fortalecimento da resiliência local.

Encerrada às 17h, a oficina reafirmou o compromisso conjunto de reconstrução sustentável no Vale do Taquari. Com o planejamento construído de forma participativa, 2026 inicia com agenda integrada entre a comunidade e instituições, fortalecendo capacidades locais e ampliando a preparação para futuros eventos climáticos extremos. O Plano Recupera Rural RS integra a Plataforma Colaborativa Sul para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos na Agropecuária, uma iniciativa da do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com a Embrapa. Todas as ações aqui apresentadas visam construir resiliência e adaptação às mudanças climáticas para um futuro mais seguro e sustentável.





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MP libera R$ 59 mi para socorro a famílias atingidas por tornado e chuvas no Paraná



Paraná recebe R$ 59,3 mi para famílias afetadas por clima extremo


Foto: Canva

A Presidência da República liberou R$ 59,3 milhões extras para o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome enfrentar danos causados por desastres climáticos no Paraná. Para isso, publicou nesta sexta-feira (19) a Medida Provisória (MP) 1.329/2025, que disponibiliza o crédito extraordinário.

O estado registrou na primavera deste ano 224 ocorrências climáticas, mais que o dobro em relação ao ano passado. A conta inclui o tornado que atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu em novembro, além de vendavais, granizo e chuvas intensas.

A maior parte dos recursos é destinada para segurança alimentar, com R$ 23 milhões para apoiar a produção rural de povos indígenas e agricultores familiares, por exemplo. Cerca de 5 mil famílias poderão ser atendidas. Outros R$ 22,5 milhões serão destinados à compra e distribuição de alimentos para 1,5 mil famílias.

O restante do valor poderá ser transferido aos fundos de assistência social dos municípios paranaenses. A medida provisória autoriza a transferência de R$ 8 milhões para os municípios realizarem ações de proteção social. Além disso, R$ 5,7 milhões estarão disponíveis para fortalecer o Sistema Único de Assistência Social no estado.

Os créditos extraordinários são liberados em situações de urgência e permitem o uso dos recursos de imediato. Ainda assim, o Congresso Nacional deve analisar a MP no máximo em 120 dias. Se aprovada, a medida se converte em lei, o que mantém o valor disponível ao Poder Executivo durante o ano. Caso contrário, o governo federal dispõe do valor apenas durante o tempo de vigência da medida provisória.

 





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Medida provisória libera R$ 6 bilhões para renovação de frota de caminhões


O governo federal editou uma medida provisória que autoriza a destinação de até R$ 6 bilhões para a criação de linhas de financiamento para a aquisição de caminhões novos ou seminovos, com foco na renovação da frota de transporte de cargas. A medida provisória (MP 1.328/2025) foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União de terça-feira (16). 

Os recursos devem ser usados para financiar pessoas físicas e jurídicas do setor de transporte rodoviário de cargas — o que inclui, por exemplo, transportadores autônomos, cooperados, empresários individuais e empresas.

A gestão dos recursos ficará a cargo do Ministério da Fazenda. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atuará como agente financeiro.

A MP 1.328/2025 já está em vigor (já que todas as medidas provisórias começam a valer assim que são editadas pela Presidência da República). Mas, conforme prevê a Constituição, terá de ser analisada e aprovada pelo Congresso Nacional para se converter definitivamente em lei.

Os financiamentos previstos na MP 1.328/2025 são reembolsáveis, ou seja, os valores têm de ser devolvidos. O texto estabelece que, no caso de caminhões novos, apenas veículos de fabricação nacional poderão ser financiados.

Para caminhões seminovos, o texto determina que o crédito será restrito a transportadores autônomos e cooperados. Além disso, as linhas de financiamento devem prever critérios de conteúdo nacional mínimo e de sustentabilidade ambiental, social e econômica, que ainda têm de ser detalhados em ato do Poder Executivo.

A medida provisória também permite condições diferenciadas — relacionadas a taxas, prazos e carência — para quem entregar como contrapartida veículos antigos (com mais de 20 anos de fabricação) ou optar por modelos mais eficientes e de menor impacto ambiental. 

Além da renovação de frota, a MP 1.328/2025 altera regras de outra medida provisória, a MP 1.314/2025, com a ampliação das possibilidades de liquidação ou amortização de dívidas rurais.

A mudança permite o uso de linha de crédito rural para quitar operações contratadas entre 1º de julho de 2024 e 30 de junho de 2025, inclusive aquelas renegociadas ou prorrogadas, desde que atendam às condições de adimplência previstas no texto.

 





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Safra de cereais de inverno encerra ciclo com desafios para o trigo e oportunidades para aveia e cevada em Santa Catarina


A safra catarinense de cereais de inverno chega ao fim marcada por trajetórias distintas entre trigo, aveia e cevada. A combinação de preços pressionados no mercado internacional e menor atratividade econômica reduziu a área cultivada com trigo no Estado. Por outro lado, aveia e cevada se constituem em alternativas de inverno importantes para geração de renda, diversificação da produção e conservação de solo.

No caso da cevada, a rentabilidade foi favorecida pela adoção de contratos antecipados entre produtores, cooperativas e a indústria, o que garantiu preços e reduziu riscos de comercialização. A aveia, por sua vez, reforçou seu papel tanto como opção econômica quanto como cultura estratégica para o manejo do solo e a diversificação dos sistemas produtivos.

Conforme o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, João Rogério Alves, o trigo colhido no Estado tem sido considerado de ótima qualidade, no entanto, nem todas as notícias são boas. “O ponto negativo fica por conta da redução da área plantada nesta safra. Com isso, a produção total em Santa Catarina deve registrar uma diminuição de 11,5%, chegando a aproximadamente 382 mil toneladas”, explica.

“O cenário não é dos melhores, já que o mercado internacional mantém a commodity em baixa. A grande oferta global, aliada à expectativa de super safra em países vizinhos, como a Argentina, deve manter a pressão sobre os preços no mercado nacional nos próximos meses”, conclui Alves.

Embora a participação de Santa Catarina na produção nacional desses cereais seja pouco expressiva, trigo, aveia e cevada mantêm relevância sob os aspectos agronômico e socioeconômico. O mercado catarinense, no entanto, sofre influência direta dos estados vizinhos. Rio Grande do Sul e Paraná lideram a produção nacional e são determinantes na formação dos preços pagos aos produtores, condicionando o comportamento do mercado em território catarinense.

No vídeo abaixo, João Rogério Alves, da Epagri/Cepa, comenta os destaques das safras de cereais de inverno em Santa Catarina, entre produtividade, qualidade e área plantada. Ele também aponta desafios e oportunidades para trigo, aveia e cevada.

Os preços do trigo seguem em queda em Santa Catarina. Em novembro, o valor médio recebido pelos produtores recuou 2,37% na comparação mensal, com a saca de 60Kg cotada a R$62,20, acumulando desvalorização de 13,44% frente a novembro do ano passado. O movimento baixista acompanha o cenário internacional, marcado pelo aumento da oferta mundial e pelo avanço das exportações, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o que mantém pressão sobre as cotações no mercado interno.

No campo, a colheita já alcança cerca de 75% da área cultivada, com predominância de boas condições nas lavouras remanescentes. Para a safra 2025/26, a estimativa indica redução de 14,5% na área plantada, que deve somar 105,1 mil hectares. Apesar da projeção de aumento de 3,5% na produtividade média, a produção total de trigo em Santa Catarina deve recuar 11,55%, totalizando 382,3 mil toneladas.

O desempenho da aveia e da cevada em novembro reforça o papel desses cereais de inverno como alternativas agronômicas e socioeconômicas viáveis em Santa Catarina, apesar da participação pouco expressiva do estado no mercado nacional. A formação de preços segue fortemente influenciada por Paraná e Rio Grande do Sul, principais produtores do país. No caso da aveia, os preços no mercado paranaense apresentaram queda anual de 3,70%, enquanto em Santa Catarina houve estabilidade na comparação anual. 

Para a cevada, o cenário é mais favorável do ponto de vista econômico. A comercialização ocorre majoritariamente por meio de contratos antecipados com indústrias e cooperativas, voltados à produção de cevada cervejeira. Em 2025, grande parte desses contratos foi fechada em valores atrativos, e as boas produtividades obtidas devem resultar em margens positivas, mesmo com preços atuais inferiores aos de um ano atrás. 

Em Santa Catarina, o Sistema de Monitoramento de Safras da Epagri/Cepa aponta que a área de aveia destinada à produção de grãos recuou 3,47% na safra 2025/26, totalizando cerca de 34,2 mil hectares. Ainda assim, o ganho de produtividade, impulsionado por condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo, resultou em crescimento de 5,84% na produção estadual, próxima de 52 mil toneladas. Já a cevada manteve área reduzida, com 440 hectares cultivados, mas a safra se destacou pela elevada qualidade industrial, reflexo do manejo técnico e do cultivo sob contratos, assegurando mercado e rentabilidade aos produtores catarinenses.

O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal produzida pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa). A edição reúne informações atualizadas sobre produção, preços, clima e mercado, funcionando como um termômetro do desempenho do agronegócio catarinense. O conteúdo completo deste mês está disponível neste link. Confira os destaques das principais culturas do agro de Santa Catarina presentes no Boletim Agropecuário de dezembro de 2025:

O mercado de arroz em Santa Catarina segue pressionado por excesso de oferta, demanda industrial fraca e dificuldades nas exportações, o que levou os preços ao produtor a ficarem 52% abaixo dos níveis de 2024 e inferiores aos custos de produção. Mesmo com medidas de apoio anunciadas pela Conab, o volume é considerado insuficiente para reverter a conjuntura. As exportações catarinenses recuaram 56% no ano, e, para a safra 2025/26, projeta-se redução de área e produtividade, com produção estimada em 1,22 milhão de toneladas, em um ambiente de elevada incerteza para o setor.

Os preços do feijão em Santa Catarina recuaram em novembro, com queda mensal de 2,32% para o feijão-carioca, cotado a R$ 156,32/sc, e de 2,43% para o feijão-preto, a R$ 120,63/sc, valor 52,3% inferior ao registrado no mesmo mês de 2024. A pressão baixista está associada à boa disponibilidade de produto, à proximidade da nova safra, à liquidação de estoques pelos produtores e, no caso do carioca, ao aumento da oferta proveniente do Sudoeste Paulista. No campo, 72% da área da primeira safra já havia sido semeada até o fim de novembro, com lavouras majoritariamente em boas condições. Para a safra 2025/26, estima-se redução de 5,5% na área plantada, para 33 mil hectares, produtividade estável em 2.068 kg/ha e produção de 68,2 mil toneladas, queda de 4,8% em relação à safra anterior.

O preço do milho em Santa Catarina apresentou leve recuperação entre setembro e novembro, com alta de 0,46% no último mês e indicativo de elevação no início de dezembro, sustentado pela retração dos vendedores e pela retomada da demanda para recomposição de estoques. Ainda assim, a safra recorde no Brasil e nos Estados Unidos mantém pressão sobre as cotações. Para 2025/26, projeta-se aumento de 0,82% na área cultivada, com redução estimada de 11,3% na produtividade e queda de 10,6% na produção. O plantio da safra de verão está concluído e, apesar das irregularidades climáticas no Oeste do estado, o desenvolvimento das lavouras segue, até o momento, dentro de uma perspectiva positiva.

Em novembro, o preço médio da soja ao produtor em Santa Catarina registrou alta de 1,5%, alcançando R$ 125,86/sc, mantendo-se estável no início de dezembro, impulsionado pelo forte ritmo das exportações brasileiras no período. Ainda assim, a elevada produção na América Latina e o aumento da oferta global da oleaginosa mantêm pressão sobre as cotações no fim do ano. Para a safra 2025/26, a estimativa inicial aponta redução de 1,75% na área plantada no estado. O plantio da primeira safra está praticamente concluído, com lavouras em desenvolvimento vegetativo e condições, em geral, entre boas e ótimas, apesar do estresse hídrico pontual causado por altas temperaturas e períodos de estiagem no início de dezembro.

Entre outubro e novembro de 2025, os preços da banana em Santa Catarina recuaram, puxados principalmente pela banana-caturra, que registrou desvalorização de 15,9% com aumento da oferta e perda de qualidade associada às altas temperaturas, apesar de ainda apresentar valorização frente a 2024. Para dezembro, a expectativa é de novas quedas, influenciadas pela menor demanda escolar e pela concorrência com frutas da estação. Na banana-prata, a desvalorização recente foi menor, e o mercado projeta recuperação de preços com a redução da oferta e menor competição no verão. Na média, as cotações caíram 13,6% entre outubro e novembro. Para a safra 2025/26, estima-se leve redução de 0,41% na produção total de banana, mesmo com aumento de área, com predomínio do Norte Catarinense, que concentra mais de 85% da produção estadual.

A colheita do alho em Santa Catarina avança com cerca de 60% dos canteiros já colhidos e qualidade considerada muito boa. Neste período, ainda não há registro de preço ao produtor, já que as vendas devem ocorrer a partir de janeiro de 2026, após a cura do produto. No atacado, a caixa de 10 quilos do alho nobre tipo 4 ou 5 foi comercializada a R$ 183,33, leve alta de 0,6% em relação ao mês anterior. As estimativas apontam aumento médio de produtividade para 11.251 kg/ha, o que, aliado à expansão de 13,8% da área cultivada, deve resultar em crescimento de 16,7% na produção, estimada em 8.438 toneladas. As importações permaneceram praticamente estáveis em novembro, com alta de 5,9%, totalizando 4,69 mil toneladas, principalmente provenientes da Argentina, China, Egito e Peru.

A cebola catarinense iniciou a comercialização para outros estados a partir de novembro ao preço de R$ 20,00 a saca de 20 quilos, valor 8,45% superior ao registrado no mesmo período de 2024, enquanto no mercado atacadista estadual a cotação média foi de R$ 44,21. As perspectivas para a safra 2025/26 seguem positivas, com expectativa de produção de 598 mil toneladas e produtividade média de 30,8 t/ha, o que representa aumento de cerca de 7,5% em relação à safra anterior, mesmo após registros pontuais de granizo e haste floral. Até o início de dezembro, 11% da área já havia sido colhida. A colheita poderá se extender até meados de janeiro. No comércio exterior, novembro registrou importações de 327 toneladas da Argentina e da Espanha.

O preço do boi gordo em Santa Catarina apresentou leve alta de 0,4% nas duas primeiras semanas de dezembro, em relação à média do mês anterior, acompanhando a valorização observada nos principais estados produtores. Na comparação com o mesmo período do ano passado, já corrigido pelo IGP-DI, o avanço chega a 3,8%. O movimento é sustentado pelo bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina, que reduz a oferta no mercado interno, e pelo aumento da demanda doméstica, impulsionado pelas festas de fim de ano e por indicadores econômicos favoráveis.

As exportações de carne suína de Santa Catarina totalizaram 50,3 mil toneladas em novembro, queda de 26,4% em relação a outubro e de 19,4% na comparação anual, com receita de US$ 122,9 milhões. No acumulado de janeiro a novembro, porém, o estado exportou 680,8 mil toneladas e faturou US$ 1,68 bilhão, com altas de 3,5% em volume e 9,2% em receita, o melhor desempenho da série histórica para o período. Santa Catarina respondeu por cerca de 51% das exportações brasileiras de carne suína, mantendo a expectativa de novo recorde anual em 2025, apesar da retração pontual observada em novembro.

Santa Catarina registrou forte crescimento na captação de leite no terceiro trimestre de 2025, alcançando 951 milhões de litros, alta de 15% em relação ao trimestre anterior e de 8% na comparação anual. No comércio exterior, as exportações de lácteos cresceram na base anual, enquanto as importações recuaram, reduzindo o déficit da balança comercial. No mercado interno, porém, os preços ao produtor seguiram em queda, com valores de referência próximos a R$ 2,05/litro, e os derivados também apresentaram recuo no atacado. Apesar da redução dos custos de produção, a rentabilidade tem apresentado queda, especialmente nos sistemas menos tecnificados, que registraram forte deterioração do resultado operacional em 2025.

 





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Variedades precoces de milho e sorgo são destaque em Dia de Campo Cotrisul


A aposta por variedades precoces e superprecoces de milho e sorgo foi o denominador comum entre as empresas expositoras do segundo Dia de Campo especial Milho e Sorgo, realizado pela Cotrisul na última terça-feira, 16 de dezembro, em Cachoeira do Sul.

A seleção de híbridos, plantados em área de pivô da Agropecuária Barufaldi, compôs um panorama importante para os produtores rurais associados à cooperativa. A partir do entendimento mais profundo das características de cada um e das especificidades da lavoura, eles terão mais elementos para planejar o verão 2026 – 2027.

Como destacaram os expositores, com as variedades de ciclo mais curto, tanto com o milho quanto com o sorgo, é possível planejar uma segunda colheita no mesmo verão. “Se o inverno for mais ameno e o plantio puder ocorrer no final de agosto, dá para colher em dezembro, a tempo de fazer uma safrinha de soja”, argumentava um dos técnicos convidados.

Segundo dados da cooperativa, a opção pelo milho e pelo sorgo são crescentes na região de atuação (que inclui municípios das regiões Centro, Sul e Campanha), tanto que o número de produtores presentes no Dia de Campo triplicou nessa edição, em comparação com o primeiro encontro, feito em 2024. O aumento do interesse se deve, sobretudo, às recentes dificuldades enfrentadas com a soja.

“O milho e o sorgo representam alternativas importantes, que já tiveram um crescimento expressivo nesse ano. O sorgo desponta como uma lavoura de menor custo e, pela rusticidade da planta, tem mais resistência ao estresse hídrico. O que dá um resultado mais estável para o produtor. E as duas culturas são interessantes quando se pensa em rotação”, explicou o gerente do Departamento Técnico da Cotrisul, Fábio Rosso.

O primeiro levantamento da cooperativa mostrava que a área de sorgo havia crescido 70% em 2025, em comparação com o ano anterior. A estimativa era alcançar 1,5 mil hectares. Porém, já no final da janela de plantio, a Cotrisul estima que as lavouras de sorgo cubram 2 mil hectares. No milho, o aumentou de área foi de 10% nesse ano, alcançando os 6 mil hectares.

Conforme dados da Emater/RS-Ascar, a lavoura de milho no Rio Grande do Sul deve cobrir 785.030 hectares no ciclo 2025/2026, e alcançar uma produtividade de 7.370 kg/há. Já à soja, os produtores do estado devem dedicar 6.742.236 hectares e têm uma produtividade média esperada de 3.180 kg/ha. O Informativo Conjuntural da entidade não inclui dados estaduais sobre o cultivo de sorgo.





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Lista com a classificação das propostas para formação de estoques para mel e castanhas é divulgada



Lista de classificação do PAA para mel e castanhas já pode ser consultada



Foto: Canva

Produtores de mel e castanhas que apresentaram propostas para a modalidade Apoio à Formação de Estoques (AFE) do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) já podem consultar o resultado da classificação dos projetos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta quarta-feira (17) a relação das cooperativas com propostas consideradas aptas, após a análise técnica realizada pela estatal.

A consulta pode ser feita pelo nome da organização fornecedora, conforme os critérios definidos no Comunicado Apoio à Formação de Estoques do PAA nº 01/2025. De acordo com as regras da modalidade, cada projeto poderá acessar até R$ 1,5 milhão em recursos. Para organizações que participam do AFE pela primeira vez, o limite estabelecido é de R$ 500 mil.

A iniciativa tem como objetivo apoiar a formação de estoques da agricultura familiar, com foco em produtos impactados por tarifas adicionais aplicadas às exportações brasileiras. A ação emergencial conta com até R$ 30 milhões, repassados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) à Conab.

Os recursos são direcionados a organizações que enfrentam dificuldades para escoar a produção ao mercado norte-americano e que não conseguem redirecionar integralmente os volumes ao mercado interno ou a outros destinos internacionais. No escopo da medida, cooperativas podem formalizar operações de formação de estoques de castanha-do-brasil, castanha-de-caju, castanha-de-baru e mel, mantendo os produtos armazenados por até seis meses, com devolução posterior dos recursos, sem cobrança de juros ou correção monetária. Clique aqui e acesse a lista de classificação das propostas apresentadas no Comunicado nº 02/2025.





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Condenação no exterior pressiona empresas do agro no Brasil



A Pengdu Agriculture, controlada pela Shanghai Pengxin Group, foi condenada na China


A Pengdu Agriculture, controlada pela Shanghai Pengxin Group, foi condenada na China
A Pengdu Agriculture, controlada pela Shanghai Pengxin Group, foi condenada na China – Foto: Divulgação

A condenação por fraude corporativa de um grupo internacional do agronegócio trouxe novas incertezas para operações brasileiras controladas por capital estrangeiro. A avaliação é de Eduardo Lima Porto, Diretor da LucrodoAgro Consultoria Agroeconômica Ltda, com base em documentos públicos e decisões regulatórias da China.

Em novembro de 2024, a Pengdu Agriculture, controlada pela Shanghai Pengxin Group, foi condenada pela Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China por fraude corporativa e manipulação contábil, envolvendo desvio estimado em RMB 104.797 milhões, cerca de R$ 74,1 milhões. A sentença do Tribunal Intermediário de Changsha, de 29 de outubro de 2025, estabeleceu responsabilidade solidária da controladora.

No Brasil, as subsidiárias Belagrícola e Fiagril acumulam prejuízos milionários há vários anos. A Belagrícola entrou com pedido de Recuperação Extrajudicial para alongar dívidas de bilhões de reais com fornecedores, produtores, bancos e fundos, reconhecendo inadimplência superior a R$ 1 bilhão. A Fiagril enfrenta pressões financeiras e disputas judiciais com produtores rurais.

Ambas emitiram Certificados de Recebíveis do Agronegócio lastreados em recebíveis de qualidade questionável. As garantias dependem de avais dos controladores chineses, hoje em situação financeira pré-falimentar, com ações congeladas por ordem judicial e restrições ao crédito. Esse contexto levanta dúvidas sobre a efetividade das garantias e amplia os riscos para credores brasileiros, diante da possibilidade de execução internacional de ativos por investidores chineses.

“Este material analisa os impactos potenciais dessa crise corporativa transnacional nas operações brasileiras, examina a viabilidade das garantias circulares que sustentam os CRAs e apresenta alguns cenários que podem ser do interesse efetivo dos credores brasileiros. Todas as informações são baseadas em documentação pública oficial da China, decisões regulatórias e judiciais, e reportagens da mídia econômica chinesa”, escreveu no LinkedIn.

Após a publicação da reportagem, a Belagrícola divulgou comunicado ao mercado no qual esclarece que possui gestão independente de seus controladores estrangeiros e autonomia financeira para conduzir suas operações no Brasil. Clique aqui e confira.





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AgroNewsPolítica & Agro

Projeções indicam avanço moderado do Ciclo Otto


A demanda por combustíveis do Ciclo Otto deve manter trajetória de crescimento moderado nos próximos anos, sustentada por fundamentos estáveis e ajustes no mix entre gasolina e etanol. As projeções mais recentes indicam avanço em 2025, com volume total estimado em 60,8 milhões de metros cúbicos, alta de 2% frente a 2024, refletindo a convergência dos dados atuais com as estimativas anteriores do mercado.

A principal revisão no balanço está relacionada ao desempenho do etanol hidratado, cuja demanda mostrou maior resiliência do que o esperado, especialmente em regiões onde a paridade com a gasolina permaneceu abaixo de 70%. Com isso, a retração projetada para o consumo do biocombustível em 2025 foi reduzida para 4%, ante previsão anterior de queda mais intensa. Já a gasolina C segue em recuperação, com expectativa de crescimento de 4,1% no ano, ainda que parcialmente limitada pelo desempenho do etanol no Centro-Sul.

“A resiliência do etanol hidratado observada nos últimos meses, com a paridade permanecendo abaixo de 70% em importantes regiões consumidoras, tem limitado a queda da demanda além do que era inicialmente esperado”, afirma a analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Isabela Garcia.

Para 2026, a expectativa é de expansão mais contida, de 1,5%, levando o consumo total do Ciclo Otto a 61,7 milhões de metros cúbicos, novo recorde histórico. O ritmo mais lento da atividade econômica tende a restringir o avanço, apesar de inflação mais baixa, juros em queda e estímulos à renda. Nesse cenário, o etanol deve recuperar participação, alcançando cerca de 29% do mix, enquanto as vendas de gasolina C mostram maior estabilidade, indicando um equilíbrio maior entre os combustíveis.

“A partir de abril de 2026, o cenário tende a se inverter, com avanço da moagem, maior direcionamento da produção canavieira ao etanol e crescimento da oferta de etanol de milho, o que deve levar a uma produção recorde na safra 2026/27”, destaca o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Rafael Borges.

 





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