Indústria de alimentos do Brasil: 10,9% do PIB e crescendo!

Falei com o presidente executivo, João Dornellas, da ABIA – Associação Brasileira de Alimentos e Bebidas, que fez uma apresentação sobre os resultados da indústria de alimentos em 2025.
Perguntei ao João Dornellas como foi a performance do setor de alimentos no ano que se encerrou e ele me disse: “Em 2025 a indústria manteve o seu crescimento no Brasil. Pela primeira vez chegamos a um nível de faturamento de R$ 1,388 trilhões, somando os dois mercados interno e externo, é um número muito expressivo e que nos faz chegar também pela primeira vez a 10,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
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São 42 mil empresas, de Norte a Sul do país, que geraram mais empregos no ano passado. Estamos falando de 51 mil novas vagas de emprego onde somadas as aquelas que nós já
tínhamos chegamos agora a um número de 2 milhões, 125 mil pessoas que trabalham dentro da empresa, dentro das fábricas, dentro da indústria de alimentos. Algo muito importante é que esse número é um número de pessoas nas fábricas formais, carteira assinada. Fora isso, segundo previsões do IBGE, para cada um trabalhador nosso, nós temos mais quatro na cadeia. E as cadeias são diferentes. Laticínios, por exemplo, é um para 11. Mas se a gente toma um para quatro nós estamos falando que nesse total nós temos 10,6 milhões de pessoas dentro das fábricas transportando produtos do campo até a mesa, da fábrica para o supermercado, produzindo embalagens, ou seja, todos trabalhando em função da produção de alimentos”.
10,9% do PIB do Brasil é efetivamente a locomotiva do agronegócio com crescimento em 2025 mesmo com todos os impactos que tivemos de tarifaço.Perguntei ao João Dornellas qual é a perspectiva do setor de alimentos perante o ano com todas as confusões que estamos enfrentando e ele me respondeu: “Nós estamos vivendo agora um momento diferente, delicado, preocupante esse conflito no Oriente Médio que pode afetar, por exemplo, o preço das energias, o mundo inteiro utiliza muito petróleo como fonte de energia. O Oriente Médio é uma área, uma região, que produz muito petróleo, então todos nós acompanhamos com apreensão essa situação. Esperamos que se resolva o mais rápido possível. Agora pensando no crescimento previsto em nosso mercado, Brasil, e pensando no crescimento da economia global para 2026, nos faz apostar mais uma vez em um crescimento próximo a 2% real em 2026, o que seria muito bom. Pensando em PIB brasileiro e PIB global o crescimento de 2% da indústria seria muito bom.”
E o setor da indústria, 62% de tudo que é produzido na agropecuária brasileiro o grande cliente é a indústria de alimentos e bebidas. Então perguntei ao João Dornellas sobre o acordo União Europeia Mercosul se é positivo para a indústria de alimentos e ele me disse: “é muito bom porque quando você junta mercado europeu e mercado sul-americano, Mercosul, nós estamos falando de um contingente de 120 milhões de pessoas, é muita gente, é um mercado muito grande e, principalmente, nós estamos falando de acesso a uma região
do planeta onde se tem 27 países desenvolvidos, provavelmente com uma renda mais alta, com busca de alimentos mais alta, e tendo uma indústria brasileira que já exporta para 190 países, que é respeitada em 190 países, porque cumprimos a legislação sanitária, cumprimos as exigências desses 190 países, poder entrar e contar com tarifas menores na Europa para nós é muito satisfatório. E também para o consumidor brasileiro ter acesso a produtos que
são fabricados na Europa hoje”.
Para encerrar perguntei a ele sobre o custo do alimento brasileiro que no ano
passado cresceu 1.8%, perante uma inflação de 4.3%. João Dornellas me
respondeu: “sem dúvida, a indústria foi capaz de absorver grande parte dos
custos de energia, de material de embalagens, de matéria-prima e como se faz
isso? Investindo em produtividade, eficiência, tecnologia, de maneira que não
necessitemos repassar tanto esses custos para o consumidor”.

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
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