segunda-feira, abril 27, 2026

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Conflito no Oriente Médio pressiona custos e competitividade do agro


O comércio internacional e as cadeias globais de suprimentos atravessam, no primeiro semestre de 2026, um momento de forte instabilidade provocado pela intensificação do conflito no Oriente Médio. A passagem de navios interrompida no Estreito de Ormuz e a insegurança no Mar Vermelho comprometem o fornecimento global de petróleo e fertilizantes. Isso impacta diretamente os custos de transporte, o que faz o preço de itens básicos, como alimentos e combustíveis, subir. Para o consumidor e para o setor agrícola, o cenário atual é de incerteza e de pressão nos preços.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informa que, embora os preços globais de alimentos sigam abaixo do pico registrado em 2022, após o início da guerra na Ucrânia, há tendência de alta no fim de março, reflexo da renovada incerteza geopolítica. Para Santa Catarina, que tem uma economia fortemente ancorada no agronegócio exportador e dependente de insumos importados, o cenário representa um risco direto à competitividade.

Segundo o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Roberth Andres Villazon Montalvan, o agronegócio de Santa Catarina sente rapidamente as crises no comércio mundial. “A estrutura produtiva do estado combina importação intensiva de fertilizantes, transformação de grãos em proteína animal de alto padrão e uma logística complexa para acessar mercados exigentes. Nesse contexto, dois vetores concentram os impactos: a alta dos custos energéticos, com reflexos diretos no diesel, e o encarecimento dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados.”

Com o petróleo Brent próximo de US$100 por barril, analistas projetam reajustes em torno de 20% no preço do diesel no Brasil. O efeito imediato tende a ser uma elevação média de 10% no frete rodoviário. Em Santa Catarina, onde o transporte terrestre entre as regiões produtoras do Oeste e Meio-Oeste e os portos do litoral responde por até 70% do custo logístico das exportações de grãos e carnes, o impacto recai diretamente sobre a rentabilidade do setor.

No campo, a alta do diesel já pressiona o Custo Operacional Efetivo (COE). Entre o fim de 2025 e março de 2026, o preço médio do litro em Santa Catarina subiu de cerca de R$6,14 para R$7,33. Dados da Epagri/Cepa mostram aumento da participação do combustível no COE de todas as culturas analisadas. Por exemplo, na soja e no milho de alta tecnologia, mesmo com uma elevação percentual menor, o impacto financeiro é relevante por conta da extensão da área cultivada. Já em culturas intensivas em mecanização, como maçã, arroz e cebola, observa-se uma maior sensibilidade, com o diesel respondendo por fatias crescentes do custo produtivo.

Paralelamente ao choque energético, o mercado global de fertilizantes entrou em forte trajetória de alta. A região em conflito concentra parcela relevante da oferta de Gás Natural Liquefeito (GNL), insumo-chave para a produção de fertilizantes nitrogenados. Com a navegação restrita, houve interrupções no fornecimento e rápida elevação dos preços.

A FAO alerta que o mercado de fertilizantes não dispõe de reservas estratégicas coordenadas, o que dificulta a gestão de choques de oferta. Estimativas indicam que os preços globais podem operar, em média, de 15% a 20% mais altos no primeiro semestre de 2026. O Banco Mundial reforça o diagnóstico ao indicar que o índice global de preços de fertilizantes subiu 26,2% em um único mês, com a ureia registrando alta de até 46% no mercado internacional.

O cenário foi agravado por medidas protecionistas da China que restringiu exportações de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos, enquanto a Rússia suspendeu temporariamente as vendas externas de nitrato de amônio. As tentativas diplomáticas de garantir o fornecimento, como no caso do Irã, esbarram no elevado risco da navegação na região, marcado por prêmios de seguro elevados e baixa disponibilidade de navios.

De acordo com o analista da Epagri/Cepa, o Porto de São Francisco do Sul se consolidou como um ponto estratégico para o abastecimento de fertilizantes em Santa Catarina. Em 2025, o terminal respondeu pela importação de 2,75 milhões de toneladas do insumo, cerca de 6% do volume internalizado no país, segundo a Conab, mantendo ritmo elevado também em 2026 e contribuindo para reduzir riscos de desabastecimento regional.

“O aumento dos custos, aliado a preços internacionais ainda pressionados, comprime as margens dos produtores e da agroindústria. A dificuldade de absorver novos reajustes pode reduzir o uso de fertilizantes, com impactos na produtividade, o que exige mais planejamento, eficiência logística e adoção de tecnologias para preservar a competitividade”, afirma Villazon Montalvan.

Por: Cristiele Deckert, Jornalista Bolsista Epagri/Cepa Fapesc

Mais informações e entrevistas:

Roberth Andres Villazon Montalvan, analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, (48) 3665-5091

Informações para a imprensaIsabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri(48) 3665-5407/99661-6596





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Produção de cana-de-açúcar chega a 673,2 milhões de toneladas na safra 2025/26


A produção de cana-de-açúcar no país está estimada em 673,2 milhões de toneladas na safra 2025/2026, o que representa uma redução de 0,5% em relação à temporada anterior, como mostra o 4º Levantamento da Safra de Cana-de-açúcar no ciclo 2025/2026. Divulgado nesta sexta-feira (17) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o documento mostra que, mesmo com a queda, o país registra a maior fabricação de etanol e a 2ª maior produção de açúcar na série da Conab, ainda que a colheita de cana seja menor em relação ao ciclo passado. Os dados do levantamento também revelam que esta é a terceira maior safra de cana registrada na série histórica, atrás das temporadas de 2022/2023 e de 2024/2025.

De acordo com o levantamento da Conab, somando as origens cana-de-açúcar e milho, a fabricação do etanol deve atingir 37,5 bilhões de litros, aumento de 0,8% em relação à safra passada. A alta é influenciada pela maior produção do etanol de milho. O combustível com origem no cereal, avaliado em 10,17 bilhões de litros, registra aumento de 29,8% em relação à safra passada e representa pouco mais de 27% da produção total do combustível. Já o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar está estimado em 27,33 bilhões de litros, redução de 6,9% em comparação ao ciclo 2024/2025.

A fabricação de açúcar, por sua vez, é estimada em 44,2 milhões de toneladas, aumento de 0,1% em relação à safra anterior. A menor disponibilidade de matéria-prima limitou o aumento na produção do adoçante inicialmente previsto pela Companhia. Ainda assim, esta é a segunda maior fabricação do produto já registrada na série histórica da Companhia, perdendo apenas para a safra 2023/2024.

Cenário agrícola – A queda na safra da cana é influenciada pela diminuição em 2,6% da produtividade média nacional, resultando em 75.184 quilos por hectares, diante das condições climáticas desfavoráveis registradas durante as fases de desenvolvimento das lavouras após a colheita em 2024, principalmente na Região Centro-Sul. A perda registrada foi compensada pelo aumento da área destinada à colheita nesta safra, estimada em 8,95 milhões de hectares, 2,1% superior à área colhida no ciclo anterior.

Para o Sudeste, principal região produtora de cana-de-açúcar do país, a Conab estima uma produção de 430,1 milhões de toneladas, redução de 2,2% em relação à safra anterior. Essa diminuição é atribuída às condições climáticas adversas registradas em 2024, com a presença de períodos de estiagem, altas temperaturas e incêndios, que comprometeram a rebrota e o desenvolvimento das lavouras.

As regiões Norte e Nordeste também registram queda na produção na safra 2025/2026. No Norte, mesmo com o aumento de área colhida, as condições climáticas mais restritivas resultaram em redução de 7,1% na colheita, totalizando 3,8 milhões de toneladas. Já a produção do Nordeste é estimada em 53,3 milhões de toneladas, redução de 2% em relação à safra passada, diante de uma queda de 1,2% na produtividade média, projetada em 59.860 quilos por hectare.

A região Centro-Oeste, segunda principal região produtora de cana do país, apresenta crescimento de 3,4% na produção, estimada em 150,2 milhões de toneladas. O aumento é reflexo da maior área colhida, saindo de 1,85 milhão de hectares para 1,96 milhão de hectares, uma vez que a produtividade média apresentou uma redução de 2,2% em razão das condições climáticas menos favoráveis durante o desenvolvimento das lavouras, resultando em 76.820 kg/ha.

Alta também para a colheita registrada na região Sul. Com crescimento estimado de 1,9% na área destinada ao setor sucroenergético, a produção da região alcançou 36 milhões de toneladas, resultado favorecido pela recuperação da produtividade diante das precipitações superiores às observadas no ciclo anterior.

Mercado – Na safra 2025/2026, a Conab verificou o maior direcionamento da cana para a fabricação de açúcar, que contribuiu para sustentar a produção do adoçante, aumentando ligeiramente a disponibilidade em relação à safra anterior, ao passo que a produção total de etanol registrou retração em relação ao ciclo anterior, porém contrabalançada pelo avanço da produção do etanol de milho.

Para o curto prazo, a transição para a nova safra tende a manter o mercado de etanol relativamente sustentado, sobretudo no segmento anidro. No caso do açúcar, o cenário internacional de maior oferta limita movimentos mais consistentes de alta, embora ainda haja suporte pontual decorrente de prêmios de exportação positivos e de eventuais incertezas no mercado externo.

Confira os dados completos sobre a produção de cana, de açúcar e de etanol, e as condições de mercado destes produtos disponíveis no 4° Levantamento da Safra 2025/26.

Mais informações para a imprensa:Gerência de Imprensa(61) 3312-6338/ 6344/ 6393/ [email protected]





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Inmet emite alerta de vendaval com ventos de até 60 km/h



Instituto informa que os ventos podem variar entre 40 km/h e 60 km/h



Foto: Arquivo

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de vendaval para esta sexta-feira (17), com previsão de ventos entre 40 km/h e 60 km/h em áreas do Rio Grande do Sul. O aviso começou às 9h e indica perigo potencial, com baixo risco de queda de galhos de árvores.

Segundo dados do Inmet, o alerta atinge municípios de regiões como Sudoeste Rio-grandense, Sudeste Rio-grandense e Metropolitana de Porto Alegre. O órgão destaca que, apesar da classificação de perigo potencial, a condição exige atenção ao longo do dia, principalmente em áreas mais expostas às rajadas.

Clique aqui e acesse AGROTEMPO

O instituto informa que os ventos podem variar entre 40 km/h e 60 km/h, cenário que aumenta o risco de transtornos pontuais. Entre os principais impactos previstos estão queda de galhos, além de possíveis intercorrências em locais com estruturas mais vulneráveis.

Como medida de prevenção, o Inmet orienta que, em caso de rajadas de vento, a população não se abrigue debaixo de árvores, devido ao leve risco de queda e de descargas elétricas. Outra recomendação é não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.

O órgão também orienta que informações complementares sejam buscadas junto à Defesa Civil, pelo telefone 199, e ao Corpo de Bombeiros, pelo 193.





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Colheita da soja chega a 50% da área cultivada no RS


A colheita da soja avançou de forma descontínua e alcança 50% da área cultivada nesta safra 2025/2026, que é de 6.624.988 hectares. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (16/04), a recorrência de precipitações em volumes heterogêneos entre as regiões manteve elevada umidade no solo e nas plantas, restringindo a trafegabilidade e impondo interrupções às operações de colheita. Predominam lavouras em maturação (36%), e 14% ainda se encontram em enchimento de grãos e floração, refletindo a amplitude de épocas de semeadura.A produtividade da soja apresenta elevada variabilidade, tanto entre regiões quanto dentro de um mesmo município, influenciada pela irregularidade das chuvas ao longo do ciclo, especialmente durante o período crítico de enchimento de grãos. Em áreas com melhor distribuição hídrica e manejo mais tecnificado, o rendimento está adequado. Nas áreas afetadas, as perdas são expressivas. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 2.871 kg/ha.Milho – A colheita de milho evoluiu de forma parcial e se aproxima do final, atingindo a média estadual de 86% da área cultivada, que é de 803.019 hectares. Restam lavouras implantadas no final ou fora da janela preferencial, onde as condições climáticas do período, como a reposição hídrica, têm favorecido a manutenção do potencial produtivo, mesmo que parte das lavouras tenha sido impactada anteriormente por déficit hídrico e temperaturas elevadas durante o período reprodutivo, o que provocou a redução no número de grãos por espiga e da massa de grãos.De acordo com a Emater/RS-Ascar, a produtividade média estadual do milho nesta safra é de 7.424 kg/há, apesar da variabilidade produtiva observada, e grãos com boa qualidade. Há registros localizados de perdas associadas ao atraso na colheita e à elevada umidade. Em lavouras ainda em desenvolvimento, especialmente safrinha, persistem os riscos fitossanitários, como a ocorrência de pragas, e o potencial comprometimento da qualidade dos grãos em função de eventuais danos em espigas e maior suscetibilidade a patógenos em ambientes úmidos.Milho silagem – A colheita de milho destinado à silagem alcança 83% de uma área de 345.299 hectares cultivados nesta safra. Houve avanço limitado em função da elevada umidade nas lavouras no período, a qual dificultou tanto a operação de corte quanto o adequado enchimento e compactação dos silos. Nas áreas remanescentes, predominam lavouras em enchimento de grãos, com vegetação adequada. Porém, o porte das plantas está inferior ao desejado devido ao déficit hídrico em fases anteriores. A reposição de umidade do solo tem beneficiado a manutenção da área foliar verde até a base das plantas no momento do corte, o que contribui para a qualidade da silagem e permite ajustes na altura de corte para compensar parcialmente a menor produção de biomassa. A estimativa da Emater/RS-Ascar indica produtividade média de 37.840 kg/ha.Feijão 1ª safra – A colheita de feijão da 1ª safra está concluída no Rio Grande do Sul, incluindo a região dos Campos de Cima da Serra, responsável por cerca de 40% da área cultivada. Nessa região, o desempenho produtivo foi impactado por condições climáticas menos favoráveis nos meses de janeiro e fevereiro, período que coincidiu com a fase reprodutiva das lavouras, resultando em redução nos rendimentos. Em alguns municípios, observam-se quedas expressivas de produtividade, que chega em torno de 1.200 kg/ha, o que tende a influenciar negativamente o resultado estadual, atualmente estimado em 1.781 kg/ha pela Emater/RS-Ascar. Nas demais regiões, onde o plantio ocorreu de forma mais antecipada, as lavouras não sofreram impactos significativos e mantiveram o potencial produtivo esperado. A área cultivada com feijão 1ª safra está estimada em 23.029 hectares no Estado.Feijão 2ª safra – Com uma área projetada pela Emater/RS-Ascar de 11.690 hectares, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, sustentado por condições adequadas de umidade do solo, pela ocorrência de precipitações e pela manutenção de temperaturas relativamente elevadas para a época do ano. Esse cenário tem contribuído para a boa evolução fenológica, para elevada carga de vagens, para o ótimo enchimento de grãos e para manutenção do potencial produtivo.A colheita avançou de forma gradual nas áreas mais adiantadas, enquanto a maior parte das lavouras ainda se concentra nas fases de florescimento e enchimento de grãos. Os resultados iniciais obtidos apontam perspectiva de desempenho satisfatório na safra. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 1.401 kg/ha.Arroz – A colheita de arroz avançou, apesar da ocorrência de precipitações frequentes. Houve leve desaceleração das operações de campo em relação ao período anterior em razão da elevada umidade do solo e dos grãos, que reduziu a janela operacional e ocasionou interrupções pontuais na colheita. A área colhida totalizou 79,3% de uma área de área cultivada de 891.908 hectares, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). De maneira geral, os rendimentos estão satisfatórios. Os grãos colhidos apresentam boa qualidade, evidenciada por elevados índices de rendimento de engenho. As lavouras remanescentes se encontram em fase de maturação e maduras para colheita, indicando proximidade do encerramento do ciclo produtivo. A produtividade está projetada pela Emater/RS-Ascar em 8.744 kg/ha.Pastagens e Criações – O período se caracterizou por uma transição no sistema forrageiro, marcada pela perda gradual de qualidade das pastagens de verão e pelo avanço na implantação das espécies hibernais. Ainda que haja oferta de volumoso em diversas regiões, sua qualidade nutricional encontra-se em declínio. As chuvas das últimas semanas têm sido determinantes para a germinação e o estabelecimento inicial das pastagens de inverno, influenciando diretamente o planejamento alimentar dos rebanhos a curto prazo.Bovinocultura de Corte – O cenário da atividade é marcado por estabilidade nas condições corporais e no desempenho dos rebanhos. Ainda há oferta de forragem, embora já em transição. Estão ocorrendo ajustes na alimentação, como aumento do uso de volumosos conservados. O calor e a alta umidade têm imposto desafios ao manejo, e há potencial impacto sobre o desempenho reprodutivo e o bem-estar animal.Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, os dias de calor excessivo geraram preocupação entre os pecuaristas quanto a possíveis perdas reprodutivas, especialmente reabsorção embrionária no início da gestação e eventuais abortos por estresse térmico. O estado corporal dos bovinos está adequado, uma vez que ainda não houve restrição alimentar. Na região de Passo Fundo, o estado nutricional e o escore corporal dos animais estão satisfatórios para suas fases. Em propriedades com Integração Lavoura Pecuária (ILP), os lotes têm sido mantidos em áreas de campo nativo. As condições sanitárias estão dentro do esperado.Bovinocultura de Leite – Em parte das regiões, houve redução de produção nos sistemas mais dependentes de pastagens, em função da transição entre ciclos forrageiros e da queda na qualidade do pasto. As condições meteorológicas, especialmente temperaturas elevadas associadas à irregularidade das chuvas, têm intensificado o estresse térmico e impactado o desempenho dos animais. Por essa razão, tem sido intensificado o uso de alimentos conservados e ajustes na dieta. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em Manoel Viana, os produtores assentados estão investindo na atividade com recursos do Pronaf-A, com vistas à renovação e à melhoria genética do rebanho. Observa-se também elevada demanda por esse recurso em municípios com bacia leiteira desenvolvida e expressivo número de assentados, como Santana do Livramento, Hulha Negra e Candiota.Na região de Santa Rosa, as chuvas ao longo do período resultaram na formação de barro nas áreas próximas às instalações, exigindo maior cuidado no manejo e na higiene. Além disso, as temperaturas elevadas em alguns períodos do dia geraram desconforto térmico nos animais, que passaram a buscar sombra com maior frequência, reduzindo o tempo de pastejo, o que impactou seu desempenho. Foram realizados ajustes nas dietas, como aumento da oferta de silagem e melhoria na qualidade das rações. Esse cenário tem sido favorecido pela excelente qualidade nutricional da silagem de milho desta safra, que está superior à dos anos anteriores, o que tem permitido reduzir a dependência de concentrados na alimentação dos animais.





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Mercados agrícolas iniciam o dia com ajustes



A soja opera em queda, acompanhando o recuo de seus derivados


A soja opera em queda, acompanhando o recuo de seus derivados
A soja opera em queda, acompanhando o recuo de seus derivados – Foto: Nadia Borges

Os mercados agrícolas iniciam o dia com movimentos mistos, refletindo fatores climáticos, ajustes de oferta e demanda e o comportamento recente das exportações globais. As indicações de preços e tendências foram divulgadas pela TF Agroeconômica, apontando um cenário de cautela entre os agentes.

No trigo, os contratos em Chicago registram leve alta após uma sequência de quatro sessões positivas. A valorização está ligada às preocupações com as condições das lavouras de inverno nos Estados Unidos, especialmente nas Grandes Planícies do Sul, onde a previsão de chuvas segue limitada. Apesar disso, o mercado pode enfrentar realização de lucros diante dos ganhos recentes. No Brasil, os preços continuam avançando de forma gradual, sustentados pela escassez de produto de melhor qualidade.

A soja opera em queda, acompanhando o recuo de seus derivados. A previsão de chuvas no Meio-Oeste americano, seguida por dias secos favoráveis ao plantio, pressiona as cotações. Soma-se a isso a confirmação de exportações mais fracas dos Estados Unidos e compras chinesas abaixo do esperado. No cenário internacional, o ambiente geopolítico mais estável contribui para a queda do petróleo, influenciando o complexo soja. Regionalmente, os preços no Brasil mostram sustentação, enquanto há atrasos relevantes na colheita argentina, com riscos crescentes à qualidade dos grãos.

O milho apresenta leve alta em Chicago, impulsionado pelo ritmo forte das exportações norte-americanas, que já superam com folga a projeção anual. Ainda assim, o avanço é limitado pelas condições climáticas favoráveis ao plantio da próxima safra. No Brasil, os preços seguem em queda, refletindo a pressão da oferta no curto prazo, com expectativa de recuperação a partir do segundo semestre, conforme os estoques diminuam.

 





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“Nem todo produtor está no mesmo agro”



De forma geral, o produtor entra no ano com uma das menores margens


De forma geral, o produtor entra no ano com uma das menores margens
De forma geral, o produtor entra no ano com uma das menores margens – Foto: Pixabay

O cenário da soja em 2026 é marcado por pressão sobre as margens e por uma diferença cada vez maior entre regiões produtoras. As informações são de Marcos Rubin, fundador da Veeries, que analisa o comportamento econômico da safra no país.

De forma geral, o produtor entra no ano com uma das menores margens dos últimos quatro ciclos, mas o destaque está na desigualdade entre as regiões. Antes do custo de arrendamento, o Centro-Oeste apresenta resultados entre R$ 1.400 e R$ 3.000 por hectare, enquanto o MAPITOBA varia de R$ 1.900 a R$ 2.400. O Paraná aparece com desempenho mais positivo, acima de R$ 2.500, enquanto a Metade Sul do Rio Grande do Sul registra os piores resultados, abaixo de R$ 600 por hectare.

Ao considerar o custo médio de arrendamento, hoje entre R$ 1.500 e R$ 1.800 por hectare, o cenário muda de forma relevante. Em diversas áreas, especialmente entre produtores com maior dependência de terras arrendadas, a margem praticamente desaparece e pode se tornar negativa.

Na comparação com a safra anterior, o comportamento também varia. O Rio Grande do Sul mostra recuperação, apesar de ainda apresentar resultados frágeis. Regiões do Oeste e Norte do Paraná, além de Mato Grosso do Sul, também registram melhora impulsionada pela produtividade. No restante do país, predomina a compressão de margens.

O quadro reforça que o desafio não está apenas no nível de rentabilidade, mas na sua distribuição entre regiões e perfis de produtores. A produtividade passa a definir realidades econômicas distintas, enquanto o custo de produção, sobretudo o arrendamento, se consolida como fator decisivo. Produtores que expandiram área com maior alavancagem tendem a enfrentar maior pressão financeira.


 





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adiantar ou atrasar? Entenda os impactos na logística


A decisão de adiantar ou atrasar a colheita do arroz irrigado pode definir o resultado econômico da safra. Em um cenário de gargalos logísticos, filas em unidades de recebimento e limitação de secagem, o momento da colheita impacta diretamente custos, qualidade dos grãos e eficiência operacional no campo.

A colheita do arroz irrigado concentra grande volume de produção em um curto período, exigindo sincronia entre lavoura, máquinas, transporte e armazenagem. Quando essa engrenagem falha, o produtor é forçado a tomar decisões fora do ponto ideal — e é nesse momento que surgem os principais prejuízos.

O principal desafio está no descompasso entre a capacidade de colheita e a estrutura de recepção e secagem. Esse gargalo leva à formação de filas, aumento do tempo de espera e, muitas vezes, à necessidade de colher antes ou depois do momento ideal.

Adiantar a colheita: estratégia ou risco calculado?

Antecipar a colheita pode ser uma decisão estratégica para diluir picos de entrega e evitar filas nas unidades armazenadoras. No entanto, essa prática traz impactos diretos na logística e nos custos. Quando o arroz é colhido com alta umidade, o volume de água a ser retirado aumenta significativamente, exigindo mais tempo de secagem e reduzindo a capacidade operacional dos secadores. Na prática, isso pode gerar um novo gargalo dentro da própria estrutura de pós-colheita.

Além disso, há aumento no consumo de energia e no custo operacional, pressionando a margem do produtor. Por outro lado, essa antecipação pode evitar perdas maiores no campo, especialmente em cenários de previsão de chuvas ou risco de acamamento.

O equilíbrio está na decisão técnica: assumir maior custo de secagem pode ser vantajoso quando o risco climático ou logístico é elevado.

Atrasar a colheita: quando o problema vira prejuízo

Se adiantar a colheita exige planejamento, atrasar geralmente é consequência de falhas logísticas — e costuma ser mais arriscado.

Entre os principais impactos observados estão:

– Aumento de grãos quebrados e trincados devido à baixa umidade

– Maior incidência de grãos ardidos, mofados e brotados

– Perdas por debulha natural e queda de espigas

– Maior exposição a eventos climáticos adversos

Além disso, filas prolongadas com caminhões carregados podem agravar ainda mais a situação. Grãos úmidos parados por longos períodos favorecem aquecimento e deterioração, comprometendo a qualidade final do produto.

Logística é o fator decisivo

O que define se o produtor deve antecipar ou postergar a colheita não é apenas o ponto fisiológico da planta, mas a capacidade logística disponível.

Entre os principais fatores que precisam ser considerados estão:

– Capacidade diária de secagem (toneladas/dia)

— Volume total a ser colhido

– Número de caminhões disponíveis

– Distância até a unidade de recebimento

— Tempo de ciclo de transporte

Impacto no bolso do produtor

A escolha do momento da colheita influencia diretamente três pilares do resultado financeiro:

– Custo operacional – secagem, transporte e uso de máquinas

– Qualidade do grão – que define o preço recebido

– Perdas no campo – que reduzem o volume comercial

Ou seja, não se trata apenas de colher mais rápido, mas de colher no momento certo, dentro da capacidade logística disponível.

 





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Calendário da soja é divulgado no Paraná


O calendário do vazio sanitário da soja no Paraná para a safra 2026/2027 foi definido pela Ministério da Agricultura e Pecuária por meio da Portaria nº 1.579/2026. A medida determina a ausência total de plantas vivas de soja durante o período estabelecido, incluindo as chamadas plantas voluntárias, com o objetivo de interromper o ciclo do fungo causador da ferrugem asiática, doença que pode provocar perdas na produção.

De acordo com a normativa, o estado foi dividido em três macrorregiões, cada uma com datas específicas para o vazio sanitário e para a semeadura. A regionalização considera características produtivas e climáticas distintas dentro do Paraná.

Na Região 1, que abrange Sul, Leste, Campos Gerais e Litoral, o vazio sanitário ocorre entre 21 de junho e 19 de setembro de 2026, com semeadura autorizada de 20 de setembro de 2026 a 20 de janeiro de 2027. Já na Região 2, composta por áreas do Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste, o período de vazio vai de 2 de junho a 31 de agosto, enquanto o plantio pode ser realizado de 1º de setembro a 31 de dezembro. No caso da Região 3, que inclui o Sudoeste, o vazio sanitário ocorre entre 12 de junho e 10 de setembro, e a semeadura está permitida entre 11 de setembro de 2026 e 10 de janeiro de 2027.

Segundo o chefe do Departamento de Sanidade Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), o cumprimento dos prazos é determinante para o controle da doença nas lavouras. “A prática do vazio sanitário da soja beneficia o agricultor, que terá maior controle da doença, utilizando menos aplicações de fungicidas”, afirma. “Além disso, a prática contribui na manutenção da eficácia desses produtos para o controle da ferrugem”, afirma o engenheiro agrônomo.

A fiscalização do cumprimento das regras é realizada em todo o estado, e o descumprimento pode resultar em sanções aos produtores. Conforme a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), o respeito ao calendário também contribui para o planejamento da safra e para o manejo fitossanitário, sendo a adesão dos produtores considerada necessária para a execução das estratégias de defesa agropecuária.

Para orientações adicionais, os produtores podem buscar atendimento junto aos escritórios locais da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) ou por meio dos canais oficiais da instituição.





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Com demanda enfraquecida, preços caem



Mercado de ovos encerrou a primeira quinzena de abril com cotações em queda


Foto: Pixabay

O mercado de ovos encerrou a primeira quinzena de abril com cotações em queda, uma vez que a tradicional retomada da demanda de início de mês não foi suficiente para sustentar os valores. O menor ritmo de vendas fez com que a pressão por descontos se intensificasse, provocando o recuo nos preços da proteína em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea.

Segundo o Centro de Pesquisas, a procura por ovos esteve abaixo do esperado no período, enquanto, do lado da oferta, o cenário divergiu entre as regiões.  Em algumas praças não houve aumento dos estoques nas granjas, já em outras, diante do menor volume de negociações, a disponibilidade começou a aumentar.

Esse cenário de baixa acende um alerta para o setor, que deve se atentar ao equilíbrio entre a oferta interna e a demanda pela proteína nos próximos meses. Levantamentos do Cepea apontam que, nos últimos dois anos, após o final do período da Quaresma, os preços recuaram por vários meses consecutivos, pressionados pela maior disponibilidade interna. 





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Competitividade frente ao boi é a maior desde 2022



Os preços do frango resfriado estão em alta neste mês na Grande São Paulo


Foto: Canva

Os preços do frango resfriado estão em alta neste mês na Grande São Paulo. Enquanto as cotações da carne bovina também sobem, a carcaça suína registra forte baixa, gerando movimentos distintos entre as concorrentes. Nesse cenário, o frango resfriado atinge seu patamar mais competitivo frente à carne bovina em quatro anos. Em relação à proteína suinícola, por outro lado, a carne de frango está no pior momento também desde 2022.

Na primeira quinzena de abril, o preço do frango resfriado negociado na Grande São Paulo avançou fortes 6,6% frente a março, com média de R$ 7,18/kg. De acordo com pesquisadores do Cepea, esse movimento está relacionado aos reajustes dos fretes, visto que o conflito no Oriente Médio elevou as cotações dos combustíveis em boa parte do País. Além disso, a demanda pela proteína aumentou no período, devido ao recebimento de salários por parte da população. 





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