terça-feira, março 24, 2026

Política & Agro

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Programa Grão Seguro debate segurança em áreas classificadas de armazenagem de grãos



Programa vai ao ar nesta terça-feira às 19h30




Foto: Canva

O Programa Grão Seguro desta terça-feira, 22 de julho, traz um tema fundamental para a segurança nas operações de armazenagem de grãos. A edição vai ao ar às 19h30 (horário de Brasília) e contará com a participação especial do engenheiro Maurício Clábria Vianna, da MCV Consultoria.

O especialista abordará o tema “Área Classificada em Unidades Armazenadoras de Grãos”, assunto que desperta grande interesse entre profissionais do setor por envolver riscos e exigências técnicas específicas no manuseio e estocagem de grãos em larga escala.

Áreas classificadas são locais com potencial de formação de atmosferas explosivas, exigindo cuidados rigorosos com equipamentos elétricos, ventilação, sensores e procedimentos operacionais. Segundo os organizadores, a discussão visa ampliar o conhecimento técnico dos profissionais que atuam em armazenadoras, cooperativas, tradings e indústrias processadoras.

A transmissão será ao vivo pelo canal oficial do Programa Grão Seguro no YouTube, reunindo técnicos, engenheiros, gestores e demais profissionais ligados à cadeia do agronegócio. A participação é gratuita, e os espectadores poderão enviar perguntas em tempo real durante a live.

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Preços do algodão recuam com alta na produção mundial, indica Imea



Eevação na estimativa foi puxada pela expectativa de ampliação da área




Foto: Canva

A produção mundial de algodão para a safra 2025/26 foi revisada para cima e deve alcançar 25,78 milhões de toneladas de pluma, segundo a estimativa de junho divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os dados são do boletim informativo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que aponta um aumento de 1,22% em relação à projeção anterior, de maio.

Segundo informações do boletim do Imea, a elevação na estimativa foi puxada pela expectativa de ampliação da área cultivada nos Estados Unidos. Com isso, o país norte-americano deve contribuir significativamente para o crescimento da oferta global da fibra. Por outro lado, o consumo mundial teve um incremento mais tímido, de apenas 0,31% no comparativo mensal, totalizando 25,72 milhões de toneladas.

Esse descompasso entre oferta e demanda resultou em uma elevação dos estoques finais globais de algodão, que subiram 0,68% em relação ao mês anterior e somaram 16,83 milhões de toneladas. A perspectiva de maior disponibilidade do produto no mercado global pressionou os preços para baixo, com recuo nas cotações da bolsa de Nova York no dia da divulgação do relatório.

Apesar do cenário de crescimento na produção, o mercado segue atento ao desenvolvimento da safra nos Estados Unidos. O boletim do Imea destaca que há previsão de seca em importantes regiões produtoras, o que pode comprometer o rendimento e afetar a oferta global nos próximos meses. Esse fator climático representa um ponto de atenção para os produtores e para o comércio internacional da pluma.

Com um cenário ainda incerto, os próximos relatórios devem ser decisivos para a formação dos preços e para as estratégias de comercialização. 





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EUA podem taxar carne bovina e afetar competitividade


A análise “Tem Boi na Linha”, divulgada pela Scot Consultoria, apontou queda nas cotações do “boi China” e da vaca em São Paulo nesta terça-feira, 22. De acordo com o levantamento, os negócios nas indústrias ativas ocorreram com valores inferiores aos registrados anteriormente. A arroba do “boi China” recuou R$ 2,00 e a da vaca, R$ 3,00.

Segundo a consultoria, “grande parte das indústrias frigoríficas ainda esteve fora das compras”. As escalas de abate ficaram entre oito e nove dias, em média. Muitas empresas têm evitado estender suas programações, optando por uma estratégia mais cautelosa, acompanhando o mercado dia a dia, diante da ausência de recuperação no consumo interno. Esse cenário também tem levado à redução do número de dias de abate semanal.

Na Bahia, a oferta foi menor em relação à semana anterior, mas o escoamento da carne bovina permanece como um dos principais entraves. Com isso, os preços seguiram em queda. No Oeste do estado, as cotações do boi, da vaca e da novilha recuaram R$ 5,00 por arroba. Já na região Sul, o boi gordo e a novilha também caíram R$ 5,00/@, enquanto a vaca teve queda de R$ 3,00/@.

No cenário externo, a exportação de carne bovina in natura apresentou desempenho positivo até a terceira semana de julho. O volume exportado alcançou 172,7 mil toneladas, com média diária de 12,3 mil toneladas — um avanço de 19,6% frente ao mesmo período de 2024. A cotação média da tonelada exportada ficou em US$ 5,5 mil, representando alta de 25,8% na comparação anual.

Entre os dias 14 e 18 de julho, o setor registrou a melhor semana do ano em termos de preço da tonelada exportada, a segunda maior em volume e a terceira melhor média diária de embarques.

Apesar do desempenho, a perspectiva de imposição de tarifas pelos Estados Unidos a partir de 1º de agosto tem gerado apreensão. No primeiro semestre, os norte-americanos importaram 156 mil toneladas da proteína brasileira, enquanto a China liderou com 631 mil toneladas. A possível taxação pode afetar a competitividade do produto brasileiro, com impactos sobre as margens e o volume exportado, caso parte da demanda internacional seja redirecionada.





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falta de mão de obra eleva custo da colheita


O Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (17), apontou que o cultivo da erva-mate segue em andamento na região administrativa de Frederico Westphalen, apesar das deficiências de chuvas registradas em julho. Segundo o boletim, a colheita e o armazenamento da cultura ocorrem normalmente. Contudo, o ritmo das exportações é mais lento devido à instabilidade no mercado internacional.

Na avaliação da Emater, a folha de erva-mate indicada ao chimarrão tem sido comercializada entre R$ 18,00 e R$ 20,00 por arroba, entregue na indústria. Para exportação e produção de tererê, os valores estão em torno de R$ 16,00 por arroba. As mudas de erva-mate são vendidas por R$ 2,80 por unidade.

Na regional de Passo Fundo, o tempo estável permitiu a retomada da colheita e a recomposição dos estoques de matéria-prima. Os preços na região variam de R$ 17,00 a R$ 20,00 por arroba, a depender do município, da variedade e do sistema de processamento. Em Machadinho, a erva comum foi negociada a R$ 18,00, enquanto a variedade Cambona 4 alcançou R$ 19,50. Já nos municípios de Machadinho e Mato Castelhano, a erva-mate destinada ao sistema de secagem barbaquá atingiu R$ 20,00 por arroba. As mudas foram vendidas a R$ 1,50 por unidade.

Na regional de Santa Maria, muitos produtores aguardaram os melhores preços ou optaram por realizar a derrubada dos ervas. O valor pago pela indústria é de R$ 17,00 por arroba, o que, segundo a Emater, é considerado insatisfatório pelos agricultores.

Em Soledade, as condições climáticas favoreceram os trabalhos de campo, mas a oferta elevada tem dificultado a comercialização. O planejamento e o replantio de mudanças seguem em andamento. Em Itapuca e Mato Leitão, os preços variaram de R$ 14,00 a R$ 18,00 por arroba, conforme os dados das ervateiras locais.

Na região de Erechim, o preço da erva-mate entregue à indústria foi de R$ 17,00 por arroba. A escassez de mão de obra tem sido apontada como um dos principais desafios da atividade, com custo mínimo de R$ 10,00 por arroba apenas para a colheita.





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Produtores da Bahia reforçam ações contra ferrugem asiática e planejam próxima safra de soja



A ferrugem asiática é uma das pragas mais destrutivas da soja




Foto: Aline Merladete

O setor produtivo do Oeste da Bahia e do Médio São Francisco está em plena mobilização para cumprir o vazio sanitário da soja, uma das principais estratégias fitossanitárias para o controle da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi). A medida é fundamental para garantir o potencial produtivo da próxima safra e já mobiliza agricultores em diversas regiões.

Segundo informações do Boletim de Safra da Aiba, divulgado em 21 de julho de 2025, o cumprimento rigoroso do calendário do vazio é essencial para evitar a disseminação de esporos da doença e, assim, preservar a sanidade das lavouras. A ferrugem asiática é uma das pragas mais destrutivas da soja, podendo causar perdas expressivas de produtividade.

Enquanto isso, muitos produtores já estão se antecipando e organizando a logística da safra 2025/26. A chegada de fertilizantes e corretivos às propriedades rurais reforça o compromisso com o planejamento estratégico e sustentável da produção. Essa preparação antecipada contribui diretamente para o bom desempenho das lavouras no ciclo seguinte.

Na safra 2024/25, a área plantada com soja totalizou 2,135 milhões de hectares, com produtividade média de 68 sacas por hectare. A produção chegou a 8,71 milhões de toneladas. Do total colhido, 69% já foi comercializado até julho. Para a safra futura (25/26), 19% da produção estimada já está comprometida, com preço médio de R$ 119 por saca.

Além disso, a ausência de chuvas no mês de julho e o clima estável têm favorecido a conservação do solo e o planejamento do calendário agrícola. A previsão, segundo o INMET, é de sol entre nuvens e sem chuvas nos próximos dias.

 





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Colheita do milho verão avança e supera produtividade da safra passada



Produtividades registradas até o momento variam entre 150 e 220 sacas por hectare




Foto: Divulgação

A colheita do milho verão entra em sua reta final no Oeste da Bahia, com resultados expressivos em produtividade. De acordo com o Boletim de Safra da Aiba, divulgado em 21 de julho de 2025, mais de 100 mil hectares já foram colhidos e os rendimentos têm superado a média da safra anterior.

As produtividades registradas até o momento variam entre 150 e 220 sacas por hectare, demonstrando a eficiência das lavouras mesmo diante de desafios climáticos e fitossanitários pontuais. A boa performance se deve, em grande parte, às condições climáticas favoráveis durante o início do plantio, o que garantiu uma excelente emergência e desenvolvimento vegetativo.

A área total destinada ao milho verão nesta safra foi de 25 mil hectares, com produção estimada em 270 mil toneladas e produtividade média de 180 sacas por hectare. A comercialização está em curso, com o preço médio da saca cotado a R$ 56 no mercado local.

Além do milho verão, também segue em andamento a colheita de culturas de segunda safra, como sorgo, feijão, milheto e forrageiras. Essas culturas desempenham papel estratégico na diversificação da produção e no fornecimento de alimento para o gado nas propriedades da região.

A antecipação da colheita, comparada ao ciclo anterior, também é destaque nesta safra. Esse adiantamento é atribuído ao clima estável nas últimas semanas, que tem permitido o andamento eficiente das operações de campo.





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IBRA megalab e CESB desenvolvem método de diagnóstico nutricional da soja


O Comitê Estratégico soja Brasil (CESB) em parceria com o IBRA Megalab desenvolveu seu Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (DRIS) aplicado à cultura da soja. O DRIS é um método de diagnóstico nutricional que avalia o estado de equilíbrio dos nutrientes na planta, levando em conta as relações entre eles, e não apenas os teores individuais. Essa ferramenta é utilizada para otimizar a adubação e melhorar o rendimento da cultura da soja

A parceria vem de longa data, desde 2010 o IBRA Megalab faz as análises para produtores que participam do Desafio da soja. Durante esse período, foram avaliadas 29.417 amostras, sendo 12.032 análises de solo, 15.215 foliares, 1.882 de atividades enzimáticas, 122 de nematoides, 164 de proteína e duas de fertilizantes. 

Em relação ao DRIS, trata-se de um sistema que avalia o estado nutricional da planta com base em relações binárias entre os nutrientes, em vez de analisar cada nutriente isoladamente. “O DRIS considera que o desequilíbrio entre os nutrientes pode ser mais prejudicial do que a baixa concentração de um único elemento. O sistema calcula um índice para cada nutriente, indicando se ele está em excesso ou deficiência em relação aos outros, e a ordem de sua limitação ao crescimento da planta”, explica Armando Parducci, diretor de inovação e marketing do IBRA Megalab.

No contexto da soja, o DRIS pode ser aplicado por meio da análise foliar, com a coleta de amostras de folhas em diferentes estádios de desenvolvimento da planta para avaliar seu estado nutricional. Os resultados são comparados com padrões de referência para a cultura do grão, permitindo a identificação de possíveis desequilíbrios nutricionais. 

Segundo Parducci, o DRIS permite identificar quais nutrientes estão limitando o desenvolvimento da soja, mesmo que os teores individuais estejam dentro dos padrões considerados normais. “Com base nesse diagnóstico, é possível ajustar a adubação de forma mais eficiente, aplicando os nutrientes necessários na quantidade e momento corretos, contribuindo para o aumento da produtividade da cultura da soja.”

“Estamos trabalhando em conjunto para a construção do DRIS, trazendo tecnologia que auxilie o produtor a alcançar maiores tetos produtivos, de forma sustentável”, finaliza Luiz Antonio da Silva, diretor executivo do CESB.

 





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Carne brasileira nos EUA: uma oportunidade



Para aproveitar esse mercado, o pecuarista brasileiro precisa investir



Para aproveitar esse mercado, o pecuarista brasileiro precisa investir em rastreabilidade
Para aproveitar esse mercado, o pecuarista brasileiro precisa investir em rastreabilidade – Foto: Pixabay

O Brasil se destaca como um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, com mercados consolidados em países como China, Egito e Estados Unidos. Em 2024, foram exportadas 2,89 milhões de toneladas, movimentando US$ 12,8 bilhões, segundo o MDIC e a Abiec. Apenas os americanos adquiriram 229 mil toneladas, especialmente de cortes do dianteiro bovino, voltados à indústria de processados, como hambúrgueres e pratos congelados.

Segundo Magno Maia, CEO da Ramax Group, esse modelo de exportação atende perfeitamente à lógica do mercado americano, que substitui parte da produção interna, mais cara, pela carne brasileira. O produto nacional, criado majoritariamente a pasto e livre de hormônios, é valorizado pela indústria, mesmo com barreiras tarifárias que limitam seu potencial competitivo frente a concorrentes como Austrália e México.

A abertura parcial do mercado americano, iniciada em 2020, ainda restringe a entrada de carne brasileira sem tarifa de importação. No entanto, Magno acredita que essas barreiras são conjunturais e poderão ser superadas com uma mudança no cenário político dos EUA. Uma gestão mais alinhada ao agronegócio poderia facilitar renegociações de cotas e tarifas, fortalecendo a relação comercial entre os dois países.

Para aproveitar esse mercado, o pecuarista brasileiro precisa investir em rastreabilidade, eficiência produtiva e parcerias com exportadoras especializadas. A Ramax Group, que atua na desossa e fornecimento de proteína para o mercado externo, aposta no potencial desse segmento. Com estratégia e coordenação, o Brasil pode se consolidar como principal fornecedor das indústrias alimentícias americanas.

 





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Milho 25/26: custo de produção traz preocupações para produtores diante da…


Com custos maiores e preços estáveis ou em queda, expectativa é de pressão sobre os resultados financeiros no milho 2025/26

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A safra 2025/26 do milho começa a ser planejada por produtores brasileiros em um cenário marcado por desafios que podem impactar diretamente a rentabilidade da cultura. A combinação de custos elevados, oscilações cambiais e incertezas no mercado internacional tem preocupado especialistas e agricultores, especialmente nas regiões do Cerrado, Sul e Sudeste do país. 

Segundo Anderson Galvão, Diretor da Célieres Consultoria, o Brasil importa cerca de 70% a 75% dos fertilizantes consumidos na agricultura, tornando a produção agrícola sensível às variações nos mercados externos. “O principal ponto de atenção é a volatilidade no preço e na oferta de fertilizantes nitrogenados, principalmente a ureia, que pode ser afetada pelo conflito entre Israel e Irã no Oriente Médio”, explica Galvão. No entanto, ele ressalta que o Brasil conta com diversos fornecedores globais, o que pode minimizar o impacto de eventuais interrupções no fornecimento de insumos iranianos. 

Além do conflito, outro fator que pressiona os custos é a valorização do real frente ao dólar, que, apesar de beneficiar a compra de insumos importados, afeta negativamente os preços domésticos do milho, reduzindo a competitividade dos produtores. “Um aumento de 10 centavos na taxa de câmbio pode significar quase R$ 5,00 a menos no preço da saca de milho, e a valorização atual do real traz preocupação para os resultados financeiros do agricultor”, detalha Galvão. 

Jeferson Souza, Analista de Fertilizantes da Agrinvest, reforça o alerta sobre a necessidade de um planejamento financeiro rigoroso para a próxima safra. “Diante da alta volatilidade dos preços dos fertilizantes e da pressão cambial, o produtor precisa travar custos e receitas em reais para garantir o equilíbrio do fluxo de caixa e proteger sua margem de lucro”, afirma Souza. Ele destaca que, especialmente para o milho safrinha — que representa grande parte da produção no Centro-Oeste — o impacto no custo de produção tem sido expressivo. 

O presidente da Aprosoja Goiás, Clodoaldo Calegari, reforça esse cenário de custos crescentes e preços preocupantes: “Os custos da próxima safra são superiores aos custos dessa safra que acabamos de fechar. Tivemos um aumento bastante significativo nos fertilizantes, principalmente a partir da virada do ano, fevereiro em diante, e também subiu muito o preço de produtos à base de potássio e do fosfatado. Agora, recentemente, com esses conflitos, o nitrogenado puxado pela ureia também está se elevando. Estamos entrando em uma nova safra com custos acima da anterior e com a perspectiva de preços iguais ou até menores do que a safra que concluímos. Então, se não colhermos uma safra robusta, a coisa ficará muito séria.” 

Por outro lado, um levantamento recente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra uma leve redução no custo de produção do milho no Mato Grosso, maior estado produtor do país. De acordo com o relatório, o custeio do milho de alta tecnologia para a safra 2025/26 está estimado em R$ 3.216,06 por hectare, uma queda de 0,29% em relação ao levantamento anterior. “Essa retração é explicada principalmente pela redução nos custos das sementes, corretivos de solo e macronutrientes”, detalham os técnicos do Imea. 

Apesar da redução no custeio operacional, o Custo Total (CT) teve leve alta, chegando a R$ 6.638,14 por hectare, impactado por custos de oportunidade da terra, capital circulante e máquinas, que subiram em função da elevação da Taxa Selic. Para cobrir o custo operacional efetivo (COE), considerando a produtividade média das últimas três safras de 116,7 sacas por hectare, o produtor precisa comercializar o milho a pelo menos R$ 40,33 a saca, valor próximo aos preços atuais em algumas regiões, mas que pode não garantir margens confortáveis diante das demais variáveis. 

O cenário internacional também traz elementos que influenciam o mercado doméstico. O aumento do preço do petróleo, decorrente dos conflitos no Oriente Médio, tende a elevar os custos dos combustíveis no Brasil. Por outro lado, esse movimento pode favorecer a indústria de etanol, aumentando a demanda pelo milho como matéria-prima para biocombustíveis, um segmento que tem crescido nos últimos anos. 

O analista da Royal Rural, Ronaldo Fernandes, acrescenta que a guerra no Oriente Médio gera uma grande indefinição para os custos da próxima safra, especialmente porque o Irã é responsável por quase 20% da ureia consumida no Brasil e Israel por insumos à base de fósforo.  

“Muitas indústrias de fertilizantes já estão retirando produtos das listas de venda, aumentando a incerteza. Apesar dessa alta nos custos, o mercado só vai considerar isso se os produtores pararem de vender. Infelizmente, muitos acabam vindo ao mercado mesmo com margem negativa, pois precisam liberar caixa ou espaço”, explica.  

Fernandes também destaca que, diante de um mercado diferente dos anos anteriores, com safra cheia e tensões geopolíticas e comerciais, o produtor está atrasado na comercialização e deve agir com cautela para não ficar exposto aos riscos que o cenário apresenta. 

Apesar das dificuldades, tanto Galvão quanto Souza destacam que a demanda pelo milho permanece sólida. Internamente, o setor de proteína animal — incluindo avicultura, suinocultura e laticínios — segue com consumo em expansão, assim como o mercado de etanol de milho. Externamente, a exportação continua sendo um dos principais motores para absorver a produção nacional, com projeções acima de 47 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. 

“Ainda que o avanço da colheita da segunda safra traga pressão para baixo nos preços no curto prazo, há expectativa de recuperação dos valores a partir do segundo semestre, sustentada por essa demanda robusta”, avalia Galvão. 

O desafio para os produtores, portanto, será equilibrar os custos de produção com as condições de mercado, garantindo planejamento financeiro e aproveitando oportunidades para mitigar riscos em um ambiente ainda marcado por volatilidade cambial e geopolítica incerta. 





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Custo da safra 25/26 do algodão recua em junho





Foto: Canva

De acordo com a análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), desta segunda-feira (21), com base no projeto CPA-MT, o custo operacional efetivo (COE) da safra 2025/26 do algodão em Mato Grosso foi estimado em R$ 10.647,25 por hectare. A projeção representa um recuo de 0,17% em relação ao mês anterior.

Segundo o levantamento, a queda no custo foi influenciada principalmente pela redução das despesas com micronutrientes e corretivos do solo, que apresentaram retrações mensais de 1,35% e 0,72%, respectivamente. Apesar da leve diminuição, o instituto aponta que esse ainda é o segundo maior custo da série histórica para a cultura.

O Imea destacou que, diante da manutenção dos preços da pluma em níveis mais baixos, o produtor deve ficar atento às oportunidades de compra dos insumos. “A relação de troca (RT) com os fertilizantes SAM e KCL está 10,95% e 21,26% menor, respectivamente, que a média dos últimos anos”, informou o instituto. Para adquirir uma tonelada de cada produto, são necessárias, em média, 13,96 e 17,25 arrobas de pluma.

A análise também chama atenção para a necessidade de acompanhamento contínuo dos preços do algodão, uma vez que eventuais quedas mais expressivas podem comprometer a relação de troca e afetar a rentabilidade da atividade.





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