sexta-feira, março 20, 2026

Política & Agro

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Oriente Médio amplia dependência das importações de trigo


O Oriente Médio, que reúne países da Ásia Ocidental e o Egito, no norte da África, concentra cerca de 411 milhões de habitantes e apresenta forte dependência de importações de trigo devido à limitada capacidade de produção local. Grande parte da oferta vem de exportadores do Mar Negro, o que reforça a vulnerabilidade da região a oscilações de mercado e tensões geopolíticas. Egito, Irã, Turquia, Iraque e Arábia Saudita estão entre os principais produtores e importadores, cada qual enfrentando desafios específicos de abastecimento.

No Egito, o USDA projeta para 2025/26 uma safra de 9,3 milhões de toneladas, frente a importações de 13 milhões. O consumo deve atingir 20,4 milhões, impulsionado pelo crescimento populacional, que deve levar o país de 107 milhões para 124 milhões de habitantes até 2030, segundo a CAPMAS. Apesar de limitações como falta de água e urbanização crescente, o país se mantém como o maior importador mundial. A inflação de pães e derivados caiu de 47% para 7,2% entre fevereiro de 2024 e 2025, reflexo de maior estabilidade cambial.

O Irã, em meio a tensões com Israel, deve colher 13 milhões de toneladas, abaixo dos 16 milhões do ciclo anterior, segundo o Conselho Internacional de Grãos. As importações estão estimadas em 2,5 milhões, com destaque para a forte presença do trigo russo. Apesar do cenário de conflito, o governo afirma que o programa estratégico de compras internas segue sem interrupções, com mais de 3,8 milhões de toneladas adquiridas junto a produtores locais na primavera. Já a Turquia deve registrar produção de 18,5 milhões de toneladas, afetada por clima seco. Mesmo assim, o consumo segue elevado, com o pão ainda central na dieta, embora mudanças demográficas e de renda venham reduzindo a demanda per capita.

No Iraque, a produção prevista é de 5 milhões de toneladas, abaixo dos 6,3 milhões do ciclo anterior, com importações estimadas em 2,1 milhões. Apesar de recentes declarações oficiais de autossuficiência, a FAO alerta para perdas de produtividade ligadas à baixa precipitação. Reservas estratégicas de 5,5 milhões de toneladas garantem algum fôlego ao abastecimento. Já na Arábia Saudita, a produção local deve subir 25%, alcançando 1,5 milhão de toneladas, enquanto as importações recuam para 3,2 milhões. O consumo, projetado em 4,6 milhões, é puxado pelo crescimento do setor de alimentação fora do lar, impulsionado por megaprojetos e pelo turismo religioso e de lazer.

 





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Milho dos EUA impulsiona produção global de grãos



O milho deve atingir 1,299 bilhão de toneladas



O milho deve atingir 1,299 bilhão de toneladas
O milho deve atingir 1,299 bilhão de toneladas – Foto: Agrolink

A produção mundial de grãos deve alcançar um recorde de 2,404 bilhões de toneladas no ciclo 2025-26, segundo o Relatório de Mercado de Grãos divulgado pelo Conselho Internacional de Grãos (IGC) em 21 de agosto. O crescimento é impulsionado principalmente por uma revisão maior na produção de milho, especialmente nos Estados Unidos, que registraram aumento nas projeções de área plantada e produtividade.

O milho deve atingir 1,299 bilhão de toneladas, volume 5% superior ao recorde histórico de 2024, representando o maior salto individual entre os grãos. O trigo também caminha para uma colheita recorde, com estimativa de 811 milhões de toneladas, 1,3% acima do ano anterior. Além disso, o conselho prevê ganhos menores para sorgo e aveia.

No consumo, a tendência é de expansão, com previsão de crescimento de 49 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, chegando a 2,391 bilhões de toneladas — também um recorde. Após três anos de estoques em queda, a expectativa é de um leve aumento de 13 milhões de toneladas nos estoques finais, embora ainda abaixo da média histórica.

A soja segue o mesmo movimento. O IGC elevou ligeiramente sua projeção de produção global para 430 milhões de toneladas, acima das 425 milhões do ano passado, mesmo com ajustes para baixo na safra norte-americana. O consumo deve crescer 18 milhões de toneladas, sustentado pela demanda firme. O Índice de Grãos e Oleaginosas (GOI) avançou 1% no mês, apoiado pelos preços de milho e soja, mas permanece estável frente a 2024-25, já que a forte queda de 33% nos preços do arroz compensou as altas de outras commodities.

 





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Silos secadores são solução ao déficit de armazenagem em SC


Santa Catarina registrou produção recorde de grãos na safra 2024/25. Conforme o levantamento realizado pelo Observatório do Agro Catarinense, o crescimento no volume total foi de 20,7% em comparação com ciclo 2023/24. O panorama positivo, conquistado através de múltiplos fatores como tecnologia, manejo e clima favorável, esbarra no déficit de armazenagem enfrentado pelo Estado. O Boletim Agropecuário de junho expõe o descompasso entre a produção agrícola e sua capacidade de armazenamento. Entre 2020 e 2025, a produção total de grãos aumentou 19% em Santa Catarina, enquanto os espaços destinados para sua armazenagem foram ampliados em apenas 5,1%. 

Diante deste cenário, os silos secadores são uma boa alternativa para os agricultores familiares catarinenses. O extensionista rural da Epagri em Xaxim, Jeferson Soccol, avalia que “diante do déficit de armazenamento, os silos secadores com ar natural são uma opção atrativa para os produtores. É uma tecnologia mais acessível, com custo menor, que permite que eles possam armazenar seus próprios grãos ou adquiri-los de vizinhos. Com isso, eles podem utilizá-los na alimentação dos animais ou mantê-los na propriedade para comercialização na entressafra, quando os preços costumam ser melhores”. 

A extensionista do município de Galvão, Elaine Regina Baggio, explica que os silos são utilizados para a secagem e armazenagem dos grãos, principalmente em pequenas propriedades. Eles possuem diferentes capacidades de armazenamento, que variam de 300 a até 2.500 sacos. Elaine aponta que além da redução dos custos com secagem, armazenagem, transporte e frete, os grãos colhidos na propriedade possuem qualidade superior aos recebidos dos silos comerciais, o que é um fator bastante positivo, principalmente para os produtores que se dedicam à pecuária, porque geram mais rendimento e qualidade na alimentação dos animais.

Este é o caso de Anderson Giacomin, de Galvão. Em sua propriedade, ele e a família cultivam soja, milho, trigo e feijão, adotam diversas práticas de agricultura regenerativa, como o uso de plantas de cobertura,  e ainda mantêm um pequeno rebanho de gado de corte. O agricultor relembra que a decisão de investir em um silo secador foi gradual. Eles buscavam melhorar a qualidade do grão cultivado, mas não estavam seguros de que esta fosse uma opção viável para a propriedade. Em uma feira, ele e a família viram uma miniatura do silo secador no estande da Epagri, conversaram com extensionistas, visitaram algumas propriedades que já haviam optado por este tipo de armazenagem e passaram a considerar o investimento. “Fiz o curso ‘Negócio Certo Rural’, no Sebrae e a partir de uma análise criteriosa de custo e benefícios, percebi que o silo se pagaria, então optamos pela construção em 2024”, diz. 

O agricultor relata que a Epagri prestou toda a consultoria para construção do sistema, da formulação do projeto até a execução. “A Epagri também nos indicou produtores que já haviam construído silos e isso foi determinante, porque conversar com outros produtores trouxe mais segurança para fazer esse investimento”, recorda Anderson. Elaine Baggio acredita que diante das dificuldades de armazenagem, quanto maior a divulgação dos silos secadores, maior será a procura por este sistema. Segundo ela, sempre que surge a necessidade ou o interesse dos agricultores, são realizadas capacitações coletivas ou viagens técnicas para tirar dúvidas e difundir conhecimento. 

Anderson construiu dois silos com capacidade para 2.500 sacos e já observa algumas mudanças. Segundo ele, este processo não altera as características do grão, como pode ocorrer, por exemplo, na secagem com ar aquecido. Com isso, a qualidade do grão é superior. Além de reduzir os custos, ele também consegue vender sua colheita em momentos mais favoráveis e agora destina parte do plantio de milho para a produção de farinhas, aumentando sua renda. Essas transformações geraram otimismo, que agora é repassado a outros agricultores em eventos técnicos realizados em sua propriedade. No mês de julho a família Giacomin recebeu 25 produtores rurais interessados em saber um pouco mais sobre o sistema de silos secadores. 

Os participantes da tarde de campo receberam instruções dos extensionistas da Epagri Cezar Roberto Bevilaqua, de Passos Maia, e Paulo César Menoncini, do escritório de São Carlos. O objetivo de atividades como esta é “difundir informação sobre uma tecnologia interessante que pode ser utilizada na propriedade e que vai gerar mais rendimento e qualidade nos grãos”, afirma Jeferson Soccol. No mesmo sentido, Anderson defende que é preciso difundir a ideia para outros produtores. “Com o silo secador na propriedade é possível diminuir os gastos com o frete e a armazenagem. Além disso, o agricultor pode ter acesso ao grão que ele mesmo cultivou, que costuma apresentar mais qualidade e se torna uma excelente ração, porque o processo de secagem é feito apenas com ar natural, o que mantém suas principais características”,  afirma o produtor.

Os agricultores interessados em obter mais informações sobre o funcionamento do silo e o enquadramento do sistema em suas propriedades podem procurar os escritórios municipais da Epagri. “O técnico fará o projeto e o cálculo da capacidade de armazenamento de acordo com a espécie de grão e a necessidade de cada produtor. Por isso, o custo médio depende do dimensionamento da construção. Uma das principais características do silo secador é a facilidade da construção e o produtor pode armazenar milho, feijão, trigo, soja, arroz em casca, entre outros grãos”, explica a extensionista Elaine. 

Por se tratar de uma área estratégica para o desenvolvimento da produção agrícola catarinense, a armazenagem de grãos é uma das áreas contempladas pelo programa Pronampe Agro SC, da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina. Através dele, os agricultores familiares podem obter auxílio financeiro para pagamento dos juros de financiamento contratados no Plano Safra, para investimento em suas propriedades. O pedido de adesão ao programa Pronampe Agro SC deve ser feito nos escritórios municipais da Epagri.  

 





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Lula diz que não há espaço para negociação e rejeita “humilhação” de ligar…


Logotipo Reuters

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Por Lisandra Paraguassu e Brad Haynes

BRASÍLIA (Reuters) – Com as tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros subindo para 50% nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro em uma entrevista à Reuters que não vê espaço para negociações diretas com o presidente dos EUA, Donald Trump.

O Brasil não pretende anunciar tarifas recíprocas e não vai desistir das negociações comerciais, disse Lula, mesmo admitindo que não há, no momento, interlocução.

No entanto, Lula não tem pressa e, por enquanto, nem mesmo intenção de ligar para Trump.

“Pode ter certeza de uma coisa: o dia que a minha intuição me disser que o Trump está disposto a conversar, eu não terei dúvida de ligar para ele. Mas hoje a minha intuição diz que ele não quer conversar. E eu não vou me humilhar”, disse.

Apesar das exportações brasileiras enfrentarem uma das maiores tarifas impostas por Trump, as novas barreiras comerciais dos EUA não deverão causar prejuízos tão drásticos à maior economia da América Latina, o que garante ao presidente brasileiro mais fôlego para marcar uma posição mais dura contra o norte-americano do que a maioria dos líderes ocidentais.

“Se os Estados Unidos não querem comprar, nós vamos procurar outro para vender; se a China não quiser comprar, nós vamos procurar outro para vender. Se qualquer país que não quiser comprar, a gente não vai ficar chorando que não quer comprar, nós vamos procurar outros”, disse, lembrando o quanto o comércio internacional do Brasil cresceu nas últimas décadas.

Lula disse não ter problemas pessoais com Trump, acrescentando que eles poderiam se encontrar na Assembleia Geral da ONU, no mês que vem, ou na cúpula climática da ONU em novembro no Brasil. Mas ele lembrou o histórico de Trump de repreender duramente convidados da Casa Branca, como o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, e o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy.

“O que Trump fez com Zelenskiy foi uma humilhação. Isso não é normal. O que Trump fez com Ramaphosa foi uma humilhação”, disse Lula. “Um presidente não pode humilhar outro. Eu respeito a todos e exijo respeito.”

Hoje, o comércio do Brasil com os Estados Unidos representa apenas 12% da balança comercial brasileira, contra quase 30% da China.

Lula descreveu as relações entre os EUA e o Brasil como no ponto mais baixo em 200 anos, depois que Trump vinculou a nova tarifa à sua exigência de fim do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo julgado por tentativa de golpe para permanecer no poder após a derrota na eleição de 2022.

Mas o Supremo Tribunal Federal (STF), que está julgando o caso contra Bolsonaro, “não se importa com o que Trump diz e nem deveria”, disse Lula, acrescentando que Bolsonaro deveria enfrentar outro julgamento por provocar a intervenção de Trump, chamando o ex-presidente de “traidor da pátria”.

“Essas atitudes antipolíticas, anticivilizatórias, é que colocam problemas numa relação, que antes não existia. Nós já tínhamos perdoado a intromissão dos Estados Unidos no golpe de 1964”, disse. “Mas essa não é uma intromissão pequena, é o presidente da República dos Estados Unidos achando que pode ditar regras para um país soberano como o Brasil. É inadmissível.”

Ao admitir que as negociações estão difíceis, o presidente disse que o foco de seu governo agora é nas medidas compensatórias para amortecer o impacto econômico das tarifas dos EUA na economia brasileira, mantendo ao mesmo tempo a responsabilidade fiscal.

“Nós vamos fazer aquilo que estiver no alcance da economia brasileira, mantendo a responsabilidade fiscal que nós estamos mantendo no governo. Vamos fazer o que for necessário”, disse.

“Nós temos que criar condições de ajudar essas empresas. Nós temos a obrigação de cuidar da manutenção dos empregos das pessoas que trabalham nessas empresas. Nós temos a obrigação de ajudar essas empresas a procurar novos mercados para os produtos delas. E nós temos a preocupação de convencer os empresários americanos a brigarem com o presidente Trump para que possam flexibilizar”, afirmou, sem dar detalhes das medidas que serão anunciadas ainda esta semana.

Lula deixou claro que o governo vai trabalhar no apoio às empresas brasileiras e, no futuro, pode tomar outras atitudes, para além da representação na Organização Mundial do Comércio (OMC) feita nesta quarta, mas garantiu que não imporá tarifas aos Estados Unidos.

“Não vou fazer porque eu não quero ter o mesmo comportamento do presidente Trump. Eu quero mostrar que quando um não quer, dois não brigam e eu não quero brigar com os Estados Unidos. Primeiro, porque a relação é muito civilizada. Segundo, porque eu tenho muita relação com o povo americano. Terceiro, porque eu tenho muita relação com os sindicatos americanos, uma relação histórica, muito antes do Trump fazer política. E eu quero manter essa relação e também não quero causar prejuízo aos trabalhadores americanos. É esse o sinal que eu quero dar.”

O governo estuda medidas de retaliação aos Estados Unidos, mas não através de tarifas. Até agora, o que foi estudado, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters, é a chamada retaliação cruzada. Para compensar os prejuízos da indústria brasileira, o governo federal deixaria de repassar a empresas americanas royalties de produtos farmacêuticos e copyright da indústria cultural.

O presidente, no entanto, não confirmou essas alternativas e disse que é preciso muita cautela e paciência.

“Temos que ter muita cautela. A gente sabe que muitas vezes a pessoa morre afogada… porque começa a dar braçadas de forma precipitada e se cansa logo. Vamos agir como se ela tivesse caído numa piscina e nada de dar braçadas, vamos aprender a boiar para a gente sobreviver e quem sabe sair vivo dessa piscina”, afirmou.

Nas articulações do presidente brasileiro entram, por exemplo, uma negociação com os Brics. Perguntado se há alguma negociação em andamento para uma resposta conjunta do bloco, no dia em a Índia passou a ser tarifada pelos Estados Unidos em mais 25%, além dos já previstos 35%, Lula respondeu: “Ainda não tem, mas vai ter.”

Lembrando que ainda é presidente do bloco até dezembro, Lula afirmou que vai telefonar na quinta-feira para o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e nos próximos dias para o presidente da China, Xi Jinping, e em seguida para os demais membros do bloco.

“Vou tentar fazer uma discussão com eles sobre como é que cada um está vendo sua situação, qual é a implicação que tem em cada país, para a gente poder tomar uma decisão. É importante lembrar que os Brics têm dez países no G20. No G7 tinha quatro Brics convidados”, disse.

Lula afirmou ainda que conversará com a União Europeia, com quem o Mercosul fechou um acordo de livre comércio em dezembro, e com o Canadá, que pretende retomar as negociações com o bloco. Este mês, vai enviar um grupo de empresários com o vice-presidente Alckmin ao México, com que o Brasil conversa para ampliar um acordo bilateral.

“Podem ficar certos que eu vou conversar com todo mundo. Primeiro porque eu gosto de conversar. Se o Trump soubesse o quanto eu gosto de conversar, ele já tinha conversado comigo.”

(Edição de Pedro Fonseca)





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Mercados de grãos iniciam o dia com leve oscilação


Os mercados internacionais de grãos abriram nesta sexta-feira, 22 de agosto, com pequenas oscilações nos preços de trigo, soja e milho. Segundo a TF Agroeconômica, o trigo registra leve baixa nos contratos de Chicago, negociado a US$ 505,00 para setembro, diante da entrada de grãos do Hemisfério Norte, melhores perspectivas de produção na Rússia, com mínimo de 85 milhões de toneladas. No Brasil, a aproximação das colheitas nos principais estados produtores pressiona levemente os preços, uma vez que os agricultores resistem a aceitar ofertas mais baixas.

A soja segue em leve alta na CBOT, cotada a US$ 10,35 por bushel para setembro, após fortes ganhos nos dias anteriores. O óleo e o farelo se mantêm estáveis, com o mercado atento à conclusão da colheita americana, à demanda doméstica, às exportações da safra 2025/26 e à falta de compras da China, que limita maiores ganhos. No Brasil, os preços sobem de forma gradual, impulsionados pela demanda chinesa, enquanto analistas monitoram vendas brasileiras e fatores geopolíticos que podem impactar o mercado global.

O milho apresenta ligeira oscilação em Chicago, negociado a US$ 387,75 para setembro, sustentado por estimativas de produtividade recorde nos principais estados produtores dos EUA, conforme levantamento da ProFarmer. Iowa projeta produtividade média de 12.455 kg/ha, acima dos 12.101 kg/ha de 2024, enquanto Minnesota estima 12.733 kg/ha, superando 10.350 kg/ha no ano anterior. No Brasil, os preços começam a subir no segundo semestre com o fim da pressão da colheita da safrinha, refletindo dados da B3 e do Cepea.

No mercado físico nacional e regional, o trigo no Paraná é cotado a R$ 1.419,57, enquanto no Rio Grande do Sul registra R$ 1.283,02. Para a soja, CEPEA Paraná aponta R$ 136,83 e Paranaguá R$ 142,92, e o milho CEPEA indica R$ 64,03, com destaque para negociações também no Paraguai e Argentina. O movimento mostra ajustes diários, variações mensais e influência direta da dinâmica internacional sobre os preços locais.

 





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Confira como estão as safras argentinas



O trigo também apresenta melhora significativa na umidade do solo



O trigo também apresenta melhora significativa na umidade do solo
O trigo também apresenta melhora significativa na umidade do solo – Foto: Seane Lennon

De acordo com dados da Bolsa de Cereales de Buenos Aires (BCBA), um amplo sistema de tempestade avançou sobre o leste da área agrícola da Argentina no início desta semana, trazendo volumes importantes de chuva para os cereais de inverno e para o girassol. No norte do país, a semeadura já supera 70% da área projetada, enquanto no Centro-Norte de Santa Fé, com 23% de avanço, a estimativa de plantio se mantém firme. No total, 15,8% dos 2,6 milhões de hectares projetados já foram semeados, mostrando avanço de 15,3 pontos percentuais em relação ao ano passado e 6,6 pontos acima da média do último quinquênio.

O trigo também apresenta melhora significativa na umidade do solo, em um momento crucial para a refertilização, principalmente nas regiões-chave para a produção. Apesar de alguns excessos de água no centro-leste, a expectativa é que boas condições climáticas normalizem a situação no curto prazo, permitindo a continuação das lavouras e a boa absorção de nutrientes. 

A semeadura da cevada foi concluída em todo o país, incluindo os últimos lotes do sul. Durante o período de plantio, partes do sul, centro e oeste de Buenos Aires tiveram atrasos devido ao excesso de água, que dificultou a entrada das máquinas. Hoje, 98% dos lotes nos principais núcleos cevadeiros do sul apresentam condição de cultivo entre normal e excelente, com 60% das lavouras em perfilhamento. Já no centro de Buenos Aires, 50% das lavouras estão no mesmo estágio.

No milho destinado a grão, a colheita avançou apenas 1,3 ponto percentual na última semana, atingindo 95,9% da área estimada. Esse ritmo representa atraso de 2,8 pontos em relação ao ano passado e 1,1 ponto abaixo da média das últimas cinco safras. Ainda restam plantios tardios e de segunda safra no sul, que demandarão vários dias para retomada geral das colheitas. Assim, a finalização da colheita de milho 2024/25 pode se estender até setembro. A produção projetada permanece em 49 milhões de toneladas.

 





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Frio e chuvas marcam o fim de semana no Sul e Centro-Oeste



O Inmet alerta que a massa de ar frio terá efeitos também na região Norte




Foto: Pixabay

Durante este fim de semana, uma frente fria avança sobre o Sul do Brasil e deve provocar fortes instabilidades, com possibilidade de chuvas intensas em diversos pontos da região. Após os acumulados de até 70 milímetros, a previsão indica queda acentuada nas temperaturas, o que pode resultar em geadas no Rio Grande do Sul no início da próxima semana, especialmente na segunda-feira (25).

Segundo informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o sistema também deve se deslocar em direção ao Centro-Oeste. No Mato Grosso do Sul, a queda nas temperaturas será sentida já no sábado (23), enquanto no Mato Grosso o declínio ocorre no domingo (24). As capitais dos dois estados devem registrar máximas entre 25°C e 30°C. A metade oeste do Mato Grosso será a área mais afetada, com os menores valores previstos.

O Inmet alerta que a massa de ar frio terá efeitos também na região Norte. Na segunda-feira (25), os estados de Rondônia e Acre devem sentir a influência do fenômeno, com mínimas em torno de 20°C nas capitais Porto Velho e Rio Branco. O declínio previsto é de 5°C em Porto Velho e de 3°C em Rio Branco.

No Amazonas, as temperaturas podem chegar a 3°C abaixo do normal no sul do estado, reforçando a intensidade do fenômeno. Essa condição caracteriza o sétimo episódio de friagem registrado em 2025, reforçando o impacto da massa de ar frio na região amazônica.

O cenário climático deve afetar diretamente a rotina da população, tanto no campo quanto nas cidades. Agricultores do Sul devem se preparar para a possibilidade de geadas, que podem comprometer lavouras mais sensíveis às baixas temperaturas. Já no Centro-Oeste e Norte, o frio repentino pode alterar a demanda por energia e serviços, além de surpreender moradores pouco acostumados a temperaturas tão baixas.





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Aviação agrícola brasileira celebra avanços e projeta expansão


O Congresso da Aviação Agrícola do Brasil 2025 encerrou-se nesta quinta-feira (21), após três dias de intensa programação, marcando um importante momento para o setor aeroagrícola nacional. Realizado no Aeroporto Executivo de Santo Antônio do Leverger, em Mato Grosso, o evento contou com a presença de autoridades políticas, empresários, pesquisadores e pilotos, consolidando-se como espaço estratégico de debates, networking e inovação tecnológica.

Segundo informações divulgadas pelo próprio Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (SINDAG), o congresso coincidiu com a comemoração do Dia Nacional da Aviação Agrícola, celebrando os 78 anos da atividade no país. A solenidade de abertura, realizada na noite de terça-feira (19), marcou o lançamento oficial do evento, com discursos que destacaram a importância histórica e econômica do setor para Mato Grosso e para o Brasil.

A presidente do Sindag, Hoana Almeida Santos, ressaltou a relevância da aviação agrícola e os avanços alcançados nos últimos anos. “É com muita honra que damos início a mais uma edição do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil, aqui no coração do agro. Declaro aberto o evento”, afirmou. Hoana ainda destacou o aumento da participação feminina no setor, os desafios econômicos enfrentados e a necessidade de combate aos mitos sobre a atividade. Ela anunciou que 2025 seria o Ano da Segurança na Aviação Agrícola, enfatizando o compromisso com a qualificação e o profissionalismo do segmento.

Durante o congresso, foi entregue a Medalha Mérito Aviação Agrícola, maior honraria do setor, em reconhecimento às contribuições de profissionais e empresas que se destacaram na atividade. O auditório, lotado durante os três dias, recebeu palestras, debates, apresentações científicas e a mostra tecnológica, que evidenciou o porte e a ambição da edição deste ano.

Um dos principais temas discutidos foi o impacto da taxação americana sobre equipamentos aeronáuticos. O economista Claudio Junior Oliveira Gomes, diretor operacional do SINDAG, moderou debates sobre o assunto, destacando que a aplicação da Lei de Reciprocidade pelo Brasil poderia afetar diretamente a compra de aeronaves e a prestação de serviços. “A taxação impacta indiretamente o setor aeroagrícola, pois ele atende setores que são afetados”, explicou. Gomes lembrou que, na fase inicial, a expectativa era de um recuo de US$ 500 milhões, mas ajustes ainda eram necessários devido à exclusão de alguns produtos da taxação.

O setor aeroagrícola brasileiro apresenta crescimento consistente, segundo o SINDAG. Nos últimos 14 anos, a frota nacional aumentou de 1.560 para 2.722 aeronaves, com Mato Grosso concentrando 749 aviões. Para 2025, o faturamento anual do setor deve chegar a R$ 8 bilhões, e a projeção é que a frota alcance 3.400 aviões em 2028, atendendo 170 milhões de hectares em todo o país.

O congresso, que se consolidou como referência no setor, deixou claro que a aviação agrícola brasileira busca crescimento sustentável, inovação tecnológica e fortalecimento da segurança.





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Soluções integradas de energia são destaque



É nesse cenário que acontece a The smarter E South America 2025



É nesse cenário que acontece a The smarter E South America 2025
É nesse cenário que acontece a The smarter E South America 2025 – Foto: Pixabay

A transição energética no Brasil e na América Latina ganha força com debates sobre geração distribuída, armazenamento de baterias, sistemas híbridos e o papel do hidrogênio verde. O setor busca integração entre eletricidade, calor e transporte para construir soluções mais sustentáveis e de longo prazo.

É nesse cenário que acontece a The smarter E South America 2025, entre 26 e 28 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. Considerada a maior plataforma de energias renováveis da América Latina, a feira reúne 680 expositores de 14 países e deve receber cerca de 58 mil visitantes. O objetivo é acelerar soluções integradas de energia e conectar empresas, especialistas e lideranças do setor.

A programação inclui o Congresso Intersolar South America, voltado ao setor solar; o ees South America, sobre armazenamento de energia; o Power2Drive South America, dedicado à eletromobilidade; e o Eletrotec+EM-Power South America, que discute eficiência e sistemas elétricos. Em comum, todos oferecem um espaço para troca de conhecimento e apresentação de tendências.

Além das feiras e congressos, a edição de 2025 terá palcos de inovação, treinamentos técnicos, painéis sobre equidade de gênero na energia solar e encontros para fomentar a cooperação entre Brasil e Alemanha em novos modelos de negócios. A expectativa é consolidar o evento como referência na construção de um futuro energético mais limpo e eficiente para a região.

“A série de exposições e congressos The smarter E South America propõe uma integração entre todos os elos da cadeia de valor, a fim de criar um ambiente onde negócios, tecnologia e conhecimento se encontram. Nossa missão é trazer à tona os desafios e inovações mais importantes da indústria de renováveis e conectar os principais atores do setor para, juntos, construirmos o melhor caminho rumo à transição energética no Brasil e na América Latina”, afirma Florian Wessendorf, Diretor Executivo da Solar Promotion International.

 





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Mapa investiga vacina EXCELL 10 após mortes de animais


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que, em 12 de agosto de 2025, foi notificado pela Agência de Defesa Agropecuária do estado do Piauí (ADAPI) sobre a ocorrência de reações adversas em animais das espécies caprina, ovina e bovina, com possível relação ao uso da vacina contra clostridiose, denominada EXCELL 10, partidas 016/2024 e 018/2024, de propriedade do laboratório Dechra Brasil Produtos Veterinários Ltda.

“Neste momento o Mapa está dedicado e atuando de forma coordenada e integrada com os órgãos estaduais de defesa sanitária para confirmar a causa dos óbitos dos animais e adotar todas as medidas necessárias para proteção da produção pecuária”, destacou o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart.

Confira a ordem cronológica das ações do Ministério da Agricultura e Pecuária:

Após avaliação do caso, o Mapa, em 13 de agosto de 2025, iniciou o processo de fiscalização, solicitando à empresa relatórios de farmacovigilância do produto suspeito.

Em 14 de agosto de 2025, foi realizada fiscalização no laboratório fabricante, em Londrina (PR), com levantamento das notificações do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), além da verificação do processo de fabricação e do controle de qualidade da vacina.

No dia seguinte foi emitida ordem de apreensão cautelar das frações dos lotes 016/2024 e 018/2024 da vacina EXCELL 10 na distribuidora que comercializou unidades da vacina associadas à notificação da ADAPI. De forma complementar, o Mapa solicitou à fabricante o painel de distribuição da vacina em todo o país. Na mesma data, 15 de agosto, a empresa encaminhou comunicado aos distribuidores e lojistas para que fossem interrompidas as vendas dos lotes 016/2024 e 018/2024 da vacina EXCELL 10.

Três dias depois, em 18 de agosto, o Mapa iniciou a apreensão dos lotes na distribuidora localizada em Teresina (PI), coletando amostras para análise fiscal em laboratório da rede oficial. Após avaliação dos dados de distribuição, a ordem de apreensão foi estendida a todos os estados em 19 de agosto.

Na sequência, em 20 de agosto, a empresa emitiu comunicado oficial de recolhimento dos lotes 016/2024 e 018/2024, direcionado a distribuidores, médicos-veterinários e lojistas.

Até o momento, foram notificados ao Mapa os óbitos de 194 ovinos, 4 caprinos e 1 bovino. As ações de fiscalização e investigação seguem em andamento, por meio de inspeções no estabelecimento fabricante/proprietário, e realização de testes em amostras dos lotes da vacina e dos animais que vieram a óbito. A estimativa inicial de conclusão do processo de investigação é de 60 dias.

O Mapa esclarece que a clostridiose é uma doença fatal causada por toxinas de bactérias do gênero Clostridium spp., apresentando sintomas como inchaço muscular, manqueira, incoordenação motora e, em casos graves, rigidez muscular, tremores, trismo, opistótono (arqueamento do corpo com cabeça para trás) e convulsões.

A vacinação continua sendo considerada uma estratégia eficaz no combate à clostridiose. O Ministério ressalta, ainda, que o consumo de produtos de origem caprina, ovina e bovina provenientes de animais saudáveis e inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial é seguro.Informações à imprensa

 





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